Category — Música
Mais coisas…
Fui ao VMB ontem e me surpreendi com o baixo nível da cena nacional. O que é possível dizer rapidinho é que a produção do evento é acachapante, mas a premiação é terrível. Juliette and The Licks fizeram uma grande apresentação (na TV foi uma só, mas lá eles tocaram três ou quatro) e até o Marilyn Manson me convenceu. Mas o resto… muito vestido, muita beleza, muito roqueiro de butique e pouca inteligência.
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Antes que alguém se engane, vou torcer para o “O Ano Em Que Meus Pais Sairam de Férias”, na minha modesta opinião, um grande filme, mas inferior a “Tropa de Elite”. E vou mais alem: os dois são inferiores a “Saneamento Básico”, mas a metáfora do filme é para poucos – embora acredite que mesmo isso não deveria impedi-lo de ser o concorrente nacional – enquanto “Tropa de Elite” pega na veia. Qualquer um dos três seria um bom representante.
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Momento Herbalife: meu medido garantiu que tudo está em ordem com meu estômago, que o problema é mais em cima, na cabeça mesmo. Receitou uns chazinhos e comprimidos naturais. Fiz a primeira sessão hoje de manhã, e foi surreal. É uma salinha no centro da cidade, com palavras para melhorar a baixa-estima, em que um homem serve os chás naturais para os clientes. O programa inicial leva oito dias, e são três copos de chá cuja rotina me lembrou as histórias do Santo Daime. Apenas lembrou. Surreal demais para um cara que, um dia, cogitou ser junkie…
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O todo poderoso Billy Corgan liberou a integra de dois shows novos de 2007 para download no site oficial dos Pumpkins. O primeiro show data de 22 de maio, no Grand Rex Theatre, em Paris, e traz 33 músicas, entre elas hits como “Today”, “Bullet with Butterfly Wings”, “Tonight, Tonight” e “Disarm”. O segundo show aconteceu em 25 de julho, no famoso Fillmore, em São Francisco. O áudio captura 27 músicas da apresentação que junta hits com faixas novas como “That’s The Way (My Love Is)” e “Tarantula”, entre outras. Além dos dois shows recentes, a página de downloads do site dos Pumpkins ainda disponibiliza mais de 15 apresentações entre 1988 e 2007. Aqui.
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O programa Alto-Falante e o bar A Obra comemoram, a partir desta sexta-feira, dez anos de atividades. A data especial é o ponto de partida do Festival Garimpo, que leva para a capital mineira gente como o duo Lucy and The Popsonics, Terminal Guadalupe, Macaco Bong, Vanguart e Montage. Fica aqui os parabéns do Scream & Yell para estes dois grandes sinônimos de cultura independente do País. Mais sobre o Festival Garimpo aqui.
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E o disco do Babyshambles, hein. Já virou vício agora. Ouço no computador no trabalho, no celular quando estou indo pra casa, e no computador em casa. Já está na seleção da próxima discotecagem que irá acontecer em Curitiba, qualquer dia do mês que vem…
setembro 28, 2007 No Comments
Disco da Semana: “Magic”
setembro 26, 2007 No Comments
Pato Fu num dia, Jards Macalé no outro
No palco do charmoso teatro do Sesc Vila Mariana, o Pato Fu fez na sexta-feira mais uma apresentação memorável, desta vez focando-se no repertório do recém lançado “Daqui Pro Futuro”, mas sem abrir mão do passado. Nas minhas contas, foi o décimo show do Pato Fu que assisti nos 15 anos de vida da banda, e foi o melhor show de todos (até agora).
O show começou com “Mamã Papá” do novo disco (a pequena Nina, filha de Fernanda e John, estava na primeira fila acompanhada da avó), emendou com uma bonita versão de “Perdendo Os Dentes” e virou barulho com “Gimme 30?, do álbum de estréia, “Rotomusic de Liquidificapum” (1993). Esse trio de abertura se repetiu no show: canções novas, hits e umas “velharias” escolhidas a dedo.
Entre os hits destaque para “Sobre o Tempo”, com intensa participação do público. Das canções novas, “Tudo Vai Ficar Bem” e “Vagalume” chamaram a atenção (a última com um momento “bateria de moedinhas” tocada por Ricardo Koctus). Das raridades no repertório, “Um Ponto Oito” e “Vivo num Morro” mantiveram o clima em alta. Ao contrário do álbum, que é bem lento, o show do Pato Fu continua acelerado. E divertido. E praticamente perfeito nos detalhes. Ao final, só uma certeza: eles são a melhor banda do País.
