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Uma música por dia: El Loco

DIA 20: “Uma música com vários significados”

“El Loco”, do Babasónicos
do álbum “Jessico”, de 2001

Soy víctima de un dios
frágil, temperamental
Que en vez de rezar por mí,
se fue a bailar
Se fue a la disco del lugar

Quiso mi disfraz
vivir como un mortal
Como no logró matarme
me regaló
Una visión particular

Volutas de humo,
titilo a su encuentro,
oh-uoh-oh
Siento el fulgor y quiero entrar

Soy víctima de un dios
díscolo y muy singular
Que a su antojo fiel
me arrebató a mi mujer
Y la internó en un lupanar

Que él administró
como chulo, gran señor
Y llegó hasta el fin de confundir
su impunidad
Se creyó omnisciente

Volutas de humo
titilo a su encuentro,
oh-uoh-oh

Siento el fulgor y quiero entrar
Lo regalado es mío y se acabó
No lo devuelvo

Soy víctima de un dios frágil, temperamental
Que en vez de rezar por mí, se fue a bailar
A la disco del lugar

UMA MÚSICA POR DIA

abril 29, 2026   No Comments

Uma música por dia: Medo do Medo

DIA 19:  “Uma música pra pensar na vida”

“Medo do Medo”, Capicua (2012)

Ouve o que te digo, vou-te contar um segredo
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe, são mais uns medicamentos
Vem outra estirpe reforçar os dividendos

Medo da crise e do crime como já vimos no filme
Medo de ti e de mim, medo dos tempos
Medo que seja tarde, medo que seja cedo
e medo de assustar-me se me apontares o dedo

Medo de cães e de insectos, medo da multidão
Medo do chão e do teto, medo da solidão
Medo de andar de carro, medo do avião,
Medo de ficar gordo, velho e sem um tostão

Medo do olho da rua e do olhar do patrão
Medo de morrer mais cedo do que a prestação
Medo de não ser homem e de não ser jovem
Medo dos que morrem e medo do não

Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir pro céu e medo da justiça
Medo do escuro, do novo e do desconhecido
Medo do caos e do povo e de ficar perdido

Sozinho, sem guito e bem longe do ninho
Medo do vinho, do grito e medo do vizinho
Medo do fumo, do fogo, da água do mar,
Medo do fundo do poço, do louco e do ar

Medo do medo, medo do medicamento,
Medo do raio, do trovão e do tormento
Medo pelos meus e medo de acidentes
Medo de judeus, negros, árabes, chineses

Medo do “eu bem te disse”, medo de dizer tolice
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse
Medo da bancarrota e o medo do abismo
Medo de abrir a boca e do terrorismo.

Medo da doença, das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar, de ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais, de sermos poucos
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos

Medo da rotina e da responsabilidade
Medo de ficar para tia e medo da idade
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde

Se não tomar a pastilha, se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília
Compro uma arma, agarro a mala, fecho o condomínio
Olho por cima do ombro, defendo o meu domínio

Protejo a propriedade que é privada e invade-me
a vontade de por grade à volta da realidade
Do país e da cidade, do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade, família e cara-metade…

Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…

O medo paga a farmácia, aceita a vigilância
O medo paga à máfia pela segurança
O medo teme de tudo por isso paga o seguro
Por isso constrói o muro e mantém a distância

Eles têm medo de que não tenhamos medo.

UMA MÚSICA POR DIA

abril 28, 2026   No Comments

Uma música por dia: Helpless

DIA 18: “Uma música de um disco do ano em que você nasceu”

Essa foi difícil, pois, 1970 foi um grande ano!

Pensei em “Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaqua)”, de Elis Regina (do disco “Em Pleno Verão”) e “Gente Humilde”, música que Garoto compôs em 1945, e que Vinicius e Chico colocaram letra em 1970. Pensei em “My Fathers Gun”, de Elton John (“Tumbleweed Connection”), muito por causa do filme “Elizabetown”, de Cameron Crowe. Pensei em Bowie, Led, Sabbath, Milton, Jorge Ben e Paulinho da Viola.

Cogitei fortemente “Working Class Hero”, de John Lennon (e cheguei, inclusive, a baixar a versão ao vivo da Tin Machine, de David Bowie), e sondei Velvet, Nico, Nick Drake e Syd Barrett. Também pensei em Mutantes e Rita Lee, e, claro, em Bob Dylan.

