Renovando passaportes
Renovando passaportes
Boas novas no mundo de Wry, The Tamborines, CSS e Kissing Kalina
Por Luciana Lazarini, especial para o Scream & Yell
(www.myspace.com/lulazarini)
Fotos: Divulgação
Há algumas semanas voltei para casa após um ano de Londres. Depois da zonzeira dos primeiros meses na ilha, entre os inúmeros shows, bandas e lojas de discos com tudo-o-que-você-sempre-quis nas prateleiras e artistas do mundo todo mantendo a agenda cultural ultra-diversificada, rolou Justice abrindo para o Cansei de Ser Sexy no Brixton Academy (com o famoso “sold out” estampado no letreiro da fachada), The Tamborines nas noites do Sonic Cathedral e Wry na ’segunda-casa’ do Buffalo Bar, um inferninho bem ao lado da estação de metrô Highbury e Islington.
Como eles mesmos insistem, não se trata de uma cena de bandas brasileiras em Londres. O que The Tamborines, Wry, Cansei de Ser Sexy e Kissing Kalina têm em comum são histórias de músicos que botaram o pé na estrada para não parar mais de fazer shows e criar músicas que transpiram as experiências deles lá. Sem pretensão de se apresentar como uma banda brasileira ou uma banda dessa ou aquela cena da semana, eles preferem diluir alguns rótulos e seguir cada um seu rumo, estilos e referências. A idéia aqui então não é estabelecer fronteiras entre eles, mas ouvir o que têm de novidade - novos singles, shows e histórias de bastidores.
Em poucos toques: Wry planeja turnê (retorno definitivo?) no Brasil, The Tamborines vai lançar o primeiro álbum, CSS - às voltas com o traumático segundo LP - segue com a agenda lotada e Kissing Kalina descola elogios com o primeiro single. O bate papo todo segue abaixo. Que tal fazer uma visitinha à Londres?

Wry: novos rumos?
www.myspace.com/wrymusic
No ano em que o Wry completa a simetria de sete anos de banda no Brasil e sete anos na Inglaterra, os destinos dos sorocabanos ainda é incerto. Há até quem diga que eles já voltaram de vez para o Brasil. Por enquanto, não. Eles ainda estão circulando pela região de Stoke Newington e pelo Buffalo Bar, apesar de já terem oficializado o último show do ano da banda, pouco antes do baterista André Zanini ir embora de Londres no final de maio. Um retorno que, nas palavras dele, “não deixa de ser um protesto contra a magia londrina que atinge qualquer pessoa que fica aqui e não consegue deixar mais a Inglaterra”.
Mesmo com o destino ainda incerto, a novidade para os fãs brasileiros é que o Wry vai tocar no Brasil entre abril e agosto de 2009 e daí mora a possibilidade de eles darem um tempo a mais por aqui. O grupo segue lançando seus álbuns pela Monstro Discos no Brasil e com a Club/AC30 no Reino Unido e, ainda esse ano, sai o “National Indie Hits”, álbum de covers de bandas brasileiras que homenageia gente como Walverdes, MQN, Pin Ups, Snooze, Astromato, Pelvs e Killing Chainsaw, entre outros. No começo de 2009, a banda lança o álbum “Whales and Sharks” no Brasil (que só saiu na Inglaterra pela ClubAC30).
Como o Wry passou grande parte de 2008 dentro da casa-estúdio em Stoke Newington gravando e mixando o novo álbum, “She Science”, o lançamento está previsto para abril. Quer mais novidade? Neste último álbum algumas das músicas são cantadas em português. Lá pelo meio de um ensaio, o vocalista canta a primeira das músicas em português e, só depois de finalizado o transe, bateria, baixo e guitarra se dão conta da ‘nova’ linguagem.
… Some candy talking …
Quem acompanha o blog do Mário Bross (http://mariowry.blogspot.com/) sabe que ele viveu neste ano um dos momentos mais delirantes da banda, que, antes dos primeiros acordes, eram um grupo de adolescentes que sonhava em ser um time de basquete.
