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A vitória da baixa cultura

“Na primavera de 1917, as plateias parisienses provaram uma amostra dos loucos anos 20, durante um dos períodos mais sangrentos da guerra, quando os Aliados lançaram a mal planejada ofensiva Nivelle e os alemães reagiram com uma estratégia de defesa letal. Em 18 de maio, seis anos depois da morte de Gustav Mahler, os Ballets Russes chocaram a capital francesa mais uma vez apresentando uma tumultuosa produção de estilo circense intitulada ‘Parade’. A lista de participantes era composta de astros de primeira grandeza: Erik Satie compôs a música, Jean Cocteau criou o libreto, Pablo Picasso concebeu o cenário e o figurino, Léonide Massine coreografou, Guillaume Appolinaire escreveu as notas do programa (para as quais inventou a palavra ‘surrealismo’) e o empresário Diáguiliev forneceu o escândalo. (…) O enredo de ‘Parade’ trata, com humildade, do tema da relevância: como pode uma forma de arte antiga, como a música clássica ou o balé, continuar atraindo o público na era do pop, do cinema e do gramofone? Numa feira em Paris, os gerentes de um teatro ambulante recorreram a várias artistas de ‘music hall’ – acrobatas, um mágico chinês, uma garotinha americana – para atrair os transeuntes. Mas as atrações secundarias se mostraram tão interessantes que o público se recusou a entrar. Assim, a baixa cultura passa a ser a principal atração”.

Trecho de “O Resto é Ruído”, de Alex Ross (Companhia das Letras)

setembro 27, 2011   No Comments

Especial sobre o rock gaúcho, 1986

setembro 27, 2011   No Comments