Category — Entrevistas
Entrevista: balanção de 2014 pro CMAIS
O Felipe Tringoni, que edita o Cultura Mais, me ligou no começo do ano e batemos um longo e prazeroso papo sobre shows, festivais, Prata da Casa, melhores do ano e outras coisas. O resultado está no site do CMAIS, com vários trechos em áudio. Como de costume, falo demais, mas o Felipe conseguiu compilar de maneira bacana o material todo. Leia (e ouça) aqui.
janeiro 8, 2015 No Comments
Onde a boa música sobrevive em SP

Hoje no Guia da Folha, um especial muito bacana assinado pela Natália Albertoni sobre espaços culturais em São Paulo. No total, a reportagem lista 17 lugares da cidade. Dou meus pitacos indicando alguns endereços. Leia online.
novembro 28, 2014 No Comments
Prata da Casa na Globonews
setembro 28, 2014 No Comments
15 respostas sobre Bizz e jornalismo
“Eu estou me formando em jornalismo e a ideia do meu TCC é escrever um livro sobre a história da revista Bizz – para isso quero entrevistar jornalistas, leitores e algumas bandas que fizeram parte dela”, Gabriela
Eu começo meu livro falando das vantagens de ter sido jovem durante os anos 80. Você concorda que foi uma juventude bem diferente de hoje? Acha ela melhor de alguma forma? Por quê?
Foi diferente, mas isso não quer dizer que foi melhor ou pior, apenas que aconteceram coisas naquele período diferentes das de outro. Estávamos saindo de uma ditadura e vivendo um momento de abertura política; os yuppies estavam em ascensão; o futebol brasileiro começou aquela década como o melhor do mundo e terminou de forma vexatória (nesse caso, e eliminação precoce da equipe de Lazaroni em 1990 não foi tão marcante quanto os 7 a 1 que a seleção do Felipão amargou); havia, de certa forma, muita expectativa e esperança pelos anos futuros; aids e internet estavam começando a se proliferar, e, cada uma a seu modo, a mudar as relações das pessoas; ainda assim não acho que tenha sido uma juventude melhor ou pior do que agora: cada época tem suas particularidades e, muitas vezes, as pessoas tendem a deixar que a nostalgia valorize determinado período, mas nunca vou achar que jogar futebol na rua com os amigos, como eu fazia, seja melhor ou pior do que a molecada que passa o tempo livre jogando videogame dentro de casa. A sociedade passou séculos buscando maneiras para ocupar o tempo livre, e parece que agora encontrou uma forma bastante interessante. Se eu pudesse voltar ao passado e escolher, continuaria jogando bola no campinho de terra do fim da minha rua (é a minha nostalgia), mas também ia querer ter um computador…
Como foi pra você ser jovem naquela época? Você frequentava as danceterias? Como conhecia as bandas da época?
Para mim foi especial crescer num momento de abertura política em que o rock foi escolhido como válvula de escape por um povo que passou 21 anos silenciado pela ditadura. E eu não só ia a danceterias como organizava bailinhos com amigos (um deles era mestre em criar jogos de luzes mirabolantes) e rodava a cidade tocando discos, na função de DJ mesmo, e conhecia todas as bandas, até as mais independentes, mas isso em Taubaté, uma cidade que (mesmo entre Rio e São Paulo) parecia longe demais das capitais…
Por que acha que o Brasil precisava de mais uma revista de música em 1985? O que significou para o país o surgimento da Bizz?
Na verdade, um grupo de pessoas percebeu a ascensão de um público que estava interessado em consumir música, mas não só discos, informações também. E o primeiro Rock in Rio já era um sinal disso (sem contar que já havia outras revistas de música no mercado, como a Som Três, que era de instrumentos, mas também tinha reportagens; acho que a Roll é dessa época também). O surgimento da Bizz, no entanto, significou o nascimento de um novo modelo de jornalismo cultural, mais aprofundado, especializado e interessado em abastecer o público com novidades. A primeira fase da Bizz é exatamente isso: pegar grandes ícones do rock e apresenta-los ao público sem aspas, sem entrevistas, quase uma biografia da banda mesmo.
Com quantos anos você começou a ler a revista? Por que você lia ela, o que te atraia?
Comecei a ler com 15 anos, ou seja, no ano em que ela foi lançada. Eu já era interessado por música, tinha os bailinhos, já comprava os meus discos desde o meu primeiro emprego, um ano antes, já lia a Ilustrada, da Folha de São Paulo. A Bizz me atraia porque ela ampliava o leque de informações que eu tinha sobre artistas que eu já conhecia, mas sabia pouco, tanto quanto fazia me interessar por novos.
Você tinha uma seção preferida? Qual e por quê?