16.05.2008. Norte de Londres. Na programação do Buffallo Bar daquela noite, Wry e Le Volume Courbe. O vocalista do Wry checa a lista de convidados do Volume com nomes como Douglas Hart (The Jesus and Mary Chain) e os My Bloody Valentine Kevin Shields (namorado da vocalista do Volume, Charlotte Marionneau), Colm O’Ciosoig e Debbie Googe, além de Bobby Gillespie, vocalista do Primal Scream. Nada mal para Mario Bross, que é declaradamente obcecado por MBV, e teve a certeza de que deveria montar uma banda quando, nos anos 90, assistiu a um cover do Jesus. Os caras assistiram ao show do Wry, que subiu ao palco como quem se entrega para um ritual. Parando a história aqui, eles já teriam ganhado a noite. O tom extasiado do relato do vocalista me impede de tentar recontar. Então, pausa um trecho do blog do Mário Bross sobre o candy talking com Kevin Shields após o show.
“Ele apertou minha mão firme e disse o quanto o show tinha sido bom. Apertou de novo e completou dizendo que teve momentos do show em que ele pensou em músicas novas. Que tinha se inspirado. Eu disse ironicamente que não acreditava no que dizia, mas que depois pagaria uma bebida para ele. Ele sorriu e eu saí dali, com a cabeça a mil. Poucas coisas me atingem, mas algumas me matam, como essa acima. (…) Já era 11pm e conversamos muito depois, sobre tantas coisas diferentes e até segredos que não são contados a jornalistas e que não vou relatar aqui. Um dia talvez eu te conte pessoalmente. Kevin acrescentou mais tarde que a música “Bitter Breakfast” fez ele mesmo pensar numa outra música. Falando com o Luciano, ele disse que estão escrevendo músicas novas pros shows que vão fazer este ano. Conversaram sobre pedais. Sons, Ebay. Conversamos sobre cachês, Brasil, Londres, guitarras, Belinda e os ensaios da banda”.
The Tamborines: entre-tempos e muralhas de pedais
www.myspace.com/thetamborines
Depois de assistir a shows do The Tamborines no Brasil e na Inglaterra, acompanhar os últimos singles lançados e mergulhar pelas viagens de “Sally O’Gannon”, chego à conclusão de que eles são uma banda que sabe brindar o passado e o presente, como quem tem olhos para contemplar o agora. É o tipo de música que revê tempo e espaço. É como se alguém tivesse oferecido aos músicos a oportunidade de viver o ‘espírito do tempo’ de Londres nos anos 60, seguir para a muralha de guitarras distorcidas dos anos 90 e, finalmente, chegar aos anos 2000 para criar uma estética que, provavelmente, nunca vai estar entre os charts, mas tem lugar garantido nos circuitos independentes que (ainda) existem.
O power trio formado por Henrique Laurindo, Lulu Grave e Renato Tezolin - agora de volta à bateria -, lançou o single “31st Floor/Come Together” em agosto - classificado pela revista NME como “The Byrds em uma bad-trip de ácido”. No Brasil, o compacto está à venda pela Sonic Flowers em uma edição transparente fofíssima, com arte e finalização feita pela própria banda. Em novembro, o Tamborines vai lançar a música “Sonic Butterflies”, um single com a banda Black Nite Crash, de Seattle. Depois de bagunçarem a vida com um primeiro label e só após seis meses lançarem “Sally O’Gannon” pelo Sonic Cathedral, o Tamborines agora decidiu viver o ‘do-it-yourself’ e criar o próprio selo, Beat-Mo Records. “Nós mesmos gravamos as músicas, produzimos tudo, da arte da capa até posters. É mais bacana assim, temos liberdade e fazemos quando bem entendermos”, explica Henrique.
A novidade é que a banda está agora concentrada em gravar o primeiro álbum, que vai ser lançado pelo selo Planting Seeds nos Estados Unidos e tem planos de fazer uma turnê por lá no ano que vem (pedido recorrente na página de recados do Myspace deles). Para quem conheceu o Tamborines ainda no Brasil ou por algumas turnês que eles fizeram por aqui, ainda não há shows previstos para o Brasil. “Adoraríamos. Seria legal ir ao Brasil na mesma época, mas tudo depende de custos. Ao mesmo tempo, temos material novo que gostaríamos de começar a gravar assim que este álbum sair, então temos que ver como tudo isso vai se encaixar no nosso calendário”, adianta Henrique.
