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Category — Música

Correndo e pedalando daqui pra lá

De Berlim (Ocidental):

As coisas no supermercado ao lado do hotel sao tao baratas que até nos assustamos. E a internet, na esquina, rápida, com teclado parecido com o nosso e alguns acentos, meus amigos, voltaram (só alguns). Bem, vou direto rememorar tudo o que aconteceu no domingo e hoje e zerar o diário para comecarmos novinhos amanha.

Domingo

Acordamos cedo com o propósito de fazermos uma aventura: alugar uma bike cada um e ir para Damme, cidade que fica a 5 km de Bruges, tomar um dos melhores chocolates quentes da Europa. Claro que nao só para isso, mas também para curtir o passeio e fazer como os belgas: andar de bicicleta.

O dia amanheceu nublado, mas nao desistimos do plano. Alugamos nossas bikes e lá fomos nós margear o rio até pegar a auto-estrada. No caminho passamos por uma feirinha, dessas de tralhas e trecos, e parei em uma barraquinha que tinha uns CDs à venda. Sou um feliz possuidor do “Live 81-82” do Birthday Party que custou… 4 euros.

Lili acha que fizemos os 5 km entre uma cidade e outra em menos de meia-hora, mas nao sei. O tempo ficou estável, caiu uma garoinha, e depois abriu o sol. O trecho entre as cidades era bucólico: o rio ao lado, vaquinhas pastando com moinhos de vento ao fundo, algumas casinhas e muito, mas muito verde.

Entramos em Damme, que merece a sua visita caso voce vá um dia para Bruges, pela avenida principal e logo achamos o Tante Maria, o tal local do chocolate quente. Chegamos com fome, entao abracamos o menu de 16 euros por pessoa. Escolhi o menu Lorraine (quiche com bacon, saladinha e e focaccia de presunto parma – veja aqui) enquanto Lili foi de menu fish (croquete de camarao, quiche de salmao e tomate recheado com camarao – veja aqui).

Vou contar: passei as últimas 30 e poucas horas ouvindo Lili falar o quao bom era o tal do croquete de camarao. O argumento dela é que croquete é algo tao normal, que a gente nao espera nada, e o tal que ela comeu era surpreendente bom, algo que ela nunca esperava que pudesse acontecer. Tudo bem, saiba que ela já tomou, em Paris, a melhor sopa de cebola da vida dela…

Bem, almoco terminado, o bom chocolate quente tomado (vale a sua ida até o lugar), e hora de pedalar de volta para Bruges. Trocamos os 5 km de pedaladas por uma volta de barco bebendo cerveja belga e admirando a paisagem. Passeio bucólico e delicioso para revigorar para a última noite do Cactus Festival.

O passeio de bike fez com que perdessemos o show do !!! e, quase, Magic Numbers. Pegamos as tres últimas músicas da banda fofinha mais bacana sobre um palco do planeta. Nao gosto deles em disco, mas o show é bastante divertido e animou muito o público do festival.

Na sequencia foi a vez do septeto Calexico tentar fazer o público gingar, no que eles podem até se dar por satisfeitos: umas dez ou doze pessoas chacoalharam enquanto a multidao assistia impassível (e apluadia efusivamente no final). Parece que eles nao estao gostando, e quando a música termina eles vibram e aplaudem. O ponto alto foi a já costumeira e empolgante versao de “Alone Again Or”, do Love. De fazer chorar, viu. O show tem altos e baixos, mas é de responsa.

Hora de comer no Cactus Festival, mas o que escolher? A variedade é imensa. Tem desde de barraquinhas de comida tibetana, japonesa, italiana, senegalesa, arabe, indiana, francesa, vegetariana até os famosos pratos locais sem contar as barracas de cerveja, refrigerante, narguilé, crepes, waffles, sucos de frutas e o escambau. Acabamos no final optando pelas tradicionais fritas com maionese, mas dá dó de lembrar como passamos fome nos festivais brasileiros.

Já tinhamos planejado no dia anterior deixar de lado Joss Stone, que iria fechar a noite de domingo, mas até que fiquei com uma vontadezinha de ver a garota, no entanto, ela cancelou de última hora, e Jamie Lidel foi escalado para substitui-la. Preferimos nos despedir da cidade fotografando-a durante a noite (até esbarramos com o pessoal do Calexico, encantando com a beleza medieval da cidade).

Segunda

Acordamos às 8h30, arrumamos a mala e fomos tomar o café que a Maria havia feito para nós. Pecado: ainda nao falei da Maria. Bem, ela é a dona da casa que alugamos o quarto para ficarmos em Bruges (via Hostelword), e é uma mama estilo italiano que comeca falando em ingles, no meio da frase está em italiano e termina com coisas em espanhol, holandes ou todo junto. Uma jóia de pessoa.

Assim que chegamos no sábado, ela nos levou até a mesa e nos deu dicas de onde comer a melhor comida por precos justos (fugindo dos restaurantes caca-turistas), onde encontrar a melhor cerveja da regiao e onde devorar os melhores chocolates. E ainda escreveu em um papel um recado para o cara do barco nos dar um desconto. Querida demais.

