Posts from — Outubro 2008
“Womanizer”, Britney Spears
http://www.youtube.com/watch?v=1-23EToh43M
Pode falar o que você quiser, mas que Britney voltou com tudo neste sensualíssimo clipe, ah, meu deus, ela voltou. Pra mim, ela está muito mais sexy bebendo água no bebedouro do que nua na sauna, dois extremos de um clipe em que a cantora se transforma em “secretária ousada, garçonete violenta e motorista insinuante” (grifo do Marco, no Mistureba). Tiro meu chapéu pra ela (mas a música é bem mediana)…

Leia mais:
- 500 Toques: “Blackout”, Britney Spears, por Marcelo Costa (aqui)
Outubro 20, 2008 4 Comments
Paul Weller cancela shows no Brasil
Depois do Gossip é a vez de Paul Weller cancelar seus shows no Tim Festival, que começa nesta terça-feira com show de Sonny Rollins. Paul Weller cancelou sua vinda devido a problemas com o visto de um dos músicos de sua banda. O Tim Festival divulga, na próxima quarta-feira, como ficará a configuração do festival sem o ex-integrante do The Jam.
Ps. Se não tivesse tão em cima da hora seria uma ótima oportunidade para correr atrás de BRMC e Spiritualized…
Ps2. Bonnie “Prince” Billy em São Paulo, no Studio SP, dia 27 de novembro, e em Salvador no dia 28…
Outubro 20, 2008 3 Comments
Mostra de SP: “Ninho Vazio”

“Ninho Vazio”, de Daniel Burman – Cotação: 2/5
Em seu sexto filme, o argentino Daniel Burman (de “Esperando o Messias” e “O Abraço Partido”) aproxima-se tematicamente do cinema do canadense Denys Arcand. Há muitas similaridades entre “Ninho Vazio”, do argentino, com “A Época da Inocência”, do canadense, sendo que os principais se apóiam no desagradável personagem principal dos dois filmes e na junção de ficção e sonho.
O texto de Burman é muita vezes corrosivo e diverte em várias passagens, mas o vai e vem da história não convence, embora o tema seja caro a todos nós. Leonardo, o personagem principal, é um dramaturgo famoso que percebe que seus três filhos deixando a casa para estudar no exterior, o ninho está ficando vazio e ele está se distanciando de sua mulher, a bela Martha.
Ao mesmo tempo em que percebe essas pequenas coisas que sinalizam sua crise de meia-idade, Leonardo passa um bom tempo no mundo ficcional dos sonhos apaixonado por um jovem dentista e filosofando coisas da vida com o marido de uma amiga de sua mulher. São essas passagens que rendem os melhores momentos da trama (com o tal amigo afiado no discurso) e também os mais constrangedores (os momentos de dança).
O mal-humor do personagem principal o distancia do público (o espectador chega, em certo momento, a esperar a traição da mulher como uma resposta justificável para as atitudes distantes do marido), embora sua natureza serena pareça pedir colo. O cinema humanista de Daniel Burman brinda o espectador com belos achados de texto e imagens, mas não se fecha em um grande filme. Nesse ponto, Arcand, se saiu melhor.
Leia também:
- “A Era da Inocência”, de Denys Arcand, por Marcelo Costa (aqui)
- “O Abraço Partido”, de Daniel Burman, por Marcelo Costa (aqui)
Outubro 19, 2008 No Comments
Coleção Iê, Iê, Iê

A Conrad está fazendo uma promoção excelente com o pacote de quatro volumes da coleção Iê, Iê, Iê, que conta com os livros “Reações Psicóticas”, de Lester Bangs, “A Última Transmissão”, de Greil Marcus, “Criaturas Flamejantes”, de Nick Tosches e “Beijar o Céu”, de Simon Reynolds, os quatro livros por R$ 47 (R$ 11,75 cada um, uma bagatela!). Aqui.
Outubro 19, 2008 2 Comments
“The Power Of Negative Thinking”, The Jesus and Mary Chain

Eles estão há exatos dez anos sem apresentar nada de novo. O último álbum de originais foi “Munki”, de 1998, e nesse meio tempo – desde o anuncio oficial do fim em setembro de 1999 – foram lançadas três coletâneas: “The Complete John Peel Sessions” (2000), vinte e uma canções registradas em seis sessões ao vivo na BBC (incluindo sete registros com Bobby Gillespie na bateria), “21 Singles” (2002), e “BBC - Live in Concert”, com duas apresentações, uma em 1992 e outra em 1995.
Porém, deste janeiro do ano passado, quando os irmãos Reid confirmaram o retorno – que aconteceu oficialmente em abril de 2007, no Festival Coachella, nos EUA – que a espera por um álbum novo se fez urgente. Enquanto o disco novo não sai e a banda não baixa no Brasil para seu show no Planeta Terra 2008 (e em Buenos Aires, no Personal Fest), chega às lojas o box quádruplo “The Power Of Negative Thinking” (”O Poder do Pensamento Negativo”) com raridades e b-sides do grupo escocês.
A rigor, o Jesus já tinha lançado três álbuns de raridades em sua carreira: “Barbed Wire Kisses” (1988), “The Sound of Speed” (1993) e “Hate Rock N’ Roll” (1995), os três extensamente representados em “The Power Of Negative Thinking”. Do primeiro só ficou de fora “Mushroom”, versão ao vivo de 1987 de uma canção do Can. Já do segundo são duas as faixas “esquecidas”: uma versão mais longa de “Reverence” e outra – também estendida – de “Sidewalking”. Por fim, do terceiro ficou de fora o remix de gemidos para “Teenage Lust – Desdemoana Mix”.
Assim, das 81 faixas de “The Power Of Negative Thinking”, 38 já haviam aparecido nas três coletâneas de raridades lançadas. As 43 restantes englobam b-sides, covers e oito números nunca lançados. O box abre com “Up Too High”, retirada da primeira demo do Jesus and Mary Chain, de 1983. Já estava (quase) tudo ali: o vocal tristonho, a paixão por Phil Spector, teclados gélidos. As microfonias ensurdecedoras viriam logo adiante, no single “Upside Down” lançado em novembro de 1984 pelo mítico selo Creation, com “Vegetable Man”, cover barulhenta de Syd Barret, no lado B.
