Category — Música
Disco do dia: Joni Mitchell

Disco do dia: o quarto disco de Joni Mitchell, a obra prima “Blue” (1971), foi influenciado por dois fatos: o imenso sucesso do disco anterior, “Ladies of The Canyon” (1970), com canções como o single “Big Yellow Taxi” e “The Circle Game” (gravada por Ian McCulloch numa versão que postei aqui nessa semana) e um Grammy de Melhor Artista Folk, sufocou Joni, que reduziu o calendário de shows e se mudou para um local mais privativo. Na esteira do sucesso e das mudanças, seu relacionamento com o namorado Graham Nash degringolou, o romance acabou e, machucada, Joni decidiu tirar férias e se refugiar em Creta, na Grécia, onde escreveu todas as canções de seu álbum mais confessional, que serviu tanto como um desabafo particular quanto como de uma geração, que via o fim do verão do amor, a morte de grandes idolos e o começo inseguro de uma nova década. É um disco intenso, lírico e, como diz Joni, “sem nenhum vocal desonesto”. Cat Power regravou a faixa titulo, Tori Amos já cantou tanto “River” quanto “A Case of You” e a Legião Urbana, em seu “Acústico MTV”, fez uma versão para “The Last Time I Saw Richard” ![]()
julho 8, 2018 No Comments
Disco do dia: Arctic Monkeys

Disco do dia: “Tranquility Base Hotel + Casino”, o disco em que o Arctic Monkeys rompe com o passado (e com os fãs de “AM”) e se abre para um futuro promissor. Assim como o disco de Jack White, ainda tô degustando esse do Arctic Monkeys, que é bem mais fácil do que o do Jack, mas causou um alvoroço bacana deixando velhos fãs putinhos e causando umas comparações tolas. Por enquanto, tô ouvindo e curtindo…
julho 7, 2018 No Comments
Disco do dia: Jack White

Disco do dia: “Boarding House Reach” (2018), o exagerado terceiro disco solo de Jack White. Ainda estou me acostumando a ele, e gostando, mas a sensação é de que Jack White exagerou no desejo de soar estranho e chocar as pessoas…
julho 6, 2018 No Comments
Disco do dia: Ian McCulloch

Disco do dia: “Candleland”, de Ian McCulloch, lançado em 1989 logo após sua saída do Echo and The Bunnymen e com uma sonoridade que remete ao disco do Echo de 1987 (as lindas “The Game” e “Proud To Fall” são irmãs gêmeas). Elizabeth “Cocteau Twins” Frazer faz os backings líricos da faixa título e esta caprichada reedição dupla, lançada em 2012, traz 10 b-sides, duas versões da cover de “September Song” lançada por Ian em 1984, remixes e a linda versão de “The Circle Game”, canção de Joni Mitchell. O disco original, ainda em vinil, acalantou algumas centenas de noites perdidas…
julho 5, 2018 No Comments
Disco do dia: Aimee Mann

Disco do dia: “Lost in Space – Special Edition” é o quarto álbum de Aimee Mann, lançado de maneira independente por seu próprio selo, SuperEgo Records, em 2002, com essa luxuosa reedicão dupla numerada (a minha é a 613) lançada no ano seguinte. “Lost in Space” foi o disco imediatamente subsequente a “Bachelor n. 2” (2000), catapultado ao sucesso no embalo da trilha sonora (com oito músicas de Aimee Mann) do filme “Magnólia” (1999), de Paul Thomas Anderson, e flagra Aimee tentando se soltar das amarras folks, e conseguindo abrir uma fresta por onde ela seguiria carreira à frente. Dos meus discos favoritos dela!
julho 4, 2018 No Comments
Scream & Yell Vídeos: Programa 85

No Scream & Yell Vídeos número 85, mais um livro (“Carlos Viaja”, de China com arte de Tulipa Ruiz), um DVD (mais um box da série “O Cinema”, desta vez compilando seis filmes do gênio Luis Buñuel) e um CD (o segundo álbum da grande banda Maria Bacana!). Assista abaixo!
julho 3, 2018 No Comments
Disco do dia: Gui Amabis

