Category — Música
O Pequeno Livro do Rock, de Hervé Bourhis
Recebi minha edição do divertidíssimo “O Pequeno Livro do Rock”, do francês Hervé Bourhis (que chega ao país em edição da Conrad. Você pode folhear dez páginas aqui). Dei uma colaboração na revisão do texto, e curti muito o livrinho. Falo mais dele durante a semana.
abril 5, 2010 No Comments
Eu queria falar sobre dez discos…
Você ouve a música que você quer ouvir, certo? Espero que sim. Já eu, nem sempre. Uma das coisas fodas de escrever de música é que quanto mais tempo você passa ouvindo um disco, mais os demais se acumulam. Tenho por regra pessoal escrever sobre um disco que eu esteja viciado exatamente para esgotá-lo na resenha. E só então partir para o próximo. Ou os próximos. Sempre são muitos.
As coisas aqui em casa funcionam mais ou menos assim: eu tenho uns 7 mil CDs em estantes (faz muito tempo que parei de contar, e esse número é um chute). Todo dia escolho uns dois ou três para me acompanhar no trabalho, algo que vá ser a minha trilha sonora naquele dia. Completam o pacote alguns CDs que comprei recentemente ou então recebi (da gravadora ou do próprio artista) e os MP3 do momento.
Os CDs que ganho ou compro vão diretamente para uma pilha a esquerda do meu computador. Eles só vão para a estante assim que eu ouvi-los, senão se perderiam no limbo do esquecimento. Alguns eu ouço duas, três vezes, e já tenho idéia de que eles podem voltar a me acompanhar em determinados dias. O problema (e não deveria ser um problema, mas é) são aqueles que tenho vontade de escrever sobre.
Esses se amontoam na prateleira e ficam aguardando um gancho, uma pauta, um espaço na correria do dia a dia para que eu consiga traduzir em palavras aquilo que me conquistou a audição. Eles vão ficando, ficando, ficando, e quando vejo o tempo passou, e não consegui escrever. Continuo ouvindo, mas me recuso a colocar na estante pois… eu queria escrever sobre eles. O dia, porém, é curto demais.
Como as três torres de CDs para “ouvir” estão enormes, lotadas de coisas de 2008 e 2009, decidi usar o blog para esgotá-los em frases curtas. Assim, volto a tentar me dedicar à safra 2010. O que passou, passou. A vida continua. Dessa forma, seguem abaixo dez de CDs que eu gostaria de ter escrito de 500 toques a 5 mil, mas que devido a velocidade do tempo, ficaram esperando por um momento livre… que não veio.

“Iê Iê Iê”, Arnaldo Antunes (Rosa Celeste)
Falei que não gostei do show aqui, mas o disco foi chegando devagarinho e me pegou de jeito. Arnaldo é, de longe, o ex-titã com melhor carreira solo. A produção de Fernando Catatau e a estética do álbum fizeram o resultado soar particular. E tem uma penca de músicas boas: “A Casa é Sua”, “Aonde Você For”, “Vem Cá“, a baladaça “Longe” e o grande hit “Invejoso”. Os titãs remanescentes deveriam ter vergonha de lançar “Sacos Plásticos” (falei mal dele aqui) no mesmo ano. Discaço.

“Rock’n’Roll”, Erasmo Carlos (Coqueiro Verde)
Aos 68 anos, o Tremendão mostra força em um álbum cheio de superlativos que nem Liminha conseguiu atrapalhar. A tiração de sarro de “Cover” conquistou um bocado de gente, mas, para mim, a provocação da balada de guitarras sujas (que, aliás, soam bem em quase todas as faixas) “Olhos de Mangá” surpreendeu mais (e me embalou por semanas). Vale citar as parcerias de Erasmo com Chico Amaral (letrista do Skank) em “A Guitarra é Uma Mulher” e com Nando Reis em “Um Beijo é um Tiro”.

“Banda Gentileza”, Banda Gentileza (Independente)
Melhor álbum de estréia do 2009 pela enquete de melhores do ano do Scream & Yell, o disco dos curitibanos tocou muito aqui em casa nos últimos meses. Os caras vieram aqui beber uma cerveja (entrevistão aqui), e não consegui me concentrar para falar do disco. Sinceramente, não tem muito que falar. Basta baixar o álbum gratuitamente aqui e ouvir, ouvir e ouvir coisas como a empolgante “Coracion”, a baladinha caipira “Teu Capricho, Meu Despacho”, o sambinha “Preguiça” e a nonsense “Sempre Quase”.

