Prata da Casa: Agosto de 2014

Seguindo o padrão temático de tags que venho tentando implementar na minha curadoria para o projeto Prata da Casa 2014, do Sesc Pompeia, a ideia para o mês de agosto era, a pedido do próprio Sesc, aproximar o Prata excelente Jazz na Fábrica – ou, ao menos, não soar tão díspar. Com essa proposta em mente pensei a curadoria de agosto da seguinte maneira: um novo nome de jazz, que pudesse se encaixar perfeitamente na programação do Jazz no Fábrica. O escolhido foi o baterista Paulo Almeida, que me impressionou com seu ótimo CD “Constatações”. O segundo link era tentar localizar alguém pop, mas cujo álbum trouxesse elementos de jazz, MPB e rock, e a escolha recaiu sobre a excelente estreia de Ian Ramil. O terceiro vértice era tentar encontrar um artista de sonoridade mais fusion, psicodélica e viajante, e o Rumbo Reverso caiu a perfeição na escolha. Fechando o quarteto, o desejo era linkar um nome que fosse pop, mas, ao mesmo tempo, fusion, estranho, e o Baleia completa o quarteto de forma excelente. Estes são os quatro nomes aprovados em parceria com a equipe do Sesc e que se apresentam gratuitamente nas terças-feiras de agosto na choperia do Pompeia, gratuitamente. Vale a pena conferir
RUMBO REVERSO – 05/08
Rumbo Reverso é a realização dos experimentos, pesquisas e improvisos de Cacá Amaral, um músico incansável que se divide entre o FireFriend (tocando guitarra e bateria), a Naaxtro (bateria e samplers) e a participação no trabalho de outros amigos (como o curta metragem “Walking Bass”, de Luiz Romero e Caio Ferraz). Disponibilizado para download gratuito (rumboreverso.com) e lançado em CD e vinil em 2013, “Rumbo Reverso”, o disco, traz Cacá Amaral acompanhado de convidados como Mauricio Takara, Daniel Gralha, Diogo Valentino e Mancha Leonel, entre outros, buscando manipular sonoridades através do uso de bateria, guitarras, gaita, samplers e loops diversos para criar novas paisagens sonoras.
IAN RAMIL – 12/08
Filho de Vitor e sobrinho de Kleiton e Kledir, Ian Ramil cresceu rodeado por músicos. A aproximação com compositores de sua geração em Porto Alegre foi natural, e rendeu parcerias com o Apanhador Só, que se transformaram em sucessos: “Nescafé”, “Despirocar” e “Um Rei e o Zé”. Recém-lançado, “Ian”, seu primeiro disco (disponível para download em ianramil.com), foi gravado em Buenos Aires com músicos argentinos, mas conta com a participação dos brasileiros Kassin, Marcos Suzano e Kleiton Ramil além do espanhol Diego Galaz. Essa união de músicos em torno de Ian resulta em uma das mais promissoras estreias do cenário nacional em 2014, recomendando acompanhar de perto a carreira do jovem Ramil.
PAULO ALMEIDA – 19/08
Paulo Almeida tem 25 anos, é baterista e nasceu em Bauru. Sua história com a música se inicia aos nove anos quando, influenciado pelo pai, começa a estudar. Aos 16 ingressou no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí estudando percussão erudita com o professor Agnaldo Silva, e, logo em seguida, Bateria MPB & Jazz com os professores Rodrigo Digão Brás e Cleber Almeida. Entre os projetos que participa já dividiu o palco com Hermeto Pascoal, Michel Leme, Jair Oliveira, Big Band Sanjazz, entre outros. Financiado via crowdfunding na internet, “Constatações”, seu primeiro disco (base do show no Prata da Casa), foi lançado em 2013 e conta com seis canções autorais mais “Cicando”, de Vinicius Dorin.
BALEIA – 26/08
Presente em diversas listas de melhores álbuns de 2013, “Quebra Azul”, a estreia do sexteto carioca Baleia, marca um interessante embate entre os dois lados de uma mesma banda: a vontade de soar tanto pop quanto esquizofrênico. Se o primeiro lado surge marcado por melodias que grudam na memória e convidam o ouvinte a cantar (vide a canção “Jiraya”), o segundo bate ponto via introduções instrumentais anárquicas que aproximam o Baleia de monólitos do estranhamento pop como o Dirty Projectors do álbum “Bitte Orca” e os Beatles de “Tomorrow Never Knows”. Disponível para download gratuito em baleiabaleia.com, o disco “Quebra Azul” passeia pelo jazz, pelo rock e pelo pop de forma empolgante.
agosto 5, 2014 Encha o copo
Ontem Estocolmo, hoje Oslo

