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Category — Literatura

Download: Livro ‘Cidade Sonora’

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Baixe o livro “Cidade Sonora”, que conta com a participação de Emicida, Romulo Fróes, BNegão e mais 25 artistas. Download aqui

dezembro 31, 2012   No Comments

Download: o livro de André Midani

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Menos de três meses após seu lançamento, o livro “Música, Ídolos e Poder: do vinil ao download”, de André Midani, foi retirado das livrarias por ordem judicial. A família de Enrique Lebendiger, ex-dono da RGE, exigiu que o livro fosse recolhido, pois Midani descreveu Lebendiger como uma “figura exótica que não tinha capacidade nem seriedade profissional para acompanhar a carreira de um profissional do calibre de Chico Buarque”.

A editora Nova Fronteira tentou um acordo com a família de Lebendiger, mas o processo culminou na censura do livro. André Midani, por sua vez, criou um site e disponibilizou gratuitamente “Música, Ídolos e Poder” para download. “Podem ler… Podem baixar… Podem fazer o que quiserem, se quiserem, quando quiserem”, escreveu. O livro foi primeiro disponibilizado por capítulos, mas agora já se encontra em um arquivo único para download.

André Midani é um dos nomes mais importantes da indústria fonográfica brasileira dos anos 60 aos 90. Quando criança, esteve na Normandia em 1945 durante o desembarque das tropas aliadas no famoso “Dia D”. Depois veio ao Brasil, quando começou a trabalhar com música (oficio que ele já seguia em Paris antes de baixar na América do Sul) e se envolveu com a Bossa Nova, com a Tropicália e com os maiores nomes da música brasileira no período.

Uma policial mexicana, de posse de seus documentos, certa vez comentou: “Uma pessoa nascida na Síria, com passaporte brasileiro, que mora em Nova York, que vem de Medelím e passa pelo México, que diz trabalhar com música, e que fala espanhol com sotaque francês… não pode ser uma pessoa confiável!”. Como define Zuenir Ventura na introdução o livro, “Do vinil ao MP3” é uma espécie de Google da MPB moderna.

Download: http://www.andremidani.net/

Ps. Ainda vale citar a grande entrevista que André Midani concedeu à Folha de São Paulo em 2003 falando abertamente sobre jabá e explicando o caso Abril Music, que praticamente sepultou a música brasileira (leia a entrevista na integra aqui). Você, que está terminando a faculdade e precisa de um tema para o seu projeto de conclusão de curso (o TCC), tai uma bola quicando. É só rolar para as redes.

Ps2: em 2015, o livro virou um série imperdível da GNT. É possível assistir online aqui (clientes NET, Now, GVT, Sky, Claro HDTV, Multiplay, Vivo e Globosat)

dezembro 28, 2012   2 Comments

Balanço 2012: 16 livros em 12 meses

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Eu até achava que era mais, mas ainda assim estou feliz. Fazia um bom tempo que eu não lia tanto. Ok, comecei o espetacular “O Resto é Ruído” no meio de outubro de 2011, e só acabei em janeiro (e vou reler um dia!). Dali em diante tudo fluiu. Li os dois livros da Jennifer Egan em questão de semanas (e me apaixonei pelos dois). Gostei muito das conversas de Martin Scorsese com Richard Schinkel e achei que Howard Sounes pegou pesado demais com Paul McCartney (relevando isso, o livro é bom).

Reli Tony Parsons, Rainer Maria Rilke (após visitar o castelo de Duíno, na Itália) e Shakespeare e devorei mais de metade de “A Mesa do Mestre Cervejeiro”, de Garrett Oliver (esse tem que ser com calma). No quesito musical, “Vida”, de Keith Richards, foi o campeão, mas “Mick Jagger”, de Philip Norman, perdeu por pouco. E ainda vou escrever sobre o furacão Banksy, um dos caras que mais admiro no mundo hoje. Eis os 16 livros que me acompanharam em 2012:

