Category — Música
Levi’s promove shows na Casa de Francisca

Todas as fotos de Tracey Panek?
Para comemorar os 145 anos da Levi’s 501®, um dos modelos mais icônicos da história do jeans mudial, a Levi’s® preparou o #Geração501, um projeto que reúne um time de peso do cenário da música independente brasileira. Nos dois primeiros fins de semana de maio (11, 12, 18 e 20/5), a marca arma um grande evento gratuito na Casa de Francisca com uma programação que envolve moda e música, chamando o público para o debate de causas atuais.
Em um dos melhores palcos da cidade, o projeto #Geração50 traz na programação diária as apresentações de duas bandas entre as selecionadas pelo selo Lab Fantasma, na terceira edição do Original’s Studio. Neste ano, o selo paulistano apontou como destaque na nova cena musical os trabalhos de 2DE1, Abstrato+LadoB, Cigana, Danilo Moralles, Danna Lisboa, Desa Pauline, Helen Nzinga e Thiago El Niño.

Entre os pockets da nova geração, o projeto recebe convidados e abre o palco com microfone aberto para debates, que abordarão temas atuais como as diferentes identidades de gênero, orientação sexual e liberdade de expressão (11/5), direitos igualitários (12/5) e consumo sustentável e o uso dos espaços públicos (18/5).
Para finalizar cada noite, apresentações musicais gratuitas de artistas com discursos poderosos como Linn da Quebrada (11/5), As Bahias e a Cozinha Mineira (Trio Bixa) (12/5) e Francisco el Hombre (18/5). E para comemorar a noite dos 145 anos da Levi’s 501® as atrações são Filipe Catto, Rico Dalasam com Danna Lisboa, Felipe Cordeiro, Fióti com Drik Barbosa e Karol Conká (20/5), em meio a Virada Cultural de São Paulo, com os artistas se apresentando para a rua (a expectativa é de que 3 mil pessoas confiram os shows na esquina da r. Quintino Bocaiúva, centro de SP).
“Nós acreditamos na música como um grande catalisador. Ela reúne, agrega, inclui. Fala abertamente de amor, política, diversidade, comunidades, política e comportamento. Só a música consegue unir pessoas de diferentes idades, localidades, condições sociais e ideologias em um mesmo espaço. E por apostar na música como elo de inclusão, criamos esse projeto aberto ao público para debater, ouvir, falar e, claro, comemorar os 145 anos da Levi’s® 501®”, comenta Marina Kadooka, gerente de marketing da Levi’s®
Confira a programação completa:
11/5 – sexta-feira
20:30 Original’s Studio | Thiago Elniño (20min)
21:00 Palco Aberto | (40min)
21:40 Original’s Studio | 2DE1 (20min)
22h15/22h30 Studio 501 | Linn Da Quebrada (50 min)
12/5 – sábado
20:30 Original’s Studio | Desa (20min)
21:00 Palco Aberto | (40min)
21:40 Original’s Studio | Helen Nzinga (20min)
22h15/22h30 Studio 501 | Trio Bixa (As Bahias e a Cozinha Mineira) – (50 min)
18/5 – sexta-feira
20:30 Original’s Studio | Cigana (20min)
21:00 Palco Aberto |
21:40 Original’s Studio | Abstrato + Lado B ( 20min)
22h15/22h30 Studio 501 | Francisco, El Hombre – (50 min)
20/5 – domingo
501 Day
11:00 – 12:00 Dj Luis Franco
12:00 – 13:15 Felipe Cordeiro (75 min)
13:15 – 14:15 Filipe Catto (60 min)
14:15 – 14:30 Dj Luis * Troca de palco, intervalo (15 min)
14:30 – 14:50 Danna Lisboa (20min) * Precisa sair as 16
14:50 – 15:50 Rico Dalassam part.Danna Lisboa (60 min)
15:50 – 16:30 Fióti convida Drik Barbosa (40 min)
16:30 – 17:30 Show Karol Conka (60 min)
17h30 – 18h – Dj Luis Franco

serviço:
Geração 501®
(11, 12, 18 e 20/5)
Entrada gratuita – só chegar chegando! (sujeita à lotação)
Das 19h30 (abertura da casa) às 00h30
501 Day – 20/5 – das 11 às 18 hs
Classificação livre
Capacidade – 170 lugares
Casa de Francisca – r. Quintino Bocaiúva, 22 – Sé

