Category — Música
500 Toques e mais Tropa de Elite

500 Toques sobre Paula Toller, George Israel e Maria Rita
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Assisti a versão pirata do badalado (e ainda inédito) “Tropa de Elite” na noite passada. A versão que comprei – R$ 8 – é a tão famosa que circula por ai, com intertítulos em inglês e sem os créditos finais. O longa de José Padilha estava previsto para estrear em novembro, mas a produção antecipou a estréia para 12 de outubro devido ao “sucesso” do filme no mercado negro. Suas primeiras exibições públicas acontecem na noite de quinta (20), para convidados do Festival de Cinema do RJ, e outra na sexta (21), às 23h45, no Espaço de Cinema, a única aberta ao público (mas os ingressos esgotaram em uma hora).
Padilha diz que a versão que circula é o terceiro corte, e que o filme passou por 16 cortes até o final de montagem. Isso só poderá ser comprovado após uma comparação do que foi visto no DVD pirata e do que estará nas telas de cinema no próximo dia 12. O que dá para dizer é que, do jeito que está circulando em versão pirata, “Tropa de Elite” é sensacional. Bate “Cidade de Deus” em vários quesitos, e Wagner Moura impressiona com uma atuação eletrizante. Agora, a pergunta que fica é: será que a versão final vai ser tão boa quanto esta cópia pirata do terceiro corte?
Dúvidas a parte, a única coisa que dá para garantir é o grande sucesso que espera o filme. Assim como acontece com os CDs vazados na web, que ganham uma exposição gratuita, “Tropa de Elite” chega aos cinemas com um público garantido. Duvido que as pessoas que assistiram ao DVD (como eu) vão deixar de ir ao cinema para ver a versão final do melhor filme brasileiro dos anos 00. É uma tremenda tolice gastar tempo questionando se esse ou aquele é culpado na distribuição do filme. A propaganda gratuita só deve fazer de “Tropa de Elite” a grande bilheteria do Brasil em 2007. Merecidamente.
setembro 19, 2007 No Comments
Downloads e Disco da Semana

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Wander Wildner colocou seus quatro discos para download no iJigg. Eu não entendi como se baixa algo ali, mas descobre lá
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O Lasciva Lula (que faz show no Cinemateque na próxima quarta-feira) também está liberando seus discos para download, incluindo o excelente “Sublime Mundo Crânio”, um dos dez grandes álbuns do rock nacional em 2007. Link
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No meio de tanta gente bacana e genial que conheci em oito anos de São Paulo, o chapa Eduardo Fernandes (EduF para os “íntimos”) tem um lugar de destaque. Quando o S&Y ainda era um recém-nascido, e eu tentava descobrir que loucura era aquela chamada HTML (que até hoje eu não entendo direito), era para o EduF que eu pedia um help. “Cara, como faço para criar uma tabela?”, “Putz, deu um pau fudido num lance aqui, o que eu fiz de errado?”, e algumas coisas desse naipe. Além de tocar vários lances legais, o EduF tem um projeto musical chamado Peruano Saudita (achei a demo de 2002 dia desses em casa), que é beeeem legal. Ele regravou uma das músicas, a ótima “10%”, e acabou de disponibilizar para dowload. A letra é ótima. “É uma breve história de um sujeito tentando (não) comprar um mp3 player dos coreanos. A gravação original tinha quatro guitarras. A nova nenhuma. A lógica é um pouco aquela do Primus, baixão com slap e em primeiro plano. Mas há uma porrada de detalhes, como cantos de índios americanos, percussões latinas e uma série de frescuras”, diz EduF. Baixe a música
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Vi “Bird”, filme do Clint Eastwood sobre o genial Charlie Parker. Pesaaaaado, viu.
setembro 17, 2007 No Comments
Nashville Pussy no Inferno

