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Category — Música

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 2

Não me lembro direito como o Cinerama entrou na minha vida, mas suspeito que foi através da indicação de algum fanzine bacana do final do século passado (provavelmente o da Velvet, do seu André Fiori). Eu tinha alguns CDs do Wedding Present, e gostava (sem tanta emoção), mas não sabia o que esperar de David Gedge quando ele decidiu dar uma pausa na banda e se dedicar a este novo projeto com sua então namorada, Sally Murrel. “Va Va Voom”, o disco de estreia do Cinerama, bateu forte e rodou durante meses em 1998/1999 em casa com a baladaça “Hard, Fast and Beautiful” se transformando em hino passional. Em um informativo do Scream & Yell impresso de julho de 1999, eu contava que a paixão por este disco tinha me tomado (leia aqui) e não tinha mais volta: hoje na minha estante repousam “Va Va Voom” e outros seis álbuns do Cinerama, e ainda um single. Amor define. Em 2004, David e Sally se separaram e quando ele começou a gravar o novo disco, percebeu que as canções haviam se distanciado da sonoridade Cinerama e se aproximado do guitar indie passional do Wedding Present, e decidiu retomar sua primeira banda (com o discaço “Take Fountain”, de 2005). Por essa época, o Cinerama já havia me feito fazer uma reavaliação do Wedding Present, e eles se tornaram uma das bandas favoritas aqui de casa (felizmente os vi em 2012, no Arco do Triunfo, em Barcelona, tocando o clássico “Seamonsters” na integra) com cada novo disco, desde então, sendo aguardado com a ansiedade. E tudo isso é culpa de “Va va Voom”…

10 discos favoritos

agosto 3, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 74: Crônicas

Bob Dylan com café, dia 74: O melhor livro escrito sobre Bob Dylan foi escrito por… Bob Dylan. Na verdade, esse livro ainda está sendo escrito. Planejado para ser lançado em três volumes, “Crônicas” só teve o volume 1 editado em um já distante 2004 (ficou 19 semanas na lista de best-sellers do The New York Times de livros de não-ficção), mas bastou para provocar tanto o leitor neófito quanto o fã de primeira hora, que se surpreendeu ao ver o homem abrindo o baú empoeirado da memória para relembrar momentos de seus obscuros primeiros anos (um quebra-cabeça geralmente montando no escuro por biógrafos) tanto quanto iluminar momentos escolhidos a dedo em uma carreira vasta e repleta de mudanças. “Crônicas” é um livro de Dylan a lá Dylan: não há uma sequencia cronológica, mas sim cinco longos (e deliciosos) textos divididos em 304 páginas, que mapeiam momentos particulares da carreira escolhidos a dedo por Dylan.

Na crônica de abertura, “Abrindo o Placar” (22 páginas), Bob relembra como era a cena do Greenwich Village quando chegou a Nova York (“O inverno estava de matar”) e pouco antes de gravar seu disco de estreia: ele conhece o estúdio em que foi gravada “Rock Around The Clock”, conta que John Hammond tinha ouvido duas canções originais suas e “teve a premonição que haveria mais”, relembra o ambiente do Café Wha?, do Café Bizarre e do Gaslight além de até falar um pouco de sua família. Mais longo, com quase 90 páginas, “A Terra Perdida” foca em literatura (“Havia romances de Gogol e Balzac, Maupassant, Hugo e Dickens. Geralmente eu abria um livro no meio, lia algumas páginas e, se gostasse, voltava ao começo”), música, formação cultural (com memórias da família e da vida escolar) e suas impressões de novo morador de Nova York, ou seja, é outro texto que permite ao leitor tatear o que fomentou a mente criativa do homem – num dos momentos mais interessantes ele relembra artistas que, como ele, não seguiam as regras, gente como Miles Davis (“Repudiado pela comunidade do jazz pelo álbum ‘Bitches Brew’) e João Gilberto, Roberto Menescal e Carlos Lyra (“Que estavam se libertando do samba infestado de percussão”).