maio 8, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 54: Christmas

Bob Dylan com café, dia 34: você pode esperar tudo de Bob Dylan, e ainda assim ele irá te surpreender. Repetindo uma diabrite (tida como provocação nas duas vezes) que havia feito pela última vez em 1970, quando lançou dois álbuns no mesmo ano, o enormemente achincalhado “Self Portrait” e o familiar (e elogiado) “New Morning”, Dylan colocou nas lojas em 2009 primeiro o bem recebido “Together Through Life” e, seis meses depois, o natalino “Christmas In The Heart”, em que acompanhado quase que pela mesma banda que gravara o disco anterior (David Hidalgo, do Los Lobos, novamente brilha) rememora cânones natalinos num álbum cuja renda deveria ser revertida para instituições de auxilio a sem tetos. A crítica do Guardian (que deu cinco estrelas irônicas) é hilária – “Costumava haver um consenso civilizado entre os jornalistas – talvez ainda haja, em alguns setores das artes – que obras em benefício de caridade estivessem isentas do processo normal de crítica. Desta forma, o crítico claramente não tem o direito de considerar começar sua resenha sobre este disco natalino de Bob Dylan com a célebre exclamação de uma única linha empregada por Greil Marcus sobre ‘Self Portrait’ na Rolling Stone em 1970: ‘Que merda é essa?’” –, mas, ainda assim, há uma beleza estranha nessas 15 canções de natal cantadas pelo vocal cada vez mais rouco de Bob. Houve uma época na música pop que disco natalino era uma febre e garantia de sucesso de vendas. Alguns deles se tornaram clássicos no século passado (como “A Christmas Gift For You From Phil Spector”, de 1963 e “Elvis Presley Christmas Album”, de 1957) e, neste século, muita gente ainda se aventurou no estilo (de Weezer a Aimee Mann, de She & Him a Cee Lo Green até Sufjan Stevens), mas absolutamente ninguém esperava isso de Bob. E o resultaldo é… divertido! “São seus vocais desequilibrados que tornam este disco de natal interessante e, de certa forma, apropriado”, provocou o Pitchfork. “É um aceno claro para as músicas que Dylan ama, um autorretrato muito melhor do que o ridículo lançamento dos anos 70”, comparou a BBC. “Essa é outra maneira de Dylan dizer que suas raízes estão em toda parte”, observou a Rolling Stone. Papai Noel e Bettie Page (e eu) curtiram.
maio 7, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 53: Together