“All Right Penoso!!!”, La Pupuña (Ná Music)
O disco é de 2008, mas só apareceu aqui em casa no ano passado, e desde a primeira vez que o ouvi fiquei com vontade de traçar grandes teorizações sobre esse redescobrimento da música brasileira que aconteceu na segunda metade dos anos 00. Não consegui escrever, mas toda vez que coloquei “All Right Penoso!!!” para receber a luz do laser, o clima da casa pareceu ser de festa. Tem guitarrada, surf music e melodias caribenhas que aproximam o mar da gente num disco alto astral.

“Graveola e o Lixo Polifônico”, Graveola e o Lixo Polifônico (Independente)
Eles até já lançaram um novo EP para download gratuito (baixe aqui), mas eu namorei esse disco alguns dias do ano passado, e pensei que valeria muito falar mais. Não consegui, mas aproveito agora para dizer que Minas tem surpreendido com bandas que fogem do arquétipo do pop radiofônico (Jota Quest, Skank) abraçando o samba, o jazz e o rock. É o caso dos Gardenais (falei deles aqui) e deste excelente álbum da Graveola e o Lixo Polifônico. Baixe aqui e corra o risco de ficar cantando as canções por meses.

“Vou com Gás”, Falcatrua (Independente)
Na primeira vez que ouvi este álbum (já tinha falado do disco anterior deles aqui), não teve como não pensar: se as rádios descobrirem isso, vai tocar até dizer chega. Os mineiros pegaram o repertório de Tim Maia, turbinaram as guitarras e fizeram um puta álbum dançante (com produção de John, do Pato Fu, e direção de Nelson Motta). Difícil resistir ao apelo de “Festa do Santo Reis”, “Não Vou Ficar”, “Réu Confesso” e “Azul da Cor do Mar” e até “Vale Tudo”.

“Something Stupid”, Trash Pour 4 (MCD)
Terceiro disco do Trash Pour 4 (os outros dois passaram desapercebidos por mim), “Something Stupid” soa como um fantasma do lado maluco e divertido do Pato Fu, o que é uma grande referência. “Babalu” (do repertório de Bola de Nieve, Ângela Maria e outros) tem um sotaque latino. “Ci Riprova la Bossa Nova” é bossa noise em italiano. “Manhã Seguinte” vai direto a fonte: Os Mutantes. Uma banda (e um disco) a se descobrir.

“Simplesmente”. Os The Darma Lovers (Dubas)
Algum amigo definiu este disco numa mesa de bar como “o álbum de maconheiro de 2009”. Pode ser, embora o clima bucólico do álbum convide mais a contemplação do que a viagem. A primeira coisa que me lembrou na primeira audição foi o rock rural de Zé Rodrix, Sá e Guarabira. Um disco calmo, suave, que ousa enfrentar a correria do dia a dia estirado numa rede e ganha belos contornos com o cello de Moreno Veloso em “Canção Para Minha Morte”, “Srta Saudade da Silva”, entre outras.

“Orquestra Contemporânea de Olinda”, Orquestra Contemporânea de Olinda (Som Livre)
Esse álbum me namorou umas quatro semanas em 2009, e lamento muito não ter visto a banda ao vivo em alguns dos shows deles em São Paulo . Fiquei assoviando a metaleira de “Canto da Sereia” dias a fio assim que ouvi o disco pela primeira vez. Há um bom gosto na sonoridade do comboio pernambucano que bate direito no peito, e leva o cidadão a bailar. Talvez sejam os metais, talvez seja a percussão, talvez seja a rabeca de Maciel Salú, não dá para precisar, mas mexe muito com o lado latino da gente.

“Deus e os Loucos”, Anacrônica (Independente)
Um dos destaques da atual cena curitibana (agora residindo em São Paulo e cumprindo bem a responsa de abrir o show de bandas gringas, no caso o Franz Ferdinand), o Anacrônica colocou nas lojas em 2009 um álbum de sonoridade forte (cortesia da boa produção de Tomaz Magno) e dançante. O bom vocal de Sandra valoriza canções como “Eles Me Querem Assim” enquanto a banda se mostra afiada e credencia a batida pop de “O Que Será?”, a porrada “Delorean” e a ótima faixa título.
março 29, 2010 No Comments
Festa Scream & Yell #1 na Casa Dissenso
Ok, me desculpem, estava devendo um relato sobre a primeira edição da Festa Scream & Yell, na Casa Dissenso, com show do Charme Chulo, mas foi tudo tão corrido nos últimos dez dias que fui adiando, adiando e adiando, mas estou aqui. O embalo da festa começou na quinta-feira, quando a Casa Dissenso abriu às portas para convidados que presenciaram um show excelente do Soundscapes (foto abaixo) e discotecagem minha e do Agostini.

