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Category — Música

Riffs, Grooves e Beats no CCBB SP

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O teatro do CCBB, em São Paulo, é um dos melhores lugares para se assistir a um show em São Paulo. E a partir desta terça, 04 de janeiro, semanalmente (com shows às 13h e às 19h30 ao preço de R$ 6 – meia entrada a R$ 3), o projeto Riffs, Grooves e Beats promete abrir o calendário de shows nacionais com o pé direito.

Na primeira apresentação, o Cidadão Instigado divide o palco com Karina Buhr. Dia 11, será a vez de Edgard Scandurra e Tigre Dente Sabre. No dia 18, quem sobe ao palco são Maquinado e Retrofoguetes e, para encerrar, Nação Zumbi e Ava Rocha tocam no dia 25 de janeiro, aniversário da cidade. Coloca na agenda que vale a pena.

Serviço:
Riffs, Grooves E Beats
Terças-Feiras – 13h E 19h30
04/01/11 Cidadão Instigado e Karina Buhr
11/01/11 Edgard Scandurra e Tigre Dente De Sabre
18/01/11 Maquinado e Retrofoguetes
25/01/ 11 Nação Zumbi e Ava Rocha

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
www.twitter.com/ccbb_sp
Teatro: 125 lugares
Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada)
Aceita cartões de crédito Visa ou Mastercard, cheque ou dinheiro
Horário de funcionamento da bilheteria: das 10h às 20h
Classificação indicativa: livre.

janeiro 3, 2011   No Comments

A última canção do Terminal Guadalupe?

e a primeira do BrancaleoneZ…

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“Olá. Como você já ter ouvido por aí, o Terminal Guadalupe vai encerrar suas atividades em definitivo. O show de despedida ficou para 06/02, às 15 horas, na Arena Mundo RIC, em Guaratuba (PR) – um domingo de verão à beira-mar. “Força” (baixe aqui) é a última canção da banda. Eu fiz a letra e a musiquei com ajuda de Fábio Serpe e Cláudio Farinhaque. Tem um quê de Big Star, de Teenage Fanclub, de… Cascadura! Espero que gostem. Apesar de gravada ao vivo, em 27 de maio de 2010, na Livraria Saraiva, em São Paulo, só foi mixada agora, em um belíssimo trabalho de Matheus Duarte (Match). A faixa estará na coletânea do programa Loaded. Daqui por diante, vou me dedicar ao projeto brancaleoneZ (tem um demo crua da primeira música, “Noite Branca”, sem mixagem e sem edição,  aqui), mas de leve.

Obrigado pelo apoio ao longo dos anos – e, eventualmente, por ter falado mal, o que também chamou atenção para a banda.

Um grande abraço.
Feliz 2011.
Dary Jr. “

janeiro 2, 2011   No Comments

É esse e mais nove…

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Clique na imagem para ler o texto. E imprima 😛

dezembro 12, 2010   No Comments

Erro na prensagem do vinil da Legião Urbana

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“Closer”, o mítico segundo disco do Joy Division, foi lançado em 1980, mas só ganhou edição brasileira em 1989, via selo Estúdio Eldorado, licenciado pela Stiletto. A arte de Peter Saville tinha como base uma foto de Bernard Pierre Wolf, “Il Staglieno”, tirada em Genova, na Itália, em 1978. Tudo preto e branco. O encarte, econômico, listava o nome das canções, mas o selo do vinil não distinguia lado A nem lado B.

Como saber, então, qual lado ouvir se o ouvinte quisesse, por exemplo, escutar “Decades”? Muito simples: com algumas audições era possível perceber que, apesar dos dois lados do vinil terem cinco canções (a edição nacional trouxe de bônus o single “Love Will Tears Us Apart”), uma delas era diminuta e funcionava como guia. Assim, bastava olhar o vinil, encontrar “Isolation”, e escolher o lado que queria ouvir.

Quer fazer o teste de comparação? Olhe aqui.

Corte para 2010. A Legião tem toda sua discografia de estúdio relançada em vinil (apesar de seus dos discos lotarem sebos com preço entre R$ 5 e R$ 10 – apenas os dois últimos não foram lançados em vinil quando de seu lançamento). O preço não é nada convidativo (entre R$ 120 e R$ 190), mas o projeto é caprichado: todos os álbuns têm capas duplas, com o encarte original e um novo encarte atualizando o lançamento.