“A melhor banda do mundo não é o Rolling Stones… nem o Led Zeppelin… poderia ser o AC/DC… na real, a melhor banda do mundo, aqui e agora, é o Nashville Pussy”, esbravejou o barbudo (e careca) vocalista Blaine Cartwright. Já havia passado das duas da manhã no Inferno, o estoque de cerveja do bar tinha sido consumido com voracidade pela grande maioria dos presentes, e o Nashville Pussy estava fazendo um dos melhores shows do mundo naquele lugar, naquele momento. Blaine tinha razão.
Eu abracei uma garrafinha de água e me lembrei de um trecho do livro “Barulho”, de André Barcinski, em que ele falava do show do Mudhoney com o Nirvana no Paramount, o maior ginásio de Seattle, após a banda de Kurt Cobain virar mega. Lá pelo meio do texto ele escreve algo tipo: “Amigos pulando do ombro de outros amigos. Cerveja pro alto. Valia a pena estar sóbrio só para observar a cena”. Foi mais ou menos isso. Ruyter Suys, esposa de Blaine e excelente guitarrista, fazia gargarejo com uísque e cerveja, e dava um banho de álcool no público. Copos de cerveja eram arremessados de volta ao palco e molhavam os músicos. Uma bagana de cigarro que fosse e tudo aquilo iria em chamas. Rock.
O baterista Jeremy Thompson parece o menos insano da trupe. Parece. Na rodada de Jack Daniels (solenemente ignorada pela bela baixista Katielynn Campbell) no gargalo que rodou o palco, Jeremy bateu Ruyter na poderosa golada. Katielynn foi ao microfone e pediu “caperinha, caperoska”. Dois copos chegaram para a baixista, e não duraram cinco músicas. Tudo isso é extra-show, você deve estar pensando, já que o que interessa é a música, certo. Bem, mais ou menos. Ao vivo tudo muda de figura, e o ingrediente punch de palco pesa pra caralho. Não dava para esperar menos de uma banda que faz 200 shows por ano…
O repertório foi dividido entre todos os álbuns do quarteto destacando as faixas redentoras do álbum “High As Hell”, representado pela faixa título e pelas esporrentas “Rock’n’Roll Outlaw”, “Piece Of Ass”, “Struttin’ Cock” e a matadora “She’s Got The Drugs”, sem contar as covers do Turbonegro e do AC/DC. O vocalista Blaine terminou o show sem camisa. Ruyter também, mas ela estava “protegida” por um sutiã de couro. Na volta para o bis, veio carregada no colo por um segurança. E terminou entornando uma garrafa de cerveja e solando como se fosse Angus Young. Um show para lavar a alma de cerveja, ou se preferir, de Jack Daniels.
setembro 16, 2007 No Comments
Nouvelle Vague no Sesc Pinheiros

O show do Nouvelle Vague ontem foi um belo coral indie. Ou, como diria uma amiga, “uma churrascaria de luxo”. A vocalista mais mignonzinha e de voz fofa era uma graça, mas as canções que comandou davam sono. Já a outra vocalista de alma black é um show a parte. Os músicos são bons, as músicas são boas, mas o tédio impera em mais de 80% da apresentação. Saem da monotonia a versão catártica de “Too Drunk To Fuck” (o mundo deveria ajoelhar toda vez que uma canção do Dead Kennedys fosse tocada) e o poderoso arranjo de “Bela Lugosi is Dead”. De resto, Ian Curtis deve ter se enforcado com raízes no fundo do túmulo após o coral que se seguiu a “Love Will Tear Us Apart”…
Aliás, falando em Joy, acabei trazendo para o trabalho os dois primeros CDs do box “Heart and Soul” para purificar a alma, e acabei esbarrando com o pré-release dos relançamentos remasterizados da banda..
Eu tinha mais coisas pra falar, mas meu péssimo humor não está ajudando. Volto assim que a nuvenzinha negra sair de cima da minha cabeça… ou assim que terminar de (re) assistir ao filme “Colcha de Retalhos”, com a Winona Ryder (durmi invejando o Spit, personagem do livro “O Clube dos Corações Solitários”, de André Takeda, que tinha um poster dela pendurado na parede de seu primeiro apartamento)…
setembro 14, 2007 No Comments
Disco da Semana: Josh Rouse