Com uma lista de top shows no Natural Music Festival, na Espanha; no Truck Festival, em Oxford e Anson Rooms, em Bristol, e um tributo ao Tony Wilson, da Factory Records, o power-trio deixou para trás os palcos improvisados de Maringá. Desde então, eles acumulam momentos lendários, como no show em que um cara da platéia invade o palco, toma conta de um dos microfones e canta metade do set da banda. “Bem, o que ele não sabia é que o técnico de som havia desligado o microfone dele. Por fim, este acabou sendo um dos nossos melhores shows”, lembra Henrique. No Brasil, ele diz que a banda só começou a ser levada a sério depois de elogios do exterior.
Com a palavra, o músico: “No fim das contas, somos uma banda bem underground. Não acho que a crítica do Brasil esteja interessada, pois eles precisam de músicos polêmicos ávidos em alimentar a cena… Na Inglaterra, somos bem respeitados. Ainda que volta e meia consigamos entrar pela porta dos fundos da indústria (através de corporações como BBC ou NME), nós nunca tivemos que apelar ou fazer algo que não acreditamos. As pessoas que nos colocam lá não estão recebendo dinheiro. Acredite: existem as raríssimas exceções, porém quem lida com gravadora grande tem as mãos sujas. But it’s only rock n’roll, right?”

Kissing Kalina: outsiders sintetizados
www.myspace.com/kissingkalina
Eles se consideram outsiders e desviam de fronteiras. De uma combustão musical espontânea, surge o duo Kissing Kalina, formado por Danny Sanchez e Lily Valentine. Ele saiu do Brasil anos atrás e passou por ‘cerca de 843 bandas’ até surgir o KK. Lily cresceu em Londres e entrou em contato com o KK pela primeira vez em 2007, enquanto trabalhava no projeto solo dela: “Fiquei completamente encantada por este mundo estranho e bonito que o Danny havia criado”. No ano seguinte, quando já fazia parte da banda, o duo criou o selo Honey Buzz Records para ter liberdade ao lançar a música deles.
Nas primeiras vezes que se escuta “Here She Comes”, o debut do duo que acaba de ser lançado e pode ser baixado no My Space, a sensação é de ter encontrado uma nova seqüência para ouvir andando rápido pela cidade, relembrando os planos-sequência do filme-B que deu sentido à noite passada. Nas palavras deles, Kissing Kalina soa como The Ronettes numa viagem de heroína. Talvez The Cramps numa onda beatnik. Com single à venda no circuito indie das lojas Rough Trade e Intoxica, a dupla esteve no tracklist do programa da BBC de Tom Robinson, além de rádios da Espanha, Nova Zelândia, Áustria e Estados Unidos. Por enquanto, apesar de eles serem a fim, ainda não têm previsto nenhum show no Brasil.
Para eles, pouco importa definir as origens da banda. “O KK nasceu aqui. Mas como temos uma alta rotação de colaboradores, pessoas de lugares de todo o mundo já tocaram conosco. Daí fica difícil de saber se a banda é inglesa, brasileira, londrina, japonesa, italiana…. Na verdade acho que ninguém envolvido com a banda já parou para pensar nisso”, diz Daniel.
Então esqueça a idéia de uma banda que se apegue a rótulos ou aceite ser encaixada em alguma nova “cena” recém-criada. “Tivemos alguns problemas quando começamos. Algumas pessoas não entendiam porque não soávamos como Libertines, Artic Monkeys ou derivados… Ou porque tocávamos mais alto do que as outras bandas. Algumas pessoas eram um pouco mais agressivas. Me diverti bastante…”, ironiza Daniel. Lily diz nunca ter entendido por que alguém gostaria de fazer parte de uma “cena” e perde o respeito por aqueles que passam a seguir uma nova moda passageira, sem identidade musical. Nessa mesma sintonia, Daniel diz que em Londres não há uma “cena” de bandas brasileiras e, pela diversidade cultural característica da cidade, o que há são “músicos/bandas/artistas/produtores/charlatões de todo o mundo. Cada um faz seu trabalho da melhor maneira possível, ou tenta…”. Eles estão tentando… da melhor maneira possível.

CSS: um assento na janela, ao lado da saída de emergência
www.myspace.com/canseidesersexy
O que não falta para o Cansei de Ser Sexy são polêmicas e rótulos por diversos cantos da internet. De banda brasileira fenômeno mundial, a crise do segundo álbum rendeu história, inclusive, com o rompimento com a baixista Ira Trevisan e o antigo produtor da banda. Tudo revelado em matéria de capa da revista inglesa NME (New Music Express) com direito a choro, traição e a revanche na música “Rat is Dead”. Digno de novela brasileira. Mas o capítulo agora é outro e, depois de uma turnê extensiva de shows pela Europa que durou cerca de dois anos, eles continuam na estrada, agora com o novo álbum, “Donkey” (haja fôlego!).
