Category — Música
No som, Bass Culture Bahia Vol. 6

O Bahia Music Export é um projeto que integra o Programa de Mobilidade Artística e Cultural promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e busca dar visibilidade à música contemporânea feita no estado para públicos e mercados de todas as partes do planeta. Já está no sétimo volume, e comecei a receber o material da Secretaria de Cultura a partir do volume 4 da “Bass Culture Bahia”, que tem muita coisa boa (três preferidas: “Sobre Tudo O Que Diz Adeus”, da Maglore, “Colombo”, do Cascadura, e “O Mais Clichê”, do Vivendo do Ócio). No volume 5, destaque para um remix dub de “Lycra-Limão”, de Lucas Santtana, mais “É Só Jogar”, com Os Nelsons (que convocaram Luiz Caldas para participar) e “Sambathon de Roda”, de Mauro TeleFunkSoul. Porém, o que me pegou de jeito foi o volume 6 (não consegui deixar de ouvi-lo para começar o volume 7): da ótima abertura com “Xingling”, do Barrunfo do Samba, passando pelo excelente rap “Invasão”, da Rapaziada da Baixa Fria (que abre com a frase: “Vários botecos abertos / várias escolas vazias”) até uma das minhas preferidas, “Desliga a Rede”, do Poeta de Aço (“Saia do Feice, menina, saia do Feice”), com ecos de Mundo Livre S/A, este volume 6 me cativou. Outros bons momentos: “Não Precisa”, de Luciano Salvador Bahia; “Brezhnev”, dos antológicos Retrofoguetes; “Fulorá”, de Jurema; a mutantiana “Riso”, de Nalini; e a empolgante “Sinfonia Número 7 do Pagode”, do Sanbone Pagode Orchestra. Todos os sete volumes da série “Bass Culture Bahia” podem ser ouvidos online no site do projeto: http://www.cultura.ba.gov.br/bahiaexport/. Vale a pena!
novembro 27, 2014 No Comments
Tributo aos Engenheiros no Zero Hora
novembro 11, 2014 No Comments
Humberto Gessinger fala sobre o tributo aos Engenheiros do Hawaii

Bah: amanhã, 11h11min, através do site www.screamyell.com.br/site vai ao ar o ESPELHO RETROVISOR, um tributo trilegal aos EngHaw capitaneado pelo Anderson Fonseca e com esta galera bacana:
Por enquanto, fica um emocionado agradecimento a todos que participaram. Em breve falo mais a respeito. Mais detalhes, amanhã no jornal Zero Hora, com quem bati o seguinte papo:
Você teve algum tipo de participação no disco, tipo opinando sobre os arranjos ou a escolha das música?
Não. Fiz questão de não me meter. Este tipo de projeto é mais legal quanto menos reverente for. Aqueles discos de dueto, clássicos da indústria fonogáfica… melhor deixar para um futuro longínquo, né? Quero mais é que minhas músicas se defendam sozinhas do que vier pela frente. Pouca coisa me deixa mais feliz do que andar por alguma cidade do nordeste e ouvir aleatoriamente uma música minha transformada em forró, em algum bar ou na beira da praia. Samba também é legal. Mas forró me deixa particularmente emocionado. Ou ouvir um mineiro enchendo de sutilezas a harmonia do violão para uma música que escrevi só com um baixo no colo e uma ideia na cabeça.
Você chegou a ouvir as músicas do tributo? Algum arranjo que gostaria de destacar?
Sim, me emocionei muito! Mais do que algum arranjo especial, meu destaque vai para a diversidade geográfica e estilística das releituras. E para o fato de serem todos artistas que certamente terão uma longa estrada pela frente. Também achei legal a escolha livre dos caras abranger as 3 décadas de carreira.
O que achou do tributo? É algo que você esperava? De repente dá para esperar uma espécie de redescoberta dos Engenheiros nessa data redonda de 30 anos e tal?
Não esperava. Acho que meu trabalho nunca foi daqueles que emprestam prestígio automático a quem se aproxima dele, tipo a meia dúzia de compositores insensados que abrem portas para quem os regrava. Talvez por ser muito pessoal, não muito fácil de enquadrar. Quando a onda era rock, me achavam muito MPB. Quando a onda virou POP eletrônico, passaram a me achar muito rock. Quando era pra ser nacional, eu era muito gaúcho e quando inventaram o rótulo rock gaúcho, eu não tava mais aqui. Agora, que a onda é revival, dei um tempo na grife e sai solo. Não tô me vangloriando nem me queixando disso, mas é um fato. Por isso me surpreendeu o tributo. Quanto a redescobrimento, é uma noção que já não faz mais sentido. Cada ouvinte/artista tá fazendo sua própria agenda. Tudo esta vivo, suspenso… no éter online.
novembro 11, 2014 No Comments
“Espelho Retrovisor” no Notícias do Dia

