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Category — Literatura

“Clube dos Corações Solitários”, 20 anos

“Clube dos Corações Solitários”, o livro de estreia de André Takeda, completa 20 anos em 2021. E já fz uns bons pares de anos que ele, Bruno Capelas e eu conversamos sobre uma reedição deluxe do livro, com extras e escrito em gauchês. Não vou falar muita coisa porque o bacana mesmo é você ouvir a conversa do André Takeda com o querido amigo Diogo Farias no podcast Antiguru e vislumbrar as ideias que o Tax tem para essa reedição. Talvez a gente esteja precisando de um empurrãozinho 🙂

Ps. E, aproveitando, não tenho nem palavras para agradecer o carinho imenso que o Diogo e o André dispensam a mim e ao Scream & Yell durante a conversa. Mesmo. Foi um lufada do ar mais puro que minha alma respirou nos últimos meses de caos pandêmico, e me fez sorrir por vários dias, como agora. Obrigado, de coração, amigos.

junho 28, 2021   No Comments

Lou Reed sobre “Almoço Nu”, de Burroughs

“A primeira vez que li foi na faculdade. Com os temas de Burroughs, seu senso de humor e a justaposição de imagens, uma imensa porta se abriu na escrita americana. Isso soou uma selvageria para a turma da direita, certinha, os americanos comuns. Não acho que alguém possa ler e levar isso a sério novamente.

Não é para heterossexuais. Ele segue entre planetas inteiros sem lhe dizer. É um mundo de sonhos. “Nenhuma regra se aplica aqui”, essa é a senha. Ele utiliza certo tipo de escrita como disfarce, e essa é a resposta. Ele está lidando com muitas coisas que são perigosas e ele não está brincando. Ou, na verdade, ele está brincando sim, o que só piora as coisas. É uma grande má influência.

Já conheci pessoas que imitam as coisas que Burroughs fazia em sua vida real, e elas dizem, “bem – Burroughs, sabe?”. Ler “Almoço Nu” pode tornar as pessoas mais fortes, mais brilhantes, mais tolerantes, mais engraçadas. Também pode torná-las mais furiosas e mais preconceituosas. Não vejo como alguém que escreva não possa ser influenciado por este livro. Dito isto, ninguém mais pode chegar neste mesmo nível. Se você ler e gostar, não haverá outro lugar para ir além de Burroughs.

Certamente me apropriei de algumas de suas ideias, como a técnica de recorte. E, claro, a temática. É por isso que foi fácil escrever “Walk on The Wild Side” e “Heroin”. Ele podia escrever sobre tudo e, de certa forma, seu mundo surrealista era muito mais real do que o das outras pessoas, e foi isso que atraiu os punks de Nova York, junto a todos os riscos que ele correu para fazer tudo que fez. Tipo assim, como esse cara se transformou da pessoa que era em El Hombre? Como diabos ele vai do ponto A até o X?

Deveriam construir uma estátua para ele”

julho 13, 2019   No Comments

Obrigado, Lygia Fagundes Telles

Quase 2 da manhã e a cólica do Martín parece que acalmou hoje. Na TL do Twitter, alguém pede para celebrar Lygia Fagundes Telles, que aos 95 anos tem enfim todos os seus contos editados num único volume, “Os Contos”, via Companhia das Letras. Relembro que certa vez, começo dos anos 2000, uma amiga, a Ana Paula,  a encontrou e contou a ela sobre minha paixão. “Ele casaria com você”. Ela, inteligentemente, me esnobou. Mas a Ana conseguiu esse autógrafo, que guardo com carinho, afinal Lygia Fagundes Telles foi uma das pessoas que me salvou (ela e Hermann Hesse) da adolescência, naquele período conturbado da vida em que a gente acha a nossa dor gigante e insuportável, e cujas madrugadas, aparentemente eternas, parecem que vão nos consumir e não sobrará nada para ver o nascer do sol. Lygia esteve comigo nesse período difícil, depois levei-a para a faculdade, adaptei “Lua Crescente em Amsterdã” para uma aula prova de teatro (“Será que aqui na Holanda também dão comida em troca de sangue? Uma droga de comida aquela do Marrocos”, ela disse. “Nosso sangue também deve ser uma droga de sangue”, ele respondeu) e carreguei a coletânea “Seleta” por tantas casas que já nem me lembro mais. Bem, bora garantir essa coletânea completa de contos. Martin deverá gostar (só espero que não “precise” como eu precisei, mas se precisar, Lygia estará lá. Sempre). 🖤

novembro 28, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 73: Robert Shelton