– “O Resto é Ruído”, Alex Ross
– “A Visita Cruel do Tempo”, Jennifer Egan
– “O Torreão”, Jennifer Egan
– “Sexo na Lua”, Ben Mezrich
– “Conversas com Scorsese”, Richard Schinkel
– “A Intimidade de Paul McCartney”, Howard Sounes
– “Disparos do Front da Cultura Pop”, Tony Parsons
– “Elegias de Duíno”, Rainer Maria Rilke
– “Comédias”, Shakespeare
– “A Mesa do Mestre Cervejeiro”, Garrett Oliver
– “Vida”, Keith Richards
– “A Deusa do Amor”, Rita Hayworth
– “Autobiografia”, Neil Young & Crazy Horse
– “Guerra e Spray”, Banksy
– “Mick Jagger”, Philip Norman
– “A Ira de Nasi”, Mauro Betting e Alexandre Petillo

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Leia também:
– Sobre Scorsese e filmes que salvam almas, por Mac (aqui)
– Martin Scorsese, eu e a morte, por Marcelo Costa (aqui)
– Keith Richards: Gostar ás vezes é melhor do que amar (aqui)
– Marianne Faithfull: Drogas, Sexo e Mick Jagger (aqui)
– “O minimalismo e o rock and roll”, trecho de “O Resto é Ruído” (aqui)
– Neil Young propõe passeio por seus vícios, paixões e medos (aqui)
– “Disparos do Front da Cultura Pop” é aula de jornalismo cultural (aqui)
– Leia o primeiro capítulo de “Guerra e Spray”, de Banksy (aqui)
– Keith Richards, Rolling Stone Alone (aqui)
– Gram Parsons por Keith Richards no livro “Vida” (aqui)

dezembro 24, 2012   No Comments

Download: Mojo Book Doolittle

Clique na imagem com o botão direito e “salvar como”

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Em janeiro de 2007 escrevi uma história inspirada no disco “Doolittle”, do Pixies. O livro foi disponibilizado para download no site da Mojo Books, e esgotou duas edições de downloads – ficando fora de catálogo. Quem ainda não tinha, pode pega-lo agora aqui. A Mojo é uma editora 100% digital. Sua proposta é simples: Se música fosse literatura, que história contaria? Para ver todos os livros que lançados, clique aqui.

novembro 22, 2012   1 Comment

Gostar ás vezes é melhor do que amar

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 “O que resta pra você fazer numa idade em que a maioria da população adolescente de todos os lugares decidiu que você é o cara? A oferta era incrível. Seis meses antes eu não achava ninguém para transar – tinha de pagar, se quisesse muito.

Uma hora não existe mulher nenhuma para mim no mundo. Não tem jeito, elas só ficam no ‘bla bla bla bla’. No instante seguinte, ficam rodeando você sem parar. E então você fica: uau! Quando troquei o desodorante, as coisas definitivamente melhoraram. Então é isso que elas querem? Fama? Dinheiro? Ou é pra valer? E, claro, como você nunca teve chance com mulheres bonitas, começa a ficar desconfiado.

Fui salvo mais vezes por mulheres do que por homens. Às vezes, só um leve abraço e um beijinho, sem mais nada. Só me mantenha aquecido por essa noite, só um segurando a onda do outro enquanto as coisas estão difíceis, quando está tudo uma dureza. E eu digo: “Porra, por que você está se importando comigo quando sabe muito bem que sou um filho da puta e amanhã vou dar no pé?”. “Não sei. Acho que vale a pena”, ela diz. “Bom, não vou ficar discutindo”. A primeira vez que isso rolou foi com uma turma de mocinhas inglesas em algum lugar no Norte, naquela nossa primeira turnê (1961/1962). Depois do show você vai para o bar ou para um pub, e do nada acaba no quarto do hotel com uma garota muito, muito legal, que está indo fazer faculdade em Sheffield, estudar Sociologia e sei lá o que, e que decidiu ser especialmente legal com você. “Achei que você fosse uma moça esperta. Eu sou guitarrista. Só estou de passagem”. E ela diz: “É, só que eu gosto de você”. Gostar ás vezes é melhor do que amar.

No final dos anos 50, os adolescentes eram o novo mercado visado pela publicidade. Teenager é um termo inventado pela publicidade, uma expressão bem calculista. Ao chama-los de teenagers foi criado todo um movimento entre os adolescentes, uma espécie de autoconsciência, que originou um mercado não só para roupas e cosméticos, mas também para música e literatura e tudo mais. Essa faixa etária acabou sendo etiquetada à parte. E houve uma verdadeira explosão, um lote inteiro de púberes quebrando a casca do ovo e brotando naquela época. Beatlemania e Stonemania. Aquelas eram justamente as meninas que estavam morrendo de vontade de viver alguma outra coisa. Quatro ou cinco sujeitos magrelos ofereceram a válvula de escape, mas elas a teriam encontrado em qualquer outro lugar.