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No palco do teatro do Sesc Santana (na verdade, quase todos os novos teatros do Sesc em São Paulo são charmosos), Jards Macalé, sozinho com seu violão, fez mais uma vez um grande show. Foi diferente do show do Theatro Municipal (melhor show nacional que assisti em 2007 até agora – e um dos melhores que vi na década até aqui), mas mesmo assim foi bem especial.
Macalé brindou o público com pequenos sets homenageando amigos. Waly Salomão foi relembrado em versões matadoras de “Mal Secreto”, “Anjo Exterminado” e “Vapor Barato”. O mestre Moreira da Silva foi relembrado com “Acertei no Milhar”, o divertidíssimo samba de Gordurinha “Orora Analfabeta”, e a parceria “Tira os Óculos e Recolhe o Homem” (com direito a história que rendeu a parceria na época da ditadura), com direito a citação do samba “Olha o Padilha” (e mais história).
O Brasil foi outro homenageado. Na verdade, os políticos brasileiros foram lembrados com sambas magníficos de Noel Rosa: “Onde Esta a Honestidade”, “Com Que Roupa” e “Positivismo” (dos versos que citam o lema da bandeira brasileira: “o amor vem por principio, a ordem por base, e o progresso é que deve vir por fim, desprezaste esta lei de Augusto Comte, e fostes ser feliz longe de mim”). Os pontos altos foram as arrepiantes versões para “Consolação” (de Baden e Vinicius) e “Contraste” (de Ismael Silva), com os versos:
“Existe muita tristeza na rua da Alegria
Existe muita desordem na rua da Harmonia
Analisando essa história
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaços”
O show terminou com “Gotham City” e a promessa de “Movimento dos Barcos” para o show de domingo… até estou pensando em ver de novo…
setembro 23, 2007 No Comments
500 Toques e mais Tropa de Elite

500 Toques sobre Paula Toller, George Israel e Maria Rita
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Assisti a versão pirata do badalado (e ainda inédito) “Tropa de Elite” na noite passada. A versão que comprei – R$ 8 – é a tão famosa que circula por ai, com intertítulos em inglês e sem os créditos finais. O longa de José Padilha estava previsto para estrear em novembro, mas a produção antecipou a estréia para 12 de outubro devido ao “sucesso” do filme no mercado negro. Suas primeiras exibições públicas acontecem na noite de quinta (20), para convidados do Festival de Cinema do RJ, e outra na sexta (21), às 23h45, no Espaço de Cinema, a única aberta ao público (mas os ingressos esgotaram em uma hora).
Padilha diz que a versão que circula é o terceiro corte, e que o filme passou por 16 cortes até o final de montagem. Isso só poderá ser comprovado após uma comparação do que foi visto no DVD pirata e do que estará nas telas de cinema no próximo dia 12. O que dá para dizer é que, do jeito que está circulando em versão pirata, “Tropa de Elite” é sensacional. Bate “Cidade de Deus” em vários quesitos, e Wagner Moura impressiona com uma atuação eletrizante. Agora, a pergunta que fica é: será que a versão final vai ser tão boa quanto esta cópia pirata do terceiro corte?
Dúvidas a parte, a única coisa que dá para garantir é o grande sucesso que espera o filme. Assim como acontece com os CDs vazados na web, que ganham uma exposição gratuita, “Tropa de Elite” chega aos cinemas com um público garantido. Duvido que as pessoas que assistiram ao DVD (como eu) vão deixar de ir ao cinema para ver a versão final do melhor filme brasileiro dos anos 00. É uma tremenda tolice gastar tempo questionando se esse ou aquele é culpado na distribuição do filme. A propaganda gratuita só deve fazer de “Tropa de Elite” a grande bilheteria do Brasil em 2007. Merecidamente.