Na sexta, novamente djset screamyell. Abri os trabalhos, e o Agostini assumiu as pick-ups entre o show competente do Soundscapes (ainda melhor que na quinta) e o inferno do Herod Layne (foto abaixo). Tudo nos trilhos para a estréia da festa no sábado: a casa é extremamente aconchegante, a variedade de cervejas impressiona e o som é simplesmente foda. Foda. E ainda teríamos link ao vivo. Bacana.

No sábado, uma chuvinha, uma chuvinha. Na passagem de som, o pessoal do Charme Chulo brincou com uma versão divertidíssima de “Tic Tic Nervoso”, de Kid Vinil, e deixou o som ajeitado elogiando a casa. “Esse é um dos melhores sons que a gente já tocou”, comentavam. A lista amiga estava extensa, mais de 170 nomes para um lugar que cabe 80. No fim da noite, aproximadamente 60 pessoas passaram pelo local.

Agostini abriu os trabalhos com uma discotecagem mais suingada, com muita coisa nacional, mas teve que acelerar a pista pois fomos obrigados a atrasar o show. Batemos o martelo que o show deveria começar às 23h, mas pouca gente tinha chego ao lugar nesse horário. Uma pena. Começamos meia noite em ponto, e o Charme Chulo fez um show emocionante, daqueles bastante especiais, que eu fiz questão de apresentar, nos moldes de Bill Graham apresenta…

Uma turma acompanhou o show online, no link ao vivo da Casa Dissenso. Fiquei aqui e ali resolvendo pendengas, cumprimentando umas três dezenas de amigos que marcaram presença no lugar enquanto o Charme Chulo encavalava uma grande canção atrás da outra no show. Assumi as pick-ups assim que a banda deu o último acorde, e ainda não lembro de quase nada.
Fiz um set bem pop, para a galera dançar, dançar e dançar. Passei vontade umas três ou quatro vezes de enfiar um sambinha ali no meio, mas abortei a idéia por acreditar na paixão pelas guitarras de quem estava na pista. Ali pelas duas da manhã chegou mais uma galera e a festa seguiu até umas três e meia da manhã. Alma lavada: as comemorações dos dez anos do Scream & Yell começaram.

Fazer uma primeira festa ajudou a gente a entender a mecânica de produzir um show, se preocupar com a qualidade da discotecagem, do som da casa, com a proposta do lance todo (aliás, no telão deixamos passando “Stardust Memories”, o “8 ½” de Woody Allen enquanto a discotecagem rolava). Demos nosso primeiro passo, tomamos prejuízo (faz parte, né), mas vamos repetir a história nos próximos meses. Torce pela gente. A gente ainda sonha em mudar o mundo, ou, no mínimo, colocar música boa pra tocar. Aguarde.
Fotos do Charme Chulo e Mac: Liliane Callegari (mais aqui)
Fotos do Soundscapes, Herod Layne e Casa Dissenso: Joaquim Prado
março 28, 2010 No Comments
A defesa de uma brasilidade esquecida

