Category — Cervejas
Opinião do Consumidor: Eggenberg
Localizado às margens do rio Alm, em Vorchdorf, no estado de Salzburg, região dos Alpes austríacos, o Castelo Eggenberg (fundado no século X) é a casa da cervejaria de mesmo nome desde o século XIV. De lá pra cá, sete gerações da família Stöhr vem fabricando algumas das melhores cervejas austríacas, entre elas o “coice de bode” Urbock 23º, a Mac Queens Nessie (com malte de uísque escocês) e os dois interessantes rótulos que integram este post: a Hopfenkönig e a histórica Samichlaus.
A levíssima Eggenberg Hopfenkönig (que, traduzindo, significa “Rei do Lúpulo” – e não qualquer lúpulo, mas um dos mais famosos, o de Saaz, de origem tcheca) pode enganar quem esperava encontrar uma cerveja altamente amarga: o frescor do aroma impressiona tendendo levemente ao frutado / maltado, mas o paladar surge bem balanceado entre amargor e dulçor, definindo-se pelo primeiro apenas no final, que fica marcado na garganta. A sensação final é de um amargor não pronunciado, mas presente, que surpreende em uma bela cerveja.
Já a particularíssima Samichlaus, a cerveja lager mais forte do mundo com 14% de graduação alcoólica (para comparar, as cervejas de balcão no Brasil tem entre 4,5% e 5%) começou a ser fabricada na Suíça pela cervejaria Hürlimann, que passou o rótulo para a Eggenberg em 2000. Primeiro fato que chama a atenção: a Samichlaus é fabricada apenas uma vez por ano, no dia 06 de dezembro, dia de São Nicolaus (Santa Claus ou… Papai Noel). Ela ainda é envelhecida por 10 meses antes do engarrafamento, o que a torna quase licorosa.
O aroma é bastante complexo com notas de malte tostado, madeira, mel, uvas, avelã, nozes e, claro, álcool, duelando pelo olfato. Já o paladar é extremamente maltado, com início extremamente caramelado e um final seco que deixa um rastro de álcool do céu da boca até a garganta. Este álcool desaparece alguns segundos depois, e um inesperado – e sensacional – dulçor de melado (com toques de avelã e nozes) marca presença. O álcool permanece imperceptível no conjunto de uma cerveja rara, indicada para momentos especiais.
Outra característica interessante da Samichlaus: ela não possui prazo de validade, pois continua maturando na garrafa – seu aroma torna-se mais complexo com o passar do tempo. As quatro Eggenbergs (leia sobre as outras duas – Urbock 23º e Mac Queens Nessie – nos links abaixo) são encontradas com facilidade em bons empórios com o preço da garrafa de 330 ml indo de R$ 9 (Hopfenkönig) até R$ 23 (Samichlaus) – a Urbock está na faixa de R$ 18 e a Nessie por volta de R$ 15 – e valem muito o investimento.
Eggenberg Hopfenkönig
– Produto: Pilsen
– Nacionalidade: Austriaca
– Graduação alcoólica: 5,1%
– Nota: 3/5
Samichlaus
– Produto: Strong Lager
– Nacionalidade: Austriaca
– Graduação alcoólica: 14%
– Nota: 4,05/5
Leia também:
– Urbock 23%: Medalha de prata em 2008 do Word Beer Cup (aqui)
– Mac Queens Nessie, uma cerveja com malte escocês (aqui)
março 15, 2012 No Comments
Quatro cervejas da Casa Piacenza
Localizada no Vale do Paraopeba, ao lado de Belo Horizonte, a pequena cidade de Brumadinho, com pouco mais de 34 mil habitantes, cravou seu nome na cultura nacional com o surgimento do parque e museu Inhotim, uma obra tão fascinante quanto sonhadora. Porém, a cidade também produz cerveja artesanal, através da Casa Piacenza, localizada no Distrito de Aranha, que fabrica quatro rótulos cujo destaque é a ótima Jabuticaba Beer (o Inhotim também fabrica uma cachaça de jabuticaba: qual é a da cidade com a fruta?).
O certo seria começar pelas tradicionais, depois partir para a exótica, mas quem diz que a curiosidade deixa. Assim, a primeira garrafa aberta foi a Jabuticaba Beer: o aroma da fruta é intenso, cítrico e adocicado, e não deixa espaço para mais nada. Não espere algo diferente do paladar. O gosto da jabuticaba domina e em combinação com malte e lúpulo fica ácido, amargo e licoroso. Lembra muito uma sidra. O final é adocicado, com a jabuticaba marcando presença de forma intensa. Palmas: eis uma interessantíssima fruit beer nacional.
