Da Bélgica: Leffe Bière de Noel e Leffe 9º
Quatro rótulos mais conhecidos da conceituada Abadia de Leffe já passaram por aqui (as excelentes Leffe Blond, Leffe Brown, Leffe Radiuse e Leffe Tripel) e agora é a vez de outras duas representantes menos comuns (mas tão boas quanto) da cervejaria belga provocarem o paladar: a afrancesada e natalina Leffe Bière de Noël (também conhecida como Kerstbier) e a adocicada e alcoólica Leffe 9º.
A Leffe Bière de Noel é sazonal e, como o próprio nome entrega, especial para festas natalinas. Extremamente condimentada, o aroma é uma mistura de especiarias (notadamente cravo e pimenta do reino) com amêndoas, caramelo e… areia. O paladar é dulcíssimo (até demais) com leves pitadas de amargor que fazem com que seus 6,6% de graduação alcoólica desapareçam (mas o álcool está ali… cuidado). Uma bela cerveja indicada para acompanhar bons queijos e, segundo o site oficial, magret de pato.
A versão 9º da Leffe é uma cerveja de alta fermentação que replica várias características de outros rótulos da cervejaria: o aroma aerado e condimentado devido a especiarias, uma das principais marcas da Leffe, marca presença de forma densa e esconde os 9% de álcool. Há ainda algo de malte de caramelo. Diferente das outras Leffe, porém, o álcool aparece no paladar, de forma delicada, mas presente. Ele está ali de mãos dadas com o malte de caramelo em uma cerveja leve (apesar da alta quantidade de álcool) que começa adocicada e termina do mesmo jeito (com final marcado por pêra e banana).
Em alguns momentos, a Leffe 9º lembra a brasileira Wäls Quadruppel, que, no entanto, é um pouco mais picante (devido a cachaça e a seus 11% de graduação alcoólica). O exemplar belga é mais licoroso e comportado, mas ainda assim bastante interessante. Com estas duas cervejas da família Leffe chegamos a seis rótulos faltando ainda a Leffe Ruby (uma fruit beer de framboesa) e a sazonal Printemps (que circula no verão europeu). Calma que a gente chega lá.
Por ser sazonal, a Leffe Bière de Noel costuma ser encontrada no mercado entre outubro e fevereiro, mas sua validade extensa (essa garrafa da foto era válida até junho de 2013) permite que ela esteja na prateleira durante vários meses. Porém, tanto ela quanto a 9º não são encontráveis com tanta facilidade em supermercados no Brasil sendo mais indicado procura-las em sites como o Clube do Malte e/ou empórios. O preço (no Brasil) é mais puxado: entre R$ 17 e R$ 20.
Leffe Bière de Noel
– Produto: Speciality
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,6%
– Nota: 3,51/5
Leffe 9º
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 9%
– Nota: 3,92/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leffe Blond, Brown, Radiuse e Tripel, por Mac (aqui)
fevereiro 6, 2012 Encha o copo
Três shows: Apanhador, Wander e Karina

Foto: Liliane Callegari (veja outras fotos do show aqui)
Na quinta-feira, Baile de Verão da Agência Alavanca, e os gaúchos do Apanhador Só subiam ao palco do Studio SP para mostrar um impressionante amadurecimento. Abriram o show com duas canções novas (as ótimas “Torcicolo” e “Na Ponta dos Pés”) e um cuidado raro com os arranjos dos “velhos hits”. Uma bateria galopante introduziu “Um Rei e o Zé” enquanto “Jesus, O Padeiro e O Coveiro” teve ecos de rock de arena, dois grandes números da noite ao lado de “Prédio”, “Pouco Importa”, “Peixeiro”, “Nescafé” e “Maria Augusta”, pedida com ênfase pelo público no bis. Um grande show.
Na sexta foi a vez de Wander Wildner se apresentar no Inferno, exatamente um ano após o último show que havia visto dele, excelente, no Sesc Consolação. Desta vez, porém, o show musicalmente deficiente, desentrosado e desestrado, mas punk rock (e bêbado) em essência. Os hits se atropelaram – “Lonely Boy”, “Maverikão”, “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro”, “Um Bom Motivo”, “Adeus às Ilusões”, “Lugar do Caralho”, “Amigo Punk” e “Bebendo Vinho” (além de uma versão de “Passenger’, de Iggy Pop, que coloca a versão do Capital Inicial no chinelo) – e deixaram o público rouco, mas Wander pode mais.