Sempre gostei da seção de Resenhas, da Discoteca Básica e do Entrevistão, clássicos das primeiras edições. Mais pra frente fui um fã da seção Zona Franca. Gostava da seção de Resenhas porque me mostrava uma maneira diferente de olhar para um disco, mesmo quando eu não concordava (e isso acontecia bastante). A Discoteca Básica era a seção de clássicos, discos que eu nem sabia que eu tinha que ouvir, mas tinha! O Entrevistão era interessante porque era mais profundo enquanto a Zona Franca surgiu num momento pré-internet e alertava sobre coisas que poderia ser muito interessante ir atrás.
Você ainda lia a revista na época da “Showbizz”? Acho que essa fase da revista foi muito cruel com os leitores e com a própria revista (a quebra da marca foi algo muito bizarro também). Muitos culpam o surgimento da música eletrônica pelo fim da Bizz e início da Showbizz. A revista não soube acompanhar o estilo, já que era uma música “sem rosto”. Você também acha que o erro começou por ai?
Como eu não estava na redação fica difícil avaliar uma mudança dessas. Para mim, claro, foi um choque: a mudança do nome, do logo, a adoção do formato tabloide, mas algumas das seções continuaram boas como sempre foram, por isso continuei comprando e lendo.
O quanto você acha que uma revista pode mudar por conta da indústria musical? Qual o papel da indústria na manutenção da revista?
A indústria é uma parceria sem ser parceria da revista. Da parte dela espera-se que ela abasteça o mercado de artistas interessantes que possam ser temas para a revista. Se a indústria não tem ninguém interessante, a revista não tem porque existir, ou então vai ter que apelar para o passado.
Você acha que houve uma “caretice” do jornalismo musical? É difícil achar algum lugar que publique textos tão doidos e engraçados como os da Bizz.
O jornalismo musical sobrevive nos blogs. Além disso, a internet nos permitiu ter acesso a cadernos de cultura espetaculares como o do New York Times, do Guardian e do El País, assim como veículos interessantes como a Pitchfork. Lógico, eles falam 0,01% de música brasileira, mas, atualmente, a música brasileira que importa não vende revistas, então fica difícil manter uma revista como a Bizz.
Você acha que as críticas musicais ainda têm seu papel? Na Bizz elas não eram tão chapa branca como hoje. Por quê?
As críticas continuam tendo um papel importante sim, até porque o crítico também atua como curador: ele está ali atento às centenas de discos que caem na web e são lançados mensamente e escrevendo sobre aqueles que ele acredita que o público deve dar atenção, porque as pessoas comuns não tem tempo para irem atrás de todos os lançamentos. Quanto a chapa branca, existem veículos e veículos: é complicado comparar a Bizz com publicações de linha mais conservadora, menos anárquica. Ainda assim, na web brasileira já existiram sites extremamente ácidos no que diz respeito à crítica, muito mais do que a Bizz.
Hoje os jornalistas têm mais medo das bandas do que as bandas dos jornalistas – rs. Há um medo de criticar? Como você faz a sua crítica? Você acha que ela tem que ser levada sempre pelo lado pessoal ou tem que ser algo mais pensado no gosto do leitor?
Difícil analisar sem exemplos: você diz que jornalistas tem medo de bandas: quais jornalistas? Não sei, mas acho que você está confundindo medo com amizade e admiração. É o caso do jornalista que gosta realmente de tal artista, e fala bem porque ele realmente acha aquilo. Não sei se existe medo de criticar, precisaria de exemplos. No meu caso, eu busco entender o objeto de arte – disco ou show ou festival ou filme ou… – no espaço/tempo: o que esse objeto representa para o tempo que a gente vive, o que ele está apontando. O que a crítica precisa buscar é entender o objeto de arte dentro de um todo, porque ele não está isolado: se os Beatles surgissem em 2010 e não nos anos 60 seriam outros, porque o ambiente influencia a pessoa. Desta forma, essa análise é totalmente pessoal porque diz respeito aos signos que cada pessoa adquiriu durante a vida, e que a fazem olhar o mundo (e escrever sobre) de forma particular. Há similaridades entre opiniões sim, mas um texto crítico pode dizer mais sobre o crítico do que necessariamente sobre a obra. Quanto ao leitor, a ele cabe ler, refletir, discordar ou concordar. Ele não diz respeito ao crítico e o crítico não tem que escrever pensando em agrada-lo. É como a relação do juiz com a torcida em um estádio de futebol: a torcida pode gritar, espernear e falar o que quiser, mas o juiz tem que agir com a sua consciência.
Você acha que a internet estragou o consumo de jornalismo musical ou que ela ajudou? Você vê um futuro pra esse tipo de jornalismo?
Ajudou e muito. A internet permitiu que as pessoas, qualquer pessoa, tivessem acesso a um mundo de coisas que ela desconhecia, incluindo ai grandes jornalistas culturais do mundo. Sem contar que ampliou o leque da profissão: se você contar quantas pessoas trabalhavam exclusivamente com jornalismo musical nos anos 80, 90, 00 e agora, é possível que agora o número de profissionais seja três, quatro vezes maior. Ou seja, o futuro é agora.
