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03) “Um livro que está na fila há anos”

Livro na fila é o que mais existe em casa (risos). É sério. Imagine soltar um cara apaixonado por livros e bibliotecas que vivia no interior numa Feira da USP durante 10 anos e o que você terá é um acervo para ler até os 100 (e um pouco mais).

Nesses 25 anos de SP fui adquirindo um monte de coisas que eu sempre quis ler, e a fila foi só aumentando. Na biblioteca aqui de casa devo ter 50% de títulos lidos, e mais uns 50 “na fila” pra ler (um dia).

Porém, é possível destacar alguns:

– “Graça infinita”, de David Foster Wallace: 10 anos atrás, a Cia das Letras promoveu um bate papo na extinta Livraria Cultura do Conjunto Nacional reunindo Cadão Volpato, Daniel Benevides, André Frateschi e eu com mediação da Marcia Scapaticio sobre a literatura de Nick Hornby (um dos preferidos aqui da casa). O “pagamento” pela presença era um voucher caprichado pra gastar na livraria, e não pensei duas vezes e peguei o “Graça infinita”. Desde então, ele ficou lindo na mesa da sala durante um tempo (eu acreditava que olhar pra ele iria me fazer ter coragem de enfrentá-lo) até ser encaminhado para a biblioteca. Mas sempre penso nele. Um dia eu leio… prometo!

– A coleção (comentada) “Em Busca do Tempo Perdido”, do Marcel Proust: Essa foi adquirida nas feiras da USP entre 2001 e 2010. Li na adolescencia “No caminho de Swann” e, como era de se esperar, passei anos pensando nele (vez em quando surge um flashback). Mas taí outro livro que necessita de foco e uma dedicação extrema que, nesses tempos de correria, anda difícil por aqui. Mas vai rolar! Um dia…

– “O som e a fúria”, de William Faulkner: existem livros que te metem medo?? Taí um que me “assusta”. Mesmo assim comprei… uns 20 anos atrás. Sempre ensaio de pegá-lo, mas outra coisa surge na frente “inesperadamente”…

O “2666” do Roberto Bolaño também era pra estar aqui, mas não o achei na biblioteca, só que não há como não acha-lo pq ele fica te encarando com aquela lateral imensa, então a Lili (que corajosamente comprou e leu!) deve ter emprestado. Ela falava tão empolgada dele nos meses que leu que eu sempre quis ler e deixei numa filinha na memória…

Meus “20” livros

janeiro 29, 2025   No Comments

02) “Um livro que marcou a sua adolescência”

Na adolescência (quase todos) somos apaixonadamente fatalistas, sofrendo por coisas que, anos depois, podem nos fazer rir. Ainda assim, você já teve a sensação de estar em um buraco depressivo impossível de sair? E, de repente, alguma coisa te tira de lá? Às vezes é um fato familiar, outras é uma paixonite (que pode ser duradoura ou mesmo passageira, daquelas de uma semana, o que basta para te lançar numa próxima fase), ou um disco, ou um filme ou… um livro.

“O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, foi responsável por me tirar da depressão na adolescência, lançando luz aonde só havia uma vasta escuridão… Deve ter alguma explicação além de ser um livro sobre um cara depressivo viciado em álcool, Goethe e Mozart que encontra a luz (Hermínia), mas o fato foi que mergulhei na história e saí dela de outra maneira. E até hoje agradeço por ter lido “O Lobo da Estepe” (1927) antes de “Demian” (1917), que eu tb amo, pois o efeito poderia ter sido outro.

Depois aconteceu o que sempre acontecia comigo na adolescência: apaixonado por um livro, eu devorava absolutamente tudo do escritor, e vários livros dele permanecem na minha estantes (tenho uma paixão por “Caminhada” e outra história para contar sobre “Sidarta”, mas mais pra frente)….

Meus “20” livros

janeiro 28, 2025   No Comments

01) “Um livro que marcou a sua infância”

Bem, muitos amigos citam a Série Vaga-Lume, que incrivelmente passou batido por mim (sim, eu nunca li “O Escaravelho do Diabo”), mas os primeiros volumes da coleção “Para Gostar de Ler” foram o meu primeiro vício literário real. Como eu amava!

Tem coisa mais incrível pruma criança que “Continho”, do Paulo Mendes Campos:

“Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:
– Você aí, menino, para onde vai essa estrada?
– Ela não vai não: nós é que vamos nela.
– Engraçadinho duma figa! Como se chama?
– Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.”

São cinco crônicas de cada escritor, textos curtos, hilários, inteligentes, espertos. Desse primeiro volume, meus textos favoritos são “Hora de Dormir”, do Fernando Sabino, o sensacional “Quero Lasanha”, de Drummond, e o antológico “Recado ao Senhor 903”, de Rubem Braga. Depois dele, fui atrás dos outros da coleção e eles abriram as portas para livros de cada um dos escritores, e de seus pares.

Agora é hora de ir atrás dos demais volumes pra apresentar ao meu pequeno que está começando a ler…

Meus “20” livros

janeiro 27, 2025   No Comments