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FIB 2011, Dia 3

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Via de regra, festivais de música não são palco para grandes shows. O set list é mais curto que o de uma apresentação normal, nem todo o público está ali para ver aquela banda (o que desestimula o artista) e a intimidade de um show pequeno aproxima o grupo do público – algo impossível em um festival com 50 mil pessoas. Mas existem algumas exceções (Arcade Fire no Coachella 2011, por exemplo), e o Primal Scream fez valer a pena ter vindo ao Festival de Benicassim 2011 com uma apresentação irrepreensível.

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O terceiro dia do FIB era, definitivamente, o de melhor line-up. A profusão de bons nomes fez com que vários shows se chocassem deixando a dúvida: ver um show inteiro de uma banda ou conferir metade desta e metade daquela. A segunda opção venceu. Porém, o cansaço dos dois dias anteriores vitimou o Tame Impala (que tocava às 20h – chegamos às 22h30). Mesmo com o som baixo, o Bombay Bicycle Club fez um belo show de responsa (que me lembrou muito Yo La Tengo) para um ótimo público.

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No palco principal, o Mumford and Sons comemorava seus milhões de cópias vendidas com o público cantando tudo. Quando eles aceleram seu folk coxinha, o bicho pega, mas boa parte do show se perde em tédio. Após seis músicas desisti (bocejando) e fui conferir Zach Condon fazer poesia sonora com o Beirut. Pelo tempo, só dava para ver cinco músicas e o rapaz caprichou: abriu com “Nantes”, seguiu com “The Concubine” e “The Shrew”, encantou com “Elephant Gun” e só então tocou uma nova, “Vagabond”. Deu vontade de ver o show inteiro, mas…

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Segundo o El Periódico Mediterráneo, o Arctic Monkeys foi o primeiro show deste ano a unir espanhóis e ingleses no festival, um mérito e tanto. Com a pista do palco principal abarrotada (com muita mais gente do que no show do Strokes, por exemplo), o clima condizia com o de um grupo que vive talvez o seu melhor momento na carreira. No gargarejo, meninas aparentando uns 15 anos seguravam cartazes: “Matthew Helders > God” e “Alex Turner, will you marry me”. Histeria total.

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A nova “Library Pictures” abriu a noite e parecia uma das antigas: todo mundo cantou! A massacrante “Brianstorm” veio na sequencia trazendo “This House Is A Circus” e parecia que Alex Turner e compania estavam prestes a fazer um show avassalador, mas o pique foi caindo no meio da apresentação – um tanto pelo silêncio entre as músicas, estilo Strokes, e também pela variedade do repertório, retrato perfeito de uma banda em busca de seu próprio som.

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“She’s Thunderstorms” surgiu bonita abrindo um bloco com as ótimas “Teddy Picker” e “Crying Lightning”. A empolgante “Brick by Brick” não empolgou, mas a dobradinha “The View From The Afternoon” e “I Bet You Look Good On The Dancefloor” foi cantada (e pulada e gritada) em coro. O bis trouxe “Suck It and See”, o hit “Fluorescent Adolescent” e a climática “505” fechando um bom show – que podia ter sido melhor. Ainda deu para conferir três músicas do Big Audio Dynamite, que repetiu a festa do Coachella, mas o melhor show da noite (e do três primeiros dias do festival) ainda estava por vir.

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Uma das melhores notícias do ano: Bobby Gillespie desistiu de tocar com o volume de todos os instrumentos no último (a falta de Kevin Shields na nova formação deve ter ajudado) e o Primal Scream ao vivo, tocando o histórico “Screamadelica”, é um dos shows obrigatórios de 2011. A palavra que resume a apresentação é festa: todo mundo suingando, cantando e pulando com um enorme sorriso no rosto.

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O grupo entrou no palco às 3h da madrugada de um sábado quente e fez um daqueles shows que dá vontade de assistir novamente e novamente e novamente. Começa com o hino “Movin’ Up” e as grandes canções do álbum se atropelaram em versões arrebatadoras (como os 15 minutos psicodélicos de “Higher Than the Sun”). Gillespie ainda incluiu “Country Girl”, “Jailbird” e “Rocks” na parte final terminando o show de forma apoteótica. Daqueles shows para dar significado ao fato de caminhar de lá pra cá entre palcos de um grande festival. Obrigado, Bobby Gillespie.

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Domingo, último dia do FIB 2011. O line-up poderia ser taxado de fraquinho, mas o que dizer de Portishead (às 23h) e Arcade Fire (às 1h15) em sequencia? Ainda tem The Go! Team e Noah & The Whale. Bora descansar que a noitada promete.

 – Fotos: Marcelo Costa http://www.flickr.com/photos/maccosta
– Destaques dos quatro dias do FIB 2011, por Marcelo Costa (aqui)

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