Querendo ou não, a Bizz foi a revista de música que mais durou no país. Qual foi o segredo de sucesso dela? E por que acha que acabou? Você acredita que esse é o futuro das outras revistas de música pelo mundo?
A Bizz surgiu na hora certa e acompanhou um mercado primeiramente em crescimento, depois em declínio. Essa foi sua cruz e sua espada. Não há como ter uma revista de música em um país cujo mercado da música é uma piada. Talvez uma revista cômica. Quanto ao resto do mundo, depende de cada mercado. O mercado português suporta uma Blitz, o mercado europeu suporta NME, Uncut, Mojo e Q, o mercado norte-americano suporta uma Rolling Stone.
Sobre o Scream & Yell, de onde surgiu a ideia de criar o site? Qual é o número de visitantes diários do site?
Entre 4 mil e 5 mil. O site surgiu da vontade de mapear uma cena local que era muito bacana, falar para outras pessoas de bandas que gostávamos não só da cidade, mas bandas de todo lugar que eram ignoradas pela Bizz, pela Ilustrada e por diversos outros veículos.
O que você acha que atrai o leitor para o Scream & Yell? O que ele tem de diferente das revistas e outros sites de música?
Tentamos (nem sempre com seguimos, é preciso admitir) aprofundar a discussão sobre um disco, um filme, um livro. Nas entrevistas tentamos entender o entrevistado, ir além de onde os veículos impressos (presos no limite dos toques e do papel) conseguem. Nunca foi uma forma deliberada de buscar público, mas sim de responder a dúvidas que nós mesmos tínhamos (e ainda temos). De alguma forma, certa parcela de público nos achou, e nos adotou. Fico feliz e agradecido com isso, embora ter ou não ter público não é a questão em um site independente e gratuito, mas sim sermos sinceros com a gente mesmo. Se ser sincero atrai leitores, ótimo. Se o leitor ficar incomodado com a sinceridade, paciência. A vida segue.
Agora que a Bizz acabou, quais são suas fontes de informações musicais? Nisso eu sei que a internet ajudou, mas como achar o site mais confiável, de credibilidade, para saber sobre música?
Minha fonte é o Scream & Yell, as fontes que abastecem o Scream & Yell, e desconfio que hoje em dia eu iria ser um leitor menos assíduo da Bizz exatamente por estar atuando na mesma área que a revista. Pra que eu vou ler uma entrevista com a Banda do Mar na Bizz se eu posso fazer uma entrevista também? Lógico, existem alguns jornalistas cuja opinião me interessa, de que eu gosto do texto, e quero ler, e se for numa revista eu vou comprar. Por exemplo, gosto das entrevistas do El País e do Guardian, mas raramente leio críticas porque elas podem influenciar o meu pensamento na hora de eu escrever a minha crítica, e eu prefiro tentar ter uma ideia própria, que pode até ser próxima da do Guardian (ou qualquer outro veículo), mas ainda assim é própria. A questão, no entanto, é analisar e entender o crítico, o veículo: isso lhe dará chaves para confiar e mesmo discordar quando determinado jornalista/jornal fala bem disso ou mal daquilo (nesses tempos de eleições isso é importantíssimo).
Veja outras entrevistas aqui
setembro 22, 2014 1 Comment
Prata da Casa na Attöm Dë Tv
O Eduardo Henrique Lopes, que já fez algumas pautas para o Scream & Yell, está desenvolvendo um trabalho próprio bem bacana, a Attöm Dë Tv. Fui o convidado do sexto programa e o resultado você assiste abaixo (os demais estão aqui):
setembro 20, 2014 No Comments
Discutindo música e mercado
Oito perguntas do jornalista Yuri de Castro (de março de 2014) “tateando para ir definindo um trabalho futuro”.
Lembro-me de uma impressão do show de estreia de “Cavalo”, de Rodrigo Amarante. Cito esse por ser o lançamento mais recente da geração do bode jornalístico. Os adjetivos para com a obra deram a impressão de monotonia, sonolência e até uma certa pretensão enrustida de despretensão. Não é regra, mas boa parte dos seus pares de redação se aproximaram dessa visão sobre o álbum e show. No entanto, meus pares (nascidos quase em 90) demonstraram uma certa vontade de interpretar o álbum como um movimento avante ainda que de passos lentos. Experimental. Como se não houvesse ali uma obrigação de fazer sucesso. Me desculpando pelo tamanho da questão e colocando em cheque uma certa intolerância da crônica musical mais tradicional no Brasil com o som da galera barbudinha-descolada, pergunto-lhe: você acha que o pós-Los Hermanos já nasceu mal fadado para quem não aceitou o jeito de uma geração em transição com conceitos de indústria musical?