A Piacenza Weiss não lembra em quase nada uma weiss tradicional. Apesar de manter a mesma coloração (um amarelo denso), seu líquido é mais ralo do que o das famosas representantes do estilo. No aroma, as notas clássicas de banana são quase imperceptíveis, com um tom cítrico deixando uma marca muito mais profunda. O cítrico (semelhante ao da Jabuticaba Beer) também comanda o paladar e onde nos acostumamos a presenciar banana e cravo há abacaxi e limão numa cerveja que parece pouco balanceada.
Então chega a vez da Piacenza Pale Ale, que assim com a versão Weiss da casa de Brumadinho, não segue os preceitos do estilo. A começar pela cor, dourada, que a aproxima das lagers. O aroma, assim com as duas anteriores, carrega no cítrico, com malte e lúpulo mais presentes do que em suas duas companheiras (mas ainda assim bastante tímidos). O paladar é totalmente cítrico, e faz questionar se a cerveja ainda está na validade: março de 2012. Não há nada de Pale Ale nela. A impressão, aliás, é de uma lager feita no mesmo barril da Jabuticaba Beer.
Fechando o lote, a Piacenza Escura faz bonito. O malte torrado já dá o tom dessa caprichada stout mineira assim que você abre a garrafa, e os aromas de chocolate e café bailam pelo ambiente. O paladar – mais aguado que, por exemplo, o de uma Murphy’s Stout, e menos intenso do que a premiada Colorado Demoiselle – segue as notas prenunciadas pelo aroma, com o álcool marcando presença em meio ao café e ao chocolate (amargo e ao leite ao mesmo tempo). Ainda precisa de uma calibrada, mas está no caminho certo.
Há muito pouca informação sobre a Casa Piacenza. As quatro garrafas deste post foram compradas em uma lojinha de cachaças do Mercado Municipal de Belo Horizonte (que merece uma visita especial) ao preço de R$ 9,90 cada, e me lembro de tê-la encontrado no Uaiktoberfest, em Nova Lima (também em Minas Gerais), mas nenhuma indicação confirma localização para compra-las. Há um blog ainda não atualizado (aqui), e quem tiver mais informações, compartilhe conosco. Vale a pena conhece-la.
Jabuticaba Beer
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,31/5
Piacenza Weiss
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 2,40/5
Piacenza Pale Ale
– Produto: Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 2/5
Piacenza Escura
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Tops dos 14 dias em Minas Gerais, por Marcelo Costa (aqui)
– São João Del Rey e o inesquecível Inhotim, por Mac (aqui)
março 7, 2012 No Comments
Opinião do Consumidor: Damm
Uma das principais cervejarias espanholas (e catalãs), a Damm abriu as portas em 1876, quando o mestre cervejeiro Joseph Damm se instalou em Barcelona e começou a produzir aquela que seria a principal representante da marca, a Estrella Dourada (agora Estrella Damm). A vedete dos dias de hoje é a premiadíssima Voll-Damm Doble Malta, mas eles ainda produzem um cardápio vasto das quais vale citar, além das três abaixo, a Bock Damm, a Estrella Damm Inedit (criada pelo chef Ferran Adrià) e a popular (na Espanha) Xibeca.
Carro chefe da cervejaria catalã, a Estrella Damm lembra muito as american lagers brasileiras de balcão, e suas principais características, assim com nas nacionais, são a leveza e o fato de ser refrescante, ou seja, apropriada para ser bebida no verão e em grande quantidade. O aroma é marcado por cereais não maltados (arroz, milho e o próprio malte, todos presentes na formulação) enquanto o lúpulo bate ponto de amargor. Ótima… para se beber em terras espanholas. Por aqui vale ficar com as nacionais (principalmente pelo preço).
A premiada Estrella Damm Daura foi uma das primeiras cervejas sem glúten, ou (no caso da Daura) com baixa concentração de glúten (menos de 6 ppm) disponíveis no Brasil. Num primeiro momento, não há nenhuma diferença perceptível entre a versão tradicional e a Daura, o que já é uma boa notícia. O aroma é de uma lager típica e o paladar é levemente amargo, com manda o figurino. O final, no entanto, é mais adocicado que a Estrella Damm tradicional, marcado a garganta e o céu da boca. Opção interessante para os celíacos.