por Tiago Agostini
“Não tenho mais vergonha em me passar por mim.” Formado em Curitiba, mas com a origem remontando à infância em Maringá, no norte do Paraná, o Charme Chulo parece ter atingido a certeza do seu papel dentro da nova cena de rock independente no Brasil: ser a voz do interior, do povo simples que sai de suas pequenas cidades em busca da tão sonhada e prometida vida melhor nos grandes centros.
Os primos Igor Filus (voz) e Leandro Delmonico (guitarra, violão e viola) eram fãs do rock britânico dos anos 80. Durante algum passeio pelo calçadão da rua XV de Novembro, em Curitiba, olharam as dezenas de mendigos, artistas de ruas simples e fizeram a conexão deles com a música das rádios AMs que embalaram sua criação no interior do estado. Foi um passo para Leandro aprender a tocar viola e o Charme Chulo surgir, com a inusitada mistura de Tonico e Tinoco e Smiths, Tião Carreiro e Pardinho e Violent Femmes. Tudo fazendo muito sentido.
Em tempos de valorização da cultura nacional, o Charme Chulo toma para si a defesa de uma brasilidade facilmente esquecida por boa parte da população. Com o discurso da metrópole sendo dominante, é fácil considerar o samba como linguagem universal do brasileiro. Mas, como diz a letra manifesto da música “Nova Onda Caipira”, “o carnaval é quatro dias, a viola é durante o ano inteiro”. Não poderiam estar mais certos esses curitibanos.
Tomando a bandeira dos caipiras, eles se alinham ao Cidadão Instigado como cronistas dos migrantes nos grandes centros. Mas, enquanto Fernando Catatau maneja com propriedade a sofisticação da mistura de Odair José com Pink Floyd para tratar de temas românticos e de questões mais pontuais desta vida, sempre de forma lírica, o Charme Chulo é mais direto na abordagem, resvalando na crítica política e social, quase um punk da roça – graças, muito, à bateria precisa de Rony Carvalheiro – completa a banda o recém-admitido baixista Luciano Assumpção.
Quantas pessoas vivem longe de suas famílias, seus lares? É só observar a lotação e o caos das grandes rodoviárias em feriados para perceber que somos muitos. O Charme Chulo funciona como uma lembrança doce de nossas raízes, resgatando o melhor do cancioneiro popular que acompanha as manhãs de domingo com o pai assando um churrasco ou a mãe fazendo o almoço. Nostalgia brega, charme chulo, mas sincero.
Espertamente dançante como poucas bandas no Brasil, o Charme Chulo une a bateria marcante com dedilhados suaves e riffs simples, que ora remetem ao pós-punk inglês ora ao melhor do cancioneiro country norte-americano. Apesar de ser uma banda de rock, é quando Leandro assume a viola que a banda consegue os melhores resultados de sua alquimia. Virtuose do instrumento, mesclando acordes cheios com solos minimalistas, ele cria diálogos cheios de emoção como um Johnny Marr do sertão. Ao vivo, a equação é amplificada. O vocalista Igor Filus parece ser possuído por alguma entidade no palco, fazendo as vezes de um Ian Curtis caipira.
“Eu nasci no Norte e fui pro Sul, deixei muita alma pra trás.” Charme Chulo faz rock para dialogar com as grandes massas. Não estariam deslocados tocando em alguma grande feira popular, como o a Festa do Peão de Barretos. O discurso é simples, a melodia é pegajosa. Sobra humildade e noção de contexto histórico, porém. “Certas coisas não se podem escolher, eu sei onde é o meu lugar.” É por sempre lembrar e valorizar suas raízes que o Charme Chulo consegue dosar corretamente o retrô e o contemporâneo. Soa universal com um pé no passado e nas tradições, mas sem deixar de mirar o futuro.
Clique na imagem para ver o flyer numa versão maior
Festa Scream & Yell #1
Sábado: 20/03
Abertura da casa: 22h
Show: Charme Chulo às 23h (transmitido via web)
Discotecagem: DJ Set Scream & Yell (Marcelo Costa e Tiago Agostini)
$20 na porta $15 na lista (screamyell@gmail.com)
Local: Casa Dissenso, Rua dos Pinheiros, 747, São Paulo, SP
Leia também:
– Entrevista: Charme Chulo fala da moda caipira, por Murilo Basso (aqui)
– A caprichada carta de cervejas e mais seis coisas da Festa S&Y #1 (aqui)
março 17, 2010 No Comments
Vários vídeos: Lafayette e Do Amor
Em termos de shows, a agitada semana que passou se encerrou para mim na quinta, após Lafayette e os Tremendões chacoalharem a choperia do Sesc Pompéia com um repertório de clássicos da Jovem Guarda, e o Do Amor fazer todo mundo sacolejar na lotadaça festa Versão Brasileira, no CB.
Lançando o álbum “As 15 Mais Quentes” (falei dele aqui), Lafayette surgiu acompanhado do escrete indie Os Tremendões (Érika Martins , Renato Martins, Melvin, Nervosoe Gabriel Thomaz) e tocou quase o dobro de clássicos da Jovem Guarda. Filmei dois números, um aqui e outro aqui, e o Tiago Agostini completou com este.
