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Top 25 filmes no Brasil em 2013

Um amigo pediu a tradicional listinha de melhores filmes do ano, e acho que tem coisa que ainda pode entrar aqui, mas taí o meu top momentâneo, feito com aqueles que considero os melhores entre os filmes que estrearam no Brasil em 2013 (e mais sete da Mostra SP que só entram em cartaz aqui em 2014):
Top 15
1) “A Grande Beleza”, Paolo Sorrentino (texto)
2) “Amor”, Michael Haneke (texto)
3) “O Mestre”, Paul Thomas Anderson (texto)
4) “Gravidade”, Alfonso Cuarón
5) “Jogos Vorazes – Em Chamas”, Francis Lawrence (texto)
6) “Hannah Arendt”, Margarethe Von Trotta (texto)
7) “Tabu”, de Miguel Gomes (texto)
8 ) “Antes da Meia-noite”, de Richard Linklater (texto)
9) “Os Suspeitos”, Denis Villeneuve
10) “Blue Jasmine”, Woody Allen (texto)
11) “Django Livre”, Quentin Tarantino (texto)
12) “O Amante da Rainha”, de Nikolaj Arcel (texto)
13) “A Caça”, de Thomas Vinterberg (texto)
14) “Um Toque de Pecado”, de Jia Zhang Ke (texto)
15) “Azul é a Cor Mais Quente”, de Abdellatif Kechiche (texto)
16) “À Procura do Amor”, de Nicole Holofcener (texto)
17) “O Capital”, Costa-Gavras (texto)
Top 7 Mostra SP (textos aqui)
1) “Miss Violence”, Alexander Avranas
2) “Lições de Harmonia”, Emir Baigazin
3) “Que Estranho Chamar-se Federico!”, Ettore Scola
4) “Cortinas Fechadas”, Jafar Panahi
5) “Inside Llewyn Davis”, Irmãos Coen
6) “La Jaula de Oro”, Diego Quemada-Díez
6) “O Grande Mestre”, Won Kar Wai
Menção) “Que Estranho Chamar-se Federico! Scola conta Fellini”
Ps: Há ainda o caso “Killer Joe”, de William Friedkin. O filme é de 2011, assisti em 2012, mas estreou no Brasil apenas em 2013… Tô buscando um lugar pra ele na listinha…

Leia também:
– Top 20 Filmes entre 2001 e 2010 (aqui)
– Melhores do Ano Scream & Yell 2012: Nacional / Internacional
novembro 23, 2013 No Comments
Trilogia das Cores, de Kieslowski

Escrevi este texto em 1998, e deve ter sido um dos primeiros textos sobre cinema que publiquei, ainda na terceira edição da versão on paper do fanzine Scream & Yell. Eu havia rabiscado algumas coisas antes, e publicado aqui e ali (havia um site em Taubaté na segunda metade dos anos 90 que aceitava colaborações, mas guardei pouca coisa do que publiquei lá). Logo que o Scream & Yell veio para a internet, em 2000, puxei ele do jeito que estava na versão em papel, e republiquei. Ontem à noite, vasculhando vídeos do Youtube, encontrei os três filmes na integra e legendados (assista abaixo), e resolvi recuperar o texto (do jeito que escrevi 15 anos atrás – com direito a erros, vícios, inocência, desconhecimento e utopias).
Importante dizer: a “Trilogia das Cores”, de Krzystof Kieslowski, é bastante acessível em DVD. Primeiramente saiu uma edição caprichadíssima da Versátil em 2006, com um box contendo os três filmes e extras interessantíssimos (como o quarto vídeo deste post). Questão de dois ou três anos depois, os três filmes apareceram em edições mais simples (e mais em conta) via Spectra Nova, e você pode encontrar as duas edições em sites como Submarino e Mercado Livre (com preços entre R$ 10 e R$ 15 cada DVD no relançamento da Spectra, e R$ 30 e R$ 40 no da Versátil). Ainda que você opte por vê-los nos links abaixo, recomendo fortemente ter os DVDs em casa, pois estes três filmes são obras primas que merecem serem vistas e revistas. Sempre.

Trilogia das Cores, de Krzystof Kieslowski
por Marcelo Costa
1998/1999
Talvez você, assim como muita gente, não goste do cinema europeu por achá-lo chato demais. E, na maioria das vezes, é chato mesmo. Mas, se toda regra tem uma exceção, Krzystof Kieslowski, cineasta polonês, é a exceção desse caso. Kieslowski filmou um total de 23 filmes, dentre os quais se destacam “Amator” (1979) – que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher – e o “Decálogo” (1988 – feito para tv), dividido em dez partes contando cada uma, um mandamento bíblico. O destaque é o sexto mandamento, “Não Amarás”, que conta a história de um jovem (”Entre o amor platônico e a violência do desejo”, conforme anuncia o cartaz) que corta os pulsos ao ser rejeitado por uma mulher mais velha.
Mas sua obra-prima ainda estava por vir. Morando em Paris e desiludido com a política, Krzystof resolveu filmar as dores do mundo. A Trilogia das Cores, inspirada nas cores da bandeira francesa, e em seus significados, é um dos momentos mais poéticos do cinema nessa década.

