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Category — Música

Wado e o samba torto no Sesc Pompéia

Enquanto Cat Power se preparava para retornar ao palco do Auditório Ibirapuera para substituir Feist, novos “sambistas” davam seqüência ao festival É Samba Sim no teatro do Sesc Pompéia, que um dia antes havia recebido Mariana Aydar, Rômulo Fróes e Tom Zé. No sábado, os destaques eram o catarinense (radicado em Alagoas) Wado apresentando banda nova e o carioca Marcelo D2 procurando pela batida perfeita. Não fiquei para ver o show de D2 (o som do teatro estava péssimo – algo raro – e o calor infernal. Fui beber um chopp escuro), mas Wado fez um show interessante.

O primeiro choque foi a ausência de Alvinho nos violões atolados em wah-wah. Na nova formação, Wado conta com Dinho Zampier (Mopho) no piano, Tupi (Vitor Pirralho e Unidade) nas programações e Rodrigo Peixinho na bateria. Wado assume a guitarra, mas a toca em poucos momentos do show. O repertório faz um ping pong pelos três discos do cantor, mas privilegia as canções do poderoso “A Farsa do Samba Nublado” (2004) além de trazer duas inéditas que vão fazer parte de seu quarto álbum, “Terceiro Mundo Festivo”.

Apesar do som do teatro não ajudar (o grave embolava tudo, e o cantor não se adaptou bem ao palco dividido do teatro do Sesc Pompéia), o que ficou claro nessa nova fase de Wado é que seus sambas tortos estão cada vez mais densos/tensos. Os novos arranjos deixaram canções como “Tormenta”, “Ontem Eu Sambei”, “Vai Querer”, “Tarja Preta/Fafá”, “Uma Raiz, Uma Flor” e “Sotaque” (entre outras) muito mais orgânicas, com a bateria e o baixo à frente desnudando as letras geniais do compositor. Mesmo sambinhas como a maconheira “Alguma Coisa Mais Pra Frente” e a excelente “Se Vacilar o Jacaré Abraça” soaram… darks. :o)

As duas músicas novas exibidas no show prometem muito. Apresentada como uma canção de amor, “Teta” é sinuosa, dançante e deliciosamente pornográfica, com um refrão empolgante: “Está guardado pra você amor… aceite, aceite / Está guardado pra você amor… o leite”. Já “Reforma Agrária do Ar” discute a concessão das rádios públicas de forma empolgante. Descontando a qualidade técnica do som do Sesc Pompéia, este show foi muito próximo de uma outra apresentação que assisti no Studio SP, ano passado, ainda com a banda anterior, e demonstra que para Wado o caminho do samba vai ao encontro da eletrônica.

Morando em Maceió e responsável por um dos grandes álbuns do ano (com o projeto Fino Coletivo), Wado é samba – torto – sim. Seus três álbuns estão liberados para download gratuito em seu site oficial e duas músicas novas podem ser assistidas em versão ao vivo no blog Música Indie / BR. Como ele mesmo canta, “Está guardado pra você… amor”. Aceite.

outubro 31, 2007   No Comments

O carteiro chegou…

Chegou hoje um pacotinho com meus pedidos da CD Wow e olhando a capa deste CD nas minhas mãos chego a cogitar que essa é a capa de disco mais bacana de todos os tempos. Ok, exagero. Mas top five com certeza!

outubro 30, 2007   No Comments

Björk brilha no fraco Tim Festival 2007 em SP

Quando surgiu, ainda como Free Jazz, o Tim Festival conseguia aliar novidades musicais com a apresentação de grandes nomes da música mundial. Aos poucos, o festival que era apontado como melhor do país por muitos críticos cresceu de tamanho, mas a qualidade da produção intimista e bacana das edições menores não acompanhou (em São Paulo) seu crescimento, e assistiu duas edições frustrantes em 2005 e 2006 (a primeira com nítidos problemas de som; a segunda transferida da Arena do Anhembi e encaixotada no Tom Brasil na última hora).

A notícia do retorno para a Arena do Anhembi neste ano foi recebida com frieza, mas a expectativa era de que a produção do festival tivesse aprendido com os dois anos anteriores, quando o Tim saltou dos palcos pequeninos, aconchegantes e de som excelente do Jóquei Clube de São Paulo para o palco enorme da Arena do Anhembi. A rigor, os problemas de som foram sanados, mas muitos outros surgiram em seu encalço como a superlotação da área VIP (em si, uma agressão a grande maioria do público, que foi “obrigado” a assistir aos shows de uma distância muito maior do palco).