No sábado, lançando seu ótimo segundo álbum, Karina Buhr fez e aconteceu em um show absurdo de sensacional no Auditório Ibirapuera. A sensação era de estar diante de Gal Costa circa 71, mas com dois Lanny Gordin no palco (os geniais Fernando Catatau e Edgard Scandurra) e uma banda coesa e entregue (com as belas intervenções de Guizado tocando a alma). Karina duelou com o microfone, rolou as escadas do palco, dançou no meio da galera que tomou as laterais do Auditório e cantou – de forma densa e tensa – canções de seus dois álbuns com destaque para “Guitarristas de Copacabana”, o chamego “Não Me Ame Tanto”, “Copo de Veneno” e os hits “Vira Pó”, “Eu Não Menti Pra Você”, “Ciranda do Incentivo” e “Plástico Bolha”. Um show raro e incandescente.
fevereiro 6, 2012 Encha o copo
O minimalismo e o rock and roll

“O Resto é Ruído – Escutando o Século XX”, de Alex Ross, é o melhor livro sobre música que li em toda a minha vida (edição brasileira da Companhia das Letras -> aqui). A primeira página relembra a primeira exibição da ópera “Salome”, de Richard Strauss, em 1906. Bem mais pra frente (após duas guerras mundiais, uma guerra fria, jazz, tonalidade, dodecafonia, Beatles e Stockhausen – um cem número de passagens interessantes que vão necessitar serem revistas em uma segunda leitura com o site do livro de apêndice), na página 532, Alex Ross versa sobre o minimalismo e o rock and roll. O que dá uma pequena ideia da grandiosidade de “O Resto é Ruído – Escutando o Século XX” é você imaginar que todos os nomes do primeiro parágrafo abaixo foram dissecados antes em longos capítulos do livro:
“O minimalismo não é tanto a história de um tipo de som, mas de uma cadeia de eventos. Schoenberg inventou a dodecafonia; Webern encontrou um silêncio secreto em seus padrões; Cage e Feldman abandonaram as sequencias e enfatizaram o silêncio. Young diminuiu o ritmo da sequencia e a tornou hipnótica. Riley sistematizou o processo e lhe conferiu profundidade de campo; Glass imprimiu um momentum motorizado. O movimento não parou por ai. A partir dos anos 60, uma pequena legião de artistas populares, encabeçada pela banda Velvet Underground, levou a proposta minimalista ao grande público. Como Reich declarou mais tarde, havia uma “justiça poética” nessa mudança de papéis: assim como ele outrora se sentira fascinado por Miles Davis e Kenny Clarke, personalidades do pop em Nova York e Londres passaram a se embevecer de seu trabalho.
Às vésperas de sua revolução gradual, Reich tinha um bocado de música pop soando em seus ouvidos. Ele não ouvia apenas jazz, mas também rock e r&b. Em uma entrevista, ele citou duas canções dos anos 60 que faziam a gesticulação minimalista se concentrar em apenas um acorde: “Subterranean Homesick Blues”, de Bob Dylan, e “Shotgun”, de Junior Walker. (A sua) “It’s Gonna Rain” tem algo em comum com “A Hard Rain’s a-Gonna Fall”, de Bob Dylan, que combina profecia bíblica com a angústia da era atômica num hino que anuncia um juízo final iminente.
O Velvet Underground surgiu na forma de uma conversa musical entre Lou Reed – um poeta transformado em compositor com uma voz dolorida e decadente – e John Cale, o sonolento violonista do Theatre of Eternal Music de La Monte Young. O início da carreira de Cale dá uma boa visão do panorama do horizonte musical do final do século XX: ele estudou no Goldsmiths College em Londres com Humphrey Searle, um discípulo de Webern; mudou para composição conceitual ao estilo de Cage, do Fluxus e de La Monte Young; chegou aos EUA com uma bolsa de estudos para Tanglewood; provocou lágrimas em madame Kussevítskaia ao realizar um trabalho que exigiu a destruição de uma mesa com um machado; foi para Nova York com Xenakis; fez sua estreia tocando no espetáculo de John Cage para “Vexations”, de Satie; e acabou entrando para o conjunto de Young. Em sua autobiografia, Cale afirma que um de seus deveres era conseguir drogas para as apresentações do Eternal Music. Consta que as transações eram conduzidas por um código musical: “seis compassos de sonata para oboé” significava “seis onças de ópio”.
