 A
Era do Gelo
por
Alessandra Marucci
Se
a Academia premiasse personagens de filmes de animação,
para o ano que vem teríamos uma preguiça e um
esquilo indicados, respectivamente, às categorias de
melhor ator e melhor ator coadjuvante. O esquilo em questão
é mais expressivo do que um Ethan Hawke e a preguiça
consegue ser mais engraçada do que o careteiro Jim Carrey.
Exageros e delírios à parte, ambos os animaizinhos
são personagens do divertidíssimo A Era do
Gelo (Ice Age - EUA 2002).
Confesso
que a princípio não estava empolgada para ver
o filme, pois os cartazes já estampavam um desanimador
"somente em cópias dubladas". Soube depois, para minha
total surpresa, que há um forte motivo para tamanha barbaridade:
o Brasil não dispõe de tecnologia que permita
o uso de legendas coloridas. E como cravar legendas brancas
em um filme cujo cenário é tomado por neve e geleiras?
O
fato é que venci minha resistência inicial e resolvi
conferir o filme nas telonas. E que bom! A dublagem em nada
diminuiu a deliciosa animação. Aliás, pelo
contrário. Tadeu Mello está perfeito emprestando
sua voz à preguiça e os outros dois (Diogo Vilela
dublando o mamute e Márcio Garcia o tigre) também
nada deixam a desejar.
A
estória é simples: o sério e mal-humorado
Manfred (um mamute), o piadista Sid (uma preguiça) e
o traiçoeiro Diego (um tigre) têm seus destinos
cruzados pelo surgimento de um bebê humano. Enquanto todos
os outros animais rumam ao sul para fugir do frio, esse estranho
bando se une com o propósito de devolver o bebê
a seus pais. O que Manfred e Sid não sabem é que
Diego não é, digamos, muito bem-intencionado.
O
visual é deslumbrante. Em algumas cenas fica difícil
acreditar que o cenário foi criado por computador ou
por uma dessas maravilhas tecnológicas modernas. O roteiro
leve é o pano de fundo para seqüências engraçadíssimas,
piadas inteligentes e situações comoventes. E
se você é o do tipo que não gosta das tradicionais
cantorias dos desenhos e animações, não
se preocupe. Em nenhum momento os animais soltam o gogó.
Como
já vem acontecendo com outros filmes do gênero,
A Era do Gelo agrada a crianças e adultos e, a
julgar pelas reações que observei na sala do Cinemark
onde assisti ao filme, parece que os adultos foram os que mais
se divertiram. Até porque talvez não seja fácil
para uma criança ver graça em uma preguiça
dizendo-se farta "desse negócio de era do gelo" e sonhando
com uma era de super aquecimento global.
Além
disso, em tempos frios, egoístas e individualistas como
o nosso, também as lições sobre amizade,
gratidão e compaixão deixadas pelo filme certamente
têm mais a ensinar aos adultos.
Mas
e o esquilo merecedor de uma indicação ao Oscar
de melhor ator coadjuvante? Bem, veja o filme!
Alessandra,
25 anos, é mais mal-humorada do que Manfred e muito,
mas muito mais preguiçosa do que Sid.
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