Bob Dylan com café, dia 53: o 33ºálbum de estúdio de Bob nasceu de um acaso. O diretor francês Olivier Dahan pediu a Dylan uma música para seu novo filme, “A Minha Canção de Amor” (com Renée Zellweger e Forest Whitaker e que sairia só em 2010), e Bob decidiu trabalhar com Robert Hunter, letrista do Grateful Dead, com quem tinha composto duas canções em 1988 para o disco “Down In The Groove”. O resultado foi a canção “Life is Hard” (que Renée canta no filme – assista no final do post), mas a dupla se empolgou tanto que compôs mais um punhado de canções, permitindo a Bob pensar neste material como base de um vindouro novo disco. Nascia “Together Through Life”, o primeiro álbum de inéditas de Dylan desde “Desire” (1976) em que ele dividia a autoria da grande maioria das composições com um letrista convidado. Assumindo novamente a produção (com o codinome Jack Frost), Bob utilizou a banda que o acompanhava na Never Ending Tour acrescentando ainda o guitarrista Mike Campbell, dos Heartbreakers de Tom Petty, e David Hidalgo, líder da grande banda californiana Los Lobos, que fez em “Together Through Life” algo semelhante a que Scarlet Rivera havia feito em “Desire”: se lá ela havia conduzido as canções com seu violino, aqui Hidalgo tangencia os arranjos com seu acordeom dando ao álbum uma sonoridade de “blues do Sul dos Estados Unidos com tempero mexicano”, como descreveu David Fricke na Rolling Stone.
Lançado em abril de 2009, “Together Through Life” teve como primeiro single (com direito a clipe além de embalar trailer e um episódio da série “True Blood”), “Beyond Here Lies Nothin’”, que novamente surge inspirada em Ovídio transportando o poeta grego para um bar de beira de estrada tex mex. A busca desencontrada pelo amor é o tema que move as 10 canções, oito delas assinadas por Dylan/Hunter, uma acrescentando Willie Dixon à dupla (Bob sempre foi de não creditar suas “inspirações” de amor e roubo, mas com a família de Dixon é bom não brincar – Led Zeppelin que o diga) devido ao uso de “I Just Want to Make Love To You” no blues “My Wife’s Home Town”. Há bons momentos como “Forgetful Heart”, com banjo e acordeom e uma guitarra distorcida, mas o que dá o tom do disco são bons rocks ora acelerados (como a sarcástica “It’s All Good”), ora mais cadenciados (“Jolene”), ora mais bluesy (“Shake Shake Mama”), que se não alcançam o brilho dos três discos anteriores, também não comprometem. “Together Through Life” repetiu o feito de “Modern Times” (2005) e bateu no topo do ranking da Billboard. Mais: alcançou o número 1 também na Inglaterra, feito que Bob não tinha conseguido desde “New Morning”, de 1970. A edição deluxe do álbum trazia duas curiosidades deliciosas: um CD de um hora com o episódio “Friends & Neighbors” do programa de rádio Theme Time Radio Hor apresentado por Dylan (que seleciona canções de Howlin’ Wolf, Little Walter, Carole King e Rolling Stones, entre outros) mais um DVD com cerca de 15 minutos de um outtake do documentário “No Direction Home”, em que Dylan introduz Roy Silver, primeiro empresário do cantor (ainda que ele o defina como um picareta), que o levou para a agência Witmark, que será tema do próximo Bootleg Series, mas isso é assunto pra outro café.
maio 5, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 52: Tell Tale Signs

Bob Dylan com café, dia 52: Indo de vento em popa, as imperdíveis “Bootleg Series” de Bob chegaram ao seu 8º volume em outubro de 2008, quando a Columbia despejou nas lojas duas versões: um volume duplo, tradicional (com 27 faixas), e uma versão tripla com direito a CD extra (totalizando 39 canções) e um livreto lindo com as capas de todos os singles de Dylan lançados pelos quatro cantos do mundo. Desta vez, a série cobria o espaço do renascimento de Dylan no final dos anos 80 (com “Oh Mercy”, de 1989) estendendo-se até “Modern Times”, em 2006. Se a grande maioria do público, principalmente aqueles do esquecimento cultural a qual Bob relatava no livro “Crônicas”, ainda tinha Bob como um trovador folk da primeira metade dos anos 60, essa maravilhosa seleção de sobras luxuosas que levou o nome de “Tell Tale Signs – Rare and Unreleased – 1989/2006” coloca todos os pingos nos is cobrindo uma fase de 17 anos em que Dylan lançou dois discos de covers rurais e cinco discos de inéditas – ao menos três deles entre os melhores discos de toda a sua carreira: “Oh Mercy”, “Time Out of Mind” (1997) e “Modern Times” respondem pelo grosso do material (22 canções são sobras destes três discos) mostrando outras facetas de canções que acabaram nos álbuns em versões oficiais.
“Mississipi”, por exemplo, surge em três versões diferentes das sessões de Bob com Daniel Lanois para o álbum “Time Out of Mind”. Bob não ficou satisfeito com nenhuma das versões, e a regravou a sua maneira no álbum “Love and Theft” (2001), mas muitos dos fãs (eu incluso) acham que a versão guia, com Bob na voz e guitarra acompanhado de Lanois também na guitarra coloca no bolso a versão de “Love and Theft” (na verdade, as três versões deixam a oficial no chinelo – compare as versões nesta playlist que fiz no Spotify incluindo a de Sheryl Crow, que a gravou antes mesmo de Bob). O mesmo acontece com “Born in Time”, numa versão linda, que faz a oficial do álbum “Under The Red Sky” (1990) soar menor. Há versões alternativas elegantes de canções que Bob fez para trilhas de filmes no período (“Tell Ol’ Bill” para “Terra Fria”, 2005; “Huck’s Tune” para “Bem-vindo ao Jogo”, 2006; e “Cross the Green Mountain” – em versão longa – para “Deuses e Generais”, 2003), números ao vivo (“Tryin’ To Get To Heaven” no Wembley Arena, 2000; uma sensacional “High Water (For Charley Patton)” no Canadá, 2003; “Cocaine Blues” em Viena, 2003; “The Girl on the Greenbriar Shore” voz e violão em Dunkirk, 1992; e “Cold Irons Bound” no Festival Bonaroo 2004, entre outras) além de canções completamente inéditas como “Duncan And Brady”, “Red River Shore” e “Marchin’ To The City”, entre outras, que tiveram aqui enfim seu registro oficial. Saca um disco nota 10? É esse aqui (e ele é triplo!). Divirta-se.
maio 3, 2018 No Comments
Assista ao Scream & Yell Vídeos nº 79