No CD 1, ainda, versões demo de “Just Like Honey”, “My Little Underground” e “The Living End” (as duas últimas, inéditas), a empolgante “The Hardest Walk” (que só saiu na trilha do filme “Alguém Muito Especial”, clássico da Sessão da Tarde anos 80), versões acústicas (”Taste of Cindy”, “Cut Dead”, “You Trip Me Up”) e b-sides poderosos como “Suck”, “Ambition”, “Just out of Reach”, “Boyfriend’s Dead” e a dobradinha “Some Candy Talking”/”Psychocandy”, a música, além da inédita e barulhenta “Walk and Crawl”, gravada em janeiro de 86, e nunca lançada oficialmente.
O segundo CD abre com nuvens de microfonia (”Kill Surf City”, “Bo Diddley Is Jesus” e “Who Do You Love”, cover de Bo Diddley), mas o que impressiona é o ótimo country “Shake”. Versões demo de “Happy When It Rains” (ótima) e “On the Wall” e um remix da cover dos Beach Boys “Surfin’ USA” se destacam em meio a canções que entram no clima “Darklands” como “Break Me Down”, “Shimmer”, “Swing” e “Don’t Ever Change” além de estranhezas como “Penetration” e delicias como “Subway”, “Sidewalking” e “Happy Place”. Fechando, uma cover para o hit “My Girl”.
O CD 3 vem no clima dos álbuns “Automatic”/”Honey’Dead” com bateria à frente em “In the Black”, um q de Beatles perdido sobre o peso dançante de “Terminal Beach”, e covers de Leonard Cohen (”Tower of Song”), Jerry Reed (”Guitarman”, imortalizada por Elvis), Roky Erickson (”Reverberation”) e Willie Dixon (”Little Red Rooster”). Boas canções são recuperadas como as barulhentas “Snakedriver”, “Sometimes”, “Something I Can’t Have” (de riff forte e inesquecível) e “Write Record Release Blues” além das calminhas “I’m Glad I Never”, “Drop”, “Why’d You Want Me” e uma versão acústica de “Teenage Lust”.
Fechando o pacote, o CD 4 centra foco na fase final do grupo com grandes canções que mereciam muito mais destaque. São o caso de “Perfect Crime”, “Little Stars”, uma regravação de “Drop”, o delicioso folk “New York City”, “Ghost of a Smile” (de Shane MacGowan, do Pogues), “Bleed Me”, “Hide Myself”, “Easylife, Easylove”, “40,000K” e duas canções do guitarrista Ben Lurie, que integra a banda desde 1989: “Taking It Away” e a pungente “Rocket”. Há ainda a inédita “Till I Found You”, versões demo para “Dirty Water” e uma estranha cover para “Alphabet Street”, de Prince.
Além dos quatro CDs, “The Power Of Negative Thinking” ainda traz um livreto de 64 páginas com entrevistas com os intregrantes da banda e um pôster que mapeia a arvore genealógica com todo mundo que passou pela banda de 1983 até a turnê de divulgação do álbum “Munki”, em 1998. Mais do que compilar b-sides e raridades, “O Poder do Pensamento Negativo” mostra que a Corrente de Jesus Maria fez muito mais do que seis álbuns brilhantes em 25 anos de carreira. Muito daquilo que você não conhecia está reunido aqui. Pegue uma cerveja e ajoelhe-se.
“The Power Of Negative Thinking”, The Jesus and Mary Chain (Rhino)
Preço em média: R$ 200 (importado) Consultar na Velvet CDs
Nota: 10
Outubro 19, 2008 5 Comments
Mudhoney em São Paulo
Na porta do clube Clash, em São Paulo, na noite de sexta-feira, um tumulto de camisas de flanela e cabeludos fazia parecer que estávamos todos fazendo parte de uma locação do filme “Singles”, de Cameron Crowe (com muito menos garotas do que na película). Dentro do Clash, a sensação se amplificava e a máquina do tempo musical parecia ter jogado todo mundo nos primeiros meses de 1992. The grunge is not dead, baby.
Poucas horas antes, na região do ABC paulista, terminava de forma trágica o mais longo cárcere privado acontecido no estado de São Paulo: Lindemberg atirara na cabeça de sua ex-namorada, Eloá, e da amiga dela, Nayara. O caso vinha sendo acompanhado por todo o país e lembra uma das primeiras coberturas nacionais feitas nos EUA (retratada por Woody Allen em “A Era do Rádio”) de uma menina que caíra num fosso, e não sobreviveu ao resgate numa “vitória” da tragédia sobre a fé.
Algumas pessoas podem argumentar que não conheciam Eloá (assim como não conhecem os pedintes na rua) e que tem mil outros problemas seus para resolver, um gesto meio umbiguista que podem funcionar tanto como proteção quanto como egoísmo, cada um com a máscara que melhor lhe cabe. Em São Paulo, de duas a três horas após a tragédia, Ana Carolina, Ed Motta, Beth Carvalho e Mudhoney tentavam entreter seus públicos tocando a vida para frente.
O que diferencia o Mudhoney dos outros artistas que tocavam no mesmo horário em São Paulo é que uma das principais formações de Seattle leva ao palco uma usina de barulho com o poder de expurgar demônios. Diante de um mundo tão violento, diante de crimes brutais, diante da fome e da miséria, admiro aqueles que consigam sair de casa e cantar: “Há quem acredite em milagres / Há quem cometa maldades / Há quem não saiba dizer a verdade (…) / Eu não sei parar de te olhar”. Mesmo.
A passagem dos norte-americanos pelo Brasil visava divulgar o novo (e ótimo) “The Lucky Ones”, oitavo disco de inéditas do combo liderado por Mark Arm, que abriu o show pontualmente às 22h com três porradas, incluindo a excelente “I’m Now”. O som, no entanto, não colaborava. Era possível ouvir tudo com perfeição, mas o volume estava baixo demais para quem já havia presenciado a destruição rocker que o Mudhoney promoveu no Olympia, alguns anos atrás.