Josh Rouse novamente com disco da semana.
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O fim de semana foi daqueles. Não rolou a discotecagem de sábado devido a uma mistura exagerada de vódega, energético e Itaipava (Focka, foi mal ae, sorry). :/ Foi daqueles porres que vai me deixar no mínimo uns doze meses bem longe de destilados. E o domingo inteiro ficou comprometido pela ressaca que se seguiu. Mas conseguimos – eu e Lili – quase terminar os quatro módulos da estante de CDs que Lili desenhou. Agora só falta uns detalhes de acabamento e a fixação na parede, que deve acontecer no próximo fim de semana. Assim que terminar, posto algumas fotos aqui.
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Próxima parada: Araraquara, bate papo na Uniara sobre jornalismo na web na 7ª Semana de Comunicação da faculdade. Vai ter balada (movida a coca-cola zero) e vou levar uns CDs para trocar por lá, mas posto aqui mais infos no decorrer do periodo. Por fim, o set list que eu tinha preparado para sábado:
“Hong Kong Garden”, Siouxie and The Banshees
“Dancing”, Bauhaus
“Digital”, Joy Division
“10:15 Saturday Night”, The Cure
“Slow Hands Remix”, Interpol
“Hunting For Witches – Single Version”, Bloc Party
“Nobody Move, Nobody Get Hurt”, We Are Scientists
“Playhouses”, TV On The Radio
“Sexy Boy”, Franz Ferdinand
“Keep The Car Running”, The Arcade Fire
“When You Were Young”, The Killers
“Henrietta”, The Fratellis
“Walk Like in Egyptian”, The Fellings
“This Charming Man”, Death cab For Cutie
“(What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love, and Understanding”, Elvis Costello
“Head On”, Pixies
“I Love Rock and Roll”, Jesus and Mary Chain
“Anyway, Anyhow, Anywhere”, David Bowie
“Run, Run, Run”, Echo and The Bunnymen
“Somethin’ Hot”, Afghan Whigs
“Cure For Pain”, Morphine
“A Shot in The Arm”, Wilco
Extras
“Pull Shapes”, The Pipettes
setembro 3, 2007 No Comments
Disco da Semana: Fino Coletivo
Concorrente sério ao posto de melhor disco de 2007… no site
agosto 27, 2007 No Comments
Alguns filmes e alguns discos novos…

E o fim de semana se foi, mais uma vez. Mas não vou reclamar. Vi dois filmes no cinema, comprei alguns outros em um sebo, e vi mais alguns em casa. E só por isso estou feliz. O cinema faz uma falta danada em minha vida, embora nenhum dos cinco últimos filmes que vi tenha sacudido a minha alma na beira de um precipício.
– “Os Incompreendidos”, François Truffaut, 1959
Belíssimo filme de estréia do diretor francês, “Os Incompreendidos” narra a infância do próprio diretor de forma autobiográfica. A cena do interrogatório é divertidíssima e esclarecedora, mas os grandes momentos são a apresentação de fantoches e a corrida final. Um ótimo exemplo de que um jovem problemático pode se transformar em um gênio. Pessoalmente prefiro “A Noite Americana”, mas esta estréia tem sua beleza.
– “Amadeus”, Milos Forman, 1984
Premiado com 8 Oscars, esta versão romanceada (inspirada em uma montagem teatral) da vida de Wolfgang Amadeus Mozart destaca um roteiro tão bem cuidado que as atuações quase ficam em segundo plano. Quase. F. Murray Abraham (como Antonio Salieri) e Tom Hulce (como Mozart) brilham. O filme fecha em si mesmo como obra cinematográfica. Mas… bem, senti falta de algumas obras clássicas, de alguns quartetos (a única coisa que tenho de Mozart em casa são um quarteto de flautas e um quinteto de clarinetes). Na verdade, senti falta de Mozart no filme, já que o narrador é Salieri. Isso não diminui a obra de forma alguma, e a versão do diretor, com 20 minutos a mais (totalizando 3 horas de filme) é impecável. Porém, eu esperava mais.
– “O Grande Lebowski”, Irmãos Coen, 1998
Outro filme que sofreu aqui em casa de grande expectativa, afinal, é uma obra dos Irmãos Coen. Entende? – “Fargo”, “O Homem Que Não Estava Lá” e “E Ai, Meu Irmão, Cadê Você?” são clássicos recentes do cinema mundial, e eu esperava ver neste “O Grande Lebowski” um pouco da genialidade da tríade citada. A genialidade está ali, você a sente em diversas passagens, porém o resultado final é confuso e pouco sedutor. Existem ótimas cenas, ótimas idéias que, no entanto, parecem não encaixar no quebra-cabeças maluco em que sempre se torna um roteiro dos Coen. Pena.
– “Medos Públicos em Lugares Privados”, Alain Resnais, 2006
Quando sai da sala de cinema e me deparei com a crítica de Luiz Zanin, no Estadão, não pude deixar de lembrar do chapa Marcelo Orozco dizendo que o texto de Lester Bangs sobre “Astral Weeks”, de Van Morrison, era melhor do que o disco. E não é que o filme de Resnais seja ruim (assim como a obra prima de Van Morrison não é) ou que o texto seja algo incomum. Zanin apenas colocou no papel coisas que ali na tela caem sobre o colo delicadamente como flocos de neve, mas derretem. Ele escreve: “Sabe-se, desde as primeiras cenas, que aquela é uma Paris imaginária, artificial, gelada, onde neva o tempo todo, porque também há gelo nos corações das pessoas” . A tela, por sua vez, exibe um drama de pessoas congeladas em suas próprias almas num belíssimo exemplar do eterno cinema francês, provocativo, intenso e teatral. Em certos momentos há poesia e delicadeza (como quando Charlotte conversa em uma cozinha com Thiery e a câmera foca as mãos de ambos afundadas na neve), mas a teatralidade é mais presente, deixando escorregar uma certa tristeza, e também uma certa decepção. Um quase belo filme.
– “Os Simpsons – O Filme”, David Silverman, 2007
Acho complicado me manifestar sobre essa adaptação após o Bart (e tinha que ser ele – hehe) ter traduzido tão bem o misto de felicidade e incomodo que todos sentimos ao sair da sala de cinema. Não há decepção, mas também não há nada que vá mudar nossas vidas (e, bulhufas, será que eles teriam que mudar nossas vidas? Será que tínhamos que esperar tanto? Será que não nós contentamos com as mesmas incorreções de sempre?). É mais do mesmo, sim, mas é mais do mesmo em grande forma. Bem, sei lá. Eu gostei. E não gostei. A culpa será do Homer ou minha?
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Discos bacanas que você precisa ouvir:
– “Yes, U”, Devastations.
– Os singles de Eddie Vedder (a boa “Hard Sun”), Beck (”Timebomb”), Hives (a ótima “Tick Tick Boom”), PJ Harvey (a não sei o que dizer sobre ela “When Under Ether”) e Foo Fighters (a fraquinha “The Pretender”)
– Os novos de José González (“In Our Nature”) e Rilo Kiley (“Under The Blacklight”)
agosto 26, 2007 No Comments
Download: Tropicalismo Minimal, do Superquadra