Mais ou menos. O Los Hermanos foi aceito e respeitado, mas criou uma redoma em torno de si que fez com que imprensa se afastasse e o público os idolatrasse. Criou-se uma certa birra da imprensa com a pretensa intelectualização da música (e da atitude) desses caras, mas não vejo conflito de geração, pelo contrário, vejo a reafirmação da brasilidade que o rock nacional dos anos 80 começou negando, e que Paralamas acabou abraçando (ainda que fizesse mais reggae que samba). O Los Hermanos tinha público e imprensa nas mãos. Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo ainda tem o público nas mãos. No fim das contas, cada geração olha para um objeto de arte com a bagagem que tem. Costumo brincar (falando a verdade) que um texto pode dizer mais sobre quem escreve do que, necessariamente, sobre o objeto que o inspirou.
Se faltou empolgação para o trato com bandas como Mombojó, sobram mimos para o som de novatos como o SILVA, a Mahmundi (particulamente sou pouco simpático aos últimos). Você crê em alguma preguiça dos mais calejados em relação a um certo resgate de alguma “brasilidade” (”filhos do manguebeat”, já li certa vez para o Mombojó) e mais boa vontade com quem se aproxima de uma estética mais etérea e internacional?
Quem diz que faltou empolgação com o Mombojó? “Nadadenovo” foi celebradissimo, e na votação de Melhores dos Anos 00 ficou atrás apenas de Cidadão Instigado e Los Hermanos. O que acontece é que havia uma expectativa que esse disco fizesse o crossover do indie para o mainstream, o que não aconteceu porque a banda pegou a indústria em um momento de queda. Ou seja, eles foram atrapalhados pela bolha (e também pela inocência daqueles que acreditavam que um disco encartado numa revista pudesse chegar às rádios por si só, sem jabá). SILVA surgiu em um outro momento. Se fosse o contrário, com SILVA lançando seu primeiro disco em 2004 por uma revista e Mombojó estreando em 2010, as coisas seriam diferentes para cada um deles.
Eu queria saber o que você acha muito ruim hoje em dia.
Tento não perder tempo com coisas ruins, pois nem as boas eu consigo prestar atenção.
Não é difícil separar um punhado de artistas que vão ficar no caminho do esquecimento. No Rio, o Letuce mesmo conseguindo soar um tantinho experimental pop nunca conseguiu o mínimo de expressão; em São Paulo, Fábio Goes escreveu belas canções pro nada. É claro que todo mundo conhece Nação Zumbi, mas poucas pessoas talvez saibam o quão ainda forte é esta banda em cima do palco e, inclusive, nos álbuns recentes. A culpa é nossa? A culpa é de um todo? A culpa é de um público que demorou a entender os canais de busca independente?
Artistas bacanas ficam no esquecimento desde sempre. Big Star é um caso desses. O fato é que o mundo mudou, a internet entrou na vida das pessoas e a relação com a música é outra. Não há juízo de valor aqui. Além é preciso pensar em como a música chega para o público. As rádios, desde que a Abril Music entrou no mercado aumentando o valor do jabá (e estourando Los Hermanos), estão falidas, viraram dial de publicidade, em que uma música x está ali para vender tanto quanto uma propaganda de margarina. Como Letuce vai chegar ao grande publico se não toca na rádio e nem na TV? O público consome o que lhe é oferecido. A grande massa não quer ir atrás do novo, ela quer pagar aluguel, trabalhar, viver e, no tempo livre, ter algo que a conecte com os outros ao seu redor. Desde sempre vivemos em nichos e precisamos de conexão. Torcidas organizadas, partidos políticos, fã-clube, a turma do boteco, o baile funk, tudo isso é uma forma de cada pessoa se sentir parte de algo, sentir que existe. Todos vivem em uma enorme zona de conforto, mas não dá para culpar ninguém. Ou será que dá?
Se formos montar uma linha do tempo, não creio ser algo chocho uma linha de frente com Curumin, Emicida, Criolo, Tulipa Ruiz, Metá Metá (estes só em SP). Todos possuem boas assessorias, obras que explicam um período de música pop no Brasil, estão na maior cidade do Brasil. Afinal, por que ainda reclamamos que não se faz música interessante no Brasil? Por que ainda há resquícios de implicância com um certo “circuito SESC” se este é o único que consegue fazê-los tocar? Há culpa artística nesse processo? Ou é apenas “deu azar de nascer agora em tempos de vacas magras”?
Respondo com o abre do texto que escrevi para o site português Bodyspace: “A música brasileira vive um de seus melhores períodos em toda sua história”. Ou seja, não me encaixo nesse “ainda reclamamos”. Sobre a implicância com o circuito SESC, acho que surge mais da “concorrência”, de gente que não consegue manter o mesmo padrão de cachês. Claro, o circuito SESC também colaborou no que tange abraçar um certo número de sonoridades e de artistas, seguir uma linha de “indie sambinha”, mas até isso já ficou para trás e vejo cada vez mais espaços dentro dessa programação para estilos variados. Todos os estilos precisam ter espaço, até o indie sambinha.