A desorganização dos poucos caixas disponibilizados para atender a mais de 20 mil pessoas (além de desinformados – não sabiam explicar em que lugar a pessoa deveria retirar o que comprou – eles tinham que lidar com uma estrutura precária cujo maior exemplo reside no fato do comprador ter que falar sua senha de cartão de débito para a vendedora, já que não havia como ela passar a máquina de cartão por baixo da grade de atendimento), os banheiros que deveriam receber limpeza constante (o que não aconteceu) e a longa espera entre um show e outro – que culminou num atraso total de três horas e levou o último show a terminar pós 5 da manhã – são sintomas de um festival que cresceu em público, mas não em qualidade.

Um pouco antes das 4 da manhã, no serviço de recados que aparecia no telão do palco, alguém do público brincava: “Eu tenho uma vida fora daqui”. A produção se esqueceu disso. Fora a lista de problemas, o line-up deste ano se mostrou confuso e de qualidade questionável. Se nenhuma das seis atrações fez um show ruim, também nenhuma impressionou mais do que o esperado. Faltou “show” no sentido estrito da palavra em um festival antes caracterizado por apresentações antológicas e line-ups atenciosos com o que de melhor estava se fazendo em música no mundo. Se o que se viu na Arena do Anhembi é o melhor da música neste momento da história estamos, definitivamente, órfãos. E viva a diluição. E salve Björk.

O Hot Chip entrou no palco às 20h depois que integrantes do Spank Rock fizeram até stage dive para animar o público. Ao vivo, o electro rock do Hot Chip cresce em impacto, mas perde em detalhes e nuances. O quinteto tem carisma, conta com um sósia do Vinny se alternando entre guitarras e teclados, um gordinho com uma camiseta do Flaming Lips fazendo efeitos e vozes, e um outro rapaz com cara de nerd no comando da bagunça, mas o show parece que vai virar algo, parece que vai virar algo, parece… e fica nisso. Com exceção, claro, do hit “Over and Over”, cantado em coro pelo público. Pouco para um show em que até uma cover do New Order (”Temptation”) passa totalmente despercebida.

Uma hora de intervalo (que atrasou todo o festival) foi o tempo que Björk precisou para encher seu palco de bandeirolas coloridas de temática animal (sapos, coelhos, peixes) e um naipe islandês de sopro. A demora, no entanto, foi compensada por uma apresentação irrepreensível. Dançando sem parar, a cantora apresentou seu caleidoscópio musical esquizofrênico em forma de música pop centrando foco em um repertório quase best of: “Hunter”, “Pagan Poetry”, “Jóga”, “Army of Me”, “Hyper-Ballad”, “Pluto”, entre outras, animaram o público. De vestido colorido e repetindo “obrigato” a cada final de canção com seu sotaque delicado e charmoso, Björk cativou a audiência e fez um grande show. Só faltou “It’s Oh So Quiet”…

Mais de uma hora de espera e surge Juliette Lewis and The Licks para uma apresentação de rock’n’roll, baby. Porém, por mais que a cantora atriz se esforce, e sua banda tente acompanhar, o show é uma caricatura dos cacoetes mais engraçados do rock: a vocalista que rola no chão dando sangue pela banda, o guitarrista bonitinho que faz pose de homem mau; as canções sustentadas por riffs atolados em barris de formol. É tudo bonitinho, engraçado, divertido, mas a gente esquece assim que ela deixa o palco. E não vai se lembrar tão cedo.

Hype dos últimos dois anos na Inglaterra, o Arctic Monkeys chegou a São Paulo com a grande vantagem de estar em seu melhor momento: lançaram este ano um segundo álbum tão bom quanto o primeiro, e são novidade fresquinha no movimentado mundo pop. Porém, o que é a grande vantagem da banda (ser nova, ter apenas dois discos, e já estar tocando no Brasil) também funciona contra: falta punch de palco ao quarteto, que não se mexe, não inspira, não comove, a não ser nos poderosos e ultra-pesados hits do primeiro álbum. Aliás, as canções do primeiro álbum soam muito melhores ao vivo do que as do segundo (exemplo: “Fake Tales of San Francisco” ficou arrasadora enquanto a ótima “Teddy Picker” parecia um rascunho). Mesmo assim, ouvir “I Bet That You Look Good On The Dancefloor”, um pretendente a clássico dos anos 00, é de encher os olhos e arrepiar a alma.