Lou Reed entrou em cena em 1964. Na época estava compondo canções kitsh para uma compania fonográfica chamada Pickwick Records. Por razões que até hoje permanecem obscuras, a Pickwick contratou três músicos da Eternal Music – Cale, Tony Conrad e o baterista e escultor Walter De Maria – para ajudar Reed na apresentação do que deveria ter sido uma novidade de sucesso chamada “The Ostrich”. O plano não deu em nada, mas os músicos da Eternal Music se deram bem com Lou Reed, que estava conduzindo experiências independentes com novos temas e modos. A primeira banda de Reed e Cale chamava-se Primitives. Pouco mais tarde, com Sterling Morrison na guitarra e o percussionista do Eternal Music Angus MacLise na bateria, eles viriam a ser o Velvet Underground.
A principio o Velvet se especializou em happenings e filmes underground. Depois o grupo começou a fazer shows de rock convencional. MacLise desistiu, recusando qualquer formato que o obrigasse a começar e parar em um momento especifico da música. Foi substituído por Maureen Tucker, baterista com um rígido toque minimalista. Um show na véspera de ano novo de 1965 chamou a atenção de Andy Warwol, que se ligou à banda num evento multimídia chamado Exploding Plastic Inevitable. Finalmente um álbum foi lançado em 1967, com algumas músicas cantadas pela modelo alemã Nico com sua voz de boneca. “The Velvet Underground & Nico” vendeu mal na época, mas hoje é reconhecido como um dos mais brilhantes e ousados disco de rock já gravados.”
fevereiro 5, 2012 Encha o copo
Europa 2012: Primeiro rascunho de viagem

Está complicado combinar tudo. As datas certas são as listadas abaixo. Depois, várias possibilidades. O que é certo: que terei que combinar um show do Tom Petty, um do Bruce Springsteen e um do Lou Reed… e ainda tem Black Sabbath
24/05 – Londres – Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
26/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
27/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
28/05 –
29/05 –
30/05 – Barcelona – Primavera Sound
31/05 – Barcelona – Primavera Sound
01/06 – Barcelona – Primavera Sound
02/06 – Barcelona – Primavera Sound
03/06 – Barcelona – Primavera Sound
04/06 –
05/06 –
06/06 –
07/06 –
08/06 –
09/06 –
10/06 –
11/06 –
12/06 –
Possibilidade 1
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
07/06 – Bruce Springsteen – Milão
10/06 – Tom Petty – Hamburgo
Possibilidade 2
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
07/06 – Bruce Springsteen – Milão
08/06 – Lou Reed – Nyon, CH @ Caribana Festival
10/06 – Tom Petty – Hamburgo
Possibilidade 3
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
08/06 – Tom Petty – Cork
10/06 – Bruce Springsteen – Florença
Possibilidade 4
28/05 – Bruce Springsteen – Pinkpop – Holanda
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
10/06 – Tom Petty – Hamburgo
Datas
28/05 – Big Star Plays Third – Londres
28/05 – Bruce Springsteen – Pinkpop – Holanda
28/05 – Soundgarden – Rockhal – Holanda
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris – Le Zenith
29/05 – Black Sabbath – Bergen – Noruega
04/06 – Black Sabbath – Dortmund – Alemanha
06/06 – Black Sabbath – Praga – República Tcheca
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
07/06 – Bruce Springsteen – Milão
07/06 – Tom Petty – Dublin
08/06 – Tom Petty – Cork
08/06 – Lou Reed – Nyon, CH @ Caribana Festival
09/06 – Lou Reed – France, FR @ Montereau Festival
10/06 – Tom Petty – Hamburgo
10/06 – Black Sabbath – Download Festival – Reino UNido
10/06 – Bruce Springsteen – Florença
11/06 – Lou Reed – Paris, FR @ Olympia
12/06 – Bruce Springsteen – Triste
fevereiro 4, 2012 Encha o copo
Download: 48 podcasts Scream & Yell

Parece que foi ontem. Começamos a gravar programas semanais na @radiolevis, com supervisão do @eduparez, e nem sabíamos montar o programa direito. Há, por isso, uma grande evolução conforme os programas foram gravados (mas nem tanto assim, já que estouramos o áudio várias vezes durante o percurso – o #48 é um bom exemplo), e falando por todos – eu, @tiagoagostini, @marcot_ e @ttrigo – nunca deixamos de nos divertir nas gravações.
