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“Para fazer sucesso…

…eu faço uma greve de fome”

Romulo Fróes irá lançar dois álbuns em 2008. Fique atento!

março 22, 2008   Encha o copo

Cenas da vida em São Paulo, Parte 7

Lotação, oito e pouco da manhã do meio de uma semana qualquer. Três senhoras conversam animadamente no último banco do ônibus. Uma delas, mais morena, abre o coração para as amigas:

“Minha sobrinha ia toda semana à minha casa. Era sempre a mesma coisa:
– Tia, não consigo arranjar emprego. Quando falo que tenho dois filhos, já era…

E ela é uma morena bunita!!!

Até que certo dia ela parou de ir em casa. Passado uns quatro meses, ela apareceu:

– Tia, arranjei um trabalho. Eu tô dançando na Augusta…
– Só dançando????
– Só dançando, tia.
– Com esse bundão??? (enfática)
– Só dançando, tia!

Tudo bem, né (continuou a senhora para as amigas no lotação, que ouviam atentas), ela tinha que sustentar os meninos. Um tempo depois, ela apareceu em casa novamente:

– Tia, eu não tô mais só dançando…
– Você tá dando, minha filha?????
– Não, tia, não é isso! É que eu arrumei um namorado lá na boate. Ele é mais velho, é carinhoso e está cuidando de mim.

E não é que tempos depois, o homem comprou uma casa no Jaçanã, e eles foram morar juntos, ela e os pirralhos!!!! Faz uns meses que ele morreu e deixou tudo pra ela…

– Que beleza!, comentou uma das amigas, na lata, para diversão das outras.”

O mundo, às vezes, é uma grande comédia…

março 20, 2008   Encha o copo

“Third”, Portishead

Um dos concorrentes a disco do ano… por Eduardo Palandi. Leia aqui.

março 20, 2008   Encha o copo

Jane Birkin, Mimi Maura e Columbia

Como ando em fase de estagnação criativa, nada melhor que valorizar os amigos que sempre tem um texto pronto para o Scream & Yell. Publiquei, ontem, três novidades na capa do site:

– André Fiori conta como foi o lindo show de Jane Birkin em São Paulo (leia)

– Leo Vinhas falando sobre o curioso disco de Mima Maura (leia)

– Jorge Wagner dissecando o álbum de estréia do Columbia (leia)

março 19, 2008   Encha o copo

A marca do Zorro

Nada como um fim de semana para colocar as coisas em seu devido lugar. Teve orkontro da comunidade da Bizz e festa de aniversário da Capitu e da Carla no Copan. Assumi as pick-ups nesta última e como a festa  foi à fantasia, tirei a capa preta do armário e me vesti de Zorro. Lili foi de espanhola (na verdade, ela parecia a menina do azeite, mas estava linda demais). Não sei dizer quem estava mais estiloso na festa. As aniversariantes, uma de Cleópata e outra de Joaninha, estavam ótimas. Teve Emília, diabinhas, garis, tiozão do rock, Branca de Neve, várias mortes, Jason, serial killers, Nietzsche, Harry Potter, árabes, sambistas, romanos e até um Marcelo Costa…

O set list, essencialmente de samba, foi esse:

Mamãe Natureza, Caetano Veloso
Samba a Dois, Los Hermanos
Que Pena, Gal Costa
Mas Que Nada, Jorge Ben
Diz Que Fui Por Ai, Nara Leão
Eu Canto Samba, Paulinho da Viola
Vou Deitar e Rolar, Elis Regina
Samba do Grande Amor, Paulinho da Viola
Tiro ao Alvaro, Elis e Adoniran
Kid Cavaquinho, Maria Alcina
Orora Analfabeta, Jards Macalé
Pecado Capital, Paulinho da Viola
Não Vou Ficar, Roberto Carlos
Minha Menina, Os Mutantes
Chocolate, Tim Maia
16 Toneladas, Funk Como Le Gusta
Ereção, Orquestra Imperial
Quero Te Encontrar, Claudinho e Buchecha
O Que Que Nego Quer, De Leve
Dark and Lovely, Beck
Crazy, Gnars Barkley
Down By The Water, PJ Harvey
John, I’m Only Dancing, David Bowie
Rocks (Remix), Primal Scream

março 16, 2008   Encha o copo

Se o mundo soubesse…

“Nunca me ensinaram a arte da solidão, tive de aprendê-la sozinho. Ela se tornou tão necessária para mim quanto Beatles, tanto quanto beijos na nuca e carinho”.

Intimidade, de Hanif Kureishi

Acho foda demais essa frase, essa comparação (o livro também é sensacional). A solidão é algo que me atrai em fases da minha vida, e principalmente nestes dias em que estou, como dizia uma amiga, “conchinha”. É dolorido ter que falar quando não se quer falar. Não é maldade. É, simplesmente, vontade de ficar… quieto.