Nos despedimos dela e… comecou a correria. Chegamos na hora na estacao de Bruges, compramos passagens para Bruxelas, entramos no trem e… esquecemos uma sacola com um vinil raro (que comprei a pedido do Wagner), os posters da Shakespeare em Co, presentes e todas as passagens e reservas de hotel e albergues impressas. Falamos com o cobrador e ele foi ironico e sacana: “Nao posso parar o trem. Voces descem em Bruxelas e voltam”.

No fim, nao descemos em Bruxelas, e sim em Gent, a parada seguinte. Acabamos voltando para Bruges mais cedo que imaginavamos, mas deu tudo certo. O senhor que nos vendeu a passagem avisou que a sacola estava no “Achados e Perdidos” da estacao, e conseguimos pegar o próximo trem para Bruxelas tendo como prejuizo uma hora perdida e 25 euros de passagens.

Em Bruxelas, mais correria. Almocamos ao lado da Grande Praca, babamos nos waffles, andamos na rua que cheira a chocolate, olhei e comprei CDs em uma loja bacana (veja aqui) e… nos atrasamos para o voo. Ainda mais que o guiche da Easyjet ficava nos cafundos do aeroporto, mas o voo atrasou e chegamos em tempo. Preciso urgentemente de uma cerveja. E cama. Amanha volto com impressoes sobre a Alemanha, ok.

Fotos da viagem:
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julho 13, 2009   No Comments

Uma festa do interior… na Belgica

Bruges é uma cidadezinha a 97Km de Bruxelas cujo charme medieval é seu maior atrativo. Seu centro do século 13 é o mais bem preservado de toda a Europa e é uma volta no tempo, muito embora a quantidade de turistas superlote suas pequenas ruas. É uma mistura de Gramado com Ouro Preto (com cervejas e chocolates melhores).

A cidade esta lotada. Turistas ficam embasbacados nas vitrines das lojas de chocolate e cerveja enquanto se entopem de batatas fritas, que os belgas defendem serem os pais. Rapazes da cidade pedalam vestidos de freira pelas ruas medievais. O clima é o melhor possivel.

É no principal jardim da cidade, o Minnewater, que acontece o Cactus Festival, um dos cinco festivais mais bacanas da Bélgica (entre os mais de 50 que eles devem promover no verao), cujos mais famosos sao o Rock Werchter (eleito pela liga dos festivais europeus o melhor festival do verao quatro vezes nesta década), o Pukkelpop e o Lokerse Fest (que neste ano terá Manics em agosto).

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O Cactus lembra, e muito, uma festa de cidadezinha do interior com criancas andando pelo parque, senhoras e senhores conversando em bancos e uma variedade de comida surpreendente (além, claro, da boa cerveja belga em tres versoes: Pilsen; de trigo e de cereja) destacando-se os waffles de nutella, as fritas e os sanduiches de braadworst.

A criancada passa o tempo todo recolhendo copos de plástico de cerveja e garrafas de refrigerante para trocar em um posto de reciclagem que paga 0,10 cents de euro por cada item. Os portoes abrem às 11h da manha, e o primeiro show comeca 12h30, mas o publico está no festival nao só para ver os shows, mas pq o lugar é um ponto de encontro da cidade.

A grande diferenca em relacao ao Brasil (além da organizacao impecável, dos banheiros masculinos ao ar livre, da cerveja e da variedade de comida) é que aqui nao tocam duplas sertanejas, heróis da Jovem Guarda e da época de nossos tataravos, mas sim bandas novas como o Cold War Kids, lendas do cenário independente como Greg Dulli e Mark Lanegan e genios como Paul Weller. Bem, talvez seja a mesma coisa, né mesmo.

Ah, e eles falam o flamengo, uma mistura de holandes, frances e alemao que dá a perfeita sensacao que todo mundo ao seu redor está falando ao contrário. Panico total (risos). E tambem andam de bicicleta: mais de mil ficam “encostadas” do lado de fora do parque. Jo Gideon and The Shark, Black Box Revelation e Joan As Police Woman abrem o dia, mas só chegamos para a quarta atracao.

O Cold War Kids surgiu mostrando as músicas excelentes de seu álbum de estréia mais as fracotes do segundo disco – que cresceram ao vivo. Bom trabalho de guitarras, boa performance de palco, e “We Used to Vacation” é uma graaaaande cancao. É bom ficar de olho no terceiro disco desses caras, pois deve vir coisa boa.

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Na sequencia, Gutter Twins em momento acústico: Greg Dulli em um violao (e teclados e gaita), Mark Lanegan impassível no centro e Dave Rosser no outro violao. Único problema do show: foi curto demais (veja o set list aqui). Mas vou dizer que quase chorei em “Sworn and Broken”, do álbum “Dust”, último do Screaming Trees. E “Summer Kiss”, do Afghan Whigs, arrepiou.

