Category — Entrevistas
Sobre mídia digital e independência

Recebi o jornalista Luis Mauricio um tempo atrás aqui em casa para um conversa sobre os “selos de música brasileiros que procuram diversos meios para atrair público e mídia”, e ele publicou o bate papo nessa reportagem bem interessante: “Mídias digitais sustentam caminhos para os independentes nacionais“. Vale a leitura!
agosto 1, 2016 No Comments
Sobre mídia digital e independência

Recebi o jornalista Luis Mauricio um tempo atrás aqui em casa para um conversa sobre os “selos de música brasileiros que procuram diversos meios para atrair público e mídia”, e ele publicou o bate papo nessa reportagem bem interessante: “Mídias digitais sustentam caminhos para os independentes nacionais“. Vale a leitura!
agosto 1, 2016 No Comments
Quatro perguntas sobre cervejas
Você tem uma marca de cerveja favorita?
Não. Minha preferida é sempre a cerveja que não bebi e, de preferência, local. Se eu estiver em Minas, vou de Wäls, Três Lobos e alguma das Inconfidentes. Se eu estiver em POa, Coruja, Abadessa ou Tupiniquim; se estiver em São Paulo, alguma da linha da Cervejas Sazonais…
Qual é a relação que você tem com o universo craft?
Sou beer sommelier e escrevo sobre cervejas tanto no Birrinhas quanto no Scream & Yell. É um universo que me interessa bastante.
Você costuma ser fiel a uma marca de cerveja?
Não. Existem marcas que me agradam, mas meu interesse é sempre em descobrir uma cerveja nova, inédita. Então se estou em um bar e existem 10 cervejas crafts que já bebi e gosto, e uma que não bebi, vou nessa última.
Onde você compra cerveja e onde bebe?
Meu local preferido para comprar em São Paulo hoje é a loja da Beer4U no Sumaré. Para beber ainda acho o EAP imbatível, mas gosto de dar uma passada na Brewdog SP vez em quando.
agosto 28, 2015 No Comments
Sobre crítica musical no mundo de hoje
Perguntas de Daniel Fardin entre janeiro e março de 2013
Como você observa o cenário que a crítica musical se insere hoje?
Acredito que é um cenário interessante. A internet, em um primeiro momento, possibilitou que todos tivessem acesso à informação, e muita gente acreditou que a crítica perderia seu valor com isso. No entanto, como o tempo mostrou, o volume de informação é tão grande, que as pessoas começaram a perceber que necessitavam de alguém que lhes dissesse o que é importante ou não ir atrás. O crítico então volta a ter uma função. Ainda assim é preciso lembrar sempre que a função do crítico vai muito além de dizer sem um disco (filme ou livro) é bom ou ruim. Isso qualquer um com um blog faz. É preciso focar no espaço / tempo e entender o que aquilo tem a dizer ao mundo moderno.
Com a internet, onde o leitor pode encontrar praticamente as músicas que quiser e tirar suas próprias conclusões sobre elas, qual é a real função e importância do crítico atualmente?
Aprofundar a discussão. Olhar a música como um objeto de arte que existe há mais tempo que a internet, situar e perceber a sua função dentro da sociedade. A maioria do público para no “gosto” e “não gosto”. Não é por ai.
A internet está cheia de blogs e sites amadores que se propõem a fazer crítica musical das mais variadas formas. O que você pensa sobre o crítico amador?
É possível encontrar um grande texto em um blog da mesma forma que encontrar um péssimo texto em um jornal. Não adianta ter carteirinha de crítico e não saber explorar o mundo, e nesse ponto a internet é de extremo valor, pois abre as portas para muita gente que sabe explorar o mundo sem ter “carteirinha”. O que importa, no final, é a reflexão. As melhores surgem, normalmente, dos lugares mais improváveis.
Pra você a crítica feita na internet e na mídia impressa trabalham de forma diferente, existindo tipos diferentes de crítica para cada meio? O suporte pode interfere na crítica musical?
Interfere principalmente no espaço que cada mídia concede a cada profissional. Fazer uma resenha de mil toques em um jornal limita ao mesmo tempo em que fazer uma de 10 mil em um blog pode ultrapassar o limite. Porém é mais fácil ser conciso com 5 mil toques em um blog do que em uma revista e/ou jornal.
Para você o que o modelo online de cobertura musical trouxe de novo para crítica?
O calor do momento. Uma coisa é você ver um show, chegar ao jornal ou na revista, e preparar um texto que vai sair daqui dois dias ou, vá lá, daqui 20 dias na edição mensal da revista. Outra é você ver o show e escrever. As ideias estão mais frescas e você não tem como rearranjar depois. O que você tem é o aqui e o agora. Ou seja, ou você tem conhecimento ou não tem. Antigamente você tinha mais tempo para pesquisar. Agora tem menos, mas ferramentas mais ágeis (e traidoras – nunca confie cegamente na Wikipedia, regra número 1 – risos)
Ferramentas de indicação musical online, como Last.fm por exemplo, de alguma forma podem substituir o crítico? Como você vê o crescimento do uso desse tipo de ferramenta? Você usa alguma ferramenta do tipo?
