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Category — Cinema

Liev Schreiber, Stephen Frears e Mike Mills

“Uma Vida Iluminada”, Liev Schreiber

“Uma Vida Iluminada”, Liev Schreiber (2005)

Ainda não li o livro de Jonathan Safran Foer, mas acabei de terminar “Pergunte ao Pó”, do Fante, e ele é o próximo. A Lili leu, e pelo jeito curtiu bastante a adaptação (ela adorou o livro do Jonfen). O filme é excelente. Roteiro e fotografia espertos, frases ótimas e uma atuação impecável de Eugene Hutz, vocalista do Gogol Bordello, que rouba a atenção do espectador. Elijah Wood também está muito bem, e acho que resumo o filme em uma frase que Lili me falou ao tentar explicar o livro: tem partes cômicas, mas também é triste, muito triste. Tem umas três passagens ali no final que poderiam ser a tradução perfeita da palavra lirismo. Gostei tanto que vou rever qualquer dia. E ler o livro. Já.

“Ligações Perigosas”, Stephen Frears

“Ligações Perigosas”, Stephen Frears (1988)

Falando em rever filmes, aproveitei a inspiração de “Cheri”, o mais recente lançamento de Stephen Frears (e que traz Michelle Pfeiffer no elenco), e fui tirar a poeira do DVD de um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. “Ligações Perigosas” me fascina desde a primeira vez que assisti. Há um cuidado nos mínimos detalhes da produção que são simplesmente arrebatadores. Do começo brilhante com John Malkovich e Glenn Close sendo arrumados pela criadagem até o final angustiante, “Ligações Perigosas” é um dos melhores filmes sobre vingança já feitos. Ganhou três Oscars (roteiro adaptado, figurino e arte), mas Michelle Pfeiffer merecia uma estatueta dourada. Ainda escrevo um textão sobre ele…

“Impulsividade”, Mike Mills

“Impulsividade”, Mike Mills (2005)

Esperava mais desse filme, mas não sei por qual motivo. Ok, sei. Confundi o diretor Mike Mills com Mike Figgis (“Despedida em Las Vegas”, “Por Uma Noite Apenas”) e, ao mesmo tempo, com o Mike Nichols (“Closer”, “A primeira noite de um homem”), quando devia ter pensando no baixista do R.E.M. A premissa de “Impulsividade” é interessante (jogando luz sobre a fase em que você começa a sair da infância para a adolescência), mas o resultado não comove. Prejudica ainda a atuação fanfarrona de Keanu Reeves (ele já teve alguma graaande atuação?). Lou Pucci, que interpreta o jovem que ainda não conseguiu deixar de chupar o dedo, se sai muito bem, mas o problema de “Impulsividade” é o roteiro extremamente previsível. Ahh, a trilha é assinada pelo pessoal do Polyphonic Spree e ainda traz coisas do Ellioth Smith. Ouça o CD…

fevereiro 2, 2010   No Comments

Coluna: Golden Globes

Pré-Script: Vou tentar ser fiel a este espaço e escrever uma coluna toda segunda nos moldes da antiga Revolution, algo que é mais pessoal do que o Scream & Yell, por isso postada no blog, mas tem a ver com coisas de lá. Bem, as palavras falam por si… sempre.

James Cameron e os atores de “Avatar”

Foto: GoldenGlobes.Org

Eu completo 40 anos neste ano. É a primeira vez que escrevo isso, e olho isso frente a frente, e não dá nem um friozinho que seja no estômago. Fazer 40 anos com a mente sã e alma lívida ajuda e muito a manter o foco nas coisas que a gente acredita, acho eu. Porém, inevitável, fazer 40 anos (e aproveitar todo esse tempo) é, numa comparação rasteira, viver o dobro do que alguém de 20 já viveu. São 20 a mais para se ouvir discos, assistir a filmes, ler livros e enterrar amigos.

