Category — Música
Habemus vencedor
Antes de mais nada: sooooono. A primeira parte (e a mais trabalhosa) do especial Melhores do Ano S&Y está editada. São as páginas especiais dos 91 amigos que participaram da votação. Agora só falta terminar as páginas dos vencedores, e acredito que amanhã de manhã o especial estará no ar. Na categoria disco nacional, o vencedor bateu o segundo lugar por 22 votos a 19. Na categoria disco internacional a briga foi bem acirrada: 31 votos a 30. Mas ainda preciso fazer uma revisão básica em todas as categorias. Amanhã nos encontramos, ok.
janeiro 14, 2008 No Comments
Cat Power, Flaming Lips e Black Sabbath
Estou ficando apaixonado pela Cat Power…
janeiro 11, 2008 No Comments
Canções que fazem sonhar

Discos tributo, quando bem produzidos, têm um valor inestimável para o público jovem, principalmente quando o homenageado não é conhecido pelas novas gerações. O raciocínio simplista funciona mais ou menos assim: o que um cara como John Fahey fez para que gente tão bacana quanto Sufjan Stevens, Lee Ranaldo (Sonic Youth), Devendra Banhart, Calexico, Jason Lytle (Grandaddy) e M. Ward (entre outros) deitassem sobre seu repertório e acordassem com treze versões arrebatadoras?
O motivo, caro leitor, está lá no fundo do baú da história. John Fahey é um dos pioneiros na arte da guitarra acústica, e “I Am the Resurrection: A Tribute to John Fahey”, revisita com emoção seu fabuloso repertório. John Fahey (falecido em 2001) lançou seu primeiro álbum em 1959 e, a partir de então, exercitou uma musicalidade que procurava desbravar a América negra, o folk, o blues e o country em pequenas sinfonias acústicas de rara beleza. Não à toa, quando a Rolling Stone se reuniu, em 2003, para apontar os 100 guitarristas mais influentes de todos os tempos, Fahey apareceu em uma honrosa 35ª posição.
Para adentrar ao mundo deste “I Am the Resurrection: A Tribute to John Fahey” você precisa, primeiramente, esquecer das paradas de sucesso, das listas dos mais vendidos, da música pop feita para ser consumida vorazmente em alguns segundos e esquecida para todo sempre. A música de John Fahey (encaixotada no preguiçoso gênero acid folk) exige atenção, e depois que você a concede esse benefício, o retorno é quase impossível: ela agarra sua alma num abraço delicado e silencioso que não lhe dá alternativa além de sonhar e sonhar e sonhar.
O maior mérito de “I Am the Resurrection: A Tribute to John Fahey” é introduzir o ouvinte no universo do homenageado. É certo que após ser embalado por Sufjan Stevens na emocionante “Variation On ‘Commemorative Transfiguration & Communion At Magruder Park’”, Devendra Banhart em “Sligo River Blues”, Calexico em “Dance Of Death”, Cul de Sac na piscodélica “Portland Cement Factory at Monolith”, e/ou Peter Case na saudosa “When The Catfish Is In Bloom” (com seus mais de sétimo minutos de delírios), você vá querer ir atrás dos originais. E, então, irá descobrir que essas mesmas canções (e muitas outras) podem soar ainda melhores do que elas soam neste tributo. Boa descoberta.
janeiro 8, 2008 No Comments
Música para indies dançarem

A reinvenção é uma arte. Na música pop, porém, é muito mais comum um artista se reinventar levado pela onda de modismos do que por méritos de sua inteligência artística. Exemplos do primeiro caso podem ser encontrados aos zilhões em qualquer parada de sucessos, mas o segundo caso é muito mais raro, mas nada que este belíssimo. “Hissing Fauna, Are You the Destroyer?”, oitavo álbum do quinteto Of Montreal, não possa justificar.
Lançado em janeiro de 2007 na gringa, e completamente inédito no Brasil, “Hissing Fauna, Are You the Destroyer?” traz Kevin Barnes, líder do Of Montreal, carregando a banda para um território dançante, esquizofrênico e melancólico que muita gente boa por ai andou definindo como “música para indies dançarem” (se é que indies dançam). Com os sintetizadores a frente, Barnes abre o coração e despeja frases de amores partidos: “Não sei se estamos vivendo um romance ou uma substituição”, canta em “Cato As a Pun”.