“Bleu, A Liberdade é Azul” (1993) é o primeiro e é um drama. Julie (a bela Juliette Binoche de “O Paciente Inglês”) perde o marido (famoso compositor) e a filha pequena em um acidente de carro. Tenta se matar, mas não consegue, pois se acha fraca até para fazer isso. Fica só. Livre. E ser livre é, muitas vezes, difícil. Um flautista de rua lhe diz que é preciso se agarrar a algo, mas ela já não quer mais nada, pois bens, recordações, amigos, vínculos são tudo armadilha. Gostaria mesmo é de pular no espaço, no céu azul, mas no fundo sabe que não se pode renunciar a tudo. Kieslowski transforma dor em sublimação. “Bleu” é um filme silencioso, mas todos os sentimentos são para qualquer um tocar. Cada um é livre para fazer o que quiser embora a liberdade maior seja estar vivo. A fotografia é linda e a trilha sonora, do inseparável Zbigniew Preisner, sinfônica e imponente.

“Blanc, A Igualdade é Branca” (1993) é o segundo e o mais perto que Kieslowski chega de uma comédia. Para Karol Karol (Zbigniew Zamachowski), estar vivo não é nada fácil. Polonês de Varsóvia, ela vai à Paris e é humilhado. Sua mulher, Dominique (a linda Julie Delpy de “Antes do Amanhecer”), pede o divorcio, pois diz que Karol Karol não “consumou” o casamento – o que já é comédia demais, afinal, imagina ser impotente com uma mulher linda como Julie, que, diz em francês algo tipo “Se digo que te amo, você não entende”. Em Paris, tudo dá errado, desde seu cartão de crédito ser cancelado até ser alvo de um tiro certeiro de um pombo. Acaba sem dinheiro, sem passaporte e sem esposa. Consegue voltar para a Polônia dentro de uma mala, mas, ao chegar lá, a mala é roubada (sujeito de sorte). Quando, enfim, consegue chegar a sua casa, está todo arrebentado. Volta a trabalhar normalmente e com o tempo arquiteta um plano para montar uma fortuna que o possibilite aplicar as mesmas peças na ex-esposa, afinal, a igualdade é branca, como um véu de noiva, como a neve, como pombos voando e como um orgasmo. “Blanc” é cômico, mas não chega a ser uma comédia. Kieslowski fez um belo filme que, se não fica a altura de “Bleu” e “Rouge”, com certeza alegra coração e alma. A trilha de Preisner é pontuada por tons melancólicos extraídos de clarinete com suavidade e, ás vezes, silêncios. Ah, já ia me esquecendo. A profissão de Karol Karol no inicio do filme era cabelereiro…
“Rouge, A Fraternidade é Vermelha” (1994) é o terceiro e último e é simplesmente sublime. Parece mais uma poesia sem palavras amparada em uma fotografia magistral e no rosto de Irene Jacob (musa de Kieslowski que havia feito com ele, dois anos antes, o misterioso “A Dupla Vida de Verónique”) flutuando em tons vermelhos de carros, sinais fechados, bolas de boliche, outdoors, cerejas e sangue. Irene é Valentine, modelo suíça vivendo em Paris, longe do namorado ciumento. Sua história é interligada a de um jovem que estuda para ser juiz. Certa noite, Valentine atropela uma cadela e ao leva-la ao endereço da coleira, conhece um estranho senhor que passa seus dias ouvindo ligações telefônicas dos vizinhos. Desse encontro surge uma amizade iniciada em repulsa, mas que, aos poucos, modifica a vida dos dois personagens. Kieslowski brinca e se diverte com os acasos, com destinos marcados para se cruzar, pois a inevitabilidade existe, embora cada um tenha que viver a sua própria vida. Para ele não é difícil adivinhar os caminhos da vida. Basta se comunicar. Olhar nos olhos. “Rouge” é arrepiante e sua cena final, uma pequena surpresa, mas só para quem assistiu aos outros dois. Ravel passeia com seu Bolero em várias cenas e é a base da excelente trilha sonora de Preisner. “Rouge” transborda poesia e possibilidades, em silêncios comoventes, mesmo quando caí um cinzeiro, mesmo quando vidraças se quebram, mesmo quando um alarme de carro dispara. É tudo como se incendiássemos gelo. Água que escorre entre os dedos e deixa, por fim, as mãos molhadas…
Consagrado internacionalmente após a trilogia, em 1995, Kieslowski abandonou as câmeras dizendo que estava achando tudo muito chato e preferia viver ao invés de fazer cinema. E não fez mesmo. Não teve mais tempo. Morreu de enfarto, aos 55 anos, em março de 1996. “A Liberdade é Azul” ganhou o Leão de Ouro em Veneza como melhor filme e melhor fotografia, tendo ainda Juliette Binoche como melhor atriz. Binoche também ganhou o Cesar que também foi concedido ao filme nas categorias melhor montagem e melhor som. Para fechar, três indicações ao Globo de Ouro: Melhor filme estrangeiro, melhor música e melhor atriz. “A Igualdade é Branca” deu o Urso de Prata em Berlim para Kieslowski como melhor diretor. “A Fraternidade é Vermelha” ganhou Cannes como melhor filme, o Cesar por melhor trilha sonora e foi indicado ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro e ao Oscar como melhor direção, melhor roteiro e melhor fotografia.
abril 24, 2013 No Comments
Baixe: 22 roteiros incluindo O Mestre
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Quem já assistiu ou ainda vai assistir a “O Mestre”, novo grande filme de Paul Thomas Anderson, pode comparar o filme com essa versão do roteiro, que é completa, mas não é a versão final, e traz razoáveis modificações na trama (incluindo nomes de alguns personagens além de retirada e inclusão de cenas).
Além deste roteiro você pode baixar neste link outros 20 roteiros originais incluindo “Amor”, de Michael Haneke, “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson e Roman Coppola, “Lincoln”, de Tony Kushner, “As Vantagens de Ser Invisivel”, de Stephen Chbosky, e “Ted”, de Seth MacFarlane, entre outros. Baixe aqui.
Ps. O roteiro de “Django Livre”, do Tarantino, pode ser baixado aqui
janeiro 27, 2013 No Comments
Três filmes que eu tinha receio de ver