Nunca me esqueço do poder das adolescentes de treze, catorze, quinze anos, quando elas estão em bando. Elas quase me mataram. Nunca senti tanto medo de perder a vida como quando me vi cercado por adolescentes. Elas me esganaram, me rasgaram as roupas, a carne, e quando o bando entra nesse nível de frenesi, é difícil descrever, expressar o quanto é aterrorizante. Os policias fugindo apavorados, e então resta só você diante da carnificina que essas emoções descontroladas podem causar. Acho que foi em Middlesbrought. Eu não conseguia entrar no carro. Eu tentava entrar e aquelas malditas me arrancavam os pedaços. O problema é que quando pegam você, não sabem o que fazer. Quase me estrangularam com um colar, uma ficou agarrada nele de um lado, a outra puxando o colar do outro, “Keith, Keith”, e enquanto isso me esmagavam. O motorista entrou em pânico. O resto dos caras já tinha entrado no carro e ele simplesmente decidiu que não estava a fim de esperar. Fiquei ali, sozinho no meio daquela aldeia de hienas desvairadas. A próxima coisa que me lembro é de que acordei num beco perto da porta de acesso ao palco, porque evidentemente os policiais tinham tirado as pessoas. Eu tinha desmaiado por sufocação. Elas todas estavam em cima de mim: “O que vocês querem de mim agora que me pegaram?”.

Lembro de uma cena de contato real com essas meninas, um momento completamente inesperado, uma vinheta. O céu está carregado, dia de folga! Subitamente despenca uma tempestade. Do lado de fora do hotel vejo três fãs das mais fanáticas. O penteado bufante delas está sucumbindo sob a força das águas, mas elas não saem de lá. O que o pobre músico pode fazer? “Entrem aqui, meninas”. Meu cubículo está agora entupido com três garotas encharcadas. Elas soltam vapor, tremem. Ensopam meu quarto. O penteado das três, um desastre. Elas estão tremendo por causa da tempestade e porque estão no quarto de seu ídolo. Reina a confusão. Uma coisa é tocar do palco para elas, outra é ficar cara a cara. Toalhas se tornam uma coisa muito importante, assim como o banheiro. Elas fazem uma precária tentativa de se ressuscitar. Todos nervosos, tremenda tensão. Eu lhes ofereço café temperado com bourbon, mas não há nem vestígio de sexo no ar. Ficamos sentados conversando e rindo, até o céu limpar. Eu chamo um taxi para elas. Despedimo-nos como amigos.”

Trecho de “Vida”, autobiografia imperdível de Keith Richards lançada no Brasil pela Editora Globo (mais infos aqui)

agosto 2, 2012   No Comments

A intimidade de Paul McCartney

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Terminei ontem o meu sexto livro de 2012. “A Intimidade de Paul McCartney”, de Howard Sounes, se junta à listinha que já tem “O Resto é Ruído”, do Alex Ross, “A Visita Cruel do Tempo” e “O Torreão”, de, Jennifer Egan, “Sexo na Lua”, de Ben Mezrich e “Conversas com Scorsese”, de Richard Schinkel (além da releitura do primeiro volume de comédias de Shakespeare). 2012 está rendendo, ao menos para leitura.

Gostei bastante de “A Intimidade de Paul McCartney”. Já tinha aprovado a prosa rápida de Howard Sounes na ótima “Bob Dylan, A Biografia”, e nesta versão beatle, o jornalista vai muito além dos outros livros que pretendem rememorar os fab four. Claro, há bastante pimenta e fofoca de bastidores no livro, além do julgamento de Sounes ser bem pesado com Paul McCartney, embora ele tente relevar isso nos agradecimentos.

“Eu não tinha a intenção de critica-lo nem glorifica-lo excessivamente em sua carreira”, argumenta o jornalista. “Tentei contar a história épica de sua vida de modo verdadeiro e justo”, contemporiza. A justiça, porém, é diferente para cada pessoa, e Sounes pesa a mão em diversos momentos, como por exemplo quando esculacha (com certa razão e raríssimas exceções) quase toda produção musical solo do ex-beatle.