Em “She’s a Rejecter”, com poderosos riffs de guitarra, o personagem tenta se proteger da “garota que o deixou amargo”. Em “A Sentence of Sorts in Kongsvinger” o refrão é tão chiclete que é impossível não dar uma sacolejada assoviando a boa melodia: “Eu passei o inverno com o meu nariz enterrado em um livro / Tentando reestruturar o meu personagem porque ele se tinha tornado vil ao seu criador”, canta o rapaz antes de dizer que tudo isso aconteceu por culpa de um coração partido.
Em “We Were Born the Mutants Again with Leafling”, faixa que encerra “Hissing Fauna, Are You the Destroyer?”, Kevin Barnes dá a deixa: “Nós amamos ver paixões infelizes”. Por mais que a frase soe sofredora (e soa), há uma beleza na calcificação de corações de pedra partidos por desamores que faz a melodia (e sua deliciosa letra surreal) soar redentora. Enquanto poetas cortam os pulsos em nome do amor, “Hissing Fauna, Are You the Destroyer?” propõe uma nova brincadeira: se você está triste, vá dançar. Amores vem e vão. Músicas também. Ouça “Suffer for Fashion” e se prepare para sorrir.
Ps: a capa de “Hissing Fauna, Are You the Destroyer?”, em forma de caleidoscópio, é seguramente uma das mais bonitas do ano.
janeiro 3, 2008 No Comments
Melhores do ano ao redor do mundo
A Metacritic compilou 26 listas de Melhores do Ano de diversas publicações ao redor do planeta. Três bandas dominam metade dos números 1: Radiohead (6 primeiros lugares), LCD Soundsystem (4) e Arcade Fire (3) juntos somam 13. A outra metade fica dividida entre gente como Battles, Feist, Spoon, National, Bruce Springsteen e Panda Bear, entre outros. Veja quais veículos se dividiram entre os três primeiros:
“In Rainbows”, Radiohead
Billboard, Delusions of Adequacy, Filter, Mojo, Noripcord, PopMatters
“Sound Of Silver”, LCD Soundsystem
Drowned In Sound, MusicOMH, The Guardian, Uncut
“Neon Bible”, The Arcade Fire
Lost At Sea, The Onion AV Club, Q Magazine
A Rolling Stone americana escolheu “Kala”, da cantora M.I.A., como disco do ano; a badalada The Wire ficou com “Comicopera”, de Robert Wyatt; a Spin apontou “New Wave”, do Against Me!; o Observer ficou com o álbum homônimo do The Good, The Bad & The Queen; a NME com “Myths Of The Near Future”, do Klaxons (que toca no Brasil em maio junto com Editors e Yo La Tengo). Veja as 26 listas (e a média final da Metacritic).
O mais engraçado, pra mim, é que recebidos 1/4 dos votos para os Melhores do Ano do Scream & Yell (25 de 100), o disco que lidera a votação neste momento não foi primeiro lugar em nenhuma das 26 publicações listadas pela Metacritic… mas muita coisa pode mudar…
dezembro 30, 2007 No Comments
Enquanto o Natal não chega…

– 500 Toques na Revoluttion: esta semana, Jens Lekman, Suzanne Vega e Damon and Naomi
– David Byrne entrevistando Thom Yorke na Wired (você sabe que Radiohead é o nome de uma música do Talking Heads, né?) Aqui
– Diego Medina (ex-Video Hits) apresenta seu novo projeto, o pirado “Zombieoper”, um ensaio sobre o apodrecimento da humanidade em dois atos, assinado por Senador Medinha e Seridée Mondevac. Os dois álbuns estão disponiveis para download gratuito aqui.
– Daniel Peixoto avisa: 11 músicas novas do Montage para baixar no Trama Virtual. Pega.
– Caiu na Internet as cinco faixas que compõe o single “Conquest”, do White Stripes, uma das cinco grandes músicas de 2007. O single traz Beck cantando e tocando piano em “It’s My Fault for Being Famous”, fazendo slide guitar em “Honey, We Can’t Afford to Look This Cheap” e produzindo “Cash Grab Complications on the Matter”. O single ainda traz uma versão “acoustic mariatchi” da faixa título.
– Por último, a Revista O Grito publicou seu Top 25 e ainda traz uma lista especial com os votos de jornalistas convidados, entre eles este que vos escreve. Aqui.

