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Category — Música

“O Trovador Solitário”, Renato Russo

Ainda hoje, quase no final da primeira década do século XXI, a Legião Urbana é a maior banda de rock deste país. Se é (era) a melhor são outros quinhentos, mas o que importa é que o enorme sucesso conquistado por Renato Russo e companhia nos anos 80 aumentou nos 90, mesmo com álbuns menos “comerciais” e com a morte prematura do vocalista e letrista em 1996, em conseqüência de complicações causadas pela AIDS.

Nos anos 2000, uma série de lançamentos póstumos manteve o culto em alta destacando dois álbuns ao vivo da Legião (”Como É que Se Diz Eu Te Amo”, show de 1994, e “As Quatro Estações ao Vivo”, 1990) e um álbum de raridades de Renato, “Presente”, que compilava versões para “Gente Humilde” (Chico e Vinicius), “Thunder Road” (Bruce), duetos com Erasmo, Leila Pinheiro e Zélia Duncan, além de entrevistas (?).

Diferente de seu predecessor póstumo (que cheirava a picaretagem), “O Trovador Solitário” surge como um resgate histórico que permite diversas avaliações sobre o mito em torno do compositor e sobre o rumo de sua banda. Lançado pelo selo Discobertas, do jornalista e pesquisador Marcelo Fróes, o CD reúne material resgatado de fitas K7 do início dos anos 80 com encarte recheado de desenhos feitos pelo próprio Renato.

A rigor, as onze canções contidas no lançamento já circulavam de mãos em mãos de fãs desde os anos 80, quando álbuns como “Dois” (1986), “Que País é Este?” (1987) e “As Quatro Estações” (1989) tomaram as paradas de sucesso (e os acampamentos) e tocaram, tocaram, tocaram, tocaram, tocaram e tocaram. E tocaram. Tocaram tanto que causaram a síndrome de náusea característica daquilo que ultrapassa nossos limites.

Gravada em seu próprio quarto, em 1982, a fita K7 flagrava a fase solo do cantor conhecida pelo nome que dá titulo ao lançamento (pós Aborto Elétrico, pré Legião). O que impressiona, porém, não é a baixa qualidade da gravação, mas o quanto aquele grupo de canções já exibia corpo, tronco e membros completamente definidos, e praticamente não mudaram quando registradas nos estúdios da gravadora EMI, nos anos posteriores.

Renato “inventa” uma Rádio Brasília e com seu “violão desafinado” apresenta “Eu Sei”, “Geração Coca-Cola”, “Faroeste Caboclo”, “Veraneio Vascaína” (gravada pelo Capital Inicial em 1986) e “Que Pais É Este?” em versões exatamente iguais às popularizadas nas FMs de todo o país anos depois, só que gravadas em um toca-fitas simples num quartinho solitário de um Brasil que ainda vivia sob o comando dos militares.

“Eduardo e Mônica” segue idêntica (melodia e letra) até seu trecho final, quando Renato canta: “Eduardo e Mônica então decidiram se casar / um casamento indiano em algum lugar perto do mar / “O mar tá muito longe”, um deles lembrou / “Vai ser aqui mesmo”, e assim ficou / Foram pra Bahia e hoje Eduardo foi parar lá no Banco Central / Cristalina, Sampaio, Rio de Janeiro / E a Mônica dá aulas na escola normal / Eduardo e Mônica estão no Lago Norte / Ele projetou a casa e ajudou na construção / Só que nessas férias não vão viajar / Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação”.

A fita ainda trazia versões para “Dado Viciado” (que Renato tentou gravar posteriormente, e acabou entrando no póstumo “Uma Outra Estação” em versão voz e violão – semelhante a de “O Trovador Solitário”), “Boomerang Blues” (gravada pelo Barão Vermelho e registrada em outra versão no póstumo “Presente”), “Anúncio de Refrigerante” (gravada pelo Capital Inicial no álbum “MTV Aborto Elétrico”) e “Marcianos Invadem a Terra” (gravada no álbum solo de Dinho Ouro Preto e no póstumo “Uma Outra Estação” em versão voz e violão das sessões do álbum “Dois”). De extra, “Summertime” ao lado de Cida Moreira, em 1984.

Renato Russo ficou à frente da banda comandando-a com pulso forte até 1991, época em que Dado começou a assumir os rumos musicais do então trio (o que ficou evidenciado nos dois lançamentos seguintes, os ótimos “O Descobrimento do Brasil”, de 1993, e principalmente no fantasmagórico e belíssimo “A Tempestade ou O Livro dos Dias”, de 1996). Até ali, tudo que a Legião fez (e copiou dos Smiths e do U2 – sem ranço, por favor) são mérito e culpa do vocalista. Ok, você já sabia disso, mas “O Trovador Solitário” está ai para lembrar aqueles que esqueceram. São muitos…

“O Trovador Solitário”, Renato Russo (Discobertas)
Preço em média: R$ 20
Nota: 9

agosto 18, 2008   No Comments

Josh Rouse ao vivo em SP

Se o consumismo não fosse tão forte, se não existissem paradas do sucesso, jabaculés e afins, se o que importasse no mundo fosse o simples prazer pelo prazer (e não por modismos, vícios ou enganos), Josh Rouse seria um cara muito mais reconhecido. O músico norte-americano, após um auto-exílio na Espanha, prepara sua volta aos Estados Unidos enquanto coloca na web e nas lojas discos cujo cerne é a simplicidade das boas canções.