“360” (360, 2011)
Minha expectativa em relação ao novo filme de Fernando Meirelles não era das melhores. Vários amigos e conhecidos de redes sociais haviam criticado duramente o filme, mas eis que “360” surge como uma bela surpresa. A assinatura principal, no entanto, é do roteirista Peter Morgan (“A Rainha” e “Frost/Nixon”), que costurou várias histórias que poderiam ter o subtítulo de “O Mundo é um Ovo”. “360” começa em Viena, com uma jovem garota eslovaca (Lucia Siposová) posando para um cafetão sob o olhar reprovador de sua jovem irmã (Gabriela Marcinkova). O primeiro cliente de Blanka é Michael (Jude Law), um empresário britânico casado com uma diretora de galeria de arte, Rose (Rachel Weisz), que tem um caso com o fotógrafo brasileiro Rui (Juliano Cazarré), que namora Laura (Maria Flor), que descobre a traição e foge para o Brasil encontrando pelo caminho o pai alcoólatra de uma garota que desapareceu (Anthony Hopkins) e um recém liberto ex-criminoso por abuso sexual (Ben Foster). A trama não para por ai, e Peter Morgan pula de uma história para outra com leveza, abandonando personagens e focando apenas no acaso. A vida, como sabemos, segue. Eis um filme que não soa pretensioso – apesar de ser. Recomendo.

“A Viagem” (Cloud Atlas, 2012)
Um dos filmes indies mais caros de todos os tempos tornou-se um dos grandes fracassos da temporada (custou 100 milhões de dólares e arrecadou 27 milhões) muito pela dificuldade do trio de diretores, os irmãos Andy e Lana Wachowski (“Matrix”) e o alemão Tom Tykwer (“Corra, Lola, Corra”) em adaptar a contento o complicado romance “Cloud Atlas”, de David Mitchell (lançado em 2004). E era realmente difícil. “Cloud Atlas” compila seis histórias paralelas em períodos diferentes de tempo – que começam em um navio no Pacifico em 1850 e seguem até um período futurista pós-apocalíptico. A reencarnação une cada um dos personagens, e, por isso, vários atores tiveram que se dividir em diversos papeis. Tom Hanks, por exemplo, é um senhor no mundo futurista, um gerente de hotel no período pré-Segunda Guerra Mundial, um médico leviano no final do século 19, um péssimo escritor em 2012 (numa das cenas impactantes do filme – principalmente se você for um crítico – risos) e por ai vai. O texto utópico e sonhador aliado a critica forte ao capitalismo comovem em vários bons momentos, mas maquiagens terríveis, um demônio verde ridículo e trechos piegas fazem de “Cloud Atlas” uma montanha russa de altos e baixos. Não desista. É ruim, mas é bom (e tem Halle Berry!)