Antes mesmo de começar o show, o Killers já rendia comentários divertidos via SMS no telão: “Feliz Natal, por The Killers”, mandou alguém do público, visivelmente inspirado pela overdose de luzes da decoração do palco inspirada em um casino de Las Vegas. Se o Capitão Nascimento estivesse por ali teria dito: “O senhor é um fanfarrão, Sr. Brandon Flowers”. Com toda razão. O Killers regurgita – sem medo nenhum de ser feliz – o lado brega dos anos 80 com tudo o que tem direito. E dá-lhe ramalhetes de flores na bateria, que o vocalista vai atirar ao público – no melhor estilo Roberto Carlos – no meio do show. E dá-lhe mão no coração no meio da música, punho fechado quanto um trecho da letra fala de ciúmes, e por ai vai. Apesar da demora na montagem do palco, durante as primeiras músicas ajudantes ainda levavam plantas para dentro do cenário. A pergunta final era: “Que horas o Papai Noel irá chegar em “Sam’s Town”?

Se não há a mínima chance de levar o Killers a sério por seu visual e messianismo, a seu favor o fanfarrão Brandon Flowers tem um repertório de hits debaixo da manga de causar inveja em muita gente: “When You Were Young”, “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It”, “Jenny Was A Friend of Mine”, “Mr. Brightside”, “Bones” e “For Reasons Unknown” são capazes de chacoalhar uma multidão mesmo que o show esteja acontecendo às 5 da manhã de uma segunda-feira em uma megalópole que acorda cedo no começo da semana. Só o Killers tem mais hits que todo o novo rock junto. Com esse fato, tirando a versão fraquíssima de “Shadowplay”, do Joy Division, o show foi correto e não desandou. Deixo a Arena do Anhembi quatro músicas antes do final pensando na frase do Capitão Nascimento e na promessa não concretizada da visita de Papai Noel. Da rua ainda consigo ouvir Brandon Flowers cantando. Rio. Se o intuito de um show é – entre outras coisas – divertir e entreter o espectador, o Killers deixa São Paulo com a dívida paga. Tudo bem, o preço não era alto, não é mesmo Sr. Fanfarrão?

O saldo final do festival é fraco, um tanto pela desorganização, outro tanto pelo line-up fraco que talvez seja um reflexo do cenário atual da música pop, muito mais preocupado em diluir velhas fórmulas do que criar outras novas. Por mais que o Killers tenha feito um show competente, sua escalação soa deslocada da proposta que o Tim Festival ostentava anos atrás. Brandon Flowers e cia mereciam um show só deles em um Credicard Hall ao invés de surgir como banda principal de um festival que se caracterizava por destacar novas tendências de uma música sem fronteiras. Pelo panorama exibido na Arena do Anhembi, no domingo, as fronteiras não andam sendo bem exploradas. Uma pena.

Texto: Marcelo Costa / Fotos: Liliane Callegari

– Tim 2008: Punk rave do Klaxon vs tristeza de Marcelo Camelo (aqui)
– Tim 2008: Kanye West faz “showzinho” (aqui)
– Tim 2007: Björk brilha no fraco Tim Festival SP 2007 (aqui)
– Tim 2006: Patti Smith, Devendra, Yeah Yeah Yeahs (aqui)
– Tim 2006: Beastie Boys são aclamados no Tim Curitiba (aqui)
– Tim 2005: Strokes, Costello e Television (Weezer e Mercury Rev) (aqui)
– Tim 2004: Libertines e Brian Wilson (PJ Harvey e Morrissey) (aqui)
– Tim 2003: White Stripes, Los Hermanos e Beth Gibbons (aqui)

outubro 29, 2007   No Comments

Um fenômeno chamado Radiohead

Após lançar “In Rainbows” pela internet no último dia 10, o Radiohead toma pra si – pela segunda semana consecutiva – o top ten da badalada Last.FM tendo as dez músicas do disco nos dez primeiros lugares das faixas mais executadas entre 14 e 21 de outubro. A média baixou um pouco – 3.300 milhões de execuções na primeira semana contra 2.600 milhões na última semana – mas continua assustadora: em 14 dias, as faixas de “In Rainbows” foram executadas quase 6 milhões de vezes na rádio on line.

O Top Ten de músicas da Last.FM exibe as dez faixas de “In Rainbows” na ordem que as músicas aparecem no álbum. “15 Step” aparece novamente no topo com 188 mil execuções (263 mil na semana passada) divididas entre 60 mil ouvintes. Na categoria “artistas”, o Radiohead lidera com 2.600 milhões de execuções; Beatles aparece em segundo com 870 mil execuções depois Red Hot Chilli Peppers com 498 mil.

outubro 22, 2007   No Comments

Pixies em Buenos Aires?