“A Intimidade de Paul McCartney” é um livro para ser lido com bastante cuidado, porém, tem muitos méritos. Traz histórias interessantes dos tempos dos Beatles que foram vetadas tanto na biografia (chapa branca) de Paul, “Many Years From Now”, de Barry Miles, tanto quanto no “Anthology”, mas seu maior mérito é dividir a vida de McCartney em duas fases: Beatles e carreira solo (o Paul pós Beatles é praticamente ignorado em “Many Years From Now”).

Sounes baixa a guarda com respeito (e chega a emocionar, embora solte uma ou outra farpa nas entrelinhas) no capítulo que relembra a morte de Linda e esmiúça o trágico casamento com Heather Mills, com a facilidade do acesso público aos documentos do divórcio, 68 páginas que escancaravam a vida de Paul (listando todas as suas propriedades, todo seu dinheiro e cenas do cotidiano do ex-beatle que viraram festa nos tabloides ingleses).

Fãs até devem ficar ofendidos com a pena afiada de Sounes (que pega pesado em algumas comparações com Dylan, por exemplo, quando diz que Bob, “no melhor de seus momentos, é um homem profundo, enquanto Paul, no melhor, é apenas um bom compositor – e um letrista medíocre”, ou quando esmiúça a fixação por Paul em viver do passado e continuar tocando as canções do mesmo modo de 50 anos atrás nos shows atuais, enquanto Dylan opta por recriar seu repertório toda noite), mas o saldo é bastante positivo.

Abaixo, um dos trechos hilários do livro, que, de certo modo, exibe o poder de sedução de Paul McCartney (como se suas canções já não bastassem pra isso)…

“Paul não divulgou suas experiências com a cocaína e a heroína à imprensa em 1967, isso aconteceu 30 anos depois. O pouco que ele relatou sobre ter usado LSD causou polêmica suficiente em uma época na qual os jornais estavam cheios de matérias sobre astros pop e pessoas próximas a eles presos por uso de drogas. Um amigo fotógrafo dos Beatles, John ‘Hoppy’ Hopkins, foi preso por posse de maconha no dia em que ‘Sgt Peppers’ foi lançado. Além disso, a batida policial na casa de campo de Keith Richards levou Robert Fraser, Keith e Mick Jagger a sentenças de 6, 12 e 3 meses de prisão, respectivamente. Os Stones foram soltos mediante fiança em poucos dias, esperando o julgamento do recurso, mas Fraser cumpriu quatro meses. Embora a intelligentsia considerasse as sentenças injustas, o editor do Times escreveu um elogiado editorial que ajudou os Stones a ganhar o recurso – havia uma sensação de que a policia, mancomunada com os tabloides, estava em busca do maior prêmio de todos: prender um beatle. A confissão sobre o LSD de Paul causou estranheza em John, George e Ringo, que se viram assunto de escrutínio indesejado sobre o uso de drogas, com a ironia de que Paul fora o último entre eles a experimentar ácido. ‘Pareceu estranho para mim’, comentou George anos depois para o documentário ‘Anthology’, “porque estávamos tentando fazê-lo tomar LSD havia mais ou menos um ano e meio – e um belo dia lá estava ele na televisão falando sobre isso”. Com essa declaração, George pareceu sugerir que Paul desejava atenção.

Em Liverpool, os McCartney ficaram preocupados com a noticia de que o membro famoso da família estava usando drogas. Tia Ginny convocou uma reunião de família para discutir a situação, o que a levou ao sul para resolver tudo pessoalmente com o sobrinho. ‘Então ela foi à Londres ficar com Paul’, conta o parente Mike Robbins. ‘Cerca de cinco ou seis dias depois ela voltou, e todos nos reunimos – eu vou lembrar disso para sempre – em sua pequena casa em Mersey View. A família perguntou se Ginny conseguira vê-lo, e a senhora de 57 anos tirou um baseado da bolsa de mão e perguntou, de maneira sonhadora: ‘Vocês já experimentaram um desses?’. A parentada acendeu e fumou a erva. ‘Rimos feitos uns doidos’, revela Mike. ‘Essa era a Tia Ginny’”.

E esse era Paul McCartney. Muito prazer.