A primeira parada do dia derradeiro em Estocolmo foi no Museu de Arte Moderna da cidade, e Lili pode matar saudade de alguns de seus eleitos: Alberto Giacometti e Alexander Calder. Gostei do acervo, e ainda que não tenha me impressionado com muita coisa, valeu por descobrir a obra da grande pintora sueca Vera Nilsson.

Aproveitamos o Hop On Hop Off, que aqui existe também em versão barco (que passeia pingando por várias pontos das ilhas centrais da cidade), para descansar e observar um pouco a cidade… de dentro do mar.

O impressionante Vasa Museum, que apresenta o navio Vasa, que afundou em 1628 a um quilometro e meio da costa de Estocolmo, e foi resgatado do fundo do mar 333 anos depois (em 1961). Para mim, um dos museus mais espetaculares do mundo.

O Museu Nacional está fechado para reforma. Demos com a cara na porta…

Já o Abba The Musem estava aberto, porém, a entrada custando quase R$ 90 por pessoa nos soou proibitiva. Entramos na lojinha, demos uma fuçada rápida e fomos embora. Depois (olhando umas fotos no folder) me arrependi. Ah, o museu também dá acesso ao Swedish Music Hall of Fame (Roxette, Hives, Cardigans)…

Encaramos o hot-dog sueco… e aprovamos.

Observamos a rotina da cidade no verão…

E como despedida de Estocolmo, que definitivamente ganhou um lugar de destaque na lista de cidades especiais do mundo, fomos jantar e celebrar no ótimo pub (belga) Akkurat, com uma bela seleção de cervejas suecas, muitas belgas e algumas alemãs, inglesas e norte-americanas.

Acordamos às seis da manhã para arrumar as malas, fazer check-out e partir para seis horas de uma ótima viagem de trem. Ainda deu tempo de dar uma caminhada em Oslo, mas temos mais quatro dias pela frente. A viagem segue.

agosto 5, 2014 Encha o copo
Prata da Casa #10: Juliano Gauche



Para fechar a programação do mês de julho do Prata da Casa, Juliano Gauche subiu ao palco acompanhado de dois grandes guitarristas (Junior Boca e Guri Assis Brasil) é uma banda segura para se apresentar diante de uma ótima plateia, que reunia uma turma atenciosa de amigos, como Pelico, Bruno Souto, Fernando Catatau, Luiz Carlos Calanca e Edy Star. No repertório, canções de seu primeiro disco solo, “Juliano Gauche” (baixe aqui) como “Ao Revolver” e “Contando os Dias”.
De postura contida, que foi se alterando e se soltando durante a noite, Juliano Gauche fez um show elegante que homenageou o amigo Tatá Aeroplano com uma bela versão de “Sergio Sampaio Volta”, com arranjo num crescendo caprichado, recebeu a amiga Juliana R. para um dueto em “Além de Todo Gesto” e “Canção num Copo D’Água” (do repertório dela) e alcançou o ápice no trecho final, com a empolgante “Amor do Capeta” e na versão de “A Mim e a Mais Ninguém”, de Angela Rô Rô, encerrando uma grande noite.
As fotos são de Liliane Callegari (mais aqui). Abaixo, dois vídeos.
agosto 4, 2014 Encha o copo
Stockholm Music & Arts (Dag 3)

Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari (veja galeria)
Após cabular o segundo dia do festival para cuidar de uma virose que ameaçava dar cabo no fim de semana já na manhã de sábado (Beth Orton, nos vemos numa próxima oportunidade, ok) e ouvir uma tempestade castigar as janelas do hotel durante a madrugada seguinte, o domingo amanheceu nublado e emburrado. A previsão garantia que permaneceria assim o dia inteiro (com temperatura entre 20 e 28 graus), mas o sol contrariou as expectativas e surgiu bonito iluminando o Museu de Arte Moderna da cidade.

