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The Traveling Wilburys Collection

O encontro em estúdio de grandes astros da música pop – que são amigos – deveria ser algo obrigatório nas tábuas divinas, um décimo primeiro mandamento a ser acrescentado numa futura revisão/atualização dos outros dez. Isso fica evidente quando se tem nas mãos o pacote “The Traveling Wilburys Collection”, que junta em dois CDs a integra dos dois álbuns do grupo (”Vol. 1? e “Vol. 3?), mais quatro faixas bônus e um DVD que conta com um documentário sobre as gravações do primeiro álbum (legendas em português) e ainda cinco videoclipes.
Mas que catzo é o Traveling Wilburys? Bem, o Traveling Wilburys foi um projeto formado em 1988 por Nelson Wilbury, Lefty Wilbury, Otis Wilbury, Charlie T. Wilbury Jr e Lucky Wilbury, codinomes de George Harrison, Roy Orbison, Jeff Lyne, Tom Petty e Bob Dylan, escudados pelo experiente baterista Jim Keltner. Essa turma se encontrou em estúdio para gravar a faixa “Handle with Care”, que faria parte do lado B do single “This Is Love”, extraído do álbum “Cloud Nine”, de George Harrison, mas o projeto foi além.
A química em estúdio deste quinteto de luxo fluiu tão bem que o grupo decidiu arriscar um álbum inteiro, composto e produzido em apenas dez dias (tempo que eles teriam em estúdio antes que Bob Dylan saísse em turnê). O resultado deste trabalho de astros pode ser conferido novamente agora nos dois CDs lançados pela banda em 1988 e 1990 (este último sem Roy Orbison, falecido dois meses após o lançamento do primeiro álbum), relançados agora no pacote “The Traveling Wilburys Collection”.
Porém, se as músicas já estão por ai faz quase 20 anos, o grande achado do pacote é a inclusão do DVD que documenta as gravações de “Vol. 1?. George Harrison toma à frente do grupo como um líder, mas cada membro sabe muito bem o que fazer em estúdio, muito embora Tom Petty assuma: “Nós passamos os vocais de cada um para ver em qual a melodia da música se encaixa melhor, mas como eu posso cantar alguma direito coisa depois de ter ouvido Roy Orbison cantar? Ele faz a gente tremer”, comenta rindo.
O documentário repassa a gravação de várias músicas do primeiro álbum, com cada um dos participantes comentando sobre a maneira de compor do outro. Interessantes takes de estúdio (principalmente de registros vocais) recheiam o DVD. O mais engraçado é que uma das melhores partes do documentário não seja de nenhum dos cinco Wilburys oficiais, mas sim do baterista Jim Keltner, que troca os pratos da bateria por uma geladeira (?!?) em “Rattled”, e grava sua parte na cozinha da casa em que a banda transformou em estúdio para compor o álbum.
“The Traveling Wilburys Collection” flagra a história de um grupo de amigos apaixonados por aquilo que sempre fizeram na vida: música. Canções como o country de boteco do velho-oeste “Last Night”, os rocks da idade pedra (ops) “Dirty World”, “She’s My Baby” e “Margarita”, o twist “Wilbury Twist” (com a seqüência de passos da dança desenhados no encarte), as dylanianas “Tweeter And The Monkey Man” e “If You Belonged to Me”, ou mesmo as inéditas “Maxine”, “Like a Ship”, “Runaway” (de Del Shannon) e “Nobody’s Child” (de Mel Foree e Cy Coben) são momentos em que a música pop manda raros cartões postais do paraíso.
novembro 26, 2007 No Comments
Radiohead na Last FM, em livro e… no Brasil

A essa altura da tarde/começo da noite de quinta-feira você já deve estar sabendo que o Radiohead baixa em terras brasileiras, segundo o guitarrista Ed O’Brien, entre maio e julho de 2008, certo. A integra da nota da BBC é isso aqui:
RADIOHEAD TO INCLUDE SOUTH AMERICA ON TOUR
Radiohead might be playing South America for the first time next year, Ed O’Brien revealed on BBC Radio 1’s Zane Lowe show. Apart from the earlier revealed plans of touring in May, June and July next year; It looks like the band have finally decided to answer the long-time wishes of the South Americans by playing their continent. Although Ed did narrow it down immediately to just two countries: “We’ll hopfully go to Japan and hopefully South America, where we haven’t been before. Well, Argentina and Brazil”.
Já festejando esse anúncio, lembrei de duas coisas que eu estava pra comentar no que diz respeito à banda de Thom Yorke. A primeira são só números:
Faz seis semanas que “In Rainbows” crava as dez músicas mais ouvidas da rádio Last FM. Então você questiona: isso lá significa alguma coisa? Bem, os números respondem isso. Em seis semanas (42 dias), o Radiohead foi executado pela Last FM nada menos do que 11 milhões de vezes (número preciso: 11.594.424 execuções). “15 Step”, a música que abre “In Rainbows”, já foi ouvida 760 mil vezes pelos usuários cadastrados no site. “Videotape”, a faixa que encerra o álbum, teve 620 mil execuções. Esses números são assustadores… pra mim.
A segunda coisa que tenho para falar sobre o Radiohead diz respeito ao livro estampado neste post: “Beijar o Céu”, de Simon Reynolds. O livro traz muitas matérias bacanas, mas a do Radiohead é sensacional. Escrita originalmente para a The Wire britânica, a reportagem (que foi capa da revista) ocupa 30 páginas do livro, e traz dezenas de momentos memoráveis de jornalismo pop. Abaixo transcrevo alguns:
1)
“Talvez seu primeiro pensamento quando pegou este número da The Wire tenha sido ‘que porra é essa?’, e talvez seja uma reação compreensível. Afinal, o Radiohead é um grupo que conseguiu vendas multiplatinadas em 50 países. Não fiz as contas (não sou tão louco), mas considero perfeitamente concebível que as vendas totais de cada artista que aparece nesta edição da The Wire, somadas, talvez não passe as vendas globais de ‘Ok Computer’, o maior álbum do Radiohead. E existe um argumento forte de que uma banda com esse tipo de peso comercial e tal nível de consenso no mainstream simplesmente não tem lugar na capa de uma revista desse tipo, conhecida por lutar pelos dissidentes e pelos que estão a margem.
Só que o Radiohead, eu insisto, fez por merecer. Considere os fatos: no final do ano passado, três álbuns rejuvenesceram o conceito moribundo do pós-rock. ‘Agaetis Byrjun’, do Sigur Ros; ‘Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas To Heaven’, do Godspeed You! Black Emperor; e ‘Kid A’. (…) Acontece que só um dos membros desse triunvirato do pós rock entrou no primeiro lugar das paradas de álbuns mais vendidos do Reino Unido e dos EUA. (…) O fato é que o Radiohead opera hoje como embaixador do mainstream para muitas das coisas que essa revista estima”.
2) Jonny Grrenwood fala: “Quando saíram as críticas de ‘Kid A’, nos acusando de sermos difíceis de propósito, eu falei: ‘Se isso fosse verdade, teríamos feito um serviço muito melhor’. O disco não é tão complicado assim – tudo ainda tem quatro minutos de duração, é melódico”.
3) Thom Yorke fala: “Estamos muito felizes porque, dois dias atrás, o Jonny deu uma entrevista para um jornal brasileiro e a primeira pergunta foi: ‘O que você achou do Noel e do Liam dizerem que ‘Kid A’ foi uma monumental covardia?’ Não sei o que isso quer dizer, mas quem se importa, a gente falou YES, finalmente deixamos eles putos”.
4) Talvez o comentário de “covardia” dos irmãos Gallagher esteja relacionado à ideologia central do britpop, de fazer-sucesso-a-qualquer-custo. Essa retórica de ter as paradas de sucesso como alvo, afinal, denigre os velhos ideais do indie rock como derrotista, obscurantista, elitista até. Não só “Kid A” ressuscitou um conceito diferente de ambição – amadurecimento artístico contra explosão comercial – mas também interferiu no destino “correto” do Radiohead: tornar-se uma megabanda tipo U2 fase “The Joshua Tree” (…)
Espécie de álbum semiconceitual sobre a tecnologia e a alienação, a magnitude de “Ok Computer” – em termos de som, temática e aspiração – fez o britpop pagar por seus erros, substituindo seu anti-intelectualismo juvenil e seu hedonismo vazio pelo glamour da literatura e da angústia. Noel e Liam têm razão em se sentirem incomodados: o Radiohead é o anti-Oasis, é o enorme sucesso de “Ok Computer” ofuscando “Be Here Now”, o álbum dos irmãos Gallagher inflado e arruinado pela cocaína.
Ps. Eu queria colocar mais trechos, mas o texto é graaaaaaaaande e tem muita coisa imperdível… risos
Ps 2: já está circulando por ai uma teoria da conspiração envolvendo o álbum “In Rainbows” (tipo aquela do “Kid A” e a “Bruxa de Blair”, que o Pala escreveu aqui pro Scream anos atrás). Leia ambas abaixo:
novembro 22, 2007 No Comments
Pullovers e Bidê ou Balde no Inferno