Disco da noite: “Miopia”, quarto álbum de Gui Amabis, que surge acompanhado (novamente, assim como “Ruivo em Sangue”, o disco anterior de 2015) por Regis Damasceno (baixo), Dustan Gallas (guitarra), Samuel Fraga (bateria) e Richard Ribeiro (vibrafone). O disco ainda conta com participações especiais de Juçara Marçal, Thiago França, Rodrigo Campos e Tulipa Ruiz. São nove faixas, sete delas inéditas mais “Contravento” (parceria de Gui com Lucas Santtana que Céu registrou no álbum “Caravana Sereia Bloom”) e “O Inimigo Dorme”, música de Siba presente no álbum “De Baile Solto”.
julho 3, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 68: George Harrison

Bob Dylan com café, dia 68: No dia 01 de maio de 1970, Bob Dylan entrava no estúdio B da Columbia Records, em Nova York, para dar início ao processo de gravação de um novo disco, “New Morning”, que seria lançado em outubro do mesmo ano. Naquele dia, porém, Bob tinha um acompanhante especial no estúdio: George Harrison. “Let It Be”, o disco derradeiro dos Beatles, seria lançado uma semana depois, no dia 08 de maio, mas George – tanto quanto Paul e John – já estava dedicado a carreira solo, preparando o vindouro disco triplo “All Things Must Pass”, que sairia em novembro de 70. Bob e George estavam em pleno processo de pesquisa e construção de novos discos (George entraria no estúdio Abbey Road no dia 26 de maio para começar a gravar), mas o encontro de 01 de maio visava uma primeira grande aproximação, que aumentaria em “The Concert For Bangladesh” (1971, vídeo abaixo) e se concretizaria nos anos 80, com o Traveling Wilburys.
Em três horários de gravação (14h30 às 17h30; 18h30 às 21h30 e 22h30 às 01h30 do dia seguinte) somando 12 horas de estúdio, a dupla – escudada por Charlie Daniels (baixo) e Russ Kunkel (bateria) com Bob Johnston no teclado em três faixas – registrou 26 músicas em 37 execuções, com foco no trabalho em faixas como “Sign on the Window” e “If Not for You”, ambas com cinco takes, e “Time Passes Slowly”, tocada quatro vezes. A grande maioria do set, porém foi de relaxamento com Dylan na guitarra, piano e voz e George Harrison na guitarra e backing tocando canções de Carl Perkins (“Matchbox” e “Your True Love”), Everly Brothers (“All I Have to Do Is Dream”), Sam Cooke (“Cupid”) e Phil Spector (“Da Doo Ron Ron”) além de canções de Dylan (“Just Like Tom Thumb’s Blues”, “Gates of Eden”, “Rainy Day Women#12 & 35” e “One Too Many Mornings”, entre outras) e até “Yesterday”, de Lennon & McCartney, cantada por Bob. Era para ser uma sessão secreta, mas eis que a revista Rolling Stone que chegou às bancas no dia 28 de maio entregava o encontro dizendo que “Dylan e Harrison se deram bem, e passaram a maior parte do tempo com Dylan cantando canções dos Beatles e George cantando canções de Dylan”.
A reportagem ainda avisava que o destino do material era desconhecido, e pouco dessas sessões apareceram oficialmente nos últimos 50 anos: um dos takes de “If Not for You” marcou presença no primeiro volume (triplo) das Bootleg Series, do começo dos anos 90. Outros dois números, “Working on a Guru” e “Time Passes Slowly”, apareceram em “The Bootleg Series Vol. 10 – Another Self Portrait” (2010). E só (ainda que alguns acreditem que a versão de “Sign on the Window” usada em “New Morning” seja dessa sessão com George não creditado). Dylan continuaria trabalhando no material antes mesmo do polêmico “Self Portrait” chegar às lojas em junho enquanto George iria levar “If Not for You” e uma parceria com Dylan, “I’d Have You Anytime”, para o álbum “All Things Must Pass“. Se nunca circulou oficialmente, o conteúdo das sessões ganhou dezenas de versões em bootlegs (ainda que 14 das 37 gravações tenham sido liberadas) e é facilmente encontrável na web transformando-se num item bastante interessante para fãs (de Dylan e dos Beatles).