dezembro 20, 2007 No Comments
Inteligência a favor da música

Dizer, a essa altura do campeonato, que Fernanda Takai sempre teve um jeito de Nara Leão é menosprezar a inteligência do ouvinte. Não que a semelhança inexista, mas é que usar esse argumento após o lançamento de “Onde Brilhem Os Olhos Seus” (álbum em que a vocalista do Pato Fu interpreta canções cantadas outrora por Nara) é mais do que chover no molhado: é render-se ao mínimo divisor comum das letras. E “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, por sua imensa qualidade, não merece isso.
Fernanda Takai sempre trafegou – de mãos dadas com o parceiro e marido John Ulhoa – em um território totalmente diferente do de Nara Leão, o do pop rock inteligente (algo raro em um mundo que valoriza o desgaste de fórmulas de sucesso). Nesta investida do casal (sim, “Onde Brilhem Os Olhos Seus” não é só um disco de Fernanda, mas também de John) por um território quase que totalmente desconhecido (o Fu brincou com o samba no batucão “G.R.E.S.” e no sambinha “Tribunal de Causas Realmente Pequenas”), o que mais chama a atenção é a não rendição as fórmulas fáceis.
Sim, pois por mais que o Pato Fu tenha se tornado uma instituição inatacável dentro do famigerado cenário brasileiro (importante: seguindo seus próprios passos) injetando genialidade num lugar caracterizado por monotonia, as fórmulas vão estar sempre presentes para que os “espertos” esvaziem os bolsos dos incautos. E não é que se esperasse de Fernanda e John, após tantos anos de bons serviços prestados a música brasileira, um salto ao lado negro da força, mas sacumé, o que esperar de um repertório calcado por clássicos incontestes do quilate de “Com Açúcar, Com Afeto”, “Luz Negra”, “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”, “Insensatez” e “Ta-Hi”?
Porém, Fernanda e John surpreendem acolhendo este repertório de clássicos do cancioneiro nacional e os renovando com arranjos espertos que passeiam pelo “pop, rock, folk, jazz, dixieland, baião-techno e soul branco”, como analisa um dos idealizadores do projeto, Nelson Motta, no belíssimo trabalho gráfico do CD. Entre os pontos altos se destacam a fofa “Diz Que Fui Por Aí” (Zé Kéti / Hortensio Rocha), a deliciosa “Odeon” (Ernesto Nazareth / Hubaldo / Vinicius), a belíssima “Com Açúcar, Com Afeto” (Chico Buarque) e “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos” (Roberto e Erasmo).
O que mais chama a atenção neste trabalho é a autoralidade da produção de John, que valoriza as canções e as transporta para um território conhecido (aquele em que o Pato Fu trafega com tranqüilidade) sem agredir as matrizes originais. Seria fácil e simplista demais para Fernanda fazer um disco homenageando Nara que soasse exatamente como Nara Leão soava.
“Onde Brilhem Os Olhos Seus” segue outro caminho: é a Nara travestida de Pato Fu (várias canções do álbum encaixariam perfeitamente no repertório da banda mineira), numa aproximação de Fernanda com Nara que, além de homenagear uma das grandes interpretes da MPB, permite valorizar uma das grandes personalidades musicais de nossa música atual: Fernanda Takai. E é nesse aproximação que o álbum consegue seu maior intento: valorizar duas interpretes que souberam, cada uma ao seu modo, usar a inteligência a favor da música.
dezembro 17, 2007 No Comments
Música do ano, banda do ano
O Terminal Guadalupe (responsável pelo grande disco de 2007, “A Marcha dos Invisíveis”) está disponibilizando em seu My Space uma versão ao vivo de “Grupo de Extermínio De Aberrações” (música do ano), do Violins, a grande canção de 2007. Presente em shows recentes do TG pelo país, essa gravação foi registrada na noitada que reuniu Violins e TG em Curitiba, no mês passado, e que deveria ter contado com a presença deste DJ eventual, caso o trânsito de São Paulo não tivesse praticamente parado naquela sexta-feira. Essa versão do Terminal Guadalupe para “Grupo de Extermínio De Aberrações” conta com a participação de Beto Cupertino, letrista e vocalista do Violins, nos vocais.
dezembro 14, 2007 No Comments
Papai Noel mandou um recado

Seguinte, não lembro ao certo quantas vezes insisti para que alguém comprasse algo, seja um CD ou um livro. Acho que já escrevi várias vezes “vá ver este filme”, mas nunca “compre este livro”. E, pelo que me lembro, insisti em um texto para que o leitor comprasse o “Songs For The Deaf”, do Queens of The Stone Age (muito embora eu tenha ido fuçar o jornal Alternative Voices, em que eu tinha uma coluna, visto a resenha, e não encontrado a frase “compre, compre, compre”).