setembro 19, 2007 No Comments
Downloads e Disco da Semana

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Wander Wildner colocou seus quatro discos para download no iJigg. Eu não entendi como se baixa algo ali, mas descobre lá
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O Lasciva Lula (que faz show no Cinemateque na próxima quarta-feira) também está liberando seus discos para download, incluindo o excelente “Sublime Mundo Crânio”, um dos dez grandes álbuns do rock nacional em 2007. Link
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No meio de tanta gente bacana e genial que conheci em oito anos de São Paulo, o chapa Eduardo Fernandes (EduF para os “íntimos”) tem um lugar de destaque. Quando o S&Y ainda era um recém-nascido, e eu tentava descobrir que loucura era aquela chamada HTML (que até hoje eu não entendo direito), era para o EduF que eu pedia um help. “Cara, como faço para criar uma tabela?”, “Putz, deu um pau fudido num lance aqui, o que eu fiz de errado?”, e algumas coisas desse naipe. Além de tocar vários lances legais, o EduF tem um projeto musical chamado Peruano Saudita (achei a demo de 2002 dia desses em casa), que é beeeem legal. Ele regravou uma das músicas, a ótima “10%”, e acabou de disponibilizar para dowload. A letra é ótima. “É uma breve história de um sujeito tentando (não) comprar um mp3 player dos coreanos. A gravação original tinha quatro guitarras. A nova nenhuma. A lógica é um pouco aquela do Primus, baixão com slap e em primeiro plano. Mas há uma porrada de detalhes, como cantos de índios americanos, percussões latinas e uma série de frescuras”, diz EduF. Baixe a música
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Vi “Bird”, filme do Clint Eastwood sobre o genial Charlie Parker. Pesaaaaado, viu.
setembro 17, 2007 No Comments
Nashville Pussy no Inferno

“A melhor banda do mundo não é o Rolling Stones… nem o Led Zeppelin… poderia ser o AC/DC… na real, a melhor banda do mundo, aqui e agora, é o Nashville Pussy”, esbravejou o barbudo (e careca) vocalista Blaine Cartwright. Já havia passado das duas da manhã no Inferno, o estoque de cerveja do bar tinha sido consumido com voracidade pela grande maioria dos presentes, e o Nashville Pussy estava fazendo um dos melhores shows do mundo naquele lugar, naquele momento. Blaine tinha razão.
Eu abracei uma garrafinha de água e me lembrei de um trecho do livro “Barulho”, de André Barcinski, em que ele falava do show do Mudhoney com o Nirvana no Paramount, o maior ginásio de Seattle, após a banda de Kurt Cobain virar mega. Lá pelo meio do texto ele escreve algo tipo: “Amigos pulando do ombro de outros amigos. Cerveja pro alto. Valia a pena estar sóbrio só para observar a cena”. Foi mais ou menos isso. Ruyter Suys, esposa de Blaine e excelente guitarrista, fazia gargarejo com uísque e cerveja, e dava um banho de álcool no público. Copos de cerveja eram arremessados de volta ao palco e molhavam os músicos. Uma bagana de cigarro que fosse e tudo aquilo iria em chamas. Rock.
O baterista Jeremy Thompson parece o menos insano da trupe. Parece. Na rodada de Jack Daniels (solenemente ignorada pela bela baixista Katielynn Campbell) no gargalo que rodou o palco, Jeremy bateu Ruyter na poderosa golada. Katielynn foi ao microfone e pediu “caperinha, caperoska”. Dois copos chegaram para a baixista, e não duraram cinco músicas. Tudo isso é extra-show, você deve estar pensando, já que o que interessa é a música, certo. Bem, mais ou menos. Ao vivo tudo muda de figura, e o ingrediente punch de palco pesa pra caralho. Não dava para esperar menos de uma banda que faz 200 shows por ano…
O repertório foi dividido entre todos os álbuns do quarteto destacando as faixas redentoras do álbum “High As Hell”, representado pela faixa título e pelas esporrentas “Rock’n’Roll Outlaw”, “Piece Of Ass”, “Struttin’ Cock” e a matadora “She’s Got The Drugs”, sem contar as covers do Turbonegro e do AC/DC. O vocalista Blaine terminou o show sem camisa. Ruyter também, mas ela estava “protegida” por um sutiã de couro. Na volta para o bis, veio carregada no colo por um segurança. E terminou entornando uma garrafa de cerveja e solando como se fosse Angus Young. Um show para lavar a alma de cerveja, ou se preferir, de Jack Daniels.
