Uma música por dia: Dizem

DIA 10: “Uma música que te deixa triste ou, adaptando, Uma música que te acompanha na tristeza”
Como comentei no “dia 9”, música sempre me faz feliz. Principalmente as… tristes. 🙂
Não consigo pensar em uma música que me traga tristeza, mas elas, muitas vezes, andam de mãos dadas comigo em dias cinzas, como se cuidassem de mim. Ou seja, música não me deixa triste, a vida tá aí pra isso, mas serve de trilha sonora para esses momentos… difíceis.
Dai pode ir de “L’Avventura” da Legião a “Broken Heart” do Spiritualized, de “Forgiven” do Echo and The Bunnymen a “Lost Cause” do Beck, de “So Broken” da Bjork a “…Said Sadly” do Smashing Pumpkins”, de “Canción Para Mi Muerte” do Sui Generis a “Atmosphere” do Joy Division – e são tantas. Pra você ter uma ideia, tenho uma pasta no HD de DJ Set só com baladas “matadoras”, e já usei muitas delas em discotecagens lounge…
Pra esse dia ficarei com “Dizem”, da banda curitibana OAEOZ num feat com Edith de Camargo. Uma belíssima companhia nesses dias densos…
“Dizem”, OAEOZ feat Edith de Camargo.
do álbum “Às Vezes Céu”, 2005
Alguns dizem que tenho talento
Prá melancolia
Qualquer tipo de fobia
Que tenho pena de mim
E que por isso gosto de me arrastar por aí
Por debaixo da dor
Implorando por afeto
Dizem também
Que mantenho uma certa distância
Que dura mais ou menos dois copos
Mas que depois me solto
E sou capaz de ir pra casa mais próxima
Com quem quer que seja
Em busca de um pouco mais…
…e de aconchego
Eu sei que sou um destes
Qualquer um
Que pelo menos te agrade
E agrave tua dor
É que começo a me sentir
Meio só pela madrugada
As ruas vazias
E as pessoas por trás dos vidros
Em volta das mesas
Colocando seus corações em tudo
E eu não tenho muita certeza
Mas continuo tentando passar
Cada dia mais rápido
Amaldiçoando e pedindo desculpas
Por todo mal estar causado
abril 19, 2026 No Comments
Uma música por dia: Lucy

DIA 9: “Uma música que te deixa feliz”
Música sempre me faz feliz. Principalmente as… tristes. 🙂
Em qualquer lugar que eu esteja e começar a tocar “Rust”, do Echo and The Bunnymen, por exemplo, eu começarei a sorrir.
Mas, ok, vamos pensar em canções “felizes”. Indo por esse lado, pensei primeiramente em “Maquiável Para Crianças”, uma pérola do repertório do grupo paulistano Meia Duzia de 3 ou 4. Também pensei em outra historinha com começo, meio e fim que sempre coloca um sorriso no meu rosto: “Pois Foi”, do Deolinda, a saga de uma garota menosprezada por um babaca que, no final, a encontra acompanhada de outro num café.
Poderia ser “Lazy Line Painter Jane” do Belle & Sebastian, “Soul Love” do Bowie, “Let’s Call The Whole Thing Off” com Ella e Louis, “The Man Who?” de Josh Rouse & Paz Suay, “Romeu had Juliette” de Lou Reed, “Un Río” de Edu Schmidt, “You and Me Song” do Wannadies e tantas outras. Mas hoje vou escolher “Lucy”, do Divine Comedy, porque ela explica tudo isso de uma maneira prática.
“Lucy”, Divine Comedy
do álbum “Liberation”, 1993
I travelled among unknown men
In lands beyond the sea;
Nor, England did I know till then
What love I bore to thee
‘Tis past, that melancholy dream!
Nor will I quit thy shore
A second time; for I still seem
To love thee more and more
Among thy mountains did I feel
The joy of my desire;
And she I cherished turned her wheel
Beside an English fire
Thy mornings showed, thy nights concealed
The bowers where Lucy played;
And thine too is the last green field
That Lucy’s eyes surveyed
She dwelt among the untrodden ways
Beside the springs of Dove
A Maid whom there were none to praise
And very few to love:
A violet by a mossy stone
Half hidden from the eye
-Fair as a star, when only one
Is shining in the sky
She lived unknown, and few could know
When Lucy ceased to be;
But she is in her grave and, oh
The difference to me
A slumber did my spirit seal;
I had no human fears;
She seemed a thing that could not feel
The touch of earthly years
No motion has she now, no force;
She neither hears nor sees;
Rolled around in earth’s diurnal course
With rocks, and stones, and trees
abril 18, 2026 No Comments
Uma música por dia: Beer

