Opinião do Consumidor: Göttlich Divina!
Elaborada pelo mestre cervejeiro Leonardo Botto (associado fundador e atual Presidente da ACervA Carioca – Associação de Cervejeiros Artesanais Cariocas), as Göttlich Divina! Pilsen e Weiss nasceram após uma visita ao Monastério de Weihenstephan, em 2007 (casa de uma das melhores Weiss do mundo, a Weihenstephaner). A visita rendeu a exportação dos lúpulos e leveduras Weihenstephan e Hallertäu, da Alemanha e Saaz, da República Tcheca, que aqui encontram o Tropical Guaraná da Amazônia em uma receita bastante particular.
Na versão pilsen da Göttlich Divina!, o aroma é marcado pela presença de lúpulo floral e malte encobrindo o tão esperado guaraná, que fica na retaguarda meio que causando um charme. Na boca, no entanto, o guaraná se faz muito mais presente (ainda que discreto – a intenção pelo jeito não era fazer uma cerveja doce, mas sim uma pilsen aromática e um tiquinho adocicada), principalmente no primeiro toque na língua, adocicado (com lembrança de mel). O amargor aparece no final marcando o céu da boca e a garganta. Muito boa.
Já na versão Weiss, o aroma é totalmente ocupado pelo tom de banana (escondendo o guaraná), característica básica de uma boa Weiss (aqui reforçada pela valorização do fermento Weihenstephan). No paladar, altamente refrescante, a banana se acentua ainda mais e o conjunto se torna mais adocicado do que o de uma Weiss comum. O guaraná desaparece no conjunto e surge discretamente no final – mas é o responsável pelo delicioso dulçor da cerveja e também por deixa-la bem mais encorpada que uma Weiss tradicional.
As duas Göttlich Divina! estão sendo fabricadas pelo Opa Bier e distribuídas pela On Trade. Os preços variam entre R$ 13 e R$ 15 (a garrafa de 600 ml) e ambas são ótimas cervejas que podem surpreender na mesa. A presença do guaraná é delicada e acentua qualidades nas duas versões. Vale muito experimentar.
Teste de Qualidade: Göttlich Divina! Pilsen
– Produto: Pilsen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,19/5
Teste de Qualidade: Göttlich Divina! Weiss
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,20/5
Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Weihenstephan, a cervejaria mais antiga do mundo (aqui)
junho 17, 2011 Encha o copo
Três Filmes: Travestis, Sereias e Raparigas

“Se Beber Não Case 2”, Todd Phillips (2011)
“The Hangover” (na Espanha, “Ressacon”, no Brasil, “Se Beber Não Case”) passou como um furacão pelos cinemas no final de 2009 engordando a conta corrente da Warner Bros. Custou 35 milhões de doletas e faturou quase 500 milhões no mundo todo. Bola cantada para uma sequencia. Porém, nem o mais desligado fã de comédia hollywoodiana iria esperar que Todd Phillips e companhia copiassem a fórmula do primeiro filme tintin por tintin. E quer saber: ainda assim “The Hangover 2” funciona. Muda-se o cenário (sai Las Vegas entra Bangkok), mas as piadas masculinas continuam exageradamente cômicas. A química do trio Bradley Cooper (Phil), Zach Galifianakis (Alan) e Ed Helms (Stu) rende outro grande filme, que perde em impacto pelo fator novidade, mas ainda faz rir – e muito. Agora é esperar o terceiro…

“Piratas do Caribe 4”, Rob Marshall (2011)
A máquina de fazer dinheiro não tem folga. Quatro anos após o bom “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” surge este “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”, talvez o mais fraco filme da saga de Jack Sparrow. Desta vez, Johnny Depp se vê às voltas com sereias belíssimas, um antigo romance (Penélope Cruz subaproveitada) e os mesmos desafios de sempre, desta vez com foco na busca por uma fonte da juventude. Johnny Depp mais uma vez brilha como um dos piratas mais sacanas dos mares (deve surgir em breve alguma história em quadrinhos pornô nos moldes da que surgiu no embalo do primeiro filme), mas o filme não emociona, não impressiona, não conquista. É só um passatempo ok para assistir debaixo do edredom num dia frio de domingo. E olhe lá. E, importante: a versão 3D é dispensável.

