...and you
will know us by the Trail of Dead
por
Sérgio Carvalho
sergio@rac.com.br
Rotular um grupo é uma dura
tarefa. Pode ser que você não concorde, mas se fossemos colocar
todas as diferenças individuais, não existiriam termos para
cada grupo. Na verdade o que a maioria faz é rock’n’roll, e já
está de bom tamanho. Pelo menos é o que pensa o pessoal do
...and you will know us by the Trail of Dead. O som que fazem poderia muito
bem ser colocado no chamado emocore, ou seja, emotion mais hardcore. Algo
assim como som pesado, mas com emoção. Seria perfeito para
definir a banda que vem de Austin no Texas, mas não é só
isso.
Do oeste americano, por telefone,
o boa praça do vocalista e guitarrista Jason Reece, confirma essa
opinião de que seu som é rock simples "que veio do blues
e com influências da soul music". Disse também ter ficado
surpreso com os shows explosivos que fizeram por
aqui, falou ainda sobre literatura na música e Internet. Logo
de cara ele já vai dizendo o que achou do país, e principalmente
do novo disco "Source, Tags & Codes". Confira.
Jason Reece:
Eu amo o Brasil!
S&Y -
Que bom, como vão as coisas? Vocês estiveram por aqui pouco
antes de lançarem seu novo disco, o que acharam do público
e dos shows que fizeram?
JR - Foram apresentações
cheias de emoções e com muita paixão, não sei
explicar ao certo, mas existia algo no público daí que me
agradou muito. Sei lá, vai ver que é a energia que vinha
da platéia que conduzia o show. Seria muito bom se voltássemos,
tomara que isso aconteça logo.
S&Y -
Qual a principal diferença entre esse disco ("Source, Tags &
Codes") e o anterior ("Madonna")?
JR - Acho que em "Madonna", o trabalho
dentro do estúdio foi maior, e houve uma demora maior nas gravações,
fazíamos entre um serviço e outro, demorou de cinco a seis
meses para terminar, acho que foi gravado em três estúdios
diferentes. O trabalho do Mike McCarthy (produtor) acabou sendo maior.
Agora não, fizemos tudo com mais calma e de forma mais consciente,
fomos para um estúdio em um rancho isolado no meio da Califórnia.
S&Y -
Falam muito sobre o som que o Trail of Dead faz, gostam de rotular como
o chamado 'emotion core', ou 'emocore', o que você acha?
JR - Acho um engano, um erro na verdade,
isso é apenas uma forma de colocar o grupo em uma categoria. Para
mim, o que fazemos é rock’n’roll, que veio do blues e com influências
da soul music. Gostamos de bandas como My Blood Valentine, Iggy Pop e música
experimental também.
S&Y -
Então explique como vocês conseguem fazer canções
tão pesadas e com belas harmonias?
JR - Meu Deus! Nunca tinha pensado
assim sobre nossa música. Acho que na verdade é inspiração
e nada mais, as coisas acontecem de forma natural em nossas composições,
com muita simplicidade.
S&Y -
Esse é o segundo disco da banda lançado no Brasil, e quanto
ao primeiro?
JR - Seria legal o público
brasileiro conhecer esse trabalho, mas esse último mostra mais a
nova fase do grupo. Acho que os fãs brasileiros devem procurar na
Internet esse primeiro disco.
S&Y -
Já que você falou no assunto, qual a postura do grupo sobre
músicas na Internet?
JR - Vamos pensar da seguinte maneira,
sei que no Brasil é difícil achar esse disco, e pelo que
sei as coisas aí não são fáceis também,
quero dizer a situação social de uma forma geral. Sendo assim
não discordaria se as pessoas buscassem essas informações
na Internet.
S&Y -
Para terminar na contra-capa do CD existe uma arte sobre uma foto de Rimbaud,
qual a importância do escritor no trabalho da banda?
JR - Acho que sua principal influência
foi no fato de ele trabalhar muito para criar belas poesias, assim como
nós tentamos, que batalhamos muito para conseguir um bom resultado
em nossas canções. Fora o fato de sua obra ser de uma intensidade
rara, assim como queremos que seja a nossa.
...and
you will know us by the Trail of Dead
por
Leandro Miguel de Souza
leandro_pixies@bol.com.br
Fotos
de Adriano Moralis
Nunca tinha ouvido uma música
deles, mas já conhecia a fama do Trail of Dead há um
bom tempo. Além da música, a banda é notória
por seus shows incendiários e pela entrega de seus integrantes durante
as apresentações. Gritam, se escabelam, trocam de instrumento,
quebram os mesmos e ainda encontram tempo pra tocar canções
fantásticas. De vez em quando, lia comentários elogiosos
sobre o grupo e redespertava o meu interesse pelo quarteto. Mas esse interesse
sempre acabava sendo jogado no porão do meu cérebro com o
pipocar de algum lançamento nas lojas. Com o lançamento dos
dois últimos discos do grupo aqui em terras canarinhas, me senti
obrigado a conhecer o trabalho do ToD.