Alguns programas foram baixados 60 vezes. Um deles, mais de 800. O ano de 2012 é uma grande incógnita para todos nós, e por isso o programa ficará em stand bye, mas pretendemos gravar mais duas edições para fechar 50 programas. Por enquanto, abaixo, os 48 gravados estão disponíveis para download incluindo o inédito programa piloto, beeem tosco.
Queria agradecer imensamente a todos os convidados que toparam rir e falar bobagens com a gente (@renato_moikano, @rodrigosalem, @rlevino, @leodiaspereira, @noacapelas e @murilobasso). E principalmente agradecer a todo o pessoal da Levis, em especial a @marianacobra e @eduparez, pelo carinho, apoio e confiança. Calma, ainda não acabou. E ainda assim, a gente tira uma folga, mas a Levis Music continua a toda.
#00 http://www.mediafire.com/?baibehmjpinlfdw (Piloto)
#01 http://www.mediafire.com/?lb3wfloom45l416
#02 http://www.mediafire.com/?1mrv4zqg3zc13ll
#03 http://www.mediafire.com/?35r69f0p8texy3o
#04 http://www.mediafire.com/?c866k74g86l753u
#05 http://www.mediafire.com/?nyci4hdtkoou3ol
#06 http://www.mediafire.com/?qlguqy1f8p3jsq0
#07 http://www.mediafire.com/?t4td1d512bs63dt
#08 http://www.mediafire.com/?2qwyzum52hcr435
#09 http://www.mediafire.com/?eo1s5b7etauq17z
#10 http://www.mediafire.com/?2l69n6bk04h3rbw
#11 http://www.mediafire.com/?eicfio43xmxh4bn
#12 http://www.mediafire.com/?2fey7rztshadeg7
#13 http://www.mediafire.com/?p69k1qimr2oidra
#14 http://www.mediafire.com/?6z44xdrkn95uudp
#15 http://www.mediafire.com/?ht2795zpzh5e7t7
#16 http://www.mediafire.com/?aj67ehck8j1a12r
#17 http://www.mediafire.com/?r3aeoa68gnb84l9
#18 http://www.mediafire.com/?z35g3m4jvjk4d82
#19 http://www.mediafire.com/?8nzwu70p67kumay
#20 http://www.mediafire.com/?0gcl832ak8y3ghw
#21 http://www.mediafire.com/?dck8o6d23rk8kh3
#22 http://www.mediafire.com/?7n3gkf113tas5y2
#23 http://www.mediafire.com/?48rzwp8e08bb15a
#24 http://www.mediafire.com/?6vk975z5zp84dgt
#25 http://www.mediafire.com/?h91j4ubwqk57by8
#26 http://www.mediafire.com/?az8zqdxta6w4t6e
#27 http://www.mediafire.com/?di0lc61c6rxve1l
#28 http://www.mediafire.com/?x2t4e8ddp0wfo2t
#29 http://www.mediafire.com/?3fuhfo4bio29w8l
#30 http://www.mediafire.com/?xbnx1m4g0c4em7y
#31 http://www.mediafire.com/?uzb4zp62n0o47ms
#32 http://www.mediafire.com/?6cucwjbto9qnl3u
#33 http://www.mediafire.com/?nhbyuyu444ngctp
#34 http://www.mediafire.com/?hsfi11qcyna46t1
#35 http://www.mediafire.com/?17owvmr23vxg7y6
#36 http://www.mediafire.com/?4drmvnxw7si1ve4
#37 http://www.mediafire.com/?v5ks4qsmzjt8sdb (só músicas)
#38 http://www.mediafire.com/?8ebmfca1tcgb1zg
#39 http://www.mediafire.com/?n97lek47994kuvv
#40 http://www.mediafire.com/?fea83tfxryul787
#41 http://www.mediafire.com/?l16k818rleddv2s
#42 http://www.mediafire.com/?wvecz71dmv8hmu4
#43 http://www.mediafire.com/?g49olyt930p4i28
#44 http://www.mediafire.com/?rlnp4i9wr17j2vz
#45 http://www.mediafire.com/?dce28pqjzzqb19i
#46 http://www.mediafire.com/?0bpga9bkifif50l
#47 http://www.mediafire.com/?e724c29c4eu4szq
#48 http://www.mediafire.com/?ewjhm34gkt1hlyc
fevereiro 3, 2012 Encha o copo
De Curitiba, três cervejas da Bodebrown
Primeira Cervejaria Escola do Brasil, fundada em 2010, a curitibana Bodebrown vem ganhando destaque merecido desde que Samuel Cavalcanti transformou sua cervejaria em uma “casa da cerveja”, tendo ensinado mais de 400 pessoas a produzir cerveja, e comercializando todo o material necessário para a produção de cerveja artesanal. Além de apoiar a cultura cervejeira, a Bodebrown é responsável por três rótulos de altíssima qualidade: a Bodebrown Hop-Weiss, a IPA Perigosa e a premiada Wee Heavy.
