Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Março 2008

Mallu Magalhães, a caixa e o choro

Eu não tenho a mínima idéia, mas o Danilo, do Smoke com Bloquinho, diz que descobriu. Veja aqui.

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O Matias publicou num Trabalho Sujo um texto do Ivan Finotti, editor do Folhateen, explicando todo o episódio. Leia: “O Homem Que Fez Mallu Magalhães Chorar” aqui.

Março 7, 2008   5 Comments

Bob Dylan ao vivo em São Paulo

Última música. George Receli, o baterista, dá duas marteladas no bumbo e a banda entra jogando no colo da audiência “Like a Rolling Stone”, a canção que tirou Bob Dylan de vez da ala folk e o transformou em ícone pop em 1965. O homem não está olhando a platéia. O teclado (em que Bob passa 80% do show) fica posicionado na lateral do palco, para que ele comande com olhares as baquetadas de Receli e coordene – junto ao baixista Tony Garnier – os improvisos da banda. No lado direito da platéia, uma garota de estatura mediana consegue – numa falha da segurança – escalar o palco e parte correndo em direção ao homem.

Bob Dylan está imerso na canção, buscando na memória a letra que vai saindo pelos lábios em fiapos desgastados de voz. A menina corre, pára em frente a ele e abre os braços. Assim que vê a garota, Dylan toma um susto e faz um gesto automático de “pare” com a mão esquerda estirada e o braço retraído, enquanto a mão direita continua intercalando teclas pretas e brancas. A menina fica petrificada até ser agarrada por um segurança brutamontes que, ao invés de portar uma cara de poucos amigos, ri de toda a cena enquanto a retira do palco. O público vai ao delírio e deixa as cadeiras – de R$ 250 até R$ 900 – para ficar em pé.

Um princípio de desordem se instala no recinto com berros, gritos e urros saldando a invasora, o homem e aquela canção. Bob Dylan se perde na melodia, olha para Receli que faz um improviso, e retorna ao andamento do refrão. O público vai junto e canta “How does it feel / How does it feel / To be without a home / Like a complete unknown / Like a rolling stone?” a plenos pulmões sem o acompanhamento de Bob, que volta a cantar o refrão na seqüência e encaminha a música – e o show – para o final com um olhar em direção a Receli e Garnier. A música acaba. Ele se curva em direção a platéia, vira de costas e caminha para o backstage. Parece pensar, atônito, num lapso de deja vu: “Isso foi tão anos 60″.

Até este momento o show alternava clássicos interpretados de forma incompreensível (”Masters Of War”, “I’ll Be Your Baby Tonight”, “It Ain’t Me, Babe”) com versões bem distinguíveis de “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “Highway 61 Revisited” (metalizada, um dos grandes números da noite), sem contar canções mais recentes (o repertório trouxe nove músicas pós anos 2000 e oito dos anos 60), como a versão poderosa de “High Water (For Charlie Patton)” (com o grisalho Denny Freeman atacando com fúria sua Fender Stratocaster) e as bem recebidas (seis) canções do álbum “Modern Times” (com destaque para “Spirit On The Water”, com Dylan introduzindo a canção com uma gaita; e “Thunder On The Mountain”). Decepção mesmo só “Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again”, um mero rascunho da original.

A Turnê Que Nunca Termina chegou a São Paulo precedida de muita expectativa. O alto preço dos ingressos, a fama de difícil do compositor e sua (falta de) voz castigada por anos e anos de excessos dividiam o público. Na hora do show, no entanto, 90% da casa estava tomada. Bob não falou uma palavra sequer com a platéia (a não ser quando apresentou incompreensivelmente sua banda - um quinteto - ao final do show), mas está muito longe de ser a pessoa difícil que tantos pintam.

De calça preta com uma listra branca, terno prateado (que parece ser duas vezes maior do que ele) e chapéu de cowboy com uma pena colorida, no Via Funchal, em São Paulo, Bob Dylan, 67 anos, fez com que duas garotas invadissem o palco (a primeira tentou subir pelo lado esquerdo da platéia, no início da apresentação), e com que o ícone teen do momento, Mallu Magalhães, 15 anos, fosse conversar com os seguranças antes do show pedindo-lhes permissão para entregar ao músico algo que ela carregava em uma caixa. Isso diz muito sobre a música deste homem, sua influência e seu carisma.