O público, hipnotizado, estava pouco ligando para o volume. Bastou Mark Arm assumir a guitarra base e soltar o riff da esporrenta “Suck You Dry” que todos foram ao delírio. Corpos flutuavam sobre cabeças enquanto a bateria de Dan Petters fazia da canção um dragster desgovernado descendo a rua Augusta a 300km por hora. Outro clássico, “Sweet Young Thing Ain’t Sweet No More”, foi recebido com flashes de celulares e mãos levadas ao alto louvando o metal.
“Touch Me I’m Sick” surgiu em uma versão mais limpa com o público cantando toda a letra assim como fez em “Hate The Police”, que encerrou o show. No bis, após a tempestuosa “Here Comes Sickness”, Mark Arm pedia encarecidamente para a galera maneirar no pogo e na porrada. “Tem gente se machucando aqui na frente, por favor, cuidado. Nós não estamos mais em 1992″, dizia o vocalista. Quase errado. Dentro do Clash, na noite de (quinta e) sexta, era 1992. Lá fora, na violenta São Paulo, já estávamos em 2008. O mundo não nos deixa esquecer…
Fotos: Liliane Callegari (http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/)
Leia também:
- Duas vezes Mudhoney, por Marcelo Costa (aqui)
Outubro 19, 2008 2 Comments
“Um BigMac já os faz felizes”
Bauru X BigMac, Tubaína
Não agüento mais americano paieiro
Contando mentira pro mundo inteiro
Povinho metido e muito picareta
Acham que são os donos do planeta!
Eles ignoram o Pai da Aviação
Dizem que os tais Wright inventaram o avião
Mas não contam a verdade do fiasco
Não voou; jogaram de um penhasco!
A geografia deles é meio diferente
Chamam-se de América e esquecem a gente
Não sabem que existe terra ao sul do Equador
Pensam que aqui só vive índio e caçador!
O México prá eles tá na América Central
Bolívia, Colômbia e Brasil é tudo igual
Acham que aqui só tem banana e carnaval
E que Buenos Aires é a nossa capital!
Não vêem um palmo à frente dos narizes
E um BigMac já os faz felizes
Porque não conhecem…
Bauru, Jaú, Itu, Embu!
Jarinu, Arandu, Baguaçu, Cajuru,
Piraju, Taiaçu, Trabiju, Tambaú,
Igaraçu, Pacaembu, Embu-guaçu, Miracatu,
Paraguaçu, Piacatu, Itaguaçu, Botucatu!
Mudaram o nome do esporte bretão
O futebol pra eles é brincadeira de mão
Um monte de marmanjos se dando porrada
Correndo atrás de uma bola amassada
E quando nos filmes marcianos aparecem
É na Califórnia que as naves sempre descem
Mas a verdade é que se alguém nos invadir
Vai com certeza começar por Birigüi!
Megalomaníacos por natureza
Acham que já viram tudo que é grandeza
Porque não conhecem…
Itu, Jaú, Bauru, Embu
Jarinu, Arandu, Baguaçu, Cajuru,
Piraju, Taiaçu, Trabiju, Tambaú,
Igaraçu, Pacaembu, Embu-guaçu, Miracatu,
Paraguaçu, Piacatu, Itaguaçu, Botucatu
…e Birigüi!
Baixe o álbum “10 Anos sem perder o gás” (com clássicos como “Deus e o Diabo em Sorocaba”, “Biribol”, “Voltar para Birigui”, “O Diabo é Português” e “ De Queluz Eu Não Passo”) no site oficial do Tubaína
Outubro 17, 2008 1 Comment
Palestra na Sercom 2008
Outubro 17, 2008 1 Comment
Apenas uma palavra
Ressaca
Outubro 17, 2008 6 Comments
Discotecagem na Festa Mojo, nesta quinta

Nesta quinta divido as pick-ups da festa Mojo Club, no Tapas, ao lado do Ibotirama, com o amigo Thiago Ney. Assim, não consegui nem pensar em set list nem nada. Quero chegar em casa amanhã, separar uns CDs e tocar as coisas que for dando vontade. Com o calor que deverá estar, vou beber um tonelada de chopp escuro, mas prometo não tocar Madonna.
Eu toco de 20h30 às 22h e depois entra o Thiago Ney, que segue até às 23h30. O lance é free até às 23h e até às 21h, na compra de um mojito, ganha-se outro. E o chopp Eisenbahn está 4,5… Espero você lá! Ok, vai rolar Spiritualized…
Outubro 15, 2008 7 Comments
Na guerra, no amor e na política…
vale tudo. Mesmo?
O assunto do momento em São Paulo é a propaganda política (já retirada do ar) de Marta Suplicy em que a candidata petista pergunta, em certo trecho, se os eleitores sabem quem realmente é Gilberto Kassab, “se ele é casado? se tem filhos?”. O coordenador da campanha petista, bem cara de pau, virou-se contra a imprensa, repudiando o que ele chama de insinuações da mídia. Melhor se saiu o repórter especial do iG, Maurício Stycer, que em sua coluna de hoje mandou: “Marta e Kassab parecem falar a verdade quando dizem que o outro mente” (leia aqui).
Como diria Jack, o Estripador, uma coisa de cada vez. A afirmação de Marta (e da coordenação da campanha) sobre a pretensa homossexualidade de Kassab foi extremamente grosseira e fuge ao campo que realmente interessa ao eleitor: o que eles realmente vão fazer por São Paulo? Chega a ser bisonha a pergunta de Marta, uma sexóloga que sabe muito bem que pouco importa se um governante é (parafraseando Morrissey em “América In Not The World”) negro, mulher ou gay. O que realmente importa é o que ele quer fazer pelo povo e para o povo.
Ok, segunda parte. É bastante inocente pensar que Marta não soubesse no que iria dar sua cutucada sexual em Kassab. Para mim, ela pesou e imaginou: “os ativistas vão reclamar um pouco, mas o povão dos bairros em que perdi o primeiro turno - e que são extremamente tradicionalistas - vão vir para o meu lado”. É o velho bordão do “na guerra e no amor vale tudo”. Mas será que vale mesmo? Sinceramente: tenho vergonha dessa declaração de Marta Suplicy. Ela ameaça jogar por terra anos e anos de batalha social em pró dos direitos humanos, e cada um tem o direito sim de escolher o sexo que mais o atrái.
