10) “Um livro que te fez chorar de rir”

Na primeira vez que fiz essa série, em uma rede social, listei Lygia Fagundes Telles e Oscar Wilde alegando que “nenhum dos dois me fez chorar de rir (o livro do “Choque de Cultura” taí pra isso), mas a inteligência, a perspicácia e o humor classudo deles me ganham”.
Dessa vez até cogitei em pegar o volume sobre “Cortadas ferinas para respostas cretinas de perguntas idiotas” da revista Mad, mas acabei separando o antológico “Comédias da Vida Privada”, de Luis Fernando Veríssimo (que já citei em ao menos duas passagens dos #meus20livros, e reforço: já leste (e dedicaste) “Tu e Eu” para alguém?) e o impagável “Socialismo para Milionários”, do Bernard Shaw, perfeito para gargalhar em silêncio <3.
Porém, matutando sobre sarcasmo e ironia, formas de expressão que fazem a minha alma chorar de rir, preciso ir em meu item definitivo: “Nelson Rodrigues, o Melhor do Romance, Contos e Crônicas”, um volumezinho mulambento que um representante da Folha em Taubaté me “presenteou” – com direito a dedicatória em 1994 (as aspas são porque o volume era cortesia para quem renovava a assinatura da Folha na época).
Eis uma porta de entrada sublime para o universo rodriguiano (entre tantas que existem).

São apenas 11 histórias – algumas, na verdade, excertos de textos mais longos – mas que histórias.
Abre com a absolutamente antológica “A Coroa de Orquídeas”, resgatas peças de “A Vida Como Ela É” (como a clássica “A Dama do Lotação”) e “O Óbvio Ululante” e fecha com a poesia de trechos de “A Sombra das Chuteiras Imortais”.
Depois dessa introdução mágica fui, claro, atrás de todos os livros de Nelson Rodrigues e devo ter enchido dezenas de tulipas de cerveja com lágrimas de riso desenfreado.
Da mesma forma, ri muito com as adaptações de “A Vida Como Ela É” (muitas delas pro Fantástico – quem dera a busca no Globoplay funcionasse) e com o filme “Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos” (2015), de Clovis Mello, padrão quadradinho especial Globo de adaptação, mas que texto, que texto – assista aqui (na integra):
É isso: Nelson Rodrigues me faz chorar de rir.

maio 15, 2025 No Comments

