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A simplicidade de um bom molho pesto

Fazendo molho pesto em casa, parte 1

Apesar de não termos passado por Genova, na região italiana da Ligúria, em nosso mochilão de julho, provamos a principal especialidade do lugar, o popular molho pesto, em Florença, na Toscana, e em um pequeno restaurante em Roma, no Campo del Fiori. Embora existam variações, o molho pesto é composto de folhas de manjericão amassadas com azeite de oliva, pinoles (uma noz comum na Itália), alho e sal mais queijo parmesão ou pecorino.

O al pesto de Florença estava bem melhor que o de Roma, o que se explica, afinal as especialidades romanas são os molhos carbonara (molho engrossado com uma mistura cremosa de ovos, queijo e cubinhos crocantes de guanciale – bacon não-defumado italiano, preparado com as bochechas do porco) e alla matriciana (massa al dente mergulhada num molho de tomate condimentado com cubinhos de pancetta e guanciale), que já fiz aqui.

Em Florença, o restaurante ficava no caminho do Mercato Centrale (Via Sant’Antonino, 19R) e entramos atraídos por um cartaz que oferecia a tentadora especialidade da casa: Bistecca alla Fiorentina, uma saborosa costeleta de lombo bovino. Lili aprovou o pesto e adorei a costeleta. Em Roma, no Campo del Fiori, fomos os dois de pesto, e ficamos decepcionados. Melhor mesmo foi o spaguetti alla matriciana acompanhado de uma salada caprese divina na Taverna dei Fiori Imperial (Via Madonna dei Monti, 16).

Para aproveitar este feriadão em casa decidimos arriscar uma receita de molho pesto para um gnocchi de batatas. Peguei a receita (aqui) do livro da amiga Alessandra Porro e ela pareceu simples, sem muita chance de errar, desde que tivéssemos os ingredientes certos. Compramos manjericão, nozes e sai atrás de um bom queijo parmesão ralado. Lili fez o “trabalho árduo” (espremer o alho, tirar a casca das nozes e picar o manjericão) e a mim coube misturar tudo conforme a receita pediu. E ficou… sensacional.

É sério. De todos os pratos e molhos que já fizemos em casa este, sem dúvida, foi o que mais nos agradou (ok, os tournedos com ervas moram em meu coração). Lili ficou encantada e o almoço acompanhado de um vinho chileno foi divino. Fizemos toda a receita, o que permitiu alguma sobra para o almoço do dia seguinte. E quem diz que conseguimos esperar? Eu havia comprado pão bola com cobertura de queijo no almoço, e o recheamos com o divino molho pesto (que também pode ser servido como acompanhamento no churrasco e com carnes em geral). Uma delícia.

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A receita abaixo é “control c control v” da postada pela Alessandra no blog “Guia para a sobrevivência do homem na cozinha”, versão online do livro que está esgotado. Divirta-se. E vicie.

Espaguete al pesto
Para 4 pessoas

-6 dentes de alho
-1 colher de chá de sal
-1 xícara de chá de folhas de manjericão fresco
-3 colheres de chá de nozes sem casca
-80 gramas de queijo pecorino ou parmesão ralado
-½ xícara de chá de azeite
-Pimenta do reino
-500 gramas de espaguete

1) Descasque os dentes de alho, passe pelo espremedor e coloque em uma tigela. Adicione a colher de chá de sal e misture muito bem.
2) Triture as nozes (no liquidificador, com um pilão ou com as mãos) e junte ao alho com o sal.
3) Lave as folhas de manjericão. Seque e pique em pedaços bem pequenos. Coloque também na tigela. Acrescente o queijo e o azeite e misture muito bem até obter uma pasta homogênea. Tempere com um pouco de pimenta do reino e deixe descansar fora da geladeira. Isto é o pesto.
4) Leve ao fogo uma panela com cinco litros de água e uma colher de sopa de sal. Quando a água ferver jogue o espaguete aí dentro. Misture algumas vezes.
5) Escorra quando estiver al dente, coloque em uma travessa e junte os temperos . Mexa bem e sirva imediatamente.

Obs.:
-O pesto é também servido como acompanhamento no churrasco, com carnes em geral e com o bolito (cozido italiano). Pode ser guardado em geladeira por uma semana.
-Nozes: A receita originalmente leva uma noz chamada pinolli que não é muito fácil de se achar no Brasil. Use as nozes comuns, porém é preciso retirar, além da casca, a pele que a recobre. Faça assim: Leve uma panelinha com água ao fogo. Quando começar a ferver coloque as nozes e conte até 30. Retire da água, deixe esfriar e tire a pele. Ou então compre nozes já sem pele e casca.
-Queijo: Por favor, não use queijo de pacote que é mais seco que areia e não tem gosto de nada.

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setembro 7, 2009   Encha o copo

Truffaut, Kevin Smith e Michael Lehmann

“Uma Jovem Tão Bela Como Eu”, de François Truffaut

“Uma Jovem Tão Bela Como Eu”, François Truffaut (1972)
Apontado por muitos como o filme mais descompromissado de Truffaut, “Uma Jovem Tão Bela Como Eu” (“Une Belle Fille Comme Moi”) é uma comédia leve repleta de ironia e farsa que narra a história de um sociólogo inocente (André Dussollier) que pretende escrever uma tese sobre mulheres criminosas e, para isso, entrevista uma presidiária (Bernadette Lafont) esperta e maliciosa. O encontro de duas personalidades tão distintas permite a Truffaut brincar com a imaginação do espectador. Camille, a presidiária, conta uma história em off para Stanilas Previne, o sociólogo, mas as imagens em flashback mostram outra situação – com muito humor.  Inspirado no livro “Such a Gorgeous Kid Like Me”, de Henry Farrell, “Uma Jovem Tão Bela Como Eu” pode ser o filme mais fraco de Truffaut, mas é cinema de alta qualidade.

