Uma música por dia: Desintoxicação

DIA 11: “Uma música que você nunca vai enjoar”
O Último Número é uma banda de Belo Horizonte que debutou em 1986 pelo selo independente Cambio Negro com o belíssimo álbum “Strip-Tease da Alma”, que unia a poesia e o grande vocal de Gato Jair com os bons riffs de guitarra do garoto João Daniel Ulhoa, que deixaria a banda no ano seguinte para se dedicar ao grupo Sexo Explícito (e, depois, ao Pato Fu).
Reformado como um quinteto, o Último Número conseguiu superar a ótima estreia com um segundo álbum poderoso, “Filme”, de 1988. A sonoridade é mais cheia, redonda e complexa. O vocal de Gato Jair brilha na maravilhosa faixa de abertura, “Desintoxicação”, na revisão de “Ars Longa Vita Brevis II” (presente no primeiro álbum), na climática faixa título e na ótima versão de “Come Together”, dos Beatles.
“Filme” é o meu disco favorito deles. Comprei na Baratos Afins, na Galeria do Rock, em 9 de junho de 1991 e ele é o vinil número 212 da minha coleção (eu costumava, no século passado, numerar, datar e assinar meus vinis, afinal eles iriam ficar comigo a vida inteira mesmo). Desde que comprei virou disco de cabeceira, daqueles que a gente volta a eles sempre sem pensar ou planejar, simplesmente porque os ama..
Pra mim, a grande canção desse grande álbum é “Desintoxicação”, a música que abre o disco. Foi uma surpresa tão boa ouvi-la pela primeira vez naquele distante 1991. De todas as faixas do álbum (e do Último Número), essa é a minha favorita, a canção que sempre volta e que, suspeito, eu nunca tenha passado um ano sequer sem ouvi-la desde aquele 1991. Taí, uma canção que eu nunca vou enjoar.
Essa escolha é uma homenagem ao poeta, vocalista e letrista Gato Jair, que nos deixou essa semana. #RIP
“Desintoxicação”, Último Número
do álbum “Filme”, 1988
Há sempre algo que eu perco quando falo
Lua luminosa, jatos d’água e algum álcool
Há sempre algo que eu ganho quando falho
Sombras de sons, luz em arco e algum ar
Eu hoje falo fatos, vejo música
Sou feliz por respirar
Observo mais imagens
Qual é a que existe?
Qual é a mais triste?
Tudo é leve esta manhã
O pesadelo vivo não existe mais
O verdadeiro inferno ficou para trás


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