Em São Paulo, Josh tocou para uma platéia animada que não esgotou os ingressos do teatro do Sesc Vila Mariana (era possível comprar na porta minutos antes do show), mas que conhecia – e bem – o repertório do show, mesmo com seus últimos álbuns inéditos no Brasil. “Vocês compraram pela internet, não é mesmo?”, brincou o músico em certo momento da apresentação, concentrada em material de seus últimos quatro álbuns (“1972”, “Nashville”, “Subtitulo” e “Country Mouse, City House”).

O bonito “Subtitulo” (2006), primeiro álbum gravado por Josh na Espanha, foi responsável por abrir a noite com as encantadoras “His Majesty Rides”, “It Looks Like Love” e “Summertime”, em versões superiores ao álbum (mesmo com o cantor esquecendo um trecho da letra da última). Do álbum ainda marcaram presença “Givin’ It Up” e a belíssima “Quiet Town”.

Seu disco mais recente, “Country Mouse, City House” (2007), foi representado apenas por três canções: a fofa “Sweetie”, a jazzy “Pilgrim” e o rock “Hollywood Bass Player”, em versão urgente. Vestido de jeans, tênis e blazer e alternando-se entre a guitarra acústica e o violão, Josh confessou paixão pela música brasileira, mesmo sem entender a língua: “Como vocês devem ter lido nos jornais, sou fã de música brasileira. Não entendo o que eles dizem, mas tudo soa tão bem. Não é isso o que importa?”.

O show foi estrategicamente dividido em blocos que procuravam representar algum de seus últimos (quatro) álbuns, ignorando totalmente os três primeiros. Desta forma, “Comeback (Light Therapy)” e “Love Vibration”, ambas do ótimo “1972” (2003) chegaram no meio da apresentação para dar um toque mais suingante para a noite (com detalhe para a slide guitar de Mike Cruz – que também tocou teclados – e a linha de baixo marcante de James Haggerty).

A parte final foi inteiramente dedicada ao álbum “Nashville”, um dos discos favoritos dos fãs. “Winter in The Hamptons”, “Carolina”, “Streetlights”, “Why Won’t You Tell Me?” e “It’s The Nighttime” fecharam o show contagiando o público. Para o bis, “Slaveship” (do “1972”), “Sad Eyes” (outra pérola do “Nashville”) e “Directions” (a pedido do público), única concessão do músico a material antigo, neste caso do álbum “Home” (e também da trilha sonora do filme “Vanila Sky”), de 2000, lançado no Brasil pela Trama. Um belo show.

– “Directions” ao vivo no Sesc Vila Mariana, por Marcelo Costa (aqui)
– “Country Mouse, City House”, de Josh Rouse, por Marcelo Costa (aqui)

Fotos: 1) Marcelo Costa 2) Liliane Callegari

agosto 16, 2008   No Comments

Quer ser jornalista na área de música?

Em 1995, quando o André Forastieri escreveu esse primeiro texto para sua coluna Ondas Curtas, no Folhateen, o mundo era outro. Não havia internet e essa liberdade de se escrever sobre música que povoa zilhões de blogs (alguns, dispensáveis, mas muitos sensacionais) ainda era um sonho para todo garoto que sonhava escrever sobre discos, artistas e aquela música que não saia de sua cabeça. O cenário é outro, mas muita gente ainda têm o sonho de trabalhar escrevendo sobre música. Assim, se alguém perguntasse pra mim, hoje, eu diria: desiste.

Desiste do jornalismo musical como profissão. Faça como eu, que o usa como hobby. Escreva por prazer, e não para pagar as contas. Quando a gente trabalha (ou melhor, consegue trabalhar, pois a área é concorrida – e costuma não pagar bem) com jornalismo musical é preciso ver shows que a gente não quer e escrever sobre discos que a gente não quer ouvir. Melhor escrever em um blog ou montar o seu próprio site do que ficar indo ver show do Fresno. Porém, nada mais gratificante do que ter um texto em um grande veículo, com milhares de pessoas lendo sobre aquilo que você está pensando sobre música.