“Barrados no Shopping”, Kevin Smith

“Barrados no Shopping”, Kevin Smith (1995)
Segundo longa da autodenonimada “Trilogia de New Jersey” (precedido pelo ótimo “O Balconista” e com seqüência no esperto “Procura-se Amy”) “Barrados no Shopping” (“Mallrats”) é o mais fraco dos três primeiros filmes do diretor Kevin Smith (capa do Scream & Yell On Paper #5), com alguns vácuos entre piadas e certa falta de acabamento na cinematografia, o que não tira o brilho de algumas ótimas passagens. O título nacional pega embalo na boa participação de Shannen Doherty (a Brenda da série “Barrados no Baile”) no elenco, que ainda conta com atuações quebra-galho de Ben Affleck e um perfeito Jason Lee. Sem contar Stan Lee, a lenda viva, que dá o ar de sua graça em um dos grandes momentos de uma comédia romântica que tem os pés atolados na cultura pop e no besteirol, e entretém enquanto faz rir.

“Feito Cães e Gatos”, Michael Lehmann

“Feito Cães e Gatos”, Michael Lehmann (1996)
Possivelmente, uma das minhas comédias românticas prediletas, “Feito Cães e Gatos” (“The Truth About Cats and Dogs”) é um embate interessante entre beleza e inteligência inspirado em Cyrano de Bergerac, mas às avessas: aqui é a mulher que teme não ser aquilo que o homem deseja, e por isso “adapta-se” no corpo de sua vizinha, uma loura alta, de olhos claros e que é impossível não ser percebida. A tal loura é Uma Thurman, divertidíssima na visão rasa da mulher bela e burra, mas que convence conforme se aprofunda o personagem. A “outra” é a fofa Janeane Garofalo, brilhante em uma ótima atuação. Ela é uma veterinária que dá conselhos em uma rádio, e que acaba por chamar a atenção de um ouvinte, que a convida para jantar. Ela não vai, e manda a vizinha no lugar, e dá início a uma excelente comédia de erros.

O diálogo: “Combinadas, somos a mulher perfeita”, diz Noelle (Uma). “Não, somos o prisioneiro político perfeito. O que fazemos bem é ter convicção e passar fome”, responde Abby (Janeane).

setembro 6, 2009   Encha o copo

Os filmes prediletos de Woody Allen

por Marcelo Costa

Primavera de 2005. O repórter, amigo e biógrafo Eric Lax pergunta para Woody Allen quais são os melhores filmes já feitos na história do cinema. Um ou dois meses depois, Woody manda o que ele chama de “lista de insônia” de filmes favoritos, com um bilhete:

“Quando acordo durante a noite, para aplacar o meu pânico existencial, faço listas mentais. Isso às vezes me ajuda a voltar a dormir. Quase sempre as listas são de filmes – acrescento ou subtraio títulos, substituo. Meus gostos não me parecem nada excepcionais, a não ser na área de comédias de enredo faladas, na qual pareço ter pouca tolerância para qualquer coisa, certamente não para os meus próprios filmes.

Quinze dos meus filmes americanos favoritos (2005)
(sem nenhuma ordem particular):

– “O Tesouro de Sierra Madre”, John Houston (The Treasure of the Sierra Madre), 1948
– “Pacto de Sangue”, Billy Wilder (Double Indemnity), 1944
– “Os Brutos Também Amam”, George Stevens (Shane), 1953
– “Glória Feita de Sangue”, Stanley Kubrick (Paths of Glory), 1957
– “O Poderoso Chefão II”, Francis Ford Coppola (The Godfather: Part II), 1974
– “Os Bons Companheiros”, Martin Scorsese (Goodfellas), 1990
– “Cidadão Kane”, Orson Welles (Citizen Kane), 1941
– “O Delator”, John Ford (The Informer), 1935
– “A Colina dos Homens Perdidos”, Sidney Lumet (The Hill), 1965
– “O Terceiro Homem”, Carol Reed (The Third Man), 1949
– “Interlúdio”, Alfred Hitchcock (Notorious), 1946
– “A Sombra de Uma Dúvida”, Alfred Hitchcock (Shadow of a Doubt), 1943
– “Uma Rua Chamada Pecado”, Elia Kazan (A Streetcar Named Desire), 1951
– “Relíquia Macabra / O Falcão Maltês”, John Houston (The Maltese Falcon), 1941

Doze dos meus filmes europeus favoritos e três filmes japoneses favoritos (2005)

– “O Sétimo Selo”, Ingmar Bergman (Det Sjunde Inseglet), 1956
– “Rashomon”, Akira Kurosawa (Rash?mon), 1950
– “Ladrões de Bicicleta”, Vittorio De Sica (Ladri di Biciclette), 1948
– “A Grande Ilusão”, Jean Renoir (La Grande Illusion), 1937
– “A Regra do Jogo”, Jean Renoir (La Règle du Jeu), 1939
– “Morangos Silvestres”, Ingmar Bergman (Smultronstället), 1957
– “8 1/2″, Federico Fellini (8 1/2), 1963
– “Amarcord”, Federico Fellini (Amarcord), 1973
– “Trono Manchado de Sangue”, Akira Kurosawa (Kumonosu-j?), 1957
– “Gritos e Sussurros”, Ingmar Bergman (Viskningar och Rop), 1972
– “A Estrada da Vida”, Federico Fellini (La Strada), 1954
– “Os Incompreendidos”, François Truffaut (”Les Quatre Cents Coups), 1959
– “Acossado”, Jean Luc Godard (À Bout de Souffle), 1959
– “Os Sete Samurais”, Akira Kurosawa (Shichinin no Samurai), 1954
– “Vítimas da Tormenta”, Vittorio De Sica (Sciuscià), 1946

Tirando “Cidadão Kane” da lista de cima e passando para a debaixo, seria a minha lista de melhores filmes de todos os tempos”, diz Woody Allen

