{"id":962,"date":"2008-10-19T16:50:46","date_gmt":"2008-10-19T19:50:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/10\/19\/mudhoney-em-sao-paulo\/"},"modified":"2025-03-10T12:30:42","modified_gmt":"2025-03-10T15:30:42","slug":"mudhoney-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/10\/19\/mudhoney-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Mudhoney em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/2951727908\/sizes\/o\/in\/photostream\/\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"450\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/mudhoney_um.jpg\" height=\"308\" style=\"width: 450px; height: 308px\"\/><\/a><\/p>\n<p>Na porta do clube Clash, em S\u00e3o Paulo, na noite de sexta-feira, um tumulto de camisas de flanela e cabeludos fazia parecer que est\u00e1vamos todos fazendo parte de uma loca\u00e7\u00e3o do filme &#8220;Singles&#8221;, de Cameron Crowe (com muito menos garotas do que na pel\u00edcula). Dentro do Clash, a sensa\u00e7\u00e3o se amplificava e a m\u00e1quina do tempo musical parecia ter jogado todo mundo nos primeiros meses de 1992. The grunge is not dead, baby.<\/p>\n<p>Poucas horas antes, na regi\u00e3o do ABC paulista, terminava de forma tr\u00e1gica o mais longo c\u00e1rcere privado acontecido no estado de S\u00e3o Paulo: Lindemberg atirara na cabe\u00e7a de sua ex-namorada, Elo\u00e1, e da amiga dela, Nayara. O caso vinha sendo acompanhado por todo o pa\u00eds e lembra uma das primeiras coberturas nacionais feitas nos EUA (retratada por Woody Allen em &#8220;A Era do R\u00e1dio&#8221;) de uma menina que ca\u00edra num fosso, e n\u00e3o sobreviveu ao resgate numa &#8220;vit\u00f3ria&#8221; da trag\u00e9dia sobre a f\u00e9.<\/p>\n<p>Algumas pessoas podem argumentar que n\u00e3o conheciam Elo\u00e1 (assim como n\u00e3o conhecem os pedintes na rua) e que tem mil outros problemas seus para resolver, um gesto meio umbiguista que podem funcionar tanto como prote\u00e7\u00e3o quanto como ego\u00edsmo, cada um com a m\u00e1scara que melhor lhe cabe. Em S\u00e3o Paulo, de duas a tr\u00eas horas ap\u00f3s a trag\u00e9dia, Ana Carolina, Ed Motta, Beth Carvalho e Mudhoney tentavam entreter seus p\u00fablicos tocando a vida para frente.<\/p>\n<p>O que diferencia o Mudhoney dos outros artistas que tocavam no mesmo hor\u00e1rio em S\u00e3o Paulo \u00e9 que uma das principais forma\u00e7\u00f5es de Seattle leva ao palco uma usina de barulho com o poder de expurgar dem\u00f4nios. Diante de um mundo t\u00e3o violento, diante de crimes brutais, diante da fome e da mis\u00e9ria, admiro aqueles que consigam sair de casa e cantar: &#8220;H\u00e1 quem acredite em milagres \/ H\u00e1 quem cometa maldades \/ H\u00e1 quem n\u00e3o saiba dizer a verdade (&#8230;) \/ Eu n\u00e3o sei parar de te olhar&#8221;. Mesmo.<\/p>\n<p>A passagem dos norte-americanos pelo Brasil visava divulgar o novo (e \u00f3timo) &#8220;The Lucky Ones&#8221;, oitavo disco de in\u00e9ditas do combo liderado por Mark Arm, que abriu o show pontualmente \u00e0s 22h com tr\u00eas porradas, incluindo a excelente &#8220;I\u2019m Now&#8221;. O som, no entanto, n\u00e3o colaborava. Era poss\u00edvel ouvir tudo com perfei\u00e7\u00e3o, mas o volume estava baixo demais para quem j\u00e1 havia presenciado a destrui\u00e7\u00e3o rocker que o Mudhoney promoveu no Olympia, alguns anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O p\u00fablico, hipnotizado, estava pouco ligando para o volume. Bastou Mark Arm assumir a guitarra base e soltar o riff da esporrenta &#8220;Suck You Dry&#8221; que todos foram ao del\u00edrio. Corpos flutuavam sobre cabe\u00e7as enquanto a bateria de Dan Petters fazia da can\u00e7\u00e3o um dragster desgovernado descendo a rua Augusta a 300km por hora. Outro cl\u00e1ssico, &#8220;Sweet Young Thing Ain\u2019t Sweet No More&#8221;, foi recebido com flashes de celulares e m\u00e3os levadas ao alto louvando o metal.<\/p>\n<p>&#8220;Touch Me I\u2019m Sick&#8221; surgiu em uma vers\u00e3o mais limpa com o p\u00fablico cantando toda a letra assim como fez em &#8220;Hate The Police&#8221;, que encerrou o show. No bis, ap\u00f3s a tempestuosa &#8220;Here Comes Sickness&#8221;, Mark Arm pedia encarecidamente para a galera maneirar no pogo e na porrada. &#8220;Tem gente se machucando aqui na frente, por favor, cuidado. N\u00f3s n\u00e3o estamos mais em 1992&#8221;, dizia o vocalista. Quase errado. Dentro do Clash, na noite de (quinta e) sexta, era 1992. L\u00e1 fora, na violenta S\u00e3o Paulo, j\u00e1 est\u00e1vamos em 2008. O mundo n\u00e3o nos deixa esquecer&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/2951659686\/sizes\/l\/in\/photostream\/\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"450\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/mudhoney_tres.jpg\" height=\"299\" style=\"width: 450px; height: 299px\"\/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Fotos: Liliane Callegari (<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Duas vezes Mudhoney, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/10\/14\/disco-da-semana-duas-vezes-mudhoney\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na porta do clube Clash, em S\u00e3o Paulo, na noite de sexta-feira, um tumulto de camisas de flanela e cabeludos fazia parecer que est\u00e1vamos todos fazendo parte de uma loca\u00e7\u00e3o do filme &#8220;Singles&#8221;, de Cameron Crowe (com muito menos garotas do que na pel\u00edcula). 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