Random header image... Refresh for more!

Category — Música

“My silence is in vain”

“My Secret Is My Silence”, Roddy Woomble

If you never leave the highlands
like you’re drowning under rain
and your sadness tastes like whiskey
and my body breathes the same

and ill drain my wisdom empty
just to feel that space again

but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain

im sick of living in these buildings
that were built from blood and rain
and from the warm side of the window
the views always look the same

but your face it held the stories
full of dreams it can contain

but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain

but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain

and you held on to a country
from the cail yard to the grave
and you spoke in quickly written verses
hidden in your gaelic name
to approach land without a harbour
to find your way home
you approach land without a harbour
to find your way home

maio 17, 2008   No Comments

Música: “Songs In A&E”, Spiritualized

Jason Pierce acredita na redenção através da música. Mais de dez anos atrás, quando o britpop começava a exibir os primeiros sinais de declínio, Pierce colocou nas lojas via Spiritualized – banda que formou em 1990, assim que seu Spacemen 3 foi para o espaço – um álbum cuja capa emulava uma caixa de remédios, o CD vinha embalado tal qual um comprimido, e o encarte, como uma bula, prescrevia: “Spiritualized deve ser usado no tratamento do coração e da alma”.

“Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997), terceiro disco do Spiritualized, bateu na quarta posição do chart britânico e vinha embalado na idéia de que o álbum havia sido feito para selar o fim de relacionamento do compositor com sua tecladista – e ex-namorada – Kate Radley, que havia se casado secretamente com Richard Ashcroft, vocalista do The Verve. Pierce nega a inspiração, mas “Broken Hearts” entrega: “Estou chorando o tempo todo/ e tenho que disfarçar com um sorriso/ Deus eu tenho um coração partido”.

“Songs In A&E” é o sexto álbum do Spiritualized, e quebra um silêncio de cinco anos sem material inédito. Jason Pierce (aka J. Spaceman) estava com o repertório do disco praticamente pronto quando foi internado em estado grave com pneumonia dupla. Apesar de grande parte das canções já estar pronta, o hospital inspirou o conceito e o título de “Songs In Accident and Emergency”, setor próximo da nossa conhecida unidade de terapia intensiva (”Songs in UTI” poderia ser um bom título nacional).

Partindo do pressuposto que a inspiração do álbum nasceu em uma cama de hospital, normal esperar que o repertório seja pesado, tristonho, carregado de referências à morte, certo. Mais ou menos. As referências até estão ali (funerais, o calor, estado de coma, visita de anjos, igrejas), mas a confrontação com a morte fez Pierce colocar os pés no chão e buscar no gospel, nas harmonias vocais, e nas orquestrações uma maneira de soar… vivo.

Para construir sua epopéia de recuperação, Pierce pincelou doze canções intercaladas por seis faixas instrumentais e fez delas pequenas sinfonias. “Sweet Talk”, a primeira, é uma faixa grandiosa de visão chapada por remédios: “Você tem a fala doce como a de um anjo, e está dirigindo este cego”, canta Pierce. “Death Take Your Fiddle”, uma das mais densas, teve a voz gravada na cama do hospital, e diz entre sons de respiração: “Acho que vou beber para entrar em coma / Mas, morfina, codeína, whisky / eles não alteram a forma como me sinto agora com a morte me rondando”.

“I Gotta Fire” rompe o drama da faixa anterior com guitarras que lembram Primal Scream e BRMC e é a primeira das três faixas seguidas do álbum que trazem o fogo como elemento visual. A seguinte, “Soul On Fire”, é o primeiro single. Co-escrita por Daniel Johnston, a canção traz um refrão tão lírico, tão rico em melodia que poderia ser estendido até o final do álbum que ficaria tudo bem. Só imagine a cena: “Começou um furacão em minhas veias e eu quero que fique para sempre”. Respiração profunda. “Sitting on Fire”, movida a violões preguiçosos, também foi registrada na cama do hospital.

O silêncio é quebrado novamente pelos rocks. “Yeah Yeah” lembra algo de Bob Dylan enquanto “You Lie You Cheat” clama por liberdade em clima de garage rock. “Baby, I’m Just A Fool” é o épico do álbum com seus mais de sete minutos de duração (o solo de órgão, no meio da canção, é de chorar). Seguem-se a baladaça “Don’t Hold Me Close”, a espacial “The Waves Crash In” (com seu arranjo encantador), a estranha “Borrowed Your Gun” (suave como um sonho… ou um pesadelo: “Papai, me desculpe / Peguei emprestado sua arma de novo / E atirei em mamãe / A bela mamãe”) e, pra fechar, “Goodnight Goodnight”, balada acústica de ninar apaixonados, loucos ou doentes.

