Category — Música
Um fenômeno chamado Radiohead
Após lançar “In Rainbows” pela internet no último dia 10, o Radiohead toma pra si – pela segunda semana consecutiva – o top ten da badalada Last.FM tendo as dez músicas do disco nos dez primeiros lugares das faixas mais executadas entre 14 e 21 de outubro. A média baixou um pouco – 3.300 milhões de execuções na primeira semana contra 2.600 milhões na última semana – mas continua assustadora: em 14 dias, as faixas de “In Rainbows” foram executadas quase 6 milhões de vezes na rádio on line.
O Top Ten de músicas da Last.FM exibe as dez faixas de “In Rainbows” na ordem que as músicas aparecem no álbum. “15 Step” aparece novamente no topo com 188 mil execuções (263 mil na semana passada) divididas entre 60 mil ouvintes. Na categoria “artistas”, o Radiohead lidera com 2.600 milhões de execuções; Beatles aparece em segundo com 870 mil execuções depois Red Hot Chilli Peppers com 498 mil.

outubro 22, 2007 No Comments
Pixies em Buenos Aires?

Calma, calma, calma, não está confirmado ainda. Aliás, nem o Wilco está confirmado. Segundo informações que recebi, a organização do Personal Fest está conversando seriamente com as duas bandas, mas ainda não bateu o martelo. Só parece que o Smashinh Pumpkins melou de vez. Enquanto isso eles já confirmaram nomes “menores” como Phoenix, Dandy Warhols, Chris Cornell, Happy Mondays e Cypress Hill. Vamos combinar que nenhum deles é headliner de festival, vai…
Ps. Já avisei na redação do iG que se confirmarem Wilco e Pixies eu nunca, NUNCA mais vou ficar reclamando de perder esse ou aquele show. Depois de perder shows das duas bandas no Brasil, se eles tocarem juntos no mesmo festival na Argentina, eu pago minha dívida comigo mesmo e espero pacientemente até os meus 100 anos por um show do Radiohead. Sem reclamar. Tweedy e Black, me ajudem.
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Desses todos, só o Dandy Warhols está confirmado (naquelas) para o Motomix em São Paulo. O Motomix deve acontecer quase que na mesma semana de dezembro que o Nokia Trends, que já confirmou She Wants Revenge…
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Será que “In Rainbows” vendeu mesmo 1 milhão e 200 mil cópias? Se vendeu, a banda está de parabéns pela iniciativa. Ponto a favor é que o disco é… sensacional. Quem veio direto pra cá sem passar pela Revoluttion ou pela capa do Scream & Yell não conferiu meu veredicto final sobre o álbum: “In Rainbows” não é só o disco da semana, é o disco do ano.
Mas, falando em Radiohead, sabe o que realmente me deixou impressionado: uma leitora da Revoluttion comentou sobre o sucesso de “In Rainbows” na Last.Fm e fui lá conferir. No Top Ten semanal da Last.Fm, os dez lugares estão ocupados pelo Radiohead. Os dez! “15 Step” foi ouvida por mais de 67 mil usuários, que juntos somaram 263169 plays da música. “Videotape”, faixa 10 de “In Rainbows”, aparece em décimo tendo passado pelo player de 56 mil usuários que somaram 211.332 plays.
Mas ainda não é isso que me impressionou: o Radiohead lidera a semana com 118.836 ouvintes diferentes que escutaram 3.308.175 de vezes canções do Radiohead (e ai incluimos todos os discos do Radiohead que foram ouvidos na Last.Fm semana passada). Sabe quem aparece em segundo lugar? Beatles! Quando demonstrei minha surpresa para o meu amigo, ele retrucou: “Mas os Beatles lideram toda semana!”. E eu achando que ninguém ouvia Beatles hoje em dia…
Olha o Top Ten da Last.Fm (07/10 a 14/10)
1 – Radiohead
118,836 listeners
3,308,175 plays
2 – The Beatles
73,373 listeners
844,600 plays
3 – Red Hot Chili Peppers
64,502 listeners
498,031 plays
4 – Muse
55,563 listeners
570,069 plays
5 – Coldplay
54,165 listeners
364,902 plays
6 – Foo Fighters
53,214 listeners
484,542 plays
7 – Linkin Park
51,245 listeners
474,899 plays
8 – Metallica
49,381 listeners
413,219 plays
9 – Nirvana
46,759 listeners
307,810 plays
10 – Pink Floyd
45,192 listeners
435,711 plays
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Já que falei no Pink Floyd, postei ontem no Mistureba uma notinha falando sobre a edição tripla que comemora 40 anos do lançamento do álbum de estréia da banda, o sensacional “Piper At the Gates of Dawn”.