Com a agenda lotada e sem nenhuma janela até o final de dezembro, segundo o baterista Adriano Cintra, os fãs brasileiros vão ter que esperar mais um pouco para vê-los ao vivo. “Mas queremos muito tocar no Brasil. Tocar aí foi incrível”, garante. Em novembro, eles passam por sete de países na Europa e, na seqüência, Japão. Mesmo que a energia e espontaneidade do primeiro álbum já deixem uma ponta de nostalgia, eles continuam nas pistas de dança do leste de Londres e estão sempre em pauta nas revistas de lá (sem dúvidas, com mais destaque lá que aqui). Neste mês, rolou o lançamento do single “Move” em CD e compacto 7″… mas o vídeo já tinha “vazado” na rede. Confira os remixes no MySpace (vá direto ao do Cut Copy, please).
A proposta é continuar como uma banda média: “Não somos obrigados a fazer coisas que não queremos, como voar amanhã para a Austrália para gravar um programa de tevê. Não, obrigado. Quando você joga um jogo mais pesado, tem que fazer esse tipo de coisa contra sua vontade. Tem que deixar a gravadora meter a mão no seu disco. A Sub Pop nem ouviu as demos de ‘Donkey’! Eu pedi pra mixar com o Mike Stent e eles “tudo bem”. Acho que o CSS gostaria de ocupar um assento na janela, no meio do avião, de preferência na saída de emergência em cima da asa do lado esquerdo. Tá. Somos uma banda de porte médio que está feliz com o tamanho que tem e não tem pretensão alguma de ser algo que não é. Já tocamos no Brixton Academy sold out, já tocamos quatro vezes no Wembley Arena abrindo pra gente muito maior que a gente (o Basement Jaxx e a Gwen Stefany) e no Brasil somos uma banda que deu certo no exterior”, define Adriano.
Agora morando em Londres nos intervalos das turnês, ele diz ser ao mesmo tempo muito bom e esquisito morar fora do Brasil. “É bom porque aqui é primeiro mundo. E esquisito porque a comida aqui na Inglaterra é horrível”.






















27 comentários
Lu
Super tudo suas matérias. Só conhecia o CSS e adorei ver outros nomes brasileiros brilhando lá fora. Acho também que vc tem que mandar o material para uma revista brasileira, tipo a MTV. Tá muito bom..
oi lu!
incrível sua matéria! não conhecia o kissing kalinas, e tipo the tamborines eu nem sabia que era daí.. rs. vergonha!
mas que inveeeeeeja do marios bross, hein?! hehehe..
vc, volta quando?
xxxx du
“Com tudo-o-que-você-sempre-quis nas prateleiras”
New Journalism puro!
Ouvi todas,conheço e digo:Todas são bandas medíocres.decadentes e sem futuro.O poço seca o vazio aumenta.Não por serem brasileiros nem por serem reconhecidos lá fora.Não não conhece q compre.Há de se garimpar mais.Mas o texto está ótimo e cativante.Abraços!
Bangs.
Noto uma pontinha de inveja no seu comentario? Tipo, quer falar mal, fale. Mas use bons argumentos, caso contrario vai soar como um bobao que queria estar estar no lugar deles.
…..lembro que certa noite disse ao Choquito que tinha uma amiga que, tirando aquele lanche horrível em frente a estação do metro, iria adorar toda aquela cena fodaaaaasssaa do Buffalo Bar, “um inferninho bem ao lado da estação de metrô Highbury e Islington.”………..dito e feito!…………….rck!
Ficou muito bonito o texto. Congratulations.
O menino invejoso de cima nao sabe o que fala, que audácia dizer “bandas sem futuro”? As bandas existem faz tanto tempo. Vacilo falar isso, elas ja fazem o que gostam.
Mas normal, cada um na sua.
Pensando bem ha algo bem suspeito nesse Bangs. Digo isso porque as bandas sao muito diferentes e vivem em esferas distantes, mas mesmo assim nosso heroi resolveu coloca-las no mesmo saco.