“Espelho Retrovisor – Um Tributo aos Engenheiros do Hawaii”, que será lançado pelo Scream & Yell no dia 11/11, foi notícia no jornal “Notícias do Dia” (Florianópolis, SC), que destacou a participação da DJ e produtora catarinense Blancah PatyLaus no projeto, recriando “Quartos de Hotel”, do disco “Várias Variáveis”. Leia
novembro 6, 2014 No Comments
No som, sobras de Billy Bragg

Um dos seguidores mais sérios da filosofia “essa máquina mata fascistas” de Woody Guthrie (não à toa, a filha da lenda o escolheu para musicar velhos textos do pai num projeto junto com o Wilco que rendeu as hoje clássicas “Mermaid Avenue” sessions), Billy Bragg soma cerca de 10 álbuns oficiais de um período que se inicia com “Life’s a Riot with Spy vs Spy” (1983) e chega até “Tooth & Nail” (2013) – boa parte deles inclusa nos dois boxes essenciais “Volume 1” e “Volume 2”, com sete CDs bônus e três DVDs extras. Ainda assim, dezenas de faixas raras foram ficando pelo caminho (algumas, disponibilizadas para download, renderam a coletânea “Fight Songs”, de 2011, com 11 socos de esquerda) e a coletânea “Reaching To The Converted”, lançada em 1999, passa uma peneira em boa parte deles salvando do esquecimento 17 números. Fui atrás desta coletânea por causa de uma versão alternativa de “Greetings to the New Brunette”, segundo single do álbum “Talking with the Taxman About Poetry” (1986 – lançado em vinil no Brasil na época), que na versão original conta com Johnny Marr na guitarra e Kirsty MacColl nos vocais, e nesta versão rara traz, segundo os créditos do CD, Billy Bragg na voz e “Johnny Marr em todo o resto” (leia-se: violão, guitarra, bateria, baixo e vocais). Ouça “Shirley (Greetings to the New Brunette)” abaixo, mas vale dizer que entre as outras 16 sobras de “Reaching To The Converted” ainda estão “The Boy Done Good”, de 1997, (com Johnny Marr novamente se desdobrando em vários instrumentos), uma singela versão de “Jeane”, dos Smiths, só com voz e guitarra, outra de “She’s Leaving Home”, dos Beatles, só voz e piano, e uma declamação de “Walk Away Renee”, single do The Left Banke em 1966, regravada com Johnny Marr no violão. Sobras que valem mais que muitos discos inteiros atuais…
Veja também:
– Billy Bragg chega aos 55 anos, lançando um dos melhores álbuns (aqui)
-”English, Half English”, Billy Bragg: mais política do que amor (aqui)
– “Must I Paint You A Picture?”, Billy Bragg: uma coletânea obrigatória (aqui)
– “Mr. Love and Justice”, Billy Bragg: mais amor do que política (aqui)
– SXSW: Billy Bragg critica Partido Nacional Britânico e Hollywood (aqui)
novembro 3, 2014 No Comments
No som, Charly García acústico

Gravado em maio de 1995 nos estúdios da MTV, em Miami, exibido em junho e lançado em CD no final do mesmo ano (com acréscimo de overdubs de estúdio), “Hello! Unplugged” pesca canções de toda a carreira de Charly García, que na época vivia seu período negro (alternando internações em clinicas de desintoxicação, entrevistas polêmicas e shows bombásticos – “Hello! Unplugged” foi precedido por outro disco ao vivo, “Estaba En Llamas Cuando Me Acosté”, de 1995, com covers de Beatles, Stones, Dylan, Otis Redding…). O repertório destaca um medley do Serú Giran (banda que Charly manteve entre 1978 e 1982 – com um retorno em 1992/1993), “Eiti Leda / Viernes 3 AM” (a segunda gravada pelos Paralamas do Sucesso no álbum “Hey Na Na”, de 1998), uma parceria com Spinetta (“Rezo Por Vos”, do álbum “Parte de la Religión”, 1987) e “Fifteen Forever”, da banda que o acompanhou em 1995, Cassandra Lange, e durou apenas este ano. Entre os destaques, “Demoliendo Hoteles” e “Cerca de la Revolución” (ambas do álbum “Piano Bar”, 1984, a segunda eleita em 2006 como a música mais importante do rock argentino), a pungente “Los Dinosaurios” (do segundo disco de Charly, “Clics Modernos”, 1983, e convertida em hino pela busca dos desaparecidos na ditadura argentina), “Chipi Chipi (do álbum “La Hija de la Lágrima”, 1994) e “Yendo de La Cama al Living” (do álbum homônimo de 1982). Uma ótima introdução a obra de um dos maiores nomes do rock argentino.
Veja também:
– Cinco acústicos da MTV Latina (aqui)
novembro 2, 2014 No Comments
No som, Natalie Merchant