Se o mundo fosse perfeito, e se Kassab fosse macho (como brinco sempre: é preciso ser muito macho para sair montado na rua, todo travestido, de salto alto, no meio da noite - risos) o bastante, ele assumiria publicamente sua posição sexual (como fez o prefeito de Paris) e levantaria uma bandeira que poderia escurraçar Marta. Se o mundo fosse perfeito e se Kassab não tivesse 17 pontos percentuains à frente da petista neste momento da campanha. É muito cedo para arriscar entrar no jogo da concorrente e perder por capricho ideólogico.
Isso não quer dizer que Kassab está perdoado de todos os seus pecados políticos. Sua associação com Maluf e Pitta é algo que colocaria à prova o curriculo de qualquer homem do bem, imagine de um político. Como escreveu Stycer, “Ao se acusarem de mentirosos, Marta e Kassab parecem falar a verdade”. No fundo, o que fica é a VA total de ter pessoas como essas brigando pela prefeitura da cidade mais populosa do país, com amigos meus sendo assaltados em qualquer hora do dia, e eu demorando 1h30 para chegar em casa de ônibus num trajeto que, a pé, eu faço em 1h20. Independente de quem vencer, fica a sensação de que nós, paulistanos e brasileiros, perdemos.
Outubro 15, 2008 3 Comments
Coisas do iG
Estreou nesta terça-feira a nova TV iG. Quer conhecer a redação? Só não vale se apaixonar pela Karen, a apresentadora, que é queridissima, hein. Vídeo 1, vídeo 2, vídeo 3.
Acho que não tinha apresentado o Twitter de Pérolas da redação, né? Aqui.
Outubro 14, 2008 3 Comments
500 Toques: Kynna, Seychelles e A VI Geração da Família Palim

“Underground”, Kynna (Independente)
Na voz, Lilian, uma das musas da Jovem Guarda. Na guitarra, a lenda Luiz Carlini. No repertório, canções poderosas do Autoramas (”Música do Amor”), Bidê ou Balde (”É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos”), Wander Wildner (”Eu Não Consigo Ser Alegre”), Graforréia (”Colégio Interno”) e Júpiter Maça (”Lugar do Caralho”). Porém, não basta juntar boas premissas para ter um grande disco. É preciso gravá-lo decentemente. Infelizmente, não é o caso. Falta som e bons arranjos em “Underground”, uma decepção.
My Space: http://www.myspace.com/kynnaband
Nota: 2

“Nananenem”, Seychelles (Mondo 77)
Em seu segundo álbum, o quarteto paulista volta a praticar a arte (muitas vezes tola) de ser difícil. “Nananenem”, como na estréia, está cheio de boas idéias que se perdem na tentativa vã de ser… diferente. Se o primeiro EP trazia a ótima “Papel” e na estréia brilhava a fodaça “Ninfa do Asfalto”, “a” canção de “Nananenem” é a teatral e discursiva “Ansiedade e Obsessão”, em que arranjo, melodia e letra se encaixam a perfeição. Parece que eles sabem como fazer, só não querem. Quem sabe o próximo.
Download gratuito: http://www.sey.art.br/downloads/
Nota: 4
Leia também: “EP”, Seychelles, por Marcelo Costa (aqui)

“Porque No Te Calas?”, A VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia (Volume 1)
O combo paranaense está fazendo pela Turquia o que os paulistas do Tubainas do Demônio faziam pela pacata Birigui nos anos 90. Os “turcos” perdem de goleada para os “biriguenses” na comparação, o que não irá impedir ninguém de gritar os refrões grudentos de “Pe. Quevedo Não Vai Pro Céu” e “Filho de FDP”, gemer junto (ops) em “Digna de Honra ao Mérito” (homenagem à atriz pornô Mayara Rodrigues) e divertir-se em “Indie D+”, que conta com os indies do Charme Chulo. Nada de novo. No céu, Mamonas riem.
Preço em média: R$ 15 (http://www.familiapalim.com.br/UntitledFrameset-3.htm)
Nota: 5
Outubro 14, 2008 2 Comments
Spiritualized em… Buenos Aires
A Rolling Stone argentina anuncia o line-up oficial do badalado Personal Fest 2008:
Viernes 31 de octubre
The Offspring
The Jesus & Mary Chain
Spiritualized
!!!
Four Tet (UK)
Nação Zumbi (Brazil)
Uffie & Feadz (DJ)
The Draytones (UK - Arg)
Massacre
Los Pericos
Los 7 Delfines
Bicicletas
El Canto del Loco (España)
Alai
Sábado 1ro de noviembre
REM
Kaiser Chiefs
Bloc Party
The Mars Volta
Emmanuel Horvilleur
Leo Garcia
Mole
Zeta (DJ set)
No Lo Soporto
Javiera Mena (Chile)
Rosal
Coiffeur
Banda de Turistas
Os ingressos, antecipados, estão saindo por 90 pesos, cerca de R$ 70…
Vou dizer: se o projeto “fim de ano” não rolar (pelo aumento do dólar), vou fazer uma visita rápida a Buenos Aires no final do mês. A foto que abre o post é do show do Spiritualized que vi (leia mais) em Benicàssim, na Espanha, em julho. Vou te dizer: é foooooda.
Outubro 14, 2008 9 Comments
Duas vezes Mudhoney

No momento em que completa 20 anos de sujeira, o Mudhoney brinda seu público e o rock and roll com um caprichado lançamento duplo: uma edição luxuosa com mais de 30 canções de “Superfuzz Bigmuff”, estréia da banda em 1988, e “The Lucky Ones”, oitavo trabalho do grupo de Mark Arm, que insiste em mostrar ao mundo como o rock pode ser desavergonhadamente barulhento e ao mesmo tempo interessante.