Intervalo, show do Novastar (banda da casa que parece uma mistura de Fito Paez com Coldplay e levou mais público para frente do palco do que qualquer outra atracao do dia) e… Paul Weller. No palco, o ex-líder do The Jam parecia um menino de tao feliz e agitado. O show – centrado no excelente “22 Dreams” – de duas horas foi impecavel, daqueles de fazer muita bandinha inglesa nova voltar pra garagem. A garoazinha, jah no bis, terminou de lavar a alma.

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Fotos da viagem:
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julho 12, 2009   No Comments

Três horas de Leonard Cohen em Paris

O Palais Omnisport de Paris Bercy fica um pouco distante do centro, nada que três estações de metrô não resolvam em apenas dez minutos. Ele é um mostrengo de ferro e azulejos e foi construido para abrigar jogos de basquete e vôlei além de shows podendo receber um público de até 19 mil pessoas. Para esta noite, com cadeiras ao centro, Leonard Cohen levou 15 mil pessoas ao lugar, que está abarrotado. É a única data de Cohen em Paris neste ano, e os ingressos estão sold out.

O show estava marcado para às 20h, mas atrasou um pouco. Cohen e sua competente banda entraram quinze minutos depois, fizeram um pequeno intervalo às 21h20 e só deixaram o palco às 23h15 contabilizando três encores em três horas de apresentação (2h40 com a banda no palco, pois mesmo nos pedidos de bis, Leonard Cohen saia saltitando, a banda ameaçava sair, e logo ele voltava com o chapéu no peito e o local vinha abaixo).

O começo já bastou para deixar todo mundo feliz com “Dance Me To The End of Love” abrindo os trabalhos e os hits se sucederam: “Bird On The Wire”, “The Future”, “Ain’t No Cure For Love”, “Everybody Knows”, “Tower Of Song”, “Suzanne”, “Hallelujah”, “I’m Your Man”, “So Long, Marianne”, “First We Take Manhattan” e “Sisters Of Mercy”. “Chelsea Hotel” entrou no lugar de “Hey, That’s No Way To Say Goodbye”.

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Para alegria e loucura do franceses, ele introduzia varias canções declamando a letra em francês. Quando, no meio do show, cantou um longo trecho em francês em “The Partisan”, a audiência entrou em êxtase e aplaudiu longamente. É tudo perfeito, principalmente para quem está próximo ao palco – o que não era o nosso caso, infelizmente, e estar distante de Cohen, numa das fileiras de cadeiras superiores, faz com que se perca um pouco da espontaneidade da noite.

Nada que impeça de tornar esta noite em Paris inesquecível, afinal Leonard Cohen começou o show convidando todos a dançarem até o fim do amor, disse depois que o futuro era escuro e que ainda estava esperando por um milagre, mas quando voltou para o terceiro bis, com a perfeita ironia de “I Tried To Leave You” após quase três horas de show, comentou: “Boa noite, meu amor, eu espero que você esteja satisfeita”. Não tinha como não ficar.

Em um fórum sobre Cohen, fãs se deleitavam com as memórias desta noite e duas canções eram pérolas inesquecíveis: “Como de costume, ele começou a segunda parte com ‘Tower of Song'”, descreve o usuário britânico Pegasus4. “Então ele pegou a guitarra e começou a dedilhar algo que parecia ser ‘Suzanne’, mas na verdade era ‘Avalanche’, aquela grande canção sublime que eu havia invejado muitos por terem visto ao vivo, finalmente consegui vê-la”, e completou: “Obrigado, Leonard”. É só isso que podemos fazer: agradece-lo por esta noite memorável.

Primeira Parte
Dance Me To The End Of Love
The Future
Ain’t No Cure For Love
Bird On The Wire
Everybody Knows
In My Secret Life
Who By Fire
Chelsea Hotel
Waiting For The Miracle
Anthem

Segunda Parte
Tower Of Song
Avalache
Suzanne
Sisters Of Mercy
The Partisan
Boogie Street
Hallelujah
I’m Your Man
Take This Waltz

Bis
So Long, Marianne
First We Take Manhattan
Famous Blue Raincoat
If It Be Your Will
Closing Time
I Tried to Leave You
Whither Thou Goest

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Leia também:
– Um breve olhar sobre a discografia de Leonard Cohen (aqui)
– Leonard Cohen no Festival de Benicàssim (aqui)

julho 9, 2009   No Comments

Um fim de semana na Bélgica

Não lembro de onde paramos. Sei que deixei Lili nas Galerias Lafayette e vim tentar colocar ordens nas minhas ideias. E como você já percebeu, continuamos sem acentuacao. Vou focar nas histórias e deixar a língua portuguesa acentuada – quase impossível neste teclado maluco – de folga mais uma vez. Recordando…

Saímos de Londres na sexta, de Easyjet, para Paris. Voo tranquilo e chegada sem muitos problemas. O apartamento que alugamos por 8 dias é um achado. Saiu mais barato que um albergue, tem um clima romântico e fica em um bairro bastante notívago, Les Halles. Isso tudo sem contar as suas facilidades, como a moderna lavadora e secadora de roupas, que já tratamos de usar.