Já a Weiss Damm é a boa tentativa catalã de emular a escola clássica de cerveja de trigo alemã, da qual a Weihenstephaner é a principal (e sensacional) representante. O aroma segue a tradição com um pouco de cravo, outro tanto de banana e floral além de um pouco de mel e álcool (o que lhe confere um tom metálico). O paladar, mais águado e menos adocidado que o normal, traz algo de frutado (tutti-frutti) e de casca de laranja, mais as notas de banana e cravo. Um bom conjunto que se encerra em um final seco, doce e bem sugestivo.
Importadas pela BrazilWays, as Damm ainda estão chegando ao País com preços não tão competitivos pelo que oferecem. A Estrella Damm pode ser encontrada entre R$ 7 e R$ 9, muito acima de várias marcas nacionais próximas. A Weiss Damm trabalha na mesma faixa e a Daura, um pouco mais acima, entre R$ 14 e R$ 16. São cervejas interessantes para serem consumidas na Espanha, mas que aqui só vale realmente o investimento se for o caso da recomendadíssima Voll-Damm.
Ps. Vale ver a propaganda abaixo, com o chef Ferran Adrià, e a frase da campanha: “às vezes o normal pode ser extradionário”. Eles sabem que suas cervejas são normais… mas podem ser especiais.
Teste de Qualidade: Estrella Damm
– Produto: Lager
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 4,6%
– Nota: 2,50/5
Teste de Qualidade: Estrella Damm Daura
– Produto: Lager
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 2,35/5
Teste de Qualidade: Estrella Damm Daura
– Produto: Lager
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 2,56/5
Leia também
– Bock Damm, uma cerveja bem gostosa e leve (aqui)
– Top Ten Cervejas Européias Viagem 2008: Voll-Damm (aqui)
– Voll-Damm, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza (aqui)
– Weihenstephan Brewery, mil anos de tradição cervejeira (aqui)
fevereiro 26, 2012 No Comments
Quatro cervejas do Mestre das Poções
O Mestre das Poções é uma cervejaria artesanal de Araras, no interior paulista, que produz cervejas seguindo a orientação das fases lunares, que define o comportamento de cada poção. “Procuramos fazer nossas cervejas durante eventos astronômicos específicos”, explica o site oficial, e a produção fica entre 60 e 120 litros, resultando em um número de 100 até 200 garrafas (todas numeradas). Há ainda um interessante guia em cada um dos rótulos (tudo explicado aqui), que amplifica a busca da cervejaria pelo modo artesanal de se produzir cerveja: eles não só valorizar um modo humanista de se preparar uma bebida, mas também de viver.
Segundo o site oficial, a Poção da Lua Nova foi a versão mais desafiadora para o Mestre das Poções. “A influência da Lua Nova é traiçoeira e cruel, é necessária muita atenção e cuidado no processo alquímico”, explica. Produzida em 2011 (garrafa 51 de um lote de 106), essa poção é uma cerveja escura que lembre levemente uma stout, mas está mais para uma bock encorpada: aroma de malte torrado remetendo a café e chocolate, mas leveza no paladar com o lúpulo marcando a garganta de forma interessante. Final tostado e bem suave. É, nas palavras do mestre, uma cerveja de “iluminação pessoal e liberdade de expressão”. Beba umas três dela pra você ver.
A Poção de Cura, por sua vez, teve que ser retirada do cardápio da cervejaria após uma reportagem do Fantástico que apontava produtos que prometiam um bem, sem cumpri-lo. “Em nenhum momento foi prometido efeitos medicinais”, explica texto no site oficial. Ainda assim, a cervejaria optou por alterar o nome da cerveja, que passou a se chamar Poção da Lua de Mel. A minha garrafa, no entanto, é pré-reportagem, número 105 de um lote de 220 fermentado na lua crescente. O malte de caramelo marca o aroma com bastante simplicidade. O paladar, também simples, é mais adocicado e até um pouco aguado. Lembra uma Pilsen Premium, um tiquinho mais caprichada (natural).
Terceiro rótulo do Mestre das Poções, a Poção de Trigo da Lua Cheia (garrafa 73 de um lote de 97 fermentado na lua cheia) segue o caminho proposto pela Bodebrown Hop Weiss, uma mistura de malte de cevada com malte de trigo que elimina a característica tradicional de uma weiss deixando-a mais encorpada, translucida e caramelada. “Consideramos uma ale com trigo”, explica um texto no site. O aroma é interessante: floral, com algumas notas de caramelo e uma sugestão de anis. O paladar não entrega o que o aroma promete, pendendo para um leve amargor que remete a cravo e biscoito. Ainda assim, o final é interessante.