Na verdade, e sempre, você tem que procurar fazer aquilo que gosta, seja em um blog desconhecido, seja na Rolling Stone, na Folha de São Paulo ou na TV Globo. A sua felicidade – profissional ou não – só depende de você. Estes dois textos abaixo (o do Àlvaro, publicado também no Folhatten, mas na “Escuta Aqui”, coluna que substiutiu a do Forastieri) expõe uma série de conselhos bacanas que não devem ser levados ao pé da letra (discordar é, sempre, saudável), mas servem para nortear as idéias de muito jovem que está começando agora. Os do Forastieri serviram para ajudar a definir a minha persona profissional. E eu queria dividir isso com você.

Ps. Você não vai desistir, né?

Ps 2. O texto do Forasta, retirado dos arquivos da Folha, está na integra, sem os costumeiros cortes feitos para encaixa-lo no espaço do jornal (que muda muito entre a pauta do editor e o fechamento). Eu tinha a “original” em um recorte da época, junto com dezenas de outros recortes que se perderam em alguma das minhas mudanças…

Jornalismo musical pode viver só com duas regrinhas básicas
ANDRÉ FORASTIERI
Especial para Folha
29/05/1995

Sei que um monte de gente que lê esta coluna trabalha na área musical. Não só músicos, mas também gente de gravadora, de rádio, de casa noturna, de TV e tal. E sei que tem um monte de gente que lê esta coluna e gostaria de trabalhar na área musical. Sei mais ou menos o que fazer para conseguir se descolar em rádio, gravadora etc. Agora, o que sei direitinho é como trabalhar na minha área, jornalismo, e, especificamente, jornalismo musical (que na verdade só ocupa uns 15% do meu tempo atualmente). Se você quer entrar no mundo glamuroso do jornalismo musical, preste atenção. Tenho só duas regrinhas simples.

Regra número um: tem que saber escrever. Não adianta gostar de um monte de música ou tocar direitinho o solo de Steve Howe em “Gates of Delirium”, se você não sabe escrever.

Saber escrever depende de você conhecer português e a técnica básica de jornalismo (que é baba). Ter um mínimo de cultura geral, que vá um pouco além da discografia dos Smiths, também não atrapalha em nada. Repare, saber escrever não é ter um grande estilo, pessoal e intransferível. O estilo é uma coisa que nasce das imitações baratas que a gente faz dos textos que a gente admira. Eventualmente, isso vai se misturando com o que a gente é, e sendo filtrado pelos lugares onde você trabalha.

Eu, por exemplo, escrevo direto e rápido, porque aprendi o ofício em jornal. Depois trabalhei em revista e soltei a franga no coloquial e na conversa mole. Ninguém me tira da cabeça que um bom texto sobre rock tem que ser parecido com o papo que você tem com os amigos no bar, depois de um show. Tem gente que teve formações diferentes. Daí, escreve diferente. Saber escrever também não tem a ver com ter uma opinião. Opinião todo mundo tem e não vale picas. Você precisa ter uma opinião e saber expô-la de maneira que outras pessoas queiram pagar para conhecê-la.

Regra número dois: você não pode ter medo. Nem de meter a cara, nem medo de trabalhar. A maioria das pessoas que eu conheço, que vivem de escrever sobre essas coisas pop começou metendo a cara. Não tem editor que dispense um bom texto. Mas antes é preciso você fazer o editor ler o seu texto, e editores são pessoas ocupadas. Mete o pé na porta. O máximo que pode acontecer é você levar um não.

Medo de trabalho também é desemprego na certa. Jornalista trabalha pra caramba. Não tem fim-de-semana, hora para sair ou para entrar. Tem um mundo de coisa de fazer o tempo inteiro. E como epílogo, lembro que ter um pouco de caráter também nunca atrapalhou ninguém.

Como você vê, não é tão complicado assim trabalhar na imprensa musical. O que você ganha com isso? Não muito. Você entra em show sem pagar e ganha montes de CDs. Viaja a trabalho para entrevistar uns e outros. É convidado para festas e lançamentos de discos. E, claro, conhece um monte de artistas. Às vezes, até fica amigo de um monte de artistas. Se isso acontecer, está na hora de pedir demissão e mudar de carreira. Ninguém tem coragem de falar mal dos amigos. Ou, invertendo, não tem carreira que valha a perda de um amigo de verdade.

A grana também pega. Tirando meia dúzia de grandes veículos, o salário na imprensa é uma bobagem. Se o teu negócio é ganhar dinheiro a sério, vale mais a pena fazer dez outras coisas, do que ser jornalista. E lembre-se que escrever sobre rock não é exatamente uma carreira. Tem poucas coisas mais rídiculas do que um velhote pai de família que vive de escrever sobre a nova bandinha que despontou nos confins do Missouri. Por isso, os jornais e revistas costuma ter o bom senso de substituir críticos coroas por garotos cheios de gás. Como, talvez, você.