Meu palpite eh ele a) toca em uma banda b)deve ter ido a Londres “tentar a sorte” e c) acabou amargurado pq ninguem achou suas musicas geniais.
Nao se preocupe amiguinho.. voce nao eh o unico. Ha toda uma galera querendo ver o oco de quem esta fazendo o que gosta.
Minha sugestao, se voce me permite, seria: Relaxe. Ouca mais musica. Leia. Procure se informar.
Algumas bandas querem vender discos, outras curtir, enfim.. cada um na sua, como ja foi dito aqui.
Leve mais fe em voce mesmo. Sem amarguras…
a)Não toco numa banda,nem componho músicas.b)nunca fui a Londres.c)Sim,tenho inveja das meninas que a Lovefoxx pega d)Nenhum grande disco foi lançado ainda pelas bandas citadas…(e provavelmente nunca será)falta sinceridade,criatividade e efetividade sonora.Não que sejam bandas ruins;mas é que não destoam em nada da manada…o poço continua secando gente…ahh.. a Luciana é uma graça e super talentosa!
ah.. entao vc eh so um mala mesmo…
Esse cara não sabe ler.
Tem alguém aqui falando que eles são “as bandas mais fudidas do mundo”? Que vão “salvar o rock”. Acho que tudo que está escrito é o contrário, com a banda assumindo sua posição como artistas, não como “ídolos dourados” e muito menos como solução pra crise financeira americana.
Acho que você não reparou que a matéria é sobre bandas que não são pretenciosas, e nem buscam aparecer se associando com “o famoso produtor de xxxxx” e nem criando polêmicas pra poder virar manchete por motivos além da música (tá… o CSS sofre disso, mas eles viraram o boom do momento - classifico mutio mais como conseqüência do que causa do sucesso deles).
Agora, (falando das que conheço) pegar o Wry e o Tambourines e escrever esse monte de disparates, é um abuso à nossa boa vontade e manter argumentações construtivas. Alguém falou que eles vão lançar o melhor álbum de todos os tempos? Eu li que eles querem lançar “um” disco. Não “O” disco. Ninguém tá falando em lançar um Sgt. Peppers ou qualquer outra coisa que você considere um “discaço” (talvez algum do RBD… vai saber).
Faz o seguinte, volta a postar no Lucio Ribeiro, lá você vai encontrar as “bandas mais importantes do último milênio”, as bandas que vão “mudar o mundo”, e que são “um luuuuxo” e um monte de gente que te vai dar atenção da maneira que você merece.
Sem mais.
LU…
Tô curtindo o povo se matando… E eu, nem posso falar nada, não conheço… Rs…
Adorei vc causando polêmica, amiga….
Raph…sim sou uma mala mas com uma alça do tamanho da sua pretensão…Gasparzinho…quem falou em ‘’salvar o rock”?,”lançar o melhor album de todos os tempos?”…só peço por um disco decente e coeso…aliás…quem é Lúcio Ribeiro?
Léo, você posta primeira falando em “Todas são bandas medíocres.decadentes e sem futuro” e depois foge do ‘salvar o rock”. Suas idéias não estão bem claras neste ponto. Do que li (do texto e dos comentários) e do que conheço posso ressaltar: o Fantasma disse exatamente o que eu entendi sobre o texto. Ou seja: são quatro bandas para se conhecer e pronto (inclusive o CSS, uma banda muito falada e pouco ouvida). Quantas bandas tem futuro hoje em dia? E pra que ter futuro? Você pede um disco decente e coeso e não consegue vislumbrar que o primeiro disco do CSS (quer você goste, quer não) é decente e coeso. Você pode não gostar e não achar isso, mas é. Então esse imbroglio todo me parece bastante desproposital para o que está sendo discutido. Estamos apresentado quatro bandas brasileiras que fazem música morando em Londres sem estarmos prevendo que um dia elas vão ser a número 1 da parada britânica. Você tem todo o direito de não gostar delas, mas dai chama-las de decadentes soa estranho, pois “decadente” parte do pressuposto que elas um dia estiveram em ascenção - e agora já não estão mais - e tem banda ali que acabou de lançar o primeiro single. Acho o “não gostar” positivo (se todo mundo gostasse de tudo o mundo seria uma merda), mas a argumentação está toda equivocada e abre espaço para outros comentários equivocados que fogem do assunto da reportagem e atacam a pessoa ao invés de se prender ao texto.