“Superfuzz Bigmuff” veio ao mundo em formato EP com seis canções, mas dois anos depois a Sub Pop já engordava o disquinho com mais seis faixas, os “Early Singles” como apresenta a versão nacional lançada pela Trama no começo da década. Esta reedição de luxo traz – além das doze faixas anteriores e duas faixas raras – três versões demo e quinze ótimos registros ao vivo da época em Berlim (16/11/1988) e na rádio KCSB-FM de Santa Bárbara (10/10/1988), nos Estados Unidos.
Impossível falar desse álbum sem passar pelas versões originais dos standarts arrasa-quarteirão “Touch Me I’m Sick”, “Sweet Young Thing Ain’t Sweet No More” e “Hate The Police”. A primeira aqui reaparece em duas versões ao vivo (a primeira com áudio prejudicado na introdução, mas recuperado a partir do primeiro refrão) e a segunda surge numa versão ao vivo fidelíssima registrada no show na Alemanha, 1988, com Mark Arm berrando a letra até onde seu vocal consegue alcançar.
“Mudride”, um dos épicos do primeiro EP, aparece em quatro (!!!!) versões, mas é na comparação do registro oficial com a demo que pode-se avaliar o excelente trabalho do produtor Jack Endino nos primórdios do grupo. Destaque ainda para “Twenty Four”, primeiro lançamento oficial do grupo – que já havia aparecido na obrigatória coletânea “March To Fuzz”; “The Rose”, da rara coletânea “Sub Pop 200″; “Here Comes Sicknes” em matadora versão ao vivo; e os 14 minutos demolidores de “Dead Love”.
Já “The Lucky Ones” continua seguindo a trilha de barulho aberta nos anos 2000 pelo ótimo “Since We’ve Become Translucent” (2004) e seguida pelo bom “Under a Billion Suns” (2006). Nada de invenção, prega o Mudhoney. O que interessa é guitarra e baixo afundados em um denso lodo de sujeira, a bateria limpa de Dan Peters e o vocal personal de Mark Arm tentando hipnotizar o ouvinte.
O álbum abre em alto nível com o “I’m Now”, uma porrada dançante de riff forte cujo refrão repete: “o passado não faz sentido / o futuro parece tenso”. O apelo sexual do título “Inside Out Over You” é embalado por uma bateria galopante e um ótimo riff psicodélico. A faixa título entra para o rol de canções destruidoras do Mudhoney, e deve ensurdecer desavisados ao vivo.
O pedal fuzz faz do riff de “Next Time” uma barulheira sem fim. “And the Shimmering Light” é uma das surpresas do disco com seu clima de rock nonsense, o break bluesy no meio e o tédio do refrão que diz: “Não há nenhuma palavra que explique o que você sente”. O baixo provoca na abertura de “The Open Mind”, que traz uma poderosa guitarra circular e a voz de Arm mais enfiada na mixagem do que costume.
“What’s This Thing?” destaca um refrão pegajoso enquanto “Running Out” paga tributo aos Stooges (como quase todo o álbum, na verdade). “Tales of Terror” é o momento quebra tudo do disco, uma homenagem ao grupo punk homônimo que já havia sido gravado por Mark Arm quando ainda integrava o lendário Green River. Uma porrada acelerada e destruidora que deve render momentos inesquecíveis em shows.
A arrastada “We Are Rising” anuncia que o disco está chegando ao fim, e embora o vocal de Mark Arm alcance momentos de brilho, a suavidade da melodia (com a barulheira afastada na mixagem) não convence, porém “New Meaning”, número de encerramento, traz à tona o bom e velho Mudhoney, mesmo com Dan Peters variando os ataques na bateria e a guitarra soando deliciosamente limpa no solo.
Entre “Superfuzz Bigmuff” e “The Lucky Ones” (que está ganhando edição nacional via Inker), passado e presente, lá se vão 20 anos de bons serviços prestados ao rock and roll. Comparativamente parece que se passaram apenas alguns segundos. Ainda bem. Os sortudos somos nós.
“Superfuzz Bigmuff – Deluxe Edition”, Mudhoney (Sub Pop)
Preço em media: R$ 65 (imporado)
Nota: 10
“The Lucky Ones”, Mudhoney (Inker)
Preço em media: R$ 25 (nacional)
Nota: 8

Outubro 13, 2008 3 Comments
Planos de segunda-feira
- Quero voltar a ler. Separei a biografia do Tim Maia, que comprei faz séculos e está lacrada em casa…
- Assistir ao ”Linha de Passe”. Estou enrolando, mas bem afim de ver o filme.
- Escrever sobre a Leffe.
- Preparar um set list interessante para a “minha noite” na festa Mojo, no Tapas, na quinta-feira. Assim que o Danilo e o Ricardo me passarem o flyer, coloco aqui, mas está todo mundo convidado. O lance começa ali pelas 19h e é ali na Rua Augusta, do lado do Ibotirama. Aparece.
- Preparar uma boa palestra para a Sercom 2008, Semana de Comunicação da UniRadial Estácio de Sá. O tema será Jornalismo Cultural, Internet e Mercado de Trabalho, e estou tentando fazer umas coisas diferentes das minhas palestra anteriores, que se centraram especificamente em contar experiências profissionais. Espero que eu consiga colocar as idéias em prática, vamos ver.
- Assistir ao show do Mudhoney…
Outubro 13, 2008 5 Comments
Quadro de medalhas

Participei neste domingo da 5ª Corrida Santos Dumont, em São Paulo. Eram dois trechos e, totalmente fora de forma, aceitei o convite de Lili - que vem treinando faz alguns meses - para encarar a corrida de 5 quilomêtros. Acordamos às 6 e pouco da manhã (fui dormir quase às 4h após assistir o excelente GP do Japão - que corrida!), Lili tomou um rápido café, encarei um leite frio - que sempre ajuda a diminuir a força da gastrite - e lá fomos nós para o Campo de Marte.