Humm, indicação é uma ferramenta que existe desde o começo dos tempos. Você ouve legal, comenta com seu amigo, ele ouve, curte e a vida segue. Isso não é critica. Critica é analisar um objeto de cultura e entender o mundo através dele. Uso Last.Fm como um arquivo de tudo que ouvi. Para pessoas metódicas é um algo excelente. Mas não fico olhando o que as pessoas estão ouvindo. Não tenho tempo nem de ouvir tudo que preciso ouvir…
É necessário que o crítico musical tenha uma vivência na área em que se arrisca escrever?
É necessário pensar. E argumentar bem. Um cara que não tenha vivência e nunca ouviu coisas a fundo pode chegar e dizer que Beatles, por exemplo, é uma porcaria. Um texto bem argumentado e fundamentado pode causar uma boa discussão acerca do tema, mas mesmo para isso é preciso profundidade. Crítica é aprofundar uma visão sobre uma obra de arte que, muitas vezes, o artista talvez nem saiba por que fez. Se ele olhasse para o lado, ao seu redor, para a sociedade, talvez ele entendesse. Artistas, no entanto, são individualistas. Cabe ao crítico tentar entender o que aquela manifestação de arte quer realmente dizer. Arriscar escrever é válido, afinal só se cresce criticamente escrevendo e argumentando. A vivência, no entanto, vem de entender o mundo. Olhando com cuidado qualquer pessoa pode fazer isso. Mas a maioria é descuidada. Por isso existem os críticos (risos).
Uma questão que me surgiu há pouco, pra você, o que motiva o crítico amador a escrever sobre música sem ganhar – a princípio – nada em troca?
Não lembro quem escreveu, mas um jornalista disse certa vez que “parte do prazer da cultura pop é falar sobre ela”. Ainda assim, não posso falar sobre os outros, apenas sobre mim: e eu escrevo apenas por prazer de falar de um disco, de um filme, de um livro. Escrevendo e argumentando entendo melhor o meu sentimento em relação ao objeto de estudo. E, numa outra escala, acabo provocando o leitor a se interessar por aquela obra de arte. Meu interesse número 1, hoje em dia, em que o site é respeitado, é provocar o leitor, tira-lo da zona de conforto oferecendo-lhe visões interessantes, diferentes e mesmo muitas vezes discordantes sobre um objeto tal de arte. Acredito que pensando sobre cultura, uma pessoa pode pensar melhor sobre todo o resto. E o que precisamos é exatamente isso: pessoas que pensem.
julho 14, 2015 No Comments
Entrevista: Conexão Cultura
“DJ e degustador de cervejas, o jornalista Marcelo Costa conversou com a gente no “Conexão Cultura” nesta quinta-feira (25). Editor de um dos maiores sites do segmento no Brasil – o Scream & Yell -, o jornalista e Jumper, falou sobre o início do blog, produção de conteúdo on-line, além do impacto que os sites e blogs de cultura pop causam no cotidiano dos brasileiros. Marcelo foi um dos responsáveis pela indicação do Terruá Pará na premiação da associação paulista de críticos de arte (APCA), e também comentou os lançamentos da música paraense e finaliza com uma listinha dos melhores do ano.” Conexão Cultura, Rádio Cultura, Belém, PA.
junho 26, 2015 No Comments
Discutindo a cena musical paulistana
Respostas para Natalia Albertoni (12/2014) para o Guia da Folha
Você ouviu muita coisa nova esse ano? Quais foram os destaques de 2014?
90% do que ouvi este ano é novo, e o fato de rodar vários festivais independentes me apresentou a muitas novidades. Gostei demais do Far From Alaska, de Natal, tanto em disco quanto no palco. E acho que a ficha do Boogarins finalmente caiu pra mim: é preciso vê-los em lugares minúsculos e com bom som, isso valoriza o som deles. O disco solo da Juçara Marçal é algo indescritível. A estreia da Banda do Mar, uma boa surpresa.
Tem apostas para quem vai acontecer em 2015?
Sou péssimo em apostas, mas acredito que a radicalização de bandas como Cérebro Eletrônico, Mombojó e Charme Chulo deverá se ampliar. Essas três bandas, inteligentes que são, descobriram que o mercado é do tamanho de um saco de pipoca, e que se elas fizerem um disco magnificamente pop ou um álbum absurdamente doido, vão alcançar o mesmo público. Isso dá liberdade, e quem souber lidar com a liberdade poderá construir algo especial. De resto, programas de TV vão despejar um monte de artistas ruins no mercado, mas isso acontece todo o ano.