Na sexta encontramos a Anamaria, que trqblqhq (trabalha em um teclado normal) comigo no iG. Atualizamos as conversas, fomos ate a Torre Eiffel, e a deixamos com um grupo de amigos do curso que ela estava fazendo aqui. Voltamos para o ap, mas não resistimos e paramos em um café na esquina da Rua Montorgueil, que servia Duvel. Dormi sonhando com anjos (hehe). Sábado de manha partimos para nossa aventura belga.

Fomos de trem de alta velocidade Thallys, com tíquetes comprados em promoção numa dica que peguei no ótimo blog Conexão Paris. Uma hora e pouco depois estávamos em Bruxelas, e alguns minutos depois deveríamos estar em Leuven, se não tivéssemos pego um trem errado para Louvain e ir parar quase na Holanda. O cobrador foi gente finíssima. Nos deu um bilhete de volta e passou todas as orientações com calma. Chegamos em Leuven 12h30 quando o previsto era 11h.

Foi o tempo de encontrar o Carlos e a Camila, almoçar e correr para o Rock Werchter. Perdemos Regina Spektor, mas chegamos no exato momento em que Karen O adentrava a tenda do festival. Show bom, mais dançante e menos barulhento que os do Brasil com direito aos hits “Gold Lion” e “Zero”. No bis, “Pin” e a sensacional yeah yeah yeahs love song “Maps”.

Na sequência, debaixo de um solzão de deixar cariocas felizes, o Franz Ferdinand despejou um caminhão de hits sobre a plateia alternando com as boas canções de seu ótimo terceiro disco. Só saíram do palco pq a bateria quebrou, o que não impediu Kapranos de levar “Jacqueline” na garganta e na guitarra.

O mesmo palco principal trouxe, em seguida, Nick Cave e os Bad Seeds em uma apresentação avassaladora. Muita gente que havia entrado no gargarejo para esperar o Kings of Leon, que tocaria depois, se surpreendeu com o barulho, e ou saiu de fininho ou protegeu-se como pode do sensacional esporroe sonoro. “Red Right Hand”, “Dig, Lazarus, Dig!!!”, “Deanna”, “The Mercy Seat”, “Stagger Lee” e “Henry Lee”, dedicada a Polly Jean Harvey, lavaram a alma. Inesquecível.

O domingo foi dedicado a Bruxelas. Visitamos a Grande Praça, considerada por Victor Hugo a praça mais linda do mundo (não é a mais linda, mas está cabeça a cabeça com as concorrentes) e saímos por aquelas ruas que cheiram a chocolate belga e cujas lojas expõe centenas de exemplares de cervejas locais. Passamos no Teatro Real de Marionetes, que também é um ótimo bar (bebi uma cerveja leve de cereja chamada Mort Subite) e almoçamos nas redondezas.

O paraíso das cervejas se chama apropriadamente De Bier Tempel, e tem todas as melhores cervejas do pais entre 2 e 4 euros a long neck, além de edições especiais da Duvel, Leffe (existe seis variações diferentes dela) e outras. Comprei uma Duvel diferente, uma Hoegaarden especial e duas outras que comento assim que beber.

Dali nos encaminhamos para o Deliriuns Tremens, a casa da cerveja de mesmo nome, cuja garrafa traz dezenas de elefantes cor-de-rosa, aqueles que só loucos, chapados e bêbados conseguem ver. O pub entrou pro Guiness Book como o lugar que tem mais marcas de cerveja diferentes de todo o mundo para comercialização. Bebi uma cerveja da casa e uma La Divine, de 8,5%, bem boa.

O dia terminou conosco correndo com cervejas e chocolates para não perdermos o trem para Paris, e chegamos exatamente no horário. Deixamos Bruxelas pensando em como um pais do tamanho do estado de Alagoas pode fazer as melhores cervejas, os melhores chocolates e os melhores festivais de rock do mundo. Não sei se conseguiria morar aqui, mas partiu o coração sair de lá deixando todas aquelas cervejas para trás.

Descemos na estação Paris Nord às 20h com um solzão brilhando no céu. Nos animamos. Fizemos compras pra casa (sabão em pó para lavar a roupa e comidinhas pra economizar no café da manhã) e depois saímos a caminhar pela cidade, que anoitecia e ficava cada minuto mais linda. Passamos pela Notre Dame, pela Shakespeare and Co (Foer autografa livros lá hoje), pela Saint Chapelle e paramos para olhar os barcos no Sena até sei lá que horas…

Fotos da viagem:
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julho 6, 2009   No Comments

Post scriptum de Londres

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 Hoje sem acentos, pq o teclado belga eh o mais complicado da viagem:

– Ficamos com muita vontade de ver “Hamlet” com Jude Law em Londres. A peca e a atuacao do ator foram elogiadissimas por todos os grandes jornais britanicos.

– No dia em que passamos pelo Soho, um guia apresentava para alguns turistas o Ronnie Scott, o mais lendario bar de jazz da cidade, que ja recebeu todas as grandes lendas do mundo e tem shows de segunda a segunda. “Eh o meu lugar preferido em um dos bairros que mais gosto de Londres”, disse o guia.

– Camden Town eh uma loucura. Quero voltar e ficar um dia inteiro lah.