Provando que é um adepto da mutabilidade das listas, quando convidado em 2012 para a votação dos melhores filmes de todos os tempos organizada pela revista Sight and Sound, Woody Allen fez duas mudanças significativas listando 9 filmes presentes das listas acima, mas baixando “Glória Feita de Sangue” para a lista principal e incluindo um décimo filme (o trigésimo primeiro!), de Buñuel, que não havia aparecido nas duas listas de 2005:

Top 10 filmes de todos os tempos, por Woody Allen (2012)

– “O Sétimo Selo”, Ingmar Bergman (Det Sjunde Inseglet), 1956
– “Rashomon”, Akira Kurosawa (Rash?mon), 1950
– “Ladrões de Bicicleta” (Ladri di Biciclette), 1948
– “A Grande Ilusão”, Jean Renoir (La Grande Illusion), 1937
– “O Discreto Charme da Burguesia”, Luis Buñuel (Discreet Charm of the Bourgeoisie) 1972
– “Glória Feita de Sangue”, Stanley Kubrick (Paths of Glory), 1957
– “8 1/2″, Federico Fellini (8 1/2), 1963
– “Amarcord”, Federico Fellini (Amarcord), 1973
– “Os Incompreendidos”, François Truffaut (”Les Quatre Cents Coups), 1959
– “Cidadão Kane”, Orson Welles (Citizen Kane), 1941

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

Leia também:
– Filmografia comentada: os 24 filmes de Federico Fellini (aqui)
– Filmografia comentada: os 25 filmes de François Truffaut (aqui)
– Filmografia comentada: os 26 filmes de Billy Wilder (aqui)
– Jean Renoir: “A Grande Ilusão”, “A Marselhesa” e “A Regra do Jogo” (aqui)
– Jean Luc Godard: “Acossado” é uma obra prima obrigatória (aqui)
– Luis Buñuel: “Uma estranha reunião de fantasmas em Hollywood” (aqui)

setembro 3, 2009   Encha o copo

Top 100 cenas de nudez no cinema

Eva Green em cena de “Os Sonhadores”

Quando me passaram o link, na semana passada, entendi que seria uma lista com as 100 melhores cenas de sexo da história do cinema, e já fui direto ao Top 10 conferir se a pegação sensacional de Halle Berry e Billy Bob Thorton em “Monsters Ball“, de 2001, estava entre as cinco mais, mas então percebi que a seleção apenas listava cenas de nudez (e femininas, sorry ladies).

Mas não adianta ficar alegrinho, caro amigo. São 10 vídeos em que o pessoal do Mr. Skin explica as 100 escolhas, e mostra algumas cenas com tarjas (cenas sem tarjas apenas para cadastrados no site). Mesmo assim não deixa de ser interessante, e polêmico. Como não tem Paz Vega em “Lúcia e o Sexo“? E Angelina Jolie está muito melhor em “Pecado Original” do que em “Gia”.

luciaeosexo

E a número 1 é sério ou é pegadinha?

Veja a lista aqui e depois procure os vídeos no Youtube – ou na sua locadora.

Ps. A foto que abre o texto é a da deslumbrante Eva Green em cena de “Sonhadores” (2003), do Bertolucci (um filme que adoro e que escrevi sobre aqui), um filme que adoro e preciso rever (oitavo lugar na lista do Mr. Skin). Já a foto abaixo é de Juliet Mills fazendo topless na Costa Amalfitana para desespero de Jack Lemon em “Avanti – Amantes À Italiana”, filme de 1972 de Billy Wilder.

Leia também:
– Les Inrockuptibles lista 50 canções para fazer Sexo (aqui)
– 100 Canções Essenciais da MPB (aqui)
– 100 Maiores Canções da MPB segundo a Rolling Stone (aqui)

setembro 1, 2009   Encha o copo

“Se Beber, Não Case” e “The Doors”

“Se Beber, Não Case”, Todd Phillips

“Se Beber, Não Case”, Todd Phillips (2009)

O Omelete cravou (aqui) e eu não discordo: estamos diante da melhor comédia do ano (Brüno, infelizmente, rodou). A última vez que ri tanto em uma sala de cinema foi no pastelão “Quem Vai Ficar com Mary?”, e por mais absurda que pareça a história de “Se Beber, Não Case” (que não é pastelão!), há uma explicação para tudo aquilo que está acontecendo. Ou quase tudo. Preciso rever para juntar algumas coisas perdidas. Uma na verdade. Ainda vou escrever sobre o filme, então não vou gastar toques agora. Mas o final é… sensacional. Sensacional. Leve um lenço. Você pode chorar de rir.

“The Doors”, Oliver Stone (1991)

A cinebiografia assinada pelo polêmico Oliver Stone retorna às lojas em versão de luxo com dois DVDs, um deles apenas de extras que destacam dois excelentes documentários sobre a produção e 15 cenas deletadas. O tecladista Ray Manzarek odiou a adaptação e não dá nenhum depoimento nos documentários, mas a tal jornalista que diz que casou com Jim Morrison em uma cerimônia pagã aparece e desce a lenha no diretor.

Oliver Stone, no entanto, se protege dizendo que juntou vários personagens reais em um no filme e que todo mundo tinha uma visão de Jim Morrison, e essa é a dele. Por mais que soe escapista, não dá para desvalorizar o filme, que não chega ao brilhantismo de “Ray” nem de “Johnny and June”, mas traz algumas cenas fabulosas e histórias imperdíveis de uma das maiores bandas da história do rock. E Val Kilmer brilha no papel principal.

Vi no cinema na época do lançamento, e depois em VHS. Eu tinha um pôster do filme em meu quarto, com marcas de batom que algumas amigas deixaram. Dúvidas que o mito continua vivo?

agosto 28, 2009   Encha o copo

Que tal uma Gelatina de Pinga e de Caipirinha

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O mais próximo que eu já havia chegado de uma gelatina alcoólica foi no T In The Park, um festival no meio da Escócia, em que algumas garotas passavam vendendo gelatina de vodka feita em casa. Comprei para colaborar e, claro, experimentar, mas fiquei um pouco frustrado. A gelatina não tinha sabor de vodka (aliás, qual o sabor da vodega mesmo?) e não deu barato. A mistura não devia dar certo.