Porém, por mais que a gente se policie, o mundo (principalmente o cultural) é muito mais novo que nós – e a gente já viu e viveu um bocado. Jovens músicos começam a fazer barulho em alguma garagem, arranjam um contrato bacana, e viram ídolos. Você já viu isso. Do nada, topamos com algum filme sensacional de algum diretor que nem aprendeu a falar direito com jornalistas, mas conhece a linguagem cinematográfica e consegue emocionar com algumas idéias toscas na cabeça e uma câmera na mão.

A gente ainda consegue se emocionar (ok, falo por mim), mas ficamos mais emburrados com a apatia cultural. E, após escrever tudo isso, fica parecendo que o problema na verdade não é mundo, e sim somos nós, sou eu. A música internacional anda tropeçando feio já faz uns três anos (a nacional vive uma fase excelente, mas no underground). Artistas enganam o público com discos medianos, e fica tudo por isso mesmo.

Às vezes parece que estou desconectado do mundo. E percebi muito disso assistindo a entrega do Globo de Ouro 2010, talvez a pior edição da premiação em anos e anos, e claro que ela não é culpada sozinha: se o ano foi ruim é porque a safra cinematográfica é ruim, ou talvez seja mau-humor da minha parte, e não eu esteja valorizando os futuros clássicos do cinema. Será mesmo?

Na minha ótica desfocada, o Globo de Ouro 2010 premiou bilheterias, dando uma pista para futuras premiações: você quer um Golden Globe? Fature bastante que a gente dá. Os principais filmes e artistas premiados foram recordistas de bilheterias no ano que passou, e é sempre bom lembrar que os executivos estão pisando sobre ovos em tempos de internet, peer-to-peer e pirataria à vontade nas principais ruas do mundo.

O que mais estranha, no entanto, é que o Globo de Ouro é a premiação dos jornalistas estrangeiros nos Estados Unidos, e não dos executivos ou da Academia. A Academia valorizar “Avatar” é uma coisa, a imprensa, outra. “Avatar” e a vitória da técnica sobre a inspiração. Mas, por outro lado, é também a senha para a Indústria de que o mercado ainda está vivo, e de que cinemas Imax e/ou 3D seja uma saída, uma fuga do caos desenhado nos últimos quatro, cinco anos.

A rigor, cifrões deveriam impressionar economistas, banqueiros, investidores e produtores. Não que o lucro seja um problema, pelo contrário, ele é necessário, mas quando passamos a visar o lucro pelo lucro viramos objetos da própria moeda que criamos, reféns de nossa própria ignorância. Pouca importa se o filme realmente é bom. O que importa é quanto ele conseguiu arrecadar nas bilheterias. Se for assim, estamos a um passo do abismo.

O que se viu no Globo de Ouro foi uma premiação voltada ao mercado e não ao cinema. A Academia pode sujar as mãos à vontade agora. O Globo de Ouro sempre foi referencia para a Academia, afinal, jornalistas teoricamente assistem a todos os filmes, o que é difícil acreditar que atrizes – e mães – como Angelina Jolie e Julia Roberts (para citar dois exemplos) tenham tempo entre seus filmes e filhos para assistir a todos os concorrentes. Ou seja: o Globo de Ouro é um guia, uma colinha para os desavisados.

Tenho muito receio do que pode acontecer com o cinema daqui pra frente, se o que contar realmente for grandes bilheterias. Assim como “Nevermind”, do Nirvana, abriu um buraco no peito da Indústria, por onde entraram dezenas de novas bandas, “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, fez o mesmo pelo cinema independente em uma época de grandes blockbusters. Mas isso foi há 16 anos, e os blockbusters voltaram fortes e poderosos para mostrar que o dinheiro realmente vale mais.

Talvez nos reste, como último recurso, esperar que algum moleque viciado em cinema apareça com algum filme brilhante feito em sua própria casa, e abra um novo caminho nesta selva de pedra, aço e dólares. Talvez. Ainda temos tempo para revoluções? Em “Sonhadores”, de Bertolucci, uma questão era proposta através de uma frase: “Toda petição é um poema, todo poema é uma petição”. Isso era 1968. Em 2004, data do filme, ou agora, poderíamos dizer: “Toda petição é uma folha de cheque, toda folha de cheque é uma petição”.