A Bidê ou Balde ainda é, sobre um palco, uma das melhores bandas de rock do país. Eles podem mudar a formação (perderam o baixista André e o baterista Pedro está fora desde a gravação do Acústico MTV em 2005), se darem ao luxo de tocarem as canções mais fracas de seu repertório (”Vamos Para Cachoeira”, “A-ha”, “Vamos Para Uma Excursão”), e o vocalista esquecer a letra da música que deu a banda o prêmio de revelação no VMB 2001, que mesmo assim o show é poderoso, muito pelo incendiário desempenho de palco de Carlinhos, Vivi, Sá e o novo (velho) guitarrista Pila.
Mérito também para um repertório de canções poderosas como “É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos”, “Matelassê”, “Bromélias”, “K-7?, a versão de “Buddy Holly”, “O Antipático” e “Mesmo Que Mude”, esta última, fácil, uma das dez grandes canções do rock brasileiro nos anos 00. Eles têm o público nas mãos. Vivi sorri. Carlinhos tira o terno, coloca o terno, apresenta os novos integrantes e diz que vai tocar uma antiga, mas “Spaceball” causa um anticlímax na memória: é de uma época em que Bidê e a Vídeo Hits tinham tudo para conquistar o mainstream nacional, e não conquistaram (muito mais por incompetência das gravadoras do que por falta de qualidade das bandas citadas). Essa expectativa não realizada me acorda: já estamos em 2007. E o que a Bidê tem a dizer?
A cena indie nacional descobriu, definitivamente, a MPB. É sintomático – e interessante – o fato do Pullovers, grupo paulista devoto do Pavement e já com três álbuns guitarreiros nas costas, abrir seu novo show tocando “Jorge Maravilha”, de Julinho da Adelaide (aka Chico Buarque), e no meio do set apresentar “Mal Secreto”, parceria de Waly Salomão com Jards Macalé presente no clássico disco de estréia deste último, em 1972. As duas versões juntam-se ao novo repertório do grupo, cantado em português e cheio de possíveis hits.
No entanto, nessa passagem da banda da adolescência para a vida adulta (prejudicada por mudanças constantes na formação), os arranjos ao vivo não estão valorizando o bom (e simples) rock que o Pullovers tem apresentado em estúdio. Canções grudentas e deliciosas como “1932?, “O Amor Verdadeiro Não Tem Vista Para o Amor”,”Futebol de Óculos” e “Marcelo ou Eu Traí o Rock” perdem punch em suas versões ao vivo. Na hora em que o sexteto encontrar o seu som no palco, São Paulo terá uma grande banda para descobrir. Fique atento.

Com esse pensamento, analiso a cena: é uma sexta-feira quente em São Paulo, bebo cerveja gelada na tentativa de entorpecer a memória enquanto uma das bandas mais bacanas desta década do cenário nacional louva o passado (nem tão passado assim) sem dar uma piscadela sequer para o futuro. O último disco da banda, “É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos!”, é de 2004 e, desde então, eles não fizeram nada novo. Amigos se surpreenderam quando a banda anunciou esse show em São Paulo: “Achei que eles tivessem acabado”. O show, no entanto, não desmente isso.
Com três discos na carreira e pouco mais de nove anos de atividade, a Bidê ou Balde parece ter virado um dinossauro indie. Mesmo o show tendo sido bom, foi inferior a qualquer um que a banda tenha feito na cidade entre 2001 e 2005. Pode ser o começo de uma nova fase. Pode ser que os novos integrantes ainda estejam se entrosando. Mas Carlinhos, no palco, lamentando a ausência do baixista André, soa tanto como “os melhores anos de nossas vidas se foram”. Não dá pra fugir do futuro, e a Bidê – que sobreviveu a saída do guitarrista e compositor Rossato após o primeiro álbum – tem estofo de sobrar para sobreviver aos novos tempos. Porém, os fantasmas no palco do Inferno colocam uma grande interrogação no futuro de uma das bandas mais legais que o cenário brasileiro ouviu nos últimos anos.
novembro 21, 2007 No Comments
Dois discos para você baixar… agora

