Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Fevereiro 2008

Promoção: Terminal Guadalupe e Los Porongas em SP

Os curitibanos do Terminal Guadalupe dividem o charmoso palco da Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, com os acreanos do Los Poronga na Noite Fora do Eixo, aquela que tem tudo para ser a primeira grande noite do rock nacional na capital paulista em 2008. O Scream & Yell está sorteando dois convites e dois exemplares de ”A Marcha dos Invisíveis” (a serem retirados após o show). Basta deixar um comment para participar do sorteio dizendo “eu quero ir” com nome e e-mail.  Até sexta publico o nome dos ganhadores, ok.

Ganhadores
Convites
Renata Andrade Pego
Ricardo Augustinho Da Silva

CD “A Marcha dos Invisíveis”, do Terminal Guadalupe
Marilia Regia Martins
Helber Marcondes da Silva

Fevereiro 9, 2008   19 Comments

Ficamos na fita bruta que algum filha da puta decupou…

“Terceiro Mundo Festivo”, quarto álbum de Wado, já pode ser baixado gratuitamente no endereço oficial do músico. Eu tenho muito o que falar sobre esse disco, mas enquanto eu tento me desamarrar das loucuras do dia-a-dia e ficar livre para escrever, que tal você ir lá e pegar “Terceiro Mundo Festivo”, que necessitou de uma audição e meia para tornar-se querido por aqui. Faixas como “Melhor”, “Fortalece Aí”, “Reforma Agrária do Ar” e a sensacional “Fita Bruta” estão no repeat aqui. 

http://www2.uol.com.br/wado/

Fevereiro 7, 2008   1 Comment

Eu não gosto mesmo de mocinhos…

Sabe o temido “Onde os Fracos Não Tem Vez”, o melhor filme de 2007? Então, ele parece um romance água com açúcar perto de “Sangue Negro” (”There Will Be Blood”), poderoso novo filme de Paul Thomas Anderson.

Ainda não sei se me recuperei da porrada que levei no lado esquerdo do peito ao final do filme, mas já posso dar mais alguns pitacos pessoais sobre o Oscar:

“Onde os Fracos Não Tem Vez” leva como Melhor Filme (e é, realmente, o grande filme de 2007). Paul Thomas Anderson fica com o Oscar de Melhor Diretor (a mão dele em “There Will Be Blood” é algo que te pega pelo pescoço e… deixa pra lá), Daniel Day-Lewis como Melhor Ator, Javier Bardem como Melhor Ator Coadjuvante.  

É incrível, mas 2008 será o Oscar em que os mocinhos vão sair perdendo…

 Volto a falar sobre “Sangue Negro” quando me recuperar…

Fevereiro 7, 2008   4 Comments

Você descobre que está…

trabalhando demais quando, depois de cinco dias intensos de cobertura de carnaval, acorda às 10h30 da quarta-feira de cinzas em meio a um “grande pesadelo”:

Estou na redação, aquela correria, quando alguém chega:

- Pessoa 1: Marcelo, Marcelo, o MSN vendeu todas as suas ações para um conglomerado asiático que está tirando do ar todo o seu conteúdo…

- Pessoa 2: Não consigo entrar no MSN, não consigo entrar no MSN…

No meu computador, tento acessar o MSN em vão. Vou para a página deles, e sou encaminhado para outra, cuja paisagem remete ao Himalaia. É algo assustador (no sonho; terrivelmente engraçado agora), pois cada clique que dou, a página do MSN começa a carregar e, em seguida, aparece a paisagem do Himalia com palavras e frases em uma língua que não consigo entender.

A redação está uma balburdia, penso no iCQ como alternativa (ao mesmo tempo me pergunto: o ICQ ainda existe?) e no meio da piração lembro que o MSN também detém o Hotmail, e a essa altura todos os meus e-mails foram para o espaço sideral virtual. Começo a teclar calmamente o endereço quando… o telefone toca e eu acordo.

Acho que preciso de uma folga.

Fevereiro 6, 2008   4 Comments

Caraminholando sobre o Oscar 2008

Já assisti a quatro dos cinco concorrentes na categoria Melhor Filme deste ano. Tenho um encontro marcado com o quinto, “Sangue Negro”, na próxima quinta-feira de manhã, mas já comecei a caraminholar o desfecho da cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, principalmente depois de conferir “Desejo e Reparação”, o filme que entra como azarão na disputa e pode sair consagrado na noite de 24 de fevereiro.