Para fechar, a Poção do Rubor da Menina (garrafa 102 de um lote de 108 fermentado na lua minguante). “É surpreendente encontrar aromas doces e sedutores”, avisa o site oficial, referindo-se as especiarias que aproximam o conjunto da escola red ale. Ainda assim, o aroma é suave, com leve sugestão de malte, figo e pão. O paladar é picante, com as especiarias mostrando serviço ao lado do malte de caramelo, da boa presença de lúpulo, notas de frutas vermelhas e, também, de álcool, bem inserido no contexto. Com graduação alcoólica de 5% a 7%, a Poção do Rubor da Menina é um dos destaques da cervejaria. O final é terroso e interessante.
Além das cervejas, o Mestre das Poções também produz Hidromel, uma bebida alcoólica fermentada à base de mel e água. Os rótulos da cervejaria ainda não estão disponíveis no mercado, mas é possível fazer pedidos pelo site oficial (aqui). As quatro acima foram compradas no Beer Experience I, em São Paulo, ao preço de R$ 15 cada garrafa de 600 ml. São cervejas boas e interessantes pelo contexto que proporcionam (ainda mais se você curtir a ideia toda). Nenhuma delas irá proporcionar um eclipse (ok, depende do quanto você beber) nem trazer a pessoa amada, mas são boas companheiras para beber lendo o horóscopo ou admirando o por-do-sol.
Poção da Lua Nova
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 5% e 7%
– Nota: 3,02/5
Poção de Cura
– Produto: American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 4% e 5%
– Nota: 2,85/5
Poção de Trigo da Lua Cheia
– Produto: Hop Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 5% e 7%
– Nota: 3,05/5
Poção do Rubor da Menina
– Produto: Red Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 5% e 7%
– Nota: 3,08/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
fevereiro 21, 2012 No Comments
Da Bélgica: Leffe Bière de Noel e Leffe 9º
Quatro rótulos mais conhecidos da conceituada Abadia de Leffe já passaram por aqui (as excelentes Leffe Blond, Leffe Brown, Leffe Radiuse e Leffe Tripel) e agora é a vez de outras duas representantes menos comuns (mas tão boas quanto) da cervejaria belga provocarem o paladar: a afrancesada e natalina Leffe Bière de Noël (também conhecida como Kerstbier) e a adocicada e alcoólica Leffe 9º.
A Leffe Bière de Noel é sazonal e, como o próprio nome entrega, especial para festas natalinas. Extremamente condimentada, o aroma é uma mistura de especiarias (notadamente cravo e pimenta do reino) com amêndoas, caramelo e… areia. O paladar é dulcíssimo (até demais) com leves pitadas de amargor que fazem com que seus 6,6% de graduação alcoólica desapareçam (mas o álcool está ali… cuidado). Uma bela cerveja indicada para acompanhar bons queijos e, segundo o site oficial, magret de pato.
A versão 9º da Leffe é uma cerveja de alta fermentação que replica várias características de outros rótulos da cervejaria: o aroma aerado e condimentado devido a especiarias, uma das principais marcas da Leffe, marca presença de forma densa e esconde os 9% de álcool. Há ainda algo de malte de caramelo. Diferente das outras Leffe, porém, o álcool aparece no paladar, de forma delicada, mas presente. Ele está ali de mãos dadas com o malte de caramelo em uma cerveja leve (apesar da alta quantidade de álcool) que começa adocicada e termina do mesmo jeito (com final marcado por pêra e banana).
Em alguns momentos, a Leffe 9º lembra a brasileira Wäls Quadruppel, que, no entanto, é um pouco mais picante (devido a cachaça e a seus 11% de graduação alcoólica). O exemplar belga é mais licoroso e comportado, mas ainda assim bastante interessante. Com estas duas cervejas da família Leffe chegamos a seis rótulos faltando ainda a Leffe Ruby (uma fruit beer de framboesa) e a sazonal Printemps (que circula no verão europeu). Calma que a gente chega lá.