Quais são as melhores casas para conhecer novas bandas?
Estou em um momento de paixão por festivais, então acredito que quem quer conhecer bandas novas tem que ir atrás de festivais como Se Rasgum, de Belém, DoSol, de Natal, Casarão, de Porto Velho, El Mapa de Todos, de Porto Alegre, Transborda, de Belo Horizonte, Coquetel Molotov, de Recife, e Bananada e Noise, de Goiânia. É incrível o nível de qualidade que estes festivais alcançaram, e quem tiver cabeça aberta poderá descobrir coisas especiais.
Porém, não é preciso sair de São Paulo não (a ideia de sair é também conhecer outras cidades, outras pessoas). O Espaço Puxadinho da Praça, na Vila Madalena, já alcançou a marca de mais de 500 shows autorais. 500!!! E a maioria dos paulistanos não conhece sequer 1% destas bandas. A Casa do Mancha é também outro espaço agradável para se conhecer o novo. Um local que entrou no roteiro da agenda de novos artistas é a Sensorial, na Rua Augusta, mas do lado dos Jardins. Tem muita coisa sensacional acontecendo naquele espaço. Mais três lugares para favoritar e ficar atento às agendas: Beco (e o projeto Beco Antes), Da Leoni (e o projeto Noites Café com Leche) e o Centro Cultural Rio Verde. E, acredite, há mais que isso.
Identifica algum problema nessa cena paulistana? Ou vai muito bem, obrigada?
Não vejo problema com a cena, mas com o público: há produção farta (de discos, shows, eventos), mas falta público, falta que as pessoas descubram, que a informação chegue a elas. Será que é dever do artista preparar o almoço, servir, colocar a pessoa na mesa, a colher na boca dela e, de alguma maneira (movimentando sua mandíbula?) ajuda-la a mastigar? Não sei. Há muita música boa sendo produzida em São Paulo e há pouco público. Paralelamente, o show da banda Malta, que é uma porcaria, deve estar cheio. Será possível identificar o problema?
junho 3, 2015 No Comments
Discutindo gravadoras, selos e mercado
Perguntas de Natalia Albertoni em agosto de 2014
A maior parte da produção nacional é feita por selos independentes (criados até pelos próprios artistas)? Desde quando? Por quê?
É um processo que começou no meio dos anos 90, com o barateamento tecnológico, que permitiu que músicos construíssem estúdios sem gastar uma fortuna. A proliferação de selos independentes, no entanto, se deve ao descaso das grandes gravadoras com Música, com M maiúsculo. É importante lembrar que as grandes gravadoras foram importantíssimas não só por investimento dos primeiros registros musicais como na proliferação da cultura. Porém, no Brasil, depois da segunda metade dos anos 90, os investimentos no novo começaram a minguar, e muitas gravadoras começaram a apostar apenas na recriação de modelos até esgota-los (aconteceu com o emo, com o pagode e diversos outros estilos). Ou seja, alguém tinha um vislumbre de sucesso, e a gravadora brasileira ia lá e criava um exercito de bandas clones. Deixou-se de apostar no novo, no risco de algo bom conquistar o público. Com isso, os artistas precisaram encontrar outra saída e os selos independentes se mostraram úteis.
Sempre existiram selos no Brasil, certo? Principalmente nos anos 1980… por que existe esta ideia de que selo é uma forma de produção gringa?
Porque a ideia era copiada das matrizes das grandes gravadoras, que criavam sub selos dentro da própria organização tentando dar uma cara para os produtos daquele departamento. Por exemplo, o selo Chaos, da Sony Music, responsável pelo lançamento dos primeiros discos de Gabriel O Pensador, Chico Science & Nação Zumbi e Skank, nada mais era do que o mesmo selo da Universal norte-americana, que havia lançado bandas como Soul Asylum e Ned’s Atomic Dustbin. No Brasil, nos anos 80, nós tivemos o Plug, selo dentro da RCA que lançou um monte de nomes da cena gaúcha: Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós, Defalla. Lógico que nós já tínhamos selos independentes no país na mesma época. A Baratos Afins, por exemplo, era um selo / loja de discos que havia lançado muita gente boa (Fellini, Golpe de Estado, Voluntários da Pátria) seguindo o velho lema dos selos independentes mundiais: estamos lançando coisas de qualidade que soam estranhas aos ouvidos do pessoal das grandes gravadoras. A mudança acontece quando, no começo dos anos 2000, tudo passa a soar estranho aos ouvidos das grandes gravadoras, e artistas que antes teriam casa num grande selo passam a apostar na independência.
Como você vê essa mudança de rumo no mercado fonográfico? Das grandes gravadoras para os selos… Muda algo para o consumidor?