E também em Neil Young, alguma coisa do clássico “After the Gold Rush”, mas o escolhido foi uma de “Déjà Vu” (álbum de Crosby, Stills, Nash & Young), mas do filme/concerto “The Last Waltz”, filmado por Martin Scorsese e, nessa versão, com participação da The Band e de Joni Mitchell. Incrível.

“Helpless”, de Crosby, Stills, Nash & Young
com Neil Young, The Band e Joni Mitchell

There is a town in North Ontario
Dream comfort memory to spare
And in my mind I still need a place to go
All my changes were there

Blue, blue windows behind the stars
Yellow moon on the rise
Big birds flying across the sky
Throwing shadows on our eyes

Leave us

Helpless, helpless, helpless, helpless

Babe, can you hear me now?
The chains are locked and tied across the door
Baby, sing with me somehow
Blue, blue windows behind the stars

Yellow moon on the rise
Big birds flying across the sky
Throwing shadows on our eyes
Leave us

Helpless, helpless, helpless, helpless

UMA MÚSICA POR DIA

abril 27, 2026   No Comments

Uma música por dia: Siga Seu Rumo

DIA 17: “Uma música que você cantaria em dueto num karaoke”

A chance de vocês me verem cantando num karaoke é próxima de zero, mas bora cumprir a tarefa: poderia ser “You’re So Vain”, de Carly Simon, na vibe de Matthew McConaughey e Kate Hudson em “Como Perder um Homem em 10 Dias”…

Ou então encontrar um karaoke que tenha “Henry Lee” (e uma PJ Harvey disponível) – pedir “…Said Sadly”, minha canção favorita dos Pumpkins (dueto de James Iha e Nina Gordon, do Veruca Salt) é completamente absurdo.

“Candy”, de Iggy Pop? (essa com toda certeza tem em karaoke, né)… Hummm…

Mas, de verdade, se eu fosse mesmo ter que cantar um dueto seria…

“Siga Seu Rumo”, original do duo Pimpinela
aqui na versão da Banda Vexame

[Lucía]
Faz tanto tempo que ele não liga pra mim
Faz tanto tempo que tudo deixou de existir
Agora que eu aprendi a viver esquecendo esse amor
Ele aparece bem tarde da noite e me diz que voltou

[Lucía] Quem é?
[Joaquín] Sou eu
[Lucía] Que é que você quer?
[Joaquín] Você
[Lucía] É tarde
[Joaquín] Por quê?
[Lucía] Porque hoje sou eu quem não quero mais você!
[Lucía] Por isso fora! Esqueça meu rosto, o meu nome, esta casa e siga seu rumo
[Joaquín] Não consigo compreender
[Lucía] Fora! Esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo e todo meu mundo
[Joaquín] Está mentindo, posso ver
[Lucía] Fora, esqueça que eu vivo, tá tudo acabado, e não se surpreenda
Esqueça de mim, que afinal pra esquecer você tem experiência

[Joaquín]
Fui procurar emoções, por isso parti
Em busca de sensações que nunca senti
Ao descobrir que isso tudo era só fantasia, voltei
Pois na verdade o que eu quero e preciso é somente você

[Lucía] Adeus!
[Joaquín] Ajude-me
[Lucía] Não quero mais falar!
[Joaquín] Pense em mim
[Lucía] Adeus
[Joaquín] Por quê?
[Lucía] Porque hoje sou eu que não quero mais você!
Por isso, fora! Esqueça meu rosto, meu nome, esta casa e siga seu rumo

[Joaquín] Não consigo compreender
[Lucía] Fora, esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo e todo meu mundo
[Joaquín] Está mentindo posso ver
[Lucía] Fora, esqueça que eu vivo, tá tudo acabado e não se surpreenda
Esqueça de mim, que afinal pra esquecer você tem experiência

UMA MÚSICA POR DIA

abril 26, 2026   No Comments

Uma música por dia: Be My Baby

DIA 16:  “Um hit”

A primeira música que pensei foi… “Heroes”. Mas apesar de ser uma das canções mais belas já escritas, ela nunca foi um hit HIT mesmo (só bateu na posição 126 da Billboard quando lançada como single em 1978, mas quanto Bowie morreu em 2016, ela alcançou a 16ª posição nas paradas).