A Bodebrown Hop Weiss surpreende aqueles que esperavam uma Weiss tradicional: a mistura de malte de cevada com malte de trigo, junto ao lúpulo de amarillo, faz a cerveja ficar translúcida. As tradicionais notas de banana desaparecem dando lugar a tons cítricos que remetem principalmente a maracujá, e valorizam o malte. No paladar ela surge adocicada e aconchegante, com o maracujá novamente batendo ponto até o final… suave (e quase nenhum amargor). Eis uma cerveja refrescante e saborosa.
Já a versão Imperial IPA da Bodebrown, carinhosamente chamada de Perigosa (ex-Venenosa), não brinca em serviço: é uma cacetada de lúpulo presente já no aroma, intenso, bem balanceado entre o cítrico (limão) e o adocicado (caramelo). A brincadeira não para por ai: no paladar, o lúpulo carregado causa um forte amargor, característico do estilo norte-americano, mas vai se aconchegando entre notas cítricas e carameladas até seu final, complexo e nada alcoólico (apesar dos 9,2% de graduação). Um tesouro.
O rótulo da Wee Heavy, medalha de ouro na 18ª edição do Mondial de la Biére, em Montreal, no Canadá, avisa: “O ponto central desta receita é o malte”. A inspiração é uma velha receita de monges beneditinos de terras escocesas datada de 1719. O aroma segue a indicação do rótulo, com malte em destaque e variações de tostado que abrangem café, caramelo e chocolate. O paladar carrega um dulçor alcoólico que encanta aliado às variações tradicionais do aroma. O final é seco com uma leve lembrança de caramelo. Puro ouro.
Bodebrown Hop Weiss
– Produto: Hop Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,22/5
Bodebrown Perigosa
– Produto: Imperial IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 9,2%
– Nota: 3,82/5
Bodebrown Wee Heavy
– Produto: Strong Scoth Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 3,94/5
Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
janeiro 31, 2012 1 Brinde
Três Filmes: Scherfig, Van Sant, Almódovar

“Um Dia” (“One Day”, 2011)
Madrugada de 15 de julho de 1989: Emma (Anne Hathaway), uma nerd com tendência a poetisa, óculos fundo de garrafa e insegurança, leva pra casa um “amigo” de faculdade, Dexter (Jim Sturgess), o pegador da turma, misto de playboy e babaca, que dormiu com quase todas as garotas da sala, e nunca prestou atenção nela, mas nada como o alcoolismo às 5 horas da manhã. Corte: 15 de julho de 1990, 1991, 1992, 1993 (…), 2000: com o passar da data (o filme – e o livro homônimo no qual foi inspirado – se passa nesse dia de todos os anos), os personagens invertem os papeis: Emma constrói uma carreira segura enquanto Dexter, que continua babaca e perdido, entra numa espiral de decadência e decepções que confere um pouco de sentimento prum personagem carente de personalidade. Copia descarada de “Harry e Sally” (1989) e “Cidade dos Anjos” (1998), e outros menores, “Um Dia” é previsível, sem alma, melodramático e raso, e defende com soberba que todo mundo merece o amor (mesmo os tolos e babacas). Lone Scherfig, que havia estreado bem com “Italiano para Principiantes” (2000), mas ganhou fama com o moralista “Educação” (2009), fez um filme asséptico, que mais parece a adaptação de um romance da série Julia. Decepção.