2018 já tem grandes lançamentos em discos, livros e CDs. Nesta edição do Scream & Yell Vídeos, a de número 79, juntamos três lançamentos que merecem bastante destaque: o cantautor Gustavo Kaly apresenta a coletânea “Primavera Punk e Outras Estações de Falso Jazz”, um lançamento Morcego Records que compila trabalhos de Kaly com a Stuart, os Últimos Românticos da Rua Augusta e os Hospedes do Chelsea. Bacana demais. Já o DVD triplo “Uma Viajante Alma Paulistana” compila sete temporadas de causos contados e rememorados por Guilherme Arantes (que mostra clipes de época e mais de 90 versões inéditas). Já a cantora e compositora Badi Assad emociona em “Volta ao Mundo em 80 Artistas”, um livro em que ela escreve, de maneira pessoal e apaixonada, sobre 80 artistas de todo o mundo. Mais informações no vídeo abaixo! Confira!
maio 3, 2018 No Comments
Mais 10 festivais para 2018

Neon Desert Festival, em El Paso, Texas, EUA
Dias 26 a 27 de maio de 2018
Infos: http://www.neondesertmusicfestival.com/

Nelsonville Music Festival, Ohio, EUA
De 31 de maio a 03 de junho de 2018
Infos: http://nelsonvillefest.org/

Sonido 3 Música Instrumental & Experimental, Belém
Dias 01 e 02 de junho de 2018
Infos: https://www.facebook.com/serasgum/
Saiba como foi a edição 2017 do Festival Sonido no Scream & Yell

We Love Green Festival, Paris, França
Dias 02 e 03 de junho de 2018
Infos: http://www.welovegreen.fr/
Saiba como foi a edição 2014 do We Love Green no Scream & Yell

Field Trip 2018, Toronto, Canadá
Dias 02 e 03 de junho de 2018
Infos: http://fieldtriplife.com/

Northside DK 2018, Aarhus, Dinamarca
De 07 a 09 de junho de 2018
Infos: https://northside.dk/

LaureLive – Music With a Mission, Cleveland, EUA
Dias 09 e 10 de junho de 2018
Infos: https://www.laurelive.com/

Montebello Rock Fest, Montebello, Canadá
De 14 a 16 de junho de 2018
Infos: http://www.montebellorockfest.com/

Sónar Barcelona, Espanha
De 14 a 16 de junho de 2018
Infos: https://sonar.es/

Outside Lands, São Francisco, EUA
De 10 a 12 de junho de 2018
Infos: https://www.sfoutsidelands.com/
Confira o line-up de outros grandes festivais de música
maio 1, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 51: Live 1961-2000

Bob Dylan com café, dia 51: Não é fácil ser fã de Dylan. Sua discografia errática é composta por álbuns de estúdio de fácil alcance (ok, alguns nem tão fáceis assim), uma ampla série de bootlegs oficiais com edições deluxe raras (a do Vol. 12, por exemplo, conta com 18 CDs numa luxuosa edição limitada cujo preço flutua entre R$ 4 mil e R$ 9 mil!), uma interminável quantidade de álbuns piratas além de coletâneas oficiais que sempre oferecem uma nova mixagem permitindo maneiras diferentes de se olhar para uma mesma canção. Dentre estes itens raros vale destacar “Live 1961–2000: Thirty-Nine Years of Great Concert Performances”, uma coletânea oficial lançada pela Sony Music apenas no Japão em 2001 que compila 16 canções de Dylan em versões ao vivo durante quatro décadas. Dentre os registros, quatro são conhecidos: “I Don’t Believe You (She Acts Like We Never Have Met)”, ao vivo na Inglaterra, 1966, saiu no volume 4 das Bootlegs Series; “Knockin’ on Heaven’s Door” (1974) é a versão do álbum “Before The Flood”; enquanto “Shelter from the Storm” (1976) foi resgatada do álbum “Hard Rain” e a bela versão de “Slow Train” (1987) saiu do álbum de Dylan com o Grateful Dead.