Pra fechar, um e-mail bacana do Fábio avisa:
“Eu e dois amigos, Carlos Hahn (músico e jornalista) e Pedro Hahn (músico e cineasta), colocamos no ar o www.zoomrs.com, um site sobre música gaúcha, não apenas rock, mas música boa em geral, com ecletismo e sem preconceitos. O site tem notícias que são atualizadas diariamente, e um conteúdo com entrevistas, resenhas, etc… que é atualizado mensalmente. O primeiro tem matérias com os Folk Brothers, Darma Lóvers, etc… E o segundo (prestes a entrar no ar) traz uma matéria com o Thomaz Dreher, gravada no lendário estúdios Dreher. Imperdível”1
outubro 16, 2007 No Comments
Os 100 melhores discos nacionais

A Rolling Stone Brasil publica em sua 13ª edição um especial com os 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos. Para chegar aos 100 escolhidos a publicação convidou 60 profissionais (a grande maioria, colaboradores da revista) que enviaram – cada um – uma lista com 20 discos. Comparando, os melhores do ano do S&Y contam com 92 votantes (nos dois últimos anos), e para o tamanho e importância de uma revista como a Rolling Stone, resumir um especial deste porte apenas a redação é pensar pequeno (era só seguir o método Uncut, que convida centenas de músicos, e ainda pede para que eles escrevam sobre um dos discos que escolheram). Seria bem legal ver os votos de Caetano, Rita Lee, Fred 04, Pauo Ricardo, Japinha (só para ficar em cinco artistas díspares).
O método de forma alguma invalida a lista, que é bastante interessante, e uma das melhores (senão a melhor) já publicadas no País. Desde sexta estou ouvindo um a um os discos da lista (neste momento estou no 12º) e por mais que “Acabou Chorare” (1º) seja um disco sensacional, numa “lista minha” ele apareceria atrás do coletivo “Tropicália ou Panis Et Circenses” (2º). Em terceiro, o não menos sensacional “Construção”, de Chico Buarque. Em quarto, “Chega de Saudade”, de João Gilberto, o único dos 20 primeiros que não tenho em casa (na falta, Lili colocou o ao vivo “In Tokio”). A estréia dos Secos e Molhados aparece em 5º; o doidaço e divertido “A Tábua de Esmeralda”, de Jorge Ben, surge em 6º; o coletivo “Clube da Esquina”, comandado por Milton Nascimento e Lô Borges, surge em 7º (e, não adianta, tentei ouvir mais uma vez, mas não consigo curtir esse disco – ok, “Paisagem da Janela” vale, mas é pouco prum disco duplo).
O oitavo lugar traz “Cartola”, o segundo disco do sambista que junta uma porção de pedras preciosas da música brasileira (”O Mundo é Um Moinho”, “Minha”, “Preciso Me Encontrar”, “As Rosas Não Falam”, “Ensaboa”, “Cordas de Aço” e “Peito Vazio” – esta última sempre surge em minha memória com uma interpretação brilhante de Nelson Gonçalves para o tributo “Bate Outra Vez”). “Os Mutantes” surge em nono (pessoalmente prefiro o segundo); “Transa”, de Caetano Veloso, surge em 10º; “Elis & Tom” em 11º (merecia estar umas cinco posições a frente, viu); “Krig-Ha Bandolo!”, de Raul Seixas, em 12º (acabei de descobrir que não consigo mais ouvir “Mosca na Sopa” e “Metarmofose Ambulante”, mas tudo bem, pois esse disco ainda tem “Dentadura Postiça”, “Cachorro Urubú” – que o PT usou em um segundo turno ae por causa do verso certeiro: “Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não há mais primavera, baby, a gente ainda nem começou”-, a maravilhosa “How Could I Know” e, zuzu bem, “Ouro de Tolo”); “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, em 13º; “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, em 14º, e “Samba Esquema Novo”, de Jorge Ben, em 15º. Titas aparece em 19º com “Cabeça Dinossauro”; Legião em 21º com “Dois”; Ultraje em 27º com “Nós Vamos Invadir Sua Praia”; Paralamas em 39º com “Selvagem?”; Los Hermanos em 42º com “Bloco do Eu Sozinho”; Sepultura aparece em 46º com o matador “Chaos A.D.”; Blitz em 50º com o álbum de estréia.
