De vez em quando o mundo cansa. Você já sentiu não fazer parte do mundo em algum momento da sua vida? Esse pensamento é tão recorrente para mim. Lembro de um poema bem antigo em que eu dizia “estar deslocado do viver nesse mundo”. Mais ou menos isso. Eu tinha vinte e poucos anos e sei lá, ainda me sinto deslocado. Bem, viver não é fácil, a gente (eu e você) sempre soube, mas tem dias que até ser feliz dói. Nessas horas, nada melhor do que o silêncio, do que uma taça de Merlot e desapego. Do que a beleza das coisas simples. Milhares de problemas do mundo estariam resolvidos se as pessoas descobrissem o quanto é relaxante lavar a louça (a água escorrendo entre os dedos, o cheiro do detergente de coco), molhar as plantas (temos três em casa) ou ouvir de cabo a rabo um disco do Cinerama. Até dá vontade de sorrir…
Category — Música
Va Va Voom
maio 29, 2008 No Comments
Uma frase
“Os sonhos murcham feito maracujá velho”
Fred 04
maio 28, 2008 No Comments
Músicas: as falsas baladas do OAEOZ

“A carne é triste, e eu li todos os livros”, escreveu certa vez um poeta simbolista. É uma imagem forte, um símbolo forte. Ele leu todos os livros e descobriu que a carne, infelizmente, é triste. Não lhe resta muita coisa. É hora de fugir. Ou de crescer, mas a sociedade teme tanto a maturidade que os adolescentes se transformaram em adultescentes. Crescer, mais do que qualquer coisa, é acumular tristezas enquanto esperamos a morte por bala, vício ou susto.
“A vida é cruel” é uma frase em néon despencando da fachada de um hotel de quinta categoria em lugar nenhum. Copo meio vazio. Copo meio cheio, então: “A vida é uma porcaria, e passa rápido demais”, lembra aquele diretor esquisito. “Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada”, segundo álbum do OAEOZ (descontando dois CDs independentes), amplifica essa questão ao polarizar os sentimentos que tantas pessoas amontoam em si mesmas jogando nas costas dias e noites de fuga.
Mais do que falar da vida na estrada, “Falsas Baladas” fala da dificuldade da vida em sociedade. “Impossibilidades”, o rock majestoso que abre o álbum de forma acelerada, ambienta o ouvinte: “Pode ser só teimosia / Pode ser até capricho / Eu não quero sua imagem / Nem a tua alegoria”. A letra ainda distribui muitos símbolos (destino, rumo, fantasia, inferno, frio) para fechar de forma sublime: “Me alimento da falta e me cerco do excesso / Pra me esconder na ausência da vontade e na impossibilidade dos sentidos”.
Em “Distância”, uma falsa balada com guitarras espaciais que remetem às grandes influências dos curitibanos (Mercury Rev, Tindersticks, Pink Floyd fase 69), uma frase flutua pelo ar até cair solitária no colo: “A verdade se despede como farsa”. A beleza que se transforma em ruína. Violão e efeitos introduzem “Negativa”, a próxima canção, um duelo frente ao espelho cujo clímax é o solo de trumpete de Igor Ribeiro. Um violão lento, preguiçoso, apresenta a sonhadora “Mariane” enquanto guitarras barulhentas e rancorosas fazem a cama para seu interlocutor: “A humanidade é uma piada sem graça”, diz ele.
“Eu Penso Nisso Todo Dia” é a tentativa da fuga da prisão, a narrativa da quebra do encanto, a fé e o amor em algo que nem se sabe ao certo o que é, com baixo a frente e vocais climáticos. “Uma Canção Para OAEOZ”, liberada para download pelo Scream & Yell em outubro passado, é uma empolgante declaração de amor a Curitiba e aos bons momentos da vida (seja passado, presente ou futuro). O barulho volta a dar as caras em “Ninguém Vai Dormir”, rock que tenta tirar os pesos das costas através de toneladas de distorção. “Pra Longe”, baladaça com violino de Desiré Marantes, versa sobre abandono e desesperança.
Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcança a maturidade musical em um álbum que impressiona pela entrega, pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos sem soar piegas, emo(cionalmente infantil) ou apelativo. “Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada” reúne um apanhado de visões e sensações acerca da “città piú bela” (não à toa, a banda colocou uma versão da canção do Fellini como lado b do single “Impossibilidades”), uma paisagem envolta entre anseios intensos cujas nuvens cinzas impedem a visão de estrelas. Porém, não é preciso vê-las para saber que elas estão lá. Melhor pegar outro copo (cheio de vinho).
Você já leu todos os livros, caro leitor?
“Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada”, OAEOZ (Senhor F)
Download Gratuito: Baixe aqui
maio 19, 2008 No Comments
Wander Wildner ao vivo em SP

Um show de Wander Wildner é diversão garantida. Apostando em seu “espanhol selvagem” (uma evolução natural do portunhol desenvolvido por milhares de brasileiros América do Sul a fora), o ex-punk brega apresentou sua nova persona, o Gonzo, para o público paulista na última quinta-feira, data que marcava o lançamento oficial de “La Cancion Inesperada”, quinto disco de originais do bardo gaúcho, produzido pela dupla Berna e Kassin.
A diversão que Wander proporciona em seus shows é algo bem raro de se encontrar em hoje em dia. Ela parte da premissa que show é um local para se encontrar amigos, beber cerveja (no meu caso, chopp escuro) e cantar refrões atrapalhados e surreais que ousam definir o amor (”Hippie, Punk, Rajanesh”, “Um Bom Motivo”), cantar a solidão acompanhada de uma garrafa (”Bebendo Vinho”) ou viajar pela América do Sul em uma maverikão (”Rodando El Mundo”).
Nesta noite em especial, além de algumas doses de canções/versões novas (a faixa título, “Mares de Cerveja”, “Winona”, “Os Pistoleiros”, “Amigo Punk”, “Sandina”), o set final foi de impressionar o mais árduo fã do roqueiro gaúcho. Acompanhado de um duo de metais, Wander fez da choperia do Sesc Pompéia um salão de baile com versões samba dos hits “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro” e “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”. No bis, pra fechar, “Lugar do Caralho” em versão soul blues. Foooda.

maio 17, 2008 No Comments
“My silence is in vain”
“My Secret Is My Silence”, Roddy Woomble
If you never leave the highlands
like you’re drowning under rain
and your sadness tastes like whiskey
and my body breathes the same
and ill drain my wisdom empty
just to feel that space again
but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain
im sick of living in these buildings
that were built from blood and rain
and from the warm side of the window
the views always look the same
but your face it held the stories
full of dreams it can contain
but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain
but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain
and you held on to a country
from the cail yard to the grave
and you spoke in quickly written verses
hidden in your gaelic name
to approach land without a harbour
to find your way home
you approach land without a harbour
to find your way home
maio 17, 2008 No Comments
Música: “Songs In A&E”, Spiritualized

Jason Pierce acredita na redenção através da música. Mais de dez anos atrás, quando o britpop começava a exibir os primeiros sinais de declínio, Pierce colocou nas lojas via Spiritualized – banda que formou em 1990, assim que seu Spacemen 3 foi para o espaço – um álbum cuja capa emulava uma caixa de remédios, o CD vinha embalado tal qual um comprimido, e o encarte, como uma bula, prescrevia: “Spiritualized deve ser usado no tratamento do coração e da alma”.
“Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997), terceiro disco do Spiritualized, bateu na quarta posição do chart britânico e vinha embalado na idéia de que o álbum havia sido feito para selar o fim de relacionamento do compositor com sua tecladista – e ex-namorada – Kate Radley, que havia se casado secretamente com Richard Ashcroft, vocalista do The Verve. Pierce nega a inspiração, mas “Broken Hearts” entrega: “Estou chorando o tempo todo/ e tenho que disfarçar com um sorriso/ Deus eu tenho um coração partido”.