– O show no Hyde Park: 55 mil pessoas presentes, sol de 31 graus e muita comida, cerveja e cidra. Perdemos o primeiro show, e uns tais de Golden Silvers vieram na sequencia, bem verdes ainda. Nao impressionaram. Crystal Castles foi bem mais interessante, apesar da jovem vocalista Alice Glass exagerar no cliche e na pose. Bom show.

O Friendly Fires provou o quanto esta grande na Inglaterra, com muita gente cantando todas as cancoes. Nao sao excelentes, mas tambem nao sao ruins. Sao soh mais uma bandinha bacaninha e tal (se o mundo ja nao tivesse infestado, mas tudo bem). E o Blur… bem, vou adiantar um paragrafo, pois o texto completo estara em uma revista perto de voce em agosto:

Graham Coxon eh um puta guitarrista, e dividiu meio a meio a honraria da noite com o senhor Damon Albarn, que nao cabia dentro de si mesmo de tanta felicidade. Pulou como um doido, contou historias, foi pra galera, fez solo de violao, relembrou a marcha contra guerra do Iraque e cantou todos os hits de sua banda em versoes aceleradas, encorpadas e empolgantes. Despediu assim: “Enjoy the summer”. Momento historico.

– Acordamos cedo na sexta para pegar o aviao para Paris, mas ai jah eh outra historia que conto amanha junto com um review da terceira noite do Rock Werchter, a qual adianto tres coisas: um video do Yeah Yeah Yeahs tocando “Zero” (aqui), os Bad Seeds deixaram todo mundo surdo (foto abaixo) e, por ultimo, Nick Cave dedicou uma cancao para… Polly Jean Harvey.

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Fotos da viagem:
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julho 5, 2009   No Comments

Londres: Hyde Park, Big Star e Tindersticks

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O céu é azul de um claro que impressiona. O sol não dá trégua, mas também não podemos reclamar: estes dias em Londres estão absurdamente lindos. Depois da correria dos primeiros dias decidimos fazer as coisas com calma, poupando as pernas. Assim, acordamos tarde e decidimos fazer apenas duas coisas no dia: comer o autentico café da manhã britânico e ir ao Hyde Park.

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O café da manhã foi… uma experiência estranha, mas interessante. Claro que não me incomodo com bacon no café (imagina, amigos sabem que passei boa parte das manhãs dos últimos anos acordando com baconzitos e Fanta Uva), mas feijão, e ainda mais esse feijão cujo caldinho é de ketchup, não rola. O prato ainda vem com cogumelo passado na chapa, tiras de pão de forma na manteiga, dois ovos (adoooro) e duas salsichas (outra coisa que não desce pra mim). Ou seja, não foi um café, mas sim um almoço.

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Na sequencia, fomos conhecer o Hyde Park, um parque no centro que, junto com Kensington Gardens, que fica adjacente, forma uma das maiores áreas verdes da cidade, com 2.5 km² de extensão. Ele é atravessado pelo lago Serpentine, e era ali em suas margens que iriam acontecer os shows de Big Star e Tindersticks, mais de noite. O parque ainda tem uma galeria (que eu já havia comentando uns posts atrás), um memorial para Diana e uma estátua em homenagem a Peter Pan (!?).

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A ideia era não caminhar muito, mas camelamos ao sol até encontrarmos o local correto do show. Para descansar, alugamos duas espreguiçadeiras e descansamos na margem do lado, debaixo da sombra de uma árvore. Milhares de pessoas lotavam o lugar para correr, jogar beisebol, futebol, nadar no lago (há uma área para isso), andar de cavalo e de pedalinho no Serpentine. Optamos pelo pedalinho em um passeio de uma hora que valeu muito a pena e que começou com Blur passando o som com “Song 2”, “Coffee and TV” e “End of Century” (eles tocam na quinta e na sexta no Hyde Park).

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Terminamos o passeio uns 20 minutos antes das Serpentine Sessions começarem. Deu para entrar no local, pegar uma pizza grande (a mais cara de nossas vidas, 17 pounds), uma Pepsi Light e um Red Bull Cola (horrível) e, assim que conseguimos uma mesa, ouvimos ao fundo os primeiros acordes de “In The Street”, clássico do Big Star (que ficou conhecida como abertura do seriado “That 70s Show”). Fomos com pizza e tudo para a tenda, e o grupo não economizou emendando “Dont Lie To Me”, outra do debute “#1 Record (1972), e depois  “I Am the Cosmos”, do ex-parceiro (genial) Chris Bell.

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O líder Alex Chilton, gênio diminuto de terno cinza em um canto do palco, veio acompanhado do baterista original do grupo Jody Stephens mais Ken Stringfellow (ex-Posies e músico de turnê do R.E.M.) e John Auer (ex-Posies) e a plateia essencialmente grisalha vibrou aos primeiros acordes da linda “September Gurls” e em duas do obrigatório “Third / Sister Lovers” (que o xará Marcelo Orozco defendeu aqui): “Till the End of the Day” (assista a um trecho), grande cover dos Kinks, e “Thank You Friends”. Uma horinha de show para deixar corações power pop sorrindo a toa.