Não lembro a última vez que havia corrido uma prova dessas, mesmo descompromissadamente. Faz um tempo que estou buscando uma atividade para fazer amparado naquela velha máxima de que é melhor cuidar do corpo, já que a alma já era (risos). Pensei no futebol, mas é preciso uma boa turma, sem panela, que não faça você correr a toa na quadra, e isso é difícil. A natação sempre foi vista com carinho por estes lados, e ainda devo encarar uma piscina. Só preciso encontrar um bom lugar, perto e… barato.
Ainda tem o squash, inspirado no começo de “Annie Hall”, do Woody Allen. Já acertei com um amigo, já vimos o preço da quadra, mas - putz - as raquetes são caríssimas. Ainda não dispensei a idéia. Nessa vontade danada de praticar um esporte diferente de levantamento de copo e arremesso de tampinha de garrafa, correr voltou a parecer uma boa solução. Isso de manhã. Agora, com a virilha detonada e o dedão inchado, começo a pensar duas vezes (hehehe).
A corrida fluiu super bem. Acompanhei Lili, e não quis forçar muito exatamente por não ter a mínima idéia do quanto meu corpo pode aguentar depois de tanto tempo sem fazer nada (e bebendo razoavelmente). Terminamos o trecho estipulado (ainda havia uma turma de 10 quilomêtros) em pouco mais de 35 minutos (fiquei em 177 na minha categoria, Lili em 78 na dela), o que pareceu bastante razoável, mesmo com o fato do vencedor da meia maratona do Rio de Janeiro, hoje, ter feito o mesmo trecho em 14 minutos. Como lembrança da prova a organização presentou os participantes com medalhas e, então, comecei a relembrar quantas medalhas já ganhei, e foram bem poucas, viu.
Tenho uma de bronze pelo terceiro lugar nos jogos escolares de Taubaté, mil novencentos e oitenta e pouco. Eu era goleiro do time de futebol de salão, e nossa sorte poderia ter sido diferente se não tivéssemos pegado o time do Industrial (colégio famoso de Taubaté, em que vários jogadores do time treinavam no time do Taubaté num ano em que o Taubaté ainda estava na primeira divisão do Paulistão). Seguramos a pressão até os 6 minutos, quando tomamos o primeiro gol e uma avalanche na sequência: 9 a 1. Fomos disputar o terceiro lugar, e vencemos.
Outra medalha, de prata, foi de uma gincana municipal muito bacana, daquelas que movimentam a cidade e tal. Ficamos em segundo, e nunca mais me devolveram um guia de todas as Copas do Mundo que emprestei para a equipe em um quesito que dizia que tinhámos que levar uma foto da Seleção Brasileira campeã em 1970. Fora isso, tem um quarto lugar em tênis de mesa em dos jogos universitários (mas nem conta muito pois eu era reserva e joguei só uma partida), e um quinto lugar em xadrez, também nos jogos universitários.
Na verdade, meu “grande prêmio” é um pequeno troféu que ganhei na Semana de Comunicação de 1996, o de dupla campeã do 1º Campeonato de Truco da Comunicação Social. \o/. É sério. E foi muito legal ter vencido. Primeiro que as oito duplas que passaram para as oitavas de final eram duplas do curso matutino, o que permitiu muita tiração de sarro com o noturno. Segundo que joguei com um japonês do terceiro ano, pois meus dois principais parceiros - Pinda e Dadá - jogaram juntos.
A final fomos nós dois contra o Pinda e o Dadá, e mesmo eu conhecendo todos os sinais, truques e manhas dos dois, sabia que vence-los em uma melhor de três seria muuuuuito difícil. Mas o legal do truco é que você pode derrubar favoritos com blefes e, principalmente, com um casal preto. A jogada que nos deu o título é histórica na turma, por um fato inusitado. Pelo vidro da sala de aula, o Pinda conseguia ver minhas cartas, mas só foi perceber isso na última mão. Ele viu que eu estava com casal preto, e percebeu o que eu estava armando, mas não podia fazer muita coisa.
Ou melhor, podia: torcer para que o Dadá não viesse me trucando no fecha da segunda passagem. E ele veio. O Pinda quase levantou do seu lugar para tapar a boca do Dadá, que se empolgou e gritou nove após o meu seis, que já garantia o título, mas não impediu de berrar “doze, vice”. Saímos, se não engano, com algumas caixas de cerveja - que foram distribuidas para a turma - e o troféu de Campeão, o único troféu pessoal que tenho guardado em casa. Nem sei mais onde foram parar as medalhas, mas sei que, sábado que vem - se a dor na virilha deixar - vou correr no Ibirapuera de manhã. À tarde, uma cervejinha, pois ninguém é de ferro…
Outubro 12, 2008 3 Comments
Um dia de silêncio
Minha avó morreu. Quando meu pai me ligou, na terça-feira, avisando que a vozinha estava internada, uma crise de dor de estômago se instalou. Eu nunca soube como iria lidar com isso, com a perda de algum familiar próximo, e cá estava agora enfrentando. Foram duas noites em claro esperando o inevitável. A Dona Lourdes tinha 78 anos, e seu coração - de ouro, como ela costumava falar das outras pessoas - não aguentou.
É meio difícil falar da importância da Dona Lourdes na minha vida. No velôrio, conversando com meu avô (eles se separaram ainda bem jovens - hoje ele tem 80 anos), ele me confidenciava que, “apesar de tudo, ela tinha sido muito importante por ter me dado seu pai e seu tio”. E eu brinquei: “É, vô, se não fossem vocês dois, essas trinta e poucas pessoas que estão aqui não existiriam”. Rimos juntos.
A Dona Lourdes tinha um lado sério, estourado, que sempre ficou visível na personalidade do meu pai e de minha irmã. Eu sempre me desculpei dizendo que havia herdado toda doçura e força guerreira da minha mãe, mas preciso assumir que a cada ano que passa me vejo parecido cada vez mais com seu Carlos, e consequentemente com a Dona Lourdes. Chega a ser engraçado - e instrutivo - como somos cópias (melhoradas ou pioradas, a avaliação é de cada um) de nossos pais e avôs.