Acompanhado apenas de um violão e de suas histórias, Richard Thompson mostrou um pouco de sua história no palco do Stockholm Music and Arts para um público atento. Focando em sua carreira solo e pescando pérolas de sua parceria com Linda Thompson (como “Wall of Death”, já gravada pelo R.E.M.), Richard Thompson aprofundou as letras ao contar histórias sobre cada uma das canções que tocava e até presenteou o público com uma singela versão de “Genesis Hall”, do Fairport Convention. Um trovador em meio ao sol de Estocolmo.

Na sequencia, com pouco mais de 10 minutos de atraso devido à dificuldade de equalizar tanta gente no palco (o intervalo entre uma atração e outra no festival é de meia hora), os 12 integrantes da mítica Egypt 80 (banda que Fela Kuti montou nos anos 80 e que hoje em dia segue acompanhando seu filho, Seun, em gravações e shows pelo mundo) foram apresentados um a um e saudaram a lourada sueca bronzeada de sol com uma pancada energética de afrobeat que não deixou ninguém parado.

Oluseun Anikulapo Kuti foi convidado ao palco na sequencia e chegou chutando a porta: “Essa música é do meu disco novo e se chama “IMF”: International Mother Fuckers. Ela é dedicada ao FMI”. De sax em punho, o filho mais novo de Fela seguiu tarde adentro dando recados e fazendo o público sueco dançar e pensar mostrando que o legado do pai segue vivo. O bom público presente (cerca de 2 mil pessoas) tentou (como pode) seguir o ritmo das duas backings sedutoras, que rebolavam e instigavam a dança. Bonito de ver.

Magic Numbers, uma banda sempre eficiente no palco, foi a terceira atração do dia. Duas canções de “Alias”, o quarto disco da banda, que chega às lojas nas próximas semanas, apareceram no set list, e mostram que eles continuam românticos e melo(dio)sos, mas a apresentação conquistou a plateia, que após o suor gasto com Seun Kuti, admirou o Magic Numbers sentada na sombra e bebendo bastante café (um vício sueco). “Love’s a Game” e “Forever Lost” (com citação de “People Get Ready”) soaram belas.

Agradavelmente díspar, o line up que apresentava um trovador, uma banda de afrobeat e um grupo de rock inglês, reservava como surpresa um nome sueco (apadrinhado pela Sub Pop), o Goat, mistura empolgante de vodu, macumba, cantos afros e rock embalada por riffs psicodélicos (que ganham peso no momento cerimonial da canção), mais baixo, bateria e um mano batucando como se estivesse recebendo uma alma. Na frente, duas ensandecidas frontwomans. Todos mascarados. Um dos shows mais aplaudidos do dia.

A honra de encerrar a terceira edição do Stockholm Music and Arts ficou a cargo de Neil Young, acompanhado da sempre barulhenta Crazy Horse. Show mais esperado do festival (os seis modelos de camisetas não só esgotaram na loja de merchandising como o público – a essa altura, umas 4 mil pessoas – exibia modelos variados de umas 10 turnês diferentes), Neil Young subiu ao palco às 20h50 (com o dia claro) para 2h20 de guitarras relinchando, dando coices e ameaçando a saúde auditiva da audiência (para felicidade geral).

A festa começou com uma versão encorpada de “Love and Only Love”, que começou apitando microfonia e carregou o publico por 10 minutos inesquecíveis de solos ensandecidos. O público ainda não havia se refeito da emoção, e “Powderfinger” surgiu galopante e fez a plateia flutuar por mais seis minutos. Apresentada pela primeira vez em 2001, ainda inédita, mas recuperada para essa perna europeia da tour 2014, “Standing in the Light of Love” soou tão bem ao vivo que, ao final da canção, o público continuou fazendo o coro do refrão.

