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Opinião do Consumidor: Liefmans Fruitesse

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As Fruit Beers são uma verdadeira febre na Europa (que de dois anos para cá também se rendeu a Sidra). Um resumo rápido diria que uma cerveja frutada é aquela de conjunto harmonioso em que o sabor da fruta é balanceado com o da cerveja. Mas nem sempre é assim: na sul-africana Pineapple Fruit Beer, por exemplo, o sabor de abacaxi se perde em meio ao álcool. Na brasileira Göttlich Divina!, o guaraná está presente, mas fica em segundo plano. Estes elementos estão ali para causar um charme no conjunto.

O oposto, em que o sabor da fruta compete em igualdade com o malte, é muito mais comum. Da excelente Wells Banana Bread até a seleção caprichada da holandesa Mongozo (coco, banana, manga, quinua e palmnut – esta última, segundo o fornecedor, “uma experiência espiritual”) chegando até o extenso cardápio de Fruit Beers de cereja e framboesa, que destacam as belgas Kriek Boon (em que cada litro de cerveja recebe ao menos 250 gramas de cereja) e Mort Subite (não se assuste com o nome).

A cervejaria Lifemans, da cidade de Oudenaarde, nos Flandres Orientais da Bélgica, foi fundada em 1679 especializando-se em produzir Oud Bruin (estilo de cerveja originário da região flamenca da Bélgica) e lambics, a maioria frutada (limão, pêssego e cereja). A empresa faliu em 2008, sendo adquirida pela Duvel Moortgat Brewery, que manteve a produção de algumas estrelas da casa como a própria Oud Bruin e a Liefmans Fruitesse (embora tenha perdido a Lucifer para a Het Anker Brewery).

Importada pela Beer Paradise, a Liefmans Fruitesse (com maturação de 18 meses em caves recebendo posteriormente sumos naturais de frutas vermelhas) é um ótimo exemplar do estilo fruit beer já a partir do aroma intenso de cereja, de morango e framboesa – e nada, absolutamente nada que lembre álcool. O primeiro toque na língua reforça o aroma, mas conforme a cerveja se ambienta no paladar, características de amargor a azedo marcam presença não influenciando no final, que permanece adocicado.

Apesar de não estar aparentemente presente no conjunto, a graduação alcoólica de 4,2% da Liefmans Fruitesse é próximo ao de algumas american lagers nacionais (a Skol e a Nova Schin, por exemplo, têm 4,7%; a Bavária traz 4,6%). Refrescante, cítrica, adocicada e fácil de beber (sem muita complexidade em sua fórmula), a Liefmans Fruitesse é uma boa fruit beer que se aproxima (grosseiramente) de um espumante. Para dias quentes e/ou para acompanhar sobremesas. A garrafa de 250 ml está entre R$ 8 e R$ 12.

Teste de Qualidade: Liefmans Fruitesse
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4,2%
– Nota: 2,35/5

Leia também:
– Que tal uma cerveja de banana? E de manga? (leia aqui)
– Wells Banana Bread: uma cerveja que merece ser provada (aqui)
– Kriek Boon: Pode rolar romance, por Marcelo Costa (aqui)

agosto 17, 2011   No Comments

Três Filmes: Bandidas, Professoras, Dentistas

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“Bandidas” (“Bandidas”, 2006)
Sempre duvidei desse filme. Olhava a capa do DVD em promoções, admirava a beleza da deliciosa dupla de atrizes, mas pensava: deve ser uma bomba. Dia desses, num fim de semana preguiçoso debaixo do edredom, eis que o filme começa em um canal a cabo qualquer, e deixei. E não é que o filme surpreendeu. Luc Besson (adoro “O Quinto Elemento” e gosto do cult “O Profissional”) escreveu o roteiro e produziu deixando a direção para os desconhecidos Joachim Rønning e Espen Sandberg. A dupla imprimiu um ritmo bacana à trama que homenageia velhos faroestes enquanto espeta os Estados Unidos: na história, um norte-americano mata o chefão de um grande banco mexicano e ameaça levar a fortuna do país para os yankees. Entram em cena a patricinha Sara Sandoval (Salma Hayek) e a caipira María Alvarez (Penélope Cruz) – a química entre as duas musas é cativante – que juntas formam uma dupla especializada em roubar bancos. Elas são auxiliadas pelo ótimo Steve Zahn (a cena do beijo é hilária) e por Sam Shepard, que ensina às garotas as manhas da arte do latrocínio. Diversão desencanada.

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“O Sorriso de Mona Lisa” (“Mona Lisa Smile”, 2003)
Eis outro filme que sempre evitei. Nada contra Julia Roberts, muito pelo contrário. Cheguei ao cúmulo de ver 14 vezes “Adoro Problemas” – com Julia e Nick Nolte – no cinema (conto a história toda em um texto antigo aqui), mas o que me fazia evitar “O Sorriso de Mona Lisa” era essa pretensa aura “carpe diem”, que tem como maior representante “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989). Dia desses, no mesmo esquema de “Bandidas” (debaixo do edredom), o filme começou na TV a cabo, e deixei. O diretor Mike Newell não consegue evitar que o filme soe óbvio (professora progressista de história da arte muda vida de grupo de meninas em colégio católico nos anos 50). Julia interpreta Katharine Watson, a tal professora que quer exibir quadros de Jackson Pollock para suas alunas – mais preocupadas em se casar antes dos 20 anos – estereotipadas: Giselle Levy (Maggie Gyllenhaal) é a inconseqüente, Betty Warren (Kirsten Dunst) é a metida à inteligente que acha saber tudo da vida enquanto Joan Brandwyn (Julia Stiles) é a simplória sonhadora. Resultado: não verei duas vezes…

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“A Mulher Sem Cabeça” (“La Mujer sin Cabeza”, 2008)
Em seu terceiro filme (após os elogiados “O Pântano”, de 2001, e “A Menina Santa”, de 2004), a diretora argentina Lucrecia Martel radicaliza na simplicidade retirando de cena qualquer objeto que soe supérfluo para a trama. Duas histórias aparentemente distintas abrem “A Mulher Sem Cabeça”: na primeira, alguns meninos brincam em um canal; na segunda, uma mulher se despede das amigas e entra em um carro. O desfecho das duas histórias é óbvio (mas não clichê: Martel aprecia a trivialidade da tragédia), porém o que interessa não é o desfecho deste primeiro cenário, mas como a personagem lida com o ocorrido. A dentista Verónica (María Onetto) entra numa espiral de desespero que, num primeiro momento, faz com que ela se esqueça de tudo (um certo bloqueio). Seu próximo passo é tentar lidar com a situação. Por fim, numa cartada a lá David Lynch, Lucrecia Martel questiona (com genialidade) a realidade dos acontecimentos: pouca coisa acontece no filme, e ainda assim o espectador fica com a sensação que realmente nada aconteceu. Será tudo produto da mente de Verônica? Qualquer resposta encontra um grande filme.

Leia também:
– Julia Roberts, Maggie Carpenter, Anna Scott e Anna Julia (aqui)
– Não há moralismos em “A Menina Santa”, por Jonas Lopes (aqui)
– “A Menina Santa”, uma pequena aula de cinema, por Mac (aqui)

agosto 17, 2011   No Comments