“Inquietos” (“Restless”, 2011)
Garoto que perdeu os pais em um acidente de carro se apaixona por uma paciente terminal de câncer. O resumo em uma linha de “Inquietos” pode afastar alguns possíveis espectadores, mas Gus Van Sant cria uma atmosfera tão delicada em torno de seus dois personagens que as tragédias que os perseguem não conseguem transformar “Inquietos” em um dramalhão choroso. Annabel Cotton (Mia Wasikowska, de “Alice no País das Maravilhas”, 2010) tem apenas três meses de vida, e não pretende passar estes 90 dias desperdiçando momentos. Enoch Brae (Henry Hopper, filho da lenda), que após a morte dos pais e um pequeno período de coma, passou a receber visitas regulares de um fantasma de um soldado kamikase japonês e começou a visitar velórios como se estivesse indo a padaria, primeiramente se assusta com a disposição de Annabel, mas depois se entrega a esta relação improvável. O cineasta Gus Van Sant conduz as cenas de forma lenta sem tornar a história enfadonha, e extrai poesia do relacionamento improvável pintando um quadro delicado, de extrema beleza e sensibilidade, que ao contrário de vilanizar o destino inevitável, opta por valorizar o que existe, mesmo que de forma limitada: a vida.

“A Pele Que Habito” (“La Piel que Habito”, 2011)
O doutor Robert Ledgard (Antonio Bandeiras) é um notável cirurgião plástico que tem a obsessão de recriar a pele humana em experimentos não aprovados pela comunidade cientifica, desde que sua esposa sofrera graves queimaduras após um acidente de carro. Operando em sua própria casa, e assombrado pelos fantasmas da esposa e da filha, enferma mental que se suicidou, Robert Ledgard inicia um processo absurdo e surreal que consiste em transformar um homem em mulher, primeiro através de uma operação de vaginoplastia e, posteriormente, no experimento de uma nova pele. O argumento surreal de “A Pele Que Habito” saiu do livro “Mygale”, de 1995 (publicado depois sob o título “Tarântula”), do escritor francês Thierry Jonquet, mas poderia facilmente ter saído da mente maluca do diretor, que transforma o livro em um excelente filme de suspense tão repleto de camadas que merece ser visto três, quatro, cinco vezes, se possível. Canastrão como sempre, nem Banderas consegue estragar o ritmo do filme, que ganha em cores fortes enquanto discute estupro, vingança, sexo e personalidade de forma esplendida – alternando doses de tensão com boas passagens de ironia (como a brilhante cena final, tão absurda quanto genial, um momento raro de beleza do cinema atual).
Leia também:
– “Educação”: cheio de lições de moral para a vida (aqui)
– “Italiano para Principiantes”: intimismo e simplicidade de (aqui)
janeiro 30, 2012 Encha o copo
Aldous Huxley, 1949
Adaptado por Marcelo Costa
“Crueldade e compaixão vêm com os cromossomos.
Todos os homens são bons e todos são assassinos;
Afeiçoados aos cães, constroem campos de concentração;
Queimam cidades inteiras e acariciam os órfãos;
Clamam contra linchamentos, mas apoiam a pena de morte;
Fazem projetos de filantropia, e agências como o DOI-CODI;
Quem devemos perseguir, quem lamentar?
É tudo questão de modas do momento,
De jardins de infância comunistas e primeiras comunhões;
Só no conhecimento de sua própria essência
Deixam de ser os homens um bando de macacos…”
***
Trecho do livro “O Macaco e a Essência“, de 1949
janeiro 27, 2012 1 Brinde
Cinco fotos: São Paulo (edição dupla)
Aniversário da cidade…
Clique na imagem se quiser vê-la maior
Leia também:
– A solidão do centro de São Paulo no domingo (aqui)
– A história do Edifício Martinelli (aqui)
– Uma tarde no bairro da Liberdade (aqui)
– Meus cinco botecos preferidos em São Paulo (aqui)
– Sessões no heliporto da Folha de S. Paulo (aqui)
– Histórias: cenas da vida em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
janeiro 25, 2012 Encha o copo
Três Filmes: Darin, Damon e Clooney

“Um Conto Chines” (“Un Cuento Chino”, 2011)
A comédia de costume é um gênero que nunca sai de moda. Talvez por lidar com pessoas comuns que, colocadas em um ambiente diferente, causam uma série de desencontros hilários. Desta forma, “Um Conto Chines” não traz nenhuma novidade. Assim que o espectador senta na cadeira no cinema, já sabe tudo que irá acontecer: Roberto (Ricardo Darín novamente excelente) é um cara de meia idade que toca a loja de ferragens do falecido pai (a mãe morreu no parto). Ele é o mal-humorado típico, sem paciência para pessoas em geral (e babacas em particular), fechado no mundinho metódico que criou para si mesmo. Surge em cena Jun (Ignacio Huang), um chinês que tomou um cano de um taxista argentino e está perdido em Buenos Aires sem falar uma palavra em espanhol. Ele tem no braço o endereço de um tio, e só. O encontro destes dois personagens tão reais quanto particulares permite ao diretor e roteirista Sebastián Borensztein olhar com delicadeza a relação humana, e se segue a risca o manual do estilo (Roberto irá amolecer durante a trama como margarina no sol) incomodando em certas passagens por soar extremamente óbvio, tem a seu favor o esperto manuseio da narrativa: não há legendas para os trechos falados em chinês, o que faz de boa parte público cúmplice de Roberto. Nada de novo, mas ainda assim interessante.

