Posts from — março 2016
Cinco momentos inesquecíveis de shows

Foto: Marcelo Costa
São tantas emoções que é difícil separar cinco. Comecei a ter ideia dessa seleção quando estava ouvindo “Art of Almost”, do Wilco, nos fones, e me lembrando da hipnose de ver a banda executar a canção ao vivo: eu estava no fosso, a dois metros da banda, fotografando e enlouquecendo com a catarse de Nels Cline neste show do Primavera Sound. Dai comecei a lembrar de outros e, até hoje, os shows que mais me deixaram desidratado foram Brian Wilson no Tim Festival, em 2004, e Leonard Cohen no Festival de Benicàssim, Espanha, em 2008. Abaixo, outros cinco momentos arrepiantes…
R.E.M. no Rock in Rio, 2001
Vários momentos mágicos marcaram a primeira apresentação da banda no Brasil (e a primeira das cinco vezes que os vi ao vivo) e um dos melhores shows que vi na minha vida. Eu estava, sei lá como, no gargarejo, com o set list distribuído para a imprensa nas mãos, e amando cada segundo do show, mas o grande momento veio no maior hit da banda, uma canção que eu adoro, mas nem sei se figuraria num Top 10 pessoal: “Losing My Religion”. Quando Peter Buck dispara no bandolim o riff inconfundível ouve-se a massa vibrando (imagine 150 mil pessoas atrás de você gritando insanamente quando ouvem uma das músicas mais lindas já escritas na música pop). Esse é o momento cristalizado na minha memória: o silêncio antes da canção começar, os primeiros acordes e o urro apaixonado da plateia.
Blur no Hyde Park, 2009
Era pra ser a volta oficial do Blur, mas eles não resi$tiram e tocaram no Glastonbury antes. Isso não evitou que os 110 mil ingressos evaporassem (55 mil por dia), e eu, que não tinha lá muita certeza do que esperar, sai chapado com um set list de 25 canções numa apresentação impecável. Algumas das minhas favoritas estavam no set (“End Of A Century”, “To The End”, “Tender”, “Out Of Time”), mas a canção dessa noite foi “Parklife”, que eu gostava, mas nunca tinha dado muita bola. Porém, antes de começa-la, Damon Albarn comentou que morou um bom tempo na vizinhança do Hyde Park, e diz que aquela canção (que acabou por dar nome para um disco que marca uma virada na carreira do Blur) nasceu ali, nas caminhadas dele no parque. Isso tornou aquele momento especial… e inesquecível (ajuda também ter virado DVD oficial, local aonde você pode assistir a esse momento na integra).
Radiohead em São Paulo, 2009
Eu já os tinha visto no Rock Werchter, na Bélgica, e logo em seguida em Berlim, na mesma turnê. O show belga foi excessivamente eletrônico e meio frustrante (o Sigur Rós os engoliu nessa noite), mas o show de Berlim, no meio de uma floresta (a mesma em que eles tocavam enquanto as torres gêmeas estavam sendo atingidas em 2001 – há um bootleg imperdível desse show), lavou a alma, com uma garoa nos molhando enquanto desconhecidos se abraçavam cantando “No Surprises”. Que momento. O show de São Paulo, no entanto, foi quilômetros melhor: a banda estava muito mais bem humorada e o set list, generoso. O grande momento aconteceu em “Paranoid Android”, tocada, como sempre, de forma matadora. Porém, essa noite aconteceu algo especial: assim que a canção acaba, o público continua fazendo a segunda voz (que na música é de Ed O’Brien) mesmo com a canção terminada. Essa segunda voz começa baixa e vai num crescendo até Thom Yorke entrar no clima: ele pega o violão e volta a fazer a primeira voz entrelaçando-se com a plateia num daqueles momentos raros que valem uma vida. A partir de 1h31m18s no vídeo.
Pulp no Primavera Sound, 2011
Essa noite no Primavera era o primeiro show oficial do Pulp em 9 anos no local em que eles haviam feito o último show da carreira, em 2002, e a banda se mostrou absolutamente impecável. Barcelona vivia um momento tenso de manisfestações e, naquele dia, a polícia havia invadido a Praça da Catalunha e descido a porrada nos manifestantes, um grupo nomeado Indignados. No show, Uma faixa no meio da galera dizia: “Spanish revolution: sing along with de common people”. Jarvis Cocker não desperdiçou o momento: “É complicado quando uma pessoa de fora chega ao seu país e emite uma opinião, mas vi a faixa de vocês e só tenho a dizer que algo está errado quando a polícia entra em uma praça e pessoas inocentes vão para o hospital. Essa próxima música eu dedico aos Indignados” (é o começo do vídeo abaixo). Arrepia só de lembrar todo mundo dançando abraçado!
Arcade Fire no Coachella, 2011
Nunca esquecerei o diálogo com o amigo Renato Moikano. Arcade Fire no auge fechando a noite no palco principal do Coachella. O show estava seguindo, impecável, quando ele vira e manda: “O que é aquilo acima da estrutura do palco?”. E eu: “Sei lá. Não tava lá?”. E ele: “Não!”. Demos de ombro e seguimos vendo o show, maravilhoso. Dai Win Butler avisa que o show está chegando ao final, que é a última canção, e que agora a gente precisa cantar de verdade. Começam os acordes de “Wake Up” e a galera estende os braços para a frente e grita enlouquecidamente, como se estivesse numa missa. Só isso bastaria para ser especial, mas dai, aquilo que estava sobre a estrutura do palco se abre, e dezenas de bolas gigantes luminosas caem sobre o público. A coisa toda fica ainda mais bonita quando, na parte acelerada da canção, todas as bolas começam a piscar e mudar de cor… sincronicamente! Foi foda! Assista abaixo!
Leia mais
-Top 25 Shows em 10 Anos (2005/2015) – Leia aqui
março 23, 2016 No Comments
Mapa do Jornalismo Independente

“Um projeto da Agência Pública: A ideia é ambiciosa, mas cada vez mais necessária neste momento de ruptura e renascimento que o jornalismo vive: mapear as iniciativas independentes no Brasil. Neste “mapa” interativo, selecionamos aquelas que nasceram na rede, fruto de projetos coletivos e não ligados a grandes grupos de mídia, políticos, organizações ou empresas”.
Da parte do Scream & Yell, creio que nunca fomos tão perfeitamente definidos: “Um site jornalístico sobre cultura pop, com entrevistas, reviews e coberturas de festivais de música, cinema, cerveja. Também produzem e lançam álbuns, fazem podcast e mixtapes e jornalismo musical aprofundado independentemente do apelo do entrevistado: tratando Caetano Veloso, Romulo Fróes e Loomer como iguais, porque todos fazem boa música.”
Parabéns ao jornalismo independente! Parabéns à Agência Pública por uma iniciativa tão importante. Fuce lá porque vale muito a pena!
março 4, 2016 No Comments