Jason Pierce acredita na salvação através da música. Seja pelo mal do amor, seja por pneumonia dupla, ele limpa as lágrimas do rosto com melodias encantadoras, e faz sonhar inspirado em Phil Spector e Brian Wilson, gospel e rock. “Songs In A&E” não avança no território aberto por “Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997) e ampliado em “Let It Come Down” (2001), mas é um excelente contraponto a fúria de boa parte de “Amazing Grace” (2003). Sobretudo, cumpre uma função já proposta anos e anos atrás pela própria banda: é perfeito no tratamento do coração e da alma. O próprio paciente J. Spaceman que o diga.

maio 12, 2008   No Comments

Três músicas novas

– “Mutantes Depois”, Os Mutantes
Não é para levar à sério, né

– “Rat Is Dead (Rage)”, Cansei de Ser Sexy
Pixies puro. Tirando o descaramento, soa bacana.

– “Violet Hill”, Coldplay
E o Coldplay troca de banda preferida de Liverpool: saem os Bunnymens, entram os Beatles. Não quero jogar úruca, mas por essa canção, “Viva la Vida or Death and All His Friends” pode vir a ser o primeiro grande disco da turma de Chris Martin. Tô até com medo.

maio 12, 2008   No Comments

Atualizando histórias

Na quinta-feira, enquanto o Intensom com Hurtmold e Mamelo Sound System esgotava os ingressos da choperia, me abasteci de dois chopps escuros para assistir ao Wado no teatro do Sesc Pompéia. Uma seleta platéia acompanhou o músico num passeio por seus quatro álbuns, privilegiando o repertório do recém lançado “Terceiro Mundo Festivo” (baixe aqui).

Centrado em programações, teclados, baixo e bateria (com uma guitarra, tocada pelo próprio Wado, eventual), o show destacou canções mais antigas como “Alagou As”, “Uma Raíz, Uma Flor”, “Ontem Eu Sambei” (do “Manifesto da Arte Periférica”) e “Sotaque” (”Cinema Auditivo”). “Tarja Preta” surgiu em uma versão sinuosa, contagiante.

De “A Farsa do Samba Nublado” marcaram presença “Tormenta”, “Grande Poder”, “Alguma Coisa Mais Pra Frente”, “Se Vacilar o Jacaré Abraça” e “Carteiro de Favela” (faltaram – sempre faltam – “Amor e Restos Humanos” e “Deserto de Sal”). Das canções novas, destaque para a pungente “Melhor”, a poderosa “Fita Bruta” e o sambinha “Fortalece Ai”. De extra, um excelente funk proibidão sobre o 11 de setembro. Classe. (mais fotos aqui)

*************

Na sexta, aniversário de Lili no Veloso. Tomei um banho de caipirinha de frutas vermelhas (acho que a camiseta do Ash não irá sobreviver), mas a turma toda se deliciou com as melhores caipirinhas e coxinhas da cidade (ainda volto para experimentar com calma o bife de tira).

Na volta pra casa pegamos um taxi com Luiz, o equivalente nacional de Jerry Fletcher, o motorista interpretado por Mel Gibson no filme “Teoria da Conspiração”. Se eu tivesse guardado ao menos umas duas ou três previsões que ele nos falou no carro, teria escrito um “cenas da vida em São Paulo”. Coisas assim: O mundo vai acabar em 2022. Na verdade, os Estados Unidos vão acabar, e o Brasil será a maior potência da Terra. Sério.

*************

Eu planejava ver uns filmes no cinema no fim de semana, mas não rolou. No sábado, só Lost. No domingo, uma amiga ligou convidando para um almoço no Consulado Mineiro, na praça Benedito Calixto. Depois de uma bela refeição (bisteca, torresmo, feijão tropeiro, tutu, couve, farofa de banana – estou ficando com fome de novo) e algumas doses da excelente cachaça Germana, não teve como resistir a voltar para casa e desmaiar na cama. Vontade de ficar a semana inteira debaixo do edredom, mas a gente tem que trabalhar, né mesmo. :/

maio 12, 2008   No Comments

A primeira nota 1…

…a gente nunca esquece:

Para “Anywhere I Lay My Head”, estréia como cantora da atriz Scarlett Johansson. Aqui.