Até pensei em fazer uma listinha minha com 20 discos agora, mas não dá. Isso não é coisa para se fazer assim, do nada. Se eu conseguir me organizar, tento publciar uma até quarta ou quinta… mas esse top 100 da Rolling Stone Brasil merece ser visto, debatido e, principalmente, ouvido.
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O novo do The Hives já está por ai…
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Dos 100 discos da lista da Rolling Stone, nove aparecem na lista especial dos Melhores dos Anos 90 feita pelo Scream & Yell em 2001. No total, a Rolling Stone trouxe onze discos da década de 90, e três dos anos 2000 (dois dos Los Hermanos e um dos Racionais). Abaixo os Melhores dos Anos 90 pelo Scream & Yell:
Internacional
“Óbvio, óbvio. O trio inicial já era o esperado. “Nevermind” disparado na frente. “Ok Computer” não tão atrás, e “Acthung Baby” levando o bronze. A briga mesmo veio do quarto lugar para frente”. LISTA INTERNACIONAL
Nacional
“Votação equilibradíssima. A estréia do Raimundos venceu por um ponto “Carnaval na Obra”, do Mundo Livre S/A, que ficou com o segundo lugar tendo um ponto de vantagem sobre “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi. Alias, esse trio manipulou os primeiros lugares. Das sete primeiras posições, seis são deles, cada um cravando dois álbuns.” LISTA NACIONAL
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Top 20 anos 90: Como se fossemos Rob Fleming, por Marcelo Costa
outubro 14, 2007 No Comments
Disco da Semana: “Shotter’s Nation”
outubro 10, 2007 No Comments
OAEOZ no Scream & Yell

O quinteto curitibano OAEOZ está festejando 10 anos de atividade com um show especial e o lançamento do segundo single extraído das gravações do novo disco, “Canção Para OAEOZ”, que traz como “lado b” uma versão para “Loucura”, música do Ídolos da Matinee, banda curitibana dos anos 80. O show especial acontece na quinta-feira (11/10), e as duas músicas que compõe o segundo single do novo álbum do OAEOZ você baixa aqui, agora, com exclusividade do Scream & Yell:
Uma década distribuindo boa música pelo cenário independente é um fato que deve ser comemorado. Bandas surgem todas as noites, bandas acabam todas as manhãs. Um grupo permanecer na ativa por uma década apenas pelo tesão de se fazer o som que gosta não é pouco, e diz muito sobre a paixão que esses caras sentem por algo maltratado/usado pela indústria, e que um dia convencionou-se ser chamado música.
“Canção Para OAEOZ” é a cara do OAEOZ. Um violão conduzindo, as guitarras pontuando o arranjo com detalhes; o vocal entregue que vez em quando foge da nota para criar o seu próprio espaço em uma melodia que cresce e se transforma em uma canção, uma canção do OAEOZ, uma canção para OAEOZ, uma canção para Curitiba: “Vou deixar a porta aberta / Esquecer o que aprendi / A chuva fria de Curitiba / Pra mim é o sol do Havaí”, canta o guitarrista Carlos Zubek. “Loucura”, apesar de ser uma versão, está perfeitamente contextualizada no som do OAEOZ.
Este segundo single segue “Impossibilidades”, lançando em junho, e que trazia como “lado b” uma versão acachapante de “Città Piu Bella”, uma das faixas luminosas do luminoso álbum “Amor Louco”, do Fellini. O que era folk na versão felliniana se transformou em rock espacial de altíssima qualidade com o OAEOZ.
outubro 8, 2007 No Comments
Quanto vale o novo disco do Radiohead?

Ôôôôôôô, quanto vale o show, Lombardi?
Quer pagar quanto, Sílvio?