A terceira história salta para o período de gravação do álbum “New Morning”, na virada dos anos 60 para os 70, enquanto a quarta crônica relembra as gravações do grande álbum “Oh Mercy”, de 1989 (desde o dia em que Bono, do U2, apareceu na sua casa e bebedeira noite adentro, o convenceu a mostrar músicas novas o conectando com Daniel Lanois, que seria importantíssimo na vida de Dylan nos anos 90). O conto final, “Rio de Gelo”, retorna no tempo e rememora artistas que o influenciaram assim como o dia da assinatura de seu primeiro contrato com uma gravadora: “John Hammond colocou um contrato na minha frente (…) e eu disse: ‘Onde eu assino?’. Eu confiava nele. Havia no mundo uns mil reis talvez, e ele era um deles. Antes de ir embora naquele dia, ele me deu dois discos que ainda não estavam disponíveis para o público, e que achou que poderiam me interessar. Um deles era ‘King of the Delta Blues’, de um cantor chamado Robert Johnson, que eu jamais tinha ouvido falar. Ele me mostrou a capa, um desenho incomum no qual o desenhista olha do teto da sala e vê aquele cantor e violinista furiosamente intenso. Que capa eletrizante. Quem quer que fosse o cantor da imagem, ele já havia me possuído”. Dai pra frente, Bob relembra como foi ouvir Robert Johnson pela primeira vez em mais um momento especial entre tantos de um grande livro. Essencial.

Especial Bob Dylan com Café

agosto 2, 2018   No Comments

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 1

Se CDs “gastassem” com o uso continuo, esse daqui já estaria no osso. Lançado em 1995 pelo selo Rock It, criado pelos músicos Dado Villa-Lobos (Legião) e André X (Plebe Rude), “Mondo Passionale”, o segundo álbum do Sex Beatles, me conquistou logo nas duas primeiras músicas: “Essa é a Sua Vida” é uma parceria do baita letrista e guitarrista Alvin L (que eu já admirava por salvar o Capital Inicial a partir do disco “Todos os Lados”, de 1989) com Leoni Oficial, e principalmente por “Péssima”, um rock glam acelerado delicioso, com a voz de Cris Braun valorizando a grande letra de Alvin, cujo refrão entrega: “Pode ser bem pior, quando eu sou péssima eu sou muito melhor”. O jogo já estava ganho, mas esse disco ainda traz “Stromboli” (“O mundo se divide nos bons, nos maus e nos 10 mais elegantes”, provoca Alvin), a baladaça acústica “Cary Grant”, a noise guitar faixa título e, claro, “Viva Miami” e “Eu Nunca Te Amei Idiota” (que já entrou em tantas mixtapes que perdi a conta). Eu ainda morava em Taubaté numa época pré-Internet, MP3 e P2P, por isso passei anos sonhando em encontrar o primeiro álbum do Sex Beatles depois de ter me apaixonado por “Mondo Passionale”, o que só foi acontecer quando eu já morava em São Paulo, neste novo século, e a Sensorial Discos abriu, em sua primeira encarnação, na Galeria Presidente, e pude encontra-lo. O coração deu um salto, afinal, nove entre dez maus elementos preferem as más companhias.

10 discos favoritos

agosto 2, 2018   No Comments

Textos mais lidos: Julho de 2018

                       Patti Smith lançou o álbum “Easter” em 1978

TOP 10 MAIO 2018
01) 40 discos que completam 40 anos em 2018, por Mac (aqui)
02) Essas São As Américas: Childish Gambino, Beyoncé, Jay-Z e Elza, de Felipe Ferreira (aqui)
03) Carne Doce ao vivo no CCSP, por Renan Guerra (aqui)
04) Três filmes: “Som, Sol & Surf – Saquarema”, “Onde Está Você, João Gilberto?” e “Eu Sou o Rio”, por Mac (aqui)
05) “Ofertório”, de Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso, por Renan (aqui)
06) Letrux ao vivo em São Paulo, por Renan Guerra (aqui)
07) Tributo a Walter Franco: Seleção dos Convidados (aqui)
08) Balanço: Paraiso do Rock Festival, por Leo Vinhas (aqui)
09) Gomo, um cometa na música indie portuguesa, por Hebert  (aqui)
10) Três discos: Lobão, Humberto Gessinger, Titãs, por Mac (aqui)

DOWNLOAD
01) Download: “Dois Lados”, tributo ao Skank -> 11º link (aqui)
02) Download: Tributo a Belchior -> 35º link (aqui)
03) Download: Milton Nascimento -> 58º link (aqui)

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VIA GOOGLE
01) Discografia comentada: Ramones, por Leonardo Vinhas (aqui)
02) Original vs Versão: “The Passenger”, por Mac (aqui)
03) Três documentários: “Sepultura”, “Time Will Burn” e “Dorsal Atlântica”, por Mac (aqui)