O lado que mais se pronunciava em vovó, porém, era o lado bondoso. Dona Lourdes tinha um sorriso largo quando estava feliz, e soltava gargalhadas deliciosas assim como tinha uma face serena quando estava triste ou emocionada - os olhos abaixavam, o sorriso se escondia e a bochecha, enrugada, completava um delicado quadro lírico de doçura. Duas coisas são eternamente ligadas a imagem da Dona Lourdes: a vassoura e as sacolinhas.
Vovó limpava a casa por prazer e dever. Nada podia estar fora do lugar, nenhuma sujeira poderia ser vista. Quando você menos esperava, lá estava ela arrumando algo. Eu sei que é clichê, mas o feijão da Dona Lourdes foi o melhor feijão que comi na minha vida. Ela ainda fazia um filézinho de pescada a milanesa que só de lembrar minha boca se enche de água. Sem contar os bolos, variados, que sempre estavam lá quando eu e minha irmã chegávamos de Taubaté para passar férias em São Paulo.
Não me lembro da rua em que ela morava na Môoca, a primeira casa, apesar de visualizar com perfeição a escadinha, os sofás do lado direito e meu vô Chico nos esperando com um chocolate Alpino. A segunda casa, que mais frequentamos, era na Tóbias Barreto, e passamos anos e anos de férias ali. Ela nos levava a vários lugares, nos apresentava São Paulo, a São Paulo que ela conhecia tão bem. Um pouco da minha paixão por esta cidade eu devo a ela. Andamos muito juntos por aqui.
Sobre as sacolinhas, uma visão recorrente. Vovó sempre aparecia, do nada, em Taubaté com suas sacolinhas milgrosas que levavam roupas, brinquedos e comida. E não só em Taubaté. Na casa de meu pai, meu tio e alguns primos também. Ela chegava com os pulsos marcados pelo peso, um sorriso largo, reclamava do calor terrível da cidade, e se divertia com a nossa felicidade diante dos presentes.
Uma de minhas primas contava, no velório, que o bom foi que ela não sofreu. Ela foi internada no sábado, com principio de pneumonia, que se complicou devido ao fato dela ter deixado de tomar os remédios para sua arritmia. Os batimentos do coração aceleraram, e na velocidade o orgão não conseguia mais bombear sangue para irrigar o corpo. Ainda na semana passada ela tinha feito uma dessas viagens de sacolinha e estava reclamona e sorridente. Poder ajudar alguém - mesmo que não fosse da família - era algo que fazia seus olhos brilharem.
A Dona Lourdes é a primeira pessoa realmente importante de minha vida que se vai. Tenho, em meu coração esburacado, a lembrança de amigos fiéis, queridos e eternos, que se foram - cedo demais - mas vão sempre me acompanhar por todos os dias de minha vida até o momento de eu mesmo virar pó. Porém, perder alguém totalmente responsável por sua existência é algo maior, e faz a gente parar e pensar.
Toda vez que minha mãe, corujona, elogia aspectos da minha personalidade, digo a ela que além de ter aprendido a ser o que sou convivendo com ela, vendo ela lidar com o mundo, tenho o sangue dela correndo no meu. É inevitável. Tenho traços de personalidade claríssimos que me aproximam de meus pais. E de meus avôs. Sou uma versão atualizada - e, espero, melhorada, risos - deles. O sangue de minha avó corre por minhas veias. Ela descansou desse mundo doido, mas será eternamente a minha vozinha amada.
Outubro 11, 2008 16 Comments
Wilco - Live in Lollapalooza 2008
Dica oportuníssima do Rodrigo Miranda. O Wilco apresentou duas músicas inéditas no show do Lollapalooza, e mais do que isso, terminou o trecho final da apresentação acompanhado de um naipe de metais que deixou ainda mais lindas pepitas de ouro como “Hate It Here”, “I Can’t Stand It” e “Walken” num show que começou com “Misunderstood” e “I Am Trying To Break Your Heart” e ainda teve “A Shot In The Arm”. Baixe agora:
http://wilcoetc.wordpress.com/2008/08/09/wilco-lollapalooza-2008/
Outubro 10, 2008 1 Comment
“This Years Model - Deluxe Edition”, Elvis Costello and The Attractions

Com a palavra, Elvis Costello:
“Foi em 12 de julho de 1977, uma semana depois de eu deixar meu emprego. Ensaiávamos em um quartinho, e em dois dias eu estaria apresentando ao vivo minha nova banda, The Attractions. O tecladista tinha 19 anos, era estudante da Royal College of Music e foi sem dúvida o mais impressionante candidato nas audições. Ele pediu para ficar e ouvir o teste dos outros tecladistas, e mais tarde o descobrimos dormindo entre os amplificadores após ter matado uma garrafa de vinho. Ele era, obviamente, o homem para o trabalho. Seu sobrenome familiar era Nason, e todos o apelidaram de Mason, mas logo o começaram a chamar de Steve Nieve.
O baixista, Bruce Thomas, era uma pouco mais velho do que nós, já tinha gravado algumas coisas e tinha experiência de estúdio e de estrada. O baterista, após alguns anos trabalhando na Califórnia, estava voltando para a Inglaterra. Meu manager, Jake Riviera, tinha persuadido ele a ficar oferecendo-o um teste para ser o baterista da banda. Ele chegou a Londres e foi direto para o estúdio onde Nick Lowe acabará de mixar ‘Watching the Detectives’. Ele se chamava Pete Thomas, era três meses mais velho que eu, e eu nunca sequer pensei em outro baterista. Eu tinha apenas 22 anos e estava lançando o meu primeiro álbum”.
(pausa)
Um pequeno parênteses, caro leitor. “My Aim Is True”, debute de Elvis Costello, foi lançando em julho de 1977. Ele gravou o álbum com músicos de estúdio, e assim que pôde saiu a caça de jovens talentos para sua banda. Elvis Costello and The Attractions estrearam ao vivo dia 14 de julho de 1977 e seguiram numa turnê por meses e meses entre Inglaterra e Estados Unidos enquanto preparavam o material para o segundo álbum, o primeiro com o grupo soando realmente como uma banda, que foi lançado nove meses depois da estréia. Continua o músico:
(fecha pausa)
“‘This Years Model’ foi gravado em Londres, nos estúdios Eden, em onze dias. Os Attractions fizeram uma grande diferença para estas canções. ‘(I Don’t Want To Go To) Chelsea’, por exemplo, tinha a mesma batida de guitarra de ‘I Can’t Explain’, do The Who (e também ‘Clash City Rockers’, do Clash). Bruce e Pete apareceram com um arranjo muito mais sincopado e Steve fez uma parte de teclado que parecia uma sirene. Sua configuração do teclado estava limitada a um órgão Vox Continental e um teclado barato. Eu, por fim, tive que mudar a minha guitarra.