ANDRÉ FORASTIERI, 29, é editor da revista “General”

Sete dicas para quem quer ser crítico de música
ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
Colunista da Folha
28 de julho de 2003

Na falta de coisa melhor para fazer na vida, existe gente que almeja ser crítico de música! E muitos leitores com essa aspiração escrevem para “Escuta Aqui” pedindo dicas. Sempre relutei em fazer esse tipo de “manual do crítico” porque, primeiro, nunca fui nem sou crítico de música em tempo integral e, segundo, desconfio de fórmulas prontas. Mas os pedidos são muitos, então hoje vão alguns toques.

1) Ouça música desesperadamente. Você não precisa ser músico, saber diferenciar um ré de um mi. Mas precisa ter conhecimentos históricos, entender de onde vem o tipo de música sobre o qual você escreve e como as coisas evoluíram até hoje. Só conhecer a discografia completa do Weezer não basta.

2) Leia livros e revistas desesperadamente. Você quer criar um estilo, certo? Então precisa ler montanhas de revistas e livros, de todos os gêneros, para chegar a um jeito próprio de escrever. Não adianta só ler “Escuta Aqui” e a coluna do Lúcio Ribeiro na Folha Online. Assim, acaba virando clone. Mais um.

3) Aprenda inglês. Cerca de 99,99% do que conta no chamado “mundo das artes” acontece em inglês. Se você não sabe a língua direito, arrume outra coisa para fazer. Ser crítico de música não dá.

4) Aceite sua insignificância. Ninguém saudável compra ou deixa de comprar um CD por causa de uma crítica. Em geral, críticas de música são lidas por nerds, músicos e outros críticos de música. O leitor normal -aquele que tem uma vida, família, amigos etc.- está pouco se lixando para o que o crítico pensa.

5) Não fique amigo de músicos. Bandas -principalmente as mais novas- sofrem muito. Dão shows sem ganhar nada, não conseguem divulgação etc. etc. Gravar um disco é mais difícil ainda. Só que é melhor não se envolver com isso, senão você vai ficar com pena dos músicos e fazer sua crítica com base nesse contexto e não na simples audição do CD. Os caras da banda podem ser gente boa, batalhadores e honestos, a baixista pode ser uma gostosa, mas, se fizeram um disco ruim, é isso o que você tem de dizer.

6) Pratique a crítica destrutiva. Enfie uma coisa na cabeça: você e os músicos ou você e as gravadoras não estão no mesmo barco. E você não tem papel algum na construção de nenhum tipo de cena. No Brasil, a prática do compadrio e da “brodagem” é corrente entre jornalistas, músicos e gravadoras. Todo mundo é amiguinho e se ajuda mutuamente. Gente talentosa perde tempo escrevendo só sobre o que gosta ou finge que gosta. Fuja dessa.

7) Prepare-se para a realidade de uma redação. Pense naquele cara -ou moça- inteligente, moderno, que passa o dia escutando música e, de vez em quando, escreve sobre um CD que lhe chamou a atenção. Agora esqueça isso. As críticas assinadas são uma parte muito pequena do que o jornalista faz na redação, o que inclui diagramar páginas, escrever títulos, bolar legendas de fotos, escrever matérias não-assinadas, preparar notinhas, reescrever textos dos outros, ser esculachado pelo chefe etc. Tem mais coisa, mas o espaço acabou.

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR, 40, é editor-chefe do “Fantástico” em São Paulo

agosto 15, 2008   No Comments

Voltando a programação normal

No segundo semestre do ano passado eu concedi algumas palavras (antes de uma palestra bem bacana) para os jornalistas Itaici Brunetti, Luiza Paiva, Jairo Falvo e Roger Mendes, em Araraquara (SP) versando, quase sempre, sobre a cena independente de música no Brasil. O papo entrou no documentário “Três ou Quatro Riffs”, que além de mim ainda conta com depoimentos de Kid Vinil, Fábio Massari, Lúcio Ribeiro, Supla, bandas como Matanza, Forgotten Boys, Vanguart, Hurtmold e Dance of Days, e outros. Você pode assistir via youtube ou baixar o documentário na integra no site oficial. Assista abaixo:

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Assim que cheguei de viagem, o José Franco Jr. do blog Eu e o Pop me encaminhou umas perguntas para uma seção chamada Talk Show com questões do tipo “Por que o rock?”, “Qual o atual papel da grande mídia”, “Quais as cinco bandas ou artistas que eu traria para tocar no Brasil?” e “Um CD e um filme hoje”. Você pode conferir as minhas respostas clicando aqui, muito embora eu ache que – antes – você deva conferir mesmo as respostas do grande Arthur Dapieve aqui.