Toda semana, três ou quatro pessoas (às vezes mais, às vezes menos) me escrevem dizendo que tem uma banda, que gravaram algumas canções e que gostariam de me mandar um CD para eu escutar e – quem sabe – resenhar. Sinto-me sempre elogiado quando alguém leva em consideração o que penso sobre uma música, disco ou mesmo uma banda que está surgindo, mas lá no âmago eu sempre me enrolo numa situação dessas, por que ouvir fitas demo e/ou CDs de novas bandas é um trabalho na maioria das vezes tortuoso, pode acreditar.
Quando me peguei pensando nisso, lembrei-me do Álvaro Pereira Júnior, que em uma coluna de 1999 na Folhateen dizia: “É preciso ter estômago de avestruz para escutar fitas demo. Muitas revistas estrangeiras têm jornalistas que cuidam especificamente de analisá-las. (…) Recebo poucas fitas demo e CDs de estreantes. Ainda bem. Estou velho, rabugento e seletivo, não tenho mais como perder tempo dando ouvidos a amadores” (o texto todo está aqui). Na época, achei que se ele estava de saco cheio disso, que fosse procurar outro ramo para trabalhar, pois se você escreve sobre música precisa estar atento a todas as novidades, e as grandes bandas (TODAS) surgem de uma fita demo, um single ou um CD de estréia. Hoje, mais velho (”rabugento e seletivo”, como o Álvaro se justifica na coluna), entendo a posição dele.
Entendo por que, cada vez mais, ando sem tempo para quase nada. A velocidade do tempo moderno, as facilidades da tecnologia (que ao invés de nos poupar tempo, nos trouxe mais coisas para “perdermos tempo” e nos mostrou uma infinidade de coisas que não sabíamos que existiam) e os afazeres diários se juntaram e se transformaram em uma bola de neve que aumenta sintomaticamente todos os dias. São centenas de discos para ouvir, livros para ler, filmes para assistir, e ainda preciso arranjar tempo para trabalhar, me alimentar e me relacionar. Isso tudo sem contar que grande parte do material que recebo não é destinado a mim (coisas de hard rock e derivados de Red Hot Chili Peppers e Evanescence – será que esses músicos lêem o que eu escrevo faz mais de dez anos?)
Então, depois de três parágrafos reclamões, o leitor pergunta: Por qual você continua aceitando receber fitas demo e/ou CDs de bandas novas se é tão tortuoso assim? A resposta é simples: pelo imenso e inigualável prazer de “descobrir” uma banda nova que me deixe sem fôlego a ponto de eu querer escrever dela, indicar para os amigos, insistir para as pessoas baixarem o disco, irem ao show, se encantarem como eu me encantei enquanto ouvia. É preciso entender que eu escrevo por necessidade da minha alma, por um desejo que surgiu em mim do nada, sem eu saber por quê. Escrevo por prazer. Não dá para perder tempo sendo burocrático ou falando sobre coisas inúteis (a não ser que seja em forma de ironia, a raiva travestida de estilo e inspiração). Tempo é algo sagrado.
Toda essa reflexão surgiu por causa do Lestics, projeto paralelo de dois integrantes do grupo independente paulistano Gianoukas Papoulas (Olavo e Umberto), que lançou dois belíssimos discos gravados em home studio em 2007, “9 Sonhos” em março e “les tics” em outubro, ambos liberados para download gratuito no site oficial do duo (www.lestics.com.br). Olavo fica responsável pelo excelente registro vocal enquanto Umberto se divide entre guitarra, violão, baixo, teclados, gaitas, programações, percussão e voz. Juntos eles fazem um passeio emocionante por melodias calcadas em folk, rock e country criando pequenas odes sombrias repletas de beleza urbana que deixam o ouvinte sem fôlego após a primeira audição.
“9 Sonhos”, como explicita o nome, são nove canções que passeiam pelo universo da memória em um tempo indistinto, mas que permite ligação com a infância e a adolescência. Abre com a deliciosa “Elefantes”, que narra uma pequena fábula cujo personagem aperta a campainha de uma casa e sai correndo (quem nunca fez isso na infância?), mas os moradores da casa são uma família de elefantes, “que vem voando arrasando tudo pelo caminho”. O surrealismo toma conta das letras como em “Mutantis Mutandi” que finaliza dizendo que “a vida é o nada, é a morte, é o parto”. Já a genial “Alguma Coisa Me Diz” filosofa em forma de folk rock: “Eu saio da cama, eu lavo o meu rosto, eu troco de roupa, e desço pra rua / eu entro no táxi, e digo bom dia, apago o cigarro e abro o jornal / mas alguma coisa me diz que nada disso é normal”.
A primeira lembrança que o som do duo resgata são os gaúchos da Graforreia Xilarmônica, mas também é possível identificar influências dos paulistas do Fellini (que além de gravarem seus primeiros discos também em home studio, tinham uma poética muito próxima da que o Lestics exibe) em algumas passagens. Embalada por uma gaitinha, a romântica “O Mundo Acaba” fala de uma garota que tem mais de mil bocas, dois mais braços, dez mil pernas e milhões de seios lindos, e explica no refrão: “Ela vem e me abraça e ai que o mundo acaba”. “Dois Olhos” é climática, psicodélica. “O Rio” é folk alegre. “Tropeço” tem outra letra ótima: “Eu quero parar e começo / Eu quero correr e tropeço”. “Canto de Sereia” é suave enquanto “Escuridão e Silêncio” narra um assassinato em um sinal vermelho. São nove sonhos… repletos de realidade.
No segundo álbum recém lançado, “les tics”, os textos continuam surreais, mas são bem mais diretos como mostra a faixa de abertura, “Tipo” que narra: “Levando em conta a história da família, os quatro anos isolados numa ilha, e a falta de presentes no natal, até que ele é um tipo bem normal”. “Gênio”, a próxima, é uma das melhores do álbum. Abre dizendo que Shakespeare e os gregos já disseram tudo antes para cravar no refrão cruel: “Você tem a alma atormentada de um gênio / pena que te falte uma pitada de talento”. Com o orgão à frente, “Última Palavra” narra um fim de relacionamento cujo forte verso exprime: “Longe demais é o lugar que a gente vai pelo prazer de se arrepender”. Após o tempestade surge a calmaria de “Luz de Outono”, que prevê sabiamente: “Pode ser que algum dia que eu queime os meus livros / Jogue fora os meus discos e quebre a TV / Mas mesmo enjoado de tudo na vida / Eu sei que não vou me cansar de você”.
“Náusea” é sombria (e tem um outro ótimo verso: “O instinto mantém minhas veias abertas”); “Inevitável” é divertida e fala sobre a necessidade de composição de uma canção “pobre de idéias”; “Metamorfose” é uma declaração de amor (no jeito Lestics de fazer declarações de amor: “Ainda me surpreendem as suas metamorfoses / as mudanças de aparência / suas coleções de vozes”); a poética de “Caos” destaca outra grande faixa do álbum (“Não é possível que você não acorde / com o barulho infernal de cada estrela que explode”); a curtinha “Ego” fecha o pacote de MP3 em clima de folk blues. Juntas, as noves faixas de “9 Sonhos” e “les tics” somam 50 minutos de música inspirada, canções prontas para serem devoradas por ouvintes exigentes. Os dois discos estão disponíveis gratuitamente no site www.lestics.com.br, basta um clique sobre o nome do álbum e “salvar” para o seu computador. Minha alma, agora, está satisfeita. Vou voltar para a rotina do dia (que inclui terminar de assistir a trilogia “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Copolla, e ouvir com mais calma “White Chalk”, novo de Polly Jean Harvey), mas se você me conhece, sabe: ainda vamos voltar a conversar sobre o Lestics.
novembro 18, 2007 No Comments
Discotecagem no CB e Blogoteque