Entre as raridades bacanas estão “To Ramona” (1965), outtake do filme “Don’t Look Back”; “It Ain’t Me, Babe” (1975) retirada da trilha sonora do filme “Renaldo & Clara”; uma versão de “Dignity” (1994) que ficou de fora das primeiras versões em CD do “Unplugged MTv”, e um cover de “Grand Coulee Dam”, que Dylan gravou com a The Band e saiu em “A Tribute to Woody Guthrie, Part 1”. Há, ainda, uma versão de “Born in Time” (1998), b-side do single “Love Sick”. Completam o álbum versões inéditas gravadas em Portsmouth, Inglaterra, 2000 (“Somebody Touched Me”, “Country Pie” e “Things Have Changed”), um take de “Cold Irons Bound” ao vivo em Los Angeles, 1997, e dois takes de início de carreira: o standart “Wade in The Water” foi retirado do cassete “Minnesota Hotel Tape 1961” (enormemente pirateado) enquanto “Handsome Molly” é um registro de uma apresentação no Gaslight, 1962, que foi lançado oficialmente (ainda que não integralmente) em 2005 numa parceria com o Starbucks. Uma das coisas bacanas deste álbum é permitir ao ouvinte passear pelas diversas fases de Dylan acompanhando a mudanças de voz, de sonoridade e temática. Um item caprichado!

abril 27, 2018 No Comments
Afghan Whigs no Scream & Yell Vídeos

Os Afghan Whigs são os meus Beatles, uma banda que reina soberana aqui em casa. No vídeo abaixo conto um pouco sobre os shows deles que vi e sobre as reedições bacanudas com faixas bônus que eles estão colocando no mercado. Assista.
abril 27, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 50: I’m Not There