Formada em Austin, Texas, por Conrad
Keely, Jason Reece, Kevin Allen e Neil Busch, o ToD é a banda mais
empolgante da atualidade. Furioso como poucos, o som dos texanos transpira
eletricidade, uma brutalidade assustadora e sedutora. Encontram-se traços
da fúria garageira dos Stooges
(esses caras estão em todas!!!), dissonâncias e experimentações
sonicyouthianas, as avalanches de feedback à la Husker
Dü, a calma incômoda implodida abruptamente em uma torrente
de barulho e raiva, ao estilo Pixies,
uma bateria que mais parece uma metralhadora; todas as boas influências
estão lá e são facilmente identificáveis no
som do quarteto. Se não bastasse o som esmagador, a banda ainda
prima pelas letras, com motivos históricos, citações
pop ("Mark David Chapman", do segundo disco), e quando falam de sentimentos,
falam com honestidade, passando longe da vala comum do emocore (estilo
em que muitos críticos, equivocadamente, enquadram a banda) e fazendo
a sua música soar mais que uma traquinagem juvenil, como a segunda
banda mais empolgante da atualidade , os White
Stripes. Juntando todos esses elementos e mais um cheiro de espírito
jovem (todos os integrantes são de vinte e poucos anos), temos uma
grande banda de rock. Possivelmente a melhor banda de rock surgida nos
últimos tempos.
Madonna
(Merge Records/Trama, 1999)
por
Leandro Miguel de Souza
Na independente Merge Records, o quarteto
lançou dois discos: o primeiro, epônimo, e "Madonna", que
foi lançado por aqui esse ano. Sem o refinamento melódico
do sucessor "Source Tags & Codes", o disco mostra sua força
esbanjando energia crua. A bateria tribal e impiedosa, as guitarras ensurdecedoras
e um delicioso senso de rebeldia (se é com ou sem causa, isso não
importa) regem as canções do disco, bom do início
ao fim.
Com o bolo sonoro pronto, a banda
se preocupou também com o recheio: as letras e os vocais. Conrad
Keely, Jason Reece e Neil Busch não apenas cantam, eles demonstram
a paixão pelo que fazem através do microfone. Não
basta só cantar, tem que participar. Revolta, ironia, cafajestismo
(essa palavra existe?), tudo é transmitido pelos vocais, naturalmente
acompanhados (leia-se soterrados) por paredes de microfonia e uma guitarreira
implacável. As letras, com grandes sacadas ("Não há
nada mais para dizer, então nada foi dito", em "Mistakes & Regrets"),
apostam na ironia ("Totally Natural"), abrem o coração para
mostrar os medos e frustrações da alma ("Blight Takes All",
"Aged Dolls"), e reservam espaço para verdadeiras pérolas
como "Flood of Red" e "Clair de Lune" ("Para que servem as promessas, se
ninguém as honra?").
Nesse disco, a banda já demonstra
sinais da sua evolução, que seria consolidada no terceiro
álbum. Faixas como "Mark David Chapman" (para aqueles que estiveram
morando na lua nos últimos 25 anos, o assassino de John Lennon),
"Aged Dolls", com um imponente arranjo de cordas e "Clair de Lune", uma
espécie de valsa rock n’roll, atestam que a banda investiu em novos
(e bons) caminhos para complementar sua música.
Mas os pontos altos do disco são
mesmo as canções que escancaram a fúria em estado
bruto do grupo. Canções como "Totally Natural", "Blight Takes
All" e "Mistakes & Regrets" (no melhor estilo Sonic Youth, que nem
mais o próprio Sonic Youth consegue fazer) são daquelas que
te pegam pelo cabelo, batem sua cabeça contra a parede até
dar tilt e o deixam estourado num canto pedindo mais (tinha uma banda que
dizia mais ou menos isso).
Mas o perigo reside no final do disco.
Exatamente na faixa 12. DOZE. "A Perfect Teenhead" é um chamado
à guerra para quem não entender a ironia da letra. Impregnada
de ódio (Yeah) ,esse assalto sonoro, de longe a melhor faixa do
disco, é o hino perfeito para os Eric Harris e Dylan Klebolds ao
redor do mundo.
Mas não é só
violência. Os roqueiros brutos também amam. A banda também
manda algumas letras e melodias mais ensolaradas, em meio ao temporal de
medo, raiva e BARULHO. A canção que fecha o disco, "Sign
Your Children", de letra esperançosa e versos espertos ("Quando
os seus deuses virarem pedra, jogue-os todos fora"), possui uma melodia
doce e um refrão petrificante, fazendo a doce brisa da tranqüilidade
voltar a reinar depois da destruição, deixando tudo em seu
devido lugar (tinha outra banda que dizia isso).