“Singularidades de Uma Rapariga Loura”, Manoel de Oliveira (2009)
Aos 100 anos, o cineasta português (agora com 102) decidiu homenagear Eça de Queiroz com um filme inspirado em um conto (homônimo) de 1902 do escritor. Porém, “Singularidades de Uma Rapariga Loura” perde foco por exatamente querer transformar um conto em um longa-metragem. Não só isso. Algumas atuações deixam bastante a desejar (Leonor Silveira, uma das musas do cineasta, parece perdida na conversa no trem, em que fala uma frase ohando sempre para o aposto, e não para o rapaz com quem conversa) e a inserção de um trecho que se passa na Casa Eça de Queiroz, em Lisboa, soa forçada e desnecessária (até porque o ator que apresenta o local nem ator deve ser tamanha sua insegurança no papel). Se fosse um curta, quem sabe, mas muita coisa precisaria ser limada (ou refilmada) dos 63 minutos da película para que “Singularidades de Uma Rapariga Loura” funcionasse.
junho 16, 2011 Encha o copo
Top 25 museus internacionais
Inspirado pelo bonito “Meia Noite em Paris“, de Woody Allen, fiz uma listinha com os meus museus favoritos, nada para ser levado muito à sério (risos), mas que pode ajudar um ou outro viajante precisando de dicas. Ainda faltam alguns museus importantes para eu conhecer, mas dos que já conheço, esses são os meus 25 preferidos…
01- MOMA Museum, Nova York, (texto aqui)
02- L’Orangerie, Paris (texto aqui)
03- Museu do Prado, Madri (texto aqui e aqui)
04- Museu Guggenheim, Nova York (texto aqui)
05- Rijksmuseum, Amsterdam (texto aqui)
06- Galleria Borghese, Roma (texto aqui)
07- Vasamuseet, Estocolmo (texto aqui)
08- Instalação Vigeland, Oslo (texto aqui)
09- Museu D’Orsay, Paris (texto aqui)
10- Museu Reina Sofia, Madri (texto aqui)
11- Museu do Louvre, Paris (texto aqui)
12- Museu Peggy Guggenheim, Veneza (texto aqui)
13- Tate Modern, Londres (texto aqui)
14- National Gallery, Oslo (texto aqui)
15- Galleria Academia, Firenze (texto aqui)
16- Museu Van Gogh, Amsterdã (texto aqui)
17- Belvedere, Viena (texto aqui)
18- Centre Pompidou, Paris (texto aqui)
19- Museu Thyssen-Bornemisza, Madri (texto aqui)
20- National Gallery, Londres (texto aqui)

21- National Civil Rights Museum, Memphis (texto aqui)
22- Met Museum, Nova York (texto aqui)
23- Munch Museem, Oslo (texto aqui)
24- Moderna Museet, Estocolmo (texto aqui)
25- Galeria Uffizi, Firenze (texto aqui)

Hors-Concours- Inhotim, Brumadinho (texto aqui)
Todas as fotos por Marcelo Costa
junho 15, 2011 Encha o copo
Opinião do Consumidor: Red Stripe
A Desnoes and Geddes Limited (D&G) é uma empresa jamaicana fundada em 1918 em Kingston que produz cervejas e refrigerantes. O carro chefe da casa é esta Red Stripe, uma lager sem graça que patrocina a equipe de bobsleigh da Jamaica (bobsleigh? algo como uma corrida de trenó!) e que faz um sucesso danado no Inglaterra, um país cuja cerveja clara mais famosa é belga (Stella Artois) e a escura é irlandesa (Guiness).
Os Estados Unidos até tentaram resistir quando a Diageo (toda poderosa distribuidora da Smirnoff, do Johnnie Walker, do Baileys, da Guiness e da Jose Cuervo) comprou 51% da D&G e tentou enfiar goela abaixo dos norte-americanos a faixa vermelha. A Red Stripe não repetiu o êxito europeu, mas ainda assim é facilmente encontrada em território ianque.
Leve e refrescante como uma tradicional american lager (que aqui do lado debaixo do Equador são conhecidas como pilsens), a Red Stripe é indicada apenas para matar a sede em dias quentes. E olhe lá. Esqueça o quesito complexidade. O sabor do malte está por ali, escondido, mas o amargor acentuado no final chega a incomodar. Comparada aos títulos nacionais, Bohemia ou Original são muito melhores. E mais baratas…
Teste de Qualidade: Red Stripe
– Produto: Pale Lager
– Nacionalidade: Jamaica
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 2,26/5
Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
junho 14, 2011 Encha o copo
A bière de garde St Landelin Mythique
Da mesma cervejaria francesa que distribui a La Divine, a Amadeus (“uma cerveja branca excepcional”, dizem os donos), a La Bière du Démon (“a cerveja loura mais forte do mundo”) e a Bière du Désert, apresentada como o “champagne das cervejas”, surge a St Landelin Mythique que, consta a lenda, era produzida pelos monges da Abadia Crespin exatamente onde o fundador da abadia, St Landelin, descobriu uma fonte de água mineral natural.
O belga São Landelin, que viveu entre 625 e 686, era um ex-bandido que se converteu ao cristianismo tendo fundado três mosteiros (Lobbes, Crespin e, segundo créditos, Aulne). O segundo deles, fundado em 651 na vila francesa de Crespin, duas horas e meia distante de Paris (40 minutos de Lille), foi onde nasceu a Mythique, uma das mais antigas cervejas de abadia da França (hoje produzida pela Brasseurs de Gayant à Douai), loura, leve e forte como uma boa belga.
Apesar dos 7.5% de graduação alcoólica, a St Landelin Mythique é extremamente leve. Um dos motivos é a utilização do sistema dry hopping, em que o lúpulo entra na mistura apenas na fase de fermentação com a função de incrementar ainda mais o aroma sem aumentar seu amargor. No caso da Mythique funciona muito bem. O aroma floral é suave (com uma queda para o cítrico – mais laranja) e o sabor levemente adocicado (de poucas nuances) com final amargo de curta duração batendo na garganta.
A St Landelin Mythique está chegando ao Brasil em sua versão 750 ml com o preço (salgado) entre R$ 40 e R$ 50. É uma bière de garde interessante e bem boa (sinceramente, gostei), mas talvez com esse dinheiro valha investir em outras definitivamente melhores. Uma Chimay, por exemplo.
St Landelin Mythique
– Produto: Bière de garde
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,20/5
Veja também:
– Top 1000 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
junho 10, 2011 Encha o copo
Mixtape para o Dia dos Namorados

