Bruce Springsteen: “Born To Run”, 1975/2025

Em 1973, Bruce havia lançado dois álbuns (um em janeiro, outro em setembro), e só obtivera elogios da crítica. O fracasso comercial dos dois discos fez com que Bruce decidisse dedicar um tempo maior àquele que seria seu terceiro álbum. A longa espera (14 meses – seis deles gastos apenas na lapidação da faixa título) fez com que seu produtor até então, Mike Appel, abandonasse o barco. Para o lugar, Jon Landau, jornalista da Rolling Stone, foi chamado, e levou Bruce para um estúdio melhor, o Record Plant. Se seus dois primeiros álbuns são exemplos de um artista caminhando no deserto em busca de sua musicalidade – com influências devotas e explicitas de Bob Dylan, Van Morrison e The Band –, “Born To Run” é Bruce alcançando a Terra Prometida. Sob uma base de gaita e piano, “Thunder Road” abre o álbum com o interlocutor observando sua Mary dançando uma canção de Roy Orbison, e a convida para fugir com ele: “Está é uma cidade cheia de perdedores e eu estou pulando fora daqui para vencer”, diz a letra de uma das melhores canções de abertura de um álbum na história. O single “Tenth Avenue Freeze-Out”, a explosão de “Night” e a grandiosidade dos arranjos de “Backstreets” e “She’s the One” são exemplos práticos do avanço de Bruce em relação aos álbuns anteriores (principalmente na produção), mas é com “Born To Run”, a poderosa faixa título (ainda produzida por Mike Appel no mesmo estúdio tosco dos dois primeiros álbuns), que ele alcança seu melhor resultado como cronista de uma juventude perdida em meio ao sonho americano. Ouro puro. Outro clássico inconteste: “Jungleland”.


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