Assumo as pick-ups no CB hoje à noite ao lado do André Fiori (capo da Velvet CDs) e do chapa Focka. No palco, Cassevetes, banda formada por músicos do cenário indie dos anos 90 que tocam Elvis Presley, Neil Young, Velvet Underground, Van Morrison, Echo and the Bunnymen, Radiohead, Talking Heads, Tom Waits, Madonna, Stevie Wonder, Smashing Pumpkins, Beatles e outros. Noitada boa!
Segue o serviço:
FESTA ROCK ‘N’ ROLL DINER, no CB (SP)
A partir das 21h
Shows: Cassavetes
DJ: Focka, André Fiori e Marcelo Costa
$18 ($12 na lista)
Av. Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, São Paulo
Tel: (11) 3666.8971
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Falando em discotecagens, as duas de semana passada não rolaram. Um trânsito absurdo de quase três horas não permitiu que chegássemos em tempo de pegar o vôo para Curitiba para assistir aos shows de Terminal Guadalupe e Violins. Uma pena. Pior foi ter que encarar mais três horas de trânsito na volta de Guarulhos pra casa (sério, ficamos quase meia hora com o ônibus parado no MESMO lugar).
Já no domingo a história foi outra. A organização do festival Groselha Fuzz cancelou a segunda data do festival. Admiro o trabalho que o Tiago Fuzz faz na região, e deixo aqui meio completo apoio. Criar um circuito de shows não é nada fácil, e são os tropeços que permitem que a gente continue caminhando sabendo onde pisar (filosofia de boteco, mas plenamente real). Tiago, força sempre.
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Acho que nunca comentei aqui do Blogoteque, né. Bem, acompanhei o surgimento do blog/site francês uns anos atrás, sempre admirando o trabalho dos caras. Num resumo tosco, eles fazem pequenos clipes ao vivo com bandas independentes, e os locais de cenário podem ser os mais inusitados: de um pista de skate, passando por uma praça, um café, um edifício abandonado, ou um quarto de hotel, como você pode assistir nos vídeos abaixo que trazem a dupla Damon & Naomi tocando Bob Dylan (”Oh Sister” dentro de “I Wonder If”) e Caetano Veloso (”Araça Azul”).
Ou então o Guillemots tocando a fofíssima “Made Up Love Song #43?
Ou que tal o National tocando “Start a War”…
Dá para ficar dias assistindo: http://www.blogotheque.net/
novembro 17, 2007 No Comments
Top 100 de shows
Respondendo a um comentário do Diego, no post abaixo, fiz uma listinha rápida de meus shows preferidos. Graaande bobagem. Uma listinha dessas não pode ser feita assim, a toa. Deitei na cama, coloquei a cabeça no travesseiro e dezenas de shows foram pintando na minha memória. Resolvi levantar e fazer o que tem que ser feito: listar os melhores shows que assisti em minha vida. Era para ser um Top 10, virou um Top 20, depois um Top 25, em seguida um Top 30 e por fim um Top 50. Não foi uma tarefa fácil, e sei que ainda estou esquecendo um e outro, mas paciência. No mais, a lista que segue serve como explicação para aqueles que acham que ando insatisfeito demais com o mundo e achando qualquer showzinho do Killers, Arctic Monkeys e Kasabian medianos… o nível é que anda alto por aqui. :o)
Top 50 Internacional
01) R.E.M. no Rock in Rio (2001)
02) Page & Plant no Hollywood Rock (1995)
03) Elvis Costello no Tom Brasil (2005)
04) Morrissey no Personal Fest (2004)
05) Mercury Rev no Curitiba Rock Festival (2005)
06) The Cure no Ibirapuera (1987)
07) Lou Reed no Credicard Hall (2000)
08) Betty Gibbons no Tim Festival (2003)
09) Sonic Youth no Free Jazz (2000)
10) Pearl Jam no Estádio do Pacaembu (2006)
11) Rolling Stones na Praia de Copabacana (2006)
12) Brian Wilson no Tim Festival (2004)
13) Neil Young no Rock In Rio (2001)
14) AC/DC no Estádio do Pacaembu (1996)
15) Patti Smith no Tim Festival (2006)
16) Super Furry Animals no Tim Festival (2003)
17) Damon e Naomi no Sesc Vila Mariana (2002)
18) Iron Maiden no Parque Antártica (1992)
19) Bad Religion no Close-Up Planet (1996)
20) Gang of Four no Campari Rock (2006)
21) And You Will Know Us By The Trail of Dead no Sesc Belenzinho (2001)
22) Alice in Chains no Hollywood Rock (1993)
23) Black Sabbath no Olympia (1992)
24) Ian McCulloch no Directv Music Hall (2005)
25) Metallica no Parque Antártica (1993)
26) Supergrass no Campari Rock (2006)
27) Television no Sesc Pompéia (2005)
28) Medeski, Martin e Wood no Sesc Pompéia(2006)
29) Iggy Pop & The Stooges no Claro Que é Rock (2005)
30) Weezer no Curitiba Rock Festival (2005)
31) Luna no Sesc Pompéia (2001)
32) Flaming Lips no Claro Que é Rock (2005)
33) 2Many DJs no Tim Festival (2003)
34) Mudhoney no Olympia (2001)
35) Stereo Total no Sesc Pompéia (2005)
36) Echo and The Bunnymen no Via Funchal (1999)
37) Franz Ferdinand no Motomix (2006)
38) Blondie no Personal Fest (2004)
39) Libertines no Tim Festival (2004)
40) Chemical Brothers no Pacaembu (2004)
41) Teenage Fanclub no Sesc Pompéia (2004)
42) Shirley Horn no Tim Festival (2003)
43) Yo La Tengo no Sesc Pompéia (2001)
44) L7 no Hollywood Rock (1993)
45) Mogwai no Sesc Vila Mariana (2002)
46) Bellrays no Inferno (2007)
47) Björk no Tim Festival (2007)
48) Robert Plant no Hollywood Rock (1993)
49) NIN no Claro Que é Rock (2005)
50) PJ Harvey no Personal Fest (2004)
Top 50 Nacional
01) Jards Macalé no Theatro Municipal (2007)
02) Legião Urbana no Clube de Regatas em São José dos Campos (1992)
03) Titãs no Taubaté Country Club (1986)
04) Sepultura no Olympia (1996)
05) Ira! no Aeroanta (1991)
06) Graforréia Xilarmônica no Upload Festival (2001)
07) RPM no Taubaté Country Club (1987)
08) Mundo Livre no Sesc Pompéia (2001)
09) Los Hermanos no Blen Blen (2002)
10) Edgard Scandurra no Sesc Consolação (2002)
11) João Donato no Theatro Municipal (2007)
12) DJ Marky no Skol Beats (2003)
13) Raimundos no Hollywood Rock (1996)
14) Os Replicantes na Funhouse (2005)
15) Tom Zé no FMI Maceió (2006)
16) Wander Wildner no Café Camalehon (2005)
17) Paulinho da Viola no MIS (2007)
18) Orquestra Manguefônica no Sesc Pompéia (2005)
19) Defalla no Avenida Clube (2005)
20) Bidê ou Balde no Avenida Clube (2005)
21) Marcelo Nova no CCBB (2004)
22) Rita Lee no Teatro São João (1992)
23) Walverdes na Funhouse (2003)
24) Pato Fu no Sesc Vila Mariana (2007)
25) Chico Buarque no Tom Brasil (2006)
26) Jorge Mautner no Sesc Consolação (2004)
27) Camisa de Vênus no Taubaté Country Club (1988)
28) Lobão no Taubaté Country Club (1988)
29) Blitz no Taubaté Country Club (1984)
30) Banda Vexame no Sesc Pompéia (2004)
31) Capital Inicial no Taubaté Country Club (1988)
32) Blues Etilicos em Taubaté (1994)
33) Nação Zumbi no Tim Festival (2003)
34) Jupiter Maça no Blen Blen (2002)
35) Video Hits no London Burning Festival (2001)
36) Trio Mocotó & João Donato no CCBB (2005)
37) Cidadão Instigado no FMI Maceio (2006)
38) Móveis Coloniais de Acaju no Curitiba Rock Festival (2005)
39) Ultraje a Rigor no Taubate Country Club (1989)
40) Wado no Tim Festival (2003)
41) Mombojó no Itaú Cultural (2004)
42) Acústico Bandas Gaúchas (2005)
43) Paralamas do Sucesso no Taubaté Country Club (1992)
44) Autoramas no Sesc Pompéia (2002)
45) Devotos de Nossa Sra Aparecida no Estacionamento do Anhembi (1994)
46) Inocentes no Projeto Leste 1 (1989)
47) Lulu Santos no Taubaté Conutry Club (1987)
48) Mutantes no Parque da Independência (2006)
49) Superguidis no Studio SP (2006)
50) Garotos Podres no Teatro Franco Zampari (1988)
10 Shows abaixo do esperado
01) Nirvana no Hollywood Rock (1993)
02) Sex Pistols no Close-Up Planet (1996)
03) Ozzy Osbourne no Monsters of Rock (1995)
04) Kiss no Monsters of Rock (1994)
05) Devendra Banhart no Tim Festival (2006)
06) Red Hot Chilli Peppers no Rock in Rio (2001)
07) Jesus and Mary Chain no Projeto SP (1990)
08) The Charlatans no Olympia (2002)
09) The Rakes no Indie Rock Festival (2007)
10) Foo Fighters no Rock in Rio (2001)
10 Shows que eu perdi e queria (muito) ter visto
01) Wilco no Tim Festival (2005)
02) Pixies no Curitiba Rock Festival (2004)
03) David Bowie no Olympia (1990)
04) Echo and The Bunnymen no Anhembi (1987)
05) Kraftwerk no Free Jazz (1998)
06) The Smashing Pumpkins no Hollywood Rock (1996)
07) Ramones no Olympia (1992)
08) Oasis no Anhembi (1998)
09) Jon Spencer Blues Explosion no Sesc Pompéia (2001)
10) Arcade Fire na Marina da Glória (2005)
novembro 13, 2007 No Comments
CSS, Devo e Rapture no Planeta Terra