“Compramos um Zoológico” (“We Bought a Zoo”, 2011)
Seis anos atrás, “Tudo Acontece em Elizabetown” parecia enterrar a carreira cinematográfica de Cameron Crowe. Não que o filme fosse ruim (pelo contrário, há várias belas passagens), mas peca por ser exagerado, como se o diretor quisesse expurgar vários demônios pessoais em um único filme. “Pearl Jam – Twenty”, seu retorno, serviu para mostrar que documentário não é sua praia, mas eis que “Compramos um Zoológico”, baseado em uma história real, recoloca a carreira do diretor nos eixos. Não bate “Jerry Maguire” nem “Quase Famosos”, mas mostra que Crowe não perdeu seus tiques sonhadores, e consegue fazer bom cinema partindo do foco dos derrotados. Em “Compramos um Zoológico”, o derrotado nem é tão derrotado assim: Benjamin Mee (Matt Damon, apenas correto) é um repórter de aventuras que coleciona grandes reportagens, mas está no limbo após a morte da mulher, tendo que dar conta dos dois filhos, a fofíssima Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e o desajustado Dylan (Colin Ford). Para afastar as lembranças da esposa (e mãe), a família decide se mudar e acaba comprando um… zoológico. Meio irreal, mas aconteceu (embora seja impossível que a tratadora de animais fosse alguém como Scarlett Johansson) e gerou uma bonita história de redenção, típica de Cameron Crowe. Para ir ao cinema, sonhar, e, depois, visitar o zoológico.

“Tudo Pelo Poder” (“The Ides of March”, 2011)
Mais alguns anos e George Clooney irá mandar em Hollywood. Grande ator, boa praça e diretor eficiente, Clooney conquista cada vez mais espaço na indústria, seja atuando (como em “Os Descendentes”, que lhe rendeu o Globo de Ouro e pode cavar uma indicação ao Oscar – o qual ele venceu com o ótimo “Syriana”, em 2006) ou dirigindo. Poucos diretores podem se orgulhar de ter no currículo três grandes filmes como Clooney: “Confissões de Uma Mente Perigosa” (2002), “Boa Noite, Boa Sorte” (2005) e, agora, “Tudo Pelo Poder” (há ainda “Jogo Sujo”, de 2008, que saiu direto em DVD no Brasil), filme que investiga os bastidores de uma eleição norte-americana com tanta destreza que é impossível não deixar a sala de cinema revoltado. Os closes em excesso (que chegam a incomodar em alguns momentos) não conseguem atrapalhar um roteiro eficaz que consegue distrair o espectador diante das reviravoltas da trama, e muito menos a boa atuação de um elenco estelar: Ryan Gosling, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood e Marisa Tomei brilham, cada um a seu modo, em um filme que parece validar aquela velha máxima de que todo mundo é corruptível: se não por dinheiro, então por poder (e até por utopia). Os fins justificam os meios? Ás vezes sim, como mostra Clooney neste filmaço.
Leia também:
– “O Segredo dos Seus Olhos” dirá muito sobre você, por Mac (aqui)
– “Elizabethtown”, um recorte de várias idéias, por Mac (aqui)
– “Boa Noite & Boa Sorte” merece ser visto com atenção (aqui)
janeiro 20, 2012 Encha o copo