Bem, com vodka talvez não fosse para dar certo, mas com cachaça, meu amigo, é uma delicia. Dá até para brincar com um famoso slogan: é impossível comer uma só. No caso, a gelatina em questão é a da Bendita Hora, um local cujo conceito é misturar pizza com arte. Não provei da pizza, mas ganhei um potinho de Balas de Gelatina de Pinga que me conquistaram. É quase uma bala de goma, com gosto forte e delicioso de uma boa e velha cachaça.

Além da Balas de Gelatina de Pinga há outro sabor que me deixou bastante curioso: Gelatina de Caipirinha. Deve ser viciante se for na mesma linha dessa de Pinga. Cada potinho custa R$ 12 e durante os meses de agosto, setembro e outubro, uma parte deste valor será destinado para o Instituto Brasil Solidário. Coisa fina. Veja aqui a página do hot site da Balas de Gelatina de Pinga e aqui o site da Bendita Hora. Vou ali provar mais uma bala e já volto.

agosto 28, 2009   Encha o copo

Banzé no Oeste, Macho Alfa e Aimee Mann

Mel Brooks em cena de “Banzé no Oeste”

“Banzé no Oeste”, de Mel Brooks (1974)
Para a American Film Institut, “Banzé no Oeste” (“Blazing Saddles”) é uma das dez melhores comédias de todos os tempos. Mel Brooks é uma das poucas pessoas a terem recebido um Oscar (cinema), um Grammy (música), um Emmy (TV) e um Tony (teatro) e está totalmente à vontade neste que é o seu quinto filme, e que bateu forte (mas muita forte) na turma Monty Python (o final de “Calice Sagrado” é uma homenagem clara para “Banzé no Oeste”).

Mel Brooks avacalha os filmes de diligência e faroestes com passagens cômicas e ainda provoca os racistas ao fazer de um negro (Cleavon Little) o xerife de uma cidadezinha do velho oeste. Gene Wilder está ótimo, o próprio Mel Brooks rouba algumas cenas coom governador (foto), mas é Harvey Korman quem brilha. O texto é excelente, embora haja um certo vácuo entre algumas piadas, mas nada que diminua o filme, muito menos o final surreal e arrasador. Um clássico.

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Como JJ Bronson, grande amigo que assina a coluna Macha Alfa no iG, está de férias em paisagens idílicas, fiquei responsável por escrever a coluna desta semana. Assino com o singelo pseudônimo de JR Durão, e o tema é “Mulher tem que ter pegada?”. Leia a coluna aqui.

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Aimee Mann em Buenos Aires, foto de Ligia Helena

A queridissima Ligilena esteve em Buenos Aires semana passada para, entre outras coisas, assistir ao show de Aimee Mann. Abaixo um relato descompromissado que ela fez aqui para o blog. A foto é dela. No flickr (http://www.flickr.com/photos/ligelena) tem mais.

“Bom, como eu disse pro Mac, não sou crítica de música. E sou muito, muito, muuuuito fã da Aimee Mann. Então posso contar como foi o show, mas vai ser em primeira pessoa. Se vocês quiserem podem baixar uns dois tons do meu texto pra terem a real noção do que foi aquela apresentação.

Quando eu decidi ir pra lá pra ver a Aimee, resolvi fazer a loucura completa e comprei o ingresso mais caro, na segunda fileira (a primeira já estava lotada) do Teatro Gran Rex. É um teatro gigante, que já recebeu a Björk, o Coldplay, o Muse, entre outros grandes. E a platéia estava quase completa pra ver Aimee na América do Sul pela primeira vez.

Minhas impressões da segunda fila foram completamente diferentes das impressões dos meus amigos que assistiram do fundão. Eles assistiram a um show introspectivo e melancólico. Eu assisti a um show descontraído e feliz. Acho que conseguir ver as expressões da Aimee foi o que fez a diferença. Ela é alta, magrela e desajeitada, daquele tipo de pessoa que não sabe bem onde colocar as mãos e tropeça em tudo, sabe? A cada música ela fazia questão de agradecer, sorrindo muito, feliz da vida. Não tentou fazer média, não disse “hola” nem “gracias”, mas cativou todo mundo.

No palco, ela e mais dois músicos se revezavam entre piano, órgão, escaleta, bateria, violão, guitarra e baixo. Até flauta doce ela tentou tocar, sem muito sucesso. Pediu desculpas, estava aprendendo a tocar “aquilo” havia só duas semanas. 

O setlist foi muito generoso, com músicas de todos os discos e até um lado B do Lost in Space, “Nightmare Girl”. A platéia veio abaixo a cada canção da trilha de Magnolia, especialmente com a dobradinha de Wise Up e Save Me. De matar. Ainda rolou Momentum, One, Deathly (essa, no bis, serviu pra me arrancar as últimas lágrimas). Do “Whatever”, rolou “Stupid Thing”. Do I’m With Stupid, rolou “You Could Make a Killing” e “Amateur”. Do Bachelor no. 2, Deathly, que eu já tinha dito. Do Lost in Space, “The Moth” (que abriu o show) e “Today’s the Day”. Do Forgotten Arm, “Going Through the Motions” e “Little Bombs”. E do último, Smilers, “Little Tornado”, “31 Today”, “Freeway”. Ela fechou o show cantando “Voices Carry”, do Til Tuesday. Generosa ou não?