Direto ao ponto enquanto o garçom traz uma cerveja escura: o Radiohead é a melhor banda do mundo, e isso já faz dez anos, mais precisamente desde quando Thom Yorke e cia jogaram o arrebatador “Ok Computer” (ainda em formato real, CD mesmo) nas lojas. E 1997 parece tãoooo distante. Foi o ano que Woody Allen chocou o mundo ao se casar com sua enteada, Soon-Yi; o mesmo ano em que Xuxa anunciou sua gravidez; e em que Fernando Henrique Cardoso estava exercendo a metade de seu primeiro mandato como Presidente de uma República chamada Brasil (ou seria Eldorado?).
De lá pra cá quando se fala o nome de Woody Allen ninguém pensa mais em Soon-Yi, mas sim em Scarlett Johansson, atual musa do diretor em seus filmes recentes (principalmente no excelente “Match Point”); Sacha, a filha de Xuxa, já ganhou capa “solo” de Caras versando sobre seu aniversário em que rolaram Bonde do Tigrão, “Ilarie” e outras pérolas; e Luis Inácio Lula da Silva (quem diria) já está no meio de seu segundo mandato. O Corinthians era 17º no Brasileirão de 1997 e está em 18º no deste ano, o que prova que nem tudo muda, não é mesmo.
Mas o que aconteceu com o Radiohead? A rigor, a fama e o sucesso conquistados com “Ok Computer” deram um nó na cabeça dos integrantes da banda, que precisaram aprender em um ano o que o R.E.M. teve uma década para decorar – e o que levou Kurt Cobain para o lado de lá da força em apenas dois anos: a maneira certa de lidar com a mídia e a indústria. O resultado desse curso rápido e intenso pode ser verificado no excelente documentário “Meeting People Is Easy”, que flagra o momento exato de uma banda se libertando do mercado fonográfico (e de si mesma, por que não).
Os próximos passos foram óbvios: discos impopulares que serviram para despistar a mídia enquanto o público iniciava uma idolatria sobre o quinteto cujo altar passou a ser a Internet (nada mais normal para uma banda que cravou “Ok Computer” como nome de disco). Shows, aparições em TV, letras, entrevistas e tudo o mais superlotou a rede com informações passo-a-passo do grupo britânico. “Kid A” (2001) foi um dos primeiros álbuns a ser vazado em larga escala na Web (bons tempos do Napster), o que não atrapalhou sua escalada normal nas paradas nem diminui as filas para os shows do Radiohead, muito pelo contrário.
Seis anos e dois álbuns oficiais depois (”Amnesiac” – também conhecido como “Kid B” – e o político “Hail To The Thief”), o Radiohead pára o mundo pop com o anúncio de um álbum novo de forma totalmente inusitada: na segunda-feira passada (01/10), o site oficial do grupo avisava que a partir do dia 10/10 estará á venda “In Rainbows”, sétimo álbum de inéditas da banda. Não bastasse o anúncio surpreendente, o modo de vender o trabalho também é inovador: “In Rainbows” terá venda online com dois meses de antecedência no site oficial (www.inrainbows.com) e o ouvinte irá pagar pelas músicas o valor que ele quiser pagar. No dia 03 dezembro, uma versão real do álbum será vendida por 40 libras (aproximadamente R$ 150) e conterá um disco duplo de vinil, um CD multimídia com todas as nove faixas deste primeiro lançamento mais sete faixas extras, fotos, arte e letras. Uau.
O que tudo isso significa, caro leitor? Não só que o Radiohead continua sendo uma banda à frente de seu tempo, mas que as gravadoras como nós a conhecíamos estão com os dias contados – agora mais do que nunca. Porque “In Rainbows” não será lançado por nenhum grande selo. O contrato da banda com a poderosa EMI/Parlophone terminou em 2005 e desde então o Radiohead tem o “passe livre” na música pop. Essa estratégia doida de lançamento de “In Rainbows” cheira a revolução. Pense: não estamos falando de qualquer banda, mas sim da principal banda do mundo (e não sou eu apenas quem diz isso; qualquer tablóide de qualquer canto do mundo carrega nas tintas em relação ao grupo de Thom Yorke). A estratégia do Radiohead de se desamarrar das gravadoras pode demarcar uma nova era no modo de se negociar música pop, e para uma indústria que já perdeu a batalha do MP3, a derrota digital no modo de se negociar canções pode significar o fim da guerra – e de um abusivo controle sobre a obra artística musical de décadas e décadas.