DIA 8: “Uma música sobre álcool e drogas”
Jay Bennett foi guitarrista do Wilco e participou dos álbuns “Being There” (1996), “Mermaid Avenue” (1998) e “Summerteeth” (1999), tendo sido demitido da banda durante as gravações do clássico “Yankee Hotel Foxtrot”, quarto álbum do grupo.
Para muitos (eu incluso), “Yankee Hotel Foxtrot” seria um disco completamente diferente se ele não estivesse ali, atazando Jeff Tweedy, tentando tirá-lo da zona de conforto.
Bennett morreu aos 45 anos, em 2009, por uma dosagem acidental de medicamento, e sua história é contada no documentário “Where Are You, Jay Bennett?” (2021) :
Em 2010, a ONG The Jay Bennett Foundation lançou o álbum póstumo “Kicking at the Perfumed Air”, com uma série de gravações inéditas do compositor, incluindo “Beer”, que também integra a trilha sonora do documentário.
“Beer”, Jay Bennett
That first beer, that second beer
The third beer is the best
I love beer more than the rest
That fourth beer, that fifth beer
That sixth beer still tastes fine
Bring me more beer
You can keep the wine
You say I drink too much
You say I think too much
You say I laugh too much
When things are really serious
You say I live too hard
You say I’ve gone too far
I think I’ll crash my car
Then, I’ll become a star
Overnight
That seventh beer, that eighth beer
The ninth goes either way
Just one more beer
And I’ll decide if I will go or stay
There’s eleven, then twelve
And thirteen does no good
Oh, I’ll have fourteen
Though you don’t think I should
abril 17, 2026 No Comments
Uma música por dia: Interstate 5

DIA 7: “Uma música para dirigir”
Poderia (deveria?) ser Neil Young (sempre a primeira opção), pensei em Kraftwerk, mas, como não dirijo, melhor correr…
“Interstate 5”, Wedding Present
do álbum “Take Fountain” (2005)
I should just get out of here
and start driving south on Interstate 5
But I need to stay near,
in case you suddenly remember that I’m alive
But I have this nagging fear
that sex was all you needed
I’ve tried to persevere,
I guess I’ve not succeeded
And is it sexist to say
That I thought just boys were meant to behave in this way?
And though you seemed quite sincere
Will you even recognise my face this time next year?
Well I’ll remember how your eyes
sparkled in the moonlight
You can surely sympathise,
I just wanted more than one night
And yes there was one particular glance
that made me afraid
That you were just seeing me as a chance
of getting laid
abril 16, 2026 No Comments
Uma música por dia: Please Mr. Postman

DIA 6: “Uma música que deve te faz dançar”
Todas.
Bem, gosto dos indie rock barulhentos para pista, mas vez em quando (quando estou discotecando), faço um break ali no meio do set que começa com “Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?”, dos Ramones, emenda com a versão do Manics para “Can’t Take My Eyes Off Of You” culminando com “Be My Baby”, das Ronettes. Dai, pra voltar ao set indie, “Please Mr. Postman” na versão da Backbeat Band (que, você sabe, era Dave Grohl na bateria, Mike Mills no baixo, Thurston Moore e Don Fleming nas guitarras, e Greg Dulli e Dave Pirner cantando as covers de início de carreira dos Beatles). Foda!
abril 15, 2026 No Comments
Uma música por dia: Nunca Diga