Eu não anotei o setlist, eu nem sei se aí em cima estão sobrando ou faltando canções. Porque eu estava completamente encantada e entorpecida pelo show. No dia seguinte ela partiu para Santiago, no Chile, e minha vontade era ir atrás pra ver mais um show. E a pergunta que ficou martelando na minha cabeça foi: por que ninguém trouxe essa mulher pro Brasil? E a certeza que ficou foi: se eu tiver qualquer chance de ver um show dela de novo, vou de olhos fechados. “

agosto 19, 2009   Encha o copo

Sebos e lojas bacanas de CDs e DVDs em SP

Meses atrás o André, de Porto Alegre, que vinha para o show do Radiohead em São Paulo, me escreveu pedindo dicas de lojas e sebos em São Paulo. Colo aqui com poucos retoques o email que respondi. Espero que tenha ajudado a ele. E acho que pode interessar para outras pessoas…

“Fala André, segue uma listinha rápida de duas áreas que, na verdade, são tão próximas que podem ser uma. Eu sempre passo em todas essas lojas pois moro ao lado da Augusta. Ainda falta dar uma mapeada na região de Pinheiros (tem dezenas de lojinhas sebos de CDs ótimas descendo a Teodoro Sampaio até a Pedroso Morais) e da Praça da Sé (há varios do famoso Sebo do Messias por ali, mas faz uma cara que não apareço por lá e preciso ver como tá). No entanto, essa listinha abaixo deve te dar “trabalho e diversão”.

Abraço
Mac

REGIAO PAULISTA
Disconexus

Uma das lojas sebo mais legais da região da Paulista é a Disconexus, que fica logo depois da esquina Paulista/Consolação (nº 2682 da Consolação) a 100 metros do Pão de Açúcar. Tem quatro ou cinco graaaaandes balcões e CDs organizados por ordem alfabética. Não é dos sebos mais baratos, mas há uma bancada imperdível de quatro CDs por R$ 10 que sempre tem coisas bacanas. E agora há uma enorme bancada de DVDs. Precisa de tempo para vasculhar a loja toda.

Compact Blue
Uma das melhores lojas de CDs e DVDs da cidade. Fica na Augusta (nº 1592), um pouco acima da Neto Discos (próxima), tem centenas de itens importados, alguns com preço camarada, outros nem tanto, mas vale uma visita. O acervo de CD e DVD é indescritível.

RW CDs e DVDs
Também conhecida com ex-Neto Discos, essa loja tem algumas filiais pela região da Paulista, mas a mais bacana é a da frente do Espaço Unibanco (Rua Augusta, 1474). Não é um sebo, mas uma loja com promoções e queimas de estoque excelentes (principalmente em se tratando de samba e música brasileira). Há uma banca de R$ 6 com itens excelentes.

Discomania
Esse é sebo mesmo, apesar de ter alguns itens novos. E é uma rede. A primeira loja é mais especializada em CDs, DVDs, boxes e quetais. Fica na mesma calçada da Neto Discos, uma quadra abaixo. Não lembro se o nome dela é Discomania mesmo, mas é fácil identificar: da porta você verá os balcões com CDs a R$ 6, R$ 8 ou R$ 10 (essas são bancadas de CDs novos. Os usados ficam no fuindo). Um dos itens fodas desta loja são os DVDs de filmes clássicos (coisas do Bergman, Wilder e Truffaut) em preços muito mais em conta que a concorrência.

Discomania Loja 1
Descendo a Augusta (mais ou menos umas três ou quatro quadras – número 560) você irá encontrar um dos melhores sebos de vinil da cidade (Top 5 fácil). Há também CDs usados, DVDs e outras coisas. Eles dizem que tem mais de 40 mil CDs em estoque, mas isso é mais para impressionar. A loja é ótima, o atendimento é a la funcionários do Rob Fleming e a boa pedida para coisas de rock são as últimas bancadas lá no fundo.

Discomania Loja 2
Essa fica na Consolação, mas é bem fácil chegar a ela. Saindo da Loja 1 você desce em direção ao centro e vira à esquerda na primeira rua, Marques de Paranaguá, e vai até o final (duas quadras) na Consolação. Vira a direita a Consolação em direção ao centro e segue na calçada da direita. A Discomania Loja 2 fica nessa mesma calçada ao lado de uma padaria. É praticamente idêntica à loja 1, com muitos vinis e CDs bacanas.

REGIAO CENTRO
Velvet CDs

Vou pular daqui para a Galeria do Rock, na verdade a Galeria Presidente (nº 116), que fica na 24 de maio mais ou menos a 50 metros da Galeria do Rock. Nesse galeria existem duas lojas excelentes: a Velvet CDs e a Sensorial. Ambas trabalham com itens usados e coisas novas e possuem particularidades. A Velvet tem um bom acervo de shows bootlegs em DVD além de muita coisa usada bacana (e também vinis) além dos últimos lançamentos. Fica no primeiro andar (que ao entrar na galeria você conhecerá como Rua Alta), número 26. É só falar com o André (foto do post), um dos meus melhores amigos em São Paulo. E você corre o risco de me encontrar no balcão (hehe).

Sensorial Discos
Aliás, não se engane ao entrar na Galeria Presidente: pela escada rolante você entra e dá de cara com a London Calling, loja tradicional e extremamente cara. Ao lado tem a Zoid, que sempre tem uns bons CDs e coisas ótimas em vinil. Vale a pena fuça-la. Do outro lado tem a Sensorial, em que você poderá encontrar excelentes itens de rock nacional independente (e até coisas que você nem sabia que existia) por ótimos preços. Eles também tem ótimas promoções e alguns itens usados além de vinis (usados, novos e importados). O Carlos, outro grande amigo, é extremamente atencioso.