Por ser sazonal, a Leffe Bière de Noel costuma ser encontrada no mercado entre outubro e fevereiro, mas sua validade extensa (essa garrafa da foto era válida até junho de 2013) permite que ela esteja na prateleira durante vários meses. Porém, tanto ela quanto a 9º não são encontráveis com tanta facilidade em supermercados no Brasil sendo mais indicado procura-las em sites como o Clube do Malte e/ou empórios. O preço (no Brasil) é mais puxado: entre R$ 17 e R$ 20.
Leffe Bière de Noel
– Produto: Speciality
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,6%
– Nota: 3,51/5
Leffe 9º
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 9%
– Nota: 3,92/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leffe Blond, Brown, Radiuse e Tripel, por Mac (aqui)
fevereiro 6, 2012 No Comments
De Curitiba, três cervejas da Bodebrown
Primeira Cervejaria Escola do Brasil, fundada em 2010, a curitibana Bodebrown vem ganhando destaque merecido desde que Samuel Cavalcanti transformou sua cervejaria em uma “casa da cerveja”, tendo ensinado mais de 400 pessoas a produzir cerveja, e comercializando todo o material necessário para a produção de cerveja artesanal. Além de apoiar a cultura cervejeira, a Bodebrown é responsável por três rótulos de altíssima qualidade: a Bodebrown Hop-Weiss, a IPA Perigosa e a premiada Wee Heavy.
A Bodebrown Hop Weiss surpreende aqueles que esperavam uma Weiss tradicional: a mistura de malte de cevada com malte de trigo, junto ao lúpulo de amarillo, faz a cerveja ficar translúcida. As tradicionais notas de banana desaparecem dando lugar a tons cítricos que remetem principalmente a maracujá, e valorizam o malte. No paladar ela surge adocicada e aconchegante, com o maracujá novamente batendo ponto até o final… suave (e quase nenhum amargor). Eis uma cerveja refrescante e saborosa.
Já a versão Imperial IPA da Bodebrown, carinhosamente chamada de Perigosa (ex-Venenosa), não brinca em serviço: é uma cacetada de lúpulo presente já no aroma, intenso, bem balanceado entre o cítrico (limão) e o adocicado (caramelo). A brincadeira não para por ai: no paladar, o lúpulo carregado causa um forte amargor, característico do estilo norte-americano, mas vai se aconchegando entre notas cítricas e carameladas até seu final, complexo e nada alcoólico (apesar dos 9,2% de graduação). Um tesouro.
O rótulo da Wee Heavy, medalha de ouro na 18ª edição do Mondial de la Biére, em Montreal, no Canadá, avisa: “O ponto central desta receita é o malte”. A inspiração é uma velha receita de monges beneditinos de terras escocesas datada de 1719. O aroma segue a indicação do rótulo, com malte em destaque e variações de tostado que abrangem café, caramelo e chocolate. O paladar carrega um dulçor alcoólico que encanta aliado às variações tradicionais do aroma. O final é seco com uma leve lembrança de caramelo. Puro ouro.
Bodebrown Hop Weiss
– Produto: Hop Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,22/5
Bodebrown Perigosa
– Produto: Imperial IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 9,2%
– Nota: 3,82/5
Bodebrown Wee Heavy
– Produto: Strong Scoth Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 3,94/5
Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
janeiro 31, 2012 1 Comment
Opinião do Consumidor: Schlenkerla

O estilo Rauchbier elenca um tipo de cerveja produzido a partir de malte defumado. O malte de cevada era seco com a fumaça (rauch) de um forno, e mesmo com a industrialização, duas cervejarias da cidade de Bamberg, na Alemanha (a Schlenkerla e a Spezial), mantém o método tradicional que resulta em um conjunto intenso e bastante particular, recomendada para pessoas de paladar forte.
A cervejaria Schlenkerla produz rauchbiers desde 1678 e o carro chefe é a versão Marzen. O aroma traz a marca do malte defumado intensamente presente, desdobrando-se em algo que remete a molho barbecue e bacon. Causa estranheza no começo, mas siga em frente. O paladar, amargo e intenso, lembra café forte, torrefação, chocolate amargo e… churrasco. O malte defumado gruda na garganta de tal forma que o final é prolongado e permanece um bom tempo.
A versão Weizen junta o malte defumado com dois tipos de malte de trigo (estes não defumados). A expectativa era de que ela soasse menos defumada, mas o aroma é carregado de algo que lembra… bacon. E peito de peru. O trigo aparece sutilmente (principalmente quando a cerveja é bebida em temperatura ambiente, mais apropriada). O paladar, sem fazer drama, é isso tudo: bacon, peito de peru, fumaça, churrasco. Aliás, num churrasco ela deve ser absolutamente imbatível.