DIA 5: “Uma música que deve ser tocada alta”
Todas.
Ok, a primeira que me veio a memória foi “Low Life”, do PIL. Depois pensei em “Miles Iz Ded”, do Afghan Whigs. E também em “Digital”, do Joy Division.
Acho que o vocal gritado une as três, e o bom da música alta é você também poder cantar alto (melhor lugar: uma pista de inferninho. Não a toa, eu adoro discotecar porque posso ouvir as músicas que amo no volume máximo).
Outras que poderiam entrar:
– “Man on The Moon”, Sugar
– “Black”, Jesus and Mary Chain
– “Nunca Diga”, Pato Fu (a minha música particular de verificar a equalização das caixas de som em casa)…
Vou escolher a do Pato Fu porque assim posso usar, também, o vídeo que fiz do Festival Magnéticos, no Sesc Pompeia, em 2017. Tive o prazer de fazer a curadoria desse festival, juntar Graforréia e Pato Fu na mesma noite (por isso John faz a brincadeira no começo do áudio do vídeo) em um dos locais de shows mais icônicos da capital paulista e pedir essa música. Que fim de semana incrível, aliás. Saudades.
“Nunca Diga” (1995)
de: Graforréia Xilarmônica
com: Pato Fu (1998/2017)
Querido, nunca diga que eu tenho mau gosto
E saiba que o belo da vida ainda está pra nascer
Querido, por favor, olhe bem em meu rosto
E Tente enxergar o que os outros não conseguem ver
Fui lhe mostrar um disco que eu comprei
De um cantor que eu sempre gostei
Mas você não me deu atenção
Oh não, não, não, não
Voltarei pra casa pelo mesmo caminho
Escutarei o meu disco sozinha
Dentro do meu quarto na escuridão
Querido, nunca diga que eu tenho mau gosto
Saiba que o belo da vida ainda está pra nascer
Fui lhe mostrar um disco que eu comprei
De um cantor que eu sempre gostei
Mas você não me deu atenção
Oh não, não, não (não!)
Voltarei pra casa pelo mesmo caminho
Escutarei o meu disco sozinha
Dentro do meu quarto na escuridão
Querido, por favor, olhe bem em meu rosto
Tente enxergar o que os outros não conseguem ver
Tente enxergar o que os outros não conseguem ver
abril 14, 2026 No Comments
Uma música por dia: American Idiot

DIA 4: “Uma música que te lembra alguém que você preferia esquecer”
Baita gatilho, hein. Não costumo colocar tanto peso assim sobre uma canção, mas bora cumprir a “tarefa”!
Muita gente criticou as falas de Wim Wenders no Festival de Berlim, mas, para mim, ele apenas manifestou um desejo de voltar para um tempo em que a arte – que sempre foi e sempre será política – era soberana, e que não precisavamos ficar defendendo direitos e manifestando opinião 24 horas por dia.
Wim sente falta de um tempo em que se falava de cinema num festival de cinema, em que a arte era mais importante que a lacração, algo cada vez mais complicado num mundo de red pills, genocidas e lunáticos promovendo caos e guerras.
Hoje precisamos defender a democracia diariamente, pois ela pode desaparecer em segundos. Assim como Wim, sinto falta de não precisar transformar cada momento numa exposição de declaração de principios. E gostaria de pensar menos no americano idiota que quer ferrar o mundo, pois ele lucra com isso. É terrível demais gastar tempo pensando nele…
Mas… você consegue ouvir o som da histeria?
*
“American Idiot”, Green Day (2004)
Don’t wanna be an American idiot
Don’t want a nation under the new mania
And can you hear the sound of hysteria?
The subliminal mindfuck America
Welcome to a new kind of tension
All across the alienation
Where everything isn’t meant to be okay
In television dreams of tomorrow
We’re not the ones who’re meant to follow
For that’s enough to argue
Well, maybe I’m the faggot, America
I’m not a part of a redneck agenda
Now everybody, do the propaganda
And sing along to the age of paranoia
Welcome to a new kind of tension
All across the alienation
Where everything isn’t meant to be okay
In television dreams of tomorrow
We’re not the ones who’re meant to follow
For that’s enough to argue
Don’t wanna be an American idiot
One nation controlled by the media
Information age of hysteria
It’s calling out to idiot America
Welcome to a new kind of tension
All across the alienation
Where everything isn’t meant to be okay
In television dreams of tomorrow
We’re not the ones who’re meant to follow
For that’s enough to argue
abril 13, 2026 No Comments
Uma música por dia: Sanfona

DIA 3: “Uma música que te lembre o verão”
Ok, por motivos óbvios, a primeira música em que pensei foi… “Summer”, do Buffalo Tom, e… “Uma Noite e Meia”, da Marina, mas não queria soar tão óbvio (até porque não são músicas que costumo ouvir em casa – “Summer” é hit de pista indie e “Uma Noite e Meia” de rádio).
Dai pensando, pensando, pensando, passei por Jadsa (“Mergulho”) e cheguei em… Paralamas. Primeiro foi “Santorini Blues”, meu dia de verão na ilha grega (derramei lágrimas ouvindo essa canção nos fones). Depois “Dos Margaritas” na versão em espanhol e, finalmente, “Sanfona”, afinal quem sabe algum dia numa rua da Bahia tudo tenha solução!
A conclusão então é que Paralamas me lembra verão! <3
“Sanfona”, Os Paralamas do Sucesso
– Música de Herbert Vianna e Bi Ribeiro
– Do disco “Bora-Bora” (1988)
Teu olhar agudo me espreita
Em algum canto do planeta
Quem sabe em Genebra
Isso tudo se conserta
Quem sabe em Singapura
Seja descoberta a cura
Quem sabe Paquistão
O antídoto do não
Quem sabe algum dia
Numa rua da Bahia
Tudo tenha solução
Tua antena é quem me chama
Em algum ponto dessa cama
Quem sabe desta vez
Eu sintonize o teu canal
Quem sabe teu veneno
Já não mais me faça mal
Quem dera eu transformasse
Solidão em carnaval
Quem sabe algum dia
Numa praça da Bahia
Nada mais esteja mal.
abril 12, 2026 No Comments
Uma música por dia: Four Winds