Na Galeria do Rock indico apenas uma loja, que gosto muito, de coisas usadas e preços ótimos. O nome dela é Rockmania, lj 453, e o do dono é o Nei, uma sumidade em rock clássico e pesado dos anos 70 e 80. A dica é boa, viu. Você chega nela no terceiro ou (quase certo que) quarto andar da Galeria do Rock. Assim: quando você perceber que não existem mais dezenas de lojas e o trânsito de pessoas estiver menor, chegou. A dica mais apropriada, porém, são as seguintes: a loja do Nei fica na frente do fã clube oficial do Sepultura e do lado da loja Magical Mystery Tour, especializada, claro, em Beatles. A loja do Nei é fácil de identificar: existem vários CDs afixados na vitrine com durex. Ao entrar nela você verá, à esquerda, um mostruário com CDs a R$ 15, nas suas costas CDs a R$ 10 e na direita CDs a R$ 18. O barato, porém, é um estante de ferro que fica ao lado do balcão com CDs a R$ 10. Como a clientela do Nei é quase toda de classic rock sempre pintam coisas excelentes de indie rock e rock nacional nessa prateleira. Mas vale olhar com calma os mostruários.

agosto 17, 2009   3 Brindes

Brasileiro o que? Brasileiro o caralho, o caralho

Desde antes de entrar no avião de volta ao Brasil que eu já sabia que a readaptação neste ano seria um tanto mais difícil do que no ano passado. Você vai uma vez, vê que tudo é diferente (muita coisa pra melhor), volta, readapta e continua tocando o barco. Repetir isso tudo não é tão fácil. Passei pelas mesmas coisas nesta viagem, visitei muitos lugares que já conhecia, mas reafirmar as idéias do outro ano bateu mais forte desta vez.

Passei a semana toda vagando a esmo até assistir na manhã de sexta à cabine de “Se Nada Mais Der Certo”, ótimo filme de José Eduardo Belmonte que abre com uma citação de Rousseau que eu tinha na minha mesa quando trabalhava na biblioteca de Direito em Taubaté: “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”.

O filme é uma bela porrada, que eu vou tentar dissecar melhor quando fizer uma resenha dele mais perto da estréia, mas toca em coisas que me assustam bastante, a principal versando sobre a derrota do homem para o sistema simbolizada no ato de perder tudo, mas aos poucos: o cara perde o emprego, fica sem dinheiro para pagar a conta de luz, e então cortam, e ele tenta uma maneira de se reerguer, e não consegue.

Acredito imensamente no poder da manhã seguinte. Nas minhas épocas áureas de crises violentas eu sempre me agarrava na idéia de que precisava sobreviver à madrugada, pois uma mágica da vida é que o dia morre toda noite para renascer toda manhã. Os problemas permanecem, mas quanto mais cedo você enfrentá-los, mais cedo surgirá uma maneira de resolvê-los. É uma rotina constante, a gente perde, mas também vence.

Lógico que esse é um pensamento voltado para o plano particular. O problema do Brasil é maior, e mais intenso. Como sorrir com tanta gente sofrendo jogada nas ruas, nos sinais, dormindo ao relento, sem o mínimo necessário para viver uma vida digna. Difícil. Como consertar? Sinceramente, não sei. As estatísticas dizem que o país está crescendo, e só o que vejo é mais miséria, mais pobreza e mais falta de oportunidades.

Quando falo em morar fora do país não estou de maneira alguma negando que estes outros países sejam também imperfeitos. Todo país tem problemas assim como todas as famílias. Alguns mais, outros menos, mas todos têm problemas. Os “pobremas” daqui, no entanto, me tomam cada vez mais e doem. Talvez eu vá, quem sabe, mas acredito que volto naquele velho navio e morra aqui na “favela onde eu nasci”.

Como escreveu Oswald de Andrade: “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”. Porém, inevitável, não podemos nos esquecer de nossas qualidades. É fácil reclamar, dizer que os outros são melhores nisso e naquilo sem levantar a nossa bola nas coisas que merecemos. Copo meio vazio, sabe. E foi isso que pensei ao assistir a mais um show do compositor Wado em São Paulo.

Não sei quantas vezes vi Wado ao vivo, e essa foi uma das apresentações que eu menos esperava algo. Ouvi o disco novo essa semana, aquela coisa meio “Ivete Sangalo” (hehe), como o próprio brincou comigo após o fim do show, e gostei, mas fui sem expectativas para vê-lo ao vivo. E o show, caro amigo, foi um dos melhores que assisti dele nos últimos anos. O tipo de coisa que me fez ter alegria de estar aqui, agora.

Wado fez um resumão da carreira tocando três canções de cada disco em ótimas versões roqueiras: “Uma Raiz, Uma Flor”, “Beijou Você” e “Ontem Eu Sambei” da estréia (2001); “A Gaiola do Som”, “Poço Sem Fundo” e “Tarja Preta” do “Cinema Auditivo” (2002), “Tormenta”, “Vai Querer?” e “Alguma Coisa Mais Pra Frente” do clássico “A Farsa do Samba Nublado” (2004); “Pendurado”, “Teta” e “Reforma Agrária do Ar” do “Terceiro Mundo Festivo” (2008) além de uma inédita, “Não Pára”, que Maria Alcina gravou no excelente “Confete e Serpentina” (leia aqui).

Do disco novo, “Atlântico Negro” (2009), Wado só tocou a bonita “Pavão Macaco”, do verso instigante e emblemático: “Vem morar comigo neste apartamento, estamos um sobre os outros, temos satisfação”. Os cinco discos de Wado estão todos para download no site oficial do artista (http://www2.uol.com.br/wado/index2.html), música boa dada de graça, tão fácil, a um toque do mouse. Alimento para a alma.

Talvez não seja à toa, mas no momento em que estamos fazendo a melhor música do mundo passamos por uma dura crise de falta de espaços em veículos de massa que dêem ao público o melhor de nossas artes. Não sei se a qualidade dos discos está atrelada à dificuldade de mostrar a música para a grande massa, mas vivemos um momento especial em nossa música, e algo inverso acontece nos EUA e na Inglaterra, locais em que nada novo e instigante acontece já há alguns bons três anos.