"Madonna", como "disco do meio" da
carreira da banda, serve como vitrine da evolução do ToD
ao longo do tempo, da tosqueira psicodélica do primeiro álbum
à grandiosidade do terceiro. Um discaço de rock direto, com
uma pedrada atrás da outra. Muito bom.
Source Tags
& Codes (Interscope/Universal Music/FNM, 2002)
por
Leandro Miguel de Souza
Música é emoção.
Sempre foi. Desde a música clássica, com o suspense da 5ª
sinfonia de Beethoven, a tranqüilidade das quatro estações
de Vivaldi, entre outros, a música significava sentimento traduzido
em som. No rock não é diferente. Os assustadores riffs de
Tony Iommi, a tristeza abissal do Joy Division, a irreverência inconformista
dos Sex Pistols, o descontrole emocional dos Pixies, a boiolagem heterossexual
do Travis
e Coldplay,
provam que o rock foi e ainda é veículo para as mais variadas
emoções. Tanto quanto ele tem o poder de transmitir sentimentos,
o rock possui o poder de provocá-los. Como a surpresa ao ouvir algo
inesperado, repúdio ao escutar algo ruim, ou simplesmente uma vontade
incontrolável de sair pogando por aí .
Ás vezes, mais do que provocar
emoções, determinadas músicas ou discos criam um laço
emocional, uma espécie de conexão celular com o ouvinte.
Uma coisa muito mais fácil de descrever através de sensações
do que de palavras. Algo explicável nas cordas da guitarra de Neil
Young, nos vocais "foda-se-já-que-vamos-todos-pro-inferno-mesmo"
de Iggy Pop, em "Perfect Day", de Lou
Reed. Algo que a pessoa gosta e quer ouvir para o resto de sua
vida.
Por que eu falei tudo isso? O que
esse lance da emoção tem a ver com o novo disco do And You
Will Know Us By The Trail of Dead?
Resposta: Tudo.
"Source Tags and Codes" é emoção
em estado bruto, um disco selvagem e terno ao mesmo tempo que, num momento,
te faz querer sair quebrando toda a casa, e em outro, abre um sorriso largo
no rosto. Quebrando a casa sem perder a ternura.
Os caubóis escaparam da maldição
de outras bandas que migraram de gravadoras independentes para as majors
(Guided By Voices, Reverend Horton Heat). Ao assinar com a Interscope,
não se contentaram em apenas manter o padrão de qualidade
dos outros álbuns. Apenas lançaram o melhor disco de sua
carreira e O MELHOR DISCO DO ANO até agora.
O disco abre com "Invocation", uma
espécie de aceno ao passado, uma confusão de ruídos,
com enxertos de sons estranhos e a vinheta que os apresenta, colada em
cima de uma base de piano. Não chega a ser uma canção,
é uma vinheta armando o clima para a segunda faixa.
Um belo dedilhado inicia "It Was There
That I Saw You", e prepara o ouvinte para uma enchente de guitarras afogando
os apaixonados versos de Conrad Keely ("Deixe-me segurá-la em meus
braços e me aquecer no calor do seu olhar"). É bom saber
que o amor ainda bate forte no coração do presente, mas combalido
rock. Uma das melhores canções do álbum. Um pouco
diferente da faixa anterior, que começa lenta para subitamente explodir
em energia, "Another Morning Stoner" também começa com um
belo dedilhado, mas prefere aumentar sua intensidade aos poucos, culminando
com Keely aos berros: "O que é perdão? É só
um sonho. O que é Perdão? É tudo". Uma das melhores
canções do álbum .
Neil Busch assume os vocais na quarta
faixa, "Baudelaire". Um rock sem firulas, com uma bateria tribal, o baixo
cuspindo trovoadas e um riff tão vibrante quanto sombrio. Foda,
sem comentários. Uma das melhores canções do álbum.
Essa é a parte de quebrar a casa. Jason Reece entra rasgando com
"Homage". A banda não dá arrego e vem distribuindo pataços,
incitando a destruição. Reece grita como que se estivesse
em luta desesperada com seus demônios interiores ("Minha vida é
assombrada pela jovem maldade") e termina enlouquecido ("Você
acredita no que eu digo? Você acredita? Você acredita?") para
despencar em um poço de estática. Um perigo para os ouvidos.
Uma das melhores canções do álbum.
Depois do estupro sonoro, o acalanto.