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Vou cutucar a onça com vara curta: você está surpreso com o fim do Violins? Alguma coisa saiu de órbita no mundo quando a banda anunciou o fim? Apesar de terem lançado dois álbuns sensacionais, eles têm alguma importância/relevância para a música mundial? Fãs, me desculpem, mas o mundo não pára de girar só porque uma banda bacana desistiu de fazer música. O mundo não pára de girar nem mesmo quando a gente segura na alça de uma caixão e leva um grande amigo para ser enterrado sete palmos do chão (coisa que eu já fiz três vezes na minha vida, antes dos 30).

Então vamos parar com esse lenga lenga porque a vida segue em frente e, sexta, em São Paulo, tem show do graaaande Josh Rouse (que eu saiba, ainda tem ingressos), teremos Vaselines e Breeders nos próximos meses e, domingo, o Lestics, banda querida deste espaço, toca no projeto Folk This Town, no Lado B, ali perto da minha ex-casa, na rua General Jardim, 35, a partir das 19h. Estarei de plantão no fim de semana (você acha que a gente tira 40 dias de férias e não “paga” nada por isso? – risos), mas farei o possível para aparecer no Lado B para beber uma Bohemia com os amigos. Apareça, mas sem lágrimas. A vida é uma festa.

agosto 12, 2008   No Comments

Onde comprar CDs na Europa

Título extremamente pretensioso, mas tudo bem. O fato é que assim que voltei pra terrinha, dois amigos me escreveram pedindo dicas de lojas de CDs em Londres. Escrevi para um, dei um “control c control v” para o outro e tudo lindo. Hoje, outro amigo pediu dicas, e já está na hora de socializar essas informações. Ainda mais porque você vai ler e perceber que eu deixei de fora aquela loja sensacional que só você conhece, e que dá próxima vez eu irei (risos). Ou seja, é mais para compilar infos mesmo. Seguem dicas de Londres, Paris, Barcelona, Glasgow, Atenas, Bruxelas, Luxemburgo e Berlim.

Em Paris tem a FNAC (em todos os cantos da cidade) e a Virgin, ambas na Champs Élysées. Bons preços, mas só compra o que estiver na promo! Eles costumam fazer uma promo de CDs por 7 euros, quatro por 20, mas só pra quem tem carteirinha da FNAC ou da Virgin. Mesmo assim, 7 euros compensa muito (comprei Jam, três Sigur Ros diferentes, os três boxes com três CDs cada – com preço de um – do Django Reinhardt mais uns Cohen e Lou Reed que me faltavam). Assim, tudo que não for lançamento geralmente tem um preço bem bom. Quer duas lojinhas bacana em Paris? Vá a Paralleles no número 47 da Saint-Honore (do ladinho do Forum Les Halles) ou na Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève, 64 (abaixo do Pantheon), na Crocodisc. Excelentes e com vasto material em CDs e vinis.

Em Londres tem: as megastore e as lojinhas de usados (que não achei em Paris). Nas megas, mesma coisa: bons preços, com a vantagem que em Londres não tem essa de carteirinha de associado, então aproveita as promos de dois CDs por 10 pounds (às vezes quatro). Tem muuuuuita coisa foda. Os lançamentos são caríssimos, então esquece. Muitas coisas do ano passado e de catálogo já estão nas promos de dois por 10 pounds, quando não em uma parte que vai de 3 pounds (como o Secret Machines) até 10 pounds (uma edição especial do último do Snow Patrol). São duas as megas: HMV e Fopp.

A HMV é fácil de achar: está na Oxford Street, principal rua de compras de Londres. Faz pesquisa. Tem coisas que você vê por 15 pounds em uma que está na promo de dois CDs por 10 pounds na Fopp, que fica em Covent Garden e é sensacional. Fica na 1 Earlham Street. Estando perto do metro é mole achar. Aliás, tem a Rough Trade, que merece uma visita (embora eu tenha achado os preços salgados). Fica no 91 da Brick Lane.

Já as lojinhas existem em três pontos distintos: na Berwick Street no Soho (a rua da capa do disco do Oasis), que na verdade é uma travessa da Oxford Street. Tem duas lojas fodas nessa rua: a Sister Ray (número 34/35), que não tem usados, mas tem coisas ótimas em ótimos preços (comprei o Rated R, do Queens, edição dupla, por 7 pounds e o novo da Cat Power, edição dupla em capinha de vinil, por 9 pounds) e a MVE (95), loja de usados que você irá deixar seu salário (risos). Eles expõe apenas a capa do álbum em envelopes. Você separa o que quer e leva no balcão. Os preços seguem uma rotina semanal: eles vão abaixando toda semana se não vender. Então, o que vale é sempre o último preço. Tem CD que chegou lá por 10 pounds que eu peguei por 4. Fica no final da rua.