Outras duas do disco “Ragged Glory”, de 1990 (“Days That Used to Be” e “Love To Burn” em uma versão de mais de 15 minutos), “Living With War” e “Name of Lave” (pescada de “American Dream”, o álbum da Crosby, Stills, Nash & Young de 1988) formam o meio do show e são a deixa para o momento solo acústico, que começa com uma versão de “Blowin’ in the Wind”, de Bob Dylan, e termina com uma singela versão de “Heart of Gold”. “Barstool Blues”, de um dos grandes discos de Neil, “Zuma” (1975), arranca sorrisos da alma.

O trecho final é aberto com “Psychedelic Pill” (faixa título do ótimo disco de 2012), ganha ares clássicos quando os primeiros acordes de “Cortez The Killer” cortam o céu agora escuro de Estocolmo por 12 minutos levitantes, e faz até os comportados suecos pularem ensandecidos gritando o refrão de “Rockin’ in the Free World”, a última. Neil volta no bis com uma música inédita escrita para esta turnê, “Who’s Gonna Stand Up and Save the Earth”, e a noite termina com os suecos gritando “Stand Up” por cinco minutos após a saída da banda. Inesquecível.

O saldo dos dois dias de shows da terceira edição do Stockholm Music and Arts foi mais do que positivo. Som impecável, serviços perfeitos (diversas barracas de comidas e bebidas variadas, água gratuita e banheiros e lixeiras em quantidade elogiável) e um line-up caprichado que tira o espectador da zona de conforto são ingredientes que merecem muitos elogios. Isso sem contar a boa dosagem em ações de marketing (várias espalhadas pela área do festival), que não desrespeitavam o espectador, foram o retrato de um ótimo festival num fim de semana especialíssimo.

Leia também:
– Stockholm Music & Arts (Dia 1) (aqui)
– Europa 2014: Diário de Viagem (aqui)
agosto 4, 2014 Encha o copo
Em Estocolmo: Abba Caviar

Você olha na gôndola do supermercado e pensa: “Olha os caras usando o nome da banda”. E, quando vai pesquisar, descobre que é exatamente o contrário: “O nome (da empresa de produtos de conserva de peixe) AB Bröderna Ameln, ABBA, foi registrado em 1906. Eles são conhecidos por ter deixado o grupo ABBA compartilhar o nome em 1974?. 😀
Ps. No supermercado, esse pote de 80 gramas do Abba Caviar (em grãos) custa kr 23,90 (aproximadamente R$ 8).
Ps 2. Eu não gosto…
agosto 2, 2014 Encha o copo
Nos Systembolagets de Estocolmo

Criado em 1955 na Suécia, o Systembolaget é uma empresa controlada pelo Governo, a única autorizada a vender bebidas com teor alcoólico superior a 3,5% (bares, pubs e restaurantes também são liberados, mas apenas para consumo no local, não para o comprador levar para casa). São 426 lojas na Suécia, e, segundo o site oficial, “os funcionários são especialistas em comida e bebida” além de que, nas lojas, o trabalho de marcas (e promoções) inexiste.
O interessante do conceito de Systembolaget é que, segundo o site oficial, a ideia da empresa é “vender bebidas alcoólicas de maneira consciente, sem fins lucrativos”. Ou seja, de forma antagônica, com o Governo não lucrando um centavo que seja (hipoteticamente) sobre a venda de bebidas alcoólicas, as mesmas tendem a chegar mais em conta ao consumidor final (apesar dos ditos impostos elevados aos produtores).
O que pude perceber nos quatro Systembolaget que visitei em Estocolmo foi que os preços são tabelados, mas o estoque é particular de cada loja. As cervejas básicas (belgas, inglesas e algumas americanas) são encontradas praticamente em todas as lojas assim como um número elogiável de rótulos locais. Porém, na loja mais afastada da área central, em Hammarby, onde estamos hospedados, encontrei mais itens raros do que nas lojas centrais.
Ainda assim, numa das lojas centrais encontrei boa parte da linha da Monks Café (não a Number 5, o Chanel da casa, nona melhor cerveja sueca do Top 50 do Ratebeer – acabei pegando a no.2, a no.4 e a no.14), e no maior (e mais completo) Systembolaget que visitei, no número 44 da Regeringsgatan, havia mais Monks tanto quanto edições especiais de algumas cervejarias, como a Brooklyn Wild Streak, envelhecida em barril de Bourbon.