setembro 16, 2007 No Comments
Nouvelle Vague no Sesc Pinheiros

O show do Nouvelle Vague ontem foi um belo coral indie. Ou, como diria uma amiga, “uma churrascaria de luxo”. A vocalista mais mignonzinha e de voz fofa era uma graça, mas as canções que comandou davam sono. Já a outra vocalista de alma black é um show a parte. Os músicos são bons, as músicas são boas, mas o tédio impera em mais de 80% da apresentação. Saem da monotonia a versão catártica de “Too Drunk To Fuck” (o mundo deveria ajoelhar toda vez que uma canção do Dead Kennedys fosse tocada) e o poderoso arranjo de “Bela Lugosi is Dead”. De resto, Ian Curtis deve ter se enforcado com raízes no fundo do túmulo após o coral que se seguiu a “Love Will Tear Us Apart”…
Aliás, falando em Joy, acabei trazendo para o trabalho os dois primeros CDs do box “Heart and Soul” para purificar a alma, e acabei esbarrando com o pré-release dos relançamentos remasterizados da banda..
Eu tinha mais coisas pra falar, mas meu péssimo humor não está ajudando. Volto assim que a nuvenzinha negra sair de cima da minha cabeça… ou assim que terminar de (re) assistir ao filme “Colcha de Retalhos”, com a Winona Ryder (durmi invejando o Spit, personagem do livro “O Clube dos Corações Solitários”, de André Takeda, que tinha um poster dela pendurado na parede de seu primeiro apartamento)…
setembro 14, 2007 No Comments
Disco da Semana: Josh Rouse

Josh Rouse novamente com disco da semana.
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O fim de semana foi daqueles. Não rolou a discotecagem de sábado devido a uma mistura exagerada de vódega, energético e Itaipava (Focka, foi mal ae, sorry). :/ Foi daqueles porres que vai me deixar no mínimo uns doze meses bem longe de destilados. E o domingo inteiro ficou comprometido pela ressaca que se seguiu. Mas conseguimos – eu e Lili – quase terminar os quatro módulos da estante de CDs que Lili desenhou. Agora só falta uns detalhes de acabamento e a fixação na parede, que deve acontecer no próximo fim de semana. Assim que terminar, posto algumas fotos aqui.
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Próxima parada: Araraquara, bate papo na Uniara sobre jornalismo na web na 7ª Semana de Comunicação da faculdade. Vai ter balada (movida a coca-cola zero) e vou levar uns CDs para trocar por lá, mas posto aqui mais infos no decorrer do periodo. Por fim, o set list que eu tinha preparado para sábado:
“Hong Kong Garden”, Siouxie and The Banshees
“Dancing”, Bauhaus
“Digital”, Joy Division
“10:15 Saturday Night”, The Cure
“Slow Hands Remix”, Interpol
“Hunting For Witches – Single Version”, Bloc Party
“Nobody Move, Nobody Get Hurt”, We Are Scientists
“Playhouses”, TV On The Radio
“Sexy Boy”, Franz Ferdinand
“Keep The Car Running”, The Arcade Fire
“When You Were Young”, The Killers
“Henrietta”, The Fratellis
“Walk Like in Egyptian”, The Fellings
“This Charming Man”, Death cab For Cutie
“(What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love, and Understanding”, Elvis Costello
“Head On”, Pixies
“I Love Rock and Roll”, Jesus and Mary Chain
“Anyway, Anyhow, Anywhere”, David Bowie
“Run, Run, Run”, Echo and The Bunnymen
“Somethin’ Hot”, Afghan Whigs
“Cure For Pain”, Morphine
“A Shot in The Arm”, Wilco
Extras
“Pull Shapes”, The Pipettes
setembro 3, 2007 No Comments
Disco da Semana: Fino Coletivo
Concorrente sério ao posto de melhor disco de 2007… no site
agosto 27, 2007 No Comments
Alguns filmes e alguns discos novos…

E o fim de semana se foi, mais uma vez. Mas não vou reclamar. Vi dois filmes no cinema, comprei alguns outros em um sebo, e vi mais alguns em casa. E só por isso estou feliz. O cinema faz uma falta danada em minha vida, embora nenhum dos cinco últimos filmes que vi tenha sacudido a minha alma na beira de um precipício.