“Jogos Vorazes” (The Hunger Games, 2012)
Dos três filmes deste post é bem provável que este tenha sido o que tenha me causado mais receio em ver. Aliás, muitos amigos deixaram passar, e perderam uma boa história que desperdiça passagens (e personagens) com bobagens futuristas (tal qual como “Cloud Atlas”, embora até este tenha bons momentos neste quesito), mas cujo saldo final é positivo. Inspirado no primeiro livro da trilogia lançada pela escritora norte-americana Suzanne Collins a partir de 2008 (ou seja, vêm mais adaptações pela frente), “Jogos Vorazes” flagra uma nação pós-apocalíptica chamada Panem constituída por 12 distritos que são governados por uma Capital, que para mostrar seu poder, realiza anualmente um “jogo” onde são escolhidos um menino e uma menina de cada distrito, e estes 24 jovens entre 12 e 18 anos precisam lutar pela sobrevivência – e matar seus adversários. A adaptação correta de Gary Ross valoriza a crítica de Suzanne Collins (que assina o roteiro junto com o diretor e Billy Ray) ao mundo Big Brother que vivemos. Em uma das grandes cenas do filme, o canal que transmite os jogos (semelhante a um BBB) manipula imagens (e os próprios personagens do jogo) para conseguir mais audiência. Jennifer Lawrence está ok e a trilha sonora, com músicas inéditas de Decemberists e Arcade Fire, merece atenção em um filme correto (e piegas) para ver e pensar.
janeiro 25, 2013 No Comments
Três filmes: entre Paris e Buenos Aires

“Intocáveis” (Intouchables, 2011)
Filme francês mais visto na história com mais 32,5 milhões de espectadores na Europa (e mais de 1 milhão de público no Brasil), “Intocáveis” é a adaptação do livro “O Segundo Suspiro” (lançado no Brasil pela Editora Intrinseca), de Philippe Pozzo di Borgo, ex-executivo da casa de champanhe Pomery que ficou tetraplégico após um acidente de parapente. A direção correta de Eric Toledano e Olivier Nakache valoriza a química entre os excelentes atores François Cluzet (Philippe) e Omar Sy, este no papel do desempregado Driss, um senegalês que necessita de um carimbo dizendo que participou de uma seleção de emprego para continuar recebendo o auxilio desemprego francês. Philippe decide contratar Driss, o que causa uma reviravolta em sua vida de tetraplégico. De origem humilde, Driss trata Phillipe como uma pessoa comum (quando a tendência é a pena) e uma forte amizade surge num mundo de diferenças. Driss gosta de música negra (a cena ao som de “Boogie Wonderland”, do Earth, Wind & Fire, é ótima) enquanto Phillipe ama música clássica. Apesar de não existir um clímax na trama, o relato é comovente e a leveza da inocência conquista.

“Elefante Branco” (Elefante Blanco, 2012)
Apelidado erroneamente como “Cidade de Deus argentino”, o sétimo filme de Pablo Trapero adentra a favela de Villa Lugano, na região periférica de uma Buenos Aires não europeia, para mostrar o cotidiano de dois padres e uma assistente social na tentativa de melhorar a vida dos cidadãos locais, a grande maioria vivendo em um edifício gigantesco projetado nos anos 1920 para ser o maior hospital da América Latina, mas que, abandonado, tornou-se uma imensa ocupação habitacional. Semelhante ao filme de Fernando Meirelles só a favela e suas ruas estreitas. Trapero não cede ao humor de seu vizinho brasileiro, o que de certa forma acaba cansando em “Elefante Branco”. Seus personagens (Ricardo Darin como Padre Julian, o belga Jérémie Renier como Padre Nicolás e Martina Gusman como a assistente social Luciana) vivem uma constante tensão que aponta para um único fim. Em seu filme mais direto (seguindo uma porta aberta por “Abutres”, de 2010, que ainda trazia jogos de cena e as cartas na manga inexistentes aqui) e praticamente sem nuances, Pablo Trapero tenta focar culpa católica, dever social, narcotráfico, responsabilidade e politicagem, mas não consegue acrescentar nada a nenhum destes temas batidos.