Bob Dylan com café, dia 73: O que fazer quando você é um jornalista a noticiar pela primeira vez o potencial de um jovem com futuro promissor que você assistiu em uma pequena espelunca, e observa que, nos anos seguintes, esse jovem virá a tornar-se uma das cabeças pensantes mais revolucionárias do universo artístico mundial? Robert Shelton não teve dúvidas: após publicar a resenha “Bob Dylan: A Distinctive Folk Song Stylist” em 29 de setembro de 1961 no jornal New York Times (provavelmente chamando a atenção do caçador de talentos John Hammond, que contrataria Bob em outubro) e observar o artista subir correndo os degraus na escadaria da fama pop, Shelton colou em Dylan, transformando-se em amigo e confidente, e começou a escrever uma biografia autorizada ainda nos anos 60, que seria terminada apenas em 1986, 25 anos depois daquela primeira resenha.

Tido por muitos fãs como a principal biografia de Bob, “No Direction Home: A Vida e a Música de Bob Dylan” (que voltou ao mercado numa edição atualizada em 2011 pelos editores – Shelton faleceu em 1995 – marcando os 50 anos da primeira resenha numa edição “Director’s Cut”) tem tanto pontos positivos quanto negativos. Do lado positivo, a proximidade de Dylan permitiu a Shelton acompanhar muito eventos in loco, o que traz a narrativa (ainda que muitas vezes romantizada) para a primeira pessoa: ou seja, é algo que ele viu, não que algum entrevistado (com possibilidade de distorção) lhe contou; do lado negativo, o fato de ser uma biografia escrita por um jornalista que se tornou grande amigo de seu objeto de estudo coloca o texto na defensiva ao focar muitas vezes no homem em detrimento da obra.

                    Robert Shelton (centro) com Dylan nos anos 60

Isso fica bastante nítido no trecho dedicado ao álbum “Blood on The Tracks” (e levanta “suspeitas” sobre todo o compêndio), em que o jornalista sai em defesa do homem contra todos aqueles que vangloriaram o disco por ele ter nascido de uma tragédia pessoal (o começo do fim do casamento com Sara). No faixa a faixa que faz sobre este álbum no livro, Shelton esvazia o tema polêmico universalizando o tema das letras sem falar no drama do casal (que ele presenciou) em nenhum momento. Isso não invalida a obra, mas é preciso estar atento tanto aos possíveis momentos de manipulação de Dylan (e ele sempre foi um exímio manipulador) quanto aos que Shelton protege o amigo. No saldo final, um compêndio dedicado, caprichado e repleto de informações, mas que precisa de mais uma ou duas visões (uma delas, a de Howard Sounes, e a outra o livro “Crônicas”, o café de amanhã) para que o leitor tenha uma visão menos embaçada de quem poderia vir a ser Bob Dylan (algo que talvez nem ele mesmo saiba).

Especial Bob Dylan com Café

julho 31, 2018   No Comments

Dylan com café, 72: Scrapbook 56/66

Bob Dylan com café, dia 72: Na esteira do lançamento do essencial documentário “No Direction Home” (2005), de Martin Scorsese, e de sua trilha sonora caprichada (“The Bootleg Series 7”), surgiu como complemento oficial este livro, “The Bob Dylan Scrapbook: 1956-1966” (2005), escrito por Robert Santelli, então diretor da Experience Music Project de Seattle (hoje Museum of Pop Culture) e curador da exposição Bob Dylan’s American Journey. Como observa a crítica do jornal londrino Independent na época do lançamento do livro, “o texto do especialista em Dylan não oferece nenhuma nova percepção surpreendente, mas isso não importa porque o ponto aqui é mostrar como o talento e a carreira de Dylan se desenvolveram”.

Para acompanhar esse desenvolvimento, o leitor tem a mão dezenas de xerox de documentos, letras escritas a mão pelo homem e reproduções de itens interessantes do período além de um CD com 45 minutos de áudio divididos em 14 faixas, 10 delas de falas extraídas do filme de Scorsese e outras quatro entrevistas de Dylan colhidas de rádios entre 1961 e 1966. Um texto do New York Times rememora: “Em 4 de novembro de 1961, após trabalhar em clubes do Greenwich Village, Bob Dylan fez sua estreia em Nova York no Carnegie Chapter Hall. Dos 225 lugares, 55 estavam ocupados. Menos de dois anos depois, ele era a estrela reinante do movimento das canções de protesto. Mais dois anos, e uma geração discutia se era certo que ele fosse elétrico – não que ele prestasse atenção”.