O chapa Cláudio Bull já é um velho agitador do rock de Brasília: no meio dos anos 90 integrava o Divine, banda que cravou um dos hits indies mais bacanas da década passada, a poderosa “A Rainha das Garotas Más”. O Divine acabou, Cláudio Bull se reuniu com alguns amigos e formou a Oficina Abstrata do Entretenimento, que lançou dois álbuns demo muito bons (de vez em quando, quando banco o DJ, jogo na pista a ótima “Bang XPZ”, cuja letra cita nomes famosos… da arquitetura: Mies van der Rohe, Oscar Niemeyer, Le Corbusier e Walter Gropius): “Demos Lo-Fi Collection” e “Panorama”.
O Oficina Abstrata do Entretenimento meio que foi o embrião do Superquadra, que lançou um EP excelente em 2004, “Bagulhinho Bom”, que cedeu três faixas para este “Tropicalismo Minimal”, lançado no finalzinho de 2006, eleito melhor álbum de 2006 pelo jornal Correio Braziliense. Segundo o próprio Cláudio Bull, vocalista e letrista da banda, o lance do Superquadra é rocktrônico. “Tropicalismo Minimal” foi colocado para download gratuito no site MP3 Magazine. Lá você pode conferir uma entrevista com a banda. Recomendadíssimo.
http://www.mp3magazine.com.br
agosto 23, 2007 No Comments
500 Toques, novidades e monografias

Ludov, Lucy and The Popsonics e Bonde do Rolê no site
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Textos novos na capa do Scream & Yell:
Literatura: Fábrica de Animais, de Edward Bunker, por Gustavo Brigatti
Literatura: Viagens no Scriptorium, de Paul Auster, por Caco Rodrigues
A fantástica fábrica de cultura pop de Tony Wilson, por Carlos Freitas
Palpiteiros Apocalípticos e Integrados, Por Marco Antonio Bart
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Abaixo, algo que eu quero fazer faz muito tempo, mas que sempre esquecia: disponibilizar em PDF pra consulta (e leitura) a minha monografia de conclusão de curso. Lembrei disso porque o Jorge Wagner, colaborador do S&Y, me mandou a dele (que traz uma citação de um frase de um texto meu). Conversamos e ele topou disponibilizar a dele também. Ainda não li a dele, mas na última vez que li a minha, só pensei no quanto o texto estava truncadíssimo. Mas tem coisas legais ali. De apêndice, segue o texto rascunho da minha apresentação perante a banca.
“Do Caipira ao Sertanejo: Cultura, Música e Indústria Cultural”
Ana Cecília Del Mônaco, Carlos Eduardo Fernandes e Marcelo Costa
“A Imprensa Musical no Brasil e a revista Rolling Stone”
Jorge Wagner Mello de Andrade
agosto 15, 2007 No Comments
Downloads