“Paris Manhattan” (Paris Manhattan, 2011)
Em seu filme de estreia, a diretora e roteirista Sophie Lellouche decidiu mostrar seu amor pelo cinema de Woody Allen. Em “Paris Manhattan”, Alice (Alice Taglioni) é daquelas mulheres bonitas, ricas e solteiras que só existem em filmes. Além de tudo isso, ela é uma farmacêutica apaixonada pelos filmes de Woody Allen (que muitas vezes receita filmes do diretor ao invés de remédios). Lellouche brinca com Allen numa divertida recriação de “Sonhos de Um Sedutor”, em que o personagem do cineasta recebia conselhos de um Humphrey Bogart imaginário. Em “Paris Manhattan” é Alice que recebe conselhos imaginários de Woody, muitos deles as melhores tiradas do filme. Apesar da boa ideia, Sophie Lellouche transforma sua comédia romântica francesa e um filmezinho óbvio cujo final está escrito na testa de todos os personagens (principalmente daquele que age e fala coisas como se fosse Woody). Assim como sua personagem principal, que amava Woody Allen, mas parecia não transpor as coisas que via na tela para a vida real (e poucos cineastas são tão reais quanto Woody), Lellouche mostra que também como não aprendeu nada com o cineasta norte-americano. Uma pena. Melhor rever qualquer outro do próprio Woody…
Leia também:
– Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (aqui)
janeiro 7, 2013 No Comments
007, Frankenweenie e Aqui é o Meu Lugar

“007 – Operação Skyfall” (Skyfall, 2012)
Saudado pela crítica estrangeira com tiros de escopeta e adjetivos elogiosos, a 23ª encarnação de James Bond não é essa coca-cola toda que estão tentando vender, mas tem lá seus muitos méritos. Terceiro e melhor “episódio” da série com Daniel Craig no papel de 007 (relembrando, os anteriores foram o ótimo “Casino Royale”, de 2006, e o ok “Quantum of Solace”, de 2008), “Skyfall” é aquilo tudo que o fã da série idolatra: perseguições sensacionais de tirar o fôlego, beldades de deixar homens e mulheres apaixonados e o cinismo inabalável do personagem. O ponto alto de “Skyfall”, porém, é seu vilão, não um maluquete qualquer que deseja “conquistar o mundo” (ufa, ainda bem), mas sim um ex-agente motivado por vingança, que ganha um colorido digno de indicação de Oscar na interpretação hilária de Javier Bardem (a cena de introdução do personagem é, fácil, Top 3 do ano). Mesmo com toda adrenalina e diversão (e com Adele), “Skyfall” continua sendo excessivamente entretenimento para ser esquecido assim que se sai da sala de projeção, como uma Montanha Russa em um parque de diversões. Neste ponto, a saga Bourne entrega mais (do capítulo “Quando a cópia supera o original”).

“Frankenweenie” (2012)
Nova investida de Tim Burton no formato de animação em stop-motion, “Frankenweenie” é uma declaração de amor em forma de cinema. Primeiramente ao cinema b preto e branco dos anos 30 e 40 (citações de “Frankenstein”, “Drácula”, “Lobisomem”, “Godzilla” e “Múmia” – entre outros – se acumulam durante a projeção); depois ao próprio universo Burton: “Frankenweenie”, cuja ideia original surgiu do curta-metragem homônimo – e com pessoas reais – que o cineasta realizou em 1984, também soa como uma releitura de “Edward Mãos-de-Tesoura” (1990) – e a participação de Winona Ryder reforça a premissa. Um universo de personagens infantilmente sinistros volta à ativa em “Frankenweenie”, provocando a nostalgia que invade o espectador e o faz buscar, em suas memórias, seu primeiro bichinho de estimação e seu provável primeiro contato com a perda e a morte – assim como seu primeiro filme de terror. Burton questiona instituições como Escola, Família e Estado (o discurso do professor de ciências é corrosivo) num filme (bonito, mas excessivamente) reverente, sonhador e leve, que não tenta podar o sonho infantil – o final feliz atesta.

“Aqui é o Meu Lugar” (“This Must Be The Place”, 2012)
Paolo Sorrentino integra a nova safra de cineastas italianos e surpreende nesta sua boa estreia em língua inglesa. Com titulo retirado de uma canção do Talking Heads (David Byrne, inclusive, participa de um momento chave da trama), “Aqui é o Meu Lugar” tem como personagem principal Sean Penn, em excelente atuação, como um roqueiro norte-americano, gótico e decadente, que sofre com fantasmas de suicidas, o envelhecimento e o custo do abuso do uso de drogas. Ele vive num exilio voluntário em Dublin, na Irlanda, casado com uma bombeira (Frances McDormand), e sua fala é arrastada e frágil – assim como sua postura, que só se acomoda perante o espectador com cerca de meia hora de filme –, embora as palavras sejam, geralmente, diretas. A MTV planeja um comeback, mas ele decide ir ao encontro do pai – e, bingo, de si mesmo – numa road trip pelos Estados Unidos que acaba se transformando numa caça a um nazista. Sorrentino trata a passagem da adolescência (adultescência) para a maturidade com didatismo visual, o que corrobora uma visão moralista: o que é estranho e diferente é imaturo. Uma pena: “Aqui é o Meu Lugar” é um bom filme até o minuto final, quando escorrega e põe quase tudo a perder. Ainda assim, tem seus méritos (como a boa trilha).
novembro 19, 2012 No Comments
Na integra: Exit Through the Gift Shop