Sexto disco de estúdio da carreira de Natalie Merchant, este álbum que leva apenas o nome da cantora é o primeiro composto apenas por canções inéditas desde o delicado “Motherland” (2001) – entre os dois álbuns ela gravou o disco de canções tradicionais “The House Carpenter’s Daughter” (2003) e o duplo “Leave Your Sleep” (2010), com adaptação de poemas do século 19 e 20 sobre a infância. Produzido pela própria cantora, “Natalie Merchant” soa um álbum profundo, desses que não se consegue penetrar com uma ou duas audições, mas que lá pela quinta vez que se ouve, se deseja ouvir mais algumas dezenas de vezes. Enraizado no jazz, no blues e no folk, “Natalie Merchant” é um álbum maduro (bela aos 51 anos, ela assume suas madeixas brancas em várias fotos promocionais e vídeos do disco) que não tem nada a ver com ondas e modismos, apenas com boa música que perdura e que dá vontade de ouvir e ouvir e ouvir e ouvir…
outubro 29, 2014 No Comments
Um pouco de história: rock argentino

“Adiós Sui Generis” é a gravação de um dos shows mais importantes da historia do rock argentino, resultando em um disco ao vivo gravado em Buenos Aires durante dois dias de setembro de 1975, no Luna Park. O show marcava a despedida da banda Sui Generis (Charly García, Nito Mestre, Rinaldo Rafanelli e Juan Rodriguez). O grupo já estava cansado de críticas, da monotonia dos fãs querendo ouvir só canções do primeiro disco e, também, da censura. Abaixo, na integra.
outubro 22, 2014 No Comments
No som, Filarmônica de Pasárgada

“Rádio Lixão” é o segundo disco do grupo paulistano, e depois de vê-los em algum programa de TV (acho que na Cultura), criei uma expectativa que o álbum não cumpre, provavelmente mais por culpa minha (que esperava algo mais pop) do que deles (que fizeram um disco mais hermético). Eles seguem valorizando a tradição paulistana buscando misturar o humor de Premeditando o Breque e Língua de Trapo com a sagacidade do Grupo Rumo e Tom Zé, e alcançam bons resultados na carnavalesca “Amor e Carnaval” (do impagável refrão: “Tira o é do chão e põe o pé no puf”) e nos funks cariocas “Fiu Fiu” (movido a beatbox e com potencial para tocar muito em rádio – se as rádios não estivessem em sono profundo) e “Tic Tac”. Há participações de Tom Zé, Guilherme Arantes, Kassin e Tatá Aeroplano.
Site oficial: http://www.filarmonicadepasargada.com.br
outubro 5, 2014 No Comments
No som, Péricles Cavalcanti

Lançado em dezembro de 2013, “Frevox” é o sétimo disco de Péricles Cavalcanti, e reúne um timaço de convidados em suas 18 canções: com jeitão de valsa tango, a ótima “Cínico e Canalha” conta com Lanny Gordin solando na guitarra, Lucinha Turnbull cantando e Marcelo Jeneci na sanfona; a deliciosa “O Céu e o Som” foi gravada por Gal no disco “Cantar” (1974), e aqui ganha um arranjo latino, cubano; a grudenta marchinha rock and roll “Juro (Largo Tudo por Você)” conta com acompanhamento do Cachorro Grande; “Bem-Vindos”, que lembra Arnaldo Antunes, traz Tiê na voz, Pipo Pegoraro no órgão e bateria e Guilherme Held na guitarra; Lurdez da Luz cedeu (e canta) seu “Rap da Baleia”; em “De Alma e de Sangue” marcam presença Tulipa Ruiz e Juliana Kehl enquanto Luisa Maita, Romulo Fróes e Rodrigo Campos participam da ótima “Se For Um Samba”. Gosto muito de “Cínico e Canalha”, do descompromisso de “Juro (Largo Tudo por Você)”, mas a preferida no momento é “O Céu e o Som” mesmo.
outubro 4, 2014 No Comments



