Bob Dylan: Brasil x Argentina
Bob Dylan em São Paulo - Via Funchal
Platéia VIP - R$ 900,00
Platéia 1 - R$ 700,00
Platéia 2 - R$ 500,00
Platéia 3 - R$ 400,00
Platéia Lateral - R$ 250,00
Mezanino Lateral - R$ 500,00
Camarote - R$ 900,00
Bob Dylan em Buenos Aires - Estádio do Velez Sarsfield
Campo VIP 1: R$ 210,00 ($380 pesos)
Campo VIP 2: R$ 183,00 ($330 pesos)
Campo VIP 3: R$ 155,00 ($280 pesos)
Platea Baja Preferencial: R$ 122,00 ($220 pesos)
Platea Baja: R$ 94,00 ($170 pesos)
Platea Alta: R$ 49,00 ($90 pesos)
General con acceso a Campo: R$ 41,00 ($75 pesos)
Fevereiro 1, 2008 11 Comments
Cenas da vida em São Paulo, Parte 6
O ônibus desce vagamente a Rua Augusta em direção aos Jardins. O tempo é mezzo frio e aquela famosa garoa paulistana marca presença. O trânsito não chega a ser caótico, mas é lento. O céu cinza lembra dias tristes.
O rapaz está indo ao cinema assistir a repescagem dos filmes da Mostra Internacional de São Paulo, finda um dia antes com a primeira exibição oficial de “Onde os Fracos Não Tem Vez”, dos Irmãos Coen, na América do Sul.
Pela janela do ônibus, o rapaz observa a movimentação de pessoas na Augusta. O ônibus atravessa a Paulista, passa pelo Conjunto Nacional e pára no sinal da Alameda Santos. Garoa e o transito é lento.
O veículo, lotado, atravessa vagarosamente a Alameda Santos e desce a Augusta devagar quase parando. O rapaz olha para fora e percebe um homem descendo a calçada. O homem pára em frente ao Habibs, em frente a três pessoas recostadas em uma pilastra. Ele faz um gesto característico de quem está pedindo cigarros para a mulher da ponta. Ela meneia a cabeça negativamente.
O ônibus desce vagamente, o que permite ao rapaz acompanhar a cena com calma. O homem insiste no pedido de cigarro, e um amigo ao lado da mulher à salva cedendo um bastonete nicotinoso ao pedinte. Ele pega, leva aos lábios, e faz outro gesto, pedindo fogo. O amigo da mulher acende, o pedinte agradece e deixa os três em paz.
Com o cigarro nos lábios, o pedinte desce a Augusta dando uma tragada tão forte que parece preencher todos os espaços de seu pulmão com nicotina. A calçada está movimentada. Aproximadamente dez passos após pedir o cigarro, o pedinte cruza um senhora vindo na direção contrária e… lhe desfere uma forte cotovelada. Sem mais nem menos.
A senhora cambaleia, mas não cai. Ela aparenta ter mais de 50 anos, enquanto o pedinte deve ter uns 30. Dentro do ônibus, o sangue do rapaz ferve. O ônibus acelera e pára no ponto. O rapaz desce do ônibus procurando o pedinte. Enxerga apenas a senhora, já recomposta, que parece tentar entender o que aconteceu, auxiliada por duas pessoas que também viram a cena.
O rapaz sobe a rua em sua direção, atônito. Antes, porém, cruza o pedinte, que está sendo devidamente “acariciado” por dois policiais. Eles o levam para uma entrada de caixa eletrônico, e a última imagem que o rapaz vê é o cigarro voando amassado e beijando a calçada da Rua Augusta. Ele dá meia-volta e não consegue parar de pensar no quanto “Onde os Fracos Não Tem Vez” é real.
*****************
“Onde os Fracos Não Tem Vez”, um dos filmes favoritos ao Oscar (seu único concorrente é “Sangue Negro”, de Paul Tomas Anderson) estréia neste fim de semana no Brasil.
Fevereiro 1, 2008 3 Comments





