Já o Do Amor fez todo mundo dançar lambada, carimbó e axé. Bonito de se ver (bêbado). De brinde, Gabriel e Nervoso subiram ao palco para reviver momentos do Acabou La Tequila, com versões para “Flaming Moe” e “O Som da Moda” (assista aqui). Ainda tem “Meu Coração” (aqui), “Cachoeira” e “Perdizes” (aqui), as duas últimas filmadas pelo Agostini.
Acordei sem voz, de ressaca e gripadíssimo na sexta-feira. E feliz.
fevereiro 28, 2010 No Comments
Coisas para ler, ver e ouvir
Para ler
Como contratar um jornalista, por André Forastieri
“Conheço uma pá de estudantes e recém-formados em jornalismo. Tenho uma dó louca. Nossa profissão está acabando. Quer dizer, o tempo em que nossa profissão era fácil está acabando. Mais explicitamente: antes era mais fácil enrolar o leitor, o chefe, até os colegas“. Leia mais aqui.
“O império das bandas coxinhas”, por Sérgio Martins
“Chris Martin é um sujeito exemplar. Vocalista e líder do grupo Coldplay, que desembarca nesta semana no país para apresentações no Rio e em São Paulo, ele não perde a chance de ajudar os mais necessitados”. Leia mais aqui.
Editora processa blogueira, por Sérgio Rodrigues
“A tradutora e blogueira Denise Bottmann, do site Não Gosto de Plágio, precisa de ajuda. Caçadora mais ou menos solitária de picaretas editoriais, está sendo processada pela editora Landmark, que pede ao juiz indenização mais a retirada de seu blog do ar.” Leia mais aqui.
Para ver
Bruno Morais faz show gratuito no Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245) nesta terça-feira, às 19h30. Canções como “Hino dos Corações Partidos F.C.”, “A Vontade” e a novíssima “Cidade Baixa” (que toquei no meu set list da rádio Levis, e você pode baixar aqui) podem fazer o seu dia mais bonito.
Lulina, na sequência, apresenta as deliciosamente pegajosas “Balada do Paulista”, “Meu Príncipe” e outras no Sesc Pompéia, às 21h, também com entrada gratuita. Aliás, você já visitou a Lulilândia? Aqui.
Lafayette e os Tremendões (Gabriel, do Autoramas, Érika Martins, ex-Penelope, Renato Martins, do Canastra, Melvin, do Carbona, Nervoso, do Nervoso & os Calmantes, e Marcelo Callado, Do Amor e Banda Cê, de Caetano Veloso) tocam hits da Jovem Guarda na Choperia do Sesc Pompéia na quinta-feira, 21h. Para beber chopp escuro e cantar até ficar rouco.
Do Amor na festa Versão Brasileira, no CB (Rua Brigadeiro Galvão, 871), ali pela meia-noite de quinta-feira. E ainda tem Eisenbahn de Trigo (bebi quatro na primeira festa), Pale Ale (quatro na terceira festa) e outras que vou descobrir (e beber quatro).
Vanguart no Studio SP (Baixo Augusta), no meio da madrugada de sexta-feira para sábado. Já faz um tempo que não vejo o amigo Helio Flanders e seus comparsas ao vivo.
Para ouvir
Em mais uma de suas empreitadas malucas, João Brasil fez um mashup delicioso que junta a sensacional “O Que Que Nego Quer (Comer a Mulher)”, do rapper De Leve, com a não menos sensacional “Samba a Dois”, um dos últimos momentos de criatividade do Los Hermanos. Ouça (e baixe) o mashup aqui.
A banda Graveola e o Lixo Polifônico está liberando seu novo “meio” disco gratuitamente em seu site oficial. Gostei do primeiro (?) disco deles, que ainda não comentei por absoluta falta de tempo, e já baixei esse novo. Vale a pena o download. Aqui.
Você gosta de bootlegs? Se a resposta for positiva, divirta-se aqui.
********
Ps. Eu tinha que escrever sobre “Um Homem Sério”, novo filme chapado dos irmãos Coen, mas bateu um sono…
fevereiro 22, 2010 No Comments
Meu set list do Unbuttoned, na Rádio Levis
Nesta sexta fui o convidado da Rádio Levis para comandar o Unbuttoned, um programa que toda sexta convoca alguém do meio musical (jornalista, músico) para fazer uma seleção de músicas. Escolhi as 15 faixas abaixo concentrando o repertório no território nacional.
01) Nunca Nunca, Lê Almeida
02) Paz e Amores, Nevilton
03) Elvis, Frank Jorge
04) Lição de Casa, Pullovers
05) Alguma Coisa Me Diz, Lestics
06) Coracion, Banda Gentileza
07) Pavão Macaco, Wado
08) Meu Príncipe, Lulina
09) Cidade Baixa, Bruno Morais
10) Crua, Otto
11) Olhar de Mangá, Erasmo Carlos
12) Pareço Moderno (Remix by Guab), Cérebro Eletrônico
13) O Que Todo Mundo Quer/Ninguém Liga, Rômulo Fróes e Nina Becker
14) Artista, Rubinho Jacobina
15) O Que Que Nego Quer, De Leve
O programa é semanal, e o convidado da semana indica o da próxima. Convoquei o chapa Tiago Agostini para fazer a sua seleção, próxima sexta (05/02) às 14h. A minha seleção você pode baixar para ouvir aqui.
janeiro 29, 2010 No Comments
Discotecando a Festa Urbanaque