Um dos filmes mais importantes do novo século, senão “o” filme mais importante, “Exit Through the Gift Shop”, dirigido por Banksy, foi lançado em 2010, indicado para o Oscar de Melhor Documentário, e pode ser assistido (com legendas em francês) no vídeo abaixo:
setembro 15, 2012 No Comments
Três filmes: Costa-Gavras 1969, 2002, 2005

“Z” (1969)
Eis uma das obras-primas incontestáveis do cinema político na história da sétima-arte, aquele tipo de filme que vale o chavão batido: tinha que ser exibido no primeiro dia de aula tanto no colegial quanto na faculdade tanto quanto ser visto ano a ano para não deixar o cérebro amolecer. Logo no começo, um aviso: “Qualquer semelhança com pessoas ou fatos NÃO é mera coincidência”. O roteiro assinado por Gavras e Jorge Semprún, baseado no romance homônimo de Vassilikos Vassilis lançado em 1966, acompanha a história de um chefe do partido comunista grego, que sofre um atentado após um comício. O juiz responsável pelo caso descobre uma série de irregularidades durante a investigação, auxiliado por um fotojornalista, e o desenrolar da trama é praticamente a história de todas as ditaduras do mundo, em maior e menor grau (incluindo a nossa), e pode deixar muita gente com dores de estômago. “Z” reconstitui a história verídica do político grego Grigoris Lambrakis, morto em 1963 em Thessaloniki por dois integrantes de um grupo de extrema-direita grego apoiado por generais (que logo tomariam o poder no país). Foi indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme (mesmo sendo falado em língua francesa) e Melhor Filme Estrangeiro, levando a estatueta nesta segunda categoria. Daqueles filmes obrigatórios.

“Amém” (2002)
Baseado em uma peça chamada “O Vigário” (1963), escrita por Rolf Hochhuth com base no relatório verídico de um oficial da SS, “Amém” lança luz sobre a relação da Igreja Católica com os nazistas acusando o Papa Pio XII (e o alto clero do Vaticano) de silenciar ante os relatos de crimes cometidos contra judeus em diversos campos de concentração europeus. O núcleo da trama é conduzido pelo cientista Kurt Gerstein (em ótima atuação de Ulrich Tukur), que vê uma de suas invenções (o cianeto de hidrogênio, desenvolvido para erradicar o tifo) sendo usada para matar judeus. Gerstein é promovido a Oficial da SS e passa a acompanhar a rotina dos campos de concentração, colhendo números e dados que ele mesmo tenta passar a embaixadores de outras nações tanto quanto à Igreja Católica. O oficial consegue sensibilizar um padre (fictício), que leva a informação ao Vaticano, que opta por não se pronunciar sobre o genocídio. A história verídica é assustadora, mas Costa-Gavras não consegue criar tensão no filme (pelo contrário: o cinismo de um dos personagens acaba se sobrepondo à crítica que o roteiro tenta impingir à Igreja Católica). Vale por colocar o importante Relatório Gerstein em pauta, mas o diretor não consegue imprimir a força de, por exemplo, “Katyn” (2007), obra obrigatória e aterrorizante de Andrzej Wajda.

“O Corte” (“Le Couperet”, 2005)
O ponto de partida desta pequena epopeia cínica, genial e absurda do mundo moderno é o… desemprego. Após trabalhar 15 anos em uma empresa, que acaba de se fundir com outra, o executivo Bruno Davert é demitido. Ele tem 39 anos, e o argumento do RH é que eles precisam enxugar a folha de pagamento. A vida segue, mas não como ele planejava: após uma sequencia de entrevistas, Davert não consegue se recolocar no mercado, e a tensão começa a tomar conta da família. É neste momento que Davert tem uma grande ideia: montar uma firma fictícia, oferecer uma vaga semelhante a que ele procura, e… eliminar os possíveis concorrentes à vaga que ele também deseja. O roteiro (tão absurdo quanto provável) é inspirado no livro “The Ax”, de Donald E. Westlake, e a escolha de José Garcia para o personagem principal não poderia ter sido mais acertada. O ator consegue criar um personagem tão psicopata quanto idiota, e as cenas absurdas que se seguem servem como um piscar de olhos crítico de Costa-Gavras para o capitalismo desenfreado que tomou conta de boa parte do mundo nas três últimas décadas. Porém, mais do que um filme crítico e de muita importância para se analisar o estado atual das coisas, “O Corte” é uma deliciosa comédia de humor negro que resgata alguns dos melhores momentos de “Z”. Para assistir com o currículo nas mãos…
Leia também:
– “Katyn”, uma porrada tão forte que fica difícil respirar (aqui)
agosto 20, 2012 No Comments
Três filmes: Retratos do Submundo