A importância de “In Rainbows” para a música pop é muito mais teórica do que prática. Não que o valor de suas músicas seja inferior em qualidade a sua importância histórica, mas a estratégia de lançamento tende a causar um burburinho que poderá colocar as canções em segundo plano. É um fato, ainda mais se levarmos em conta que das dezoito canções anunciadas para o álbum, só quatro são realmente inéditas: “Weird Fishes”, “Faust Arp”, “MK 1? e “MK 2?. As outras catorze canções e meia (incluindo a metade da faixa quatro, “Arpeggi”) circulam pela rede – em excelente qualidade e diferentes versões – faz meses. Ou seja, “In Rainbows” já chegará ao tocador de MP3 do fã como um álbum conhecido, que ele terá ouvido muito mais do que vários discos reais lançados neste ano. Apesar da palavra final em termos de arranjo e letras ser dada apenas no dia 10, “Bodysnatchers”, “15 Steps” e “Down Is the New Up” (por exemplo) podem ser ouvidas em alta qualidade agora-neste-momento-já na Internet.
E ouvindo estas versões das novas canções, à primeira impressão é de que os arranjos continuam fundindo rock e eletrônica, mas a guitarra de Jonny Greenwood está muito mais presente no som da banda (”Bodysnatchers”, “Down Is the New Up”, “Up On The Ladder”), embora existam momentos calmos/líricos (”All I Need”, “Videotape”, “4 Minute Warning”). Nas letras, Thom Yorke novamente dá sinais de querer se desvencilhar do cargo de Messias: “Eu não tenho a mínima idéia sobre o que estou falando / Estou preso neste corpo e não posso sair”, canta no refrão de “Bodysnatchers”. Porém, ele nunca foi tão direto quanto em canções como “House of Cards” (”Não quero ser seu amigo / Quero ser seu amante”) e “All I Need” (”Eu sou todos os dias / que você escolhe ignorar / Você é tudo que eu necessito”). O que permanece nas letras, no entanto, é um forte sentimento de inadequação que agora também se confunde com partida: “Esta é minha maneira de dizer adeus / Porque eu não posso fazer isso cara-a-cara”, canta Thom em “Videotape”; em “Weird Fishes/Arpeggi”, o protagonista se compara a um peixe que planeja escapar; em “4 Minute Warning” o personagem quer se esconder dos bombardeios.
Entre letras e músicas em versão bootleg fica quase impossível cravar uma avaliação da qualidade de “In Rainbows”, mas as onze canções disponíveis permitem algumas pequenas certezas: “In Rainbows” parece um “Hail To The Thief 2? da mesma forma que “Amnesiac” parecia um “Kid B”. Não parece destacar nada que venha a fazer do álbum algo tão importante quanto “Ok Computer”, e talvez nem precise mesmo. O Radiohead já caminha faz tempo à frente do mundo pop. Sua estratégia de divulgação, no entanto, deve dar uma chacoalhada em todo o cenário, entrar para a história e abrir um novo caminho no modo de se comercializar música. Acredite: é algo muito importante porque lida com as relações entre um determinado artista e seu público. Na prática, ninguém precisa pagar para baixar as músicas de “In Rainbows”, afinal elas vão estar em programas de trocas de arquivo e blogs de MP3 minutos após serem colocadas à venda no site oficial. A grande sacada, no entanto, é a banda depositar sua confiança sobre seu público. Pode ter certeza que muita, mas muita gente mesmo vai pagar pelo álbum. Pelo simples prazer de se apoiar uma idéia original e que respira a revolução. Quanto vale? Bem, o preço é o de menos, mas estive pensando em quanto vou pagar, e acho que, Seo Silvio, o show vale US$ 5, algo em torno de R$ 10, para mim um bom preço sobre um CD que virá sem capa, encarte, letras e um material tateável que me faça sentir sua real existência.
Pago com prazer e vou ficar torcendo para que daqui dez anos o Radiohead ainda me surpreenda com boas músicas e atitudes acima de qualquer suspeita. Vou esperar, também, que Woody Allen permaneça vivo e filmando, que Sacha chegue as vinte anos sendo matéria de capa da Bravo ou da EntreLivros (hehehe) e que os futuros presidentes dessa Eldorado chamada Brasil consigam nos devolver a fé não só nos partidos políticos, mas nas pessoas mesmo. Ok, Corinthians campeão do mundo, mas ai seria pedir demais. Realmente, acho que só posso contar com as mãos do cinema de Woody Allen e o abraço da música de Thom Yorke e seus amigos. Será que as gravadoras vão existir/resistir até 2017?