Mudou o mundo ou mudamos nós.

Ps1: Ainda não vi “Fita Branca”, mas quero muito ver.
Ps2: Robert Downey Jr. está ótimo em “Sherlock Holmes”, mas é sério que valia um Globo de Ouro?
Ps3: Gostei muito de “Se Beber, Não Case”, que uma pessoa esperta poderia ter traduzido como “Ressaca”. Talvez tivesse votado em “500 Dias com Ela”. Talvez.
Ps4: A estatueta de Melhor Ator Coadjuvante do Oscar já vai sair da fábrica com o nome de Christopher Waltz
Ps5: No Oscar não vai dar Meryl Streep, né. E nem Sandra Bullock. Vai?
Ps6: Estou curioso por “Nine”, mas é claro que vou me decepcionar.
Ps7: O filme a ser visto se chama “Guerra ao Terror”.

janeiro 18, 2010   No Comments

“O Quarto Verde”, “Zodiaco” e “Superbad”

“O Quarto Verde”, François Truffaut

“O Quarto Verde”, François Truffaut (1978)
Adaptação da obra “O Altar dos Mortos”, de Henry James, “O Quarto Verde” (“La Chambre Verte”) é um dos filmes mais densos da carreira de Truffaut. Ele mesmo vive o personagem principal, Julien Davenne, um redator de obituários de um jornaleco interiorano que, assim que sua esposa morre, cria um altar em casa para continuar a adorando. O altar pega fogo, e ele consegue uma capela em um cemitério, onde passa a louvar não só a esposa, mas também amigos e ídolos mortos. A aparição de uma nova mulher, Nathalie Baye em início de carreira, chega a dar uma chacoalhada no coração de Julien, mas nada que os fantasmas – tão queridos por Julien – não consigam domar. “O Quarto Verde” é uma ode à morbidez, uma crítica exagerada àqueles que se esquecem dos seus. Não é surpresa que um tema tão nebuloso tenha fracassado nas bilheterias e feito com que o diretor revivesse Antoine Doinel no ano seguinte, fazendo as pazes com o público em “O Amor em Fuga”. Fique com Doinel (ou “Noite Americana”)

“Zodíaco“, David Fincher

“Zodíaco“, David Fincher (2007)
Eis um caso exemplar de uma carreira que começa bem (“Seven”, 1995), bate no topo da genialidade cinematográfica (“Clube da Luta”, 1999) e começa a cair (“O Quarto do Pânico”, 2001), cair mais (“Zodíaco”, 2007) até se espatifar no lodo da cópia barata (“O Curioso Caso de Benjamin Button”, 2008). David Fincher foi do chão ao céu, e do céu ao inferno em treze anos, e no meio do caminho fez “Zodíaco” (“Zodiac”), mas parece que as boas idéias foram todas usadas em “Seven” e “Clube da Luta”. “Zodíaco” não inspira, não instiga, não causa empatia nem medo. Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr. (em uma atuação terrível) estão longe, muito longe de seus melhores papéis. Roteiro e edição tropeçam, cenas bestas surgem sem dizer a que vieram, e David Fincher enrola o espectador por 2h38 minutos para, ao final, não lhe entregar nada deixando no ar a sensação de tempo perdido. Mais um item para o tópico sobre como jogar uma bela carreira pela janela em Hollywood.

“Superbad”, Greg Mottola

“Superbad”, Greg Mottola (2007)
Judd Apatow e Seth Rogen fizeram um barulho danado nos anos 00 com as comédias “O Virgem de 40 Anos” (2005), “Ligeiramente Grávidos” (2007)  , “Superbad” (2007) e “Segurando as Pontas” (2008). Eles arrebataram um séquito fervoroso de fãs e fazem um estardalhaço nos Estados Unidos com seus filmes recheados de palavrões, drogas e momentos VA. Destes, só não assisti a “Ligeiramente Grávidos” ainda, mas os outros três não me convenceram. Sério. Seus roteiros apresentam a história de forma impagável, o miolo funciona, mas o trecho final acomoda. E ai o virgem que foi sarreado a vida toda vira exemplo (a Igreja deve amar), os maconheiros do começo fazem campanha anti-drogas no final e, em “Superbad”, o cara que falava pra menina que vivia com a mão no pinto fica bundão, e vai passear no shopping de mãos dadas com ela. Apatow e Rogen posam de radicais, mas é só pose. Um filme pra rir até os 39 do segundo tempo.