Discotecagem nunca é uma coisa previsível. Não adianta fazer um set list fechadinho em casa. Eu tinha listado 15 canções para tocar numa prévia do set list. Depois estendi para 30 canções, e dentre essas eu tiraria 15. Na última hora, saindo de casa, peguei uns cinco CDs, entre eles os três últimos da discotecagem.E por que tudo isso muda de uma hora pra outra? Por vários fatores. O clima da balada. O clima da própria pessoa que está tocando. Os amigos presentes. E quem tocou antes. No caso deste sábado, era um grande amigo com gostos muito parecidos. Não tocou as músicas que eu ia tocar, mas outras de bandas que eu pretendia.
Isso acaba fazendo com que a gente acabe improvisando o set, o que no fundo é extremamente legal. Assim, comecei com Franz para dar sequencia ao que o Tiago vinha tocando e puxei pra frente o meu set anos 60 revisited. Depois, só improviso, mas é bom demais começar o ano tocando no último volume “Milez iz Ded”, “Be My Baby” e “Smells Like a Teen Spirit”….
Franz Ferdinand – This Fffire
Ramones – Do You Remember Rock N Roll Radio?
Backbeat – Please Mr. Postman
The Beatles – It Won’t Be Long
Manic Street Preachers – Can’t Take My Eyes off You
We Are Scientists – Be My Baby
Nancy Sinatra – Day Tripper
Pixies – Debaser
Gang of Four – Damaged Goods
New Order – Regret
Depeche Mode – Personal Jesus
Afghan Whigs – Milez iz Ded
Smashing Pumpkins – Bullet With Butterfly Wings
Nirvana – Smells Like a Teen Spirit
Faith No More – Falling To Pieces
janeiro 3, 2010 No Comments
Uma noite rock and roll em Juiz de Fora