Se grana fosse solução e não um problema, eu juro que entraria numa pilha de mandar um livro de natal para s leitores que me escrevessem, mas como isso ainda não pode acontecer (um dia ganharei o meu primeiro milhão, espere) devido ao estado calamitoso da minha conta bancária, vamos fazer um trato: eu escolho o seu presente, aquele que você vai dar pra si mesmo, você compra, e quando a gente esbarrar em algum lugar (show, festa, discotecagem, jogo do Corinthians na segunda divisão), leva o livro que eu escrevo: “Do Mac, com carinho, para…”
Tô falando sério.
O lance é o seguinte. Recebi hoje, via Submarino, meu presente de natal pra mim mesmo: “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, editora Sextante. O livro é um calhamaço de quase mil páginas (960 para ser preciso) e – na passada de olho que dei – vale muito a pena. Li textos sobre “Born In The USA”, do Bruce Springsteen (”Em seu espírito – amor, ar e honestidade – este álbum é pura alma e coração”), “Ocean Rain”, do Echo and The Bunnymen (”Enquanto o U2 e o Simple Minds tocavam em estádios, o Echo percorria as ilhas da costa oeste da Escócia; ‘Ocean Rain’é a prova do que, em última instância, essa escolha foi mais compensadora”) e “Beach Samba”, de Astrud Gilberto (”Quem pode resistir a um disco que começa com: ‘Stay… and we’ll make sex and music’”).
Ou seja, faltam 998 outros discos para eu ler (e muitos para escutar), mas não é sobre esses discos que eu quero falar. O que quero dizer é que você merece esse livro de natal. Mesmo. Comprei o meu no Submarino por R$ 37,30, frete gratuito (até onde sei, pra todo Brasil), e poucas vezes a relação custo/investimento foi tão proveitosa quanto neste caso. Seria muito melhor se eu tivesse com os links patrocinados ativos no site (para o ano que vem, para o ano que vem), assim até eu conseguia faturar alguns centavos com cada compra que saísse daqui (sacumé), mas a idéia mesmo é que você tenha esse livro em seu colo antes do final de ano, para começar o ano bem. Pois “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” é cultura pop de alta qualidade.
Deixa de comprar quatro Rolling Stone (você acha em sebo fácil depois), manera nas vódegas na balada (ao invés de beber três por noite, bebe uma pinga e pronto), aproveita a oportunidade para dar um tempo no cigarro, economiza e compre este livro para você mesmo. Sobretudo, devore cada pedaço dele como se fossem variações da sobremesa que você mais gosta. Tem coisas neste livro para as quais você ainda não está pronto (nem eu), mas que um dia você irá ouvir e, quem sabe, gostar. Coisas de jazz, blues, punk, metal, disco, soul, hip hop, música experimental, dance, world e, claro, o recheio, rock e pop. Coisas finas, garanto.
Decidi escrever tudo isso acima, com toda pieguice que esse texto permite, porque eu adoraria que alguém empurrasse esse livro sobre mim se eu não soubesse da existência dele. E, cá entre nós, se você “perde tempo” visitando este espaço rotineiramente (sei lá, uma vez por dia, por semana, por mês, por ano), este livro é a sua cara, como é a minha. Vai lá. Este é o presente que Papai Noel (velho batuta) quer te dar neste ano. Tem gente que queria um carro, uma casa, o box com as dez temporadas do Friends ou um ticket para assistir a um dos shows da volta do Led Zeppelin, mas estou feliz com este livro em meu colo. Espero que você também fique. Vai lá. Sid Vicious está te encarando.
Feliz Natal
dezembro 11, 2007 No Comments
Nokia Trends 1 x 2 Calor

O Nokia Trends encerrou, na noite de sábado (ou, como alguns brincaram, na manhã de domingo) o calendário mais caótico de shows que este país já assistiu em um ano. O festival já saiu perdendo em termos de escalação em comparação com sua própria edição de 2006 (com Soulwax, Hot Hot Heat, We Are Scientists e Bravery), e se tivesse mantido a belíssima estrutura já seria um grande ponto a favor frente ao fiasco do Tim Festival SP deste ano.