Antes de falar do trio que vai dividir opiniões neste ano, vamos descartar dois filmes: “Conduta de Risco” é um filme fórmula. Você (e os membros da Academia) já viu melhores. Esqueça ele. “Juno” é o filme indie do ano. É fofo, tem charme e estranheza, mas não é grande cinema. O diretor Jason Reitman tem jeito pra coisa (ele já tinha mostrado isso no excelente “Obrigado Por Fumar”), e a indicação de “Juno” deve ser comemorada, mas só a indicação já é um prêmio.

Ainda não vi “Sangue Negro”, mas conheço (e tenho grande apreço pela) a carreira de Paul Thomas Anderson. “Sangue Negro” deve ser realmente tudo aquilo que a imprensa internacional comentou, e mais um pouco. “Sangue Negro” tem tudo para estar cabeça a cabeça com “Onde os Fracos Não Tem Vez”, dos irmãos Coen, duas obras pessimistas, absurdas e geniais, cujo único problema reside no gosto amargo que deixam nos lábios da alma do público após a entrada dos créditos finais.

Problema? Claro que não. “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Tem Vez” são perfeitos retratos modernos, filmes que já surgem clássicos, mas que têm contra si o fato de serem difíceis de descer a garganta do público médio. É ai que entra em cena o bom “Desejo e Reparação”. O filme de Joe Wright superou as minhas expectativas (que eram bem baixas) e entra forte na briga pela estatueta de Melhor Filme exatamente por se apoiar em uma história clássica de causa, conseqüência e culpa filmada com sotaque épico.

“Desejo e Reparação” não é um filme perfeito. O livro de Ian McEwan com toda certeza é, mas a adaptação soa espaçosa, excessiva, cansativa em vários momentos. Literatura é uma coisa, cinema é outra. Na ânsia de ser o mais fiel possível ao livro, Joe Wright acaba exagerando quando devia se concentrar em enxugar o roteiro dando ao filme ritmo e a alma do livro. Rasteiramente falando, “Desejo e Reparação” soa como se a história de “Casablanca” fosse contada por Victor Laszlo, querendo reparar o fato de ter separado Rick e Ilsa. Só que “Casablanca” é um filme completamente enxuto, perfeito.

A grande vantagem de “Desejo e Reparação” na corrida pelo Oscar é ter um apelo fácil enquanto seus dois concorrentes, “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Tem Vez”, mesmo sendo melhores, não são de fácil digestão. A Academia já cometeu erros maiores e mais grotescos, e se na última categoria da premiação de 24 de fevereiro eleger “Desejo e Reparação” como filme do ano, não será surpresa nem será um absurdo, visto que o filme atende a certas expectativas da indústria. Apenas não terá vencido o melhor (ou um dos melhores).

Antes, porém, teremos Daniel Day Lewis levando uma estatueta de Melhor Ator por “Sangue Negro”, Javier Bardem se consagrando como Melhor Ator Coadjuvante por “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e os Coen brigando cabeça a cabeça pelo Oscar de Melhor Diretor com Paul Thomas Anderson. Sinceramente, com qual deles o Oscar ficar será merecido e correto. Como ainda não vi “Sangue Negro” tendo a tentação de torcer pelos Coen, mas estas três categorias ficam entre “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Tem Vez”.

Já em Melhor Filme e Melhor Roteiro, PT Anderson e os Coen trazem o azarão “Desejo e Reparação” em seu encalço. Não será nenhuma surpresa se a Academia - num pseudo gesto nobre de bondade - der roteiro para um (minha aposta: os Coen), direção pra outro (PT Anderson) e filme para o terceiro (”Desejo e Reparação”). Eles vão achar que fizeram justiça, mas vão estar errados, como já estiveram em vários outros anos…

Fevereiro 5, 2008   4 Comments

Chazinhos não acalmam

“Igual”, os Gianoukas Papoulas

Música: Miranda/Rocha

Os erros não ensinam
Vitórias não empolgam
Pancadas não consertam
Afagos não consolam

Eu sei eu já tentei
e continuo igual
O mesmo coração
A mesma digital

As drogas não ajudam
Venenos não dissolvem
Chazinhos não acalmam
Remédios não resolvem