TOP 10 2018 – PARCIAL (SETE MESES)
01) Melhores de 2017: Votação Scream & Yell (aqui)
02) Radiohead ao vivo em SP, por Mac (aqui)
03) Balanço: Festival Psicodália 2018, por Rafael Donadio (aqui)
04) Top 5: Discos produzidos por Carlos Eduardo Miranda (aqui)
05) Download: “Dois Lados”, tributo ao Skank  (aqui)
06) Melhores Músicas do Radiohead, por Bruno Capelas (aqui)
07) Balanção Lollapalooza 2018, por Mac (aqui)
08) Download: “Um Grito Que Se Espalha”, Tributo a Walter Franco (aqui)
09) 11 points de cerveja artesanal em Buenos Aires, por Mac (aqui)
10) Três discos: Lobão, Humberto Gessinger, Titãs, por Mac (aqui)

O EDITOR RECOMENDA
01) Cinema: Jonas Mekas: O poeta das imagens, por Caio Bosco (aqui)
02) Entrevista: Moons, por Thiago Sobrinho (aqui)
03) Entrevista: Thrice, por Bruno Lisboa (aqui)

           Elvis Costello lançou o álbum “This Years Model” em 1978

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores

agosto 1, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 73: Robert Shelton

Bob Dylan com café, dia 73: O que fazer quando você é um jornalista a noticiar pela primeira vez o potencial de um jovem com futuro promissor que você assistiu em uma pequena espelunca, e observa que, nos anos seguintes, esse jovem virá a tornar-se uma das cabeças pensantes mais revolucionárias do universo artístico mundial? Robert Shelton não teve dúvidas: após publicar a resenha “Bob Dylan: A Distinctive Folk Song Stylist” em 29 de setembro de 1961 no jornal New York Times (provavelmente chamando a atenção do caçador de talentos John Hammond, que contrataria Bob em outubro) e observar o artista subir correndo os degraus na escadaria da fama pop, Shelton colou em Dylan, transformando-se em amigo e confidente, e começou a escrever uma biografia autorizada ainda nos anos 60, que seria terminada apenas em 1986, 25 anos depois daquela primeira resenha.

Tido por muitos fãs como a principal biografia de Bob, “No Direction Home: A Vida e a Música de Bob Dylan” (que voltou ao mercado numa edição atualizada em 2011 pelos editores – Shelton faleceu em 1995 – marcando os 50 anos da primeira resenha numa edição “Director’s Cut”) tem tanto pontos positivos quanto negativos. Do lado positivo, a proximidade de Dylan permitiu a Shelton acompanhar muito eventos in loco, o que traz a narrativa (ainda que muitas vezes romantizada) para a primeira pessoa: ou seja, é algo que ele viu, não que algum entrevistado (com possibilidade de distorção) lhe contou; do lado negativo, o fato de ser uma biografia escrita por um jornalista que se tornou grande amigo de seu objeto de estudo coloca o texto na defensiva ao focar muitas vezes no homem em detrimento da obra.

                    Robert Shelton (centro) com Dylan nos anos 60

Isso fica bastante nítido no trecho dedicado ao álbum “Blood on The Tracks” (e levanta “suspeitas” sobre todo o compêndio), em que o jornalista sai em defesa do homem contra todos aqueles que vangloriaram o disco por ele ter nascido de uma tragédia pessoal (o começo do fim do casamento com Sara). No faixa a faixa que faz sobre este álbum no livro, Shelton esvazia o tema polêmico universalizando o tema das letras sem falar no drama do casal (que ele presenciou) em nenhum momento. Isso não invalida a obra, mas é preciso estar atento tanto aos possíveis momentos de manipulação de Dylan (e ele sempre foi um exímio manipulador) quanto aos que Shelton protege o amigo. No saldo final, um compêndio dedicado, caprichado e repleto de informações, mas que precisa de mais uma ou duas visões (uma delas, a de Howard Sounes, e a outra o livro “Crônicas”, o café de amanhã) para que o leitor tenha uma visão menos embaçada de quem poderia vir a ser Bob Dylan (algo que talvez nem ele mesmo saiba).