Hit é aquela música incortonável, que todo mundo conhece. Muitas vezes, ser número 1 da Billboard não garante um hit (“The King is Dead”, disco do Decemberists que é dos meus favoritos deste século, foi número 1 na semana de seu lançamento em 2011, e quase ninguém deve conhece-lo).

Mas não vou com um número 1, e sim com um número 2: “Be My Baby”, das Ronnetes, alcançou o segundo lugar dos Charts em 1963. Brian Wilson era obsessivamente apaixonado por ela; John Lennon a regravou com Phil Spector produzindo (e quando coloquei essa versão de Lennon num cabra cega para Ian McCulloch, do Echo & The Bunnymen, ouvir e comentar, ele brincou sarcasticamente: “É um b-side meu?”).

Aqui no post segue uma versão acústica do We Are Scientists, que também gravou – como b-side – uma deliciosa versão noise guitarreira repleta de guitarras apitando bem fácil de encontrar nas plataformas. Procure saber (e ouvir).

E cante com a gente…

“Be My Baby”, das Ronnetes
com We Are Scientists

The night we met I knew I needed you so
And if I had the chance I’d never let you go
So won’t you say you love me?
I’ll make you so proud of me
We’ll make ‘em turn their heads every place we go

So won’t you, please (be my, be my baby)
Be my little baby? (My one and only baby)
Say you’ll be my darlin’ (be my, be my baby)
Be my baby now (my one and only baby)
Whoa-oh-oh-oh

I’ll make you happy, baby, just wait and see
For every kiss you give me, I’ll give you three
Oh, since the day I saw you
I have been waiting for you
You know I will adore you ‘til eternity

So won’t you, please (be my, be my baby)
Be my little baby? (My one and only baby)
Say you’ll be my darlin’ (be my, be my baby)
Be my baby now (my one and only baby)
Whoa-oh-oh-oh

UMA MÚSICA POR DIA

abril 25, 2026   No Comments

Uma música por dia: War Pigs

DIA 15:  “Um cover”

Amo covers. Não a toa, desses 15 dias de UMA MÚSICA POR DIA, cinco foram de covers. Vou até fazer um Top 10 pessoal momentâneo (que daqui uma hora seria outro, mas tá valendo):

– “Head On”, do Jesus & Mary Chain com o Pixies
– “Disco 2000”, do Pulp com Nick Cave
– “I Wanna be Your Dog”, do Stooges com Uncle Tupelo
– “Top of The World”, dos Carpenters com Shonen Knife
– “Un Millon de Amigos”, de Roberto e Erasmo com Romina Peluffo
– “Out of Time”, dos Stones com o Ramones
– “…Baby One More Time”, de Britney Spears com Fountains of Wayne
– “Steady As She Goes”, do Raconteurs com Corinne Bailey Rae
– “Miss World”, do Hole com Afghan Whigs
– “Between Us”, do The Rutles com o Teenage Fanclub

Porém, no contexto absurdo que estamos vivendo em 2026, não poderia ser outra canção: “War Pigs”, do Black Sabbath, que já ganhou uma baita versão do Cake, e recentemente uma do Jeff Tweedy.

Aqui você assiste a uma banda que costuma incluir “War Pigs” quase sempre em seu repertório, o Flaming Lips, acompanhado de Chan Marshall, ao vivo no Austin City Limits Studios,em 2004.

***
“War Pigs”, do Black Sabbath, com Flaming Lips & Cat Power

Generals gathered in their masses
Just like witches at black masses
Evil minds that plot destruction
Sorcerer of death’s construction

In the fields, the bodies burning
As the war machine keeps turning
Death and hatred to mankind
Poisoning their brainwashed minds

Oh, Lord, yeah

Politicians hide themselves away
They only started the war
Why should they go out to fight?
They leave that all to the poor, yeah

Time will tell on their power minds
Making war just for fun
Treating people just like pawns in chess
Wait till their judgment day comes, yeah

Now, in darkness, world stops turning
Ashes where their bodies burning
No more war pigs have the power
Hand of God has struck the hour

Day of Judgment, God is calling
On their knees, the war pigs crawling
Begging mercies for their sins
Satan, laughing, spreads his wings

Oh, Lord, yeah

UMA MÚSICA POR DIA

abril 24, 2026   No Comments

Uma música por dia: She Lives on a Mountain

DIA 14:  “Uma música para tocar no seu casamento”