Quanto mais tempo passamos nesta bolotinha azul, mais percebemos os movimentos ciclicos do mundo (e das pessoas que vivem nele). Muitas vezes, afundado num poço sem fim de melancolia, rio de mim mesmo por ainda não estar vacinado em relação as agruras do mundo moderno. Como diria Raul, “pena eu não ser burro, não sofreria tanto”. Vivendo e não aprendendo…

Por fim, acho tão estranho que a imagem principal que o mundo tem de mim seja a de um cara falante, expansivo, extremamente sociável. Se o mundo soubesse o quanto sou tímido…

março 13, 2008   Encha o copo

Mais uma paixão…

Sou apaixonado desde sempre por Ingrid Bergman (já comentei que vejo “Casablanca” ao menos uma vez por ano desde os meus 15 anos?). Audrey Hepburn é algo mais recente, de uns dez anos pra cá, depois que assisti “Quando Paris Alucina”. A loirinha Jean Seberg, que invadiu meu coração na semana passada, é totalmente novata em meus romances cinéfilos. Essa garota da foto, no entanto, caminha sobre a minha alma já faz uns quinze anos. Fui matar saudade hoje. Ahhhh, as francesas…

março 13, 2008   Encha o copo

Leonard Cohen ou Lou Reed?

Novas datas da turnê européia de Leonard Cohen ousam bagunçar meu itinerário de viagem. Como você já leu por aqui, Radiohead em Berlim já era, mas Lou Reed em Madrid ainda está em aberto, já que os ingressos só começam a serem vendidos em abril.

No entanto, dia 16 de julho, três dias após o T In The Park, na Escócia (que embora eu tenha comprado os ingressos, eu vá tentar vender), tem Leonard Cohen fazendo show no Castelo de Edimburgo. Dá uma clicada na foto e imagina o que seria ver Cohen num lugar desses!!!!!

Na pré-agenda eu havia planejado ver Bruce Springsteen em San Sebastian no dia 15 (embora também não tenha comprado o ingresso ainda, e esse está á venda), mas juro que fiquei balançado. O que acalma é que Cohen faz show em Benicàssim, na Espanha, no dia 20. E esse festival está nos planos.

Agora, imagina como está a cabeça dos portugueses: Lou Reed e Leonard Cohen tocam em Lisboa no mesmo dia, 19 de julho. Em qual dos dois shows você iria?

março 11, 2008   Encha o copo

“Mr. Love and Justice”, Billy Bragg

Billy Bragg nasceu na época errada. Só pode ser. Com cinqüenta anos completados em dezembro último, o roqueiro britânico que ousa misturar Clash com Bob Dylan chega ao seu décimo segundo disco falando de coisas que estão fora de moda na nova ordem mundial. Em uma época em que o pop celebra muito mais os barracos de seus principais artistas (Britney e Amy na dianteira) do que a música propriamente dita, qual espaço para um cara que fala de amor, política e justiça?

“Mr. Love and Justice” sucede o brilhante “English, Half, English” (2002), e vem sendo saudado com tiros de canhão pela imprensa inglesa. “Antes do Arctic Monkeys escrever dolorosas canções de amor; antes de Mike Skinner destilar noites bêbadas em dramas de três minutos; antes do Radiohead descobrir a política; Billy Bragg já tinha feito tudo isso”, cravou a NME. “O Bob Dylan de Essex”, comparou a Q. “Uma das vozes de protesto mais importantes do pop britânico”, bradou a Uncut. “A British icon”, resumiu a Mojo.

Em um mundo cada vez mais dominado por grandes conglomerados, afundado em religiões fakes que prometem a vida eterna em troca de dinheiro, atolado de livros de auto-ajuda que prometem desvendar o grande segredo, e repleto de amizades virtuais (igual a solidão real), Billy Bragg aparece carregando sua guitarra, seu texto afiado e interrogando o Sr. Amor e Justiça. Em “Some Days I See The Point”, do álbum anterior, ele dizia que queria fazer do mundo um lugar melhor, mas que não conseguia fazer isso sozinho. Nem parece que se passaram só quatro anos. Quantas pessoas estão dispostas a fazer do mundo um lugar melhor? É possível contar nos dedos de uma das mãos.

No entanto, apesar do cenário catastrófico em que vive a sociedade atual, Billy Bragg abre “Mr. Love and Justice” bradando, no refrão: “Eu mantenho a fé em você”. Soa até inocente, eu sei, mas quem está cantando isso já passou dos 50 anos, é um ativista político que luta pelos direitos da classe trabalhadora inglesa e que defende a multiculturalidade britânica. E que, sobretudo, ainda acredita no amor e na justiça. “I Keep Faith” é singela, conta com a participação de Robert Wyatt e é uma daquelas canções que podem ser ouvidas por dias e dias a fio.