Ps 1: Ahhh, a Nathalie Baye. Preciso ver mais algumas coisas com ela. E encontrar “Uma Relação Pornográfica” (esse aqui)
Ps 2: Sempre penso em rever “Seven”, mas quem diz que tenho coragem. Aquilo ali gela a espinha…
Ps 3. Ok, há muito de inocência em “Superbad” (afinal, eles tinham 13 anos quando escreveram o roteiro). E McLovin é o cara. Mesmo assim…

Leia também:
– “Clube da Luta”, um comentário (aqui) e um texto perdido (aqui)
– As aventuras de Antoine Doinel, por Marcelo Costa (aqui)

janeiro 14, 2010   No Comments

Hitchcock, Antonioni, Allen e Almodóvar

Atualizando a lista de últimos filmes vistos e revistos…

Janela Indiscreta

“Janela Indiscreta”, Alfred Hitchcock (1954)

Com a perna engessada, um fotógrafo é obrigado a ficar em casa e, para passar o tempo, observa a vida de seus vizinhos pela janela quando vê algo suspeito em um dos apartamentos. O argumento pode parecer tolo, mas esse Big Brother de suspense rendeu um filmaço recheado de frases antológicas e passagens clássicas, e lida de forma sensacional com a relação do próprio espectador com o cinema (e como ele se torna cúmplice dos personagens). James Stewart e Grace Kelly (looongo suspiro) estão brilhantes ancorados, ainda, por Thelma Ritter, a empregada com a frase certa na hora certa. Clássico.

A Noite

“A Noite”, Michelangelo Antonioni (1961)

Segundo filme da célebre “trilogia da incomunicabilidade”, formada ainda por “A Aventura” e “O Eclipse”, “A Noite (“La Notte”) é um retrato exemplar da falência do amor, uma obra-prima de angústia, tristeza velada e dor que ganha força em uma frase de Valentina (personagem de Monica Vicci) quase ao final do filme: “Vocês acabaram comigo esta noite”. Ela não está falando apenas por si, mas também por nós. Foi meu quarto Antonioni, e já pulou para o segundo lugar à frente de “As Amigas” e “Profissão Repórter”, que preciso rever, e só atrás de “Blow Up”.

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“Tiros na Broadway”, Woody Allen (1994)

“Tiros na Broadway” (“Bullets Over Broadway”) é um dos filmes mais perfeitos e bem acabados de Woody Allen, e olha que a concorrência é grande. Porém, são poucos os filmes do diretor em que o roteiro (assinado em conjunto por Allen e Douglas McGrath), a fotografia (magnífica de Carlo DiPalma) e a trilha funcionam de forma tão perfeita casadas, ainda, de forma brilhante com as atuações de John Cusack, Dianne Wiest (que levou o Oscar por sua atuação) e Chazz Palminteri. É daqueles para se ver, rever e ver de novo, e ainda ficar maravilhado com as piadas, com o ritmo, com o retrato que Woody Allen traça não só do teatro, mas também da vida.

Abraços Partidos

“Abraços Partidos”, Pedro Almodóvar (2009)
 
Na virada dos 90 para os 00, Almódovar fez três filmes grandiosos: “Carne Trêmula” (1997), “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) e, o melhor de todos, “Fale com Ela” (2002). “Má Educação“ (2004) e “Volver” (2006), seus filmes seguintes, não frustram completamente o espectador, mas vieram menores, imperfeitos. “Abraços Partidos” (“Los Abrazos Rotos”) fecha essa trilogia da falta de intensidade. Se quiser, Almódovar faz um filme desses pintando as unhas do pé. Há bons momentos (a maioria na primeira metade), mas parece que diretor e público se cansam após 40 minutos.