Calma, calma, calma, não está confirmado ainda. Aliás, nem o Wilco está confirmado. Segundo informações que recebi, a organização do Personal Fest está conversando seriamente com as duas bandas, mas ainda não bateu o martelo. Só parece que o Smashinh Pumpkins melou de vez. Enquanto isso eles já confirmaram nomes “menores” como Phoenix, Dandy Warhols, Chris Cornell, Happy Mondays e Cypress Hill. Vamos combinar que nenhum deles é headliner de festival, vai…

Ps. Já avisei na redação do iG que se confirmarem Wilco e Pixies eu nunca, NUNCA mais vou ficar reclamando de perder esse ou aquele show. Depois de perder shows das duas bandas no Brasil, se eles tocarem juntos no mesmo festival na Argentina, eu pago minha dívida comigo mesmo e espero pacientemente até os meus 100 anos por um show do Radiohead. Sem reclamar. Tweedy e Black, me ajudem.

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Desses todos, só o Dandy Warhols está confirmado (naquelas) para o Motomix em São Paulo. O Motomix deve acontecer quase que na mesma semana de dezembro que o Nokia Trends, que já confirmou She Wants Revenge…

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Será que “In Rainbows” vendeu mesmo 1 milhão e 200 mil cópias? Se vendeu, a banda está de parabéns pela iniciativa. Ponto a favor é que o disco é… sensacional. Quem veio direto pra cá sem passar pela Revoluttion ou pela capa do Scream & Yell não conferiu meu veredicto final sobre o álbum: “In Rainbows” não é só o disco da semana, é o disco do ano.

Mas, falando em Radiohead, sabe o que realmente me deixou impressionado: uma leitora da Revoluttion comentou sobre o sucesso de “In Rainbows” na Last.Fm e fui lá conferir. No Top Ten semanal da Last.Fm, os dez lugares estão ocupados pelo Radiohead. Os dez! “15 Step” foi ouvida por mais de 67 mil usuários, que juntos somaram 263169 plays da música. “Videotape”, faixa 10 de “In Rainbows”, aparece em décimo tendo passado pelo player de 56 mil usuários que somaram 211.332 plays.

Mas ainda não é isso que me impressionou: o Radiohead lidera a semana com 118.836 ouvintes diferentes que escutaram 3.308.175 de vezes canções do Radiohead (e ai incluimos todos os discos do Radiohead que foram ouvidos na Last.Fm semana passada). Sabe quem aparece em segundo lugar? Beatles! Quando demonstrei minha surpresa para o meu amigo, ele retrucou: “Mas os Beatles lideram toda semana!”. E eu achando que ninguém ouvia Beatles hoje em dia…

Olha o Top Ten da Last.Fm (07/10 a 14/10)

1 – Radiohead
118,836 listeners
3,308,175 plays

2 – The Beatles
73,373 listeners
844,600 plays

3 – Red Hot Chili Peppers
64,502 listeners
498,031 plays

4 – Muse
55,563 listeners
570,069 plays

5 – Coldplay
54,165 listeners
364,902 plays

6 – Foo Fighters
53,214 listeners
484,542 plays

7 – Linkin Park
51,245 listeners
474,899 plays

8 – Metallica

49,381 listeners
413,219 plays

9 – Nirvana
46,759 listeners
307,810 plays

10 – Pink Floyd
45,192 listeners
435,711 plays

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Já que falei no Pink Floyd, postei ontem no Mistureba uma notinha falando sobre a edição tripla que comemora 40 anos do lançamento do álbum de estréia da banda, o sensacional “Piper At the Gates of Dawn”.

Pra fechar, um e-mail bacana do Fábio avisa:

“Eu e dois amigos, Carlos Hahn (músico e jornalista)  e Pedro Hahn (músico e cineasta), colocamos no ar o www.zoomrs.com, um site sobre música gaúcha, não apenas rock, mas música boa em geral, com ecletismo e sem preconceitos. O site  tem notícias que são atualizadas diariamente, e um conteúdo com entrevistas, resenhas, etc… que  é atualizado mensalmente.  O primeiro tem matérias com os Folk Brothers, Darma Lóvers, etc…  E o segundo (prestes a entrar no ar) traz uma matéria com o Thomaz Dreher, gravada no lendário estúdios Dreher. Imperdível”1

outubro 16, 2007   No Comments

Os 100 melhores discos nacionais

A Rolling Stone Brasil publica em sua 13ª edição um especial com os 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos. Para chegar aos 100 escolhidos a publicação convidou 60 profissionais (a grande maioria, colaboradores da revista) que enviaram – cada um – uma lista com 20 discos. Comparando, os melhores do ano do S&Y contam com 92 votantes (nos dois últimos anos), e para o tamanho e importância de uma revista como a Rolling Stone, resumir um especial deste porte apenas a redação é pensar pequeno (era só seguir o método Uncut, que convida centenas de músicos, e ainda pede para que eles escrevam sobre um dos discos que escolheram). Seria bem legal ver os votos de Caetano, Rita Lee, Fred 04, Pauo Ricardo, Japinha (só para ficar em cinco artistas díspares).