Na primeira visita optei apenas por comprar cervejas suecas visando me aprofundar no mercado “local”. Da pré-lista com 10 rótulos que eu havia feito no Brasil, encontrei apenas a Oppigårds Thurbo Double IPA (12ª na lista do Ratebeer), mas peguei (sob recomendação da vendedora, que reforçou que os suecos “preferem cervejas amargas”) uma Electric Nurse DIPA (38ª) e duas outras Oppigårds: Amarillo (21ª) e Indian Tribute (48ª).
No segundo passeio (em que passei por três Systembolaget centrais e próximos um do outro) busquei as suecas da lista, mas acabei me rendendo as Del Ducato (minha cervejaria italiana preferida) e a tal Brooklyn Wild Streak, que eu havia devolvido na gondola, mas alguém desistiu da compra deixando uma ao lado do caixa, e não resisti. Junto a Brooklyn 1/2 Ale (falei dela aqui), a mala já soma 16 garrafas… e é só o primeiro trecho da viagem.
Uma questão: como consegue um dos países mais caros do mundo, em que o transporte público custa R$ 11 (o passe único vale por 1h15m), vender cervejas a um preço menor do que o Brasil? A italiana La Luna Rossa, que encontrei em Estocolmo por R$ 25, chegou a ser vendida entre R$ 75 e R$ 90 em São Paulo. A Brooklyn Wild Streak custa quase R$ 170 na capital paulista (R$ 50 na capital sueca). Será só imposto que encarece a cerveja no Brasil?
Abaixo segue a lista das 15 cervejas que comprei em Estocolmo (até o momento), com os devidos preços e a triste conclusão: em São Paulo, com o mesmo dinheiro que gastei em Estocolmo, eu provavelmente compraria apenas a Wild Streak e a La Luna Rossa…

– Sigtuna & Shepherd Neame Barley Wine: kr 71 (R$ 24)
– Oppigårds Thurbo Double IPA: kr 26,30 (R$ 8,70)
– Oppigårds Indian Tribute: kr 22,50 (R$ 7,50)
– Oppigårds Amarillo: kr 19,90 (R$ 6,50)
– Electric Nurse DIPA: kr 29,90 (R$ 10)
– Södra IPA: kr 23,30 (R$ 7,70)
– S:t Eriks Rauchbier: kr 24,20 (R$ 8 )

– Birrificio del Ducato La Luna Rossa: kr 73,90 (R$ 25)
– Birrificio del Ducato Wedding Rauch: kr 32 (R$ 11)
– Monks Café Blend no.2 Superior Sour: kr 69,40 (R$ 23)
– Monks Café Blend no.4 Vigorous: kr 69,40 (R$ 23)
– Monks Café Blend no.14 Bavarian Hero: kr 38,90 (R$ 13)
– Omnipollo Mazarin: kr 32,90 (R$ 11,20)
– Omnipollo Leon: kr 49,90 (R$ 16,50)
– Brooklyn Wild Streak: kr 149 (R$ 50)

Ps. A apresentação das cervejas é padronizada em todas as Systembolagets. “Beska” significa amargor; “Fyllighet” é corpo e “Sötma”, doçura. Além existem as figuras que simbolizam o que combina com determinada cerveja. No caso da Electric Nurse DIPA, ela combina com carne de ovelha, vaca e porco (além de ser uma ótima bebida social). Já a Del Ducato La Nuna Rossa combina com pato e porco, e é também é uma boa bebida social.
agosto 2, 2014 Encha o copo
Stockholm Music & Arts (Dag 1)

Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari (veja galeria)
A pequena ilha de Skeppsholmen, no centro de Estocolmo, recebe desde 1980 o Stockholm Jazz Festival, e a partir de 2012 adicionou um novo festival em seu calendário: Stockholm Music & Arts, um festival de três dias que une música (as duas edições anteriores tiveram Marianne Faithfull, Patti Smith, Antony & The Johnsons, Prince, Billy Bragg, Rodriguez e Regina Spektor, entre outros) e artes (o festival acontece na área do Museu de Arte Moderna, o principal da cidade), com exposições, instalações e apresentações de artistas.

A escalação musical de 2014 reservou para o primeiro dia de sol intenso (que só foi dormir às 22h) uma seleção que parece ter agradado o público (com média de idade parece ser de 40 anos – ou mais), que apesar de não manifestar empolgação visível (a frieza sueca não é um mito), aplaudia com animo os artistas ao final das canções. O festival abriu as portas às 13h, mas o público só foi lotar o lugar (mas nem tanto: cerca de 2 mil pessoas numa área para o dobro disso) nas três últimas apresentações do dia no começo da noite de sol.

Quando a loura Alison Goldfrapp pisou no palco às 16h15 encontrou cerca de 500 pessoas na plateia, que acompanharam a diva londrina (e um quinteto todo vestido de preto – moda na cidade – com baixo, guitarra, bateria, teclados e… violino) num show muito mais calmo, bonito e introspectivo do que o do Planeta Terra 2011 (nenhuma música tocada no Brasil apareceu no show de Estocolmo). A base do repertório foi o álbum “Tales of Us” (2013), mas canções do ótimo “Felt Mountain” (2000) apareceram no set (“Paper Bag”, “Utopia” e “Lovely Head”).

Na sequencia, Linnéa Henriksson (se apresentando para o dobro de público do Goldfrapp) surgiu em um palco colorido (rosa, lilás e roxo) estilo Programa da Xuxa Perua acompanhada de um septeto e mostrando um som pop que faz muito sucesso por estes lados, mas cujos melhores momentos não serviriam como um lado D do Abba. Quarto lugar no Idol Swedish 2010, Linnéa Henriksson (uma Gaby Amarantos – antes do banho de loja da paraense – versão sueca) soa melhor nos vídeos (em que ela não grita tanto) do que ao vivo, mas o público atendeu quando ela pediu palmas.

A próxima a pisar no palco é uma das principais damas (ao lado de Siouxsie Sioux) do pós-punk britânico. Com bota preta até os joelhos, jeans, blusinha, colete preto, gravata lilás e 62 anos de boa forma, Chrissie Hynde mostrou as boas canções de sua enfim estreia solo, “Stockholm”, álbum gravado na cidade com produção de Björn Yttling (do Peter, Björn and John), que assina 10 canções em parceria com a eterna Pretenders – outras duas são divididas com Joakim Åhlund – “Acho que errei a pronuncia do nome dele… foda-se”, disse ao apresentar “Like In the Movies”.

De muito bom humor, Chrissie divertiu a plateia: “Eu estava no tram indo para o Museu Abba, pensando: Queria soar com eles, mas não ter o mesmo visual”. Lá pelo meio do show mandou “The Loner”, do primeiro disco de Neil Young (1969): “Vou tocar essa porque Neil não vai toca-la no domingo… mentira, é porque eu não vou estar aqui”. Faixas novas como “House of Cards” e “Dark Sunglasses” (com base que lembra “Meeting Paris Hilton”, do CSS) soaram ótimas ao vivo num show que ainda teve clássicos de sua banda como “Back in The Chain Gang”, “Don’t Get Me Wrong” e “I’ll Stand by You”.

