Papo rápido com Kiko Zambianchi
por Tatiana Tavares

No final dos anos 80 ele desapareceu do cenário da música pop nacional. Uma década depois, Kiko Zambianchi ressurge nas paradas com um sucesso jamais alcançado, obtido através de sua participação no CD/DVD "Acústico MTV", do Capital Inicial.

A banda de Dinho Ouro-Preto deu sua versão para "Primeiros erros", música que chegou a fazer um pequeno sucesso com Kiko na época do lançamento, nos anos 80, mas nada comparado ao sucesso atual.

Agora, o cantor e compositor paulistano que, na verdade, nunca se afastou do mundo da música (passou bom tempo compondo trilhas para teatro), está  de volta com um novo CD, "Disco novo" (Abril Music). Kiko diz estar mais maduro e certo do tipo de trabalho que pretende fazer daqui para a frente.

"Não tenho o menor problema em admitir que estou de volta à m¡dia por causa do meu trabalho com o Capital", fala Kiko.
"Não vejo nenhum demérito nisso. As coisas aconteceram naturalmente. Eles estavam precisando de alguém para tocar violão e eu fazia na época uns showzinhos acústicos em bares. Foi só juntar as duas coisas, até porque o grupo já  iria mesmo gravar "Primeiros erros". Dali surgiu uma amizade e foi muito bom pra mim. No próximo disco eles devem até gravar uma inédita minha", adianta.

Kiko lembra que o per¡odo em que ficou "desaparecido" foi um dos mais dif¡ceis de sua vida. "Às vezes precisamos por comida dentro de casa e não temos de onde tirar o dinheiro", conta. 

O cantor chegou a bater na porta de algumas gravadoras, mas o mercado fechado do in¡cio dos anos 90 não o ajudou em nada. "Depois que o Collor subiu a rampa do Palácio do Planalto com uma dupla sertaneja, nào havia mais espaço para ninguém. Aqui no Brasil ainda há este problema: parece que os estilos não podem conviver no mercado. Uma coisa sempre acaba substituindo outra e isso restringe demais as opções. Recebi propostas de fazer regravações de meus próprios sucessos ou descambar para uma música bem mais popular, mas isso nunca me interessou. Não consigo fazer este tipo de música".

Há cinco anos, Kiko chegou a lançar um disco com remixes e regravações, mas segundo ele, o resultado final não foi o esperado. Ele nem considera o trabalho como um disco de carreira. Neste meio tempo, o Ira! e O Surto gravaram duas de suas inéditas, respectivamente "Logo de cara" e "Tudo ‚ poss¡vel", que chegou a estourar nas FMs. "Tive meu trabalho como compositor reconhecido pela Associação Paulista de Cr¡ticos de Arte, que chegou a indicar algumas das minhas trilhas para teatro para premiação", lembra com orgulho.

Neste novo CD, Kiko decidiu dar a sua versão para algumas canções que nunca havia gravado, como "Manchas no escuro", que faz parte do repert¢rio de Erasmo Carlos. "Tive bastante tempo para trabalhar neste disco e acho que isso fez com que o resultado final me agradasse muito". Quanto aos shows, ele admite que quer esperar para conferir a aceitação do público. "Aprendi muita coisa nesse tempo e uma delas é que não devo colocar o carro na frente dos bois. Quero dar um passo de cada vez e, para isso, é preciso tranquilidade e confiança no meu próprio trabalho", resume.