"How Near, How Far", com uma guitarra celestial e com uma linha de baixo
vigorosa, chamando a bateria para o combate é daquelas canções
que elevam a alma, que nos faz colocar a canção no repeat
umas 50 vezes de tão linda. A letra é poética e tocante,
evocando a paixão de um pintor por sua musa. Keely reassume os vocais
e nos presenteia com a melhor melodia do disco. Como se não bastasse,
um arranjo de cordas entra em campo para o arremate. Uma das melhores canções
do disco. Depois de lavar a alma, o clima sombrio retorna e avisa que aquilo
não passou de uma felicidade passageira. "Life Is Elsewhere" (que
pessimista) avisa que a guerra vai começar e que não adianta
fugir. Ouve-se uma tempestade ao fundo e sons de espadas se degladiando.
Então uma voz declama algumas palavras em japonês (não
sei o que significam, mas não deve ser boa coisa) e prepara o terreno
para a densa e triste "Heart In The Hand of The Matter", de Reece. Com
um belo arranjo, guitarras mais limpas e um piano musculoso, a banda nos
convida a cavalgar o apocalipse, já que nossos pecados estão
sendo pagos aqui na Terra. A melhor letra do disco, falando do egoísmo,
da raiva e de outros sentimentos que estão desfigurando o ser humano,
fazendo-o perder sua alma e um refrão que deixa o coração
com o peso de uma bigorna: "Eu sou amaldiçoado, eu não posso
vencer com meu coração nas minhas mãos". Aqui a batalha
é interior. Uma das melhores canções do disco.
As guitarras voltam poderosas na nona
faixa, "Monsoon" e anunciam o início da batalha. Busch volta para
o microfone e dispara versos raivosos ("Esse mundo é um esgoto onde
Deus gosta de mijar") para descrever uma sangrenta batalha sob uma tempestade
impiedosa. A música acompanha o clima de violência, mas diferente
do descontrole de "Homage", a banda demonstra elegância (será
que isso é possível), com as guitarras investindo no peso
em vez do barulho. A bateria-metralhadora aparece com tudo na canção,
como se estivesse regendo a selvageria. Uma das melhores canções
do disco.
Reece mais uma vez entra rasgando.
"Days of Being Wild", com sua bateria marcial e guitarras estraçalhadoras
diz que é hora de quebrar a casa de novo. A música acalma
e o vocalista afirma que, mesmo com toda a sua fúria, também
é humano ("Posso ficar em seus braços?"). Termina com um
verso inesquecível: "and the next song takes over”"(e a próxima
canção tomará conta). Sem mais comentários.
Ah, mais uma coisa. Uma das melhores canções do disco.
"Relative Ways" já havia sido
lançado anteriormente em single, mas felizmente figura no disco.
Possui um ótimo riff de guitarra e uma grande performance vocal
de Conrad Keely. A letra é primorosa, fala que mesmo sabendo que
a vida está uma droga, a gente consegue se virar ("tudo certo, tudo
bem, tudo está vindo em caminhos relativos"). É impossível
não se emocionar com Keely ao final da canção, gritando
desesperadamente ("Tudo bem. Eu sou um santo. Eu perdôo seus erros").
Uma das melhores canções do disco.
Mais um interlúdio musical,
"After the Laughter". Um piano toca o riff de "Relative Ways". Então,
um coral entra provocando arrepios e transmutando a canção
para outra, abrindo a porteira para a faixa seguinte. Uma das melhores
canções do disco.
Começa então a faixa-título,
que fecha o disco. Keely vem contido, acompanhado de uma guitarrinha marota,
no melhor estilo Neil Young, um piano matador e um batalhão de cordas,
que contribui para o clima grandioso da canção. A letra é
algo além de fenomenal, simples e tocante como poucas, que orgulharia
o mestre Young. Já dominado pela canção, exatamente
no terceiro minuto da canção vem o golpe mortal: aquela melodia
no final de "After the Laughter" volta para trazer lágrimas aos
olhos. Coisa de louco. Quando se acha que a música não poderia
ficar melhor, Keely volta para cravar a canção (e o disco)
fundo no coração do ouvinte: "Eu não sei o que neste
mundo está tentando me salvar, mas eu sinto sua mão a me
guiar". A melhor canção do disco.
Posso estar sendo precipitado, mas
vai ser difícil surgir um disco melhor que este esse ano (também,
se surgir, melhor para nós). Num mundo musical em que as inovações
caminham na direção da esquisitice completa, é bom
saber que mais do mesmo ainda é muito bom, se não o melhor.
Nada é mais poderoso que a simplicidade unida a paixão. Se
não gostar, não sei, daí o problema é seu.
Deixo para você a pergunta de Neil Young no seu novo disco: "Are
You Passionate?" (Você é passional?). Quanto aos rapazes
do Trail of Dead, eles comprovaram sua maturidade e seu talento, num disco
consciente de sua grandeza, mas honesto, emocionado, e emocionante.
Leandro Miguel
de Souza, 18 anos, jornalista, odeia adjetivos (HEHE) e aproveita para
mandar um recado para a Trama: CADÊ O PRIMEIRO DISCO DO TRAIL OF
DEAD?? |