Tracking List: – CD 1 (10/10)
“15 Step”
“Bodysnatchers”
“Nude”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“All I Need”
“Faust Arp”
“Reckoner”
“House of Cards”
“Jigsaw Falling Into Place”
“Videotape”
Disco bônus: (03/12)
“MK 1?
“Down Is The New Up”
“Go Slowly”
“MK 2?
“Last Flowers”
“Up On The Ladder”
“Bangers and Mash”
“4 Minute Warning”
outubro 5, 2007 No Comments
500 Toques e Guilhermina Guinle na Vip

Tributos ao R.E.M. (15 anos do maravilhoso “Automatic For The People”) e aos Beatles (40 anos de “Sgt Peppers) gratuitos para download e mais a coletânea latino-americana “Porque Este Océano Es El Tuyo, Es El Mio” no site.
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Ontem à noite, quando passava pela padaria Bela Paulista para comprar pão (e, sim, é possível comprar várias outras coisas na Bela Paulista além de pão, antes que alguém banque o engracadinho), da fila pude observar na estante de revistas a nova edição da Vip com Guilhermina Guinle na capa. Lili, meu amor, me desculpe, mas fiquei sem ar. A capa assim como o ensaio são de tirar o fôlego…
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“Tropa de Elite” estréia, enfim, na sexta-feira, apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não concordo com o privilégio a estas duas praças, mas entendo a preocupação da produtora em não deixar a poeira baixar. Assisto ao filme no fim de semana, comparo com a edição em DVD pirata que tenho em casa, e comento tudo em um texto especial na segunda-feira, prometo (ih). Enquanto isso, o compadre Inagaki (que não viu o filme) se diverte com as estripulias que o BOPE está rendendo por ai. Além, a querida Re Honorato publicou uma nota em seu Game Girl sobre um possível jogo inspirado no filme. Leia abaixo:
– Capitão Nascimento matou a Taís e foi ao cinema, por Alexandre Inagaki
– Tropa de Elite in Game, por Renata Honorato
Off Topic: Dez razões para amar Jack White, pelas Garotas Que Dizem Ni
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Além da discotecagem em Curitiba, está pintando uma em Ribeirão Preto ![]()

outubro 3, 2007 No Comments
Mais coisas…
Fui ao VMB ontem e me surpreendi com o baixo nível da cena nacional. O que é possível dizer rapidinho é que a produção do evento é acachapante, mas a premiação é terrível. Juliette and The Licks fizeram uma grande apresentação (na TV foi uma só, mas lá eles tocaram três ou quatro) e até o Marilyn Manson me convenceu. Mas o resto… muito vestido, muita beleza, muito roqueiro de butique e pouca inteligência.
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Antes que alguém se engane, vou torcer para o “O Ano Em Que Meus Pais Sairam de Férias”, na minha modesta opinião, um grande filme, mas inferior a “Tropa de Elite”. E vou mais alem: os dois são inferiores a “Saneamento Básico”, mas a metáfora do filme é para poucos – embora acredite que mesmo isso não deveria impedi-lo de ser o concorrente nacional – enquanto “Tropa de Elite” pega na veia. Qualquer um dos três seria um bom representante.
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Momento Herbalife: meu medido garantiu que tudo está em ordem com meu estômago, que o problema é mais em cima, na cabeça mesmo. Receitou uns chazinhos e comprimidos naturais. Fiz a primeira sessão hoje de manhã, e foi surreal. É uma salinha no centro da cidade, com palavras para melhorar a baixa-estima, em que um homem serve os chás naturais para os clientes. O programa inicial leva oito dias, e são três copos de chá cuja rotina me lembrou as histórias do Santo Daime. Apenas lembrou. Surreal demais para um cara que, um dia, cogitou ser junkie…
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O todo poderoso Billy Corgan liberou a integra de dois shows novos de 2007 para download no site oficial dos Pumpkins. O primeiro show data de 22 de maio, no Grand Rex Theatre, em Paris, e traz 33 músicas, entre elas hits como “Today”, “Bullet with Butterfly Wings”, “Tonight, Tonight” e “Disarm”. O segundo show aconteceu em 25 de julho, no famoso Fillmore, em São Francisco. O áudio captura 27 músicas da apresentação que junta hits com faixas novas como “That’s The Way (My Love Is)” e “Tarantula”, entre outras. Além dos dois shows recentes, a página de downloads do site dos Pumpkins ainda disponibiliza mais de 15 apresentações entre 1988 e 2007. Aqui.