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Paul McCartney na Ilha de Wight / Foto: Marcelo Costa

Leia também:
– Sobre Scorsese e filmes que salvam almas, por Mac (aqui)
– Martin Scorsese, eu e a morte, por Marcelo Costa (aqui)
– Jennifer Egan manipula o leitor em “O Torreão”, por Mac (aqui)
– “Sexo na Lua”, de Mezrich: sem a sorte de Zuckerberg, por Mac (aqui)
– “O minimalismo e o rock and roll”, trecho de “O Resto é Ruído” (aqui)

julho 19, 2012   No Comments

Grandes pausas do rock and roll

O vídeo abaixo é autoexplicativo, porém vale dizer que é um capítulo de “A Visita Cruel do Tempo”, grande livro da escritora Jennifer Egan. O blog da editora Intrinseca preparou outras derivações interessantes do livro, como uma mixtape para o personagem Bennie Salazar (uma aula de punk rock) que pode ser baixada aqui, alguns extras muito interessantes do livro aqui e uma lista com alguns dos livros preferidos da escritora aqui. Ela chega ao Brasil para a FLIP 2012, que começa hoje.

julho 4, 2012   No Comments

Caleidoscópicas, de Dulce Quental

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Entre 2005 e 2008, Dulce Quental assinou no Scream & Yell mais de 40 textos abrigados sobre o chapéu “Caleidoscópicas”. Depois a coluna virou blog no iG, e ela seguiu seu caminho pelas ruas da internet. Boa parte dessas colunas (e algumas extras) estão presentes no livro que ela lança agora, cujo prefácio assino orgulhoso. O livro pode ser encomendado com Dulce via Facebook. E, nesta semana, pode ser adquirido pessoalmente por quem for assistir ao bate papo com ela na V Jornada Internacional de Mulheres Escritoras”: Dulce Quental palestra no dia 23/05 com o tema “A Voz do Autor” no auditório do Sesc Consolação e depois no dia 25/05 em São José do Rio Preto . Como estarei no Velho Mundo, compareçam e deem um abraço nela por mim! : D

maio 20, 2012   No Comments

Martin Scorsese, eu e a morte

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Foto: Marcos Pacheco

Comecei nesta semana a ler o quarto livro do ano, o que por si só já é um recorde de muitos anos. Ok, estou roubando um bocadinho na conta. Terminei o obrigatório “O Resto é Ruído”, do Alex Ross, em janeiro, mas comecei a ler mesmo em setembro ou outubro, quando voltei a pegar metrô e trem para o trabalho, o que trouxe a leitura de volta ao meu cotidiano (faço parte do grupo de pessoas que não pode ler em ônibus nem carro – enjoo na certa).

O segundo livro foi “A Visita Cruel do Tempo”, romance magnifico de Jennifer Egan. Agradeço imensamente à Ana Carolina, da Intrinseca, por ter me enviado o livro. O Gabriel já tinha recebido um para resenhar para o site (aqui), mas a Ana mandou assim mesmo um para mim. Nas entrelinhas, um “você precisa ler isso”. Obrigado, Ana. Egan me pegou de jeito. No meio da correria não calculei todo o impacto do livro sobre mim, mas foi forte, beeeem forte.

Sobre o terceiro, “Sexo na Lua”, de Ben Mezrich (o mesmo autor de “Bilionários por Acaso”, que originou o filme “A Rede Social”), falo um pouquinho mais em resenha (curta, mas direta) para uma revista (quando sair aviso aqui). E, então, comecei o meu quarto livro de 2012, “Conversas com Scorsese”, do crítico e documentarista Richard Schinkel, edição da Cosac Naify que segue o modelo do ótimo “Conversas com Woody Allen”, de Eric Lax.

Assim como Lax, Schinkel conheceu seu “objeto de estudo” no começo dos anos 70. Eric Lax conheceu Woody em 1971 (e as entrevistas começaram em 1973) enquanto Richard Schinkel convidou um amigo para uma projeção em casa de “Jejum do Amor” (1940), de Howard Hawks (“Uma das melhores de todas as comédias românticas”, grifa o crítico), e esse amigo trouxe Marty. A amizade seguiu, mas as entrevistas do livro começaram a ser feitas apenas em 2004.