U2, Morrissey, Bruce, Bob Dylan, Wilco e outras lendas lançaram discos no último ano pelo simples vício de lançar um disco. Não me entenda errado e deixe o fanatismo de lado: há coisas boas nesses cinco discos, mas todos estes nomes já fizeram coisas muito melhores em suas carreiras e estão apenas rolando a engrenagem. Bandas novas? Nada comove. Por outro lado, o sangue ferve com facilidade neste país verde e amarelo.

Alguém pode dizer que é pouco, mas para mim não. Eu respiro música. Ela é a minha ligação com o mundo. Ela me faz vivo. Eu quero mais, claro. Quero um país melhor. Quero que as diferenças entre ricos e pobres diminuam drasticamente. Quero que a pessoa jogada na rua levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima. E sei que o mínimo que eu quero já é quase impossível, o que não quer dizer que vou deixar de querer, mas que aperta o peito, ah, aperta.

Quando eu tinha 14, 15 anos, um dos meus sonhos (além de ser piloto de Fórmula 1 e ou jornalista) era escrever uma série de livros nos moldes da coleção pocket da Brasiliense com pequenos tratados com dicas para consertar o país. O primeiro volume seria o “Como reestruturar o setor educacional”, que consistia basicamente em dar cultura ao povo, e não passá-lo de ano como pessoas sem dinheiro passam por debaixo da catraca. Não lembro os outros livros da série, mas isso permaneceu na minha memória.

É duro demais ser brasileiro, mas eu nunca saberia ser outra coisa, e nem quero. Lembro da raiva de Arnaldo Antunes cantando o trecho de letra que dá titulo a este post na versão ao vivo de “Lugar Nenhum” (do álbum “Go Back”) e entendo sua revolta, mas ela nunca me desceu bem. Nunca. Tenho vontade de encher um barco com uns 500, 900 brasileiros que fazem o país andar para trás, e mandar para o inferno gritando para eles: “Brasileiro o que? Brasileiro o caralho, o caralho”. A chance de outros 900 fdp surgirem, no entanto, é imensa. O problema é a máquina, alguém grita. E está certo.

Volto a repetir a citação de Rousseau: “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”. E só tenho uma certeza: estamos longe demais da democracia. Penso com dor na frase de Oswald de Andrade e no choque da lembrança da tecla que sempre bato: somos exemplos. As coisas começam a mudar dentro de casa, na nossa roda de amigos, no nosso trabalho. Porém, tento fazer o melhor, mas já não sei se adianta. Cansaço.

Ps. Perdoe a falta de foco e clareza. Eu também estou tentando me entender.

agosto 8, 2009   Encha o copo

Quanto custa uma viagem para a Europa?

O Parlamento de Londres visto da London Eye

Essa é a pergunta que não quer se calar (risos). O Edu já tinha pergutando isso em um post pré-viagem, e eu tinha detalhado os nossos gastos “por cima” nos comments (leia aqui), mas é uma avaliação totalmente particular baseada em um mochilão maluco de 37 dias. Uma viagem de 20 dias sai muito mais em conta. Aproveitando que o Luiz perguntou se “uns dez mil reais segura a onda legal”, vai a minha experiência abaixo, e a certeza de que se você conseguir economizar, dá sim para ir.

01) A Passagem

É o mais caro da viagem. Custa entre 650 dólares e pode chegar até 1000 dólares em alta temporada. Ou seja: viajar fora de temporada (que vai de 15 de junho até o fim de agosto) já garante uma grande economia. E pode acreditar: tem festival, shows e coisas legais para se fazer na Europa em maio e setembro, meses que não são tão frios e nebulosos como os invernais, e são mais baratos que julho e agosto, os temíveis e careiros meses de férias (e muito sol).

Uma vantagem das passagens: você pode pagar ela antes em até cinco vezes no cartão sem juros (se for uma companhia internacional tipo Iberia, Air France e outras) ou mais vezes se for uma nacional (TAM), com juros. O importante é que planejando bem, você já pisa na Europa com a passagem paga sem mexer no dinheiro das férias do trabalho, o que é uma grande economia para os dias de aventura pela frente.

Fiz uma pesquisa rápida em um site de viagens com as datas de partida para 30/04/2010 e volta 30/05/2010 e Air France e KLM oferecem passagens por cerca de R$ 2100. Esse preço pode abaixar se você conhecer uma agente de viagens bacana, que encontre uma promoção legal em um vôo menos concorrido, mas em média é isso: R$ 2100 que podem ser divididos em cinco vezes no cartão de crédito (com a taxa de embarque vindo na primeira parcela).

02) Hospedagem

Aqui você adapta a viagem ao seu bolso. Em sites como o Homelidays (www.homelidays.com) e Hostel World (www.homelidays.com) você consegue pesquisar habitações em hotéis, apartamentos, albergues, casas de família e campings. Os preços variam de acordo com o luxo e com o país. Um quarto dividido com 10 pessoas é mais barato que um quarto para casal, porém facilidades aparecem. O ap que ficamos em Paris foi o mais barato de toda nossa viagem, e o melhor. E Paris é uma cidade cara e de difícil hospedagem. A dica é: procure.

Para um cálculo no chutometro, só pata você ter idéia, você pode gastar entre 20 e 30 euros por dia em hospedagem (às vezes mais, outras menos, repito: dependendo das facilidades que você queira ter). Vamos pegar a média (25 euros) e multiplicar primeiramente pela cotação do Euro em relação ao Real (é menos, mas vamos arredondar para R$ 3) o que nos vai dar R$ 75 por dia. E multiplicamos de novo esse valor por 20 dias (R$ 1500) e 30 dias (R$ 2250). É algo entre isso que, em muitos lugares, pode ser pago no cartão de crédito, mas é bom confirmar antes.

Como o Acauã já comentou aqui no blog, tem o Couch Surfing, que é uma comunidade (tipo o Orkut) em que os associados abrem suas casas para outros associados. Na brodagem, sem nenhum custo. Como ele descreveu: “Quando vai viajar, você procura por boas almas dispostas a hospedar nas cidades para as quais vai e manda mensagem tentando combinar algo”. Vale muito ler o blog do Claudiomar. Ele viajou por 32 países – como Nepal e Hong Kong – hospedando-se somente em casas de pessoas do CouchSurfing. (http://claudiomar.blogspot.com/).