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Porém, bastou bater o olho no vinil do primeiro disco, “Legião Urbana” (de subtítulo “O Futuro da Nação” e codinome “Legião Urbana I”), para perceber algo estranho. A faixa que fecha o álbum, a balada eletrônica “Por Enquanto”, estava com espaço maior do que as demais. Surgiu a dúvida: será que colocaram alguma “hidden track” nova como surpresa para os fãs? “Por Enquanto”, sozinha, não era uma faixa tão longa.

Disco na vitrola, erro comprovado. A nova prensagem luxuosa do primeiro disco da Legião Urbana traz um erro gravíssimo: As faixas 4 (“Teorema”) e 5 (“Por Enquanto”), por descuido, foram prensadas como faixas 1 e 2 (respectivamente) tomando o lugar de “O Reggae” (que abria o lado B do vinil e agora virou faixa 3), “Baader-Meinhof Blues” (4) e “Soldados” (5), que ficou encarregada de fechar o álbum (compare visualmente aqui).

Então você pergunta: “Isso é um problema? As músicas não estão todas lá?” Sim, estão, mas um disco não é apenas um amontoado de faixas. Um disco é um conceito. Uma obra de arte. Renato Russo, que era conhecidamente metódico com relação ao conceito de um disco e deve estar se revirando no navio Andrea Dória, com certeza pensou meses qual canção abriria o disco, qual fecharia o lado A e assim por diante. Além do mais, você está pagando R$ 120!

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Errar a ordem das faixas em um disco é um erro gravíssimo, uma tremenda falta de respeito para com o artista (mesmo involuntária), o equivalente a reproduzir La Gioconda tirando o fino véu que cobre seu rosto, ou, mais especificamente, mudar de lugar as partes cubistas de um quadro do Picasso. Imagine relançar um disco dos Beatles ou dos Stones colocando as últimas músicas em primeiro.

Tudo isso piora sob a luz da idéia de que um vinil destes relançamentos nacionais custa, no mínimo, duas vezes mais que um vinil de qualidade superior importado. Um vinil duplo 180 gramas na loja do Wilco (aqui) custa 19 dólares. Mais 6 dólares de frete, o preço final, sem taxação, sairia por 25 dólares (R$ 42). Se fosse taxado (algo difícil para compras menores que US$ 50) teria um acréscimo de 60% passando para R$ 68. O vinil duplo “A Tempestade”, da Legião, custa R$ 180. Algo está errado com a Indústria Brasileira. E quem paga é o consumidor.

Ps. O setor Comercial da Polysom se manifestou nos comentários quanto ao erro de prensagem.
Ps1. Dado Villa-Lobos respondeu no Twitter: @dadovillalobos erro de prensagem do vinil #LegiãoUrbana foi erro de empresa do exterior. Polyson tá reprensando/EMI repõe a todos.

Leia também:
– Paul duplo, R$ 50. Legião duplo, R$ 190 (aqui)
– “Legião Urbana e Paralamas Juntos”, um belo retrato de época (aqui)
– “Duetos”, de Renato Russo, uma grande picaretagem (aqui)

dezembro 6, 2010   1 Comment

Três vídeos do Raveonettes em São Paulo


“Bowels of the Beast”


“Black Satin”


“Little Animal”

Em 2005, no Curitiba Rock Festival, espremidos entre as apresentações sensacionais de Weezer (no sábado) e Mercury Rev (no domingo), a dupla Sune Rose Wagner e Sharin Foo fez uma apresentação correta, mas extremamente decalcada no som do Jesus and Mary Chain (paixão que escorre por cada acorde praticada pelo duo). Parecia cover de canções que a gente não sabia que o Jesus tinha feito. Em 2010, para uma Choperia do Sesc Pompéia com ingressos esgotados (mas não lotada), o Raveonettes mostrou o famoso wall of sound que tanto marca presença nos discos. A corrente de Jesus e Maria continua assombrando o Raveonettes, mas ao menos nesta noite foi possível ouvir a presença de Phil Spector nos riffs. E o show foi bonito (e baixo – devido ao limite de decibéis imposto pelo Sesc), dançante e rock and roll.