Além da Marzen e da Weizen, a Schlenkerla produz uma versão Urbock Rauchbier. São cervejas bem particulares que me parecem impensáveis sem um acompanhamento, e vale muito a dica de harmonizações do Brejas (que tal com uma pizza de calabreza? Veja aqui). São cervejas intensas e que melhoram com o tempo no copo (ao contrário das nossas, que ficam terríveis quando esquentam).
Interessante a descrição em um site: “O conhecedor toma esta cerveja devagar, mas com persistência e objetividade. Ele sabe que o segundo copo é mais gostoso que o primeiro, e que o terceiro é mais gostoso que o segundo”. Crie coragem.
Teste de Qualidade: Aecht Schlenkerla Rauchbier Weizen
– Produto: Rauchbier
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3/5
Teste de Qualidade: Aecht Schlenkerla Rauchbier Marzen
– Produto: Rauchbier
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3/5
dezembro 17, 2011 No Comments
Da Argentina, três cervejas da Antares
No final dos anos 90, três amigos de faculdade (dois caras e uma garota) decidiram abrir um pub num velho galpão em Mar Del Plata, na Argentina, oferecendo cerveja artesanal. O nome homenageava uma estrela gigante e vermelha, a 16ª mais brilhante do céu, e, 13 anos depois, a Antares se tornou a maior micro-cervejaria portenha, com sete rótulos no cardápio (e uma produção mensal de 45 mil litros).
Segundo o site oficial, a cervejaria argentina buscou na Antares Porter seguir o “clássico estilo inglês”. O aroma, marcado pelo malte tostado, remete a chocolate e café. O paladar segue o aroma: começa adocicado (caramelo e chocolate) e no final sugere um leve amargor, que permanece durante um bom tempo (o malte tostado faz o serviço). É uma cerveja simples, sem muitas nuances, que parece rala e aguada demais. Apenas ok.
A versão Imperial Stout leva à frente aquilo que a Antares Porter promete, mas não cumpre: o aroma é muito mais carregado de notas de chocolate, café e mel (o último, bastante presente). O paladar, ainda que amargo, também é comandado pelo mel, com chocolate e café presentes (e uma alfinetada de álcool – são 8,5% de graduação alcoólica levemente perceptíveis) do inicio ao fim. Melhor que a Porter, mas ainda assim, apenas ok.
Fechando esse primeiro lote da micro-cervejaria argentina, a poderosa Antares Barley Wine (10% de graduação alcoólica) mostra bastante personalidade. O melaço já se faz presente no aroma extremamente maltado (como uma boa Barley Wine) e um tiquinho frutado – e, claro, alcoólico. No paladar, o malte dá as cartas enquanto mel e o amargor do lúpulo fazem um fundo interessante. O final é amargo e seco de uma ótima cerveja.
A Antares está sendo distribuída no Brasil pelo Clube do Malte, de Curitiba, que ainda comercializa molho e geleias feitos à base de cerveja pelos argentinos. Visitando o país, vale conferir no site da cervejaria os endereços dos Pubs Antares (Buenos Aires, Bariloche, La Plata, Mendoza e, claro, Mar Del Plata), afinal, tirada de torneira, ela será uma experiência ainda melhor.
Teste de Qualidade: Antares Porter
– Produto: Porter
– Nacionalidade: Argentina
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 2,20/5
Teste de Qualidade: Antares Imperial Stout
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Argentina
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 2,77/5
Teste de Qualidade: Antares Barley Wine
– Produto: Barley Wine
– Nacionalidade: Argentina
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 2,91/5
Leia também:
– Schmitt, uma ótima Barley Wine gaúcha, por Marcelo Costa (aqui)
– Monster Ale, a Barley Wine da Brooklyn, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 15, 2011 No Comments
Da Bélgica, quatro cervejas Leffe
A Abadia de Notre-Dame foi fundada em 1152 à beira do rio Meuse, na província de Namur, no sul da Bélgica. Nessa época, os monges fabricavam cerveja porque ela ajudava a impedir que epidemias tifóides e outras se espalhassem através da água contaminada, já que a esterilização durante sua fabricação impedia a contaminação. Em 1200, os monges decidiram mudar o nome do mosteiro para Abadia de Leffe.