Ao trabalhar nas músicas, eu falava para eles dos discos que eu mais gostava. Foi só depois de alguns meses que descobrimos que Steve gostava de rock pós Alice Cooper e T.Rex enquanto Pete, Bruce e eu certamente tínhamos ouvido Beatles e Small Faces, e quase todos concordávamos sobre os Rolling Stones (ao menos ‘Aftermath’, que foi o álbum que eu mais escutei naquele período. ‘This Years Girl’ é minha resposta para ‘Stupid Girl’). Nunca entendi as acusações de misóginia que foram feitas sobre este álbum. A maior parte das canções são obras da imaginação e não produtos da realidade. As tentações e distrações da vida em turnê logo iriam adicionar um olhar mais cínico e culpado sobre ‘Little Triggers’, ‘Pump it Up’ e ‘Hand in Hand’”, comenta Costello.
“This Years Model” foi lançado em março de 1978 e desde então freqüenta listas de melhores de todos os tempos. Foi eleito o álbum do ano pelos críticos do Village Voice quando lançado. Em 2000, a Q magazine o colocou na posição número 82 entre os 100 maiores álbuns britânicos de todos os tempos. Em 1987 o álbum apareceu na 11ª posição de uma lista da Rolling Stone norte-americana que apontava os grandes discos entre 1967/1987. Em 2003 ele surgiu na posição 98 de uma lista dos 500 maiores discos de todos os tempos, novamente da Rolling Stone. Em 1995, Alan Cross, autor do “Almanaque da Música Alternativa”, cravou o disco na sétima posição entre os dez álbuns clássicos do cenário independente.
O álbum já havia ganhado uma reedição especial em 2003, que além das notas de produção assinadas por Elvis Costello que abrem – adaptadas – este texto (e podem ser lidas na integra aqui) trazia ainda um CD bônus com doze raridades da época, destaques como “Big Tears” (gravada nas sessões do álbum, e que conta com Joe Strummer, do Clash, na segunda guitarra), “Stranger in The House” (gravada ao vivo em uma John Peel Session em outubro de 1978), versões alternativas para “This Years Girl” e “(I Don’t Want To Go To) Chelsea”, registros ao vivo inéditos para “Neat Neat Neat” (cover do Damned) e “Roadette Song”, e versões demo de “Greenshirt” e “Big Boys” além de duas canções em sessões na Capitol Radio: “You Belong To Me” e “Radio, Radio”.
Esta nova edição de luxo que chegou às lojas do Reino Unido no primeiro semestre (EUA em agosto) deixa de fora as três canções gravadas ao vivo na Capitol Radio e na BBC, mas inclui todas as demais em um primeiro CD e traz, de extra, “Tiny Steps” (que já havia sido editada na versão Rhino do álbum “Armed Forces”) e um show completo inédito da banda no segundo CD compreendendo 17 números arrepiantes. O registro transmitido ao vivo por uma rádio data de 28 fevereiro de 1978 (uma semana antes do famoso registro no El Mocambo, comercializado oficialmente no raro boxe “2,1/2″), no Teatro Warner, em Washington DC, nos Estados Unidos, e impressiona como uma banda formada menos de oito meses antes esteja tão afiada e entrosada sobre um palco.
O show começa com “Pump It Up” em versão consagradora. Bateria e baixo formam uma massa musculosa sobre a qual Costello microfona sua guitarra até Nieve disparar, nos teclados, a melodia marcante da canção. Alternam-se então canções do primeiro álbum (”Waiting for the End of the World”, “(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes”, “Less Than Zero”, “Mystery Dance”, “Miracle Man” e uma estupenda versão de “Watching the Detectives” com seis minutos de improvisos geniais) e daquele que viria a ser o segundo álbum do grupo (versões fresquinhas – de quem ainda está se acostumando com o novo repertório – para “No Action”, “Radio, Radio”, “You Belong To Me”, “Hand and Hand”, “The Beat” e, claro, “(I Don’t Want To Go To) Chelsea”) num daqueles shows que a gente daria uma parte do corpo (ou um pedaço do coração) para ter visto na época.
“This Years Model” é um disco nota 10, mas surge prejudicado em uma reedição picareta. Com exceção do excelente show contido no CD 2, “This Years Model Deluxe Edition” em comparação é quase idêntico no tracking list (duas canções foram limadas nesta reedição) e inferior no tratamento dado ao encarte na versão da Rhino lançada em 2003. Uma solução honesta seria lançar o show separadamente, mas a Universal decidiu caprichar no visual do pacote, ignorar as ótimas notas de produção assinadas pelo músico em todos os discos da versão da Rhino, limar duas canções e enfiar o show inteirinho no CD 2, uma opção picareta que demonstra – mais uma vez – a falta de respeito das gravadoras para com o público. O erro já havia sido cometido na reedição semelhante do álbum “My Aim Is True” e deverá se repetir com “Armed Forces”, provável próximo relançamento. Um disco clássico e um registro ao vivo excelente mereciam maiores cuidados. E os fãs também.
“This Years Model - Deluxe Edition”, Elvis Costello and The Attractions
Preço em média: R$ 80 (importado)
Nota: 10
Leia também:
- “My Aim Is True - Deluxe Edition”, Elvis Costello, por Marcelo Costa (aqui)
- “Momofuku”, Elvis Costello and The Imposters, por Marcelo Costa (aqui)
- “Elvis Costello ao vivo em São Paulo, 2005″, por Marcelo Costa (aqui)
Outubro 8, 2008 3 Comments


