01. Attack Of The Ghost Riders
02. Veronica Fever
03. Let’s Rave On
04. Bowels of the Beast
05. Lust
06. Dead Sound
07. Black Satin
08. Break Up Girls!
09. The Beat Dies
10. Heart Of Stone
11. Little Animal
12. Oh, I Buried You Today
13. Love In A Trashcan
14. Twilight
15 Last Dance
16. Blush
17. Aly, Walk With Me

Bis
18. My Tornado
19. That Great Love Sound

Leia também:
– Weezer, Mercury Rev, Raveonettes e mais no Curitiba Rock (aqui)

novembro 21, 2010   No Comments

Três vídeos do Norah Jones em São Paulo


“Long Way Home (Tom Waits Cover)”


“Cry, Cry, Cry (Johnny Cash Cover)”


“Lonestar”

As sete primeiras músicas foram do álbum do ano passado, “The Fall”, com Norah Jones (gatíssima de vestidinho vermelho e botas) na guitarra e uma acentuação mais roqueira na sonoridade da banda. Nesta primeira parte, apesar da simpatia da filha de Ravi Shankar, o show foi monótono. As coisas começaram a tomar forma quando Norah, ainda na guitarra, anunciou que iria começar a tocar números antigos, “bem antigos”, segundo ela. E assim foi.

“Come Away with Me”, faixa título de seu álbum de estreia, em 2002, abriu a segunda parte do show seguida por “The Long Way Home”, cover de Tom Waits que integra o multiplatinado “Feels like Home” (2004). Johnny Cash foi lembrado com uma versão de “Cry Cry Cry” (inclusa no Live EP da edição de luxo de “The Fall”, que ainda traz “Jesus, etc.”, do Wilco, não tocada em São Paulo), mas o público aplaudiu mesmo a versão sensual de “Don’t Know Why”, com Norah ao piano e o autor Jesse Haris tocando violão.

Da metade pra frente foi um show bem bonito, mas nada imperdível. Norah Jones é fofa no palco, mas falta algo ao show. Provocando é possível dizer que falta alma. Falta uma marcação mais classuda na cozinha (as músicas mais antigas, com baixolão fazendo a cama, soaram bem melhores), algo que bata no peito do ouvinte, que faça ele sentir a canção. No Parque da Independência, em um dia de sol e um pouco de frio, Norah Jones fez um show correto para o maior público de sua carreira (25 mil dentro do parque, um tanto quase igual fora). Poderia ser melhor, mas ainda assim valeu a pena.

01. “I Wouldn’t Need You”
02. “Tell Yer Mama”
03. “Light as a Feather”
04. “Even Though”
05. “Young Blood”
06. “It’s Gonna Be”
07. “Chasing Pirates”
08. “Come Away with Me”
09. “The Long Way Home”
10. “Broken”
11. “Cry Cry Cry”
12. “Waiting”
13. “Back to Manhattan”
14. “Sinkin’ Soon”
15. “Carnival Town”
16. “Don’t Know Why”
17. “Stuck”
18. “Lonestar”

Bis

19. “Sunrise”
20. “How Many Times Have You Broken My Heart”
21. “Creepin’ In”

novembro 15, 2010   No Comments

Três vídeos do Belle and Sebastian em SP


“The Fox in the Snow”


“Jonathan David”/”Get Me Away from Here I’m Dying”


“Me and Major”

O tempo passa. Nove anos atrás eles faziam algum sentido (e músicas beeem melhores). Os shows eram inaudíveis, mas o público cantava alto e encobria os (possíveis) defeitos. A inocência como virtude. Em 2010, o sentido parece ter ficado parado no tempo (perdido?) e o show soa deslocado, mas a noite teve seus momentos (embora a sensação de ‘foto desbotada’ tenha pairado no ar a noite toda). O público já não canta efuzivamente todas as canções, o que deixa mais visível (e sofrível) o som de coreto de cidade do interior (da Escócia) que saia pelas caixas. “Parte da ilusão da euforia indie morreu um pouco hoje no palco do Via Funchal”, escreveu o amigo Jardel Sebba no Twitter. Uma frase interessante demais para se refletir. O tempo passa.
Set List

01. “I Didn’t See It Coming”
02. “I’m a Cukoo”
03. “Step Into My Office, Baby”
04. “Another Sunny Day”
05. “I’m Not Living in the Real World”
06. “Piazza, New York Catcher”
07. “I Want the World to Stop”
08. “Lord Anthony”
09. “Sukie in the Graveyard”
10. “The Fox in the Snow”
11. “Travellin’ Light”
12. “If You’re Feeling Sinister”
13. “Write About Love”
14. “There’s Too Much Love”
15. “The Boy with the Arab Strap”
16. “If You Find Yourself Caught in Love”
17. “Simple Things”
18. “Sleep the Clock Around”