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Pausa para uma cerveja Tuborg, de Copenhague, na Dinamarca, uma pilsen levíssima de 4,2% que combinou bem com o sol de fim de tarde no Hyde Park. Para o show do Big Star, nem 1/4 da tenda estava lotada. Já David Kitt se apresentou sozinho acompanhado de uma bateria eletrônica num coreto improvisado apenas para fazer som ambiente, porém assim que os portões da tenda foram novamente abertos, o publico partiu para as grades para assistir ao belíssimo show do Tindersticks.

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São 12 pessoas no palco: os seis integrantes mais um sexteto de cordas que faz o coração bater mais forte em muitos momentos da noite. Stuart A. Staples, o vocalista de voz grave e jeito desesperado, comanda a orgia apaixonada cujo centro é o repertório do belíssimo “The Hungry Saw”, um dos grandes discos de 2008, mas a banda não nega seus clássicos buscando no fundo do baú coisas como “City Sickness” e “Her” (do álbum de estreia de 1993) além de “A Night In”, “She’s Gone” e “Sleepy Song”, pérolas do segundo disco (1995), e números de todos os outros álbuns.

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Stuart A. Staples falou bem pouco com a plateia, mas lamentou quando o show chegou ao fim: “Esta é a última. Para mim passou tão rápido. Não sei para vocês”. O bis, incessantemente pedido pela tenda lotada, veio com uma dobradinha do álbum ”Simple Pleasure” (1999): “Before You Close Your Eyes” e “If She’s Torn” em versões redentoras, inesquecíveis. Acabou? Não. Staples voltou para a poderosa facada final, “Tiny Tears”, outra do segundo disco da banda, que fechou com beleza rara uma apresentação irretocável, daquelas que acalmam a alma. Suspiro. Amanhã é o retorno do Blur

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Diário de Viagem: Europa 2009

julho 2, 2009   No Comments

Os shows que vamos esbarrar na viagem

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No próximo sábado, eu e Lili embarcamos para a Europa (minha segunda viagem, a primeira dela) para um mochilão de 40 dias. Já compramos ingressos para vários shows, mas hoje fui pesquisar quais são os shows que vão estar acontecendo nos dias em que vou estar em cada uma das cidades que vamos visitar. É de cair o queixo, viu. Vamos encontrar Madonna, Lady Gaga e Britney Spears em Paris, Nine Inch Nails em Roma e Madri, entre outras coisas. Ah se tivéssemos dinheiro para ver tudo…

No domingo, dia em que chegamos em Londres, tem o último dia do Hard Rock Calling, com Bruce Springsteen (Neil Young e Fleet Foxes tocam um dia antes). Como já vou ver o chefão em Roma, e vamos chegar de viagem no meio do dia arrebentados, vamos passar o Bruce. Na segunda (29/07) é a vez do Nouvelle Vague fazer um pocket na loja Pure Groove, às 18h30, e no mesmo dia começa o Serpetine Sessions, no Hyde Park, com Regina Spektor. Na terça (com ingressos sold-out) tem Bon Iver e na quarta… Tinderstiks com Big Star e David Kitt (25 pounds já gastos – \o/).

Na terça ainda tem Kings of Leon com Glasvegas na O2 Arena (já paguei meus pecados com o Kings of Leon no ano passado) e M Ward no Sheperds Bush Empire (13,50 pounds – de se pensar, hein). Kings of Leon e Glasvegas voltam ao O2 Arena na quarta, que ainda terá Crosby, Stills and Nash no Royal Albert Hall, Steely Dan no Apollo Hammersmith e Foals no The Lexington. Na quinta tem Deerholf no Concorde, e Blur no Hyde Park (ingresso comprado) num festival que ainda terá Crystal Castles, Foals, Friendly Fires, Golden Silvers e Hypnotic Brass Ensemble.

Na sexta seguimos para Paris, e no sábado de manhã vamos para Leuven, na Bélgica, (encontrar Carlos e Camila) para o terceiro dia do Rock Werchter (Nick Cave, Franz Ferdinand, Mogwai, Yeah Yeah Yeahs, Kings of Leon, Kate Perry, Social Distortion, entre outros). Voltamos domingo à noite pra Paris, que receberá Britney Spears (dias 05 e 06/07). Na terça, Nine Inch Nails faz show no Le Zénith com abertura do Mew (46 euros), Santogold no Élysée Montmartre e Leonard Cohen no Palais Omnisports de Paris-Bercy (ingresso comprado).

Na quarta tem Simple Minds no L’Olympia. A quinta terá Lady Gaga no L’Olympia, Madonna no Palais Omnisports de Paris-Bercy e Antony and the Johnsons no Salle Pleyel. Na setxa tem Erykah Badu no Le Zénith. No sábado e domingo partimos para Bruges, para assistir ao Cactus Festival (Paul Weller, Gutter Twins, Cold War Kids, Joss Stone, Calexico, Magic Numbers, !!!). Depois de passarmos por Bruxelas e Berlim partimos para Florença, que recebe o Motorhead no Fortezze, dia 16 e 17 de julho. No sábado, 18/07, tem David Byrne.