Especial Bob Dylan com Café

julho 31, 2018   No Comments

Disco do dia: Damon & Naomi

Disco da noite: Num bate papo com o Lúcio, capo da Sensorial Discos, confessei minha paixão pela melancolia encharcada de lirismo do duo Damon & Naomi, romance que teve início no show que eles fizeram em São Paulo, 2002. Resenha da época (disponível no Scream & Yell):

“Nós vamos tocar ‘The Navigator’. Ela fez parte da trilha sonora de um filme. O filme era muito divertido. Já a música é miseravelmente triste”. Palavras de Damon Krukowski, parceiro de Naomi Yang, mais conhecidos como Damon & Naomi, o duo que seguiu junto após o termino do Galaxie 500 (o outro membro, Dean Warehan, montou o Luna). Mais do que explicar uma canção, a frase de Damon serve para explicar todas as canções do duo, pequenas elegias musicais em que dois, no máximo três acordes menores (dó, ré e lá, eventualmente um fá) constroem paisagens sonoras soturnas e delicadas. Se em álbum a música funciona como nostalgia de um tempo que sabe se lá se vivemos, ao vivo a simplicidade ganha forma e contornos especiais. A iluminação é simples. O palco, idem. De um lado, Damon e seu violão. No meio, Naomi dividindo-se entre o harmonium (um primo distante da nossa sanfona) e o contrabaixo e do outro lado, o guitarrista Michio Kurihara. A leveza paira no ar. Damon explica todas as canções, faz brincadeiras e conta “oneeeeee. twooooooooooo. threeeeeeeee” de um forma tão pesarosa que parece que não vai chegar ao “fouuuuuuuuuur”. Melancolia tocante e bonita.”

Desse show em diante passei a ir atrás de tudo que o duo lançou, como o maravilhoso “Within These Walls”, de 2007, resenha no site também: “Se alguém um dia lhe perguntar qual a definição da palavra melancolia, dispense o dicionário, pegue este maravilhoso disco e coloque pra tocar. Damon e Naomi (auxiliados pela guitarra charmosa de Michio Kurihara e, pela primeira vez, por cordas, sax e trompete) criam elegias sonoras que acolhem a alma, embalam sonhos e são capazes de fazer até o Capitão Nascimento pedir um lenço. Cuidado: ‘Red Flower’, ‘Cruel Queen’ e a faixa título podem derreter o seu coração.”

E tem a resenha de “Damon & Naomi With Ghost”. Ela se chama… “você já se apaixonou por um disco?” <3

 

julho 30, 2018   No Comments

Disco do dia: Ornatos Violeta

Formada em 1991 na cidade do Porto, a banda de rock alternativo Ornatos Violeta chegou ao primeiro disco, “Cão”, apenas em 1997, já por uma major, a Polygram Portugal. Quando o segundo disco, “O Monstro Precisa de Amigos” (1999), ameaçava catapultar a banda ao estrelato, o quinteto (que vivia junto), cansado e começando a mostrar sinais de rusgas, decidiu terminar o grupo para preservar a amizade. O “estrago”, felizmente, já estava feito: o single “Capitão Romance” havia se transformado em hino geracional e os discos da Ornatos frequentam costumeiramente as listas de melhores discos de todos os tempos do rock português (em uma lista de 2017 da Revista Blitz, “O Monstro Precisa de Amigos” ficou em terceiro lugar; em uma lista de 2018 do RateYourMusic ele figura em quinto com “Cão” aparecendo em 11). Esse box bacanudo da foto saiu em 2011 juntando aos dois álbuns oficiais um terceiro disco de “Inéditos / Raridades”. Punk moda funk catártico e clássico.

 

julho 26, 2018   No Comments

Entrevista: Ser ou Não Ser (Youtuber)

Respostas para o jornalista Vinicius FeIix

Por que fazer um canal no Youtube? Explica um pouco a origem do canal?
Foi uma ideia que nasceu de outra ideia. Estávamos eu, Iuri Freiberger (produtor) e Rafael Cortes (Assustado Discos) conversando sobre ideias de projetos, e surgiu a ideia de um programa. Levei isso para o Tiago Trigo (da produtora Casa Inflamável), e começamos a fazer uns esboços, chegamos a fazer um primeiro piloto pra sentir a vibe do programa, como a coisa iria ficar, e eu ainda estava um pouco inseguro. Já participei de muitos programas em TV, já dei muita entrevista, mas comandar um programa é outra coisa. Fiz um pouco de TV na faculdade e só. Dai me veio a ideia de fazer o canal no Youtube para me soltar, ver a viabilidade da coisa e fazer um teste para mim mesmo, e o resultado me surpreendeu. Estamos tanto eu quanto o Tiago bastante felizes com o ritmo de produção e a resposta do público.