Cerveja, cerveja mesmo, só foi aparecer na Abadia em 1240 (segundo os registros históricos), mas a Abadia sofreu várias intempéries através dos anos: uma enchente em 1460, um incêndio em 1466, tropas a danificaram em 1735 e durante a Revolução Francesa, em 1794, os monges tiveram que abandoná-la. A fabricação de cerveja continuou em uma escala menor até 1809, quando foi interrompida completamente.
Os monges só retornaram para a Abadia em 1902, e em 1937 a Abadia de Leffe foi declarada patrimônio histórico (é possível visita-la. Veja aqui). Em 1952, os monges firmaram aquele que é conhecido como um dos primeiros contratos de royalties entre um mosteiro e uma cervejaria comercial, aumentando o alcance das cervejas Leffe, que passaram a integrar posteriormente o cast da toda poderosa InBev.
A receita tradicional é a mesma desde 1240, dizem, e é difícil discordar, já que estamos diante de uma cerveja bastante particular e especial. Atualmente são nove os rótulos produzidos/distribuídos pela Abadia (contando as sazonais) e três deles estão sendo trazidos ao Brasil pela AmBev: dois, Blond e Brune, desde 2009, e o terceira, a paulada Radieuse, a partir de 2011.
A Leffe Blond é o carro-chefe da Abadia, avisa o site oficial. O aroma já prenuncia o que vem pela frente: malte, cravo, especiarias, frutado, floral e adocicado conquistam o olfato. O paladar segue o aroma: o cítrico lembra casca de laranja, as especiarias tocam o céu da boca levemente, o malte arranja um espaçinho pra chamar de seu, o lúpulo está ali, levemente amargo, mas o final é impressionantemente doce e suave. Uma pequena obra-prima, personal e delicada. Mas cuidado: são 6,6% de álcool imperceptíveis.
A Leffe Brown segue o padrão de qualidade da versão loira. A diferença, óbvia, é que o malte torrado valoriza as notas de café e chocolate eliminando as especiarias. O aroma parece o da Blond sem o cravo, o floral e o frutado. No paladar ela sugere mais doçura que sua irmã loira, embora o amargor, ainda que leve, marque mais presença. O malte surge em primeiro plano, caramelado, dançando com o álcool, imperceptível, que evita um dulçor excessivo. O final adocicado abre apenas uma breve fresta para o lúpulo.
Com 8,2% de graduação alcoólica e recomendação de bebê-la na compania de carnes de sabor forte (como vitela e pato) e pratos condimentados e/ou apimentados, a Leffe Radiuse traz em sua composição cravo e semente de coriandro (especiaria da Ásia e norte da África). O aroma irresistível até lembra um pouco a versão Blond (uma mistura arrebatadora de cítrico com especiarias), mas a coisa pega no paladar, mais alcoólico, melado e… saboroso. Malte e lúpulo aparecem mais junto ao cravo, marcante, que sugere uma picancia que fica até o final, levemente amargo. Para ocasiões especiais.
Ainda mais forte que a Radiuse, a Leffe Tripel é apresentada no site oficial como “robusta”, o que sem dúvida a resume bem. Sua fermentação alcança a graduação alcoólica de 7%, que sobe para 8,5% quando refermentada na garrafa. O aroma é forte e lembra algo de biscoito (há fermento e milho entre os ingredientes) assim como um frutado intenso e algo de picante e maltado. O paladar é espesso, cítrico e maltado com um amargor leve, que toca o céu da boca – e fica até o final. Ainda há algo de coentro, álcool, abacaxi e defumado nesta boa cerveja, que, no conjunto, fica devendo para as outras da casa.
Além destas quatro representantes acima, a Abadia de Leffe tem em seu catálogo a Leffe Ruby (de framboesa) e a Leffe 9º (um strong ale poderosa) além das sazoanais Leffe Vieille Cuvée (8,2% caprichados e mais bem inseridos que na Tripel), Leffe de Printemps (6,6% para o verão) e a natalina Leffe Bière de Noël (6,6% carregado de especiarias).
Das nove cervejas deste post, as três primeiras (Blond, Brown e Radiuse) são facilmente encontradas a preços excelentes (entre R$ 4,50 e R$ 7) em supermercados, empórios e cervejarias por importação da InBev (vale dar uma olhada no Empório da Cerveja Submarino). As demais vale agendar uma visita a Bruxelas e beber por lá.