“Sid & Nancy: Love Kills” (1986)
Antes de entrar no Sex Pistols, John Simon Ritchie já tinha tocado bateria no Siouxsie and the Banshees e sido cotado para ser vocalista do The Damned, mas Alex Cox não está muito interessado em contar história rock and roll em “Sid & Nancy: Love Kills”, preferindo focar suas lentes na degradação do romance entre o baixista e a groupie mal-encarada Nancy Spungen, casal perfeitamente interpretado por Gary Oldman e Chloe Webb. Ainda assim, alguns fatos históricos do punk rock estão presentes, como o dia em que Sid usou o contrabaixo como um taco de beisebol em um jornalista que havia detonado o Sex Pistols ou a cena épica do famoso show no Tamisa (haviam proibido o Sex Pistols de pisar ao vivo no solo britânico, mas a proibição não dizia nada sobre tocar sobre a água), suavizada pelo romance: enquanto dezenas de pessoas apanham da polícia, o casal sai abraçado atravessando a tudo e todos. Eis o principal problema do filme: não é o amor que mata, mas a relação perigosa do casal com as drogas pesadas, e elas são secundarias na trama (muitas vezes exageradamente estilizadas). Alex Cox, que divide o roteiro com Abbel Wool, sentimentaliza um personagem icônico que simboliza uma Inglaterra decadente, e deu sorte de ter acertado na escolha da dupla de atores principais num filme que sugere dor, perigo, descontrole e violência, mas não as exibe.

“Eu Atirei em Andy Warhol” (“I Shot Andy Warhol”, 1996)
Valerie Solanas foi uma importante militante radical, autora do manifesto “Scum”, no qual pregava o extermínio de todos os homens da Terra. Os três tiros que disparou contra Andy Warhol em junho de 1968 são o capítulo final de sua história (com um epilogo marcado por prisões, depressão e internação em hospitais psiquiátricos), e “I Shot Andy Warhol”, que surgiu como um documentário, busca contar sua gênese, com flashs de uma infância difícil e uma passagem destacada pela Faculdade de Psicologia, momento em que Valerie se descobre lésbica e parte em direção ao submundo nova-iorquino, vivendo no mítico e decadente Chelsea Hotel, participando de filmes da Factory, de Andy Warhol, e se prostituindo. A diretora Mary Harron (que quatro anos depois assinaria o genial “Psicopata Americano”) apresenta diversos trechos do polêmico manifesto ao mesmo tempo em que lança luz sobre o desejo desenfreado de Valerie pela fama retratando de forma distante um submundo recheado por drogas, sexo e personagens exóticos. Lou Reed atacou o filme, e não liberou nenhuma canção sua para a trilha, assinada pelo ex-parcerio John Cale (ainda assim o CD da trilha é brilhante com belos covers de Wilco, R.E.M., Luna, Pavement e Yo La Tengo). Destaque para Stephen Dorff, que brilha como o famoso travesti Candy Darling, e Jared Harris (o Lane Pryce de Mad Men) como Warhol em outro filme que tem mais valor histórico do que cinematográfico.

“Boogie Nights” (1997)
Segundo filme da carreira do prestigiado diretor Paul Thomas Anderson (que, posteriormente, filmaria os obrigatórios “Magnólia” e “Sangue Negro”), “Boogie Nights” é um excelente retrato do submundo da indústria pornô no final dos anos 70, começo dos 80. Um jovem bem dotado é descoberto em uma boate por um diretor, e estreia como ator alcançando fama e dinheiro, e junto cocaína. A inspiração de boa parte da trama é o ator John Holmes, ícone pornô que transou com duas gerações de estrelas pornográficas, de Seka e Marilyn Chambers a Ginger Lynn e Ciccolina, tentou uma carreira paralela em filmes de ação (retratada no filme) e se viu envolvido em um assalto (para obter cocaína) que terminou com quatro mortos (passagem também presente em “Boogie Nights”). Com um elenco brilhante liderado por Mark Wahlberg (como o ator pornô Dirk Diggler), Burt Reynolds (como o diretor Jack Horner) e Julianne Moore (como a atriz pornô Amber Waves), e que ainda conta com participações excelentes de Heather Graham, Don Cheadle, John C. Reilly e Philip Seymour Hoffman (entre outros), “Boogie Nights” é uma típica história de ascensão e queda, de pessoas despreparadas para o sucesso em uma indústria perigosamente sustentada pelo proibido, contada com excelência por Paul Thomas Anderson.
Leia também:
– “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson, por Marcelo Costa
– “Sangue Negro”, de Paul Thomas Anderson, por Marcelo Costa
agosto 6, 2012 No Comments
Três Filmes: Cinema, Cerveja e Política