Apesar do inconfundível sotaque mineiro, Juiz de Fora é quase Rio de Janeiro. Isso fica perceptível quando se abre o caderno de esportes do Tribuna de Minas, o maior jornal da cidade, e a última página é dividida em quatro blocos: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Um dia antes, o caderno de cultura destacava a ida deste que vos escreve à cidade classificando-me como “uma das maiores autoridades em cultura pop na internet”. O título é exagerado, mas agradeço o deferimento.
Juiz de Fora tem 525 mil habitantes, seis faculdades (uma delas federal) e fica na Zona da Mata. Chegou a ser conhecida como a Manchester Mineira, não por bandas equivalentes a Smiths e New Order, mas por seu pioneirismo na industrialização. Para chegar à cidade, vindo de São Paulo, se pega a Via Dutra em direção ao Rio, e segue-se beliscando Volta Redonda. Ou encara-se um vôo no avião de médio-porte ATR-42 saído de Congonhas de pouco mais de hora via Pantanal.
Os vôos costumam atrasar. Na quinta foram duas horas de espera devido a uma vistoria na nave feita pela ANAC, o que permitiu descobrir que o chopp Brahma em Congonhas é mais barato que o chopp Heineken em Guarulhos: R$ 7,50 x R$ 10,50. De qualquer forma, dois assaltos. Apesar do atraso, o vôo foi tranqüilo (e altitude da aeronave, voando a 18 mil pés, permitiu uma bela visão de São Paulo iluminada à noite) e o pouso em Juiz de Fora um dos mais sossegados dos últimos tempos.
Fui recebido pelo João Paulo Mauler, do projeto Quinta do Bloco (www.quintadobloco.com), no aeroporto, e seguimos para o hotel e sem eguida para o Café Musik, local que abriga o retorno do projeto após três anos de hibernação. Kátia Abreu, da Alavanca, já havia elogiado o Musik em um bate papo, mas não tenho palavras para descrever um local cuja parede lateral de entrada é tomada inteiramente pela foto clássica e nostálgica do filme “Manhattan”, de Woody Allen, em que o casal de personagens observa a Ponte do Brooklin. Estou em casa.
A programação para a noite era um bate papo meu com os presentes depois shows da banda local Hermitage e do carioca Lê Almeida (www.myspace.com/lealmeida). Alguns minutos pós a meia-noite dispensei o microfone, coloquei uma cadeira no meio do salão e gastei uns 20 ou 30 minutos falando bobagens sobre a minha formação profissional e minha visão do cenário musical nacional. Fiquei feliz e surpreso com o bom número de ouvintes e com algumas perguntas interessantes que surgiram após meu monólogo.
A Raizza questionou minha crítica à Pitty, e precisei aprofundar o assunto “jornalismo combativo”. Del Guiducci, do Martiataka (www.martiataka.com), tocou no assunto mainstream brasileiro, e assim que afirmei que vivemos a pior fase do rock nacional no mainstream e não há nada de bom acontecendo no momento, três emos de uma jovem banda local levantaram e partiram. Um pouco antes eu já havia dado o recado: “Aprenda a ler jornalistas e não revistas”. Eles devem ter pegado o recado e visto que dessa cartola aqui não sai coelho.
No geral, o bate papo foi extremamente proveitoso, ao menos para mim. Fiquei satisfeito, mas o melhor ainda estava por vir com curtos bate papos com a Raizza (que leu Simone de Beauvoir por causa da Pitty); com o Anderson, da banda Usversos (www.myspace.com/usversus), que faz um som na linha Dead Fish (e tenta fugir do emo); com o Greg, que curte o Scream e já tocou o Ameba, da Plebe Rude; com o Roney, que toca em duas bandas locais, sendo que uma delas fará uma temporada na Alemanha nos próximos meses.
Nas pick-ups da festa rock and roll, Luiz Valente, do selo Vinyl Land (www.vinyllandrecords.com), que lança singles em vinil e discoteca com compactos 7 polegadas de uma coleção que faria Rob Fleming corar de inveja. A frase que mais ouvi – e mais me deixou comovido – na noite foi: “Acompanho o Scream & Yell há seis (sete, oito, nove) anos, e ele (e o 1999, do Alexandre Matias e do Abonico Smith, e o Esquizofrenia, do Gilberto Custódio) moldou muito do que ouço hoje em dia”.
O Hermitage, que fazia seu último show com esse nome, me arrancou sorrisos. A Paula Bento, do Quinta no Bloco, comentou que o som da guitarra estava alto, e o bom rock and roll é isso: guitarra alta e distorcida. Bebendo cerveja num canto da pista e olhando a alegria do público dançando só pude imaginar que quando Pavement, Teenage e Guided by Voices, começaram, eles tocavam assim para uma platéia não muito diferente dessa. Festa. Rock caipira poderoso com direito a cover de Neutral Milk Hotel.
Lê Almeida veio na seqüência. Ele comanda o selo Transfusão Noise Records de seu quarto estúdio na Baixada Fluminense. Levando a sério o lema “faça você mesmo”, Lê já organizou um tributo brasileiro ao Guided By Voices (veja aqui) chamado “Don’t Stop Now” (que conta com Superguidis, Kid Vinl Experience, Snooze, Surfadelica e mais 27 bandas), toca em dezenas de bandas, lançou vários EPs caseiros e, segundo muitos presentes, é um gênio. Toca tudo deste projeto solo, que ao vivo conta com o reforço dos amigos.
Antes do show, o projeto Quinta no Bloco apresentou em primeira mão o clipe de “Nunca, Nunca”, faixa de “Revi”, novo trabalho de Lê Almeida lançado em parceria com os selos Midsummer Madness e Vinyl Land. O set list, na linha Guided By Voices, tinha 27 músicas, e a banda mostrou suas guitarradas em um show potente, mas que acabou prejudicado por um problema em uma das caixas de som. No balanço geral, dois bons shows que mostram que a cena lo-fi nacional continua rendendo excelentes frutos.
Fica o agradecimento a Rayssa, ao Del Guiducci, ao Greg, ao Anderson, ao Roney, ao Evandro (não esqueci do Mojobook não!), ao Lê Almeida (pela gentileza e por todos os CDs), ao Luiz (pelo bom papo sobre vinis), ao André Medeiros (que escreve junto com o Eduardo no ótimo Last Splash – lastsplash.wordpress.com) e o pessoal do ex-Hermitage, ao pessoal do Café Musik, e especialmente ao João e a Paula pelo convite. Para mim, a noite foi bem bacana. Espero que para vocês todos, também. Até a próxima, Juiz de Fora.
Todas as fotos por Amanda Dias
http://www.flickr.com/photos/amandadias
novembro 22, 2009 1 Comment
Entrevistando Fernanda Young