Ps. Penelope Cruz versão Audrey Hepburn é de fazer o coração parar…

Leia também:
– “Má Educação”, de Pedro Almodóvar, por Marcelo Costa (aqui)
– “As Amigas”, de Michelangelo Antonioni, por Marcelo Costa (aqui)
– Um Alan Parker e dois Woody Allen, por Marcelo Costa (aqui)
– Uma análise de “A Noite”, por Nuno Manna (aqui)

janeiro 6, 2010   No Comments

Os 10 melhores filmes que vi neste ano…

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Listinha para o amigo André, do Cinezen Cultural. Só valia filmes que estrearam no país em 2009, e só por isso “Whatever Works”, de Woody Allen, não está na quarta posição. Mas preciso pensar com mais calma. Foi lista rápida.

01) Katyn, Andrzej Wajda (resenha aqui)
02) Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino (resenha aqui)
03) Gran Torino, Clint Eastwood (resenha aqui)
04) Se Beber, Não Case, Todd Phillips (comentário aqui)
05) 500 Dias Com Ela, Mark Webb (resenha aqui)
06) Se Nada Mais Der Certo, José Eduardo Belmont
07) A Todo Volume, Davis Guggenheim (resenha aqui)
08) Simplesmente Feliz, de Mike Leigh (resenha aqui)
09) Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes (resenha aqui)
10) Apenas o Fim, Matheus Souza (resenha aqui)

dezembro 15, 2009   No Comments

Três Jason Bourne

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“A Identidade Bourne”, de Doug Liman (2002)
É o longa que deu origem à trilogia com tudo aquilo de impossível que pode acontecer em filme de ação hollywoodiano. Como Marcelo Forlani listou no Omelete (resenha completa aqui), “numa noite tempestuosa em alto-mar um tripulante de um barco pesqueiro consegue ver um corpo boiando. Após o resgate descobre-se que mesmo com dois tiros nas costas e o “banho forçado”, o cara está vivo. (…) comandante da embarcação é um italiano de uns 50 e tantos anos que fala inglês e tem a mão tão firme que consegue operar o nosso amigo mesmo com o barco balançando mais que a câmera de A Bruxa de Blair”. Ou seja, se você desligar o botão da realidade, “A Identidade Bourne” pode se transformar em um filme divertido. Segundo, Jason Bourne é imortal. “Me sinto tão pequena perto dele e seus 30 passaportes” (risos).

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“Supremacia Bourne”, de Paul Greengrass (2004)
A estréia fez um sucesso estrondoso, então nada mais Hollywood que investir em uma segunda história. Porém, desta vez, até que a trama toma mais corpo e aspectos psicológicos interessantes são inseridos na trama. Nada que vá fazer o filme ganhar mais do que uma nota 6 (a não ser que ele esteja sendo analisado como uma comédia, ai pode ir longe), mas há sobrevida. Curto e grosso: Jason Bourne, que perdeu a memória no primeiro longa, mas não nenhuma das mil e uma habilidades de combatente, está curtindo a vida numa ilha com sua gatinha, até que é descoberto e entramos novamente no ritmo acelerado de perseguições, lutas e tiroteios. Aqui o resultado convence mais, e ainda dá uma deixa para o terceiro longa.