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Além dela tem as lojinhas de usados da avenida Notting Hill. Você desce no metro Notting Hill Gate, e sai na própria Notting Hill Gate. Vai no número 38 (acho), que é a Rock and Pop. Passa direto pelo térreo e segue para o porão. Meu amigo, lá você vai passar mal. Coisas de 1, 2 pounds. CDs ótimos! Revire o lugar (a parede principalmente) e só depois suba para o térreo, onde você ainda vai encontrar muita coisa boa. No número 42 tem a Soul and Dance, mais focada em jazz, electro, eletrônico e vinis. Entra só por curiosidade. Você vai acabar levando algo. O terceiro lugar é Camden Town, que eu não fui por absoluto medo de gastar muito. O pessoal do Alto Falante pirou lá!

Em Glasgow existem filiais da HMV e da Fopp nas avenidas principais, mas a loja mais bacana da cidade é a Avalanche Records (que também tem uma filial em Edinburgh). Em Glasgow ela fica na Dundas Street, número 34 (foto acima). Achei por acaso, andando para descobrir onde ficava a estação central de ônibus. É uma lojinha especial, daquelas para se revirar toda e encontrar preciosidades.

Em Barcelona, a grande rua se chama Calle Tallers, e começa exatamente nas badaladas Ramblas. São várias lojinhas de CDs umas grudadas nas outras (cinco ou seis). Entre na Revolver Records (número 11) e na Castelló (número 7). Além de muitas coisas em bom preço, eles também tem bootlegs excelentes em áudio (comprei um do R.E.M. tour 2008) e vídeo. Só do Bruce Springsteen tinha uns 15 DVDs não oficiais extremamente caprichados (com shows de 1975 até este ano). Fiquei com medo e pulei Beatles e Rolling Stones na prateleira. Era muuuita coisa. Em Atenas vale conferir a Zacharias (ou Zaxapiae), paraiso de usados e bootlegs no número 20 da Ifestou (ou Ifaistiou). Melhor: desce no metrô Monastiraki, entra na praça e vá com fé no Athens Flea Market (foto da entrada aqui). É por ali.

Na Escandinávia, por mais que a moeda diferente assuste, vale muito conferir duas muito interessantes: em Oslo, a Rakk & Ralls (Rock & Roll) reúne vinis e CDs usados e novos em Oslo e merece o título de Amoeba norueguesa. De compactos de época dos Beatles, Stones, Clash e Sex Pistols, a boxes e CDs raros novos, a loja (que oferta bons preços) pode falir economias claudicantes. Espetacular. Já em Estocolmo, não deixe, mas não deixe mesmo de passar na Pet Sounds, no  distrito de Södermalm. Vinis e CDs, usados e novos. Sensacional.

Já a lojinha bacana de Berlim fica no número 77 da Warschauer Strasse (mesmo metrô) e se chama Warschauer Music Store. Lá tinha umas dez versões de bootlegs do Joy Division (comprei a edição alemã dupla do “Era Vulgaris”, do Queens, mais um bootleg do Radiohead tour 2008). E tem uma loja de livros e CDs perto da Alexander Platz que é meio saldão que quase me levou a falência. Quando vi, estava com dez boxes de CDs nas mãos. Trouxe só quatro, mas volto um dia para pegar os outros seis.

E, imperdível na capital alemã, tem a sensacional Cover Music, no número 11 da Kurfürstendamm, na praça do Europa Center, metrô Zoologischer Garten (impossível não vê-la com seu toldo amarelo cobrindo boa parte da praça). Foi ali que achei o raríssimo vinil “On Strike”, do Echo and The Bunnymen. Muita coisa de vinil e CDs com preços ótimos. Por fim, uma lojinha bacana em Bruxelas: Arlequin. São dois endereços: Rue du chêne 7 e Rue de l’Athénée, 7-8.  O primeiro fica a cinco minutos a pé da Grote Markt, a histórica grande praça da cidade. Foi a que passei e vale conhecer. Na cidade de Luxemburgo tem a CD Buttek From Palais, Rue do Marche Aux Herbes, 16, simplesmente excelente.  Boa sorte.

Leia também:
– Sebos e lojas bacanas de CDs e DVDs em SP (aqui)
– Alta Fidelidade (aqui)
– Comprando vinis com Robert Crumb (aqui)
– Onde comprar CDs em Buenos Aires (aqui)
– Lojas bacanas de CDs e vinis em Nova York e Chicago (aqui)
– Sete lojas de CDs e vinis na Europa (aqui)

agosto 11, 2008   No Comments

“Medio millón de almas en marcha”

O titulo do post foi a manchete de capa do jornal Publico, de Barcelona, ontem, que ainda dizia: “Mas de 500.000 personas asistiran  a un concierto en nuestro pais desde hoy hasta el domingo, en medio de la guerra de festivales por conseguir mas publico”. O bafafa todo eh devido ao classico do fim de semana: Barcelona x Benicassim.