Não lembro ao certo que mês de 2001 foi, mas acho que era novembro ou dezembro. Desci a rua Albuquerque Lins, no bairro de Higienópolis com meu gravador e duas fitas cassete de 60 minutos para entrevistar Fernanda Young em seu apartamento. Ela estava lançando um livro (mediano), “Efeito Urano”, até hoje o único que li dela (por causa da entrevista), e me aguardava com os dois pés atrás.
Assim que entrei em seu apartamento, notei uma certa insegurança por parte dela, que gesticulava muito tentando soar à vontade. “Você é o repórter da Reuters, certo. O Alexandre (Carvalho, marido) me disse que a Reuters é muito importante. E eu ficava falando pra mim mesma. ‘Reuters, Reuters, Reuters, está tudo bem”. Ela chamou a empregada, me ofereceu algo para beber e ficou feliz de eu ter escolhido coca-cola ao invés de água. Sinais, sabe.
Cerca de quarenta minutos depois, no meio de uma resposta, ela solta: “Puxa, eu nunca falei tanto como eu estou falando agora (risos) e eu nem queria dar entrevista, né”. A tarde passou voando e quando vimos, as duas fitas cassete de 60 minutos estavam abarrotadas de conversa. Então surgiram Estela May e Cecília Madonna, suas duas filhas, e aproveitei o momento família para me despedir e subir a Albuquerque Lins em direção a Teodoro Sampaio, local em que eu morava na época.
Fernanda Young foi bem interessante nas duas horas que conversamos. Me pareceu se desarmar da persona que criou para provocar o mundo e a conversa rendeu uma longa entrevista de 14 páginas que ficou reduzida a 3 mil toques para a Reuters. Isso era 2001 e cortamos para 2009. Ela é capa da edição de novembro da revista masculina mais famosa do país, e parece ter incomodado muito gente com isso. Mais: homens agem como se fosse proíbido ela ter feito o ensaio. Bobagem.
Alguns dizem que ela é feia, no que discordo, embora também não a ache um exemplo de beleza. Na verdade, beleza não tem a ver com ela. Fernanda Young é falastrona, provocadora e irritante. E isso a sociedade (principalmente a ala masculina) não suporta. É o inverso da sensação de paixão que faz com que homens enxerguem suas mulheres como a mais bela do mundo. Pouca gente parece amar Fernanda Young, e isso a torna feia, burra e chata. Copo meio vazio, eu sei, mas é assim.
Particularmente, gostei de algumas fotos prévias do ensaio. Essa edição vai ser (fácil) mais interessante do que qualquer uma das tão “amadas” Mulheres Frutas. No entanto, fotos de nudez a parte, acho que essa entrevista que fiz com Fernanda Young em 2001 é uma das minhas prediletas junto com o bate papo com Ian McCulloch e também uma longa troca de e-mails com o amigo André Takeda. Recentemente, fiquei feliz com o resultado da conversa com Wado aqui em casa.
Destas quatro citadas (linkadas abaixo) e entre todas as outras que fiz, a minha preferida é a da Fernanda Young. Acho que o politicamente incorreto é extremamente necessário (nunca sonhei em viver no paraiso do bom mocismo), e a liberdade de expressão é um bem valioso demais para todos, mas fica feio quando descamba para a hipocrisia. São gestos não pensados e idiotas de machos que pensam apenas com a cabeça debaixo que acabam desancadeando fatos como o da moça da Uniban.
Fernanda Young muitas vezes me irrita, mas se ela quer ficar pelada, eu não vou reclamar. Pelo contrário. Como diria o sábio Roger Rocha Moreira no hino “Eu Gosto de Mulher”: “mulher faz bem pra vista”. Sua nudez é benvinda e não deveria ser castigada. Em um mundo em que Gilberto Kassab é um péssimo prefeito, José Serra candidato forte à presidência e Caetano Veloso é consultado (e levado à sério) sobre tudo que acontece, Fernanda Young é dos males (se for), o menor. E não quero nem imaginar Kassab, Serra e Caê nus. Prefiro a Fernanda Young.
Leia mais:
– Marcelo Costa entrevista Fernanda Young (aqui)
– Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (aqui)
– Marcelo Costa entrevista André Takeda (aqui)
– Marcelo Costa entrevista Wado (aqui)
novembro 7, 2009 No Comments