Fãs de primeira e última hora (que só conhecem “Blowin’ in The Wind” e não ouviram os recentes “Love and Theft” e “Modern Times”) e artistas globais (como Bruna Lombardi, que perguntada sobre qual música de Dylan ela mais gostava, respondeu: “Aquela que o Caetano canta”) se assustaram com a voz deteriorada do compositor. Nos anos 60, quando começou sua carreira, Dylan já não tinha a melhor voz da música pop. Esse nunca foi o seu cartão de visitas. Natural que em 2008, sabem-se lá quantas vidas depois, sua voz esteja esganiçada, pequena e ardida. Pela idade e pelo descuido. Dylan envelheceu, e sua voz também.

O show é um retrato borrado da era de ouro do rock and roll, algo fora de moda, distante dos tempos modernos. Porém, ao contrário de muitos outros mártires daquele verão do amor, Dylan foi ao inferno, sobreviveu a si mesmo, e voltou para contar/cantar. Sua voz enrugada é perfeitamente aceitável. O show é um passeio sombrio entre passado, presente e futuro. Por mais que aquele momento da garota petrificada frente ao ídolo tenha sido muito anos 60, não há nada mais 2008 que recusar o amargo, o ardido, o esganiçado, aquilo que não soa limpo (até o punk e o metal soam melodiosos hoje em dia).

Quase cinqüenta anos se passaram, e Dylan continua na contramão da música pop, caminhando sozinho em uma estrada longa e solitária. Na platéia, menos afortunados tentam capturar um fragmento de um tempo que se foi, sem perceber que Dylan está muito mais preocupado com o que virá. Neste desencontro entre platéia e artista encontra-se o crème de la crème da arte moderna. Poucos shows no mundo podem simbolizar tanto sem serem explicitamente históricos. E foi isso que aconteceu. Dylan fez uma apresentação histórica em São Paulo, mas pouca gente percebeu.

Março 6, 2008   31 Comments

Lou Reed tocando o álbum “Berlin”

O senhor Lou Reed acaba de anunciar uma turnê pela Europa em junho e julho… tocando o álbum “Berlin” na integra. De todas as datas que vocês conferem abaixo, a do dia 22 de julho em Madri parece que foi agendada pensando neste pobre homem que escreve estas linhas (e que está ficando cada vez mais pobre). Lá embaixo, no post do Rock Werchter 2008, falando sobre os planos da viagem, eu havia agendado o dia 22 para… Valência, na Espanha. Acho que terei uma mudança de rota em território espanhol… lá vou correr atrás do ticket… e eu nem consegui comprar o do Radiohead em Berlim ainda…

Cork Marquee (June 23)
Belfast Waterfront (24)
Edinburgh Playhouse (25)
Nottingham Royal Centre (26)
Paris Salle Pleyel (28)
London Royal Albert Hall (30)
Munich Philharmonie (July 3)
Hamburg CCH Congress Centrum (6)
Copenhagen Opera House (7)
Stockholm Annexet (9)
Warsaw Sala Kongresowa (14)
Brussels Bozar (16)
Loule Monumento Duarte Pacheco (20)
Madrid Conde Duque (22)
Girona Portaferrada Festival (25)
Benidorm Bullring (26)

Março 5, 2008   No Comments

Wonkavision para download

A Wonkavision disponibilizou a segunda música do disco novo para download no My Space e Last.FM; Para quem não soube, a idéia dos gaúchos é lançar uma música por mês até o fim do ano, todas disponiveis para download gratuito. Em janeiro eles disponibilizaram “O Impar Perfeito”. Agora é a vez de “Double Dealing”. Pega lá.

http://www.wonkavision.com.br/WordPress/

Março 5, 2008   No Comments

“She was born in spring, but…”

“Simple Twist of Fate” com Jeff Tweedy
Música: Bob Dylan

They sat together in the park
As the evening sky grew dark.
She looked at him and he felt a spark
Tingle to his bones.
It was then he felt alone
And wished that he’d gone straight
And watched out for a simple twist of fate.