Leffe Blond
– Produto: Blond Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,6%
– Nota: 3,75/5
Leffe Brown
– Produto: Dubbel
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,75/5
Leffe Radiuse
– Produto: Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,2%
– Nota: 3,81/5
Leffe Tripel
– Produto: Tripel
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3,60/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 11, 2011 No Comments
EUA: duas cervejas da Brooklyn (parte 3)

Para comemorar datas especiais, muitas cervejarias criaram rótulos únicos para atender ao consumo do público em determinado período do ano. Como exemplo, duas “october’s seasonals” (como avisa o marketing aqui) da Brooklyn chegam ao Brasil para ampliar a paixão por esta cervejaria altamente personal de Nova York: a Brooklyn Oktoberfest (com rótulo diferente do ano passado) e a Post Road Pumpkin Ale (outras duas sazonais – Black Chocolate Stout e Monster Ale – já foram lançadas aqui restando apenas as versões Summer e Winter Ale, ainda inéditas no Brasil).
A bela versão Oktoberfest da cervejaria novaiorquina paga tributo à Bavária usando dois tipos de lúpulos (um floral, outro amargo) e maltes alemães – de Munique e Bamberg. O resultado é uma Marzen Beer de cor alaranjada escura e forte presença de malte – mas nem tanto. No aroma, o malte ganha fácil deixando algo de caramelo e um leve cheiro de tempero. No paladar, o caramelo volta a entregar a boa presença de malte, mas o lúpulo marca o final com um leve e gostoso amargor. No entanto, falta ao conjunto algo – talvez adocicado ou de tempero – que marca as cervejas Brooklyn.
Já a Post Road Pumpkin Ale é, como o nome e o rótulo entregam, uma cerveja com abóbora. E não é pouca: centenas de quilos de abóbora são triturados e misturados durante o cozimento do malte – que busca extrair os açúcares necessários à fermentação da cerveja. Ou seja, doce a Pumpkin Ale não é. Os maltes são norte-americanos, belgas (aromáticos) e ingleses. O lúpulo, também nacional (ou seja, Garrincha, norte-americano). Há, ainda, o acréscimo de especiarias tornando a Pumpkin Ale uma cerveja bastante particular.
O aroma, assim que a garrafa é aberta, é puro abóbora. Sabe o doce que a vovó fazia? Aquilo. Há, ainda, a presença de malte e algo que remete a nóz moscada. O paladar, numa confusão de sabores, é um duelo entre o malte e a abóbora, e quem sai vencedor é o conjunto, que honra a marca Brooklyn. A nóz moscada retorna acompanhada de cravo (bem distinguível) e canela (será a lembrança da infância?) e mesmo o amargor do lúpulo é bastante suave frente a um leve sabor picante que toca o céu da boca deixando no final um rastro de cravo e abóbora. Sensacional.
A versão Oktoberfest surgiu da tradição alemã. Quando Ludwig, herdeiro da coroa da Bavária, quis celebrar seu noivado em 1810, fez um festival de cervejas, e tanto o festival quanto as cervejas ficaram conhecidos como Oktoberfest. Já a Post Road Pumpkin Ale remete aos primeiros colonizadores que chegaram ao Novo Mundo, e frente a fartura de abóbora, decidiram introduzir o novo ingrediente na fórmula da cerveja que traziam da Europa. Nascia assim uma cerveja extremamente particular, que a Brooklyn homenageia.
A Post Road Pumpkin Ale é produzida de agosto a novembro enquanto a Oktoberfest, honrando o nome, é fabricada apenas durante o mês de outubro. Os dois rótulos, lançados no Brasil no festival Wikibier, em Curitiba (22/10), e ainda podem ser encontradas em bons empórios e distribuidores ao preço de R$ 14,50 a garrafa de 330 ml (mais cara que as Brooklyn tradicionais, entre R$ 7 e R$ 10, e mais em conta que as versões Black Chocolate Stout e Monster Ale, em torno de R$ 21). São cervejas curiosas para momentos especiais. Agora só falta chegar ao Brasil a excelente Brooklyn Pennant Ale, uma delícia.
Brooklyn Oktoberfest
– Produto: Marzen
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,07/5
Brooklyn Post Road Pumpkin Ale
– Produto: Pumpkin Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,29/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Brooklyn Monster Ale e Black Chocolat Stout (aqui)
– Brooklyn Lager, Brown Ale e India Pale Ale (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
outubro 30, 2011 No Comments