“Songs In A&E” é o sexto álbum do Spiritualized, e quebra um silêncio de cinco anos sem material inédito. Jason Pierce (aka J. Spaceman) estava com o repertório do disco praticamente pronto quando foi internado em estado grave com pneumonia dupla. Apesar de grande parte das canções já estar pronta, o hospital inspirou o conceito e o título de “Songs In Accident and Emergency”, setor próximo da nossa conhecida unidade de terapia intensiva (”Songs in UTI” poderia ser um bom título nacional).
Partindo do pressuposto que a inspiração do álbum nasceu em uma cama de hospital, normal esperar que o repertório seja pesado, tristonho, carregado de referências à morte, certo. Mais ou menos. As referências até estão ali (funerais, o calor, estado de coma, visita de anjos, igrejas), mas a confrontação com a morte fez Pierce colocar os pés no chão e buscar no gospel, nas harmonias vocais, e nas orquestrações uma maneira de soar… vivo.
Para construir sua epopéia de recuperação, Pierce pincelou doze canções intercaladas por seis faixas instrumentais e fez delas pequenas sinfonias. “Sweet Talk”, a primeira, é uma faixa grandiosa de visão chapada por remédios: “Você tem a fala doce como a de um anjo, e está dirigindo este cego”, canta Pierce. “Death Take Your Fiddle”, uma das mais densas, teve a voz gravada na cama do hospital, e diz entre sons de respiração: “Acho que vou beber para entrar em coma / Mas, morfina, codeína, whisky / eles não alteram a forma como me sinto agora com a morte me rondando”.
“I Gotta Fire” rompe o drama da faixa anterior com guitarras que lembram Primal Scream e BRMC e é a primeira das três faixas seguidas do álbum que trazem o fogo como elemento visual. A seguinte, “Soul On Fire”, é o primeiro single. Co-escrita por Daniel Johnston, a canção traz um refrão tão lírico, tão rico em melodia que poderia ser estendido até o final do álbum que ficaria tudo bem. Só imagine a cena: “Começou um furacão em minhas veias e eu quero que fique para sempre”. Respiração profunda. “Sitting on Fire”, movida a violões preguiçosos, também foi registrada na cama do hospital.
O silêncio é quebrado novamente pelos rocks. “Yeah Yeah” lembra algo de Bob Dylan enquanto “You Lie You Cheat” clama por liberdade em clima de garage rock. “Baby, I’m Just A Fool” é o épico do álbum com seus mais de sete minutos de duração (o solo de órgão, no meio da canção, é de chorar). Seguem-se a baladaça “Don’t Hold Me Close”, a espacial “The Waves Crash In” (com seu arranjo encantador), a estranha “Borrowed Your Gun” (suave como um sonho… ou um pesadelo: “Papai, me desculpe / Peguei emprestado sua arma de novo / E atirei em mamãe / A bela mamãe”) e, pra fechar, “Goodnight Goodnight”, balada acústica de ninar apaixonados, loucos ou doentes.
Jason Pierce acredita na salvação através da música. Seja pelo mal do amor, seja por pneumonia dupla, ele limpa as lágrimas do rosto com melodias encantadoras, e faz sonhar inspirado em Phil Spector e Brian Wilson, gospel e rock. “Songs In A&E” não avança no território aberto por “Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997) e ampliado em “Let It Come Down” (2001), mas é um excelente contraponto a fúria de boa parte de “Amazing Grace” (2003). Sobretudo, cumpre uma função já proposta anos e anos atrás pela própria banda: é perfeito no tratamento do coração e da alma. O próprio paciente J. Spaceman que o diga.

maio 12, 2008 No Comments
Três músicas novas
– “Mutantes Depois”, Os Mutantes
Não é para levar à sério, né
– “Rat Is Dead (Rage)”, Cansei de Ser Sexy
Pixies puro. Tirando o descaramento, soa bacana.