Tentou-se emplacar Cachorro Grande; teve Gram. Hoje, temos Nevilton. Tivemos uma leva mais mainstream-Bonadio: CPM22, Hateen. É possível que hoje todos toquem nas mesmas casas noturnas (vazias). Esvaziamos o rock no Brasil com tantas tentativas?
Quando você escreve “esvaziamos”, você diz respeito a quem? Não sou dono de gravadora, não pago jabá e não me importo se o cara é rock, rap ou samba, mas sim se ele é bom. A questão, no entanto, é: será que o rock representa a molecada de 12, 14 anos, de hoje em dia? O que as representa? A grande sacada da música pop, e talvez o que a faça especial, é que não há fórmula, e por mais que gravadoras tentem colocar goela abaixo do público artistas x e y, o público vai consumir o que ele quiser. E precisamos lidar com isso. Precisamos respeitar um público que escolhe CPM 22 a Nevilton. Porém, eu gostaria que o Nevilton tivesse o mesmo espaço que o CPM 22 teve (e o mesmo investimento). Dai talvez poderíamos mapear melhor os anseios da massa.
Aqui em SP. há uma parte da imprensa que implica a galera afrobeat. Se você citar Vanguart, ixi, pronto. Você reconhece que há uma má vontade? Se sim, por que? É assessoria voraz? No caso do Vanguart e congêneres é uma certa necessidade de convencimento que torna tudo mais grandioso do que é realmente — e isso afasta? Enfim, queria que você me falasse se reconhece que há já uma coisa contra — menos pelo talento, mais pelas impressões geradas. Não preciso citar que boa parte do jornalismo mais tradicional, por exemplo, não pode nem escutar o nome do Criolo. “Afetado”, “falso”, “fantoche”, é o que se ouve. Fique à vontade pra dizer o que pensa.
Há um gueto geracional que surgiu nos cadernos culturais dos grandes jornais no final dos anos 80, e que, naquele época, só admitia música estrangeira. É um fato. Mas precisamos sempre lembrar que imprensa são pessoas, e dai quando você começa a destrinchar as ideias desse ou daquele cara, talvez entenda que o fato de ele não gostar de Vanguart, por exemplo, é extremamente cabível no universo que ele vive – e que, muitas vezes, não tem nada a ver com o mundo real, que é o da noite, o dos shows, o das lojas de discos. Seria legal vasculhar as redações e perguntar para quem escreve de música a quantos shows ele foi no último ano, quantas vezes ele foi numa loja de discos nos últimos seis meses? Será que uma análise pode ser real feita dentro da redoma da redação? Há como entender o mundo observando tudo de sua baia? Embora alguns possam achar divertido, conhecer Amsterdam pelo Street View é bem diferente de caminhar por ela.
Volto um pouco. Não é difícil pra mim, mais novo, perceber uma certa falta de vontade com uma geração classe média, acostumada com as trocas de gosto no campus da faculdade pública. Hoje, no Twitter, caçoamos chamandos-os de “humanas.jpg”. Mas é uma geração que aprendeu a valorizar Novos Bahianos, sabe o valor do “Transa”, do Caetano Veloso e parece muito mais disposta a entender propostas menos retas, menos MTV — e por isso, parece disposta a tornar “Sou” de Marcelo Camelo um disco cult no prazo de 10 anos — justamente porque a mídia fez pouco caso. Qual seu grau de pessimismo em relação a tudo isso aí dessa pergunta?
Primeiro que colocar “Sou” na mesma frase que “Acabou Chorare” e “Transa” é uma heresia (risos). Cult? Não acredito. Marcelo Camelo só existe porque é um ex-Los Hermanos, e a banda teve uma carreira muito foda. A mídia não fez pouco caso: o disco tem lampejos de criatividade. Ainda assim, Camelo é responsável direto por essa geração aprender a valorizar Caetano, Chico, Novos Baianos. Nos anos 80, pré-abertura política, o cenário estava afundado na mesmice porque a Ditadura calou nossos maiores artistas. Após abertura política, o rock predominantemente inglês se traduziu como válvula de escape e, naquele momento, era importante fazer barulho, não dava para ser indie sambinha. A história vai seguir com Paralamas deixando Police pra trás e se tornando brasileiro, com Picassos Falsos, Raimundos e Mangue Beat (tudo crossover), mas o Brasil só se redescobre de verdade com “Bloco do Eu Sozinho”. Foi como se o Congresso Nacional baixasse uma lei: está permitido gostar de música brasileira. Exemplo prático: Maybees virando Ludov. O que acontece na sequencia é a derrocada da indústria, a falência das rádios e da MTv e, por fim, dos próprios Los Hermanos. Poucos setores da mídia hoje tem a força para respaldar uma cena. Ainda assim, o futuro é magnifico porque essa geração é excelente. Só que o mercado mudou. É preciso, agora, criar um novo mercado.
setembro 15, 2014 No Comments
Oito respostas para o Acesso Cultural
A jornalista Renata Souza, do Acesso Cultural, para uma pauta sobre a criação musical na era tecnológica. Leia o texto da Renata aqui. Abaixo minhas respostas…
Como começou seu envolvimento com a música? E atualmente? Fale um pouco do seu trabalho e um pouco do Scream e Yell.
