Isa, a bela
parte III e última
por Leonardo Barbosa Rossato 

Isa não tinha respondido se fora ao meu quarto e me viu fazendo amor com a mãe dela. Também não respondi nada sobre minha mulher. Estávamos sozinhos em casa. A mãe e o pai trabalhando. Lembrei-me com esplendoroso afeto de meu amigo... se ele soubesse. Mesmo com nossa grandiosa intimidade, nunca ele aceitaria que a filha se insinuara a mim, eu não teria desculpas se ele nos visse. Isa tinha-me nas mãos, ela poderia fazer ou inventar o que quiser sobre mim. Eu estava fora de si.

O sol da janela da sala bateu forte nos olhos de Isa, ela enquanto pôs a mão contra o sol para proteger os olhos, deixou a blusa do pijama que ainda usava escorregar e pude ver seu seio e a pontinha do bico roxo. Imaginei-me passando a linguinha de leve em volta da rodela do peitinho dela, comecei a delirar: isa só de calcinha andando na rua, várias pessoas nos vendo, eu saindo correndo atrás dela e amando-a na frente de todos, todos vendo o safado louco apaixonado que era por aquela bostinha de menina que nunca tinha visto um pau na frente, ela começou a falar coisas e eu nem percebi só imaginava passando a cabecinha do meu pau quente naquele biquinho duro de menina feliz. Nos peitos de toda menina nova e feliz.

            - ôps..foi mal...acho que vou tomar banho.

Deu uma risadinha simples e foi-se. O que era aquela menina meu deus? Fiquei na sala e... bem há coisas que estou deixando de contar para manter a minha própria integridade. Apesar do que aconteceu, ainda sou um escritor de respeito e tenho uma reputação a zelar. Mas para a narrativa tornar-se mais envolvente para tu, voyeur leitor, contarei que após ela sair, masturbei-me na sala.

Enlouqueci mesmo, ranquei toda a roupa e com o pau na mão, bati uma ali no sofá da casa dos meus amigos e da filha deles. Eu ouvia de lá o barulho do chuveiro, imaginei Isa masturbando-se, aqueles dois dedinhos principais, com as unhas bem cortadas, levemente adentrando aquela xotinha ainda por ser desflorada. A boquinha dela gemendo sozinha de prazer, a água do chuveiro caindo nos lábios virgens dela, os olhinhos virando, os olhinhos contorcendo quando chegado o orgasmo.

Ouvi a porta do banheiro abrindo-se, ela entrara no quarto, corri pelado pra lá. Cheguei perto da porta, suspeitosamente entreaberta. Isa estava de costas com a toalha em volta do cabelo, a bundinha em pé, pequena, a luz do sol no quarto refletia os pelinhos louros da bunda dela. Não agüentei e entrei no quarto.

Paris;

            - você está louca, mulher.
            - louca, né? pensa que não vi, você seu filhodaputa, olhando praquela menininha lá no museu, aquela putadaquelabiscatinha, daquela artistinha modernosa que já deu pra todo mundo aqui em Paris.
            - haha, você tem tanta coisa assim contra ela? pensei até que seria legal, nós três, éramos tão loucos antes.
            - antes. as coisas mudaram, mon cherie, somos civilizados agora.
            - pequeno burgueses, queres dizer.
            - não me venha com essas, seu hipócrita. lembra como ficou quando conversei com aquele atorzinho, como você ficou...aliás, vou te contar a verdade, seu escroto seu verme...eu trepei com ele e trepei gostoso, ele me fez gozar como há muito tempo você não faz. Você goza mais com as palavras que com a sua própria mulher. Você é um fracassado punheteiro escritorzinho de merda que pensa que é comedor e nem come direito sua mulher. Eu quero é ser comida, tá me entendendo, isso aqui tá intalado, seu covarde..seu seu seu seu...Eu gosto de ser bem fudida, coisa que você não faz mais. Você com essa bichisse do Flaubert....foutre ton encrier.....foda seu tinteiro o caralho seu idiota, quero que você foda a mim, sou sua mulher. Sou mulher.
            - o que sua vadia? Sua vagabunda, porque fez isso comigo...sua traidora....você vai ver....(comecei a chorar)
 
 

            .....................................




            - larga isso. eu falei pra você não comprar essa porra, seu louco, você tá bêbado....larga essa arma, você vai fazer merda.
 
 

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            Entrei no quarto de Isa. Como um adolescente inconseqüente agarrei-a brutalmente e comecei a beijá-la por todo o corpo. Senti o pescoço de Isa gelado, molhadinho por que tinha acabado de tomar banho. Senti gotículas de água tocando minha língua. Meu pau roçava a entradinha do rabo dela:

            - Você tá louco?
            - O quê? Você não quer?
            - Sai daqui, vou berrar seu tarado.
            - E o poema? O olhar? E o peitinho aparecendo? E os lábios sem batom como duas borboletas voando dizendo meu nome? e as insinuações?

Ela riu como uma demente, como uma retardada, como uma putinha gozando, com toda a minha força bati na cara dela, acho que bati, no entanto lembro de sentir sangue entre os meus dentes. Um barulho ensurdecedor, vermelho, sim, um barulho vermelho, caí no chão e depois disso não lembrei de mais nada. Apenas dos belos dedos separados e da unha não pintada do deliciosa pezinho de Isa que sorria pra mim.
 
 

Prólogo


 


Tentei desviar o máximo a atenção dessa história que escrevo aqui mas foi difícil. Estou no manicômio, acham que estou louco. Eu, um escritor famoso, elegante, inteligentíssimo, um intelectual do nosso país. O pai de Isa depois de atirar em mim com um revólver junto com a própria Isa inventaram uma história de assédio sexual que acabou virando pedofilia e meu advogado, que paguei muito bem, conseguiu me por aqui para eu não compartilhar junto com aquele bando de bandidos o ar da cadeia pública. Nojentos. Descobriram que atirei sem querer na minha mulher e toda a história que inventei de assalto, mas não conseguiram provas extremamente concretas sobre mim. Além do mais, o assassinato foi na França. É muito bom estar aqui, tenho tempo para escrever. Escrevi essa história e tenho escrito outras sobre loucos, é um ótimo laboratório. Recebo várias cartas de pessoas que me apoiam e de várias que querem me matar, como meu ex-amigo e a TFP, mas não me importo. Esses dias recebi uma carta anônima de conteúdo erótico. Tenho certeza que era da Isa, só podia ser aquela biscatinha que amo. Sim, a amo. E tenho certeza que vocês, leitores, sabem que ela é uma putinha que sonhava deixar um cara mais velho louco mas na hora agá deu pra trás. Tanto que a carta anônima contava estória parecida. Só podia ser Isa. A mãe de Isa me manda tortas de morango que adoro. Nas cartas nunca menciona Isa, apenas o namorado novo. O único rancor é saber como aquela menininha conseguiu me enganar com aquela história de 'você é louco, não quero nada com você'. É claro que ela queria, eu via isso nos olhos dela, eu via isso até na sobrancelha dela. Eu tenho certeza. Vou publicar esse conto após sair daqui, vocês vão comprar? Acho que sim, vocês sabem o que aconteceu, como ela me enfeitiçou, como me deixou louco, como fez de tudo para que eu me apaixonasse por ela. Vocês são inteligentes, acreditam em mim, é claro.

FIM



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