Bis

19. “Jonathan David/”Get Me Away from Here I’m Dying”
20. “Judy and the Dream of Horses”
21. “Me and the Major”

Leia também:
– Belle and Sebastian no Free Jazz, 2001, por Marcelo Costa (aqui)

novembro 11, 2010   No Comments

Boa sorte, indústria brasileira

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Chegou via release: os seis primeiros álbuns da Legião Urbana (lançados entre 84 e 93), editados originalmente em vinil, voltam ao formato em edições de capa dupla, com fotos e textos inéditos. Já “Tempestade” e “Uma Outra Estação”, editados originalmente em CD, foram adaptados ao formato vinil, ambos com dois LPs cada e capas duplas. Todos remasterizados em Abbey Road.

Preços sugeridos (sujeitos a variações determinadas pelas lojas)
Vinis simples – R$ 120 (“Quatro Estações” e “Descobrimento Do Brasil”)
Vinis simples – R$ 140 (“Legião Urbana”, “Dois”, “Que País é Este” e “V”)
Vinis duplos – R$ 190 (“A Tempestade” e “Uma Outra Estação”)

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Enquanto isso, um dos discos mais clássicos da carreira de Paul McCartney (aquele cara que um dia integrou uma banda chamada Beatles e que daqui alguns dias estará entre nós) ao lado do Wings, “Band on The Run”, ganha uma reedição luxuosa também em vinil (além de CDs com material raro) que conta com as nove faixas do álbum distribuídas em dois discos de 12” de 180 gramas. Além, quem comprar o vinil duplo pelo site do Paul ganha “9 bonus audio tracks” em MP3, que são as músicas que integram um dos CDs extras (o tracking list você pode conferir aqui). O disco também foi remasterizado em Abbey Road.

Preço: US$: 29,99 (cotação de hoje: R$ 51,10 26/10)

Ou seja: Paul duplo, R$ 50. Legião duplo, R$ 190.

Assim, eu adoraria comprar vinis nacionais, e até trocar os vinis originais da Legião que tenho por essas novas reedições, mas não dá para acreditar nestes preços. Comprei a coleção do Wilco, via Amazon, 20 dólares cada vinil (todos com o CD de bônus incluso). Não dá para pagar os cento e tantos reais num vinil nacional. Boa sorte, indústria.

outubro 26, 2010   No Comments

“Eu acampei no SWU”, por Elson Barbosa

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Foto: Divulgação

À convite do Scream & Yell, Elson Barbosa (Herod Layne, Sinewave) conta como foi o camping no primeiro SWU. Divirta-se:

“Acampamento, como se sabe, é para aventureiros. Gente que se dispõe a dormir mal, comer mal, se sujeitar a diversos tipos de privações. Mas até aí megafestival também é, e a quantidade de perrengues em um pode ser tão grande quanto no outro. Quando recebi a ligação de um grande amigo me chamando para o camping do SWU, a primeira reação foi o proverbial “não tenho mais idade pra isso”. Mas tem aquele lance que idade é estado de espírito, etc, e certamente não seria pior do que um músico enfrenta durante uma turnê. Topei.

O camping do SWU até teve seus problemas. Mas estes não foram nada perto do caos que muita gente enfrentou nas saídas dos shows. No geral estávamos em um ambiente tão legal (e offline) que não sabíamos de problema nenhum acontecendo no mundo além das catracas.

Passamos por um primeiro perrengue na entrada, quando levamos quatro horas para conseguir acesso para a área de camping devido à falta de informação do evento. Informação é primordial em qualquer tipo de processo. Alguns avisos espalhados pela área teriam um custo quase zero e evitariam uma situação que custou quatro horas de centenas de pessoas. Mas ok, esse tipo de problema não é exclusividade do SWU e muito menos do Brasil – já passei por problemas bem maiores em festivais em outros países. Faz parte. Chegamos na área de camping, montamos a barraca, e partimos para o festival, já com vários bons shows perdidos.