Meu pai tinha uma vasta coleção de vinis nos anos 70, e eu sempre olhei aquilo com admiração. Hoje tenho mais de 10 mil discos (entre CDs e vinis e boxes) em casa, então acho que o envolvimento começou em casa. Para virar profissão eu precisei sair de Taubaté e vir trabalhar em São Paulo, e ainda assim demorou até eu migrar para a área de cultura, e enquanto isso não acontecia eu abastecia meu próprio site com aquilo que eu gostaria de ver nos grandes veículos. Este site, o Scream & Yell, existe desde 2000, e digamos que já passou da hora de descansar, mas vício é vício e a gente segue carregando ele até onde acha que consegue (pode ser semana que vem, pode ser em 2020, vá saber). Além dele escrevo sobre música e cultura para alguns veículos e, neste ano, assumi a curadoria do projeto Prata da Casa, do Sesc Pompéia, um sonho realizado que termina agora em dezembro (os sonhos bons duram pouco)
Quais as suas principais influencias musicais?
Não sei se tenho influências musicais, mas gostos de ideais passados pela música: nesse quesito, admiro muito o movimento punk e o DIY. Se fossem influências jornalísticas a lista seria imensa começando com Ana Maria Bahiana e André Forastieri e terminando na molecada que está escrevendo agora sobre música, e sempre surge com alguma boa ideia nova. Não dá para parar no tempo.
No cenário atual, quais bandas você indicaria como promissoras?
The Baggios, Molho Negro, Nevilton, Bruno Souto, Transmissor… a lista é enorme e o problema não é falta de bandas promissoras, mas de pessoas (e veículos) que as valorizem. A boa música está cada vez mais ampla no Brasil, e as pessoas precisam apenas descobrir isso.
Em sua opinião, qual a coisa mais legal na cena independente paulistana e o pior obstáculo?
A oportunidade de trocar ideias com músicos de diversos Estados: São Paulo está virando um nicho interessante que anda abrigando muitos nomes geniais da nova música, e essa turma toda aqui em São Paulo pode fazer coisas muito bacanas (e, claro, passar dificuldades: São Paulo não facilita). O pior obstáculo são a falta de bons espaços para as bandas se apresentarem e público interessado em conhecer o novo. A galera tá mais interessada em azaração em forró e barzinho de cover da Vila Madalena e da 13 de maio do que ouvir coisas instigantes. É uma pena.
O que você acha dos programas atuais de competição de bandas (Superstar, por exemplo)? E dos programas de auditório, como Raul Gil?
É um espaço na TV que precisa ser tomado, mas a curadoria, o corpo de jurados, tudo isso mais prejudica o artista do que ajuda. A sensação é de que todo mundo está a espera de uma piada, e não de uma boa canção.
A maioria dos críticos musicais atuais falam sobre um declínio na qualidade do cenário musical atual, principalmente do Rock e, principalmente, após os anos 90. Você concorda que falta qualidade, embora exista a internet que facilita o “nascimento” de novas bandas?
Discordo completamente. Quem fala isso é pai de família que não sai de casa para ver shows ou fica na redação até tarde fechando caderno acreditando que a gravadora vá enviar para ele o CD da próxima grande banda. Quem quer descobrir a qualidade do cenário tem que ir atrás das bandas.
Qual a importância da internet para a divulgação de bandas independentes?
Hoje em dia é vital. Fiz essa pergunta para cinco artistas que colocaram seus discos para download gratuito e todos eles, com veemência, disseram que o download os ajuda não só a vender shows, mas também a vender discos. A internet ajuda muito!
Até que ponto, em sua opinião, a imagem (visual de uma banda) é importante, além da qualidade musica.
Como diria aquela propaganda de refrigerante, “imagem não é nada, sede é tudo”. De nada adianta ter uma imagem e não ter grandes músicas. No mundo atual, é mais importante ser sincero do que ser “arrumadinho”. Até porque o marketing irá vender essa sinceridade. As camisas de flanela do Nirvana são prova disso.
setembro 11, 2014 No Comments
Marcelo Costa no Vitrola Verde

O Vitrola Verde é um programa em vídeo comandado pelo produtor musical, radialista, palestrante e professor César Gavin, e é uma bate papo agradabilíssimo sobre cultura pop, com alguns dos programas focados na coleção de discos dos entrevistados. Recebi César em casa e conversamos sobre jornalismo na internet, festivais internacionais, artistas e, claro, discos. Aproveitando já incluo abaixo, junto da minha entrevista, os bate papos imperdíveis de César Gavin com três grandes amigos: os jornalistas Sérgio Martins, Ricardo Alexandre e Regis Tadeu além de Sabrina Parlatore. Assista!
setembro 6, 2014 No Comments
Quatro respostas: viagens e festivais
Para uma pauta de Flávia Durante publicada na revista Dufry World
A quais festivais de música no exterior você já foi?