Abraço
Caro Mac..concordo em relação ao decadente e sem futuro..(mas algo não precisa estar em ascensão pra decair…não necessariamente) foi uma expressão pra apurrinhar mesmo..foi só pra criar polêmica.A questão do gosto sempre será sinuca d bico..agora o primeiro disco do Css ter sido decente isso foi dureza..mas respeito…..no mais o Brasil tem muito e melhor a oferecer,em minha opinião!
Abraço
Ps:Cara; eu realmente adorei a escrita da guria..pode contratar!..hehe
Mas que mania….. “o Brasil tem melhor pra oferecer”. Quem disse que as bandas estão lá disputando algum tipo de olimpíada ou qualquer coisa do tipo? Estão lá levando o som deles, fazendo a música deles num lugar onde existe pelo menos ‘espaço’ pra se mostrar o que faz! Realizando um sonho como banda… Não estão “representando o povo brasileiro” ou qualquer ufanismo desses que o valha. São bandas que foram em busca de um palco pra poderem mostrar sua arte!
Eles podem até se orgulharem de serem brasileiros (ou não), mas não vi em nenhum lugar um apelo do tipo “a mais nova banda do Brasil a invadir a Grã-Bretanha”. Estão lá tocando suas músicas, na maneira que os agrada! Batalhando, trabalhando de dia e tocando à noite, se esforçando pelo prazer de estar onde se quer, fazendo o que se gosta!
Não tem ninguém aqui falando de grandes gravadoras, festivais, estrelato e show business. Me dou a liberdade de dizer que essa é uma matéria muito mais sobre a vida das bandas, suas experiências como pessoas, do que sobre se a música deles “presta ou não presta”. Aqui não apareceu nenhuma crítica dizendo: “ESCUTE!! COMPRE!!! GOSTE!!!”. Está falando sobre “O que é ser uma banda brasileira no Reino Unido”, portanto acho um despropósito e uma falta de educação tremenda desmerecer o trabalho do pessoal. Sinceramente, eu admiro a coragem deles de ir pra lá e dar a cara pra bater. Eu não tenho as manhas…
Não sei se você sabe como isso tudo funciona, se acha que as bandas foram pra lá com contratos milionários morando em flats luxuosos bancados por algum tipo de incentivo fiscal dado pelo governo usando o dinheiro dos impostos que você paga… e então você está EXIGINDO uma música que VOCÊ goste. Sinto te dizer, mas não é bem assim…. Estão aonde querem fazendo o que gostam por esforço próprio, e não estão lá pra te agradar.
Você não gosta? Tudo bem… você não tem obrigação de gostar. Eles também não obrigação de te agradar.
Hahaha, Leo, ok, este pobre editor pobre vai contratar!
Que eu saiba ela já até tem outras pautas em vista…
Polemicas…Polemicas…
Entao voce quer um disco “decente e coeso”? Grave um! Esta insatisfeito com o Prefeito? Vote melhor! Ou monte uma proposta e se candidate. Muitos sofrem desse mal: se acham pessoas esclarecidas so porque possuem celurares, tv a cabo e internet. Confunde critica com inveja e rancor. Como sofrem…
Leo (ou Bangs), se voce quer ser levado a serio tente tecer comentarios mais “decentes” ou “coesos”, procure tambem se informar melhor sobre o uso correto dessa ultima.
Textos necessitam de Coecao e Coerencia. Musica, nao.
Alias, Artes em geral nem operam por essas leis, ou pelo menos as que sao interessantes pra mim.
O “Brasil tem muito e melhor a oferecer”?” Esse tipo de afirmacao me lembra discurso do Figueiredo na ” A Semana do Presidente” que passava na TVS, lembra? Mas, enfim..
Se voce acredita nisso entao compartilhe mesmo. Nao comigo, pois eu nao me interesso em bairrismo.
E talvez seja esse o foco da sua amargura e paranoia: a unica coisa que as quatro bandas supra citadas tem em comum eh o fato de serem brasileiras, porem sem apelar pra imagem “brazucas”, e de que todas (em diferentes graus) tem uma boa recepcao pela imprensa dita especializada, que obviamente nao deve ter conhecimento nem o alto padrao que voce tem.