They walked alone by the old canal.
A little confused, I remember well,
And stopped into a strange hotel with a neon burning bright.
He felt the heat of the night hit him like a freight train
Moving with a simple twist of fate.

A saxophone someplace far off played
As she was walking on by the arcade
As the light bust through a beat up shade
Where he was waking up.
She dropped a coin into the cup of a blind man at the gate
And forgot about a simple twist of fate.

He woke up; the room was bare.
He didn’t see her anywhere.
He told himself he didn’t care ;pushed the window open wide;
Felt an emptiness inside to which he just could not relate
Brought on by a simple twist of fate.

He hears the ticking of the clocks
And walks along with a parrot that talks.
Hunts her down by the waterfront docks
Where the sailers all come in.
Maybe she’ll pick him out again. How long must he wait
One more time for a simple twist of fate.

People tell me it’s a sin
To know and feel too much within.
I still believe she was my twin, but I lost the ring.
She was born in spring, but I was born too late.
Blame it on a simple twist of fate.

Download - (Botão direito, salvar como)

Março 4, 2008   No Comments

Mojo Books ano 2; Walverdes ano 15

A Mojo Books, um dos projetos mais bacanas nascidos na blogosfera nacional dos últimos anos, estréia novo site e novos caminhos. Agora, além do tradicional Mojo Book sobre um álbum (como o meu do “Doolittle”, download ao lado), existem também o Mojo Single, o Mojo Remix e o Mojo Comix. O primeiro é um texto mais curto, direto, sobre um single (até o fim de semana espero entregar um aos editores); o segundo, uma versão de outra pessoa sobre um Mojo Single já escrito; e o terceiro, bem, esse é melhor você olhar com os próprios olhos aqui.

 Visite o site novo: http://www.mojobooks.com.br

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A Walverdes, uma das bandas mais fodas deste imenso país abandonado pelos deuses, está completando 15 anos. Para comemorar a data, o trio resolveu contar seus “causos, historietas e pequenas façanhas” em um blog. O link segue abaixo e é recomendadíssimo: 

http://walverdes15.blogspot.com/

Março 3, 2008   No Comments

Cartochio de Picanha

Bem, eu tinha prometido a mim mesmo na semana passada descobrir um prato novo, certo. E não fiz. Assim que passei neste domingo no supermercado e olhei a bandejinha de picanha, não resisti e trouxe pra casa. Mas como fazer uma picanha em casa? Fui atrás de receitas e descobri o Cartochio de Picanha. A rigor, este Cartochio é embalado por ervas a provance, que Lili lembrou depois que havia experimentado um prato de Cordeiro a Provance no Atacama. Optei por esse.

Assim, faltou sal, mas o tempero ficou foda. A receita segue abaixo, mas o preparo é super simples. A gente compra os bifes de picanha, e prepara o tempero, que é uma mistureba de cabeças de alho, ervas finas (provance, tem uma da Kitano muito boa), salsinha, manteiga  e sal. Você tritura o alho junto as ervas e a manteiga. Bate tudo em uma vasilha até virar uma pasta uniforme. Essa pasta você irá passar sobre os bifes. E enrola-los (devidamente empastelados) no papel alumínio. O tempo no forno é bem curto, coisa de cinco minutos para cada face da picanha. Fica foda.

Abaixo, a receita. Lili preparou um arroz integral, salada (alface, rúcula, palmito e vinagrete) e, para acompanhar, um Concha Y Toro Carmenere (minha uva predileta). Aliás, os Concha Y Toro estão bem baratos. Paguei R$ 17,90 na garrafa.

Ingredientes
1 bife de picanha de 200 gramas
1  (sopa) de manteiga
Salsinha a gosto
3 dentes de alho
Ervas provance
1 pitada de sal

Modo de preparar
Triturar as ervas provance com a salsinha e o alho. Acrescentar o sal e a manteiga formando uma pasta. Envolver o bife nesta pasta e embrulhar em papel alumínio deixando o lado do papel mais laminado para dentro. Assar sobre a grelha na churrasqueira, alternando os lados do bife. Pronta, exalará um aroma inconfundível. Servir com o arroz branco para poder apreciar o sabor das ervas com maior clareza.