Dois discos do meu Top Five 2007 foram disponibilizados para download gratuito no Trama Virtual: “A Marcha dos Invisíveis”, do Terminal Guadalupe e “A Amarga Sinfonia do Superstar”, da Superguidis. Os dois álbuns fazem parte do projeto “Download Remunerado”, uma iniciativa da Trama Virtual com patrocínio da Kildare: para baixar, basta fazer o cadastro no site. O usuário nada paga por baixar o MP3, mas as bandas são remuneradas pelo número de downloads. “A Marcha dos Invisíveis”, que já foi lançado em Pen Drive, também ganha edição em SMD/SDMV, ou seja: um disco de áudio, outro de vídeo, custando apenas R$ 13, numa distribuição da parceria entre Fósforo Records (GO) e a Cubo Discos (MT).
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Outro grande disco do rock nacional foi colocado para download gratuito, desta vez, no site Senhor F: “Los Porongas”, disco da banda acreana pode ser baixado na integra aqui:
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E já que o assunto é download, enquanto tentava colocar uma ordem na coleção de CDs toda desorganizada no quartinho – enquanto a estante que Lili desenhou não chega da marcenaria – me diverti baixando alguns dos meus álbuns preferidos do rock nacional anos 80 no excelente blog Cogumelomoon, coisas que eu tenho em vinil, mas não escutava faz tempo (por preguiça de ligar o toca-discos em tempo da facilidade do CD e do MP3) como o quarto álbum do Kiko Zambianchi, “A Era das Flores”, que nunca saiu em CD, e traz um lado b muito foda com as suítes gospel “Tente de Novo Amanhã”, “O Medo Não é Motivo – Meu Pais” (minha preferida) e “Dança Pra Mim – O Porteiro”; dois álbuns de Kid Vinil, um com os Heróis do Brasil de André Christovam (com as sensacionais “Sem Whisky & Sem My Baby”, “Conta da Light”, “Trilha da Perdição”, “Se Liga Meu Chapa”, “Independência ou Morte”, “Fútil Rock ‘N’ Roll”, “Assassinato Anônimo” e “Carne de Pescoço”) e outro, com um power trio, e as impagáveis “BR 116?, “João Paulo II”, “Let’s Twist Gay” e “Tio Sam”; também baixei todos os do Eduardo Dusek (”Olhar Brasileiro” de 1981, “Cantando No Banheiro” de 1982, o clássico “Brega Chique” de 1984, e “Dusek Na Sua” de 1986) e vamos combinar que “Nostradamus” é um clássico da música brasileira, vai. Olha só que letra surrealista:
Nostradamus
Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
com tudo que sei, acendi uma vela
abri a janela, e pasmei
Alguns edifícios explodiam
pessoas corriam
eu disse bom dia
Ignoreeei
Telefonei
Prum toque-tenha qualquer
E não tinha
Ninguem respondeu
Eu disse: Deus, Nostradamus, forças do bem e da maldade, vudoo, calamidade, juizo final
Entao és tu
De repente na minha frente
A esquadria de alumínio caiu
junto com vidro fumê
O que fazer? Tudo ruiu
Começou tudo a carcumer
Gritei, ninguém ouviu, e olha que eu ainda fiz: psiu!
O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
vou até a cozinha
encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, Zé
eu falei, eu gritei, eu implorei:
Levaaaanta! Me serve um café
Que o mundo acabou.
Fora tudo acima, minhas dicas são o tributo “Sanguinho Novo… Arnaldo Baptista Revisitado”, os dois álbuns de Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, e os primeiros álbuns de Leo Jaime, incluindo o discoteca básica “Sessão da Tarde”. Não desanime se clicar em um álbum e ele estiver indisponível. Logo logo eles colocam de novo…
agosto 13, 2007 No Comments