Em Barcelona acontece nos dias 18 e 19 de julho a segunda edicao do Summercase, cujo principal nome do line-up sao os Sex Pistols (que, acreditem, estará tocando pela primeira vez na Espanha!). Mas segura o resto: Blondie, Grinderman, Interpol, Maximo Park, Primal Scream, The Verve, Ian Brown, Sons and Daughters, Breeders, Kaiser Chiefs, Mogwai (tocando o “Young Team” inteirinho), CSS, Kooks, Raveonettes, Mystery Jets, 2Many Djs e, ufa, muito mais.

Em Benicassim, voce já sabe (hehe), acontece do dia 17 ao dia 20 mais uma edicao do Fiber que destaca Leonard Cohen, Morrissey, My Bloody Valentine, Babyshambles, Mika, Siouxsie, The Raconteurs, Death Cab For Cutie, American Music Club, José González, The New Pornographers, Spiritualized, Vive La Fête, Justice, The National , Sigur Ros, The Kills, Gnarls Barkley, Róisin Murphy, The Brian Jonestown Massacre e, ulala, Nada Surf, entre outros. De quebra, no fim de semana tem Bruce Springsteen com sua E. Street Band dia 17 em Madri e 19/20 em Barcelona.

Existe público para tantos shows? Essa é a pergunta que o jornal propoe, e embora a pauta esteja fraca (falta o básico: comparacao e informacao de line-ups), uma boa frase me saltou aos olhos:

“Como la venta de CDs sigue bajando, hay quién defiende que lo que antes se gastaba en discos, ahora se invierte en conciertos. Una teoría más razonable apunta a la accesibilidad de la música. La llegada de Internet y las nuevas tecnologías ha provocado que el público llegue a las canciones más fácilmente y, en especial gracias a las redes P2P, de forma gratuita. Ético o no, legal o ilegal, la realidad es que hoy en día, cuando se vende menos música que nunca, se escucha más música que nunca y se va a más conciertos.” por Jesus Miguel Marcos (leia mais aqui).

Quatro futuros jornalistas me procuraram dias antes da viagem para pequenas entrevistas para seus projetos de conclusao de curso que sempre resvalavam no assunto MP3, música na internet, redes P2P, direitos autorais e o escambau. Acho que essa frase negritada do páragrafo acima é perfeita para simbolizar que a queda nas vendas nao significa a morte da música, e sim o momento agonizante da indústria. A indústria nao é a música, isso precisa ser dito. Meio milhao de pessoas nao marcham de bobeira, pode ter certeza. Mas vamos lá, diz ae: em qual dos dois festivais você iria?

julho 16, 2008   No Comments

Motomix 2008

Eu nem ia no Motomix. Na verdade, nem estava sabendo direito do festival, um pouco por estar cuidando dos planos da viagem, outro tanto devido ao fato de nenhuma banda do Motomix chamar tanto a minha atenção. Meio sonado após almoçar chopps e bolinhos de bacalhau no Bar do Léo, e tirar uma siesta no meio da tarde, acordei com amigos mandando mensagem avisando que já estavam no Ibirapuera. Consegui chegar em tempo de ver a ótima apresentação do The Go Team!, grupo que nunca me convenceu em CD, mas que ao vivo me surpreendeu.

Já o Metric, banda canadense responsável pelo encerramento da noite, foi uma decepção. Existem 5637 bandas iguais a eles no mundo, e desse número, umas 3 mil são bem melhores. Cerys, do Catatonia, devia processar a vocalista Emily Haines por tamanho disparate em copiar seu tom de voz e seu jeito de cantar. E Emily devia processar o grupo por fazer um show tão insosso. O Metric é o tipo de banda que permite a você sair no meio do show para comer um lanche e voltar uns vinte minutos depois torcendo para que a tortura tenha acabado. Infelizmente, não. Eles até fizeram bis de três músicas. Grande engodo.

Fora a indi(e)gestão com o Metric e a boa apresentação do The Go Team!, o Motomix ainda impressionou pelo bom público que foi ao Ibirapuera conferir o festival, apesar do line-up mediano. Como comentou um amigo, se a organização do evento tivesse colocado ingressos à venda por R$ 15, nem 200 pessoas teriam aparecido no Ibira, mas como o festival foi de graça, tudo bem. Ok, o som estava bom, me disseram que Fujiya & Miyagi foi bem legal, mas o Motomix deveria pagar ao público para assistir ao Metric. A banda conseguiu ser menos empolgante que o show do Kasabian no Planeta Terra. E parece que eles nem se esforçaram para isso…

junho 29, 2008   No Comments

Quatro cervejas e Del Rey

Foram só quatro cervejas (ao menos é o que estava anotado na comanda) e acordei com uma leve ressaca. Como cantaria Wander Wildner, eu não bebo mais como eu bebia. Já o show do Del Rey foi… um pouquinho de vergonha alheia. Não sei, mas acho que criei muita expectativa de ver a banda e tal, e me decepcionei. A idéia de perverter o repertório do Rei é ótima, mas me falta humor suficiente para agüentar “Emoções”. O grande momento do show é um medley que une “Detalhes” a “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, e mesmo aqui o grupo esbarra na pieguice. Vale muito como diversão, mas eu esperava mais. Só mais uma coisa: “Ilegal, Imoral ou Engorda” é foooooda.