Após o fiasco da edição paulista do Tim Festival na Arena Skol duas semanas antes, a expectativa de assistir a um festival realizado em um local inóspito sem histórico de shows não era das melhores. Uma reportagem da Folha de São Paulo, na manhã de sábado, alertava: “Festival ocupa galpões e espera chuva, (…) e se chover a situação pode ficar precária”. Apesar de toda uruca, o Planeta Terra 2007 deve fechar o ano como o festival que colocou o badalado Tim no chinelo (em 2005 foi o Claro Rock; em 2006 o Nokia Trends).
De fácil acesso, a Villa de Galpões do Morumbi (na verdade, um decadente conjunto industrial que abrigou durante anos uma fábrica de plásticos) foi adaptada para o festival de forma exemplar. A produção não procurou esconder a decadência do local (e vamos combinar: isso casa perfeitamente com o rock e a música pop), e tratou de usar este fator a seu favor sem, de maneira alguma, desrespeitar o público. Tudo aquilo que o público reclamou do Tim Festival duas semanas atrás aqui estava praticamente perfeito.
Da limpeza (uma equipe passou o festival todo recolhendo o lixo produzido pelas mais de 15 mil pessoas) passando pela alimentação (além de uma praça muito bem armada com várias opções, o festival tinha vários caixas, vários pontos para comprar cerveja, e ainda carrinhos de sorvete Rochinha, de pipoca e algodão doce feitos na hora), pelo respeito aos horários dos shows (Lily Allen começou com dois minutos de atraso; CSS entrou no palco três minutos antes do previsto) e pelos preços corretos (um refrigerante ou garrafa de água R$ 2 contra R$ 5 no Tim), o Planeta Terra exibiu em sua primeira edição uma produção cuidadosa que merece elogios.
Porém, ninguém vai a um festival para comer algodão doce e tomar sorvetes Rochinha. As facilidades propostas pela organização do evento merecem aplausos, mas um festival se faz de boa música, e é nesse ponto que o Planeta Terra deixou um pouco a desejar. O line-up mediano que juntava uma inglesinha metida a besta (a fofa Lily Allen), um dinossauro da new wave (os tiozinhos do excelente Devo), uma banda brasileira famosa na gringa (os ótimos CSS) e um dos melhores nomes da nova cena nova-iorquina (o Rapture, que já tinha feito um show contagiante no Brasil em 2003) não prometia shows antológicos, mas apenas entretenimento enquanto se saboreia um bom sorvete de palito.
Um dos fatores interessantes de se assistir a um festival bem estruturado é que não há tempo para descanso: enquanto você perde tempo esticando as pernas algum bom show está começando em uma das tendas, e não dá para ficar olhando estrelas. Assim, ali pelas duas da manhã já estava difícil não pensar nos joelhos castigados. Foi um alivio quando o vocalista do Kasabian (só no Brasil para uma banda de terceiro escalão se tornar headliner de festival; chega a ser uma afronta ao Pato Fu, que tem muito mais hits e personalidade que o grupo britânico) gritou pela última vez “Sãoooo Paooolo”.

Os portões se abriam às 17h. O último show iria acabar às 2h e tanto. Tantas horas em pé andando de um lado para o outro não são uma das tarefas mais fáceis, por isso acabei cabulando os shows de Supercordas (que trouxe Tatá “Jumbo Elektro” Aeroplano como integrante especial) e Lucy and The Popsonics. No momento que pisei o Main Stage, o Pato Fu iniciava sua apresentação com “Mamã Papá”, do excelente disco novo, “Daqui Pro Futuro”. O show, mais curto que o usual, foi repleto de declarações de amor de Fernanda Takai e John Ulhoa ao Devo. “Vocês não sabem o que é passar metade da vida com uma camiseta escrita Devo no peito e estar aqui agora”, contou um emocionando John. O show valeu pelo resgate de “Gol de Quem?”, faixa título do segundo álbum dos mineiros pouco executada ao vivo.

Tokio Police Club (foto maior) e Datarock (fotos menores) fizeram um barulho dos diabos no palco Indie do festival. Apesar do som embolado, o Tokio Police Club soou interessante, mas o máximo que se pode dizer da apresentação é que foi correta. Fresquinho que é no cenário pop, o Tokio Police Club podia fazer uma noite antológica na Funhouse, n’a Obra, no Teatro Odisséia ou no 92 Graus. Num festival eles são apenas um passatempo barulhento, o que não deixa de ser ok. Já o Datarock pareceu mais bem encorpado e mais pesado que nos MP3 que circulam por ai. Não vale a comparação – na brincadeira – com o Sepultura perpretada pelo vocalista, mas é uma boa diversão.