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“Ultimato Bourne”, de Paul Greengrass (2007)
O mais bacana dos três. E o mais piegas. Nosso herói está escondido tocando a vida quando lê uma reportagem sobre ele no Guardian. E lá vamos nós em dezenas de cenas de ação entender tudo que aconteceu na vida de nosso amigo. Ao menos, o roteiro tenta tapar todos os buracos – poderia ter explorado mais a questão “Julia Stiles”, mas ok. De cara dá para cravar que cineastas realmente acham jornalistas idiotas, e que Jason Bourne não lembrar de suas conquistas amorosas é uma grande sacanagem. Aliás, no quesito conquistas, Jason Bourne perde de goleada de James Bond. Ok, não há como comparar Sean Connery no auge com Matt Damon, mas até que o baixinho surpreende com uma atuação bastante convincente. Juntos, os três filmes não são excelentes, mas também não são ruins. Se você tiver de bom humor ele pode até lhe tirar umas risadas…

novembro 23, 2009   No Comments

Mostra SP: “Who Do You Love?”, de Jerry Zaks

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“Quem Você Ama?”, de Jerry Zaks (2008)

Leonard e Phil Chess, de uma família judia polonesa, trocam o ferro-velho que administram pelo projeto de abrir uma boate em um bairro negro de Chicago. A dica do local veio de um amigo de Leonard, Willie Dixon, e esse é o primeiro passo na história dos Chess, importante selo norte-americano que já teve sua trajetória vertida para o cinema no filme “Cadillac Records”, mas que aqui aparece validada pelo espólio tanto da família de Leonard como do irmão, ainda vivo, e do espólio da família dos músicos que foram lançados pelo selo.

Em certo trecho da história, Leonard e Willie estão à procura de um guitarrista para uma gravação. É quando um jovem se apresenta e diz que é bom nas seis cordas, mas não tem guitarra. Seu nome é Muddy Waters, e ele conquista a dupla nos primeiros acordes. “Quem Você Ama?” (“Who Do You Love?”) é focado em Leonard, mas traz belos causos do universo blues e rock and roll que fazem valer a sessão. Muddy é o primeiro contratado de sucesso do selo, que ainda aposta em Howlin Holf e em Bo Diddley, cuja canção dá nome ao filme.

O filme flui bem até a metade, mas acelera demais na segunda parte deixando muita coisa de fora. O espectador leigo, por exemplo, ficará sem saber que Chuck Berry e Etta James (além de outros) também foram lançados pela Chess. Apesar do vacilo, o filme é uma boa introdução ao selo de Chicago. “Who Do You Love?” está percorrendo o circuito de festivais (a Mostra de São Paulo é sua quarta parada) e não tem previsão de lançamento no exterior. Pode sair diretamente em DVD, e não chegar ao Brasil. Se você gosta do assunto ainda há três chances de ver o filme na Mostra SP:

28/10 – quarta-feira
18:00  Centro Cultural São Paulo

29/10 – quinta-feira
14:30  Unibanco Arteplex 3

31/10 – sábado
16:30  HSBC Belas Artes 2

outubro 28, 2009   No Comments

“35 Doses de Rum”, “Fados” e “As Amigas”

“35 Doses de Rum”, de Claire Daines

“35 Doses de Rum”, de Claire Denis (2008)

Ricardo Calil, que respeito muito em se tratando de cinema, classificou “35 Doses de Rum” (“35 Rhums”), da francesa Claire Denis, como uma obra-prima (mais aqui). Ex-assistente de Wim Wenders, Claire tem uma filmografia elogiadíssima onde quer que se coloque os olhos para ler sobre a diretora, mas o filme não me pegou. Sim, é grande cinema, mas não consegui absorver a história a ponto de sair chapado da sala. Talvez porque ainda não seja pai. Talvez porque alguns recortes da vida real, embora filmados de forma bela, não me impressionem. É um filme bom, e só. Porém, para te confundir, aviso que adorei “Julie & Julia”. Daí você consegue ver quem está mais próximo da realidade… (risos)

“Fados”, de Carlos Saura

“Fados”, de Carlos Saura (2009)

Expectativa é uma merda, não tem jeito. Alguém escreveu que “Fados” era um documentário, e com as credenciais de Carlos Saura assinando a direção achei que tinha a noite ganha. Engano. A opção estrutural pela qual Saura procura documentar a vertente musical portuguesa é simplória: ele junta dezenas de apresentações dos mais variados estilos de fado em 1h25 de rolo de filme que transforma o longa em um extenso videoclipe. Não há nada que guie o espectador, que não saberá dizer nem o nome da capital de Portugal ao fim da sessão. Para cada bom momento surge um equivalente de vergonha alheia. Chico Buarque se destaca com “Fado Tropical” cantada com cenas da Revolução dos Cravos ao fundo. Porém, também tem Toni Garrido…

