Sobre Veneza, Santorini e Martín

Na segunda, eu estava na cozinha, preparando o jantar, e o Martín sempre fica ali, sentado num cadeirão próximo da pia e do fogão, me ajudando. Depois que fizemos todo o processo do arroz e o deixamos pra cozinhar, ele me pediu para levanta-lo para olhar os imãs de geladeira que temos de viagens, e ficou encantado com a máscara de carnaval que trouxemos de Veneza.
Corta para quarta, de manhã. Estou levando ele a pé pra escolinha, que fica a três quadras de casa, e lá pelas tantas ele manda:
– “Papai, você e a mamãe exploraram muito o mundo, né. Quando eu ficar maior, vocês me levam pra Veneza?”
Eu, deslumbrado, afinal Veneza é uma das cidades Top 5 da minha vida (tenho uma queda por cidades “condenadas” a desaparecer, tipo New Orleans, Amsterdã e Estocolmo – ok, essas duas últimas, ainda que circundadas por água, menos), prometi que o levaria. Ele então continuou com a quinta cidade que fecha a minha listinha:
– “Eu também quero andar de burrico como a mamãe andou!”
Essa é uma história que adoro contar, e ele já ouviu muitas vezes: quando vivemos o sonho de visitar Santa Irene, ou Santorini, a cidade nascida em uma ilha sob os vestígios de uma caldeira vulcânica na Grécia, no final de um dos passeios que fizemos de návio (exatamente para visitar a área central do vulcão), descemos no sopé de um enorme morro, e @lili_callegari, já cansada, surpreendentemente aceitou a oferta de um guia e decidiu montar em um burrico para subir os sei lá quantos degraus morro acima (nessa parte da ilha, até hoje os burricos são usados para fazer o transporte de mantimentos e utensílios para a parte alta da vila). Eu, instintivamente, subi em outro no melhor estilo hollywoodiano: “Siga aquele burrico”.
Acontece que o trajeto é uma escada de, sei lá, um metro e meio de largura (se muito) e uns 500 degraus daqueles espaçosos, com uma muretinha baixinha separando a montanha (e os burricos) do azulzissimo e deslumbrante Mar Egeu lá embaixo. Numa situção normal, Lili nunca se aventuraria, e nem eu. Mas cá estamos com um imã de burrico em nossa geladeira, e um filho querendo viver a mesma aventura. Dessa vez, subirei a pé…

Mais? bit.ly/SantoriniBlues


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