DIA 2: “Uma música com um número no título”
“Four Winds”, Bright Eyes
do álbum “Cassadaga” (2007)
Your class
your caste
your country
sect
your name
or your tribe
There’s people always dying, trying to keep ‘em alive
There’s bodies decomposing in containers tonight
In an abandoned building where
A squatter’s made a mural of a Mexican girl
With fifteen cans of spray paint and a chemical swirl
She’s standing in the ashes at the end of the world
Four winds blowing through her hair
But when great Satan’s gone
The whore of Babylon
She just can’t sustain
The pressure where it’s placed
She caves
The Bible’s blind,
the Torah’s deaf,
the Qu’ran is mute
If you burned them all together,
you’d get close to the truth still
They’re poring over Sanskrit under Ivy League moons
While shadows lengthen in the sun
Cast on a school of meditation built to soften the times
And hold us at the center while the spiral unwinds
It’s knocking over fences, crossing property lines
Four winds, cry until it comes
And it’s the sum of man
Slouching towards Bethlehem
A heart just can’t contain
All of that empty space
It breaks
It breaks
It breaks
Well, I went back by rented Cadillac and company jet
Like a newly orphaned refugee, retracing my steps
All the way to Cassadaga to commune with the dead
They said, “You’d better look alive”
And now it’s off to old Dakota where a genocide sleeps
In the black hills, the badlands, the calloused east
I buried my ballast, I made my peace
Heard four winds leveling the pines
But when great Satan’s gone
The whore of Babylon
She just can’t remain
With all that outer space
She breaks
She breaks
She caves
She caves
abril 11, 2026 No Comments
Uma música por dia: It’s All Over Now, Baby Blue

DIA 1: “Uma música com uma cor no título”
It’s All Over Now, Baby Blue (1965)
de: Bob Dylan
com: Echo and The Bunnymen (1985)
You must leave now, take what you need, you think will last
But whatever you wish to keep, you better grab it fast
Yonder stands your orphan with his gun
Crying like a fire in the sun
Look out the saints are comin’ through
And it’s all over now, Baby Blue
The highway is for gamblers, better use your sense
Take what you have gathered from coincidence
The empty-handed painter from your streets
Is drawing crazy patterns on your sheets
This sky, too, is folding under you
And it’s all over now, Baby Blue
All your seasick sailors, they are rowing home
All your reindeer armies, are all going home
The lover who just walked out your door
Has taken all his blankets from the floor
The carpet, too, is moving under you
And it’s all over now, Baby Blue
Leave your stepping stones behind, something calls for you
Forget the dead you’ve left, they will not follow you
The vagabond who’s rapping at your door
Is standing in the clothes that you once wore
Strike another match, go start anew
And it’s all over now, Baby Blue
Bob Dylan registrou “It’s All Over Now, Baby Blue” em seu absolutamente clássico álbum “Bringing It All Back Home“, de 1965, e em diversos álbuns ao vivo ao longo de sua carreira. A versão do Echo and The Bunnymen, registrada em uma sessão de uma rádio em Estocolmo em 1985, foi popularizada pelo famoso bootleg “On Strike or Songs The Lord Taught Us“, de 1986, depois oficializada no box quádruplo “Crystal Days” (2001). Atualmente pode ser encontrada nas plataformas no bootleg “It’s All Live Now” (2017), que é praticamente uma reedição de “On Strike”. Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti fizeram uma versão em português chamada “Negro Amor“, gravada por Gal Costa para o álbum “Caras e Bocas”, de 1977, e regravada pelos Engenheiros do Hawaii no álbum “¡Tchau Radar!”, de 1999,
abril 10, 2026 No Comments