Bob Dylan com café, dia 50: A chegada aos 60 anos, em 2001, abriu o coração de Bob para o mundo. Até então pouco se sabia da vida do mais importante intérprete e compositor da língua inglesa no século 20. Fofocas de amigos, boatos de bastidores, depoimentos em entrevistas, aparições na TV, tudo servia para moldar um Bob Dylan que poderia até estar longe da realidade, mas era o máximo que fãs, jornalistas e pessoas comuns conseguiam obter para tentar entender uma das personas mais geniais e controversas de nosso tempo. O verdadeiro Bob Dylan se escondia em algum recanto da alma de Robert Allen Zimmerman, um garoto nascido em Minnesota, neto de imigrantes judeus-russos. Em questão de cinco anos, Dylan abriu seu baú de memórias e começou a mostrar fotografias de seu passado para o grande público. Foi assim com o lançamento do livro “Down the Highway: The Life of Bob Dylan”, excelente biografia assinada por Howard Sounes, que chegou ao mercado em 2001 (no Brasil recebeu o nome de “Dylan: A Biografia”, ganhando edição pela Conrad). Na sequência, em 2004, vieram o volume 1 de “Crônicas” (uma quase biografia escrita pelo próprio Dylan que relembra o passado em textos curtos – edição nacional da Planeta) e o imperdível documentário para a TV “No Direction Home”, de Martin Scorsese (já disponível em DVD). As Bootleg Series pegaram embalo e os discos de inéditas colocaram Dylan nas paradas (até o filme “A Máscara do Anonimato”, de 2003, entra no pacote).
Em 2007 foi a vez de o diretor Todd Haynes contribuir com o mito: “I’m Not There” funciona como uma inteligente cinebiografia e é o mais próximo que o público já chegou de Bob Dylan em todos estes anos. O subtítulo do filme diz tudo: “Inspirado nas várias vidas de Bob Dylan”. Para isso, o diretor dividiu a persona do Dylan em seis personagens, e todos eles transitam à vontade. Seja o Dylan trovador folk dos primeiros anos interpretado por Christian Bale (que também interpreta o Dylan cristão); seja o Dylan revolucionário que mudou o mundo em 1965 interpretado por Cate Blanchett (que atuação, que mulher!); seja o Dylan menino interpretado por Marcus Carl Franklin; seja o Dylan do casamento em farrapos do álbum “Blood on The Tracks” interpretado por Heath Ledger; seja o Dylan apaixonado por Rimbauld interpretado por Ben Whishaw; seja o Dylan Billy The Kid interpretado por Richard Gere. E tem gente que dizia que Camaleão era David Bowie. Junto ao filme surgiu uma trilha sonora indie e épica com 33 versões de canções de Dylan por uma turma fodaça: Eddie Vedder canta “All Along The Watchtower” acompanhado de uma banda base que conta com Medeski no órgão Hammond, o baixista da Never Ending Tour Tony Garnier, o baterista Steve Shelley (Sonic Youth) e os guitarristas Tom Verlaine (Television), Lee Ranaldo (Sonic Youth), Nels Cline (Wilco) e Smokey Hormel (Beck, Adele, Norah Jones) – essa banda ainda irá tocar com Karen O (Yeah Yeah Yeahs) numa versão de “Highway 61 Revisited”, Tom Verlaine em “Cold Irons Bound” e Stephen Malkmus em “Ballad of a Thin Man” e “Maggie’s Farm”.
O Sonic Youth cadencia a faixa título (que ainda surgirá numa versão inédita bônus com Bob Dylan & The Band), o Yo La Tengo soa Velvet & Nico numa versão suave de “Fouth Time Around” enquanto Mark Lanegan coloca seu vozeirão com aromas de Bourbon a serviço de “Man in the Long Black Coat”. Jeff Tweedy causa arrepios numa versão linda de “Simple Twist of Fate” (a montagem abaixo com cenas de “Paris Texas” deixa tudo ainda mais dolorido). Num dos grandes momentos do filme, Charlotte Gainsbourg entrega toda delicadeza de “Just Like Woman” acompanhada pelo grande Calexico, que também faz a cama para Jim James (My Morning Jackett) levar o ouvinte pra roça numa versão comovente de “Goin’ To Acapulco”, para o Iron & Wine em “Dark Eyes” e para Willie Nelson em “Señor (Tales of Yankee Power)”. Há ainda Black Keys (“The Wicked Messenger”), Hold Steady (“Can You Please Crawl out Your Window?”) e uma sensacional Cat Power com uma sensacional versão de “Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again” além de Antony & The Johnsons carregando “Knockin’ On Heaven’s Door” de tudo que ela precisa: baldes de tristeza. De todos os tributos que Bob Dylan recebeu até hoje esse é, disparado, o melhor. Veja o filme, ouça o disco.
abril 26, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 49: Modern Times

Bob Dylan com café, dia 49: Cinco após “Love and Theft” (2001), seu último disco de canções inéditas chegar ás lojas, Bob estava novamente em estúdio. Desde “Time Out of Mind” (1997) que Dylan via sua fama atual crescer entre um público mais jovem e ainda que achasse que estava “no inferno do esquecimento cultural”, as paradas o desmentiam: “Time Out of Mind” bateu na 10ª posição dos discos mais vendidos da Billboard enquanto “Love and Theft” chegou no número 5. O documentário “No Direction Home”, de Martin Scorsese, havia jogado mais lenha na fogueira preparando o território para o segundo turning point de Dylan no novo século, apropriadamente chamado de “Modern Times” (2006). Da banda que o acompanhava em “Love and Theft” e na Never Ending Tour restava apenas o baixista Tony Garnier, mas o sucesso daquele disco, com produção assinada pelo próprio Bob (sob o codinome de Jack Frost), fez com que ele novamente assumisse a responsabilidade. Lançado em agosto de 2006, “Modern Times” levava a um novo patamar a discussão de “amor e roubo” do disco anterior roubando (por amor) velhos blues, rocks e countrys de eras passadas e os recriando com novos versos e adaptações melódicas.