Já sobre o novo espaço do Studio SP, na rua Augusta, uns dois minutos do meu apartamento,  me dividi. Ele ganha em localização (nada contra a Vila Madalena, mas a Mada já era no quesito balada), o espaço é maior, a pista é muito melhor, mas o pessoal precisa limitar o número de pessoas que entram na casa, pois senão fica intransitável fazendo com que o ato de pegar uma cerveja se transforme em uma tarefa árdua e cansativa (e vamos combinar: pegar cerveja tem que ser um prazer – hehe). No mais, o “novo” público da casa é interessante. E o que dizer de sair na balada e ver o Pereio alugando um cara no meio da pista. Sensacional, vai.

Ps. Último dia de trabalho. No fim da tarde, férias. Volto apenas 11 de agosto (ao iG). Na terça, Europa. Espero que a ressaca passe até lá (não a ressaca de ontem, mas a de hoje – Superguidis no CB – e a de amanhã – Autoramas no Inferno e/ou Curumin no Studio SP).

junho 27, 2008   No Comments

Podcast Frequência Damata #7

Está no ar a sétima edição do podcast Frequência Damata, comandado por Allan Lito e Jean Felipe, e com participação especial deste que vos escreve falando sobre o Scream & Yell, “Control” e “I’m Not There”. Na trilha, Unsane, Death cabie For Cutie, Lucio Maia, Jose Gonzalez, The Wombats, Santogold, Stephen Makmus, Cat Power e Jeff Tweedy. Ouça online.

junho 25, 2008   No Comments

“Pilgrim Road”, Willard Grant Conspiracy

Após a tempestade sônica “Let It Roll”, de 2006, Robert Fisher retorna ao lirismo com seu Willard Grant Conspiracy neste “Pilgrim Road”, sétimo álbum de Fisher, parceria do compositor norte-americano com o músico escocês Malcolm Lindsay, mas que conta com o séqüito de colaboradores que sempre marca presença em um novo álbum do projeto.

“Pilgrim Road” ignora a demência de “Let It Roll” para dar as mãos com “Regard The End”, de 2003 na sonoridade sombria e na temática religiosa. A voz de Fisher volta a lembrar Nick Cave (a associação é imediata), e canções pungentes como “Lost Hours”, ao piano e cordas, poderiam facilmente fazer parte do repertório do bardo australiano, e isso não é demérito.

Robert Fisher trafega entre o alt-country noir e – o que ele mesmo chama de – punk pop folk embora “Pilgrim Road” não traga nada de punk nem de pop, e sim uma sonoridade delicada que versa sobre fé e dúvida. “Lost Hours” toma um caminhoneiro como personagem que divaga sobre o tempo perdido, a saudade de casa e a existência de Deus (”A lua está muito baixa para nos iluminar / O deserto está muito escuro para que possamos observar a noite”, canta Fisher).

No gospel “The Great Deceiver”, o vocalista pergunta “onde está o salvador?” auxiliado pela cantora Iona McDonald, mas ele não aparece. Na belíssima “Jerusalem Bells”, outra movida a piano e cordas, o personagem fala de esperança e sorte, mas pressente que acidentes vão acontecer. “Deus e diabo estão lutando pela minha alma / E ela está cheia de buracos”, diz a letra de “Pugilist”, outra canção magnífica cujo destaque é o tocante coro vocal.

“Phoebe” fala sobre não encarar a tragédia enquanto “Painter Blue”, com tintura renascentista, fala de abandono. “O amor não é verdadeiro”, canta Fisher desconsoladamente em “Malpensa”, com um bonito solo de violino. O instrumental de “Water And Roses” poderia ninar psicopatas. “Vespers” é o momento da perda da fé. Há, ainda, uma versão para “Miracle On 8th Street”, do American Music Club.

Mais de 20 músicos colaboram com Robert Fisher em “Pilgrim Road”, e chega a impressionar como o músico consegue dar unidade ao som do grupo. Violino, violoncelo e órgão dançam de mãos dadas em noites escuras com guitarras, baixo e violões criando uma sonoridade perfeita para embalar temas de vida e morte, enganos e salvação, brigas e oração. Um disco bonito para se ouvir em silêncio, meditando.

“Pilgrim Road”, Willard Grant Conspiracy (Loose)
Preço em media: $50 (importado)
Nota: 8,5

Leia também:
“Let It Roll”, Willard Grant Conspiracy, por Marcelo Costa (aqui)

junho 23, 2008   No Comments