Posts from — fevereiro 2025
06) “Um livro que você já leu várias vezes” (3/3)

Bora acelerar pois senão esse #meus20livros não acabará nunca :~
6) “Um livro que você já leu várias vezes” (3/3)
Os dois livros da foto trazem a mesma característica: são livros “comentados”, o que foi plenamente satisfatório para um adolescente desbravando o mundo das palavras e, em muitos casos, ainda sem a chama para perceber o sarcasmo, a entrelinha, a sutileza.
A coletânea de contos “Seleta” (1971) foi a primeira coisa que li de Lygia Fagundes Telles, e foi amor à primeira lida (duas décadas depois, uma amiga a encontraria em SP e a pediria em casamento para mim… ganhei um autógrafo – risos).
“Seleta” é um baú de tesouro. Está tudo aqui: “Eu era mudo é só”, “A caçada”, “O noivo”, (a obra prima) “Venha Ver o Por-do-Sol”, “As Pérolas”, um capítulo de “Ciranda de Pedra”, tudo comentado por Nelly Novais Coelho. É sublime.
Leio um conto vez em quando (ainda que um dos meus favoritos, “Lua Crescente em Amsterdã”, que adaptei com amigos para a aula de teatro na faculdade, não esteja aqui – mas está na obrigatória seleção “Os contos”, lançada pela Cia das Letras em 2018).
O outro volume é.. Shakespeare. A primeira vez que mergulhei em sua obra eu tinha 11 pra 12 anos, e o fato de ser uma edição comentada ajudou muito a (acreditar que eu poderia) entender aquele universo (eu voltaria a essa coleção – disponível na Biblioteca Municipal de Taubaté – no meu pós-crise dos 16 anos, aquele que Hesse e “O Lobo da Estepe” me tiraram – e era outra coisa, outro universo, outra amplitude, outra grandiosidade).
É uma edição portuguesa, da Lello e Irmão (sim, li Shakespeare em português – comentado! – de Portugal) que, cerca de 30 anos depois, consegui adquirir (com volumes extras) pra mim (conto a história aqui) e eu amo suas comédias de erros. Amo.
“Conto de Inverno” é absolutamente incrível! <3

fevereiro 17, 2025 No Comments
06) “Um livro que você já leu várias vezes” (2/3)

Naturalmente é muito mais “fácil” reler poesia e contos do que um romance. Não tenho ideia de quantas centenas de vezes abri “Poetas franceses do século XIX”, coletânea da Editora Nova Fronteira de 1991 com, entre outros, textos de Mallarmé, Verlaine e Rimbaud.
O mesmo vale para o vizinho Guilherme de Almeida: “Meus versos mais queridos” é para ler em voz alta… e dançar.
Aliás, já leste (e dedicaste) para alguém “Tu e Eu”, do Luis Fernando Veríssimo (“Comédias da Vida Privada” é imprescindível)?
Na fase adolescente em que o “Best Of” (de 1985) do Doors virou ritual em casa, fui atrás de tudo que tivesse conexão com Jim Morrison. Passei por Huxley, e “As Portas Da Percepção / Céu E Inferno” me levaram à Castaneda, até chegam em William Blake – por essa época, as Mercenárias gravaram uma seleção de versos dos “Provérbios do Inferno” no clássico “Trashland”. Música e poesia <3
Fiquei tão fascinado pelos provérbios que, onde pudesse, eu os declamava.
Dois momentos marcantes: O primeiro foi um trabalho da disciplina Estética da Cultura de Massa em que eu e grupo fizemos da UNITAU o Inferno por uma noite. Era encerramento da Semana da Comunicação, teatro lotado. Assim que as portas se abriram, as pessoas saindo se deparavam com “fantasmas”, tochas de fogo e uma formação de banda espalhada pelos cantos do pátio que tinha eu declamando um poema em três partes (Huxley abrindo, um poema meu no meio e os Provérbios encerrando) sobre uma base eletrônica pesada (nas mãos do amigo DJ Gu) e arrastada e o melhor guiitarrista da cidade, o Cleber, solando enlouquecido, uma coisa meio NIN. Foi terrivelmente bonito. Tenho em algum DVD aqui em casa…
A outra foi num sarau na I Mostra Internacional de Cultura Independente de São Paulo, na Funarte, 2000. Tava eu lá juntando Ian Curtis, Black Francis e poemas meus até chegar em Blake. Um dos terríveis provérbios (ausente da música das Mercenárias) marcou esse dia:
“Melhor matar uma criança no berço do acalentar desejos insatisfeitos”
Um amigo estava filmando com o filho ao lado. Quando veio me cumprimentar ao final, o garoto balbuciou: “Ele vai matar a criancinha?”.
Aparentemente, consegui tranquiliza-lo.
Mas isso é Blake. <3
Ele sempre volta!
Ps. Leia aqui a integra d’Os Provérbios do Inferno.