Porém, a adaptação do palco no Memorial da América Latina apresentou alguns problemas, cujos principais foram os poucos banheiros disponíveis e, principalmente, o ar-condicionado insuficiente para a quantidade de gente que lotou o festival. A quantidade de caixas e bares foi satisfatória, com um único defeito a ser ressaltado: os caixas só vendiam cartelas de R$ 10 com cinco fichas de R$ 2. Ou seja, se você quisesse comprar um refrigerante, que estava custando R$ 4, teria que comprar a cartela de R$ 10 e “morrer” com os outros R$ 6 (eu voltei com R$ 2 pra casa).
E a música?, pergunta o leitor que entrou aqui para saber disso: Artificial, projeto do Kassin, é uma piada de mau gosto; para falar do Underground Resistence foi usar a frase de um amigo: “Só falta entrar a Gloria Estefan cantando“; não lembro do Van She, um pouco por causa da mistura de vodka e gin, e também porque eles são esquecíveis mesmo; o Phoenix foi bem bom. “Consolation Prizes“, a única música deles que permaneceu no meu computador, ficou muito boa ao vivo. Não que eles valham uma noite, mas são competentes e isso basta; e o She Wants Revenge foi… fraquinho.
Ok, estou sendo exigente demais. O She Wants Revenge é datadaço e não deveria estar tocando naquele local, uma tenda quente hiper-maxi-iluminada cheio de gente estilosa e/ou tentar mostrar algum estilo. O som do She Wants Revenge não casa com a proposta do lugar. Eles precisam de um ambiente menor, mais escuro, mais dark, mais gótico, mais tudo. Não dá para ouvir a voz a la Sisters of Mercy do vocalista do She Wants Revenge com o sol nascendo. Vampiros não podem com o sol. É tão primário.
Na verdade, a escalação de todos os grandes festivais pecou, e muito, em 2007. Tudo o que o marketing tentou vender neste ano foi por água a baixo pelo que se viu no palco. Killers não tem nada a ver com o Tim Festival. Kasabian não é uma banda de porte para fechar um festival tão bacana quanto o Planeta Terra. E She Wants Revenge não pode tocar com o dia clareando. Fica parecendo que, antigamente, os curadores destes festivais iam atrás daquilo que achavam melhor, mas agora pegam o que está dando sopa no mercado de shows. Algo tipo: “Temos essas 20 bandas querendo tocar na América do Sul, qual delas você quer?“.
Trocamos a curadoria pela facilidade (e economia) do que já está no circuito de shows. Para que um curador vai se preocupar em trazer algo novidadeiro se o Killers está dando sopa na América do Sul, não é mesmo? Acontece que a roda não deveria girar desse jeito. Para o Tim Festival, que vende o slogan “música sem fronteiras” e aposta em nomes pouco conhecidos do grande público, o Killers é mega e estaria perfeitamente encaixado como headliner do Terra (iria ser perfeito). E isso abriria para o Tim investir em nomes como Calexico (que estava rodando a América do Sul meses atrás), Beirut (top ten em dezenas de listas de melhores do ano) ou até apostar num Twilight Singers e Soulsavers, garantia de shows inesquecíveis e bom investimento pop.
Dos três grandes festivais deste ano (vamos combinar que o Motomix não existiu, ok), o Nokia Trends foi o que errou menos. O Planeta Terra foi perfeito na estrutura, mas faltou arriscar mais num grande nome que pudesse dar suporte ao evento. Quando se fala mais do quão a estrutura de uma festival foi legal estamos sinalizando que a música ficou em segundo plano. O Tim Festival SP teve alguns dos melhores shows do ano, mas foi terrivelmente frustrante no quesito produção. E o Nokia Trends desceu uns degraus no quesito produção e line-up, mas continuou na mesma vibe dos anos anteriores (nomes pequenos, produção cuidadosa, boa festa). Num mundo ideal, os erros cometidos neste ano deveriam servir de aprendizado para o ano que vem, mas não vou ficar surpreso se todo esse cenário se repetir. Mesmo.
dezembro 10, 2007 No Comments