No domingo, já em Roma, tem Bruce Springsteen (ingresso comprado) e na quarta (ainda em Roma) tem Nine Inch Nails, TV on the Radio, Animal Collective e Zu no festival Rock In Roma, que acontece no Ippodromo delle Capannelle (46 Euros – ainda não comprei, massss…). De Roma seguimos para Veneza, onde o Simple Minds faz show na sexta-feira. No domingo, quando chegarmos a Barcelona, o Sepultura fará show na Sala Apolo e quarta (28/07) será a vez de Marianne Faithfull subir ao palco no L’Auditori. Então seguimos para Madrid, última perna da viagem, que terá Nine Inch Nails no La Riviera (30/07 – sold-out) e Moby. Ufa.

junho 21, 2009   No Comments

Sinal dos tempos

Como descobrir que o rock está vivendo uma fase tremendamente ruim? Simples. É só ouvir “Have You Seen Your Mother, Baby, Standing in the Shadow?”, dos Stones, para perceber que um single de 1966 que fracassou miseravelmente nas paradas naquele ano (após sete singles de sucesso dos Stones, seis deles número 1) é melhor do que 99% das coisas que foram despejadas nas prateleiras de rock nos últimos… cinco anos? É. Isso.

junho 20, 2009   No Comments

Revista Trip aposta em nove novos artistas

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Inspirada em uma capa da clássica revista Realidade de 1966, a Trip aposta em nove novos artistas essenciais da música brasileira e constata que a cena atual é quase uma orgia: todo mundo toca com todo mundo e o prazer é geral. Na capa da revista, em sentido horário, a partir do homem de terno: Rubinho Barsotti (Zimbo Trio), Jair Rodrigues, Nara Leão, Paulinho da Viola, Toquinho, Magro (MPB-4), Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. Na seleção dos Nove Novos da Trip em 2009, no sentido horário: Junio Barreto (de terno), Hélio Flanders, Thalma de Freitas, Rômulo Fróes, Ganjaman, Tatá Aeroplano, Catatau, Kassin e Céu. Leia aqui a reportagem.

junho 17, 2009   No Comments

Sobre o fim – de semana e de romances

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Uma das coisas que eu pensava ao dormir na noite de quarta era de que iria aproveitar o feriadão para dormir e descansar. Me esconder do frio com Lili debaixo de edredons. Ledo engano. É impressionante como gostamos de nos enganar. Ficar sem fazer nada é algo que me incomoda ferozmente. Adoraria ficar deitado o dia todo vendo filmes, comendo pipoca e me enrolando com a namorada (não necessariamente nessa ordem), mas quem diz que consigo.

Desta forma, assim que acordamos e percebi o sol quente pela janela, já tirei Lili da cama para tomarmos café na Padaria Boulevard (pare no balcão e peça a “Boa” com um capuccino! Seu dia vai ficar muuuuito melhor), e depois seguirmos para o centro da cidade para pesquisarmos preços de aquecedores e netbooks. Acabamos comprando o primeiro, afinal, como você sabe, a sensação térmica do meu apartamento é de 5 graus (Bianca e Fernando, vocês chegaram com o aquecedor ligado, não vale!).

No fim da tarde de quinta, várias mensagens chegaram ao celular. “Vamos beber? “. E eu: “Talvez”. “Vamos para um boteco?”. E eu: “Talvez”. Por fim acabamos indo para o Fuad jantar picanha no saralho e jogar conversa fora. Quase perdi minha cabeça quando Ligilena, do alto de sua tarde entornando vinho e da noite a base de cerveja, não se conformou em eu nunca ter assistido “ET”, e arremessou o DVD pirata de “Se eu Fosse Você 2”, que passou tirando lasca de meu pescoço. Morrer tudo bem, mas com a cabeça decepada por Tony Ramos e Glória Pires não. (hehe). Vou assistir ao filme. Prometo.

A sexta prometia. Era dia dos namorados (com direito a abrirmos a última garrafa de vinho que trouxemos de Santiago dois anos atrás), tinha uma festa mexicana para ir, show do Caetano no Credicard Hall, mas tudo se resumiu a rodar alguns sebos, conhecer a pequena (apenas 45 cm) e linda Olivia (seja bem-vinda, princesa), de dois dias, filha da Dre e do Marco, que me tirou algumas lágrimas dos olhos, e conferir o novo show de Cae mais à noite, sobre o qual escrevi aqui. Nem o vinho abrimos, mas já marcamos outra data para tirar a rolha da garrafa.

O sábado foi o dia mais corrido do feriadão. Fiquei um tempo na Velvet CDs, e depois corri para o Veloso, para encontrar vários amigos e o sensacional bife de tira (bati a foto que abre o post com a máquina da Capitu). Ficamos de 12h30 até às 19h no lugar, e bebi seis caipirinhas de cachaça (Lili diz que foram sete, onde já se viu: eu bebo, e ela que perde a conta). Deu tempo de voltar pra casa e dormir duas horas antes do esquenta para o show de Jens Lekman, no Studio SP. Eu acordei às 22h03, coloquei os pés no chão, e um amigo ligou: “Vai rolar? Tô chegando”. Levantei, caminhei até a sala e o interfone toca com outro amigo na porta.