fevereiro 4, 2025 No Comments
Top 10 Janeiro de 2025 no Scream & Yell

TOP 10 TEXTOS MAIS LIDOS – JANEIRO DE 2025
01) APCA: Os 50 melhores discos de 2024 (aqui)
02) Três livros: “Eu Fui Traficante de Keith Richards”, “Nação Tomada Pelo Medo”, “Good Pop, Bad Pop: Um Inventário”, por Mac (aqui)
03) “Kubrusly – Mistério Sempre Há de Pintar, por Renan Guerra (aqui)
04) Patti Smith ao vivo em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
05) Entrevista: Adriano Cintra (Superafim), por Alexandre Lopes (aqui)
06) Os vencedores da APCA 2024 em 11 categorias (aqui)
07) “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, por JP Barreto (aqui)
08) Entrevista: Dana Colley (Vapors of Morphine), por Guss de Lucca (aqui)
09) Melhores de 2023 Scream & Yell (aqui)
10) Cinema: “Babygirl”, por Leandro Luz (aqui)
VIA GOOGLE: JANEIRO
01) Especial Melhores de 2023 Scream & Yell (aqui)
02) Cinema: “O Chef”, por Renan Guerra (aqui)
03) Cinema: Os 10 filmes de Wong Kar-Wai, por Marcelo Costa (aqui)
O EDITOR RECOMENDA: JANEIRO
01) Entrevista: Bianca Gismonti, por Bruno Capelas (aqui)
02) Entrevista: Alessandro Andreola, por Marcelo Costa (aqui)
03) Entrevista: Gueersh, por Alexandre Lopes (aqui)

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores
fevereiro 3, 2025 No Comments
06) “Um livro que você já leu várias vezes” (1/3)

São vários. E tudo bem, pois você já percebeu que não estou me limitando a “um livro” mesmo. O fato é que adoro reler os livros que eu amo muito porque se aquele livro me fez sorrir uma vez, a chance de ele me fazer sorrir novamente é enorme (em dias cinzas costumo sacar o impagável “Socialismo para Milionários”, do Bernard Shaw, da estante, para gargalhar em silêncio – rs), e outro tanto porque envelhecer é (ou ao menos deveria), também, “crescer” espiritualmente e intelectualmente um pouquinho todos os dias, de forma que aquele livro que você leu 10, 20 anos atrás, pode soar completamente diferente hoje por tudo o que você viveu nesse período. Pode soar até um outro livro!
Dai que entre os livros que já li diversas vezes na vida, um dos principais é “Cartas a Um Jovem Poeta” (1929), de Rainer Maria Rilke, que aparece aqui na foto na edição que moldou meu caráter (a amarela, de 1985), e na reedição de 2001, mais “Elegias de Duíno”, que é outro papo.
Nos anos 90, quando o Scream & Yell era um fanzine (de papel) “popular”, eu me correspondia por carta com dezenas de pessoas de todo o país (isso soa tãooo século passado), e costumava enviar xerox reduzidas de cada uma das 10 cartas que compõe o livro a cada troca de correspondencia. Você conhece a história?
Bem, um aspirante a poeta completamente anônimo troca cartas com Rilke, que, atenciosamente, lhe fala de poesia… e da vida. É… lindo! Lançado três anos após a morte de Rilke, “Cartas a Um Jovem Poeta” é daqueles companheiros pra vida. (Re)Fiz alguns “testes” do livro (como tentar abandonar a escrita) e mergulhei em outro livro de Rilke, “Elegias de Duíno”, que também amo.
Então em 2012, após ter visto o Primavera Sound Barcelona, Guns em Paris, Lou Reed em Luxemburgo, Tom Petty em Cork, e voltado à Barcelona para ver Stone Roses, meu último “compromisso” da viagem era Bruce Springsteen em Trieste, a mesma cidade que também abriga o Castelo de Duíno, em que Rilke escreveu suas 10 elegias desesperadas.
Chorei na sacada do castelo olhando o Mar Adriático… Contei aqui 🙂

fevereiro 1, 2025 No Comments