– “Violet Hill”, Coldplay
E o Coldplay troca de banda preferida de Liverpool: saem os Bunnymens, entram os Beatles. Não quero jogar úruca, mas por essa canção, “Viva la Vida or Death and All His Friends” pode vir a ser o primeiro grande disco da turma de Chris Martin. Tô até com medo.
maio 12, 2008 No Comments
Atualizando histórias

Na quinta-feira, enquanto o Intensom com Hurtmold e Mamelo Sound System esgotava os ingressos da choperia, me abasteci de dois chopps escuros para assistir ao Wado no teatro do Sesc Pompéia. Uma seleta platéia acompanhou o músico num passeio por seus quatro álbuns, privilegiando o repertório do recém lançado “Terceiro Mundo Festivo” (baixe aqui).
Centrado em programações, teclados, baixo e bateria (com uma guitarra, tocada pelo próprio Wado, eventual), o show destacou canções mais antigas como “Alagou As”, “Uma Raíz, Uma Flor”, “Ontem Eu Sambei” (do “Manifesto da Arte Periférica”) e “Sotaque” (”Cinema Auditivo”). “Tarja Preta” surgiu em uma versão sinuosa, contagiante.
De “A Farsa do Samba Nublado” marcaram presença “Tormenta”, “Grande Poder”, “Alguma Coisa Mais Pra Frente”, “Se Vacilar o Jacaré Abraça” e “Carteiro de Favela” (faltaram – sempre faltam – “Amor e Restos Humanos” e “Deserto de Sal”). Das canções novas, destaque para a pungente “Melhor”, a poderosa “Fita Bruta” e o sambinha “Fortalece Ai”. De extra, um excelente funk proibidão sobre o 11 de setembro. Classe. (mais fotos aqui)
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Na sexta, aniversário de Lili no Veloso. Tomei um banho de caipirinha de frutas vermelhas (acho que a camiseta do Ash não irá sobreviver), mas a turma toda se deliciou com as melhores caipirinhas e coxinhas da cidade (ainda volto para experimentar com calma o bife de tira).
Na volta pra casa pegamos um taxi com Luiz, o equivalente nacional de Jerry Fletcher, o motorista interpretado por Mel Gibson no filme “Teoria da Conspiração”. Se eu tivesse guardado ao menos umas duas ou três previsões que ele nos falou no carro, teria escrito um “cenas da vida em São Paulo”. Coisas assim: O mundo vai acabar em 2022. Na verdade, os Estados Unidos vão acabar, e o Brasil será a maior potência da Terra. Sério.
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Eu planejava ver uns filmes no cinema no fim de semana, mas não rolou. No sábado, só Lost. No domingo, uma amiga ligou convidando para um almoço no Consulado Mineiro, na praça Benedito Calixto. Depois de uma bela refeição (bisteca, torresmo, feijão tropeiro, tutu, couve, farofa de banana – estou ficando com fome de novo) e algumas doses da excelente cachaça Germana, não teve como resistir a voltar para casa e desmaiar na cama. Vontade de ficar a semana inteira debaixo do edredom, mas a gente tem que trabalhar, né mesmo. :/

maio 12, 2008 No Comments
A primeira nota 1…
…a gente nunca esquece:
Para “Anywhere I Lay My Head”, estréia como cantora da atriz Scarlett Johansson. Aqui.
Eita disquinho safado!
maio 8, 2008 No Comments
Música: “Dig!!!, Lazarus, Dig!!!”, Nick Cave

Segundo os Evangelhos, Lázaro teve a sorte de ser o protagonista de um dos milagres mais impressionantes de Jesus Cristo. Ele adoeceu gravemente e duas de suas irmãs – Marta e Maria – enviaram com urgência um mensageiro ao encontro de Jesus com a seguinte mensagem: “Aquele a quem você ama está doente”. Aos seus discípulos, porém, Jesus disse que Lázaro apenas dormia, e seria acordado. Depois de quatro dias morto, Lázaro foi ressuscitado milagrosamente e visto pela multidão que contemplou o fato.