Vale lembrar que aquele amigo querido ou aquela prima com quem você não fala faz anos podem render uma boa economia se tiverem um cantinho para te abrigar. 🙂 Outra coisa: muitos países, na entrevista de entrada, perguntam o lugar em que você vai ficar. Por isso tenha sempre a mão o endereço do amigo ou da tia, ou mesmo o nome do hotel, pois pode dar um dorzinha de cabeça não ter.

03) Viajando internamente pela Europa

Sou uma completa negação para explicar os passes de trem (alguém ajude nos commentes, please) tipo o Europass, mas os trens são uma grande economia (falo sobre alguns aqui) e companhias barateiras como a Easyjet e a Ryanair podem lhe dar muitas alegrias. Prefira sempre a Easyjet, que não causa tantas dores de cabeça quanto a Ryanair, mas se precisa, não pense duas vezes: mesmo com a multa que pagamos em Veneza o vôo saiu 1/4 mais barato do que seria por outra companhia. A dica é sempre tentar comprar com antecedência os trechos, pois quanto antes você comprar mais barato vai estar.

Aqui entra então um item importante em uma viagem econômica: planejamento antecipado. Tendo a viagem toda traçada você perde um pouco da aventura de acordar em Roma numa terça-feira e pensar: “Acho que vou para Viena hoje”. Mas terá uma grande economia (passagens compradas no dia ou na véspera são caras mesmo nas companhias barateiras). Nos fizemos uns cinco trechos entre países de avião, e tudo saiu por aproximadamente R$ 600. O trecho por trem saiu por R$ 75.

04) Visto e Seguro Viagem

Os países da União Européia não pedem visto de entrada, mas sempre há uma entrevistinha em que geralmente o policial pergunta o que você está indo fazer na Europa (ou no país que você está entrando), onde você vai ficar, quando você vai voltar e por ai. Se você tem todos os documentos certinhos (reserva de hostels, endereço da casa do amigo ou do CouchSurfing, trechos internos de viagem) que comprovem que você está passando férias, ótimo, mas é bom sempre estar garantido.

A vantagem é que,  devido ao Acordo de Schengen (valeu pela dica, Felipe), entrando no primeiro país você não passa por entrevistas nos 24 países da União Européia e nos 4 da EFTA que assinaram a política de livre circulação de pessoas no espaço geográfico da Europa (com exceção do Reino Unido, que você sempre que entrar precisará passar pela imigração). Então, se você entrar na Europa com um vôo em escala pela Espanha, França ou Holanda, a entrevista será feita nestes países, e os demais são porta aberta.

Já o Seguro Viagem é necessário e cobrado em alguns países (como a França). Você pode fazer com o seu agente de viagens, mas compensa muito cotar no World Nomads (outra dica da Ligilena), que foi o que eu e Lili fizemos para esta última viagem (e ninguém pediu, mas vai que não tivéssemos feito – iriam pedir). É só colocar o periodo de viagem e verificar o preço. Três semanas sai 75 dólares.

05) Comendo e passeando na Europa

Prepare-se para o choque, pois pisar na Europa é caro, principalmente na Inglaterra. Você vai se assustar quando perceber que uma Coca-Cola lata custa R$ 10, e vale muito fuçar o cardápio para perceber que o vinho (na França, Itália e Espanha, principalmente) e a cerveja (na Bélgica e na Alemanha) são muitas vezes mais baratos que os refrigerantes. E aqui também cabe a sua vontade pessoal, pois dá para viver de batatas fritas e fast food, mas é sério que você vai pra França e não vai almoçar ou jantar em bistrô? E nem vai comer massa na Itália?

Vou chutar, mas 50 euros (R$ 150) é uma quantia razoável para você comer, passear e ir a museus. Ou seja, em 20 dias, R$ 3000 e em 30 dias R$ 4500. Isso atentando para o fato de você usar e abusar dos passes especiais como o Roma Pass, que te dá condução de graça nos ônibus e metros da cidade além de descontos em muitas atrações, o Paris Museum, que eu comentei aqui e que a Lina, do Conexão Paris, discute aqui. Quase todas as cidades tem um desse tipo, e ajuda muito.

Vale também lembrar que carteirinhas de estudante são benvindas, e não precisa ser a oficial. Mas muitos museus e passeis limitam o desconto para menores de 26 anos mesmo com a carteirinha. Vale levar, e tentar. Bem, dá para dizer canhestramente que R$ 10 mil dá e sobra para viajar, mas eu, você e a Lili (risos) sabemos que nunca sobra e sempre falta, mas isso tudo é apenas para dar uma idéia que eu mesmo não tinha quando fui viajar nas primeiras vezes. Ou seja, estou tentando mostrar que é preciso planejamento, economias, mas rola fazer sim.

O que é preciso, mais do que tudo, é focar nas coisas que você quer ver, fazer e sentir em uma viagem dessas. Fazer o orçamento, deixar de beber uma cerveja nos dias em que você bebe cinco (risos) para economizar e voar. Uma viagem começa no seu planejamento, nas pesquisas que a antecedem. Existem muitas facilidades e também muita dificuldade, e tudo faz parte. Isso tudo é só um esboço de 15 minutos em uma sexta-feira corrida. Com calma, a coisa toda pode ficar mais interessante ainda. Mesmo.

Por baixo de uma ponte em Veneza

Leia também:
– A querida Luana Bandeira, a pedido de amigos, fez um textão bacana com algumas dicas de como montar um mochilão, escolher hospedagem, transportes e enxugar os custos em uma viagem para a Europa. Vale ler. Baixe o arquivo em world aqui.

agosto 7, 2009   Encha o copo