O método de forma alguma invalida a lista, que é bastante interessante, e uma das melhores (senão a melhor) já publicadas no País. Desde sexta estou ouvindo um a um os discos da lista (neste momento estou no 12º) e por mais que “Acabou Chorare” (1º) seja um disco sensacional, numa “lista minha” ele apareceria atrás do coletivo “Tropicália ou Panis Et Circenses” (2º). Em terceiro, o não menos sensacional “Construção”, de Chico Buarque. Em quarto, “Chega de Saudade”, de João Gilberto, o único dos 20 primeiros que não tenho em casa (na falta, Lili colocou o ao vivo “In Tokio”). A estréia dos Secos e Molhados aparece em 5º; o doidaço e divertido “A Tábua de Esmeralda”, de Jorge Ben, surge em 6º; o coletivo “Clube da Esquina”, comandado por Milton Nascimento e Lô Borges, surge em 7º (e, não adianta, tentei ouvir mais uma vez, mas não consigo curtir esse disco – ok, “Paisagem da Janela” vale, mas é pouco prum disco duplo).

O oitavo lugar traz “Cartola”, o segundo disco do sambista que junta uma porção de pedras preciosas da música brasileira (”O Mundo é Um Moinho”, “Minha”, “Preciso Me Encontrar”, “As Rosas Não Falam”, “Ensaboa”, “Cordas de Aço” e “Peito Vazio” – esta última sempre surge em minha memória com uma interpretação brilhante de Nelson Gonçalves para o tributo “Bate Outra Vez”). “Os Mutantes” surge em nono (pessoalmente prefiro o segundo); “Transa”, de Caetano Veloso, surge em 10º; “Elis & Tom” em 11º (merecia estar umas cinco posições a frente, viu); “Krig-Ha Bandolo!”, de Raul Seixas, em 12º (acabei de descobrir que não consigo mais ouvir “Mosca na Sopa” e “Metarmofose Ambulante”, mas tudo bem, pois esse disco ainda tem “Dentadura Postiça”, “Cachorro Urubú” – que o PT usou em um segundo turno ae por causa do verso certeiro: “Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não há mais primavera, baby, a gente ainda nem começou”-, a maravilhosa “How Could I Know” e, zuzu bem, “Ouro de Tolo”); “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, em 13º; “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, em 14º, e “Samba Esquema Novo”, de Jorge Ben, em 15º. Titas aparece em 19º com “Cabeça Dinossauro”; Legião em 21º com “Dois”; Ultraje em 27º com “Nós Vamos Invadir Sua Praia”; Paralamas em 39º com “Selvagem?”; Los Hermanos em 42º com “Bloco do Eu Sozinho”; Sepultura aparece em 46º com o matador “Chaos A.D.”; Blitz em 50º com o álbum de estréia.

Até pensei em fazer uma listinha minha com 20 discos agora, mas não dá. Isso não é coisa para se fazer assim, do nada. Se eu conseguir me organizar, tento publciar uma até quarta ou quinta… mas esse top 100 da Rolling Stone Brasil merece ser visto, debatido e, principalmente, ouvido.

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O novo do The Hives já está por ai…

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Dos 100 discos da lista da Rolling Stone, nove aparecem na lista especial dos Melhores dos Anos 90 feita pelo Scream & Yell em 2001. No total, a Rolling Stone trouxe onze discos da década de 90, e três dos anos 2000 (dois dos Los Hermanos e um dos Racionais). Abaixo os Melhores dos Anos 90 pelo Scream & Yell:

Internacional
“Óbvio, óbvio. O trio inicial já era o esperado. “Nevermind” disparado na frente. “Ok Computer” não tão atrás, e “Acthung Baby” levando o bronze. A briga mesmo veio do quarto lugar para frente”. LISTA INTERNACIONAL

Nacional
“Votação equilibradíssima. A estréia do Raimundos venceu por um ponto “Carnaval na Obra”, do Mundo Livre S/A, que ficou com o segundo lugar tendo um ponto de vantagem sobre “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi. Alias, esse trio manipulou os primeiros lugares. Das sete primeiras posições, seis são deles, cada um cravando dois álbuns.” LISTA NACIONAL