“As Amigas”, Michelangelo Antonioni

“As Amigas”, Michelangelo Antonioni (1955)

Vencedor do Leão de Prata em Veneza em 1955, “As Amigas” (“Le amiche”) abre uma seqüência de grandes obras de Antonioni, a saber: “O Grito”, 1957, “A Aventura”, 1960, “A Noite”, 1961 e “O Eclipse”, 1962. O foco aqui são as relações de um grupo de mulheres que tenta se encaixar na sociedade, cada uma ao seu modo. A fotografia de Gianni Di Venanzo (“Oito e Meio”) é belíssima, e a cena da praia um bonito momento, mas a temática do filme (e com isso, o próprio longa) perdeu um pouco da força que deve ter tido na época ao buscar compreender as mulheres – e o suicídio, não só por amor, mas também pela sensação de vazio. Foi meu terceiro Antonioni depois de “Profissão: Repórter” e o sensacional “Blow-Up”. Na fila, “O Grito” e “A Noite”.

outubro 26, 2009   No Comments

Dois desenhos, um pornô soft e um romance

Ando relapso, eu sei. Lili diz que é minha recente conversão ao Twitter. Pode ser. Mas na verdade ando muito reflexivo, com pensamentos tão profundos que muitas vezes meus anjos mergulham na imensidão e voltam alguns dias depois sem falar coisa com coisa. Bem, vamos aos comentários rápidos dos últimos filmes que passaram por mim…

“Up”

“Up”, Pete Docter (2009)
Eu tinha uma expectativa enorme para este filme, mas… não rolou. Vi no cinema e o começo é sensacional. O personagem do vovô Carl Fredricksen é muito bom, e o moleque também é divertido, mas dali pro meio as coisas entornam. Existem boas sacadas. Os cachorros com coleiras é uma das melhores, mas o filme todo cansou, sabe. Esperava mais, bem mais.

Wall-E

“Wall-E”, Andrew Stanton (2008)
Caso exatamente contrário ao anterior. Não vi no cinema. Queria, mas fiquei com preguiça. Acabei comprando em DVD, e fui ver sem a mínima expectativa, e não é que o filme me pegou de jeito. Não é que seja o melhor Pixar já feito, mas tem vários momentos deliciosos. E importante: ele não derrapa tanto no final, quando todos os filmes da produtora partem para a “mensagem edificante”. E a Eva é uma gracinha.

“Diário Proibido”

“Diário Proibido”, Christian Molina (2008)
O título original é “Diario de una Ninfómana”, que a distribuidora nacional não teve culhão para assumir. Inspirado nos escritos da francesa Valére Tasso, “Diário Proibido” prova por A + B que os clichês estão ai para serem vividos e transformados em filme ruim. Pecado maior, no entanto, é lembrar “A Bela da Tarde”. Belén Fabra até é bonitinha e boa atriz, mas não é uma Catherine Deneuve. E, por deus, Christian Molina nunca será Buñuel. Não perca tempo: vá direto aos originais.

“Os Amantes”

“Os Amantes”, James Gray (2008)
É sempre bom cruzar com a Gwyneth Paltrow no cinema. Ela é daquelas coisas gostosas de colocar os olhos e ficar olhando, mas o filme soa meio… óbvio? Talvez. Na verdade, o personagem do Joaquin Phoenix (que está muito bem) me incomoda horrores. Ele se mexer – e seguir seus instintos bestas – no filme é algo que me faz sentir vergonha alheia. Mas suspeito que era isso que o diretor James Gray (cuja produtora se chama Magnólia) queria: mostrar que aquilo ali não é legal. Espero…

Ps. E tem “Bastardos Inglórios”, mas dele escrevi aqui.