“Acredito, de fato, que a coisa mais importante que descobri sobre Marty foi o poder que o passado exerce em seu trabalho”, conta Schinkel no prefácio. “Estou falando, por exemplo, da forma como a violência se apresenta em seus filmes. Ela aparece tão de repente. Raramente existe uma preparação para ela. Ele quer que fiquemos tão chocados – e tão atentos – como ele foi um dia (em Little Italy). É a assinatura gravada de sua sensibilidade”, analisa.

Estou apenas no começo do livro (página 60 de quase 500), mas me impressionou como o medo era um integrante vivo da rotina de Scorsese quando criança, uma criança asmática, o caçula de uma família numerosa que vivia em um apartamento de dois cômodos e meio numa rua do bairro italiano (e mafioso) de Nova York – e que conseguia um pouco de paz apenas dentro de um cinema e da igreja (ele foi coroinha e cogitou ser padre).

Impressionado com a quantidade de vezes que Marty usa a palavra “medo” (ou equivalentes) em 30 páginas (as que tratam de sua infância em Little Italy), comecei a rememorar minha própria infância, olhar para trás para identificar algum sentimento, algo que tenha ficado para trás (análises, ahh, a idade – risos). Não é questão de comparar, apenas uma curiosidade sobre si mesmo, mas óbvio que a minha infância foi bem mais calma que a do cineasta.

Ainda assim me lembrei de algo que tomou boa parte dos meus primeiros anos – não sei ao certo de quando a quando, mas me parece algo entre os quatro até os seis (talvez mais tarde, não sei). Mas durante meses (ou anos) eu deitava na cama e me via… morto. Ok, não me via, mas via o caixão, e sabia que eu estava lá. E sabia que era um eu velhinho, ou seja, não era uma preocupação de “posso dormir e não acordar”, mas sim uma preocupação… futura.

A vida era leve nessa época (pais exigentes e carinhosos, futebol com a molecada na rua, não tenho lá tantas memórias até a primeira série, aos 6 anos, quando a vida realmente “começa”), e não sei de onde esse sonho surgiu, e porque me acompanhou tanto tempo, mas um dia do nada ele foi embora (provavelmente trocado pela paixão pelo futebol, ou por uma das meninas da sala de primeiro ano, ou, claro, por uma das professoras de catecismo – tão óbvio). Dos sonhos estranhos…

Voltando a Scorsese (e 2012), já estou fazendo um planejamento mental de filmes para ver nos próximos dias. Amo o tristíssimo e dolorido “A Época da Inocência” (1993), embora não o veja desde os anos 90. Marty fala muito de “Os Infiltrados” (2006) no começo do livro, e deu vontade de revê-lo, assim como alguns do começo da sua carreira que nunca vi – “Quem Bate à Minha Porta?” (1968), “Caminhos Perigosos” (1973) e “Alice Não Mora Mais Aqui” (1974).

Outro que até tenho na estante e nunca assisti é “O Rei da Comédia” (1983), mas quero mesmo rever “Gangues de Nova York” (2002 – na época gostei tanto que escrevi isso aqui). Revi “Goodfellas” mês passado, e “A Cor do Dinheiro” (1986), “Taxi Driver” (1976) e “Cassino” (1995) estão fresquinhos na memória (revi os três em 2011). Já “A Última Tentação de Cristo” (1988) me venceu duas ou três vezes…

A leitura está rendendo como há tempos não rendia. Mas ainda tenho os dois Jonathan Safran Foer na fila (e a Nicole Krauss também), comprei a coleção “O Tempo e o Vento”, do Érico Verissimo, para reler (um dos meus livros preferidos desde sempre) e ainda tenho “Escuta Só”, do Alex Ross e muitos outros me olhando na estante (Shakespeare e Oscar Wilde pedem atenção e ainda tem os quatro volumes do… Marcel Proust). Devagar e sempre.

Leia também:
– Leia o 1º capítulo de “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan (aqui)
– “O minimalismo e o rock and roll”, trecho de “O Resto é Ruído” (aqui)
– De Luis Buñuel para Erasmo Carlos (aqui)
– De volta ao mundo de Rob Fleming (aqui)
– Os filmes prediletos de Woody Allen: 15 americanos, 12 europeus (aqui)
– Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (aqui)
– “Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens”, Woody Allen (aqui)

março 20, 2012   No Comments

1º capítulo: A Visita Cruel do Tempo

Leia também:
– Gabriel Innocentini escreve sobre “A Visita Cruel do Tempo” (aqui)

fevereiro 14, 2012   No Comments