Eita disquinho safado!

maio 8, 2008   No Comments

Música: “Dig!!!, Lazarus, Dig!!!”, Nick Cave

Segundo os Evangelhos, Lázaro teve a sorte de ser o protagonista de um dos milagres mais impressionantes de Jesus Cristo. Ele adoeceu gravemente e duas de suas irmãs – Marta e Maria – enviaram com urgência um mensageiro ao encontro de Jesus com a seguinte mensagem: “Aquele a quem você ama está doente”. Aos seus discípulos, porém, Jesus disse que Lázaro apenas dormia, e seria acordado. Depois de quatro dias morto, Lázaro foi ressuscitado milagrosamente e visto pela multidão que contemplou o fato.

Desde sua infância que Nicholas Edward Cave se impressiona – e se assusta – com a história do homem que ressuscitou após quatro dias. Num misto de medo e admiração, essa história ressurge para embalar o clima do décimo quarto álbum do músico australiano, mais um na companhia das Sementes Más (o segundo sem Blixa Bargeld e o primeiro após o barulhento projeto paralelo Grinderman, que sacudiu os porões no ano passado). Quer saber: Nick Cave envelhece como vinho, e aos 50 anos coloca nas ruas um dos melhores álbuns de sua carreira consagrada.

O disco abre com Nick Cave clamando na faixa título para que Lázaro cave (sem trocadilho, risos) um buraco e volte para o túmulo enquanto o bardo conta a história de Larry, um rapaz de Nova York que passou pela fila da sopa, pela delegacia, pelo manicômio e, por fim, terminou no cemitério. Uma bateria calma e limpa carrega a canção enquanto a guitarra base castiga o mesmo riff e outras guitarras entorpecidas de feedback maltratam a melodia ferozmente. O pop e o rock se unem e saem de mãos dadas cantando o refrão sagrado: “Cave, Lazaro, cave”.

“Today’s Lesson” é mais do mundo absurdo de Nick Cave. O baixo de Martyn Casey surge numa linha dançante enquanto a guitarra envenena a melodia novamente. Os violões assumem a condução da melodia e, lá pelo meio, um belo solo de órgão aconchega a pequena Jane, que está sendo molestada pelo senhor dos sonhos em seu próprio sonho. “Moonland” chega freando o ritmo acelerado das duas faixas anteriores em clima blues enquanto o refrão avisa: “O DJ está sussurrando no rádio: Eu não sou seu amante favorito”. No entanto, ele precisou seguir o carro e flagra-la no banco de trás…

“Night of the Lotus Eaters” é totalmente fantasiosa e climática enquanto “Albert Goes West” é uma porrada à la Grinderman em que Cave avisa (enquanto outros fogem) que vai continuar onde sempre esteve, pois gosta desse lugar (Albert vai para o oeste, Henry para o sul e Bobby para o norte). “We Call Upon The Author” é outra maluquice genial retirada da cabeça de Cave em parceria com Warren Ellis (que toca viola, drum machine e os loops da canção). Em “Hold On To Yourself”, uma das grandes canções do álbum, Nick Cave volta a citar o predileto de Jesus. “Lie Down Here (And Be My Girl)” é outro dos rockões do álbum jogando testosterona no colo de uma garota.

Após a tempestade sônica da faixa anterior, “Jesus Of The Moon” surge como um alívio em seu formato de balada jazzy atormentada e abre a porta para a parte final do álbum de forma suave através de “Midnight Man” (um rock lento que cresce no refrão) e “More News From Nowhere”, a faixa épica do álbum com seus quase oito minutos de duração que parecem querer transformar em música a loucura do filme “Inland Empire”, de David Lynch, com o personagem contando: “Eu ando no canto do meu quarto / Vejo meus amigos nos lugares elevados / Não sei qual é qual nem quem é quem / Roubaram suas faces”. A melodia segue estática, sem grandes alterações de humor até o final.