Com clima flamenco, “I Almost Killed You” surge movida por gaita e violões. “Você vê um arco-íris / Eu vejo uma nuvem escura / Você vê novos amigos / Eu vejo uma multidão má / Eu quase lhe matei com meu amor”, diz a letra. Na tocante “M For Me” ele propõe: “Seus problemas agora são nossos”. No rockão “The Beach is Free” ele explica: “Os campos pertencem aos fazendeiros / As florestas pertencem ao rei / Hoje em dia nossos prazeres estão cercados / Temos que pagar por tudo / Mas a praia está livre”. Na suave “You Make Me Brave” ele se recusa a se esconder no passado. Em “Something Happened” ele compara amor e luxuria.

Na faixa título, Billy Bragg interroga o senhor amor e justiça; em “If You Ever Leave”, fala de solidão e abandono; “O’Freedom” versa sobre democracia e liberdade, temas caros; em “The Johnny Carcinogenic Show”, praticamente adapta para o formato canção pop a temática do filme “Obrigado Por Fumar”: “Vi um garoto na televisão ontem / Ele estava vendendo uma tonelada de veneno / Uma mulher perguntou: Como você pode fazer isso? / Ele respondeu: o segredo é agarrar os jovens / Eu não posso ser responsabilizado pelo que as crianças aprendem / Sou responsável apenas em dar algum retorno aos meus investidores”. Lá pelo meio, ainda crava: “A pobreza é tóxica, todos sabem”.

Entre rocks, folks e ballads, “Mr. Love and Justice” soa muito mais um álbum de amor do que política. Seu clima (entre anos 40 e 50), no entanto, não alcança a sobriedade de “English, Half, English” nem a grandiosidade de álbuns clássicos do cantor, como “Talking With The Taxman About Poetry” (lançado em vinil no Brasil nos anos 80) ou os dois discos em parceria com o Wilco tendo por base canções inacabadas de Woody Guthrie. Mesmo assim, ele chega a tocar a alma em alguns momentos. É um disco que não tem relação nenhuma com a melancolia pueril dos emo punks, com a rebeldia sem causa do novo rock, com a diversão sem limites do electro. Talvez, por isso, soe fora do tempo. Billy Bragg nasceu na época errada. Ainda bem.

Ps. O álbum também foi lançado em uma edição dupla luxuosa, que traz no CD bônus as doze canções originais em versões caseiras, a maioria voz e guitarra.

março 9, 2008   Encha o copo

“Third”, do Portishead, na rede

“Third”, terceiro disco do Portishead, acaba de cair na web; um dos discos mais bacanas do ano é o novo do American Music Club, “Golden Age”; o segundo álbum do Tapes ‘n Tapes, “Walk it Off”, não me convenceu, mas preciso ouvir melhor. Estes três discos você encontra no excelente Jornal Berbequim. Já o segundo do Long Blondes (pra mim, outra decepção), está no Una Piel de Astràcan. Fora isso, tem um show da Cat Power, no excelente programa francês Black Sessions, rolando por ai. Vá atrás.

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Novidades da viagem: segundo a tickets.de, já era o Radiohead em Berlim. Convites sold out. Mesmo assim, estou pensando em dar as caras na cidade, andar ali “perto do muro” e tal. Mas o show mesmo, já estou passando. Vou me contentar com o do Rock Werchter. Lou Reed em Madri, nenhuma novidade. Estou ansioso. Fora isso, chegou a minha carteirinha de alberguista e na segunda-feira, se tudo der certo, passagens em mãos. Dedos cruzados.

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Eu não tenho a mínima idéia, mas o Danilo, do Smoke com Bloquinho, diz que descobriu o que Mallu Magalhães levava na sua caixinha para Bob Dylan. Veja aqui.

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O Matias publicou num Trabalho Sujo um texto do Ivan Finotti, editor do Folhateen, explicando todo o episódio. Leia: “O Homem Que Fez Mallu Magalhães Chorar” aqui.

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A Wonkavision disponibilizou a segunda música do disco novo para download no My Space e Last.FM; Para quem não soube, a ideia dos gaúchos é lançar uma música por mês até o fim do ano, todas disponiveis para download gratuito. Em janeiro eles disponibilizaram “O Impar Perfeito”. Agora é a vez de “Double Dealing”. Ouça aqui.

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A Mojo Books, um dos projetos mais bacanas nascidos na blogosfera nacional dos últimos anos, estréia novo site e novos caminhos. Agora, além do tradicional Mojo Book sobre um álbum (como o meu do “Doolittle”, download ao lado), existem também o Mojo Single, o Mojo Remix e o Mojo Comix. O primeiro é um texto mais curto, direto, sobre um single (até o fim de semana espero entregar um aos editores); o segundo, uma versão de outra pessoa sobre um Mojo Single já escrito; e o terceiro, bem, esse é melhor você olhar com os próprios olhos aqui.

março 8, 2008   Encha o copo