Nao eh dificil imaginar que nao ter que lidar com “polemicos” ja eh um bom indicativo das escolhas que esse musicos fizeram em mudar pra Inglaterra. Alias, isso ate foi citado na entrevista pra Luciana.
Pra finalizar, e parafraseando Michael Foucault pela segunda vez “voce ja viu algo novo ou util surgir de polemica”? Eu tambem nao.
Acorde filho, voce esta latindo pra arvore errada…
legal ver estas bandas reunidas em um texto só. Acabei checando a pagina do Wry e curtindo bastante. Minha sugestão de outra banda brasileira que esta fora do Brasil (NYC) e produzindo bem e bastante: The Soundscapes dos irmão Rodrigo e Rafael Carvalho
links: http://www.myspace.com/thesoundscapes
http://www.youtube.com/watch?v=Hv_PdfYt0MA
e muitas vezes por aqui: http://www.eastvillageradio.com/ e no nosso web radio show:http://www.eastvillageradio.com/modules.php?name=evrshow&showid=117
abraços
Gostei do Kissing Kalina
Antes de tudo, acho bom não perder de vista o respeito e gastar energia com críticas pertinentes (eita pessoal esquentado!!!). Discutir o gosto/não gosto é questão pessoal e estética pra mais de milênios e não caberia aqui. Já criatividade, estilo e potencial são outros 500 e isso, na minha opinião, as bandas acima têm, ainda que não queiram salvar nada (ainda bem!). Sinceramente, tenho um pouco de preguiça de repetir o que já está um tanto quanto claro, então fico só com uma anedota pra tentar deixar a discussão mais lúdica e menos temperamental:
As revistas inglesas como a NME têm essa onda de a cada estação revelar a nova banda que vai salvar o rock ou preencher o vazio de uma geração. Da última vez que eu li, era o Glasvegas que viria para ocupar o vazio deixado pelo Oasis e bla bla bla. Lembro que li aquilo com um pouco de estranhamento, já que semanas antes eu tinha assistido ao show do Glasvegas e tinha achado cool, mas nada que tivesse me extasiado. Demorou um tempo até que eu deixei de lado aquela bobagem para não deixar que estes ruídos interfiram na minha maneira de receber as músicas de bandas que respeito, cada uma com uma proposta e com visibilidades tão diferentes. Tem uma raiz mitologica e talvez até religiosa essa busca por salvadores, mas não deixa de ser outra busca vazia. Então, até quando a banda não quer preencher vazio, representar uma nação ou salvar um estilo sempre vai ter quem insiste em representá-las apenas por este filtro, ainda que seja apenas pra preencher mais uma lacuna da “a nova sensação (salvação) da semana (passada)”.
As bandas estão ai, como disseram acima, fazendo o que gostam e pra muita gente que gosta do que eles fazem. Acredito que, para eles, não viver no centro de uma cultura mainstream vazia faz parte do estilo de vida. Então não espero nenhuma salvação, os discos me bastam!
PS: E valeu pelas discussões e elogios, acho que nos lemos por aqui em breve.
Oi Lú
Parabéns, muito interessante o seu trabalho!
Um beijo
Jú Jams
Adorei a matéria e a discussão que veio em seguida. Faz tempo que não lia nada sobre Wry - e o CSS é uma das bandas mais legais que temos hoje, apesar do “Donkey” não ser tão legal quanto o disco de estréia da banda…
As bandas citadas estao fazendo o que gostam da maneira que querem e colhendo frutos.
Talvez esse seja o problema do Mr Brasil (ou sera Bangs/ Leo/ Figueiredo?).
O CSS era amado ate sair do pais e se dar bem.
Eh engracado como ainda existem “polemicos” assim, que na verdade merecem continuar esperando o show do Radiohead no Brasil (apesar de estarmos em 2008!) e o Bloc Party dublando no VMB.
legal a Kissing Kalina, melhor que as outras citadas que definitivamente não são pra mim (quer dizer, o Tamborines é um pouquinho)
[…] Vale (re)ler o especial o “Renovando Passaportes”, em que a jornalista e amiga Luciana Lazarini disseca a vida de algumas bandas brasileiras na Inglaterra. Aqui. […]
oi, eu sei que estou meio atrasada, mas onde eu consigo achar mais musicas do Kissing Kalina pra baixar?
Faça um comentário