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09) “Um livro que te fez chorar”

Foram vários, mas vou me concentrar em apenas um: “Achei Que Meu Pai Fosse Deus”, coletânea de contos da vida norte-americana compilada pelo escritor Paul Auster.

Não me lembro o que eu esperava quando recebi esse volume da Companhia das Letras, mas o fato de Paul Auster estar envolvido dava crédito. Porém, quando comecei a ler, foi como mergulhar em um oceano e nadar, nadar, nadar sem pensar em parar, apenas seguindo o fluxo, absolutamente arrebatador.

Contextualizando: “Achei Que Meu Pai Fosse Deus” reúne, na edição nacional, contos que Paul Auster selecionou do programa que ele apresentava na National Public Radio (a popular NPR).

Primeiramente foi oferecido ao escritor um programa mensal em que ele apresentaria um texto próprio. Auster não gostou da ideia, mas sua mulher, a também escritora Siri Hustvedt, sugeriu que ele pedisse para que os ouvintes lhes mandassem as histórias.

Auster foi ao rádio e explicou aos ouvintes o projeto estabelecendo três pré-requisitos para os textos: que eles fossem verdadeiros, curtos e que desafiassem nossas expectativas em relação ao mundo.

Um ano depois, o projeto começou em dezembro de 1999, Auster tinha mais de 4 mil histórias nas mãos. “A maioria era suficientemente emocionante para prender a minha atenção até a última palavra”, dizia o escritor.

Dos 4 mil textos, 121 enriquecem a edição nacional (179 na edição original), divididos em 10 seções: animais, objetos, famílias, situações cômicas, estranhos, guerra, amor, morte, sonhos e meditações.

A idade dos autores varia dos 20 aos 90 anos. Textos de pessoas comuns.

Chorei não uma, nem duas, muito menos cinco, mas diversas vezes lendo esse livro.

Auster, autor de dezenas de livros sensacionais (e alguns clássicos), retira o foco de luz de si mesmo e o joga sobre pequenas histórias recheadas de magia, mistério e pequenos milagres. “Achei Que Meu Pai Fosse Deus” é um livro imperdível.

Ao dar voz aos comuns, Auster engrandeceu a literatura mundial com um livro essencial para se entender que “nunca fomos perfeitos, mas somos reais”. Todos nós.

Esse eu preciso ler de novo…

Ps. Leia meu texto de 20 anos atrás sobre o livro (e dois contos) aqui

#meus20livros

abril 23, 2025   No Comments