Este “The Bob Dylan Scrapbook: 1956-1966” traz a reprodução do folheto que apresentava este primeiro show de Dylan, além de cópias das letras manuscritas de “Talkin’ New York”, “Blowin’ In The Wind”, “Gates of Eden”, “It Ain’t me Babe” (escrita num papel do May Fair Hotel, em Londres) e “Chimes of Freedom” (escrita num papel do The Waldorf Astoria, em Toronto), entre outras, e reproduções dos cartazes (Folk City, “Don’t Look Back”, Newport Folk Festival), do convite de Dylan para a Marcha de Washington (quando Martin Luther King fez o discurso “I have a dream”), de releases (“Rebel with a cause”, dizia um texto da Columbia Records) e diversas outras curiosidades imperdíveis para fãs do homem.


Especial Bob Dylan com Café

julho 24, 2018   No Comments

Scream & Yell Vídeos: Programa 85

No Scream & Yell Vídeos número 85, mais um livro (“Carlos Viaja”, de China com arte de Tulipa Ruiz), um DVD (mais um box da série “O Cinema”, desta vez compilando seis filmes do gênio Luis Buñuel) e um CD (o segundo álbum da grande banda Maria Bacana!). Assista abaixo!

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julho 3, 2018   No Comments

Scream & Yell Vídeos: Programa 83

O programa número 83 da série é daqueles que mapeiam lançamentos e, neste em especial, reúne um disco (“Taurina“, de Anelis Assumpção), um DVD (a caixa com três discos e seis filmes “O Cinema de Jean-Luc Godard”) e um livro (“Canções Iluminadas de Sol: Entre Tropicalismos e Manguebeats“, de Carlos Gomes).  Assista abaixo!

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junho 12, 2018   No Comments

Download: poesia completa de Fernando Pessoa


O portal Domínio Público disponibiliza para download a poesia completa de Fernando Pessoa. O acervo contempla toda a obra conhecida do poeta português. Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em junho de 1888, e morreu em novembro de 1935, na mesma cidade. É considerado, ao lado de Luís de Camões, o maior poeta da língua portuguesa e um dos maiores da literatura universal. Poemas mais conhecidos foram assinados pelos heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, além de um semi-heterônimo, Bernardo Soares, que seria o próprio Pessoa, um ajudante de guarda-livros da cidade de Lisboa e autor do “Livro do Desassossego”, uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século 20. Confira! http://bit.ly/1cPbL3V

junho 2, 2018   No Comments

Scream & Yell Vídeos: Programa 81

Na edição número 81 do programa Scream & Yell Vídeos, um trio de dicas punk rock: um livro (“Música ao Fundo, Poucos Acordes, Uma Voz Rouco”, de Lenildo Gomes), um DVD (“The Clash: The Joe Strummer History”) e um disco (“Acorde! Acorde! Acorde!“, do Cólera) . Assista abaixo!

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maio 22, 2018   No Comments

Assista ao Scream & Yell Vídeos nº 79

2018 já tem grandes lançamentos em discos, livros e CDs. Nesta edição do Scream & Yell Vídeos, a de número 79, juntamos três lançamentos que merecem bastante destaque: o cantautor Gustavo Kaly apresenta a coletânea “Primavera Punk e Outras Estações de Falso Jazz”, um lançamento Morcego Records que compila trabalhos de Kaly com a Stuart, os Últimos Românticos da Rua Augusta e os Hospedes do Chelsea. Bacana demais. Já o DVD triplo “Uma Viajante Alma Paulistana” compila sete temporadas de causos contados e rememorados por Guilherme Arantes (que mostra clipes de época e mais de 90 versões inéditas). Já a cantora e compositora Badi Assad emociona em “Volta ao Mundo em 80 Artistas”, um livro em que ela escreve, de maneira pessoal e apaixonada, sobre 80 artistas de todo o mundo. Mais informações no vídeo abaixo! Confira!

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maio 3, 2018   No Comments