Vale descrever a área de camping. Oficialmente um kartódromo, ficava ao lado de uma área de lazer e pescaria. A área de lazer, aberta 24h, tinha diversas lanchonetes, um restaurante, lojinhas, banheiros. A comida por lá era melhor, mais variada e mais barata que na arena de shows. Fazendo um bom planejamento de horários, era possível ir para o restaurante durante um show mais concorrido e comer sem enfrentar fila nenhuma. A área de pescaria, com seus diversos lagos artificiais, dava um ar bastante bucólico para o lugar. Ambiente perfeito para uma brisa longe da arena de shows.

Durante o dia, mais um perrengue, talvez o mais problemático. Cada pessoa tinha direito a quatro banhos controlados de sete minutos, em horários específicos. Os chuveiros foram muito mal projetados pela organização – havia vinte para homens e dez para mulheres. Isso num camping para milhares de pessoas. A fila era de em média duas horas, embaixo de um sol escaldante (ou, para quem se aventurasse a tomar banho de madrugada, embaixo de um frio congelante). Houve várias reclamações, e até um princípio de tumulto na fila das mulheres, que passava das duas horas de espera. E eis um ponto positivo para a organização – as reclamações eram ouvidas. No dia seguinte ao tumulto, aumentaram o horário para banhos, e puseram várias pessoas do staff para divulgar a informação. Apesar das filas grandes, estávamos sendo bem tratados.

A noite no camping, depois dos shows, era bem tranquila, segura e policiada. Não soube de nenhum problema de roubo ou violência por lá. Pelo contrário – a boa vibe aproximava pessoas que nem se conheciam. Em uma sala com tomadas elétricas para carregar celulares era comum formar rodas de grandes amigos que acabavam de se conhecer. Um festival não é formado só de bons shows afinal. O camping ali era parte da festa.”

Leia também:
– “Três dias de shows e polêmicas em Itu”, por Marcelo Costa (aqui)

outubro 13, 2010   No Comments

SWU – Dia 3

Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari

A saída do segundo dia foi sossegada (ao contrário do drama do primeiro dia). Optamos por cabular o pop Vila Olímpia da Dave Matthews Band e o rock fracote do Kings of Leon para chegarmos à Pousada antes do sol nascer. Funcionou. Praticamente com o estacionamento lotado (e 70% do público ainda no festival), deixamos o local sem traumas. Antes da meia-noite estávamos em Itu assistindo ao Kings of Leon na barraquinha King Lanches (um local perguntou: “Isso é rock?”. Diz muito).

Frente às reclamações e histórias da noite assustadora do dia anterior, a organização conseguiu que a polícia liberasse uma via antes fechada para melhor escoamento do trânsito, colocou mais pessoas informando os locais corretos de embarque para cada destino e 40 ônibus a mais do que na noite anterior (eram 80 e passaram a 120). Como optamos por ir de carro e saímos antes do batalhão de público ao termino do último show, não podemos afirmar se funcionou ou não, mas fica registrada a tentativa da produção em evitar repetir os erros do primeiro dia.

Para o terceiro dia não alteramos o modus operandi do dia anterior. Fomos novamente de carro, estacionamos no local e saímos antes do último show. Chegamos em tempo de pegar metade do belíssimo show de microfonia do Yo La Tengo. Teve “Sugarcube”, “Tom Courtenay”, “Autumn Sweater” e “Pass the Hatchet, I Think I’m Godkind”, 15 minutos de barulho para fã nenhum de rock botar defeito (com exceção dos fãs do Linkin Park, que vamos combinar, não entendem de rock).

Na sequencia, Max e Iggor promoveram a maior, melhor e mais bonita roda de pogo do festival ao tocar hinos do Sepultura como “Refuse/Resist” e “Roots Bloody Roots”, que levantou poeira (ainda rolaram “Atittude” e “Troops of Doom”), com o Cavalera Conspirancy. Tocaram também canções do álbum “Inflikted”, como a faixa título mais “Sanctuary”, “Terrorize”, “Hex”, “Ultra-Violent” e um número inédito, “Warlords”. Do meio do pista normal, os ex-parceiros Paulo Jr. e Andréas Kisser assistiam ao show. Reunião do Sepultura à vista?