Lily Allen é baixinha, mas invocada. Despeja palavrões em um microfone verde-limão enquanto bebe no gargalo para comemorar o último show da turnê do platinado álbum “Alright, Still” – e bêbada acaba esquecendo as letras de suas próprias canções. Desfila no palco com um bonito vestido azul enquanto sarreia o tamanho do pênis de um ex-namorado em uma canção e reclama da microfonia que insiste em marcar presença na apresentação. A banda afiada dá um sotaque ska para o som (que até cover do Speciais teve), mas o show é morno, quase frio. Se mesmo a fofíssima versão de “Everbody’s Changing”, do Keane (presente no álbum “The Saturday Sessions: Dermot O’Leary Show”) soou deslocada imagine “Heart of Glass” do Blondie. Boa ressaca, my dear.

O retorno do Cansei de Ser Sexy para São Paulo não poderia ter sido melhor. Após ter tocado em palcos de todos os cantos do mundo, o grupo mostrou em São Paulo uma unidade e uma maturidade que devem ter assustado aos detratores. É gratificante ver que a badalação da imprensa britânica – tanto de música quanto de moda – não afetou em nada o excelente desempenho de Lovefoxxx. Ela continua rolando no palco, pedindo alegria para o público e fazendo as mesmas tiradas sem graça do início da banda (desta vez foi uma brincadeira com a Xuxa). O repertório – com exceção da inédita “The Beautiful Song” e da cover do L7, “Pretend We’re Dead” – não trouxe novidades, mas canções como “Alcohol”, “Off The Hook”, “Alala” e “Metting Paris Hilton” ainda valem um show. Na perfeita “Music Is My Hot Hot Sex” (com Adriano Cintra na guitarra), Lovefoxxx engrossou a voz e trocou a frase “o que eu gosto não é farsa” por “o que eu faço não é farsa”. Se alguém tinha dúvidas já era. Agora é esperar o segundo álbum.

O Devo entrou no Main Stage introduzidos de forma inusitada: um longo vídeo que misturava trechos de clipes avisava, no final, que o Devo era uma experiência que todos precisam viver. Não poderia ter sido mais apropriado. Começando com o hit “That’s Good”, o grupo que está na ativa desde 1972 praticando um rock ácido e bem humorado (cujo exemplo clássico é a divertida versão de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Stones, presente no primeiro álbum do grupo, “Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!”, de 1978) chacoalhou a audiência com hits do quilate de “Peek-a-Boo!”, “Whip It!” e “Uncontrollable Urge”. Além de fazer um dos melhores shows da noite, também foi do vocalista Mark Mothersbaugh a frase do festival: “Já faz um bom tempo que tocamos no Brasil (1990). Naquela época vocês ainda tinham uma floresta”. Clap clap clap.

Fechando os trabalhos do palco Indie, o Rapture voltou a repetir a aclamada apresentação de quatro anos atrás no Tim Festival. Assim como no show de 2003, o baterista Vito Roccoforte não deu descanso ao público com suas pancadas que “obrigam” a audiência a pular e dançar. Por sua vez, Gabriel Andruzzi provou mais uma vez como o sax pode ser bem usado no rock. Seu solo no hit dançante “Get Myself Into It” foi chapante. O bom baixista Matt Safer continua sendo um dos destaques da banda. E Luke Jenner recebeu o espírito de um guitar hero em vários momentos da apresentação. Conforme o show foi crescendo a massa sonora também aumentou ao ponto de “House of Jealous Lovers” ter soado ensurdecedora. “Olio”, “Don Gon Do It” e “Whoo! Alright Yeah… Uh Huh” foram outros grandes momentos da noite.
Apesar dos bons shows de CSS, Devo e Rapture, o Planeta Terra Festival ficou devendo uma apresentação antológica, daquelas que daqui dez anos alguém vai virar e falar: “Lembra, em 2007, naquele festival, que show sensacional foi aquele???”. Apesar do acerto louvável na organização faltou ao festival um grande nome no line-up, e isso ficou claro na apresentação de encerramento com o Kasabian, cujo rock com pitadas de eletrônico (claramente chupados do Primal Scream) soou tão instigante quanto um programa comandando por Gugu Liberato no meio de uma madrugada qualquer. Fica a torcida para que em 2008 o Festival consiga aliar à qualidade de produção um grupo de artistas que façam valer a pena chegar às três e meia da manhã em casa. Dedos cruzados.
novembro 11, 2007 No Comments
Revoluttion (Mini) Tour
Nesta sexta começa a Revoluttion (Mini) Tour (eeee). Ok, menos, menos. Na sexta embarco para Curitiba com o compromisso de discotecar no Jokers Bar na noite em que se juntam as duas principais bandas do meu Top 2007 pessoal: Terminal Guadalupe e Violins. Só garanto que vai rolar Cold War Kids. O resto é resto. No sábado tem Planeta Terra. Pretendo acordar lá pelas 15h e começar a me preparar com bastante energético, pois esse vai ser um festival em que as bandas nacionais tem tudo para roubar a cena das gringas. Ou seja, o lance é chegar cedo. Domingo pela manhã embarco para Ribeirão Preto onde assumo as pick-ups no Groselha Fuzz Festival (garanto que vai rolar Cold War Kids). E como canta Rubin na cover da banda do Bob Geldof: “I Don’t Like Mondays”…
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Disco da Semana: a trilha sonora do filme “I’m Not There ” “Lee Ranaldo, do Sonic Youth, montou um supergrupo para acompanhar os “sem banda”: Steve Shelley na bateria (Sonic Youth), Nels Cline (Wilco) numa guitarra, Tom Verlaine (Television) na outra, Tony Garnier (Bob Dylan Band) no baixo, Smokey Hormel (parceiro de Miho Hatori) também na guitarra, e John Medeski (do grupo Medeski, Martin and Wood) nos teclados.” Continua
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500 Toques: Britney Spears, Emma Pollock e Siouxsie “Britney é mais rock do que Coldplay, Keane e emos juntos; Emma Pollock mostra que os mandamentos praticados pelo Delgados permanecem vivos; Siouxsie chega aos 50 anos tão inspirada e criativa como quando tinha 20?; Continua
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Downloads da Semana: Para quem não ficou até o final do Tim Festival em São Paulo e quer saber como soa o Killers ao vivo, o Part Of The Queue está disponibilizando a integra do show que a banda de Brandon Flowers fez em Santiago três dias atrás. O show lá foi mais completinho (18 músicas incluindo a nova “Tranquilize” e a cover de “Can’t Take My Eyes Off You”) e permite perceber que o fanfarrão Brandon Flowers não segura a peteca de um show completo (a voz falha várias vezes), mas o baterista é bem bom. De quebra você pode baixar o show que o Travis fez no mesmo festival (Fênix Festival, que ainda contou com o Starsailor) e cantar com os chilenos “Why Does it Always Rain on Me” já que ninguém no Brasil quis bancar a vinda da banda de Fran Healy ao país (eles são coxinha, mas tem umas músicas muito boas).
novembro 7, 2007 No Comments
Mostra de SP: “I’m Not There”