Esta é uma semana muito especial para mim e @lili_callegari, pois, exatos 20 anos atrás, nos beijamos pela primeira vez. <3

A gente já estava se paquerando fazia um tempo, eu estava apaixonadamente ansioso e com o coração assustado. Às vésperas de uma viagem para cobrir um festival em Maceió, ficamos juntos. Eu perdi o voo, tive que comprar outra passagem e passei quatro ou cinco dias longe dela após termos ficado juntos. Quando voltei para São Paulo, não nos desgrudamos mais, e lá se vão 20 anos.

Eu já tinha gravado uma mixtape pra ela pouco antes (com Echo, Pulp, Wilco, Delgados, Nick Cave e outros), mas Gorky’s Zygotic Mynci (que compõe com Manics e Super Furry Animals a santíssima trindade do rock galês) tinha ficado de fora.

Nessa época, eu ouvia bastante o disco “Spanish Dance Troupe”, que essa banda galesa havia lançado em 1999, especialmente a lírica “She Lives on a Mountain”, que é uma das músicas que sempre me conectam com a Lili, pois ela sempre será a minha “adorável menina que quer viver na montanha”.

Para um casamento, não seria a versão do disco, que é maravilhosa, mas sim um quarteto de cordas tocando ela… arrepia só de imaginar.

Te amo, Lili <3

Foi incrível viver esses 20 anos ao seu lado. Bora pra mais 20 então! 🙂

“She Lives on a Mountain”, Gorky’s Zygotic Mynci
do álbum “Spanish Dance Troupe”, 1999

She lives on a mountain
Her house only one around
And I’d seen her once or twice
When she came into town

And it was soon that I started dreaming
How my friends would laugh at me
Saying no hermit girl like she
Could fall in love with me

So I looked to the river
And I looked to the sea
I looked in my own mirror
But no traces I could see

So beautiful to see
Before the night is through
Could I fall in love with you?

And she lives on a mountain
Her house only one around
She lives on a mountain
Her face is all around

With storm clouds up above
Still no rain from above

UMA MÚSICA POR DIA

abril 23, 2026   No Comments

Uma música por dia: Simple Twist of Fate

DIA 13: “Uma música dos anos 70”

Bob Dylan lançou “Simple Twist of Fate”, uma canção sobre um relacionamento fadado ao fracasso, no clássico álbum “Blood on The Tracks“, de 1975, e desde então vem revisando continuamente a letra em suas apresentações ao vivo ao longo das décadas (inclusive em suas apresentações mais recentes em 2024, quase 50 anos depois).

“Muitas pessoas me dizem que gostam desse álbum e é difícil para mim me relacionar com isso. Como vocês podem gostar desse tipo de dor?”, disse Dylan certa vez. Quando acompanhou o pai em uma das sessões, o garotinho Jakob Dylan sentiu que o álbum era “meus pais conversando”.

Jeff Tweedy, do Wilco, gravou uma versão reverente dessa canção para a trilha sonora do filme “I’m Not There” (2007).

“Simple Twist of Fate”, Bob Dylan
do álbum “Blood on The Tracks” (1975)

They sat together in the park
As the evening sky grew dark
She looked at him and he felt a spark
Tingle to his bones
‘Twas then he felt alone
And wished that he’d gone straight
And watched out for a simple twist of fate

They walked along by the old canal
A little confused, I remember well
And stopped into a strange hotel
With a neon burnin’ bright
He felt the heat of the night
Hit him like a freight train
Moving with a simple twist of fate

A saxophone someplace far-off played
As she was walkin’ on by the arcade
As the light bust through a beat-up shade
Where he was waking up
She dropped a coin into the cup
Of a blind man at the gate
And forgot about a simple twist of fate

He woke up, the room was bare
He didn’t see her anywhere
He told himself he didn’t care
Pushed the window open wide
Felt an emptiness inside
To which he just could not relate
Brought on by a simple twist of fate

He hears the ticking of the clocks
And walks along with a parrot that talks
Hunts her down by the waterfront docks
Where the sailors all come in
Maybe she’ll pick him out again
How long must he wait?
One more time, for a simple twist of fate

People tell me it’s a sin
To know and feel too much within
I still believe she was my twin
But I lost the ring
She was born in spring
But I was born too late
Blame it on a simple twist of fate

UMA MÚSICA POR DIA

abril 22, 2026   No Comments

Uma música por dia: Michelle

DIA 12: “Uma música da sua pré-adolescência”

Tudo começa com Beatles. Eles foram o meu disco número 1, uma coletânea em vinil chamada “Ballads” que tinha nada mais nada menos do que 10 canções de cada lado.