julho 1, 2018 No Comments
Papeando com Bruno Kayapy

Programa Passagem de Som, do SESC TV
Na companhia do guitarrista Bruno Kayapy e da chefe de cozinha Helena Rizzo, seguimos até o “Pico do Macaco”, base que sedia o grupo na cidade de São Paulo. É lá que o guitarrista nos aproxima da história da banda que foi fundada em 2004, em Cuiabá (MT), mas depois de algumas mudanças se estabeleceu em São Paulo com uma nova formação.
O Macaco Bong nasceu a partir de um coletivo chamado “Espaço Cubo”, no qual os integrantes trabalhavam. Fundado em 2002 por produtores culturais, o coletivo organizava festivais como o Calango e o Grito Rock. O álbum de estreia, “Artista Igual Pedreiro”, foi lançado em 2008 e ganhou o prêmio de melhor disco do ano pela revista Rolling Stone Brasil. Depois vieram “Verdão e Verdinho EP” (2011), “This is Rolê” (2012), “Macumba Afrocimética” (2014) e “Macaco Bong” (2016).
Já no bairro Consolação, no centro da cidade, conhecemos o espaço do curador musical Marcelo Costa. Com prateleiras de discos até o teto, Bruno Kayapy troca várias ideias com o criador do Scream and Yell, site de cultura pop dedicado a entrevistas, críticas de discos e divulgação de novas bandas. Mas é sobre o palco do Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, que os músicos trazem um pouco mais da ideia de fazer a releitura e de interpretar o álbum “Nevermind”, do Nirvana.
junho 29, 2018 No Comments
Dylan com café, dia 67: Woodstock 94

Bob Dylan com café, dia 67: Não é segredo que os produtores do primeiro Woodstock, em 1969, desejavam ardentemente a participação de Bob Dylan no festival. Porém, Dylan vivia uma fase tranquila e familiar na época (representada pelo álbum “New Morning”) e, desde o acidente de moto de 1966 (e o final antecipado e turbulento daquela turnê), evitava grandes audiências. Já em 1994, o cenário era outro. Visando festejar 25 anos do primeiro Woodstock, os organizadores foram atrás de Bob, que havia recuperado o olhar carinhoso da crítica com o excelente “Oh Mercy” (1989), mas sentia suas novas canções próprias tão frágeis que decidiu embarcar em uma série de discos de covers de countrys rurais (“Good as I Been to You”, de 1992, e “World Gone Wrong”, de 1993), ainda que o establisment pop começasse uma série de homenagens (as “The Bootleg Series” se iniciam em 1991 e o grande show “The 30th Anniversary Concert Celebration” é de 1993). Porém, feliz surpresa, Bob aceitou o convite da produção do Woodstock 1994, deu uma pausa na Never Ending Tour e preparou um show especial, que, das 12 canções, traz apenas duas músicas “recentes”: a abertura com “Jokerman” (do álbum “Infidels”, de 1983) e “God Knows” (de “Under the Red Sky”, de 1990).

Entre as outras 10 faixas, apenas clássicos sessentistas do quilate de “Just Like a Woman”, “Masters of War”, (uma versão lenta de) “It’s All Over Now (Baby Blue)”, “Rainy Day Women” e “Don’t Think Twice”, entre outras. A execução é boa, ainda que Bob, como de praxe, não exiba tanta paixão na execução. Aliás, nas três primeiras faixas, ele canta apressado, como se tivesse prestes a perder o último trem para o paraíso, mas depois e o show flui bem e agradavelmente. Registrada em diversos álbuns ao vivo de Dylan (de “Before The Flood” a “Live at Budokan”, de “Real Live” a “MTV Unplugged”), “All Along the Watchtower” surge novamente hendrixiana (Bob sempre disse que a versão de Jimi Hendrix, lançada seis meses após sua gravação original, era sua predileta e desde então toca a música no arranjo do guitarrista) num bom DVD que faz uma ponte interessante entre os demais registros ao vivo de Dylan, e que, devido ao sucesso da apresentação, abriu as portas para o “Unplugged MTV” em 1995. O homem (que nunca foi embora) estava de volta.
junho 27, 2018 No Comments

