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Andando na Unter Den Linden

Berlim

Andei tanto nessa cidade nos últimos dois dias que estou até enjoado. Nada contra a cidade, imagina, mas Berlim tem um ar pesado de quem traz marcas da guerra em cada esquina. A localização do hostel em que estou é bem emblemática, pois mostra perfeitamente as diferenças da Berlim Oriental (aqui) e a da Berlim Ocidental, mais… capitalista. Porém, o que me deixou enjoado, provavelmente, não foi o ar pesado, mas como a cidade convive com seu passado.

Duas coisas podem exemplificar bem o que estou tentando falar: no caminho do Muro (há só uns 100 metros dele em pé hoje) existem vários camelôs vendendo badulaques socialistas, de quepes a fardas até… máscaras de gás. Mau gosto pra cacete. A outra coisa foi a seguinte: em um dos memoriais que passei, na Wilhelm Strasse, está em pé um dos poucos prédios construídos pelos nazistas. Hoje em dia, o prédio abriga o Memorial das Passeatas contra o Comunismo. A passeata mais significativa, de 1953, está estampada em um grande painel fotográfico postado no chão, na entrada do prédio.

Ok, o painel está ali, e algumas meninas (norte-americanas, pelo jeito) não sabiam que não podiam pisar nele (o guia não avisou). No que elas pisam, um senhor grisalho - que estava dentro de um carro parado no meio da rua aguardando o sinal abrir - desce do carro, atravessa a rua e começa a desferir xingamentos contra as meninas, que ficaram completamente sem saber o que fazer (entender o alemão normalmente já é difícil, imagina o cara nervoso, falando pelos cotovelos). Ou seja, há um culto da memória que precisa ser preservado (para que os erros não se repitam), mas que pega pesado no fundo do estômago. É foda conviver com esse passado.

No entanto, a cidade tem muuuuuitas coisas imperdíveis. Caminhar na Unter Den Linden é algo inebriante. Pra mim, foi daqui que Lúcio Costa se inspirou para desenhar o Eixo Monumental de Brasilia. A rua liga o Portão de Brandemburgo ao Palácio Real e entre os dois eixos existem uma dezenas de prédios históricos, de museus a igrejas passando pela Ópera Estatal, a embaixada Russa, a Universidade Humboldt e o museu Guggenheim de Berlim, entre outras coisas. Foda.

Eu e o Luiz (amigo carioca que conheci no primeiro dia do hostel) encaramos um tour “gratuito” (que custou 5 mangos pra cada um, e valeu a pena) e o cara deu uma aula sobre a Alemanha para a turma. Já comecei a entender as linhas de trem e ônibus e estou até falando “Danke” algumas vezes. Como a grana está contada nas moedinhas de cent, estou comendo bobagens e reservando apenas um dia em cada cidade para gastar um pouco. Por isso hoje almocei file mignon com uma salada deliciosa e um batata assada com creme de queijo. Saiu por 23 Euros, mais de R$ 50, mas compensou. Lá pra segunda eu como bem em Glasgow… até lá, pizza e lanches! risos

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

1 comentário

1 Queda do Muro de Berlim completa 20 anos — Calmantes com Champagne 2.0 { 11.09.09 at 1:54 pm }

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