outubro 16, 2009   No Comments

O segundo boxe da coleção Ingmar Bergman

Decidi começar pelo segundo boxe ao invés do primeiro até por um sentido de cronologia. No primeiro boxe da coleção estão os clássicos “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957), “A Fonte da Donzela” (1960) e “Gritos e Sussuros” (1972). Destes, só assisti aos dois primeiros, mas optei por voltar alguns anos na cinematografia do diretor e começar por:  

“Noites de Circo”, Ingmar Bergman

“Noites de Circo”, Ingmar Bergman (1953)
Apontado por muitos com o marco inicial do primeiro ciclo de grandes obras dirigidas pelo cineasta sueco, “Noites de Circo” (“Gycklarnas Afton”) ampara-se na desilusão e constrói um retrato dolorido e agonizante de um grupo de pessoas do universo mambembe. A crítica local desceu a lenha na época chamando “Noites de Circo” de, entre outras coisas, “o vômito de Bergman”, mas o filme – valorizado pela bela fotografia de Sven Nykvist – sobreviveu de forma sensacional ao tempo. 

Em seus 84 minutos, “Noites de Circo” exibe uma avalanche de decepções (passional, profissional, pessoal) que não permite ao espectador um sorriso franco. Olhamos com jeito admirado e assustado o caos, a vergonha, a humilhação e a tentativa de troca de tudo aquilo que se ama pela tranqüilidade de uma vida burguesa. Esperamos alguma redenção, que não vem, e namoramos a esperança de que as coisas possam mudar, e melhorar. Triste engano. “Noites de Circo” é atualíssimo. As coisas não melhoraram. 

“Sonhos de Mulheres”, Ingmar Bergman

“Sonhos de Mulheres”, Ingmar Bergman (1955)
Um dos filmes menores da carreira de Bergman nos anos 50, “Sonhos de Mulheres” (“Kvinnodröm”) é uma tentativa de entender a alma feminina tendo como base a vida de duas mulheres: Susanne, uma diretora de um estúdio de moda que vive um romance com um homem casado; e Dóris, uma jovem modelo que trabalha com Susanne e que acaba de terminar com seu namorado. Ela sonha com os atores dos filmes e uma vida de luxo e glamour.

As duas tramas seguem paralelas cada uma delas tendo um ponto alto, mas é a de Susanne a que se resolve melhor e soa mais realista apesar do final duvidoso – muito embora o personagem do cônsul, que participa da história de Dóris, seja o grande emblema do filme, um homem rodeado por mulheres (a filha, a mãe, a modelo), sem compreendê-las, que acaba virando um joguete. A idéia é ótima, mas o filme não convence (embora tenho momentos isolados que merecem serem vistos).

“Sorrisos de Uma Noite de Amor”, Ingmar Bergman

“Sorrisos de Uma Noite de Amor”, Ingmar Bergman (1955)
Disparado, o filme que mais gostei da caixa. Talvez por ser uma comédia de erros shakesperiana (o título original, na verdade, é “Sorrisos de Uma Noite de Verão”, e o filme é uma adaptação da famosa peça do bardo inglês) com diálogos espertos e ritmo acelerado. É também o primeiro filme de Bergman a conseguir sucesso internacional permitindo que a partir daqui o diretor tivesse liberdade artística para fazer o que quisesse (os dois filmes seguintes foram “O Sétimo Selo” e “Morangos Silvestres”).

“Sorrisos de Uma Noite de Amor” (“Sommarnattens Leende”) é movido por duelos verbais e belíssimas atuações. Nos extras do DVD, o cineasta relembra o sucesso do filme contando que seus produtores o mandaram para Cannes sem que ele soubesse. “Um dia abro o jornal e a manchete diz: ‘Sucesso sueco em Cannes’. Fiquei feliz e fui ver de quem era o filme, e era ‘Sommarnattens Leende’. Emprestei dinheiro de uma atriz e peguei o primeiro avião para Cannes”, relembra o diretor. O filme foi indicado à Palma de Ouro e recebeu o prêmio de melhor humor poético.

setembro 24, 2009   No Comments