 No palco Oi, acompanhado apenas de baixolão e violão, Josh Rouse fez um show intimista e bonito, mas sofreu com um problema comum nesta primeira dia edição do SWU: o mau posicionamento dos palcos (estrutura é um erro grave em um evento deste porte) fazia com que o som vazasse para os outros. O público que ouvia o Yo La Tengo, em momentos mais calmos, percebia o som do Autoramas chegar ao palco principal. E Josh, em show acústico, lamentou: “Vocês conseguem nos ouvir com essa música eletrônica?” Canções delicadas como “Come Back”, “Valencia”, “My Love has Gone”, “Carolina”, “Sunshine”, “Streetlights” e “Love Vibrations” mereciam mais respeito.

Com um atraso inaceitável de 50 minutos, o Queens of The Stone Age subiu ao palco para tocar para uma área Premium tomada por fãs do Linkin Park. O show demorou a engrenar – com problemas visíveis na iluminação, nos telões e na superlotação da área – mas Josh Homme encontrou o caminho para fazer o melhor show do festival. Dois clássicos modernos logo de cara (“Feel Good Hit of the Summer” e “The Lost Art of Keeping a Secret”) mais um punhado de números matadores (“3’s & 7’s”, “Sick, Sick, Sick”, “Monsters in the Parasol”, “Little Sister”, “Go With The Flow”) que culminaram numa versão majestosa de “No One Knows”, a melhor música do melhor disco do QOTSA. Levou a medalha de ouro.

 Entre jornalistas, o comentário era de que o Pixies iria ter que suar para bater o Queens. Mas suar pelo Pixies é um verbo que Frank Black não conjuga mais. A banda ícone enfileirou hits (“Debaser”, “Wave of Mutilation”, “Velouria”, “Monkey Gone to Heaven”, “Planet of Sound”, “Where Is My Mind?” e “Gigantic”) e tocou o álbum “Doolittle” praticamente inteiro (faltaram apenas quatro das 15 faixas: “Silver”, “Dead”, “There Goes My Gun” e, ausência mais sentida, “I Bleed”), mas sofreu com um som embolado e, em momentos mais calmos, parecia tocar em marcha lenta (“Here Comes Your Man”, por exemplo).

Frank Black estampava uma vontade de tocar tão contagiante que se um boneco estivesse em seu lugar não faria diferença, mas são tantos hinos, tantas canções boas, que ele merece o dinheiro que ganha (hoje em dia). Ele é a mente doentia por trás de uma das grandes bandas da história, mas não à toa, o grande momento do show foi ouvir Kim Deal mandá-lo se foder (mesmo brincando) no único espaço em que a baixista pode chamar de seu no show, “Gigantic”. Bonito. Cortinas cerradas. Ainda tinha Linkin Park e Tiesto, mas a festa já tinha terminado – para nós.

Há muito ainda o que falar do SWU, um evento que ofereceu um punhado de shows legais, mas que teve uma porção de problemas na produção. Apesar de Eduardo Fischer, em pequena coletiva na sala de imprensa, colocar o festival entre os cinco melhores do mundo, falta muito para o SWU entrar num top 100. Qualquer festival minúsculo da Bélgica (o país mais pródigo em realizar bons festivais – é só consultar o Prêmio Arthur para conferir) deixa o SWU para trás.

Reconhecer os erros é um mérito que pode melhorar o planejamento para a edição de 2011. O bom número do público reforça a idéia de sucesso do evento, mas não basta (ou não deveria bastar) levar 160 mil almas para uma fazenda no interior do Estado de São Paulo e considerar isso como uma vitória: é preciso tratar essas pessoas com respeito, dar-lhes formas de se alimentar e assistir aos shows de forma prazerosa (entretenimento deveria ser prazer), e condições para que cada uma voltasse para sua casa, barraca ou hotel de forma decente, sem riscos.

Por outro lado é preciso saudar o surgimento de um festival que pode vir a ser o melhor festival sul-americano em quatro, cinco anos. Houve sim problemas (até relatados neste espaço) e serão necessários muitos ajustes para as edições vindouras, mas o Brasil sentia falta de um grande festival anual no formato dos melhores eventos europeus e norte-americanos. Acontece que Europa e Estados Unidos estão 10, 20, 30 anos à frente do SWU no quesito produção. A equipe de Eduardo Fischer precisa aprender com os erros e mirar um futuro em que o show, a música, o fórum sejam notícia, não os problemas. Retuitar apenas os elogios soa cinismo. O público, no entanto, fica no aguardo.

Todas as fotos por Liliane Callegari com exceção da 1, 2 e 11 (por Marcelo Costa) e do Yo La Tengo (Divulgação SWU)

outubro 12, 2010   No Comments