Eu sei eu já tentei
e nada em mim mudou
A mesma timidez
gritando quem eu sou

Os livros não explicam
Exemplos não envolvem
Conselhos não adiantam
Palavras não comovem

Eu sei eu já tentei
e agora tanto faz
Quando eu envelhecer eu vou ser uma criança
que já viveu demais

Fevereiro 3, 2008   1 Comment

Bob Dylan: Brasil x Argentina

Bob Dylan em São Paulo - Via Funchal

Platéia VIP - R$ 900,00
Platéia 1 - R$ 700,00
Platéia 2 - R$ 500,00
Platéia 3 - R$ 400,00
Platéia Lateral - R$ 250,00
Mezanino Lateral - R$ 500,00
Camarote - R$ 900,00

Bob Dylan em Buenos Aires - Estádio do Velez Sarsfield

Campo VIP 1: R$ 210,00 ($380 pesos)
Campo VIP 2: R$ 183,00 ($330 pesos)
Campo VIP 3: R$ 155,00 ($280 pesos)
Platea Baja Preferencial: R$ 122,00 ($220 pesos)
Platea Baja: R$ 94,00 ($170 pesos)
Platea Alta: R$ 49,00 ($90 pesos)
General con acceso a Campo: R$ 41,00 ($75 pesos)

Fevereiro 1, 2008   11 Comments

Cenas da vida em São Paulo, Parte 6

O ônibus desce vagamente a Rua Augusta em direção aos Jardins. O tempo é mezzo frio e aquela famosa garoa paulistana marca presença. O trânsito não chega a ser caótico, mas é lento. O céu cinza lembra dias tristes.

O rapaz está indo ao cinema assistir a repescagem dos filmes da Mostra Internacional de São Paulo, finda um dia antes com a primeira exibição oficial de “Onde os Fracos Não Tem Vez”, dos Irmãos Coen, na América do Sul.

Pela janela do ônibus, o rapaz observa a movimentação de pessoas na Augusta. O ônibus atravessa a Paulista, passa pelo Conjunto Nacional e pára no sinal da Alameda Santos. Garoa e o transito é lento.

O veículo, lotado, atravessa vagarosamente a Alameda Santos e desce a Augusta devagar quase parando. O rapaz olha para fora e percebe um homem descendo a calçada. O homem pára em frente ao Habibs, em frente a três pessoas recostadas em uma pilastra. Ele faz um gesto característico de quem está pedindo cigarros para a mulher da ponta. Ela meneia a cabeça negativamente.

O ônibus desce vagamente, o que permite ao rapaz acompanhar a cena com calma. O homem insiste no pedido de cigarro, e um amigo ao lado da mulher à salva cedendo um bastonete nicotinoso ao pedinte. Ele pega, leva aos lábios, e faz outro gesto, pedindo fogo. O amigo da mulher acende, o pedinte agradece e deixa os três em paz.

Com o cigarro nos lábios, o pedinte desce a Augusta dando uma tragada tão forte que parece preencher todos os espaços de seu pulmão com nicotina. A calçada está movimentada. Aproximadamente dez passos após pedir o cigarro, o pedinte cruza um senhora vindo na direção contrária e… lhe desfere uma forte cotovelada. Sem mais nem menos.

A senhora cambaleia, mas não cai. Ela aparenta ter mais de 50 anos, enquanto o pedinte deve ter uns 30. Dentro do ônibus, o sangue do rapaz ferve. O ônibus acelera e pára no ponto. O rapaz desce do ônibus procurando o pedinte. Enxerga apenas a senhora, já recomposta, que parece tentar entender o que aconteceu, auxiliada por duas pessoas que também viram a cena.

O rapaz sobe a rua em sua direção, atônito. Antes, porém, cruza o pedinte, que está sendo devidamente “acariciado” por dois policiais. Eles o levam para uma entrada de caixa eletrônico, e a última imagem que o rapaz vê é o cigarro voando amassado e beijando a calçada da Rua Augusta. Ele dá meia-volta e não consegue parar de pensar no quanto “Onde os Fracos Não Tem Vez” é real.

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“Onde os Fracos Não Tem Vez”, um dos filmes favoritos ao Oscar (seu único concorrente é “Sangue Negro”, de Paul Tomas Anderson) estréia neste fim de semana no Brasil.

Fevereiro 1, 2008   3 Comments