Um tempo depois, já com o Fernando, a Bianca e os Tiagos na sala vendo DVDs do programa de Jools Holland, liga a Ligelina. “Mac, chamei um pessoal para ir ai? Tudo bem?”. Resposta afirmativa. “Mas é uma turma grande”. Outra resposta afirmativa e acho que desde o dia que abrimos a casa não havia tanta gente bacana reunida no mesmo lugar. Era uma vez três Patricia, algumas Leffe, outras Baker de trigo e felizmente alguns gostaram da cachaça forte Milagre de Minas, que eu e Lili trouxemos de Ouro Preto. Foi bem divertido.

Jens Lekman por Liliane Callegari

Já o show do Jens foi… interessante (a foto é da Lili; mais aqui). No palco, só ele (na voz belíssima e na guitarra ocasional) acompanhado do amigo Victor, que soltava via laptop a base das canções. Sim, é isso que você pensou mesmo: quase um playback. Os arranjos são lindos, alguns de chorar, mas a apresentação é quase como uma noite em uma churrascaria. Jens pode ser definido canhestramente como o Wando da Suécia. Wando, aliás, que na Virada Cultural tocou a clássica “Fogo e Paixão” acompanhado de bateria eletrônica e uma guitarra. Como Jens. “Black Cab”, “The Opposite Of Hallelujah”, “You Are The Light” e a hilária versão de “A Postcard To Nina” (com Ana Garcia, do Coquetel Molotov, traduzindo no segundo microfone) foram os grandes momentos da noite.

Domingo eu deveria ir a Taubaté visitar as três mulheres da minha vida que residem lá (a mãe Vilma, a irmã Cristiane e a sobrinha Gabriela), e tentar dar um olá para a quarta (a afilhada Amanda), mas não rolou. Minha irmã estava de mudança, e ninguém precisa de visitas em dia de mudança. Acabamos ficando em casa e fomos à tarde, na companhia de Tiago Agostini e Marina Person, conferir a sensação indie “Apenas o Fim” (assista ao trailer), longa-metragem de estréia do estudante universitário Matheus Souza, da PUC-RJ, um interessantíssimo retrato de geração cujo pano de fundo é o fim de uma história de amor (conhecido por todos aqueles, de 8 a 80, que já viveram algum romance na vida).

O roteiro assim como as boas atuações de Érika Mader e Gregório Duvivier credenciam – e muito – o filme. Lembrou-me claramente a primeira vez que li “O Clube dos Corações Solitários”, romance de estréia do amigo André Takeda, no que aquilo mais representava pra mim: alguém como eu escrevendo no terreno que já foi habitado por deuses do quilate de Rimbaud, Shakespeare e Huxley. É o velho sintoma de “não estou sozinho no mundo”, sabe. Afinal, por mais que Lygia Fagundes Telles e Vinicius tenham me traduzido dezenas de vezes em momentos especiais de minha vida, eles estão no cerne da dor, lá no fundo do âmago, enquanto Takeda e Matheus Souza mostram a timidez no olhar. Eles exteriorizam algo que só quem está vivendo a mesma época que eles consegue perceber – e rir e se envergonhar.

Já faz tempo que deixei de viver a mesma época de Matheus Souza, por isso mesmo que as referencias a coisas como Tartarugas Ninjas e Nintendo não me comovem, mas já estive tantas vezes face a face com o fim do amor que é impossível não sentir um arrepio na espinha quando observo uma história chegando ao fim. É extremamente natural que, conforme envelhecemos e passemos pela faculdade, deixemos de ser inocentes para nos transformarmos em cínicos, mas a dor do fim do amor, meu (minha) caro (a) amigo(a) continua doendo aos 12, aos 21 , aos 34 e, acredito eu, aos 50 e tantos (Caetano, sofrendo e compondo como um menino é um bom exemplo disso).

Tirando a história de amor e dor, “Apenas o Fim” ainda me assustou ao imaginar a força com que os Los Hermanos bateram na geração estudantil desta década. Eu que acredito que o “Bloco do Eu Sozinho” seja o disco dos anos 00 fico triste pela postura da banda, grandiosa demais, posada demais, em que os personagens se agigantaram ignorando a história (que eles mesmos admiravam). Como Marcelo Camelo pode se sentir grande perante a obra de Chico Buarque? Desculpe-me, mas a humildade (com H maiúsculo e dourado? – risos) deveria ser exemplo. Para mim, o sucesso do Los Hermanos foi mais maléfico do que benéfico, mas não se preocupe, é meu lado cínico reclamando do estado das coisas. Veja o filme. Leia o livro do Takeda. Jogue fora seus discos do Los Hermanos. Sonhe. E me desculpe pelo post confuso. Devo estar bêbado… ainda (risos).

Apenas o Fim - O Filme

junho 15, 2009   No Comments