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Top 20 anos 90Como se fossemos Rob Fleming, por Marcelo Costa

outubro 14, 2007   No Comments

Disco da Semana: “Shotter’s Nation”

outubro 10, 2007   No Comments

OAEOZ no Scream & Yell

O quinteto curitibano OAEOZ está festejando 10 anos de atividade com um show especial e o lançamento do segundo single extraído das gravações do novo disco, “Canção Para OAEOZ”, que traz como “lado b” uma versão para “Loucura”, música do Ídolos da Matinee, banda curitibana dos anos 80. O show especial acontece na quinta-feira (11/10), e as duas músicas que compõe o segundo single do novo álbum do OAEOZ você baixa aqui, agora, com exclusividade do Scream & Yell:

Download: “Canção Para OAEOZ”

Uma década distribuindo boa música pelo cenário independente é um fato que deve ser comemorado. Bandas surgem todas as noites, bandas acabam todas as manhãs. Um grupo permanecer na ativa por uma década apenas pelo tesão de se fazer o som que gosta não é pouco, e diz muito sobre a paixão que esses caras sentem por algo maltratado/usado pela indústria, e que um dia convencionou-se ser chamado música.

“Canção Para OAEOZ” é a cara do OAEOZ. Um violão conduzindo, as guitarras pontuando o arranjo com detalhes; o vocal entregue que vez em quando foge da nota para criar o seu próprio espaço em uma melodia que cresce e se transforma em uma canção, uma canção do OAEOZ, uma canção para OAEOZ, uma canção para Curitiba: “Vou deixar a porta aberta / Esquecer o que aprendi / A chuva fria de Curitiba / Pra mim é o sol do Havaí”, canta o guitarrista Carlos Zubek. “Loucura”, apesar de ser uma versão, está perfeitamente contextualizada no som do OAEOZ.

Este segundo single segue “Impossibilidades”, lançando em junho, e que trazia como “lado b” uma versão acachapante de “Città Piu Bella”, uma das faixas luminosas do luminoso álbum “Amor Louco”, do Fellini. O que era folk na versão felliniana se transformou em rock espacial de altíssima qualidade com o OAEOZ.

outubro 8, 2007   No Comments

Quanto vale o novo disco do Radiohead?

Ôôôôôôô, quanto vale o show, Lombardi?
Quer pagar quanto, Sílvio?

Direto ao ponto enquanto o garçom traz uma cerveja escura: o Radiohead é a melhor banda do mundo, e isso já faz dez anos, mais precisamente desde quando Thom Yorke e cia jogaram o arrebatador “Ok Computer” (ainda em formato real, CD mesmo) nas lojas. E 1997 parece tãoooo distante. Foi o ano que Woody Allen chocou o mundo ao se casar com sua enteada, Soon-Yi; o mesmo ano em que Xuxa anunciou sua gravidez; e em que Fernando Henrique Cardoso estava exercendo a metade de seu primeiro mandato como Presidente de uma República chamada Brasil (ou seria Eldorado?).

De lá pra cá quando se fala o nome de Woody Allen ninguém pensa mais em Soon-Yi, mas sim em Scarlett Johansson, atual musa do diretor em seus filmes recentes (principalmente no excelente “Match Point”); Sacha, a filha de Xuxa, já ganhou capa “solo” de Caras versando sobre seu aniversário em que rolaram Bonde do Tigrão, “Ilarie” e outras pérolas; e Luis Inácio Lula da Silva (quem diria) já está no meio de seu segundo mandato. O Corinthians era 17º no Brasileirão de 1997 e está em 18º no deste ano, o que prova que nem tudo muda, não é mesmo.

Mas o que aconteceu com o Radiohead? A rigor, a fama e o sucesso conquistados com “Ok Computer” deram um nó na cabeça dos integrantes da banda, que precisaram aprender em um ano o que o R.E.M. teve uma década para decorar – e o que levou Kurt Cobain para o lado de lá da força em apenas dois anos: a maneira certa de lidar com a mídia e a indústria. O resultado desse curso rápido e intenso pode ser verificado no excelente documentário “Meeting People Is Easy”, que flagra o momento exato de uma banda se libertando do mercado fonográfico (e de si mesma, por que não).