Espero que eu não esqueça nenhum: Rock Werchter e Cactus Festival, na Bélgica; T In The Park, na Escócia; Isle of Wight e I’ll Be Your Mirror, na Inglaterra; Primavera Sound e Festival de Benicàssim, na Espanha; Norwegian Wood, na Noruega; Best Kept Secret, na Holanda; Coachella e New Orleans Jazz Festival, nos Estados Unidos; Personal Fest, na Argentina; Primavera Fauna, no Chile. Neste ano devo ver mais três diferentes: Oya Festival, na Noruega; La Route Du Rock, na França; Stockholm Music & Arts, na Suécia.
O que leva você a correr o mundo atrás de festivais?
A paixão pela música: o bacana de um grande festival é que você tem a oportunidade de ver diversas atrações diferentes de uma vez. Isso é sensacional e é algo que estamos experimentando apenas agora, com o Lollapalooza. Minhas viagens são sempre pautadas por shows: tento ir de uma cidade para a outra (principalmente na Europa) sempre encaixando o show de um artista que quero ver. Nos Estados Unidos, por exemplo, quando fui ao Coachella em 2011, que acontece na Califórnia, saindo dali voei para Chicago a fim de ver dois shows do Arcade Fire com o National, e dali para Columbus, Ohio, ver o Decemberists. O roteiro mais maluco que fiz foi o de 2012, em que vi Zombies, Elvis Costello, Big Star e o festival I’ll Be Your Mirror em Londres, fui para Barcelona conferir o sensacional Primavera Sound, e dali passei por Paris (Guns n’ Roses… porque um amigo queria ver, risos), Luxemburgo (Lou Reed), Cork (Tom Petty), voltei para Barcelona para ver Stone Roses, fui para Trieste, na Itália, conferir Bruce Springsteen e terminei em Amsterdã, onde o Afghan Whigs iria se apresentar. É cansativo, mas acabo indo a lugares sensacionais atrás de shows, provavelmente cidades que eu não iria normalmente.
Qual história mais interessante ou engraçada você já viveu em uma dessas viagens?
São muitas. Desde confundir um trem na Bélgica (“Leuven e Louvain, same name”, me disse o cobrador do trem na Bélgica para explicar que duas cidades belgas tem o mesmo nome, um em flamengo, outro em francês, mas eu estava indo para a errada. Eu deveria ir para a cidade com nome em francês, mas acabei quase na divisa com a Holanda do outro lado do país – não precisa muito, afinal o país é pequeno, mas o casal de amigos que estava me esperando para o Rock Werchter achou estranho de não chegarmos no horário combinado). O interessante é observar costumes locais. A comida creole do New Orleans Jazz Festival deverá ser, eternamente, uma das melhores comidas que já experimentei em festival. No Coachella não se pode consumir bebida alcóolica no meio do festival, apenas em áreas cercadas; por sua vez em Bruges, no Cactus Festival, havia umas 10 cervejas diferentes ofertadas ao público. Minha mulher comprou hambúrguer de carne de avestruz no Isle of Whigt, e percebi no primeiro momento que a carne era mais densa, estranha, mas depois ela me mostrou um cartaz na barraquinha em que comprou fazendo comparativos sobre carne saudável. Na Holanda, era mais barato comer dentro do festival do que fora (algo inimaginável no Brasil), e eram pratos mesmo, comida para sustentar a pessoa para oito, dez horas de shows. Em Benicàssim, para fazer amizade com os barmans, pedíamos em espanhol: “Una caña, por favor”, e eles puxavam papo, agradeciam por pedirmos em espanhol e reclamavam dos hooligans britânicos que causavam no evento. Uma das histórias que mais gosto de lembrar em festival aconteceu exatamente no Benicàssim, e descrevi assim no meu blog (sempre faço diários):
A primeira coisa que fiz ao entrar no FIB foi ir direto comer um taco numa barraquinha de comida mexicana. Facada: 10 euros, mas valeu, estava bem bom. E estou eu lá, no meio do prato, quando cola uma menina ao lado: “Você fala inglês ou espanhol?”. E eu: “Não falo bem nem um nem outro, mas diga”. Ela: “Cara, estou com muita fome, você pode me dar um pouco da sua comida?”. O nome dela era Roxanne, era francesa e depois de duas garfadas – cujo sabor deu para perceber em seus olhos – se despediu: “Como se diz bon appetite em português?”