Mudou muito porque as grandes gravadoras ainda detém o controle da distribuição e ainda detém verba de veiculação (o que faz do dial das rádios um extenso comercial). Então onde o povo irá encontrar os selos menores? Em lojas especializadas, mas nestas lojas só vai quem já sabe o que está indo procurar. A dona de casa, o cara que trabalha na obra, o bancário, as pessoas comuns, que tem uma vida comum cuja música é apenas uma trilha incidental que entra aqui e ali em alguns momentos do dia, fica dependente de canais de divulgação e distribuição que estão viciados, que não recebem o novo, apenas mais do mesmo. E isso faz com que o público entre em um marasmo, em uma zona de conforto bastante prejudicial aos novos artistas. A internet abriu um pouco esse leque, mas as coisas ainda estão engatinhando.
O selo funciona quase como uma curadoria, certo? Qual a vantagem de seguir um e quais são interessantes ficar de olho para acompanhar novidades?
Exatamente. Uma curadoria que, via de regra, segue uma linha estética. Então quando você compra um disco da Sub Pop (norte-americana) ou da Rough Trade (inglesa) ou da Monstro Discos (Brasil), você já tem uma vaga ideia do que pode estar ali, porque são selos que trabalham com nichos específicos e estão com as antenas ligadas para o mundo tentando buscar o novo, algo que continue levando a bandeira do selo estrada a frente. O investimento em um selo pequeno é menor do que é uma grande gravadora, então eles podem apostar mais e tanto acertar mais. Um acerto muitas vezes “recupera” o investimento de 10 “erros”, isso economicamente falando porque discos lançados não são erros, certo. “Velvet Underground & Nico” não vendeu absolutamente nada quando foi lançado, e é um dos discos mais importantes da história do rock. A questão é que, no mundo capitalista que vivemos, uma gravação, um lançamento de disco, uma divulgação, isso tudo custa dinheiro, e as gravadoras necessitam do lucro para continuar lançando discos.
Aliás, o selo ainda é bom filtro para identificar o que há de bom (principalmente levando em consideração o mundão da internet) em um determinado estilo musical? Ou hoje o selo virou um recurso para lançar disco?
Os selos continuam sendo o melhor filtro, sem dúvida. Se há um lugar no mundo onde a música nova pode ser surpreendente é num selo independente.
O que selos nacionais tem a aprender com gente de selo gringo como Nonesuch, Domino, OWSLA?
Curadoria, trabalho a longo prazo e não esquecer que o que importa é a música. No Brasil tudo é pra ontem, então quando um artista é lançado, não se pensa em trabalhar a carreira em longo prazo, a resposta tem que ser imediata. Se fosse assim, nomes como Bob Dylan e Bruce Springsteen teriam sido dispensados sumariamente das gravadoras brasileiras após o primeiro disco. Nonesuch, Domino e OWSLA tentam entender os artistas que contratam e traduzi-los da melhor forma para o público, sem serem agressivos. O que importa é a música, e esses selos se notabilizaram por venderem boa música. Gosto muito do trabalho da Merge, da Secretly Canadian e da YB.
Aumentou mesmo a produção por selo?
Por necessidade de mercado, sim.
É a única via para fazer música no país?
Não. As gravadoras ainda existem e, mesmo hibernando, ainda são uma via possível.
A multiplicação de selos é atestado da desnecessidade de gravadoras? Qualquer artista grava e lança fazendo um selo?
Sim e não. Qualquer artista pode gravar e lançar, mas como vai distribuir? Como vai colocar a música na rádio, na novela, como vai fazer com que seu disco chegue a um público maior? As gravadoras ainda detém esse mercado de distribuição.
O que não muda nessa lógica é a necessidade de ter empresários, certo? Eles ainda são importantes, principalmente para o mainstream…
Eles são importantes no que tange dar liberdade para o artista criar música, e fazer apenas isso. E isso é importante principalmente para os independentes, que precisam encontrar brechas na estrutura do mercado para conseguirem surgir. Um músico pode fazer isso, mas se ele tem um bom empresário, que o conhece e está de acordo com seus ideais e seus desejos, ele pode continuar criando enquanto o empresário fica detectando as oportunidades de mercado.
maio 7, 2015 No Comments
Falando sobre festivais no Jornal da Band
maio 5, 2015 No Comments
Perfil na revista Valência n°4
março 26, 2015 No Comments
Na Revista da Cásper #14

Conversei com Mariana Gonzalez e Isabela Yu, da Revista Cásper, sobre o cenário independente musical atual no Brasil, e a reportagem, que ganhou o nome de “Faixas de Risco” (Página 22) e conta com colaboração dos selos Risco e Uivo, pode ser lida na integra online aqui.
janeiro 11, 2015 No Comments