Domingo é o Dia dos Namorados. Como o clima paulistano anda indicando, é a mais bela das datas comemorativas. Assim sendo, aqui está uma mixtape preparada especial para esse dia.
Explicações: A melhor carta de amor que você pode escrever para alguém é uma mixtape. A maneira mais eficaz de sofrer, também. Casais felizes são seres odiáveis. Porque são espaçosos, grudentos, babosos e cínicos. Sofrer não é melhor, mas também é digno.
Por isso, o B.A.E.A. preparou uma mixtape especial para esse Dia dos Namorados com 14 canções escolhidas por Paulo Terron e Rodrigo Levino sobre tomar um fora, ficar sozinho e/ou seguir adiante (há quem consiga). O setlist segue abaixo.
Boa sorte. Você não está sozinho. Na lástima, claro. Ouça abaixo.
junho 10, 2011 Encha o copo
Chegou o meu King of Limbs
A questão é: será que no vinil o álbum melhora?
Leia também:
“The King of Limbs”: pela primeira vez o Radiohead decepciona (aqui)
junho 8, 2011 Encha o copo
Os CDs comprados na viagem
Tai a tradicional foto com todos os CDs (e livros e filmes) comprados na viagem. Não estranhe: tem diversas coisas nesta foto que eu já tinha em edições antigas, e que ou as comprei por terem bonus (como, por exemplo, o primeiro do BRMC e o disco do Blur) ou por algum outro motivo interessante (os discos do Bruce Springsteen foram lançados – todos – em edições com livros na Espanha. Comprei quatro, mas queria comprar a coleção toda)…
Clique na imagem para ver a foto em maior qualidade
Veja também:
– Os CDs comprados em 2008 (aqui), 2009 (aqui) e 2010 (aqui)
junho 6, 2011 Encha o copo
Documentário Fanzineiros do Século Passado
“Olá Marcelo,
Quem me deu a dica do Scream & Yell foi o Leonardo Panço, porém acho que podemos ter nos falado anos atrás… Bem, estou lançando o documentário Fanzineiros do Século Passado, que conta um pouquinho da história dos zines por aqui. Está disponível em: http://vimeo.com/19998552 e foi feito de forma DIY. Se puder ajudar na divulgação, agradeço muito! Grande abraço e vamos nos falando!
Márcio Sno”
http://marciosno.blogspot.com
junho 6, 2011 Encha o copo
Top 10 Shows da Viagem
“9 minutos de Jon Spencer Blues Explosion, Primavera Sound”
A viagem terminou, mas os relatos ainda não. Falta escrever sobre os três dias intensos em Londres (incluindo os shows de Art Brut e Kills) e sobre a passagem por Madri (e o sensacional licor de hierbas, Orujo), mas isso vai entrando durante a semana junto com as atualizações do Scream & Yell (muita coisa bacana para entrar no site). Por enquanto um Top Ten de shows da viagem. E nove minutos fodões de Jon Spencer e dez minutos intensos de Art Brut.
01) PJ Harvey no Paradiso, Amsterdã
02) Jon Spencer Blues Explosion, Primavera Sound
03) Pulp, Primavera Sound
04) Mercury Rev, Primavera Sound
05) Art Brut, no Lexington, Londres
06) Eric Clapton e Steve Winwood, no Royal Albert Hall
07) Grinderman, no Primavera Sound
08 ) M. Ward, no Primavera Sound
09) Sufjan Stevens, no Primavera Sound
10) John Cale, no Primavera Sound
“10 minutos intensos de Art Brut no Lexington, Londres”
Leia também:
– Top 5: o melhor do Primavera Sound 2011, em Barcelona, por Marcelo Costa, Marco Tomazzoni, Rodrigo Levino e Tiago Agostini (aqui)
junho 6, 2011 Encha o copo