“I’m Not There”, Todd Haynes – Cotação 5/5
Os sessenta anos – completados em 2001 – abriram o coração de Bob Dylan para o mundo. Até então pouco se sabia da vida do mais importante intérprete e compositor da língua inglesa no século 20. Fofocas de amigos, boatos de bastidores, depoimentos em entrevistas, aparições na TV, tudo servia para moldar um Bob Dylan que poderia até estar longe da realidade, mas era o máximo que fãs, jornalistas e pessoas comuns conseguiam obter para tentar entender uma das personas geniais e controversas de nosso tempo. O verdadeiro Bob Dylan se escondia em algum recanto da alma de Robert Allen Zimmerman, um garoto nascido em Minnesota, neto de imigrantes judeus-russos.
Em questão de cinco anos Dylan abriu seu baú de memórias e começou a mostrar fotografias de seu passado para o grande público. Foi assim com o lançamento do livro “Down the Highway: The Life of Bob Dylan”, excelente biografia assinada por Howard Sounes, que chegou ao mercado em 2001 (no Brasil recebeu o nome de “Dylan: A Biografia”, ganhando edição pela Conrad). Na seqüência, em 2005, vieram o volume 1 de “Crônicas” (uma quase biografia escrita pelo próprio Dylan que relembra o passado em textos curtos – edição nacional da Planeta) e o imperdível documentário para a TV “No Direction Home”, de Martin Scorsese (já disponível em DVD). Por último surgiu o álbum “Modern Times” (2006), cujo fantasma da morte presente nas letras meio que justificou a abertura do baú: Dylan quer rever sua história… vivo.
“I’m Not There”, filme de Todd Haynes que funciona como uma inteligente cinebiografia, é o mais próximo que o público já chegou de Bob Dylan em todos estes anos. E é grandioso como deveria ser. O subtítulo do filme diz tudo: “Inspirado nas várias vidas de Bob Dylan”. Para isso, o diretor dividiu a persona do Dylan em seis personagens, e todos eles transitam por “I’m Not There” à vontade. Seja o Dylan dos primeiros anos interpretado por Christian Bale; seja o Dylan que mudou o mundo em 1965 interpretado por Cate Blanchett; seja o Dylan menino interpretado por Marcus Carl Franklin; seja o Dylan católico interpretado por Heath Ledger; seja o Dylan apaixonado por Rimbauld interpretado por Ben Whishaw; seja o Dylan Billy The Kid interpretado por Richard Gere. É preciso conhecer a história do compositor para entender 70% do filme (no mínimo), e esse é seu único defeito: ter sido feito especialmente para fãs.
Não que neófitos venham a desdenhar “I’m Not There”, pelo contrário, mas é que Todd Haynes pula alucinadamente de uma história para outra carregando nas citações como se estivesse fazendo um documentário, e isso faz com que muito da graça do roteiro funcione como piada interna. Quantos vão perceber que a personagem de Julianne Moore, Alice, é na verdade Joan Baez, cantora e compositora com quem Dylan se envolveu no início da carreira? Ou vão entender a genial sacada do diretor ao colocar Cate Blanchett no palco de um festival folk com uma banda que metralha a audiência enquanto toca suas canções? Ok, os fatos estão todos em livros de histórias da música pop e não dá para ficar esperando por alguma tradução – seria pedir demais para Todd Haynes fazer isso. O conselho – para neófitos – é ver, rever e juntar “I’m Not There” com “No Direction Home” e “Don’t Look Back”, de D.A. Pennebaker (1967). A diversão – garantida – pode ser ampliada e muito melhor digerida.
Tudo isso porque “I’m Not There” nos coloca diante da vida do homem que primeiro virou ídolo da esquerda norte-americana amparado em uma paixão por Woody Guthrie para em seguida eletrificar o folk, virar grande estrela do rock, persona non-grata do pessoal do folk, influenciar os Beatles (e a Tropicália), dar um grande nó na cabeça de toda uma geração, sumir do mapa após um mal explicado acidente, retornar as grandes turnês depois de oito anos distante dos palcos, render-se ao cristianismo, renegar Deus, e sobreviver a tudo isso. É mais do que cem pessoas juntas fazem em uma vida toda. Bob Dylan, assim como diversos dos poetas que admira, já leu todos os livros e descobriu que a carne é triste. Porém, mesmo com esse apanhado de informações que surgiu sobre o compositor nos últimos anos – todas com sua autorização – nada consegue penetrar sua alma. O público tem o corpo (há até uma autopsia em uma das cenas de “I’m Not There” que reforça a idéia de que mesmo vasculhando seu interior não encontramos seu espírito, aquilo que faz dele Bob Dylan), e só o corpo.
Mesmo assim os seis Dylans estão impagáveis e trazem momentos memoráveis. O jovem Marcus Carl Franklin encanta carregando seu violão que estampa a frase “essa máquina mata fascistas”; Christian Bale empresta seu rosto para a arte de algumas capas; as intervenções de Ben “Arthur Rimbauld” Whishaw são precisas, mas quem se sai melhor é Cate Blanchett, perfeita como o Dylan chapado que provoca a Inglaterra acompanhado da The Band, apresenta os Beatles à maconha, ganha a “absolvição” de Allen Ginsberg (que diz que se Dylan se vendeu para fazer música para jukeboxes não havia problema algum porque todos se beneficiavam), sarreia jornalistas em uma entrevista coletiva (para depois ler as reportagens e dizer: “Ainda bem que eu não sou eu”) e cultiva a ira de um badalado jornalista da BBC. Blanchett saiu de Veneza com o Copa Volpi de Melhor Atriz. Parece que tem indicação ao Oscar pintando por ai.
Todd Haynes explora questões centrais que sempre viveram no cerne da vida de Bob Dylan: o crescimento musical que não renega o conhecimento empírico; a busca pela transformação (futuro) sem a perda dos princípios básicos (passado); e o confronto moral de praticar arte, inseri-la no mundo, e não se transformar em objeto de si mesmo. Todas essas questões estão soltas de forma conexa em “I’m Not There”. Por mais que cada um dos seis personagens tenha um espaço/tempo diferente do outro, Haynes mantém o pulso firme de forma a dar uma unidade para a obra, e o consegue com louvor. Como já escreveu um jornalista, “de uma hora para outra todas as cinebiografias ficaram ultrapassadas”. E tinha que ser Bob Dylan a inspiração disso, mesmo que ele não está ali.