Ainda com o dia claro (às 21h), o Television subiu ao palco para tocar “Marquee Moon”, uma das obras primas do rock and roll, na integra. Show mais aplaudido do dia (e não só porque a média de idade no palco batia com a do público), a apresentação do Television foi daqueles momentos de emoldurar e colocar na parede, desde o começo com “See No Evil” , “Prove It” e “Elevation” até as raras aparições de “Guiding Light” e “Friction” culminando numa versão de mais de 12 minutos da faixa título, com solos dissonantes de Tom Verlaine. Palmas, palmas e palmas.

Com jeitão de pequeno festival local (tal como o Norwegian Wood, de Oslo) e bastante caprichado no que diz respeito a comida, bebida e serviços (a água não só é gratuita como a produção deixa copos de plástico ao lado dos bebedouros), o Stockholm Music and Arts segue movido a cervejas, cidras e com promessa de sol forte no sábado e, para o domingo (e grande dia do festival), reserva Richard Thompson, Sean Kuti & Egypt 80, The Magic Numbers, GOAT e Neil Young & Crazy Horse. A coisa toda promete… muito.

agosto 1, 2014 Encha o copo
Um dia de emoções em Estocolmo

Fotos: Liliane Callegari (PB) e Marcelo Costa (cor)
Quer testar sua (boa) forma? Nada como uma viagem para a Europa. As primeiras que fiz, em 2007 e 2008, eram no estilo 40 dias de mochilão, de albergue para albergue. Agora, pós 40 anos (se aproximando dos 45 na verdade), o cansaço surge em dobro. E o desafio já começa no voo: desta vez, 11 horas de São Paulo para Paris durante a madrugada e mais 3 horas de Paris para Estocolmo durante o dia. A sensação pós voo é de que levei uma sova do Anderson Silva.

E olha que foi um dos melhores voos que já fiz! Consegui reservar (para ida e volta) um lugar (concorrido) após a fileira 39 do Boeing da Air France, e essas fileiras reduzem o formato de três lugares para dois. Ou seja, viajei apenas eu e Lili, e isso já faz (muita) diferença. A comida foi ok, o controle de imigração no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, foi rápido e sem perguntas e o voo para Estocolmo… aparentemente interminável.

Aproveitei a viagem para terminar o livro de Piper Kerman, “Orange is the New Black”, de que gostei muito mais do que eu pudesse imaginar. Achei-o muito mais interessante do que a série, mais… natural. Para adaptar a série para o Netflix, Piper Kerman optou por exagerar nos estereótipos (recurso muito usado na dramaturgia), e embora funcione na tela, no livro o conjunto se mostra mais profundo e delicado. Ainda vou escrever sobre ele.

A chegada a Estocolmo foi sossegada, sem controle de imigração. Do Aeroporto de Arlanda para o centro utilizamos o Arlanda Express, um trem rápido (10 minutos) cujos tickets podem ser comprados via web: o preço normal é 260 coroas suecas (uns R$ 90), mas no verão você pode comprar dois tickets por 280 coroas na promoção. Ficamos impressionados com a eficiência do método: “Seu cartão de crédito é o seu bilhete”, avisava a página da web.

Já no trem, enquanto ajeitava as duas malas e as duas mochilas, o cobrador passou e dei-lhe o meu cartão de crédito. Ele passou em uma máquina, que confirmou minha reserva, e me devolveu o cartão. “Que eficiente”, comentou Lili. E essa foi a última vez que vimos o cartão de crédito. Provável que eu tenha deixado cair entre os bancos, mas só fui perceber a perda uns 20 minutos depois, na hora de pagar os tickets do metrô. Com ou sem emoção? Com, claro.

Conversei com o pessoal que administra a linha Arlanda Express, e nada de ninguém ter devolvido o cartão, e meia hora depois decide tocar o barco em frente (com o cartão reserva). Mas ainda havia mais emoção (hehe): pegamos o metrô, descemos na estação que nos leva ao hotel que reservamos, no bairro de Södra Hammarby, e decidimos ir a pé até o hotel, uma caminhada de menos de 10 minutos. Foi o que bastou para nos perdermos (risos).