Março 2, 2008   4 Comments

Rock Werchter 2008

Mudança de planos, mudança de planos. Bem, eu acredito que muita coisa vá mudar nessa viagem que vou ter, até que eu pise em solo europeu, em julho, mas na hora que vi o line-up desse festival acima (dica do Carlos, que mora na Alemanha), não teve jeito, garanti o meu e-ticket. Ou seja, o plano inicial de descer em Paris e ir para Arras assistir ao Main Square Festival já era. Agora, o lance será descer em Bruxelas e ir para Leuven. E isso decide a minha primeira semana na Europa. A segunda, agora, está toda comprometida. Ainda quero ver o Radiohead em Berlim, mas está uma novela para comprar o ingresso (uma amiga está tentando, mas parece que não há jeito de comprar online, só mesmo morando em Berlim). E o T In The Park, que eu já tinha comprado, passa a segundo plano. No line-up do festival escocês, a única banda que eu queria ver que não vai tocar em Werchter (por enquanto, já que o festival ainda irá confirmar novos nomes) é o Raconteurs. E ir até Glasgow só para ver o Raconteurs, gastando uma grana nos ingressos, acho demais. O plano B, por enquanto, seria tentar vender os ingressos do T In The Park (que já se esgotaram) e aproveitar essa segunda semana para conhecer lugares e ver shows pequenos, já que na semana seguinte terá Bruce Springsteen e Benicàssim. O roteiro, por enquanto (e totalmente não pensado), fica assim:

Julho
01 Bruxelas (Bélgica)
02 Bruxelas, Leuven (Bélgica) *
03, 04, 05, 06, Leuven / Rock Werchter (Bélgica)
07 Leuven, Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha) *
08 Berlim / Radiohead (Alemanha) **
09 Berlim (Alemanha) e Glasgow (Escócia) *
10 Glasgow (Escócia)
11, 12 e 13 Glasgow / T In The Park (Escócia) ***
14 Glasgow (Escócia)
15 San Sebastian / Bruce Springsteen (Espanha) ****
16 San Sebastian / Madri (Espanha)
17 Madri / Bruce Springsteen (Espanha) ****
18 e 19 - Madri, Benicassim FIB 2008 (Espanha)
20 - Benicassim FIB 2008 (Espanha)
21 - Benicassim / Valencia (Espanha)
22 - Valencia (Espanha), Paris (França) *
23 - Paris (França) *****
24 - Paris (França) *****
25 - Paris (França) *****
26 - Paris (França), Londres (Inglaterra) *****
27 - Londres (Inglaterra) *****
28 - Londres (Inglaterra) *****
29 - Londres (Inglaterra) *****
30 - Londres (Inglaterra) *****

* Viajar de madrugada (de trem, se possível) para economizar na hospedagem
** Na dependência da compra do ingresso do show do Radiohead, por enquanto, não confirmado
*** Se rolar vender os ingressos, bye bye T In The Park (tomara que role)
**** Esse é o mais complicado show da viagem; não sei se quero ir até San Sebastian, local em que os ingressos pro show ainda não esgotaram; em Madri já esgotou, mas estou cogitando ir até a porta do estádio e tentar comprar de cambista em um preço camarada; porém, dependo de saber se neste mesmo dia, terá alguma grande atração em Benicassim. Ou seja, dia 17 é um dia bem complicado!
***** Esse é um desejo pessoal, mas não posso garantir que vai ser assim por: 1) Ainda não tenho idéia de quanto vou gastar até o dia 22, e a chance de ter que encurtar a viagem é enorme 2) Preciso acertar essa segunda perna da viagem com os amigos que vão fazer a viagem comigo. 3) Quero pegar mais algum showzinho (barato, please) por estes dias.

Ps. Acabei de fazer a minha carteira de alberguista… mochilagem, lá vamos nós

Março 2, 2008   6 Comments

Me apaixonei…

Ingrid Bergman (e Audrey Hepburn) me perdoem, mas essa loirinha acaba de tomar meu coração de cinéfilo… suspiro…

Março 1, 2008   3 Comments