Qual é a rotina de gravações e o processo de criação?
A gente está gravando quinzenalmente. A pauta é toda minha, e eu sou o maníaco por organização em seções, por isso já fui criando variáveis. Começamos pensando em um programa que não passasse dos 10 minutos, tudo em primeiro take, conversando o calor da conversa. E, claro, quando vi já estava falando 15 minutos. Dai surgiu a ideia de fazer programas mais longos (o Scream & Yell Discos) e gravar pequenas pílulas de, no máximo, dois minutos, para quem quer ver a coisa rápida e tal, e assim nasceu o Dicas Scream & Yell. Dai tivemos a encomenda de vídeos sobre shows e festivais para uma marca parceria. E assim nasceu o Scream & Yell Festivais. As coisas vão surgindo naturalmente.

E dá dinheiro? Se não, você faz pra que dê dinheiro algum dia?
Já deu um pequeno retorno financeiro que é dinheiro de cachaça para os Youtubers badalados do país, mas me mostrou que a maneira da linguagem pode atingir públicos diferentes: conseguimos uma parceria com alguém que nunca tinha lido nada no Scream & Yell! O cara sacou os vídeos, percebeu o potencial e nos chamou pra conversar. Tenho pensando nos vídeos como sempre pensei o site, um veículo sobre cultura pop para atiçar a curiosidade das pessoas, faze-las pensar. Mas o site já nasceu meio torto, meio fanzine, e chegou uma hora que ele já tinha uma personalidade tão forte que rentabiliza-lo era bem complicado. Já os vídeos, como está no começo, permite sim vislumbrar que dê dinheiro. É o que a gente espera.

Você é novo na área, mas já tem alguma dica para alguém que queria abrir o próprio canal no Youtube?
É usar a câmera do celular e mandar brasa. O Dicas Scream & Yell já é isso, linguagem de câmera de celular, coisa rápida, com pouca edição. A facilidade tecnológica ajuda muito hoje em dia, então quem quiser abrir um canal no Youtube abre em poucos clipes. Meu conselho (que é pra toda vida) sempre é: Faça. Não fique esperando o momento certo, ter condições, equipamento e o escambau. O importante é fazer, e durante o percurso ir melhorando, entendendo o processo e dando passos a frente. Não adianta ficar parado. Só quem caminha pode olhar para trás, analisar os passos certos e errados, e seguir adiante buscando melhorar.

Comentários. Ler ou não ler?
Eu tenho dado uma sorte imensa, ou mais provavelmente ainda o Scream & Yell Vídeos não é um veículo de grande porte a ponto de aparecer gente sem noção comentando bobagens, porque todos os comentários que chegam são muito legais, são gente interagindo mesmo com perguntas que lanço nos vídeos, essa coisa de cultura pop, de listas. Nesse nível acho importante dialogar, conhecer seu público e essas pessoas. Então ler é fundamental.

Você produz conteúdo, ok. Mas você também gosta de assistir outros conteúdos do YT?
Eu assisto uma coisa ou outra porque tenho um medo danado de ter ideias podadas porque esse ou aquele cara falou algo que eu estava pensando em falar. É algo que já lido com textos: eu só leio resenhas sobre um disco/livro/ ou filme depois que eu escrevi sobre esse disco/livro ou filme, para que a minha reflexão seja minha, sabe, sem direcionamentos. Dai acabou vendo algumas coisas que não são muito o que eu faria, como os programas do Gastão, por exemplo. Mas tenho favoritado alguns outros para assistir depois que eu publicar a “minha versão”, até por curiosidade para saber se eu tive o mesmo insight que outras pessoas.