“Um Retrato de Woody Allen” (Wild Man Blues, 1998)
Woody Allen costuma rejeitar comparações com seus personagens, mas basta colocar Jerry, personagem que ele encena em “Para Roma com Amor” (que rememora muitos outros), ao lado do Woody Allen deste documentário para percebermos que a linha que os separa é praticamente invisível. E isso é um dos vários pontos interessantes de “Wild Man Blues”, filme de Barbara Kopple (lançado agora no Brasil pela Flashstar – com uma leva de outros filmes do diretor) que flagra a turnê europeia da banda de jazz de Woody Allen em 1997, passando por 18 cidades em 23 dias: “É típico de mim”, comenta ele em certo momento. “Eu sonhava com essa turnê, e agora que estou nela não vejo a hora de acabar”. O humor afiado do diretor avança sobre prefeitos, fãs e paparazzos, mas o retrato que Kopple faz do cineasta é tão honesto que comove. Filmado logo após o longo processo que Mia Farrow e Woody Allen enfrentaram pela guarda dos filhos, e da união do diretor com a filha adotiva de Mia, Soo-Yi, “Wild Man Blues” expande seu território avançando além da banda (sem perder a boa música de foco) para o novo casamento e até para a relação do cineasta com sua família. Nettie, a mãe, responde na frente da nora que preferia uma filha judia a uma oriental enquanto o pai, já bastante idoso, parece ainda não aceitar a carreira escolhida pelo filho, passagens que mitificam (e explicam) um dos maiores cineastas vivos.

“Cerveja Falada” (2010)
Em um momento em que a produção de cerveja artesanal começa a despontar em vários cantos do País, este documentário de 15 minutos dirigido por Guto Lima, Luiz Henrique Cudo e Demétrio Panarotto, da produtora Exato Segundo, resgata com méritos um personagem mítico que ficou a frente de uma das mais antigas cervejarias artesanais do país. Rupprecht Loeffler viveu boa parte de seus 93 anos dedicando-se a produção de cerveja, e é apontado por muitos como um dos mais antigos mestres cervejeiros do país, tocando a cervejaria Canoinhense, de Canoinhas, em Santa Catarina, por mais de cinco gerações (até seu falecimento, em fevereiro de 2011). Fundada em 1908 pelo pai de Rupprecht, a Canoinhense produz cerveja e chope artesanais com receita que segue a Lei da Pureza Alemã. Os tonéis de carvalho foram trazidos da Alemanha há mais de um século. “Meu pai trouxe a fórmula de Munique”, conta Rupprecht, que diz que, na falta de leite, a “piazada” tomava cerveja quando era criança. O mestre-cervejeiro lembra como estocou lúpulo na Segunda Guerra Mundial e conta outras histórias divertidas em um registro carinhoso que já recebeu vários prêmios, e está disponível para download no site Filmes Que Voam (aqui). Ainda assim vale ir atrás do DVD, que traz o ótimo média metragem “Histórias da Cerveja em Santa Catarina”. Bate na porta da Exato Segundo.

“Ao Sul da Fronteira” (South of The Border, 2009)
Disposto a mostrar ao mundo – e especialmente aos norte-americanos – a verdadeira América Latina (já que nós aqui debaixo conhecemos bem quase todas as histórias presentes no filme), Oliver Stone entrevistou Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Néstor e Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Raúl Castro (Cuba) e Lula buscando mostrar a força de um continente que quer olhar os EUA de igual para igual. Em “Ao Sul da Fronteira”, o diretor busca suavizar a imagem difícil de Hugo Chávez, temido presidente da Venezuela, e tropeça em lacunas e na falta do traquejo dramatúrgico e cômico que transformam filmes de Michael Moore em epopeias mundiais, mas, ainda assim, soa educativo ao mostrar como a mídia norte-americana transforma países que dificultam as relações com os EUA em grandes vilões. “Obama trouxe da reunião com os países latinos um aperto de mão e uma camiseta do Che”, reclama um ancora, que pinta o presidente venezuelano como um monstro. “É tudo por petróleo”, retruca Chávez, que surge abraçando criancinhas, andando de bicicleta (Stone faltou às aulas de populismo barato) e, comicamente, perguntando aos membros da ONU se eles sentiam o cheiro de enxofre no palanque após um discurso de Bush, o demônio. O grande mérito do filme (que está inteiro no Youtube) é explorar com destreza o tema “manipulação da mídia”. A verdade é simples (para TODOS os lados): duvide de tudo que você vê na TV e lê em jornais. Tudo. Se não existe mais bobo no futebol (e existe), a política ainda está com as salas cheias. Uma boa dose de ceticismo faz bem para a razão, mas, se preciso for, viva a América… do Sul.
julho 11, 2012 No Comments