Suspeito que essas baladas – “For No One”, “You’ve Got To Hide Your Love Away”, “She’s Leaving Home”, “All My Loving”, “Nowhere Man” – tenham moldado o meu gosto musical futuro.

E de todas as canções daquele disco, a minha favorita era… “Michelle”, uma canção do Paul que saiu no disco “Rubber Soul”, de 1965, mas que eu só conheci nessa coletânea caprichada.

Ps. Ganhou o Grammy de Canção do Ano em 1967!

“Michelle”, The Beatles
do álbum “Beatles Ballads” (1980)
Release date: 03 December 1965

Michelle, ma belle,
These are words that go together well,
My Michelle.

Michelle ma belle,
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble.

I love you, I love you, I love you,
That’s all I want to say,
Until I find a way,
I will say the only words I know that you’ll understand.

Michelle ma belle,
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble.

I need to, I need to, I need to,
I need to make you see,
Oh, what you mean to me.
Until I do I’m hoping you will know what I mean.

I love you.

I want you, I want you, I want you,
I think you know by now,
I’ll get to you somehow.
Until I do I’m telling you, so you’ll understand.

Michelle ma belle,
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble.

And I will say the only words
I know that you’ll understand
My Michelle.

UMA MÚSICA POR DIA

abril 21, 2026   No Comments

Uma música por dia: Desintoxicação

DIA 11:  “Uma música que você nunca vai enjoar”

O Último Número é uma banda de Belo Horizonte que debutou em 1986 pelo selo independente Cambio Negro com o belíssimo álbum “Strip-Tease da Alma”, que unia a poesia e o grande vocal de Gato Jair com os bons riffs de guitarra do garoto João Daniel Ulhoa, que deixaria a banda no ano seguinte para se dedicar ao grupo Sexo Explícito (e, depois, ao Pato Fu).

Reformado como um quinteto, o Último Número conseguiu superar a ótima estreia com um segundo álbum poderoso, “Filme”, de 1988. A sonoridade é mais cheia, redonda e complexa. O vocal de Gato Jair brilha na maravilhosa faixa de abertura, “Desintoxicação”, na revisão de “Ars Longa Vita Brevis II” (presente no primeiro álbum), na climática faixa título e na ótima versão de “Come Together”, dos Beatles.

“Filme” é o meu disco favorito deles. Comprei na Baratos Afins, na Galeria do Rock, em 9 de junho de 1991 e ele é o vinil número 212 da minha coleção (eu costumava, no século passado, numerar, datar e assinar meus vinis, afinal eles iriam ficar comigo a vida inteira mesmo). Desde que comprei virou disco de cabeceira, daqueles que a gente volta a eles sempre sem pensar ou planejar, simplesmente porque os ama..

Pra mim, a grande canção desse grande álbum é “Desintoxicação”, a música que abre o disco. Foi uma surpresa tão boa ouvi-la pela primeira vez naquele distante 1991. De todas as faixas do álbum (e do Último Número), essa é a minha favorita, a canção que sempre volta e que, suspeito, eu nunca tenha passado um ano sequer sem ouvi-la desde aquele 1991. Taí, uma canção que eu nunca vou enjoar.

Essa escolha é uma homenagem ao poeta, vocalista e letrista Gato Jair, que nos deixou essa semana. #RIP

“Desintoxicação”, Último Número
do álbum “Filme”, 1988

Há sempre algo que eu perco quando falo
Lua luminosa, jatos d’água e algum álcool

Há sempre algo que eu ganho quando falho
Sombras de sons, luz em arco e algum ar

Eu hoje falo fatos, vejo música
Sou feliz por respirar

Observo mais imagens
Qual é a que existe?
Qual é a mais triste?
Tudo é leve esta manhã

O pesadelo vivo não existe mais
O verdadeiro inferno ficou para trás

UMA MÚSICA POR DIA

abril 20, 2026   No Comments