Os próximos passos foram óbvios: discos impopulares que serviram para despistar a mídia enquanto o público iniciava uma idolatria sobre o quinteto cujo altar passou a ser a Internet (nada mais normal para uma banda que cravou “Ok Computer” como nome de disco). Shows, aparições em TV, letras, entrevistas e tudo o mais superlotou a rede com informações passo-a-passo do grupo britânico. “Kid A” (2001) foi um dos primeiros álbuns a ser vazado em larga escala na Web (bons tempos do Napster), o que não atrapalhou sua escalada normal nas paradas nem diminui as filas para os shows do Radiohead, muito pelo contrário.

Seis anos e dois álbuns oficiais depois (”Amnesiac” – também conhecido como “Kid B” – e o político “Hail To The Thief”), o Radiohead pára o mundo pop com o anúncio de um álbum novo de forma totalmente inusitada: na segunda-feira passada (01/10), o site oficial do grupo avisava que a partir do dia 10/10 estará á venda “In Rainbows”, sétimo álbum de inéditas da banda. Não bastasse o anúncio surpreendente, o modo de vender o trabalho também é inovador: “In Rainbows” terá venda online com dois meses de antecedência no site oficial (www.inrainbows.com) e o ouvinte irá pagar pelas músicas o valor que ele quiser pagar. No dia 03 dezembro, uma versão real do álbum será vendida por 40 libras (aproximadamente R$ 150) e conterá um disco duplo de vinil, um CD multimídia com todas as nove faixas deste primeiro lançamento mais sete faixas extras, fotos, arte e letras. Uau.

O que tudo isso significa, caro leitor? Não só que o Radiohead continua sendo uma banda à frente de seu tempo, mas que as gravadoras como nós a conhecíamos estão com os dias contados – agora mais do que nunca. Porque “In Rainbows” não será lançado por nenhum grande selo. O contrato da banda com a poderosa EMI/Parlophone terminou em 2005 e desde então o Radiohead tem o “passe livre” na música pop. Essa estratégia doida de lançamento de “In Rainbows” cheira a revolução. Pense: não estamos falando de qualquer banda, mas sim da principal banda do mundo (e não sou eu apenas quem diz isso; qualquer tablóide de qualquer canto do mundo carrega nas tintas em relação ao grupo de Thom Yorke). A estratégia do Radiohead de se desamarrar das gravadoras pode demarcar uma nova era no modo de se negociar música pop, e para uma indústria que já perdeu a batalha do MP3, a derrota digital no modo de se negociar canções pode significar o fim da guerra – e de um abusivo controle sobre a obra artística musical de décadas e décadas.

A importância de “In Rainbows” para a música pop é muito mais teórica do que prática. Não que o valor de suas músicas seja inferior em qualidade a sua importância histórica, mas a estratégia de lançamento tende a causar um burburinho que poderá colocar as canções em segundo plano. É um fato, ainda mais se levarmos em conta que das dezoito canções anunciadas para o álbum, só quatro são realmente inéditas: “Weird Fishes”, “Faust Arp”, “MK 1? e “MK 2?. As outras catorze canções e meia (incluindo a metade da faixa quatro, “Arpeggi”) circulam pela rede – em excelente qualidade e diferentes versões – faz meses. Ou seja, “In Rainbows” já chegará ao tocador de MP3 do fã como um álbum conhecido, que ele terá ouvido muito mais do que vários discos reais lançados neste ano. Apesar da palavra final em termos de arranjo e letras ser dada apenas no dia 10, “Bodysnatchers”, “15 Steps” e “Down Is the New Up” (por exemplo) podem ser ouvidas em alta qualidade agora-neste-momento-já na Internet.

E ouvindo estas versões das novas canções, à primeira impressão é de que os arranjos continuam fundindo rock e eletrônica, mas a guitarra de Jonny Greenwood está muito mais presente no som da banda (”Bodysnatchers”, “Down Is the New Up”, “Up On The Ladder”), embora existam momentos calmos/líricos (”All I Need”, “Videotape”, “4 Minute Warning”). Nas letras, Thom Yorke novamente dá sinais de querer se desvencilhar do cargo de Messias: “Eu não tenho a mínima idéia sobre o que estou falando / Estou preso neste corpo e não posso sair”, canta no refrão de “Bodysnatchers”. Porém, ele nunca foi tão direto quanto em canções como “House of Cards” (”Não quero ser seu amigo / Quero ser seu amante”) e “All I Need” (”Eu sou todos os dias / que você escolhe ignorar / Você é tudo que eu necessito”). O que permanece nas letras, no entanto, é um forte sentimento de inadequação que agora também se confunde com partida: “Esta é minha maneira de dizer adeus / Porque eu não posso fazer isso cara-a-cara”, canta Thom em “Videotape”; em “Weird Fishes/Arpeggi”, o protagonista se compara a um peixe que planeja escapar; em “4 Minute Warning” o personagem quer se esconder dos bombardeios.