Leia também: “No Direction Home”, por Marcelo Costa
“Não dá para ser esperto e amar ao mesmo tempo”, diz Bob Dylan em certo trecho do documentário No Direction Home. Com a frase, Dylan tentava explicar a implosão do relacionamento com a cantora Joan Baez, também entrevistada para o filme. Uma corruptela do pensamento do cantor poderia também dizer que não dá para ser genial e amado ao mesmo tempo”. (Continua)
novembro 4, 2007 No Comments
Mostra de SP: “Into The Wild”

“Into The Wild”, Sean Penn – Cotação 4/5
Após anos de graduação em colégio e faculdade, o jovem Christopher Johnson McCandless, de 22 anos, está se formando, mas o gesto de arremessar o barrete (aquele boné preto sem pala que os formandos usam) significa muito mais para o rapaz: Chris está livre das obrigações de uma família infeliz e de uma sociedade capitalista cuja necessidade de consumir afasta o ser-humano de si mesmo, das outras pessoas e da natureza (selvagem). Seu plano é simples: ele “pagou” o preço para a família se dedicado aos estudos, e agora quer desaparecer no mundão de Deus sem lenço, dinheiro e documento.
Chris coloca seu plano em ação doando os 24 mil dólares que guardou na poupança durante a faculdade para uma instituição de caridade. Em seguida, junta algumas peças de roupas, pega seu velho carro e sai sem destino pelas estradas dos Estados Unidos movido a leituras ininterruptas de Tolstoi e Jack London, e pelo desejo de viver em meio à natureza selvagem do Alasca. Sozinho. Em uma desventura perde o carro, e nem se importa. Sai caminhando deixando para trás o veículo e uma fogueira com notas de dólar. Chris exercita o desapego e abandona o próprio nome: agora se chama Alexander Supertramp. O filme é dividido em capítulos que mostram o amadurecimento do personagem.
“Into The Wild”, quarto filme do ator e diretor Sean Penn, toma por base o livro do jornalista Jon Krakauer, que após fazer uma reportagem sobre a história de Chris para a Outside Magazine, decidiu aprofundar sua pesquisa e o resultado se tornou um best-seller nos Estados Unidos. A busca pela felicidade de Chris ganha contornos poéticos e sonhadores nas mãos de Sean Penn, que escorrega para o piegas em uma ou outra passagem, mas que se sai muito bem como obra fechada, comovendo o espectador com uma história verídica que bate forte no lado esquerdo de peito – auxiliada pelas boas canções de Eddie Vedder e por um excelente elenco cujo destaque é grande atuação de Emile Hirsh no papel principal.
A rigor temos aqui mais um caso de família desestruturada. A mãe de Chris se envolveu com seu pai ainda quando ele era casado com outra. Os filhos nasceram sobre a escuridão dessa mentira, e as brigas constantes do casal fizeram à vida de seus dois filhos (Chris tem uma irmã) um pequeno inferno familiar. No primeiro momento em que vê livre dos pais, Chris parte sem deixar rastro nem dar notícias. Sua companheira nesta aventura será uma mochila azul e sua vida agora se passará na estrada com os diversos – e interessantes – personagens que irão cruzar o seu caminho.
Chris não consegue se apegar as pessoas. Seu maior sonho – viver na natureza selvagem do Alasca – é muito mais importante que as relações humanas ao ponto de Chris escrever em seu diário que a felicidade pode ser encontrada no mundo ao nosso redor, na natureza, e não depende das relações entre pessoas. Completamente absorto em seu ideal, Chris parte para realizar seu sonho, vivendo em um ônibus abandonado no meio de uma floresta no Alasca. Como um eremita, ele vive do que a natureza lhe proporciona enquanto o estoque de arroz não termina.
É muito difícil falar de “Into The Wild” sem citar seu final trágico (não vou falar, não vou falar). É muito difícil não pensar em Chris como um rapaz de família abastada que opta por abandonar tudo para viver em um (sub)mundo povoado por pessoas que nunca tiveram nada. Porém, sua trajetória quase hippie é uma belíssima oportunidade de rever mensagens emocionantes que foram deixadas de lado por uma sociedade capitalista cujo “eu” ocupou o lugar do “nós”. Mais do que um “road movie” em busca da felicidade, “Into The Wild” é um filme que valoriza as relações humanas enquanto incentiva o autoconhecimento. E comove. Não será surpresa se encontramos Sean Penn no Oscar. E será merecido…
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“Into The Wild”, trilha sonora de Eddie Vedder – Cotação 4/5
Tocar por 17 anos com a mesma banda é algo que faz sua vida particular (e sua própria personalidade) ficar em segundo plano. Por mais que você consiga se expressar bem, principalmente se estiver à frente do grupo, suas idéias são a idéia da banda, e teoricamente tudo reflete o pensamento e a sonoridade da banda. Isso em uma banda comum. Agora imagine toda essa história no dia-a-dia de um músico de um grupo de mega-sucesso, ícone de toda uma geração, como o Pearl Jam. Por mais que Eddie Vedder se sinta bem representado, aquilo é o Pearl Jam, não Eddie Vedder.
O “verdadeiro” Eddie Vedder pode ser confrontado agora com o lançamento de seu primeiro álbum solo, “Into The Wild”, trilha sonora do filme homônimo dirigido pelo ator e cineasta Sean Penn. Uma lida no resumo do filme já diz muita coisa. “Into The Wild” conta a história real de Christopher McCandless, um jovem que largou tudo (carreira, família, dinheiro) depois de conseguir seu diploma colegial e partiu rumo ao Alasca para viver em meio à natureza. Se as letras de Vedder carregavam um hippiesmo politicamente correto desde a estréia do Pearl Jam, “Into The Wild” amplia o foco e dá mais liberdade para o cantor e compositor soltar as asas e voar.
Em entrevista a Entertainment Weekly, Vedder conta que teve toda liberdade possível para compor a trilha. “Faça o que você achar que deve fazer”, disse Sean Penn. E o que Vedder queria fazer era um álbum essencialmente acústico, nos moldes de “Nebraska”, clássico de Bruce Springsteen, e Neil Young (influência confessa). São onze músicas em pouco mais de 30 minutos de puro Eddie Vedder. Fãs já vão gostar do disco antes mesmo de ouvi-lo. Uma boa parcela do público, no entanto, já se encheu da voz de Vedder. O Pearl Jam tocou (e ainda toca) muito, e a exposição sempre trabalha contra a banda. Porém, conceda o beneficio da dúvida para este álbum antes de torcer o nariz, e a chance de ser surpreendido é enorme.
As cinco primeiras faixas de “Into The Wild” juntas quase não ultrapassam os dez minutos. Eddie Vedder toca tudo no álbum (com exceção de um violão acústico extra em “Society” tocado pelo autor da música, Jerry Hannan, e o backing vocal da Sleater-Kinney Corin Tucker em “Hard Sun”, as duas únicas músicas não compostas por Vedder no disco), de bateria a violão passando por banjo até um ukalele. O som é essencialmente folk, mas a levada pop de “Selling Forth” poderia facilmente galgar a parada de sucessos. “No Celling” traz um interessante trabalho musical, com uma guitarra duelando com o violão nas pontuações do bom arranjo. “Far Behind” segue a linha da anterior, mas é mais roqueira. “Rise” destaca o banjo enquanto “Long Nights” surge dramática.
“Tuolumne” e “The Wolf” são as duas únicas faixas essencialmente instrumentais do álbum, descontando “End Of the Road”, em que o vocalista canta apenas no primeiro trecho, e a versão “Humming Version” da última faixa, “Guaranteed”, que surge como coda após alguns minutos de silêncio. “Hard Sun” é o primeiro single, e é um cover do artista canadense Índio, codinome do compositor Gord Peterson. É também a canção mais longa do disco, ultrapassando os cinco minutos (a versão single é mais curta), mas é grandiosa. Eddie Vedder canta magnificamente bem, e o apoio de Corin Tucker no refrão é plenamente justificável. “Into The Wild” é um belíssimo trabalho solo, um grande disco que serve para lançar um novo olhar sobre um dos grandes vocalistas e songwriters dos anos 90. Eddie Vedder merece a sua atenção.
novembro 4, 2007 No Comments