Já tinha acontecido algo assim no primeiro dia, antes mesmo de eu pegar a pulseira do festival. Do lado de fora, uma barraca vendia copos de cerveja de 1 litro por 6 euros. Com o sol a pino, decidi encarar. Uma inglesa colou em mim no balcão e desembestou a falar. E eu: “Calma, calma, devagar”. E ela: “Você é alemão? Fala inglês?”. E eu: “Mais ou menos”. E ela: “Legal, você me entende. Me empresta 2 euros para eu comprar um kebab?”. O atendente, espanhol, comentou: “Você devia ter dito que não sabia falar inglês”. (risos) (continue lendo)
Qual dica você dá para “marinheiros de primeira viagem”?
Aproveitar os percalços que surgem pelo caminho porque tudo é aprendizado. E, sobretudo, respeitar a tradição local. Uma vez em Istambul peguei o barco que segue pelo Bósforo alternando paradas, de um lado no Oriente, do outro no Ocidente. O ponto final era numa cidadezinha quase na entrada do Mar Morto. Vi um restaurante simples assando peixe fresco numa grelha e decidi sentar para comer. Pedi uma cerveja, e fui informado que eles não tinham. Enquanto minha mulher esperava na mesa, fui a uma vendinha e comprei duas latas de cerveja e voltei para a mesa. Quando ia abrir a primeira, o rapaz do restaurante voltou e me informou: “Nós não temos cerveja porque nossa religião não nos permite consumir nem vende-la, e por isso pedimos que nossos clientes não consumam aqui”. Na hora fiquei contrariado, mas guardei a cerveja na mochila e percebi que eu estava na terra dele, na casa dele, e deveria respeitar suas tradições. Mark Twain tem uma frase que adoro, e que resume isso: “Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as ideias limitadas. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens vegetando num cantinho do mundo a vida inteira”. Acredito nisso.
julho 4, 2014 No Comments
#LollaEntrevista: Marcelo Costa

“Marcelo Costa é o criador de um dos blogs de música mais lidos no país, o Scream & Yell. É lá que a gente encontra diversas entrevistas, resenhas, artigos e matérias sobre o que de mais interessante anda rolando na música, seja nas cenas internacionais ou nas brasileiras.
Viajante do mundo, Marcelo já conferiu de perto festivais de música em diversos países, além de estar sempre rodando o país nos eventos que acontecem durante o ano inteiro, em diferentes Estados.
Batemos um papo com ele a respeito das expectativas para o #NovoLollaBR, os shows mais aguardados e a experiência de viver um festival de música.
Marcelo, você está sempre viajando pelo Brasil (e pelo mundo) para cobrir diversos festivais e shows. Levando em consideração toda essa experiência, pra você, qual é o maior diferencial do Lollapalooza Brasil?
Em termos de Brasil, o Lollapalooza se destaca por um ter um line-up muito mais caprichado (e mais extenso) que outros festivais do gênero. E essa nova edição, no Autódromo, talvez seja a que melhor traduza para nós a experiência de um festival nos Estados Unidos e na Europa.
E em relação ao público, acredita que os brasileiros são mais agitados e empolgados que os demais? Aliás, quais as plateias mais animadas que você já viu durante essas viagens?
Os ingleses são enlouquecidos! Muito da vibe de assistir a um festival no Reino Unido surge da loucura dos britânicos. Eles causam muito (risos). Já os brasileiros ainda sofrem da necessidade de ir a um festival unicamente atrás de um show, e não de uma experiência. E isso faz com que muita gente fique plantada guardando um lugar para ver sua atração favorita enquanto estão acontecendo muitas outras coisas bacanas no ambiente. E essa experiência é muito bacana num grande festival. Claro, os shows são o motivo que nos leva a ir a esse ou aquele festival, mas é a vibe do evento que faz o diferencial. Nesse quesito, Coachella (EUA), Isle of Wight (Reino Unido), Primavera Sound e Benicàssim (Espanha) mais Rock Werchter são os meus preferidos.
Sobre nosso line up: você já tem algum palpite de qual será “O” show do #NovoLollaBR? Se sim, qual e por que?
Arcade Fire, sem dúvida. O disco “Reflektor” dividiu opiniões, mas eles são uma das melhores bandas sobre um palco na atualidade. Talvez até as canções do disco melhorem no show.
Qual você acha que será a atração mais surpreendente do festival, aquela que ninguém comenta muito, mas que na hora vai dar o que falar?
Café Tacvba e Apanhador Só devem fazer bons shows que poderão surpreender a massa que irá ao Lolla atrás do headliner do dia. Johnny Marr também deve arrancar sorrisos e lágrimas da galera.
Qual show do #NovoLollaBR que você está mais ansioso para ver?
Vários! Quero ver como o Arcade Fire irá se comportar no palco com o repertório do novo disco. O Vampire Weekend é outro daqueles imperdíveis na minha lista. Também estou interessado em Portugal The Man, Café Tacvba e Apanhador Só. Se tivesse que escolher apenas cinco shows pra ver, esses seriam os cinco que eu não perderia.
março 26, 2014 No Comments