Entre letras e músicas em versão bootleg fica quase impossível cravar uma avaliação da qualidade de “In Rainbows”, mas as onze canções disponíveis permitem algumas pequenas certezas: “In Rainbows” parece um “Hail To The Thief 2? da mesma forma que “Amnesiac” parecia um “Kid B”. Não parece destacar nada que venha a fazer do álbum algo tão importante quanto “Ok Computer”, e talvez nem precise mesmo. O Radiohead já caminha faz tempo à frente do mundo pop. Sua estratégia de divulgação, no entanto, deve dar uma chacoalhada em todo o cenário, entrar para a história e abrir um novo caminho no modo de se comercializar música. Acredite: é algo muito importante porque lida com as relações entre um determinado artista e seu público. Na prática, ninguém precisa pagar para baixar as músicas de “In Rainbows”, afinal elas vão estar em programas de trocas de arquivo e blogs de MP3 minutos após serem colocadas à venda no site oficial. A grande sacada, no entanto, é a banda depositar sua confiança sobre seu público. Pode ter certeza que muita, mas muita gente mesmo vai pagar pelo álbum. Pelo simples prazer de se apoiar uma idéia original e que respira a revolução. Quanto vale? Bem, o preço é o de menos, mas estive pensando em quanto vou pagar, e acho que, Seo Silvio, o show vale US$ 5, algo em torno de R$ 10, para mim um bom preço sobre um CD que virá sem capa, encarte, letras e um material tateável que me faça sentir sua real existência.

Pago com prazer e vou ficar torcendo para que daqui dez anos o Radiohead ainda me surpreenda com boas músicas e atitudes acima de qualquer suspeita. Vou esperar, também, que Woody Allen permaneça vivo e filmando, que Sacha chegue as vinte anos sendo matéria de capa da Bravo ou da EntreLivros (hehehe) e que os futuros presidentes dessa Eldorado chamada Brasil consigam nos devolver a fé não só nos partidos políticos, mas nas pessoas mesmo. Ok, Corinthians campeão do mundo, mas ai seria pedir demais. Realmente, acho que só posso contar com as mãos do cinema de Woody Allen e o abraço da música de Thom Yorke e seus amigos. Será que as gravadoras vão existir/resistir até 2017?

Tracking List: – CD 1 (10/10)
“15 Step”
“Bodysnatchers”
“Nude”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“All I Need”
“Faust Arp”
“Reckoner”
“House of Cards”
“Jigsaw Falling Into Place”
“Videotape”

Disco bônus: (03/12)
“MK 1?
“Down Is The New Up”
“Go Slowly”
“MK 2?
“Last Flowers”
“Up On The Ladder”
“Bangers and Mash”
“4 Minute Warning”

outubro 5, 2007   No Comments

500 Toques e Guilhermina Guinle na Vip

Tributos ao R.E.M. (15 anos do maravilhoso “Automatic For The People”) e aos Beatles (40 anos de “Sgt Peppers) gratuitos para download e mais a coletânea latino-americana “Porque Este Océano Es El Tuyo, Es El Mio” no site.

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Ontem à noite, quando passava pela padaria Bela Paulista para comprar pão (e, sim, é possível comprar várias outras coisas na Bela Paulista além de pão, antes que alguém banque o engracadinho), da fila pude observar na estante de revistas a nova edição da Vip com Guilhermina Guinle na capa. Lili, meu amor, me desculpe, mas fiquei sem ar. A capa assim como o ensaio são de tirar o fôlego…

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“Tropa de Elite” estréia, enfim, na sexta-feira, apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não concordo com o privilégio a estas duas praças, mas entendo a preocupação da produtora em não deixar a poeira baixar. Assisto ao filme no fim de semana, comparo com a edição em DVD pirata que tenho em casa, e comento tudo em um texto especial na segunda-feira, prometo (ih). Enquanto isso, o compadre Inagaki (que não viu o filme) se diverte com as estripulias que o BOPE está rendendo por ai. Além, a querida Re Honorato publicou uma nota em seu Game Girl sobre um possível jogo inspirado no filme. Leia abaixo:

– Capitão Nascimento matou a Taís e foi ao cinema, por Alexandre Inagaki
– Tropa de Elite in Game, por Renata Honorato

Off Topic: Dez razões para amar Jack White, pelas Garotas Que Dizem Ni

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Além da discotecagem em Curitiba, está pintando uma em Ribeirão Preto :)

outubro 3, 2007   No Comments