Do alto de seus 65 anos, Bob lançava um disco que não era para a molecada dançar na balada urrando as letras (para isso existia um – ótimo – single do Killers) muito menos para ser ouvido enquanto se passa manteiga no pão no café da manhã. Dylan precisa de mais atenção. “Modern Times” é um disco de temática quase antagônica, falando sobre sexo e morte. E também sobre amor. E também sobre um mundo que está se desintegrando na frente dos nossos olhos. Será tudo a mesma coisa? É um disco para se ouvir em um bar acompanhado de luzes que se misturam com a fumaça de cigarro num balé melancólico. Seu autor ousa relembrar que mesmo tendo vivido mais de seis décadas de vida, o mundo continua um lugar imperfeito, solitário e vazio. Mas o próprio, em entrevista ao jornal USA Today, atestava que não há nada de nostálgico no álbum. Ele estava falando do agora, do tempo sombrio que estávamos, todos, vivendo (ainda estamos!). Uma de suas inspirações foi o poeta romano Públio Ovídio Naso, nascido 43 anos antes de Cristo (os livros “A Arte do Amor”, “Black Sea Letters”, “Tristia – Vol 2” e “Tristia – Vol 4” emprestam versos para o álbum).
“Thunder On The Mountain” abre o disco no formato rock clássico, com direito a guitarra solando e um interlocutor que gostaria de saber onde encontrar Alicia Keys. A mesma levada pode ser ouvida na suave “Someday Baby” (uma canção inspirada em Muddy Waters que rendeu a Dylan mais um Grammy) e na soturna “The Levee’s Gonna Break” (também roubada pelo Led Zeppelin no álbum “IV”), com Dylan cantando de forma direta nesta última: “Se continuar chovendo, o dique vai quebrar” (uma ponte com “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”). O bluezaço “Rollin’ and Thumblin” (com jeitão Robert Johnson de ser e também gravada por Eric Clapton em seu famoso discos “Unplugged MTv”) acelera em direção ao rockabilly. De sotaque jazz, “Spirit on the Water” fala de pesadelos. “Eu estou suando sangue”, diz a letra. “When the Deal Goes Down”, cujo clipe traz a musa Scarlett Johansson, é uma balada folk que não revela em sua levada a temática pesada da letra que procura um sentido em estar vivo, e diz a certa altura: “Nós vivemos e nós morremos, e não sabemos porquê”. O clima se acalma na suavidade de “Beyond the Horizon”, que imagina: “Além do horizonte é fácil amar”. Lembra o Rei Roberto em sua fase pós-Jovem Guarda dizendo que “Além do horizonte existe um lugar bonito e tranqüilo pra gente se amar”.
O clima volta a pesar na arrastada “Nettie Moore” e fica ainda mais sombrio em “Ain’t Talkin’”, faixa que encerra o disco com Dylan contando “que não há nenhum altar nessa estrada longa e solitária”. Dentre todas estas, a que merece maior atenção é “Working Man’s Blues #2”, canção que atualiza para os tempos modernos um velho country de Merle Haggard. Enquanto o original versava sobre como o trabalho comprara o espaço da diversão (na letra, após uma semana de batente e muito cansaço, o cara planeja sair para beber uma cerveja quando o pagamento chegar), “Working Man’s Blues #2” avança criticando não só esse capitalismo que vendeu um sonho e acabou, no fim, comprando a alma de todos, mas também suas conseqüências, entre elas a mais visível: a divisão do povo em ricos e pobres. “Working Man’s Blues #2” consegue ser ainda, do alto de seus seis minutos, uma belíssima canção de amor. O resultado: “Modern Times” foi (30 anos depois!) o quarto disco de Bob Dylan a bater no número 1 da Billboard (os outros: “Planet Waves”, de 1974; “Blood on The Tracks”, de 1975; e “Desire”, de 1976) rendendo a ele o raro título de artista mais velho a emplacar um álbum no topo das paradas norte-americanas. “Modern Times” também apareceu no topo de diversas listas de Melhores do Ano (a do Scream & Yell, inclusive – deixando Raconteurs, TV On The Radio, Cat Power e Sonic Youth para trás) e foi a base do show que Bob fez no Brasil em 2008. Bob Dylan nunca havia deixado o cenário da música pop, mas, para muitos, essa foi uma volta aos holofotes. E que volta.
abril 25, 2018 1 Comment