Acompanhe o canal: https://www.youtube.com/c/screamyell

Veja outras entrevistas aqui

julho 25, 2018   1 Comment

Disco do dia: “Nixon”, Lambchop

Disco do dia: Numa garimpagem de CDs em promoção na Sensorial Discos (eles estão com uma promoção bacana e vários itens legais: todos os CDs simples por R$ 10 e os duplos por R$ 20) ao lado do comparsa Rafael Cortes, ele encontrou a edição nacional de “Nixon”, do Lambchop, mas não conhecia, e após eu elogiar muito, decidiu levar. Ele então se apaixonou tanto por esse disco e pela banda que dia sim, dia não, manda um whats: “Que disco foda!”  No embalo da paixão dele retirei da estante a minha edição comemorativa de 10 anos para ouvir, flutuar, e me apaixonar novamente, e colo aqui a resenha de 2011 que escrevi no Scream & Yell (marcando o relançamento dos dois discos mais famosos da banda), porque se você ainda não ouviu esse pequeno tesouro chamado “Nixon”, vale muito a pena ir atrás:

“Quando ‘Nixon’ chegou às lojas em 2000 e apareceu no topo de diversas listas de melhores do ano, o Lambchop já tinha 14 anos de carreira e quatro álbuns nas costas. Comandado pelo desajeitado Kurt Wagner, o supergrupo (14 integrantes) tornou o começo do século mais lírico com ‘Nixon’ e também ‘Is a Woman’ (2002), dois discos que retornam às lojas em imperdíveis versões de luxo. ‘Nixon’ traz um DVD com um show inteirinho no Royal Albert Hall, em Londres, em 2000. A qualidade visual é questionável, mas feche os olhos e deixe a alma levitar ao som de “My Blue Wave”, “The Distance From Her To There” e das covers de Curtis Mayfield (“Give Me Your Love”) e Al Green (“Love and Hapiness”) e dançar com “Up With People”. A reedição do belíssimo “Is a Woman” (o álbum que mostrou que o Lambchop era muito mais que altcountry) traz um CD extra com 16 faixas que destaca, entre boas faixas esquecidas, as covers de “Backstreet Girl”, dos Stones, e uma versão sensacional de “This Corrosion”, do Sisters of Mercy”.

Ps. No Scream & Yell há uma entrevista de 2002 do Leonardo Vinhas com eles! Leia aqui!

 

julho 24, 2018   No Comments

Dylan com café, 72: Scrapbook 56/66

Bob Dylan com café, dia 72: Na esteira do lançamento do essencial documentário “No Direction Home” (2005), de Martin Scorsese, e de sua trilha sonora caprichada (“The Bootleg Series 7”), surgiu como complemento oficial este livro, “The Bob Dylan Scrapbook: 1956-1966” (2005), escrito por Robert Santelli, então diretor da Experience Music Project de Seattle (hoje Museum of Pop Culture) e curador da exposição Bob Dylan’s American Journey. Como observa a crítica do jornal londrino Independent na época do lançamento do livro, “o texto do especialista em Dylan não oferece nenhuma nova percepção surpreendente, mas isso não importa porque o ponto aqui é mostrar como o talento e a carreira de Dylan se desenvolveram”.

Para acompanhar esse desenvolvimento, o leitor tem a mão dezenas de xerox de documentos, letras escritas a mão pelo homem e reproduções de itens interessantes do período além de um CD com 45 minutos de áudio divididos em 14 faixas, 10 delas de falas extraídas do filme de Scorsese e outras quatro entrevistas de Dylan colhidas de rádios entre 1961 e 1966. Um texto do New York Times rememora: “Em 4 de novembro de 1961, após trabalhar em clubes do Greenwich Village, Bob Dylan fez sua estreia em Nova York no Carnegie Chapter Hall. Dos 225 lugares, 55 estavam ocupados. Menos de dois anos depois, ele era a estrela reinante do movimento das canções de protesto. Mais dois anos, e uma geração discutia se era certo que ele fosse elétrico – não que ele prestasse atenção”.

Este “The Bob Dylan Scrapbook: 1956-1966” traz a reprodução do folheto que apresentava este primeiro show de Dylan, além de cópias das letras manuscritas de “Talkin’ New York”, “Blowin’ In The Wind”, “Gates of Eden”, “It Ain’t me Babe” (escrita num papel do May Fair Hotel, em Londres) e “Chimes of Freedom” (escrita num papel do The Waldorf Astoria, em Toronto), entre outras, e reproduções dos cartazes (Folk City, “Don’t Look Back”, Newport Folk Festival), do convite de Dylan para a Marcha de Washington (quando Martin Luther King fez o discurso “I have a dream”), de releases (“Rebel with a cause”, dizia um texto da Columbia Records) e diversas outras curiosidades imperdíveis para fãs do homem.


Especial Bob Dylan com Café

julho 24, 2018   No Comments