“Dig, Lazarus, Dig!!!” consegue unir o improvável: barulho e calma. Muito do mérito dessa conquista vem de Nick Launay, produtor que já havia trabalhado com Nick Cave no Grinderman e nos dois (se você quiser, três) álbuns anteriores do bardo australiano, o bom “Nocturama” (2002) e os excelentes “Abattoir Blues/The Lyre of Orpheus” (2004). Parece que Launay e Cave encontraram definitivamente o ponto certo na produção de bons álbuns, e “Dig, Lazarus, Dig!!!” é a prova. A Bad Seeds, uma das melhores bandas de acompanhamento de um artista no mundo, também merece louros em um álbum que mostra que quanto mais o tempo passa, mais Nick Cave melhora.

maio 6, 2008   No Comments

Wonka para download

“Paranoia”, o single de abril do Wonkavision, já está disponível para download. Para quem está chegando agora, o Wonkavision estará disponibilizando um single por mês até o fim do ano. Já foram a excelente “O Impar Perfeito” (janeiro), “Double Dealing” (fevereito), “Rebobinar” (março) e, agora, “Paranoia”. Você encontra tudo aqui

maio 5, 2008   No Comments

A última compra na Nuvem Nove

Eu já tinha decidido que não ia mais passar na Nuvem Nove. Economia é palavra de ordem aqui em casa neste momento pré-viagem de férias. Mas então o Jonas pediu para que eu fosse com ele a loja (e não precisava pressionar tanto, vai), e eu acabei levando o Guto e a Marcela juntos. Tudo 50%. Lá se foram R$ 99 em onze CDs…

É bem provável que nunca na minha vida eu fosse comprar o “Metal Machine Music”, do Lou Reed. Não importa que fosse a edição remasterizada em comemoração aos 25 anos do álbum completados em 2000 (remasterizar microfonia de guitarra, sei). Não importa que David Fricke, da Rolling Stone, estivesse gastando adjetivos no encarte. Não importa nem que o texto original do próprio Lou estivesse transcrito. Nada disso importava.

Porém, você vai e olha o CD na prateleira. Ele olha para você. O preço da etiqueta diz que ele deveria custar R$ 40, o que quer dizer que, neste momento, ele está custando R$ 20. Está lacrado. É uma edição especial numerada (esta é a de número 5.132, o que faz imaginar que mais de 5 mil loucos no mundo têm esse disco em casa) “There is no other álbum in rock & roll like ‘Metal Machine Music’”, avisa a contra-capa.  Era uma vez R$ 20…

Mas para dizer que sou forte (tsc tsc tsc), deixei um da Françoise Hardy, anos 60, que estava de R$ 60 por R$ 30, e a versão remaster do segundo álbum do Blondie, com cinco bônus tracks, de R$ 40 por R$ 20. Eu só devia ter pego os dois da Carmen Miranda, que estavam R$ 9 cada um. Minha última compra na Nuvem Nove acabou ficando assim:

R$ 20 – “Metal Machine Music – Limited Edition”, Lou Reed
R$ 11 – “Recuerdos de Asunción 443?, Jorge Ben Jor
R$ 11 – “Acústico MTV”, Paulinho da Viola
R$ 10 – “Bongo Fury”, Frank Zappa
R$ 10 – “Baby Snakes”, Frank Zappa
R$ 9 – “Gung Ho”, Patti Smith
R$ 7 – Songbook de Dorival Caymmi Volume 3
R$ 5 – “Eliana Pittman”, Eliana Pittman (série Odeon 100 Anos)
R$ 5 – “Doris Monteiro”, Doris Monteiro (série Odeon 100 Anos)
R$ 5 – “Dory Caymmi”, Dory Caymmi (série Odeon 100 Anos)
R$ 5 – “O Último dos Moicanos”, Moreira da Silva (série Odeon 100 Anos)

Ps. escrevi mais sobre a Nuvem Nove aqui.

abril 18, 2008   No Comments

“Pero me pierdo si no estás”

“Odio el Amor”, Rubin

Odio el amor
La primavera y el sol
La luna y todo lo demás

Odio el calor
Y las canciones de Paul
Ir de la mano junto al mar

Pero si estás
No tengo tiempo de más
Para perder en soledad

No es tan difícil dejarme llevar
Pero me pierdo si no estás

Odio el ayer
Y lo que vino después
Que no me deja respirar

Odio a mis ex
Y a cada amor de mis ex
Ir a tu casa y esperar

Pero si estás
Todo parece cambiar
Y el viento deja de soplar.
No es tan difícil dejarme llevar
Pero me pierdo si no estás.

Ella pasó, vino y se fue
¿qué debo hacer
Para que quiera volver?

Pero si estás
No tengo tiempo de más

Para perder en soledad
No es tan difícil dejarme llevar
Pero me pierdo si no estás
(siempre) me pierdo si no estás

abril 17, 2008   No Comments

Uma frase

“Não existe guerra alguma, é só o capital cruzando o mar”

Fred 04

abril 12, 2008   No Comments