Desde sua infância que Nicholas Edward Cave se impressiona – e se assusta – com a história do homem que ressuscitou após quatro dias. Num misto de medo e admiração, essa história ressurge para embalar o clima do décimo quarto álbum do músico australiano, mais um na companhia das Sementes Más (o segundo sem Blixa Bargeld e o primeiro após o barulhento projeto paralelo Grinderman, que sacudiu os porões no ano passado). Quer saber: Nick Cave envelhece como vinho, e aos 50 anos coloca nas ruas um dos melhores álbuns de sua carreira consagrada.
O disco abre com Nick Cave clamando na faixa título para que Lázaro cave (sem trocadilho, risos) um buraco e volte para o túmulo enquanto o bardo conta a história de Larry, um rapaz de Nova York que passou pela fila da sopa, pela delegacia, pelo manicômio e, por fim, terminou no cemitério. Uma bateria calma e limpa carrega a canção enquanto a guitarra base castiga o mesmo riff e outras guitarras entorpecidas de feedback maltratam a melodia ferozmente. O pop e o rock se unem e saem de mãos dadas cantando o refrão sagrado: “Cave, Lazaro, cave”.
“Today’s Lesson” é mais do mundo absurdo de Nick Cave. O baixo de Martyn Casey surge numa linha dançante enquanto a guitarra envenena a melodia novamente. Os violões assumem a condução da melodia e, lá pelo meio, um belo solo de órgão aconchega a pequena Jane, que está sendo molestada pelo senhor dos sonhos em seu próprio sonho. “Moonland” chega freando o ritmo acelerado das duas faixas anteriores em clima blues enquanto o refrão avisa: “O DJ está sussurrando no rádio: Eu não sou seu amante favorito”. No entanto, ele precisou seguir o carro e flagra-la no banco de trás…
“Night of the Lotus Eaters” é totalmente fantasiosa e climática enquanto “Albert Goes West” é uma porrada à la Grinderman em que Cave avisa (enquanto outros fogem) que vai continuar onde sempre esteve, pois gosta desse lugar (Albert vai para o oeste, Henry para o sul e Bobby para o norte). “We Call Upon The Author” é outra maluquice genial retirada da cabeça de Cave em parceria com Warren Ellis (que toca viola, drum machine e os loops da canção). Em “Hold On To Yourself”, uma das grandes canções do álbum, Nick Cave volta a citar o predileto de Jesus. “Lie Down Here (And Be My Girl)” é outro dos rockões do álbum jogando testosterona no colo de uma garota.
Após a tempestade sônica da faixa anterior, “Jesus Of The Moon” surge como um alívio em seu formato de balada jazzy atormentada e abre a porta para a parte final do álbum de forma suave através de “Midnight Man” (um rock lento que cresce no refrão) e “More News From Nowhere”, a faixa épica do álbum com seus quase oito minutos de duração que parecem querer transformar em música a loucura do filme “Inland Empire”, de David Lynch, com o personagem contando: “Eu ando no canto do meu quarto / Vejo meus amigos nos lugares elevados / Não sei qual é qual nem quem é quem / Roubaram suas faces”. A melodia segue estática, sem grandes alterações de humor até o final.
“Dig, Lazarus, Dig!!!” consegue unir o improvável: barulho e calma. Muito do mérito dessa conquista vem de Nick Launay, produtor que já havia trabalhado com Nick Cave no Grinderman e nos dois (se você quiser, três) álbuns anteriores do bardo australiano, o bom “Nocturama” (2002) e os excelentes “Abattoir Blues/The Lyre of Orpheus” (2004). Parece que Launay e Cave encontraram definitivamente o ponto certo na produção de bons álbuns, e “Dig, Lazarus, Dig!!!” é a prova. A Bad Seeds, uma das melhores bandas de acompanhamento de um artista no mundo, também merece louros em um álbum que mostra que quanto mais o tempo passa, mais Nick Cave melhora.
maio 6, 2008 No Comments