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O programa Alto-Falante e o bar A Obra comemoram, a partir desta sexta-feira, dez anos de atividades. A data especial é o ponto de partida do Festival Garimpo, que leva para a capital mineira gente como o duo Lucy and The Popsonics, Terminal Guadalupe, Macaco Bong, Vanguart e Montage. Fica aqui os parabéns do Scream & Yell para estes dois grandes sinônimos de cultura independente do País. Mais sobre o Festival Garimpo aqui.
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E o disco do Babyshambles, hein. Já virou vício agora. Ouço no computador no trabalho, no celular quando estou indo pra casa, e no computador em casa. Já está na seleção da próxima discotecagem que irá acontecer em Curitiba, qualquer dia do mês que vem…
setembro 28, 2007 No Comments
Disco da Semana: “Magic”
setembro 26, 2007 No Comments
Pato Fu num dia, Jards Macalé no outro
No palco do charmoso teatro do Sesc Vila Mariana, o Pato Fu fez na sexta-feira mais uma apresentação memorável, desta vez focando-se no repertório do recém lançado “Daqui Pro Futuro”, mas sem abrir mão do passado. Nas minhas contas, foi o décimo show do Pato Fu que assisti nos 15 anos de vida da banda, e foi o melhor show de todos (até agora).
O show começou com “Mamã Papá” do novo disco (a pequena Nina, filha de Fernanda e John, estava na primeira fila acompanhada da avó), emendou com uma bonita versão de “Perdendo Os Dentes” e virou barulho com “Gimme 30?, do álbum de estréia, “Rotomusic de Liquidificapum” (1993). Esse trio de abertura se repetiu no show: canções novas, hits e umas “velharias” escolhidas a dedo.
Entre os hits destaque para “Sobre o Tempo”, com intensa participação do público. Das canções novas, “Tudo Vai Ficar Bem” e “Vagalume” chamaram a atenção (a última com um momento “bateria de moedinhas” tocada por Ricardo Koctus). Das raridades no repertório, “Um Ponto Oito” e “Vivo num Morro” mantiveram o clima em alta. Ao contrário do álbum, que é bem lento, o show do Pato Fu continua acelerado. E divertido. E praticamente perfeito nos detalhes. Ao final, só uma certeza: eles são a melhor banda do País.
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No palco do teatro do Sesc Santana (na verdade, quase todos os novos teatros do Sesc em São Paulo são charmosos), Jards Macalé, sozinho com seu violão, fez mais uma vez um grande show. Foi diferente do show do Theatro Municipal (melhor show nacional que assisti em 2007 até agora – e um dos melhores que vi na década até aqui), mas mesmo assim foi bem especial.
Macalé brindou o público com pequenos sets homenageando amigos. Waly Salomão foi relembrado em versões matadoras de “Mal Secreto”, “Anjo Exterminado” e “Vapor Barato”. O mestre Moreira da Silva foi relembrado com “Acertei no Milhar”, o divertidíssimo samba de Gordurinha “Orora Analfabeta”, e a parceria “Tira os Óculos e Recolhe o Homem” (com direito a história que rendeu a parceria na época da ditadura), com direito a citação do samba “Olha o Padilha” (e mais história).
O Brasil foi outro homenageado. Na verdade, os políticos brasileiros foram lembrados com sambas magníficos de Noel Rosa: “Onde Esta a Honestidade”, “Com Que Roupa” e “Positivismo” (dos versos que citam o lema da bandeira brasileira: “o amor vem por principio, a ordem por base, e o progresso é que deve vir por fim, desprezaste esta lei de Augusto Comte, e fostes ser feliz longe de mim”). Os pontos altos foram as arrepiantes versões para “Consolação” (de Baden e Vinicius) e “Contraste” (de Ismael Silva), com os versos:
“Existe muita tristeza na rua da Alegria
Existe muita desordem na rua da Harmonia
Analisando essa história
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaços”
O show terminou com “Gotham City” e a promessa de “Movimento dos Barcos” para o show de domingo… até estou pensando em ver de novo…
setembro 23, 2007 No Comments