– “Os Incompreendidos”, François Truffaut, 1959
Belíssimo filme de estréia do diretor francês, “Os Incompreendidos” narra a infância do próprio diretor de forma autobiográfica. A cena do interrogatório é divertidíssima e esclarecedora, mas os grandes momentos são a apresentação de fantoches e a corrida final. Um ótimo exemplo de que um jovem problemático pode se transformar em um gênio. Pessoalmente prefiro “A Noite Americana”, mas esta estréia tem sua beleza.
– “Amadeus”, Milos Forman, 1984
Premiado com 8 Oscars, esta versão romanceada (inspirada em uma montagem teatral) da vida de Wolfgang Amadeus Mozart destaca um roteiro tão bem cuidado que as atuações quase ficam em segundo plano. Quase. F. Murray Abraham (como Antonio Salieri) e Tom Hulce (como Mozart) brilham. O filme fecha em si mesmo como obra cinematográfica. Mas… bem, senti falta de algumas obras clássicas, de alguns quartetos (a única coisa que tenho de Mozart em casa são um quarteto de flautas e um quinteto de clarinetes). Na verdade, senti falta de Mozart no filme, já que o narrador é Salieri. Isso não diminui a obra de forma alguma, e a versão do diretor, com 20 minutos a mais (totalizando 3 horas de filme) é impecável. Porém, eu esperava mais.
– “O Grande Lebowski”, Irmãos Coen, 1998
Outro filme que sofreu aqui em casa de grande expectativa, afinal, é uma obra dos Irmãos Coen. Entende? – “Fargo”, “O Homem Que Não Estava Lá” e “E Ai, Meu Irmão, Cadê Você?” são clássicos recentes do cinema mundial, e eu esperava ver neste “O Grande Lebowski” um pouco da genialidade da tríade citada. A genialidade está ali, você a sente em diversas passagens, porém o resultado final é confuso e pouco sedutor. Existem ótimas cenas, ótimas idéias que, no entanto, parecem não encaixar no quebra-cabeças maluco em que sempre se torna um roteiro dos Coen. Pena.
– “Medos Públicos em Lugares Privados”, Alain Resnais, 2006
Quando sai da sala de cinema e me deparei com a crítica de Luiz Zanin, no Estadão, não pude deixar de lembrar do chapa Marcelo Orozco dizendo que o texto de Lester Bangs sobre “Astral Weeks”, de Van Morrison, era melhor do que o disco. E não é que o filme de Resnais seja ruim (assim como a obra prima de Van Morrison não é) ou que o texto seja algo incomum. Zanin apenas colocou no papel coisas que ali na tela caem sobre o colo delicadamente como flocos de neve, mas derretem. Ele escreve: “Sabe-se, desde as primeiras cenas, que aquela é uma Paris imaginária, artificial, gelada, onde neva o tempo todo, porque também há gelo nos corações das pessoas” . A tela, por sua vez, exibe um drama de pessoas congeladas em suas próprias almas num belíssimo exemplar do eterno cinema francês, provocativo, intenso e teatral. Em certos momentos há poesia e delicadeza (como quando Charlotte conversa em uma cozinha com Thiery e a câmera foca as mãos de ambos afundadas na neve), mas a teatralidade é mais presente, deixando escorregar uma certa tristeza, e também uma certa decepção. Um quase belo filme.
– “Os Simpsons – O Filme”, David Silverman, 2007
Acho complicado me manifestar sobre essa adaptação após o Bart (e tinha que ser ele – hehe) ter traduzido tão bem o misto de felicidade e incomodo que todos sentimos ao sair da sala de cinema. Não há decepção, mas também não há nada que vá mudar nossas vidas (e, bulhufas, será que eles teriam que mudar nossas vidas? Será que tínhamos que esperar tanto? Será que não nós contentamos com as mesmas incorreções de sempre?). É mais do mesmo, sim, mas é mais do mesmo em grande forma. Bem, sei lá. Eu gostei. E não gostei. A culpa será do Homer ou minha?
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Discos bacanas que você precisa ouvir:
– “Yes, U”, Devastations.
– Os singles de Eddie Vedder (a boa “Hard Sun”), Beck (”Timebomb”), Hives (a ótima “Tick Tick Boom”), PJ Harvey (a não sei o que dizer sobre ela “When Under Ether”) e Foo Fighters (a fraquinha “The Pretender”)
– Os novos de José González (“In Our Nature”) e Rilo Kiley (“Under The Blacklight”)
agosto 26, 2007 No Comments