Na verdade, eu já tinha estudado o caminho pelo Google Maps (até impresso), mas não há programa que funcione quando você pega a saída errada… e insiste nela. Uns 10 minutos depois, já perdidos, e após pedirmos infos para três suecos (que não falavam inglês), um taxista passa e nos orienta. Já cansados, não pensamos duas vezes: “Nos leva até lá”. Não foi nem cinco minutos de taxi e custou… R$ 45. Bem-vindo a Escandinávia.

No hotel (bastante agradável), fiz o procedimento de cancelamento do cartão de crédito via web rapidamente, peguei as infos das Systembolaget (lojas controladas pelo governo autorizadas a vender bebidas com álcool acima do permitido pela lei – 3.5%) que eu havia coletado do Ratebeer e saímos a caminhar atravessando ilhas: primeiro Söderman, e os dois Systembolaget (que fecham às 18h) que eu havia anotado o endereço não existem mais.

Como já havia passado das 18h (apesar do sol à pino – ele iria descansar apenas as 21h45), decide deixar a buscar por boas cervejas locais para o dia seguinte e levar Lili para passear. Passamos de olhada rápida em dois sebos de vinis (um Dylan dos anos 80 e o “Blah Blah Blah”, do Iggy Pop, usados, custando R$ 5), atravessamos a ilha de Söderman e chegamos a Gamla Stan, a pequena ilha onde a cidade nasceu, e o principal ponto turístico de Estocolmo.

Lili já havia se apaixonado pela cidade umas horas antes, e Gamla Stan foi o flechada final do Cupido. Ficamos por ali, caminhando pelas ruas até sentir o estomago roncar. Optamos pelo pub The Liffey e fui de Gotlands Brutal Bulldog Double IPA, uma bela cerveja local de 8.4% de álcool e jeitão norte-americano, e bife com fritas enquanto Lili optou por fish and chips com Magners Cider. Preço da brincadeira: 521 coroas suecas (quase R$ 200!!!).

Ou seja, Estocolmo ameaça seriamente nossas finanças, mas vamos procurar lugares fora da zona turística de agora em diante para tentar encontrar um meio termo entre viver cinco dias em uma das cidades mais lindas do mundo (e caras) e nossa pouca grana. Hoje começa o Stockholm Music and Arts com shows de Chrissie Hynde, Goldfrapp e Television, e após 12 horas de sono, as pernas se preparam para a primeira maratona de shows desta viagem. Partiu.
agosto 1, 2014 Encha o copo
Três desenhos do Porno Per Bambini

Boo

Only Luv Can Break Your Heart

Get Up, Stand Up
Veja mais -> http://instagram.com/pornoperbambini
julho 30, 2014 Encha o copo
Prata da Casa #9: HAB

Após a tempestade sônica do show da Herod na semana anterior, quem foi ao Sesc Pompeia para acompanhar o nono show do Prata da Casa, novamente de uma banda (quase somente) instrumental, teve uma boa surpresa: saiu o peso da semana anterior, entrou a ginga. Comandada pelo guitarrista (e eventual vocalista ainda responsável pela kalimba) Guilherme Valério, o HAB exibiu ao vivo todas as canções de seu disco de estreia (download gratuito no site da Desmonta) e algumas novidades que ficaram fora do álbum, mostrando uma proximidade muito maior com a música brasileira, em especial, a guitarrada.
O quarteto, que ainda conta com Marco Nalesso na guitarra, Thiago Babalu na bateria e Marcos Gerez no baixo, foi recebido por um ótimo público e abriu o show com quatro faixas inéditas: “Explode”, “New Young”, “Zinca” e “Nalessa”. O riff circular de “Conduz” trouxe a primeira faixa do disco de estreia e assim se seguiram “Suco” (uma das mais aplaudidas da noite), “Em Tempo” e “Cratera”. Após outras duas inéditas (a excelente “Kalimba” e “Ciclo”), o quarteto encaminhou seu ótimo show para o final com as canções que abrem (“Bugio”) e fecham (“Três Lados”) o disco, encerrando uma noitada de música excelente.
julho 29, 2014 Encha o copo


